História Colors [Malec] - Capítulo 21


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Categorias As Crônicas de Bane, Os Instrumentos Mortais, Shadowhunters
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Aline Penhallow, Catarina Loss, Céline Herondale, Clary Fairchild (Clary Fray), Isabelle Lightwood, Jace Herondale (Jace Wayland), Jocelyn Fairchild, Lady Camille Belcourt, Maryse Lightwood, Max Lightwood, Personagens Originais, Ragnor Fell, Robert Lightwood, Simon Lewis, Stephen Herondale
Tags Alec Lightwood, Clace, Lemon, Magnus Bane, Malec, Shadowhunters, Sizzy, Tmi, Yaoi
Visualizações 463
Palavras 4.688
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Novamente, uma hora da manhã. Mas eu estou em um misto de felicidade e saudade com esse capítulo.

Chegamos ao fim, meus amores. Agradecimentos as pessoas que me tiraram do azul e fizeram comigo um céu lilás, nas notas finais.

Enjoye. ❤️

Capítulo 21 - Colors


Você era vermelho e gostava de mim porque eu era azul

Você me tocou e de repente eu era um céu lilás

Colors, Halsey. 


As ruas lotadas de pessoas vestidas de branco não chamavam a atenção de Alec. O céu chamava. Estava estrelado, como se estivesse vestido para o momento. Eles estavam indo para a praia, Ragnor havia convidado para uma tenda particular, e ambos — Magnus e Alec — não tinham nada melhor para fazer, então também estavam de branco, indo aproveitar o famoso dia trinta e um de dezembro. O dia das promessas. O dia da nostalgia. Dos fogos. Dos beijos. Das histórias refletidas e contadas. Das ondas puladas e da sensação de páginas em branco para serem escritas ou reescritas. Magnus dirigia concentrado, perfeito naquela camisa apertada em constraste com a pele morena, e Alec parou para observa-lo quando o sinal fechou. Magnus pareceu enrubecer, e Alec sorriu e lhe deixou um beijo na bochecha. Em silêncio. Tudo que eles faziam eram dirigir e refletir. Foi um grande ano.

•••

— Você veio! — Ragnor exclamou quando viu o irmão entrar, de mãos dadas com Alec e com um sorriso que havia se tornado rotineiro depois dos olhos azuis — Eu não pensei que viria.

Havia se passado um tempo desde as pazes, mas não havia deixado de ser estranho. Magnus às vezes queria rir da reação de Ragnor quando demonstrava que se importava. Como estava fazendo agora.

— Por que não? — Magnus perguntou com a voz calma; ele queria saber por que Alec não falava nada, e não fazia nada além de sorrir, mas não iria estragar o momento; estava bom, como a muito tempo não era — Você me chamou, e bem, família são para essas datas.

Ragnor sorriu pequeno, e Alec pediu licença, desvinculando do abraço e fazendo Magnus sentir vazio.

— É ela. — Ragnor apontou com a taça de champanhe para uma garota com a pele bronzeada, e cabelos cacheados, os lábios carnudos e o vestido branco perfeito na pele negra — Linda, não é?

Magnus sorriu diante do irmão apaixonado. Giuliana, era o nome dela. Ela realmente era linda, e Ragnor parecia feliz, e isso era tudo que importava. As pessoas que ele amava felizes. Seu irmão feliz, James feliz, Catarina feliz, Connor e Ollie casados e felizes, e principalmente, Alec feliz. Isso era a prioridade, a felicidade de Alec era a sua.

— Não faz meu tipo. — brincou Magnus — Mas sim, é. Parabéns.

Os olhos de Ragnor brilhavam, e Magnus se viu no reflexo. Era a maneira que ele olhava para Alec, devoto.

— Seu tipo são cabelos negros e olhos azuis. — Ragnor respondeu suave — Não mude.

— Nem pretendo. — Magnus praticamente exclamou pegando outra taça de champanhe — Ele é tudo. — ele parou um pouco, observando Alec ao celular, parecendo perdido — Posso levá-lo a pedra? Você não vai ficar com raiva, não é?

