História Coloring - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Carmilla
Personagens Carmilla, Laura, Personagens Originais
Tags Hollstein
Exibições 20
Palavras 1.060
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 6 - Confused


POV Laura Hollis

Clair sorriu debochada enquanto se afastava de mim. Recebi uma piscadela antes que ela se levantasse, tranquilamente, e olhasse para Carmilla transbordando raiva. Eu estava tão surpresa com a chegada da morena que de imediato não havia sentido o cheiro de ferrugem tomar o quarto, mas, logo que as botas de Carmilla chiaram contra o chão, pude notar que sua roupa não estava encharcada de água. Sua roupa parecia recém-emergida de um oceano de sangue escuro e viscoso.

A espada estava bem presa na mão pálida ensanguentada, sangue que escorria do cabo de couro até a ponta da lamina que brilhava cada vez mais quente.

-Prima!-Ainda sorrindo a loira abriu os braços despretensiosamente. –Faz muito tempo!

-O que você está fazendo aqui? –Seus olhos não desviaram dela nem por um segundo. –Especificamente aqui.

-Pensei que a Laura pudesse estar com fome e entediada. –Ela me lançou um olhar divertido e aquilo pareceu enfurecer mais ainda Carmilla. –E eu também estava entediada.

-Não dei permissão para que você entrasse aqui. –Informou dando dois passos para frente. –Ninguém deveria estar aqui.

-Você tem essa velha mania de esconder as coisas, prima. –A loira finalmente pareceu entender que não iria ganhar um abraço e abaixou os braços, decepcionada. –E você é péssima em esconder as coisas.

Carmilla rosnou e eu pude ver o aço quente da espada atravessar o crânio de Clair como se fosse um bloco de areia. Talvez não fosse prudente intervir na briga de duas vampiras, uma bem armada de uma espada, mas foi isso que fiz. Entrei na frente de Clair, fazendo meu corpo de um pequeno escudo, atraindo finalmente a atenção de Carmilla. A mesma piscou como se tentasse entender minha ação.

-Está tudo bem, ela só trouxe comida e conversou um pouco comigo. –Declarei encarando seus olhos negros, a espada se abaixou um pouco. –Nada com o que se preocupar.

Ela ponderou antes de abaixar totalmente a espada, que tornou a ter a cor cinza do metal, seus olhos me analisavam como se tentassem encontrar qualquer mentira. Respirando fundo voltou os olhos para loira atrás de mim parecendo decidir se iria decapitar a garota agora ou mais tarde.

-Se isso chegar aos ouvidos de Lilita Morgan juro que...

-Relaxa, prima, você já foi menos estressada. –Clair brincou enquanto saia do meu escudo e pegava a bandeja vazia. Sua postura era relaxada como se tivesse acabado de sair de uma conversa casual, mas o olhar duro de Carmilla deixava claro que não existiam brincadeiras. –Bom, Laura, foi um imenso... Prazer, desfrutar dessas horas com você. –Comentou se virando para mim com um sorriso largo. Sua boca raspou rapidamente contra a minha bochecha. –Nos vemos qualquer dia desses. –Ela mal olhou para Carmilla enquanto caminhava para fora do quarto. –Devia limpar esse sangue logo, prima. –Quando chegou à porta se voltou para a morena com ar provocativo. – Laura pode não gostar de ter todo ele por perto.

E então saiu.

 

POV Carmilla

Laura havia se deitado há mais de uma hora e, desde que Clair abandonou o quarto, ela não disse uma só palavra. Seus olhos pareceram me evitar a todo custo e os meus estavam atraídos por ela. A invasão havia causado um grande rombo no pavilhão norte, muitos soldados haviam se machucado com a explosão de nove bombas fortes o suficiente para estourar uma muralha de pedra.

Lilita estava deixando todos enlouquecidos. Inclusive a mim.

Fielmente acreditava que minha mãe poderia me deixar louca mas nada, no mundo, se comparou ao que senti vendo Clair e Laura sentadas junto a lareira enquanto eu pingava sangue. Algo estranho se agitou no meu peito, uma queimação descomunal alojada bem no meu estomago. Clair estava afastando a mecha de cabelo do rosto da garota, se aproximando como uma pantera na espreita da presa. Não. Eu não permitiria aquilo.

Eu estava acomoda na poltrona com um livro aberto sobre o colo observando o fogo da lareira quando houve uma agitação nas cobertas na cama, na verdade deixando minha mente deliberar sobre o incomodo mais cedo de ver a interação das duas, quando Laura começou a se debater e resmungar, o corpo pequeno se contorcendo como se estivesse sob o efeito de tortura. Algo se aqueceu no meu peito na medida em que eu me aproximava. Minha boca já havia aberto para chama-la quando ela, choramingando, chamou:

-Carmilla...

Minhas mãos hesitaram a centímetros de seus ombros, então recuraram. Ela continuou a murmurar frases que não faziam sentido e tornando a me chamar. Urgente.

-Você prometeu... Não iria me deixar nunca...

O que aquela diaba loira estava sonhando? Provavelmente era um pesadelo. A curiosidade estava se acercando tanto do meu pensamento que, quando notei, atirava a minha mão para frente, inconsciente, meus dedos se enrolando no seu couro cabelo em um carinho suave.

Você está louca? Perguntou a parte racional do meu cérebro. De onde veio essa ideia de carinho suave? Lilita vai descobrir e acabar com você!

No entanto, à medida que meus dedos corriam, o grau de agitação dela diminuía. Seu rosto adquiria uma expressão mais suave, sua respiração tranquilizava. Um suspiro exasperado saiu por entre meus lábios.

Laura era a garota mais intrigante e nada perigosa que eu já havia conhecido no mundo. No entanto, minha mãe insistia de maneira irritante que ela iria aprontar algo para nos destruir e que ela deveria sofrer até não suportar mais. Até desejar a morte.

Quando finalmente o quarto restaurou sua calmaria eu afastei minha mão, o perfume dela estava grudado em mim como cola. Desejei ter força o suficiente para tira-la fora e ignorar aquela sensação de satisfação que começou a se projetar em mim. Não. Eu havia sido treinada para lidar com situações assim. Escolhida porque era a pessoa mais leal e fria.

-Carmilla...

Já estava na metade do quarto quando novamente a voz um pouco desperta tornou a soar:

-Eu amo você...

Desprevenida. Fui pega desarmada.

A garota adormecida na minha cama que, desde o primeiro momento, fora torturada e continuava mantida em cativeiro dizia que me amava. Alguém que ela achava que conhecia. Eu. Um monstro sem alma, sem escrúpulos ou qualquer sombra de piedade deixei que minha alma enegrecida absorvesse aquele som.

Laura Hollis, nunca poderia amar um monstro como você. Sibilou uma voz fria ao pé do meu ouvido.

E ela tinha total razão.



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