História Com amor, Eu - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Amizade, Casamento, Família, Gravidez, Romance, Traição
Exibições 4
Palavras 2.299
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Oiiiiiiiii o/

Capítulo 3 - Capítulo 2


           Abaixei-me para pegar o pequeno diário – ele não era maior que minha mão –, que estava trancado com um pequeno cadeado de ferro e o analisei. Acabei me surpreendendo quando percebi que as chaves estavam penduradas no fecho e me perguntei como alguém deixava as chaves e o próprio diário em um lugar só.

           Virei o pequeno livro nas mãos, deslizando os dedos pela capa preta. No seu verso, havia alguma coisa escrita em tinta laranja de caneta que a princípio fui incapaz de ler, mas depois de voltá-lo contra a luz percebi que era uma ordem clara e simples: Leia-me.
           Senti como se tivesse ido parar no País das Maravilhas, cheio de ordens dadas por escrito por objetos inanimados, mas não obedeci de imediato. Guardei o diário no bolso do casaco e tentei voltar a dormir.
           Mais tarde, percebi que o que quer que fizesse não conseguiria dormir. Aquele estranho diário que pedia para ser lido dominou meus pensamentos por toda a viagem e tornou impossível um cochilo sequer.
           Quando desci na familiar praça do relógio – que por sinal não tinha relógio nenhum, só uma torre inacabada há anos – minhas mãos praticamente coçaram para pegar o diário o lê-lo ali mesmo, mas eu resisti, joguei a mochila sobre os ombros e caminhei para casa, tentando não imaginar como seria a chegada de Violette dali a algumas horas.
           Fui até o familiar portão da casa 146, na Rua Cel. Justino Café e o abri com um rangido. Meu pai morrera em um acidente de carroantes de eu nascer e desde então eram raras as vezes em que lubrificavam o velho portão, a única preocupação que alguém havia tido com ele foi a de inserir vidro temperado fosco e outra camada de ferro por trás das grades.
           Sim, eu sou esse alguém.
           Depois de chutar para o lado uma folha que certamente fora parar  no chão de azulejos impecavelmente brancos da garagem – que só recebia as rodas de um carro quando algum parente vinha visitar – ao cair de uma das várias plantas que minha mãe cuidava, bati na porta de madeira escura que contrastava com as paredes claras e recém-pintadas ao meu redor, ainda que soubesse que ela estaria aberta àquela hora do dia e não fizesse sentido nenhum bater à porta depois de ter passado pelo portão.
           Bem, era por esses e outros motivos que minha mãe saberia que era eu e não Alberto, seu namorado – como eu gostava de chamá-lo só para irritá-la, uma vez que eles não tinham nada além de "amizade" e qualquer suposição que eu fizesse apenas renderia uma bronca sobre "não respeitar sua mãe" –, que tinha a mania idiota de bater no portão ao invés de simplesmente tocar a campainha.
           "Léo! Meu bem! Você chegou! Eu estava achando que não viria mais! Onde é que está a Lette? Não veio?! Ora justo hoje que eu ia ensinar ela a fazer o fricassê do jeito que você gosta e..."
           Sim, este ser dramático que mudou seu foco de seu próprio filho para a namorada dele em questão de milésimos de segundo é minha mãe.
           Antes que ela pudesse manifestar novamente sua tristeza por Violette não estar ali, eu a cortei.
           "Mãe, espera. A Violette vai vir, ela só comprou a passagem para outro horário, não é o fim do mundo. Tudo bem? Eu estava com saudades!" e a abracei, enterrando minha cabeça na curva quentinha de seu pescoço.
           "Meu menino!" minha mãe rodeou minha cintura com seus bracinhos roliços e me apertou contra si. Não havia outro lugar no mundo que me fizesse sentir tão em casa quanto aquele abraço. 
           Suspirei feliz enquanto aproveitava o calor do corpinho rechonchudo da minha mãe. Eu quase não conseguia mais lembrar-me de uma época em que não fosse preciso me curvar para abraçá-la.
           Na verdade, antes mesmo de eu entrar na tenebrosa fase da puberdade já era assim.
           Lentamente minha mãe afastou-se de mim e ergueu seus braços para segurar meu rosto em suas mãos.
           "Meu menino lindo!" ela disse carinhosamente.
           Certamente eu era bonito, pois tinha herdado os traços dela, olhos verdes, rosto afilado e sobrancelhas levemente arqueadas; e o nariz e o queixo angulosos de meu pai, como ela sempre dizia.
           Pensando bem, minha altura também não podia estar na parte do meu DNA que pertencia à minha mãe.
           "Ora! Você está mais magro! Certamente não está se alimentando direito! Bem que Violette disse que você estava pulando algumas refeições no trabalho!"
           É, simples assim, lá estava Violette novamente.
           Nesse momento, Alberto apareceu na porta – e foi a única coisa que me impediu de surtar por minha mãe ficar voltando para Violette o tempo todo.
           "E aí, rapaz? Como está?"
           "Bem, obrigado." respondi apertando firmemente a mão que ele me estendia.
           Alberto era um cara legal. Ainda que não tivesse coragem de dizer logo para a minha mãe que estava caidinho por ela – não que eu tivesse coragem se estivesse no lugar dele, religiosa como minha mãe é, certamente criou em algum lugar de sua mente a ideia de que namorar quando viúva é algum tipo de pecado mortal.
           Depois de ser repreendido por minha mãe outras duas vezes por causa do meu peso – ou melhor, a falta dele –, finalmente entramos para a sala de paredes roxas e azulejos também brancos, onde sofás vermelhos e móveis de madeira escura decoravam o ambiente. Isso, e o enorme e gordo gato siamês do qual minha mãe cuidava e que estava sentado em cima do centro de sala olhando para mim como se estivesse analisando meu peso também.
           Decidi ignorar o olhar assustador do farto felino e segui para meu quarto.
           Passando pelos dois pilares conectores da sala ao resto da casa que chegavam à altura da minha coxa – e à altura do antebraço de minha progenitora – havia, à esquerda, a porta do quarto da minha mãe e um armário para as louças e, à direita, a entrada para outra saleta. Então havia outros dois pilares e meu quarto ficava à esquerda, de frente para o quarto de hóspedes número um. 
           Entrei em meu quarto e joguei minha mochila de qualquer jeito ao lado do guarda-roupa. Depois, sentei na cama e tirei os tênis para poder rastejar para debaixo das cobertas e dormir até que Violette chegasse.