A pedra. Quando tinha treze anos, e Ragnor quinze, eles sentiam falta de casa. Casa, a Indonésia, não Alicante. Então, encontraram aquela pedra na praia, deserta e distante, onde ninguém passava e quase nada se escutava. Eles iam uma vez por semana antes de tudo desmoronar, e renovavam suas promessas um para com o outro, em sua língua natal. Nunca esqueciam quem eram e estavam bem com isso. Magnus tinha um M no dedo anelar, e Ragnor um R como pingente no peito. Eram Magnus e Ragnor Blackburn, filhos de socialites e da elite, mas juntos, eles eram Bane e Fell, os mesmos que vieram de um orfanato, que passaram fome, e choraram juntos. Existem laços maiores que sangue, e esse foi um ensinamento, dos muitos, que aprenderam juntos.

— Podemos arrumar outro lugar para chamar de nosso. — Ragnor falou simplista — Está tudo bem.

A garota se aproximou e Magnus sorriu largo, ao ver que ela fazia seu irmão sorrir largo. Assim como Alec e Isabelle, eles eram a metade do mesmo todo. Quebraram juntos, caíram juntos, e se ergueram juntos. Era um conceito bonito.

— Esse é meu irmão, Magnus. — Ragnor não o olhava para falar, mas quem o culparia? Ele estava apaixonado, e Giuliana definitivamente era a única coisa que ele enxergava em toda praia — E ela é minha rainha.

A moça pareceu desconcertada, e Magnus, como todo irmão mais novo irritante, pegou a mão dela sobre a dele e depositou um beijo galanteador, só para ver o irmão com ciúmes.

— Muito prazer, Magnus. — ela disse, e era doce a voz — Ragnor fala muito sobre você.

— Bons jeitos, eu espero. — Magnus tomou mais um gole de whisky agora, e sorriu.

— Não seria de outra forma. — Ragnor respondeu rapidamente.

A garota se afastou, indo para as amigas, e Ragnor se aproximou. Magnus sentiu a mão dele no ombro, e virou para olha-lo. Mesmo muito alto, Ragnor era apenas cerca de dois centímetros menor, e juntos, eles eram como torres mais do que visíveis, paredes blindadas de músculos duros e de corações moles.

— Eu sei... Que esse ano foi estranho para nós dois. — Magnus falou, desviando de Alec um momento e focando no irmão — Mas eu me arrependo das coisas que fiz e disse, e sei que você também. Você provou isso.

— Eu só... Não quis, Magnus. Você sabe agora. — Ragnor disse.

— Sim, sei. — respondeu Magnus — Mas eu estou feliz por ter você de volta. Meu irmão, minha metade. Sempre e sempre.

Ragnor sorriu pequeno e de lado, lembrando da promessa feita em um quarto de orfanato mofado, usando os mindinhos como contrato selado. Eram crianças quando aquilo reafirmaram, e eram homens agora, mas existem laços mais fortes que sangue.

— Sempre e sempre. — repetiu Ragnor — Eu também estou, Magnus. Você é minha única família, e família é sagrado.

— Eu escutei Alec falar com a irmã uma vez. — Magnus disse perdido no momento — "Somos a metade do mesmo todo", ele disse. Se aplica a nós, não é? Só que nossas metades não brilhavam.

Ragnor riu fraco.

— Você sempre brilhou. — ele disse e tinha certeza na voz — Sempre. Mesmo em cacos, eram cacos de diamante e eles brilham. — Magnus não tinha resposta, e Ragnor se entregou ao que nunca confessou — Eu amo você.

Magnus piscou três vezes seguidas, e entre abriu os lábios, surpreso.

— Eu amo você também. — ele respondeu.

O abraço foi natural. Como abraçar uma parte de si, que não sabia a existência até aquele momento. Seu irmão, sua família. Sua metade.

•••

Alec largou Magnus, e sentiu falta do calor imediatamente, mas tinha prioridades.

