História Coletânea de Contos que Talvez Lhe Ajudem - Capítulo 2


Escrita por: ~ e ~gabbyxx

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Deus, Dualidade, Emoções, Jesus, Morte, Sentimentos, Vida
Exibições 25
Palavras 3.347
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lírica, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oi pessoas, sou a Gabby ^~^
Talvez alguns de vocês aqui do site me conheçam, talvez não.
Eu e Rick decidimos postar nossos contos juntos que talvez lhes ajudem ou até mesmo possa incentivá-los a escrever os seus próprios.
O conto se trata da história de Jake Stanford, um personagem que já me é antigo e que sem dúvida é meu preferido de todos aqueles que já criei. Não resisti a contar a história dele individualmente. Jake é um personagem independente e que está presente em outras duas histórias que escrevo/escrevi, a trilogia 69 TEA (a qual o primeiro livro está postado aqui no site e quem estiver interessado em lê-lo pode ir lá no meu perfil e dar uma olhada) e em A Garota Ruiva (que ainda estou escrevendo).
Enquanto leiam sugiro que escutem duas músicas da banda preferida do Jakezito: Save Today e Sympathetic do Seether.
Eu particularmente gostei muito do conto porque ele é beeeem pessoal, então espero que gostem também ^~^

Capítulo 2 - Jake Stanford (gabbyxx)


Fanfic / Fanfiction Coletânea de Contos que Talvez Lhe Ajudem - Capítulo 2 - Jake Stanford (gabbyxx)

A chuva caia sobre meu rosto e era a única coisa que ainda me mantinha vivo. Eu estava deitado no meio do asfalto em uma poça de água e de sangue, meu sangue. Havia levado um tiro certeiro que eu sabia que seria fatal e que me mataria, um ladrão roubou-me não só meu dinheiro, mas também minha vida e a chance de vivê-la verdadeiramente. Logo eu partiria para sempre rumo ao país desconhecido que todos temem e que fica além dessa vida. Logo eu iria queimar, se não fosse redimido.
Essa era a razão da chuva me acalmar, ela lavava minha alma, fazia com que eu finalmente me sentisse limpo, eu finalmente me sentia puro ou quase isso. Talvez fosse Deus apagando por meio dela as chamas que me perseguiriam do outro lado, levasse ele onde levaria, eu sabia: não havia como eu escapar do castigo pelos meus erros.
Levar um tiro não era bem como eu esperava. O impacto da bala contra seu corpo não dói, não exatamente, mas sim depois que você nota que foi baleado, aí vem o desespero e o medo de que dano aquilo pode ter te causado, e isso, é o que torna um tiro algo doloroso e tão terrível.
Admito que de todas as mil maneiras que se tem para morrer, a minha é uma das piores possíveis. Um assalto, uma bala. O que me consola é que não serei mais um desses sujeitinhos comuns que morreram de velhice ou de câncer ou alguma doença e coisa do tipo.
O que é isso Jake? Você ainda não morreu, pode não ser o fim. Morgan ligou para ambulância, vai ficar tudo bem cara. Não, não vai. A quem estou tentando enganar?
Ao meu redor estava uma poça de sangue tão grande que qualquer um que visse saberia que não há mais esperança para mim, mas Aslyn continuava ali ao meu lado, podia ver o desespero em seu rosto e suas lágrimas, embora minha visão estivesse um pouco embaçada. Por um breve instante tudo escurece e sou tomado por pânico e sem mesmo saber porque chamo seu nome:
-Aslyn... Aslyn...
-Eu estou aqui. –Ela diz com lágrimas nos olhos.
Minha visão se estabiliza e por alguns segundos tenho que lembrar a mim mesmo como se respira. Ela estava toda molhada pela chuva, seus cabelos pretos grudados ao seu rosto, seus dedos ensanguentados seguravam minha mão direita com força como se segurasse-a com força o suficiente conseguiria me manter com ela ali. Sou atacado por uma tosse repentina, mas pelo menos ela torna mais fácil de falar, e digo a Aslyn soando um pouco bobo:
-Você está linda, Lyn.
Ela ri e diz com um sorriso delicado e reconfortante:
-Acho que você está delirando Jake.
Rio e isso dói muito, mas não importa, pois valeu a pena, quero estar feliz quando partir. Digo a ela então com um meio sorriso:
-Você deve ter razão. É quase como ficar chapado, só que dói.
Ela faz carinho em meu cabelo com a mão direita, mas não solta a mão esquerda da minha. Nos beijamos, uma, duas, incontáveis vezes e cada uma delas me parece que será a ultima. Seus beijos doem, não pelo meu físico degradado, mas porque eu sabia que meu amor por ela não era correspondido. Eu sentia vontade e dizer a ela que lhe amava, mas não o fiz, porque sabia que o amor dela pertencia a outro e que ele era melhor que eu em todos os sentidos.
Estava com muito medo, para falar a verdade, não queria partir sem ter certeza da minha redenção... Foram tantos os pecados que eu cometi! Sussurro então para ela, minha voz falhando, minha vida se esvaindo, minha alma atormentada aos poucos deixando meu corpo enquanto falo:
-Eu não quero ir para o inferno.
As palavras a assustam, ela levanta a cabeça e me encara, a maquiagem preta e borrada lhe escoria pela cara e contornava seus belos olhos azuis. Ela estava encharcada pela chuva que caia, mas continuava bela. Me perco em seus olhos e eles me levam para outros tempos, então recordo minha historia e penso no quanto desperdiçara minha vida e o quanto daria tudo para voltar ao inicio e viver tudo novamente por ter medo do desconhecido.