Isabelle.

Faziam dois dias desde o julgamento, e tudo que ele pensava era como ela estava. Como ela havia sido afetada, como foi para ela. Ele a amava, a amava com todo seu ser quebrado e dolorido, a amava como amava Magnus, e o amava com sua alma, corpo e coração. Ele olhou para o céu, e lembrou dos dias que a irmã se encostava em seu peito na varanda e juntos, ele contavam estrelas. Alec a ensinou sobre constelações e Isabelle o ensinou sobre moda enquanto dividiam o fone de ouvido. Isabelle havia sido sua rocha, seu alicerce. Seu coração, sua dor, sua alma quando ele sentiu que não possuia mais nenhuma. Ela o manteve funcionando até Magnus ressucita-lo com o amor que veio com os olhos verdes. Mas antes disso, existia quem o mantinha de pé. Alec era grato e sempre seria.

Tomado de coragem, ele discou para a irmã. O número de Isabelle era o um na discagem rápida, e Alec sorriu. Ele sabia que aquela hora — oito e meia da noite — seus pais não estariam perto. Muito provavelmente, na igreja. Não havia riscos para ela, sua menina.

— Alec? — a voz doce e infantil soou do outro lado e ele sentiu o coração afundar.

— Iz.. — Alec sussurrou, e fechou os olhos, apertando o celular entre os dedos — Iz.. você está bem?

— Eu estou com saudades, Alec.. — a voz ficou chorosa, e ele se obrigou a ser forte — Me perdoe, por favor.

— Não estou com raiva, estrelinha. — Alec sorriu com o apelido, e quase teve o vislumbre do sorriso de Izzy, lindo e cristalino, sincero — Eu também estou com saudade, Izzy.

— Onde você está?

— Na praia. — respondeu — O irmão do Magnus montou uma tenda esse ano.

— Bom... — a voz dela esmoreceu, e Alec sentiu a tristeza.

Ele estava tão sufocado. A sensação de negligência com ela. O amor por ela. Sua irmã, sua metade. Lightwood sempre juntos, eles diziam. Sempre, sempre, sempre. Ecoou várias vezes, e o silêncio se manteve.

— Iz... — Alec iniciou — Isso não vai durar, eu prometo. Vou te ajudar a sair disso como eu saí. É minha primeira meta para o ano novo e minha prioridade. Acredita em mim, não é? — a lágrima enfim, caiu — Não é?

— Alec... Eu te amo. — ela respondeu, e ele sabia que aquilo era um sim.

— Eu também te amo, pequena. Muito, Izzy, muito. — ambos choravam, e Alec queria abraça-la.

— Você realmente promete?

— Sim. — ele respondeu firme — Somos a metade do mesmo todo. Se você sofre, eu sofro. Se está feliz, eu estou também. É isso...

— Sempre juntos.

— Sempre.

O silêncio se instalou por alguns minutos, apenas as respirações do outro lado da linha.

— Alec?

— Sim?

— Eu amo você.

Ele sorriu, então.

— Eu amo você também. — respondeu de volta — Feliz ano novo.

— Para você também.

Alec desligou, e encarou o mar. Pessoas corriam, abraçavam, beijavam, e as águas assistiam. Calmas, serenas. A lágrima bateu na areia, e ele fechou os olhos. Realmente, havia sido um grande ano.

Alec ainda tinha os olhos fechados quando braços fortes lhe abraçaram por trás, e ele derreteu naquele abraço, por conhecer o cheiro do dono. Sandalo, cigarro e álcool. Magnus. Seu Magnus. Alec colocou a mão sobre a dele, e apreciou o corpo de Magnus contra o seu e a respiração dele em seu pescoço.

— Posso saber o que houve, meu anjo? — Magnus perguntou em uma voz sussurrada.

— Agora não, amor. — Alec respondeu sem olha-lo.

Magnus o virou para si, e seus lábios quase encostaram. Por um mísero segundo, Alec esqueceu o mundo.