Eu tinha cinco anos quando minha mãe me abandonou, me deixando para morrer. Não estou falando de morrer literalmente, mas sim de morrer aos poucos a pior morte de todas: a morte do nosso interior por não temos amor ou mesmo a que nos agarrar e amar.
Não a culpo, na verdade, eu a compreendo, se eu fosse mais velho... Teria feito o mesmo. Meu pai era um bêbado que desperdiçava sua vida em jogos e apostas. Ele batia nela e a maltratava de todos os jeitos que você possa imaginar, talvez fosse a maneira que encontrava de descontar sua decepção por desperdiçar sua própria vida em alguém além dele mesmo. Ela o amava e tinha muita fé em Deus, por isso o suportava... Mas eu acredito que nem toda a fé do mundo às vezes pode nos salvar.
Foi por essa razão que durante 12 anos da minha vida abandonei a Deus, culpando-o pelo estrago que eu mesmo havia feito na minha vida, culpando-o por ter-me tirado minha mãe, a única que parecia me amar de verdade. Culpando-o por eu ter me tornado um desgraçado tão grande quanto aquele que me gerou e que eu odidiava.
Lembro-me perfeitamente da cena, ela vestia um vestido amarelo claro e carregava uma mala, me deu um beijo na testa e partiu, enquanto eu a assistia se afastar em meio a chuva sentado na varanda daquela casa cinza de madeira em que morávamos e que passei todos os dias da minha curta vida.
E lembro-me da mesma forma claro quando a conheci seis anos depois da partida de minha mãe. O nome dela era Aslyn Martins e ela era um ano mais nova que eu. Naquele dia também estava chovendo e eu estava sentado na minha varanda, meu pai havia acabado de me bater por algum motivo banal que eu não lembro (coisa que era mais frequente do que você imagina)... E foi então que a vi, corria para todo o lado. Pra ela a chuva não trazia péssimas lembranças, pra ela a chuva era uma dádiva, o que nos lembrava que sempre mesmo que esteja caindo uma tempestade, devemos ser otimistas o suficiente para conseguir enxergar o arco-íris.
Fui até ela por impulso, começamos a conversar e nos tornamos amigos. Trocamos nossas tristes historias de vida. Ela morava com os avós, o pai lhe abandonara, a mãe morrera no final do ano que havia se passado.
Nossa amizade durou uns bons três anos, mas novamente a chuva me separou daquela que eu amava em segredo por me compreender. Estávamos sentados na varando assistindo a chuva cair... Então eu fiz a besteira de rouba-lhe um beijo. Ela ficou assustada e me bateu, mandou-me embora e eu fui, sua rejeição realmente doeu, principalmente porque boatos corriam que ela gostava de mim.
No ano seguinte foi quando comecei a seguir os caminhos errados e cometer os erros dos quais penso não poder ser redimido. Eu tinha quatorze anos e comecei a me envolver com más companhias. Eu bebia, ia a festas, cada noite com uma garota diferente eu dormia, mas nenhuma delas fez com que eu me sentisse vivo, nenhuma delas eu amei como Aslyn Martins.
Eu não tinha amigos, apenas conhecidos de festa, não tinha intimidade com eles e não contava a eles meus problemas internos e de família, não era o que uma amizade deveria ser. Na verdade, parecia mais uma relação de negócios. Com 15 anos conheci a maconha, mas ela não se tornou um vício, eu fumava apenas em festas, pois apesar de não gostar muito de ser taxado de comum, nesses momentos eu gostava de me camuflar na multidão e por isso apenas fazia aquilo que a todos era comum se fazer.
Nunca me senti a vontade naqueles lugares. A música, aquelas pessoas tão superficiais desperdiçando suas vidas, jogando fora sua juventude, procurando uma anestesia e uma fuga de quem elas eram e seus problemas, exatamente como eu fazia... Tudo isso me sufocava e aos poucos ia roubando qualquer chance que eu tinha de me sentir vivo, tudo aquilo me matava aos poucos. Eu estava morrendo por dentro, mas não me importava com isso.
Eu cometia pequenos crimes, roubos a lojas de bebidas e algumas vezes por eles e por porte de drogas fui detido. Quando estava na prisão eu tinha certeza: o inferno existia e Deus, fosse ele quem fosse, não se importava se queimaríamos nele. Como eu estava errado e como me arrependo! Mas meu inferno não durava muito tempo, por ser menor de idade e as leis estarem a meu favor, logo era solto.
Eu tinha 17 anos quando minha vida começou a tomar outro curso. Em uma noite que havia bebido muito e caído em uma calçada qualquer, uma senhora me ajudou, deixou que eu tomasse um banho em sua casa e conversou comigo sobre meus problemas... Em muito tempo foi a primeira vez que alguém me ouvia. Meu pai era um bêbado, como já disse, não tinha tempo pra mim, todo o tempo que por ele era dedicado a minha pessoa, era para fazer criticas e me bater. Eu conhecia aquela mulher muito vagamente, era bibliotecária, amiga próxima de Aslyn e da família dela, seu nome era Morgan, mas ninguém sabia se era sobrenome ou nome de verdade, ela era realmente gentil e todos gostavam dela.
Depois disso, ela me mandou pra casa e lá fui eu, sentindo algo estranho por dentro, uma coisa que nunca senti: esperança. Esperança de que eu podia ser alguém bom, que eu podia me redimir.
Morgan me arrastava para fazer serviços comunitários, pintar uma cerca da casa de um idoso, levar um brinquedo a uma criança carente. Ela me falava sobre o Deus que eu não acreditava, e vendo todos aqueles sorrisos que ela me ajudava a levar aos outros por pequenos instantes eu conseguia acreditar em mim mesmo.
Foi quando o avô de Aslyn morreu que voltamos a nos falar de verdade, antes apenas trocávamos xingamentos criativos, a razão de tanto ódio nem mesmo eu sabia, porém ambos guardávamos muita magoa um do outro. Nesse meio tempo ela conheceu um garoto chamado Rodger Ackles e eu simultaneamente conheci a Jesus Cristo.
Era uma noite escura de sexta-feira na qual eu novamente desperdiçava aquilo que eu chamava de vida. Eu estava bêbado e até hoje eu não sei se aquilo que vi fora de fato real ou fruto da minha bebedeira. Eu estava sentado em um maldito beco quando um homem me advertiu sobre a bebida, no inicio pensei que era um simples mendigo e o xinguei, mandando-o cuidar da sua própria vida. No entanto, ele era muito mais que isso, eu tinha certeza. Em suas palavras eu sentia paz, eu sentia que ele se importava, que apesar de eu ser candidato a pior pessoa do mundo ele me amava e estava comigo, ele me convidava a me redimir, parecia conhecer-me melhor que eu mesmo conhecia, ele me convidava a caminhar com ele e escolher o rumo certo para tomar na minha vida, com a promessa de que novamente me sentiria de fato vivo e com a advertência: "escolha suas batalhas sabiamente ou nunca irá me encontrar".
Aquele homem tinha uma bondade sem igual e ele se importava se íamos ou não para o inferno, porque ele nos amava. Naquele momento mesmo pensando na possibilidade do delírio, eu soube que aquele era Deus e que ele havia falado comigo... Mas eu fui tolo e não segui seus conselhos.
Na mesma noite envolvi-me em uma briga com um garoto em uma festa, isso foi péssimo. Morgan me buscou furiosa, e para ajudar, no caminho encontramos Aslyn se encontrando com o tal Rodger. Ela levou uma bronca, eu levei uma bronca, ficamos sentados na varanda da casa dela conversando e novamente cometi o mesmo erro de roubar-lhe um beijo. Ela mandou-me pra casa, mas dessa vez não nos separamos.
Aslyn e eu voltamos a ser amigos, e por alguma razão eu comecei a ter sede de buscar a Cristo, eu prestava atenção em cada palavra que ela e Morgan me diziam sobre ele... Mas eu ainda estava perdido.