— Tenho um lugar para leva-lo. — Magnus falou baixo, as testas encostadas e os narizes roçando delicadamente — Me daria a honra?

Magnus não insistia quando ele dizia que não queria. Era algo que Alec apreciava. O respeito. Ser totalmente dono de suas vontades, e Magnus não o questionava por isso.

Alec o deu a mão, e Magnus beijou casto sem desviar o olhar penetrante e Alec corou.

— Meu motivo é você, Alexander. — Magnus disse rouco — Minha razão, minha vida. Sabe disso, não é? Sabe que me tem, não é?

Seria hipócrita se dissesse que não. Tinha Magnus tanto quanto Magnus o tinha. E Magnus o tinha por completo. Por inteiro. Sem nenhuma mínima célula se esquivando da entrega. Seu amor, seu amante, seu melhor amigo, sua luz, sua alma.

— Você também me tem, meu Magnus. — Alec se colocou na ponta dos pés descalços, e alcançou os lábios, deixando um beijo sem línguas, um toque puro e carinhoso — Meu.

— Seu. — Magnus o respondeu — Seu.

O caminho foi silencioso, Magnus o abraçava e Alec encostava a cabeça no braço dele. Magnus usava um sobretudo preto, e Alec estava mais do que arrependido de estar sem casaco, estava frio.

E então chegaram a um lugar que tinha uma pedra, enorme. Alec o encarou sem entender o motivo de estarem ali, e Magnus suspirou.

— Existia muita gente lá. — Magnus disse, simplista — Eu quero isso com você, só você. Recapitular nosso ano, e beijar você. Além de que, é um lugar especial para mim. Vinha aqui com Ragnor quando éramos crianças. — Magnus soou nostalgico, e Alec sorriu — Nunca trouxemos mais ninguém aqui. Mas você... Você sou eu, eu sou você, juntos somos um. Não tem diferença.

Alec sorriu e as covinhas apareceram. Ele pegou a mão de Magnus e aceitou o convite de sentar no colo dele, na areia, encostados a pedra. Era completamente deserto. Eles podiam escutar os corações baterem, e as respirações pesarem.

— Quando eu te vi pela primeira vez — Magnus falou aleatoriamente e Alec virou para olha-lo — Pensei jamais ter visto algo tão lindo. Passaram os meses, e eu precisava ter você, ou eu morreria. E então você disse que me amava... E eu me senti tão em paz.

Não existia resposta e Alec reclinou no peito largo do namorado, apertando o cordão entre os dedos e suspirando.

— Eu tive tanto medo que meus erros e medos me roubassem você, Alec. — Magnus continuou — Tanto. Você é meu ar, e ar é indispensável. A melhor coisa da minha vida foi você. Me salvou, me acordou. — era uma declaração, era mais uma linda declaração e Alec amoleceu naqueles braços, a sensação de plenitude, a sensação de ser amado, de ter um coração batendo fora de seu peito, de amar na mesma intensidade — Me tirou do chão e me fez flutuar. Sei que perdemos tempo brigando, mas... Me perdoe. Pelo tempo que fiz nós perdemos. — Alec enlaçou a mão pálida na dourada de Magnus, e o homem pareceu derreter — Ah, Alexander... Eu te amo tanto. Nada do que eu diga, vai mostrar o quanto te amo, mas não vou cansar de tentar.

O beijo veio. Lento, tão lento que os olhos fecharam lentamente também. Magnus o pegava pelos cabelos com carinho, as mãos fazendo círculos entre os fios macios, e Alec mantinha os braços enlaçados no pescoço dele. Doce, e amargo ao mesmo tempo, mas tinha gosto de lar. Tinha gosto de salvação, de amor.

— Quando esse ano começou, eu pensei que não passaria dele. — Alec começou, e era a vez de Magnus escutar — Mas conheci você. Você me chamou para um café, e mais um e uma infinidade deles. Ah, Magnus, como eu não iria me apaixonar por você? Como é que faz para não te amar? Você estava aqui, quando ninguém estava. Você me concertou, amor. Me concertou, não me julgou em meus erros. Você me trouxe a vida, Magnus. Meu, meu. — era uma necessidade reafirmar — Meu amor, minha vida, minha alma.