Estava saindo com uma garota chamada Lidia, ela era minha perdição, mas por ela eu pensava valer a pena estar perdido. Ela me ouvia, apesar de não compreender, eu tentava adverti-la de estar desperdiçando sua vida com idiotas como eu fazia, mas ela não ligava para isso. Seu prazer estava em cigarros e bebida, tinha o sonho de ser jornalista e tinha potencial pra isso, eu amava, mas mais como um irmão, sentia necessidade de cuidar dela, embora nossa relação fizesse coisas que jamais se faria com parentes de sangue.
Assim ia seguindo as semanas, até que Aslyn convidou-me a ir para sua igreja. Não me agradava a ideia, mas acabei indo. Não me senti a vontade lá vendo que eles falavam sobre um Deus que não conheciam. Se eu havia mesmo visto a face de Deus, eu sabia: ele não gostaria que agíssemos como aqueles hipócritas que falam sobre amor ao próximo quando são os que menos amam e que buscam seu Deus apenas pelo que ele tem a oferecer.
Eles me olhavam como se eu não pertencesse ali apenas porque vestia jeans rasgado e roupas de roqueiro, eles me olhavam como se eu fosse um demônio. Por muito tempo de fato acreditei que eu fosse, mas eu sabia que a razão de não pertencer ali não era porque eu era alguém ruim, porque todos somos, mas sim porque se eu fosse seguir a Cristo de verdade, eu não queria ser falso como eles.
Naquele ano Aslyn me deu uma bíblia de natal e eu passei a lê-la e estudá-la tanto que aprendi mais que ela mesma. Falava-lhe que o que sua igreja pregava estava errado, que Deus não queria dar a nós um carro ou uma casa, mas sim queria que nós fossemos seu melhor amigo. Ela ficava com raiva de mim, dizia que eu havia entendido tudo errado, mas eu não me importava muito, com o tempo ela entenderia.
Aos poucos eu aprendia a amar a Deus, mas de vez em quando tinha minhas recaídas e voltava a beber. Não gosto de culpar ninguém, porque sei que a culpa era minha, mas Lidia Williams era minha perdição, como já disse e diversos foram nossos encontros nos quais mergulhamos nos prazeres do mundo um com o outro.
No ano novo do outro ano fui com Aslyn visitar Rodger que havia voltado para sua cidade natal. Ele compreendia o que eu falava sobre as igrejas a Aslyn e isso apenas a deixava com mais raiva ainda. Ele também a amava e vendo que ela o correspondia, desisti disso e voltei para nossa cidade o quanto antes. Ele era um bom sujeito, como eu apreciava rock do bom, mas ao contrario de mim havia seguido bons caminhos, lutava contra o preconceito, era poeta e desenhista, tinha um jeito bem peculiar de ser, mas através dele víamos Deus agindo e que ele tinha muita fé no seu Senhor, por todos os problemas que havia passado. Diferente de mim, suas dificuldades o deixaram mais forte... Eu me afundei em desespero por causa delas.
Quando voltei para minha cidade conheci uma garota chamada Rebecca Jocelyn Blake, a ajudei a encontrar a Cristo, ela era rebelde como o vento e inconstante como o mesmo. Quando a víamos ela não estava mais ali, partiu para causar outra tempestade que novamente mudaria o curso de outras vidas, devolvendo o sentido que este que a ouviu precisava descobrir. Posso dizer que de fato a amei, mas não sei definir que tipo de amor, ela me devolveu minha muiteza, minha vontade de lutar por amor, mas não pelo dela, ela já partira pra outra aventura que não precisava de outra companhia além de Deus e sua própria sombra.
Voltei para Aslyn e realmente lutei por ela... Mas não ganhei o seu amor. Isso me enlouqueceu, novamente culpei a Deus pelos erros dos homens e meus próprios erros que com a perda de Aslyn vieram a surgir, esqueci-me daquele que mais me demonstrou amor em toda a minha vida... Até esta noite em que talvez partisse para o encontro dele.

-Você acha que ele me perdoa por o abandonar? -Digo em um sussurro a garota dos olhos azuis novamente.
Ela faz que sim com um sorriso.
-Ele já lhe perdoou, Jake. –É o que ela diz e suas palavras me confortam.
Sinto a redenção me atingindo. Nunca havia se tratado daquilo que eu podia fazer, nunca foi sobre eu mesmo concertar meus erros... Eles já haviam sido perdoados quando ele morreu na cruz por mim e os cravou no madeiro para que eu, para que nós pudéssemos nos apresentar diante dele sem culpa. Agradeço-o em pensamento e me apronto para meu destino, no fim das contas não importava o que eu encontraria do outro lado, continuaria o amando do mesmo jeito porque nele estava o amor e a vida que eu sempre procurei. E por essa razão eu me sentia feliz, mesmo estando tão perto da morte eu nunca havia me sentia tão vivo.
Dor cobria meu corpo, a chuva quente me aquecia, o ar em meus pulmões se tornava pouco, mas eu sentia necessidade de dizer:
-Aslyn... Tenho que lhe dizer uma coisa. -Ela fica atenta. -Toque Come As You Are no meu funeral.
Ela ri, não acreditando, seu sorriso me deixa feliz.
-Está bem. –Ela diz. –Seu último pedido será realizado.
Sorrio e ela me beija novamente e agora sinto que me restam poucos segundos de vida. Tudo que consigo fazer antes da vida deixar completamente meu corpo é dizer em um sussurro fraco e rouco, pois não resisti:
-Aslyn, eu te amo.
A chuva ainda cai, e molha o rosto dela, de modo que não tenho certeza se é uma lágrima ou chuva. O mundo gira, de repente nada mais faz sentido, não enxergo mais nada e a ultima coisa que escuto é a doce voz de Aslyn sussurrando de volta as palavras que eu esperei a minha vida inteira para ouvir:
-Eu também te amo, Jake.
Seus lábios novamente tocam os meus e me acalmam, me dão força para encarar o desconhecido que estava por vir. Eu realmente tentei ser bom, mas será que tentei o suficiente? Será que serei perdoado por tudo?
As respostas não encontro, mas o escuro vai ganhando espaço em minha mente que começa a falhar e cada vez mais aquele que uma vez vi na terra se aproximava de mim, trazendo sua luz e me mostrando que nunca é tarde demais, que até mesmo nas horas mais escuras e sombrias, Ele mostraria Sua Glória. Mostraria que Ele é o caminho e que ao mesmo tempo que é um Deus que castiga, Ele é um Deus que perdoa, mas acima de tudo, um Deus que nos ama.
O beijo acaba e eu fecho os olhos partindo para sempre para o país dos mortos. Espero pelo escuro, espero que ele tome conta de meu mundo... Mas ele não vem. Tudo que vejo é luz resplandecendo nas trevas e então sei: eu fui redimido, o fim não é o fim, mas o começo de uma nova vida onde deixamos pra trás as aflições do mundo e encontramos o amor da presença do nosso Criador. Onde temos a chance de ser como deveríamos ter sido desde o principio.
Meu nome é Jake Stanford e eu sou o cara que já foi preso mais vezes que um padre foi a missa. Sei que os erros que cometi são irreversíveis, mas assim como todos estou buscando por redenção, estou correndo em direção ao único que poderia me conceder o perdão que eu precisava para encontrar finalmente a paz que eu tanto procurara.


Notas Finais


Obrigado por lerem até o final,
Eu ia deixar o link de 69 TEA e das musicas, mas minha internet está uma merda e não carrega outras páginas ao mesmo tempo kjkk
Abraços, e até a próxima.


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