— Minha luz, meu ar, meu fogo. — Magnus sussurrou, e parecia uma promessa — Minha paz, meu refúgio, meu esconderijo. Eu passei tantos anos escondido em uma muralha, Alexander. Mas eu não sou a prova de balas quando se trata de você. E você veio, e me derrubou. E eu gostei. Gostei de queimar por você.

— Gostou? — Alec perguntou, baixinho e franzindo o nariz.

— Gostei de queimar por você. — repetiu Magnus — Por que hoje, eu queimo com você. Desde as cinzas dos nossos cigarros, até as partículas mínimas de quem sou. Me prometa, Alec, que não vai embora nunca. Me prometa que não irá me destruir.

Alec sentiu o medo de Magnus ali. Ele o deixar. Ele ir. Lhe perder. Era demais para alguém.

— Eu prometo. — Alec fez, por que era verdade — Você me deixou pegar suas defesas, Magnus. E eu vou cuidar de você.

Magnus ergueu os olhos verdes, e o beijou novamente. Beijar Alec tinha sensação de tudo de divino e sagrado. O amor dos anjos, Magnus lembrava, é uma coisa sagrada.

— Você tem noção do quanto eu te amo? Do quanto eu estava fodido em janeiro, e estou explodindo dourado em dezembro por que você está aqui?

— Você é o amor da minha vida. — Alec falou em uma voz sussurrada — E tudo que eu quero é viver e aprender a amar você.

Magnus o puxou para perto, desafiando Newton e a inércia. Alec era a única exceção. Os olhos azuis, que lhe fizeram cair. O sorriso que lhe fez amar. O corpo que lhe aquecia. O coração puro que ele não merecia. Amava tanto Alec que chegava a doer.

— Se meu coração fosse uma tela, cada pedaço dele seria você. — Magnus sussurrou, os lábios quase colados novamente, e Alec fechou os olhos, entregue aquele momento, aquele perfeito e eterno momento, algo que ele sempre lembraria — Meu coração tem uma fonte de turbulência autônoma, pois o trato como uma criança doente satisfazendo todos os desejos dele. E tudo que ele deseja é o seu amor. Tudo que eu desejo é você.

Não poderia ser real, não tem como, Alec pensou. Nada era tão intenso, não é? Não? Ele havia descoberto que o significado que continha no dicionário, da palavra intensidade, não condizia nada com ela na realidade. Nas cordas invisíveis que os puxavam para o outro. Em como se conheceram, e onde estavam. Alec não queria descobrir como era viver sem aquilo, sem ele. Magnus da mesma forma. Existia tanta entrega... Alec o beijou novamente, e sentiu os ossos virarem pó, como na primeira vez que o beijou enquanto a chuva molhava o seu rosto e o desespero ardia em seu peito.

— Se pessoas fossem estrelas, você seria uma constelação, Magnus. — disse Alec, com os olhos fechados envolvido em braços quentes — As estrelas escolhem seus amantes, e você me disse que eu brilhava como uma. Se isso é verdade, eu escolho você pelo resto da minha vida. Tudo que posso prometer, é que não te deixarei até lá. É alguma coisa, não é?

Magnus estava tão devastado, que não se reconhecia. Ele deixou, em menos de um ano, Alec lhe quebrar e reconstruir, superou seus medos, o entregou o seu coração quebrado e se surpreendeu quando Alec aceitou e concertou. Perde-lo era algo mais do que fora de cogitação. Alec era a primeira coisa que Magnus pensava ao acordar e dormir. Ele o amava, adorava. Alec era seu Deus, sua religião, seu estilo de vida e Magnus era devoto a ele com todo seu ser quebrado e destruído. Alec, sempre ele. Nada como ele, ninguém igual a ele. Era demais para uma pessoa só, e Magnus fechou os olhos, sorvendo o momento e procurando ar. Ele encostou a cabeça no ombro de Alec em seu colo, e aspirou o cheiro doce que emanava dele. Tinha cheiro de fumaça pelo cigarro e baunilha pelo perfume. Nunca iria acabar, e Magnus era feliz, finalmente. Com Alec, pelo seu Alec. Oh céus, Alec era um anjo! Por ele a vida valia a pena.

Alec procurou algo nos bolsos, e tirou a carteira de cigarros do bolso. Magnus não o reprovava, ele entendia. Ele vivia aquilo junto. Magnus lhe deu o isqueiro, e Alec acendeu. Os olhos verdes piscaram tão lento que Alec se perdeu entre eles e a primeira tragada. Magnus pegou um, e acendeu no que Alec tinha entre os lábios.

Eles se encaravam, e Alec sentia o fogo queimar, como sempre fazia quando estavam sozinhos. Ele removeu delicadamente o cigarro que Magnus tinha entre os lábios, e tragou novamente o seu, soprando a fumaça e inebriando Magnus com o cheiro e a sua proximidade. Então Alec se curvou, e Magnus inalou a fumaça que saia de seus lábios, entorpecido naquele momento instante céu, e pelos lábios agridoce do seu menino. O beijo veio lento e envolvente, e Magnus entendeu o que Alec queria. Alec ainda seria sua ruína, e Magnus se divertia com a ideia de cair por ele.

As mãos firmes de Magnus foram para as coxas cobertas pelo jeans, e Alec suspirou com a leveza e possessão que os toques possuíam, enquanto Magnus beijava seu pescoço lentamente. Alec escutava as ondas e encarava as estrelas, constelações turvas em seus olhos enevoados. Eles não falaram, nada. A camisa branca de Alec caiu na areia, mas ele não teve frio. Magnus lhe aquecia, e fez isso com mais perfeição quando também ficou com o torso nu, as excitações roçando tão lento e delicioso, que Alec gemeu entre o beijo e a fumaça.

— Você é a minha perdição, Alexander. — Magnus sussurrou com a voz rouca — E eu amo me perder.

Alec abriu o zíper da calça que Magnus usava, e sentiu Magnus abrir o seu. Eles iriam se ter, novamente, se sentir, delirar e queimar.

— Por favor... — não existia desejo por preliminares; existia o desejo de sentir mais uma vez no dia, em um lugar novo, uma nova lembrança construída em cima do amor que sentiam e de tudo que vinha com ele.

Magnus entendeu, ele realmente entendeu.

— Preciso da minha carteira. — falou baixo e a voz estava pesada.

— Por que anda com camisinha e lubrificante na carteira?

Magnus riu baixo, tão inerte naquele anjo devasso. Seu anjo, seu pecado.

— Não era um hábito. — confessou — Até te namorar. — Alec fez uma careta que seria adorável, se ele não estivesse rebolando os quadris e duro — Você quis foder no carro, semana passada. E quis foder atrás da quadra da sua escola, mês passado. Não julgue.

O desejo que veio com o sentimento era imenso. Não cabia, não dava para segurar.

— Não seja esse.. ah.. tipo de cara. — Alec resmungou — Você gostou.

— Eu adorei.

Alec não provocou mais, quando se despiu e sentiu Magnus apertar uma banda macia e pálida, farta e empinada em suas mãos, e escutou o gemido deleitado.

— Por favor, meu amor. — Magnus pediu, e Alec, de costas para o peito dele, sentou, gemendo alto, lento e estrangulado com a sensação de estar completo.

Magnus sentia a frieza da pedra contra suas costas, mas não afetava em seu corpo quente. Ele tinha Alec em seu colo, completamente nu e cavalgando deliciosamente, gemendo deleitado seu nome e murmurando palavrões incontidos. Ele beijava o pescoço do menino, o pegando pelo peito e fazendo-o encostar o corpo no seu, enquanto movia os quadris pra cima e para baixo, rebolando no processo. Magnus tentava o controle, mas apenas gemia mais a cada segundo, a única oração que fazia: Alexander, Alexander, Alexander.

Alec abriu os olhos, encostado no ombro de Magnus escutando-o gemer tão pesado e rouco que lhe fazia revirar os olhos, e encarou, com os olhos turvos, a lua e as estrelas assistindo avidamente a prova do quanto se amavam e precisavam um do outro.

— Babe, pode me olhar? — Magnus praticamente implorou em um sussurro destruido e sedento.

Alec saiu momentâneamente e Magnus resmungou pela sensação de abandono, mas então Alec o olhou e ele praticamente tremeu e gemeu em apreço. Olhos azuis enevoados e distantes, marcas vermelhas na pele branquinha e macia, os lábios entreabertos e os cabelos no rosto. Era Alec, seu Alexander, totalmente louco em puro prazer sob a luz da lua. Nada era mais perfeito, não teria como.

— Você fica tão lindo com essa carinha de prazer... — sussurrou — Eu poderia foder com você o dia todo só para te ver assim.

Alec mordeu os lábios e fechou os olhos com as palavras e sentou, sentindo Magnus dentro de si novamente, pulsando, lhe possuindo e ao mesmo tempo sendo possuido ao passo que permitia que ele ditasse o ritmo. Era delicioso ter Magnus no controle, mas era delicioso ter o controle também. Ter os gemidos, ter o corpo, ter as feições, ter o prazer. Alec abriu os olhos e se moveu novamente, o azul fixo no verde, e um ofego escapou quando os lábios de Magnus formaram um pequeno o mudo, e ficaram ainda mais turvos. Magnus o abraçou pela cintura, e encostou a cabeça em seu ombro, beijando. Alec não iria reclamar, sabia que não estava perto. Conhecia Magnus, conhecia como aquele corpo reagia. Então aproveitou o fato de Magnus lhe apertar a cintura deixando que ele se movesse devagar, arrancando gemidos arrastados e lânguidos, sons guturais se perdendo na brisa que vinha do mar. Os fogos só apareceriam a meia noite, mas eles, juntos, podiam ter o espetáculo com horas de antecedência, através do dourado que explodiam através das pálpebras enquanto o prazer e o calor se tornavam maiores.

— Magnus.. — Alec sussurrou em um gemido e pedido — Por favor..

Magnus sabia o limite do corpo de Alec, então espalhou o próprio sobretudo na areia, com ele ainda em cima de si, e pegou as roupas fazendo um travesseiro improvisado, o deitando ali e ficando por cima dele. Alec enlaçou as pernas em sua cintura, e Magnus mordeu os lábios com a imagem dos lábios vermelhos e cabelos espalhados nas roupas e na areia. Ele se moveu, para a frente e para trás com a força que Alec gostava, e sentiu o aperto ao redor de si. E então se moveu novamente e novamente, gemendo e sendo arranhado, escutando e se deliciando com os gemidos de Alec em seu ouvido, e então o mundo explodiu em cores berrantes quando Alec cravou as pequenas unhas em sua costas, e Magnus abriu os olhos para ver o show mais belo que a existência poderia lhe dar: Alec revirando os olhos; Alec mordendo os lábios; Alec chamando por ele em uma voz fraca e tremida enquanto gozava sob o seu corpo, lhe levando ao abismo quando se contraiu e o aperto ficou insuportável para segurar.

Pareceram minutos eternos perdidos em ofegos e respirações descompassadas, beijos de despedida para o momento e beijos de deleite e amor.

— Uau... — Magnus sussurrou sem se mover — Isso foi intenso.

Alec riu fraquinho, a morosidade tomando conta do seu corpo, e virou Magnus pelo queixo, o obrigando a encara-lo.

— Eu te amo. — Alec sussurrou — Mas eu te amo tanto.

Magnus olhou para baixo, e lá estava cintilando, a prova em matéria que havia dado a Alec que o amava. O cordão ainda estava lá, o anel ainda estava preso. Alec não tirava, e pareceu triste quando teve que tirar, colocando rapidamente quando voltaram para o carro. Ele também amava Alexander. Muito.

— Aku cinta Kamu. — Magnus respondeu de volta, e Alec percebeu que naquele idioma não havia sotaque.

— Isso...

— Significa que eu amo você. Em indonésio. Em francês. Em alemão e em qualquer outro idioma que eu possa aprender. — Magnus enfim saiu de dentro dele, se movendo para o lado, sem se importar que estava nu — Eu amo você em qualquer continente e estação, Alexander. Essa é a minha única verdade.

Alec subiu em cima de Magnus, sentando no abdômen dele e se inclinando para abraça-lo. Estavam exaustos, mas Magnus tinha cheiro de sândalo, cigarro e álcool. E cheiro doce também. Alec sorriu, ao constatar que o doce vinha de seu perfume. Que ele estava impresso em Magnus, totalmente. Até seu cheiro estava nele. Magnus era sua pessoa.

Eles deitaram, nus, ignorando areia ou frio, com um Alec suado deitado no peito de um Magnus arranhado e inerte.

— Que horas são? — Alec perguntou após minutos de silêncio.

— Onze e cinquenta e oito. — Magnus respondeu baixinho.

Ele levantou, pegando a camisa e a calça, se vestindo rapidamente sem se importar com a areia nas roupas, e Magnus parecia confuso.

— Se veste, amor. — falou Alec em uma voz doce — Tem que beijar as meia noite. Para dar sorte para o ano inteiro. Conhece a tradição.

Magnus riu, pegando a calça e não se importando com uma camisa. Estavam sozinhos, mas estavam onde queriam estar.

— Cinco, quatro...

— Três, dois...

Uma explosão furta-cor no céu, barulhos ensurdecedores e o beijo. O beijo, não um beijo. Magnus o puxou pela cintura, e existia tanto amor naquele gesto, que Alec derreteu em seus braços embreagados e se entregou.

— Feliz ano novo, meu anjo. — Magnus disse ofegante, quando se soltaram.

— Feliz ano novo, meu amor.

E enquanto se beijavam novamente, sabiam de sua única verdade: eles haviam devolvido, com todo seu amor, as cores um do outro.

Para sempre e sempre. Com a certeza que nada mais voltaria a ser cinza e azul. 


Notas Finais


Caralho mano, eu realmente tenho muito amor por essa história. Eu estou um caos muito maior do que quando terminei wdwgfh. Novos leitores vieram, velhos se perderam, mas eu sou uma garota de tradições, e as notas são uma tradição.

Primeiro, eu quero agradecer a minha irmã, meu alicerce, minha outra metade, minha pessoa, a Aline. Para ela essa história foi feita. Ninguém acredita em mim como ela faz, e ninguém precisa dela como eu preciso. É minha única verdade.

Aos leitores fiéis, que eu amo, Obrigada por mais uma chance. Ana Paula, eu amo os textos. Isso é sério. Eu tenho um perfeito trio de Júlia: Júlia Mart, que sempre me acompanha, Júlia das referências, e Julia do Twitter. obrigada JJJ. ❤️ @allCarmem, minha conterrânea, me emocionou com a mensagem. 😍
Todos vocês sabem que eu realmente leio todos os comentários e respondo, mas o user de alguns aqui é tão difícil, me perdoam? Eu realmente sei todos vocês.

Sabe, é difícil quando você vive com um transtorno em um mundo onde doenças psicologicas são tratadas como frescura. E muitos dias, muitos, minha única felicidade foram vocês, os favoritos e os comentários. Eu vou realmente tirar um tempo, mas nunca abandonarei essa vida de fanfiqueira KKKK por que é o meu único refúgio.

Obrigada pelo céu lilás. E mais ainda, Obrigada por decidirem que roxo era para vocês.

Eu sou a Sandra, e a Sandra venera vocês.


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