������

           "Leôncio... Está na hora de acordar!" uma voz cantarolou em meu ouvido.
           Leôncio? Algum lugar em minha mente sonolenta reconheceu o nome, mas a informação não chegou aonde devia.
           "Hum?" respondi ainda meio dormindo.
           "Acorda, criatura! A chata da sua namorada é magra de ruim, viu?! Ela come feito um bicho e eu achei que você queria comer o frango assado da sua mãe..."
           Isso me desperta totalmente e eu sento alarmado na cama.
           Ao meu lado, está Lúcia. Minha prima e melhor amiga desde a pré-história, segundo ela – Leôncio é o apelido idiota que ela me deu quando éramos crianças e ainda assistíamos Pica-Pau.
           "Magra de ruim? Fala sério, Lulu (outro apelido com referência a um desenho animado), você tem falado demais com a Bisa!" soltei sarcasticamente e ela me mostrou a língua.
           "Os mais velhos têm palavras sábias para descrever aquele tipo." Lúcia declarou como se me revelasse um segredo, fazendo-me cair na cama e rir.
           "Não posso dizer que não." respondi depois de controlar a respiração.
           "Ora, vamos logo! Você tem que comer antes que acabe!" minha amiga puxou meu braço e tentou me arrastar para fora da cama, mas tudo que conseguiu foi ser puxada de volta por mim e cair de cara no colchão.
           Não me segurei e caí na risada outra vez.
           "Sua trouxa! HAHAHAHA! ISSO É QUE É CAIR DE CARA! HAHAHAHA!"
           "Idiota." ela bufou enquanto arrumava os cabelos dourados para longe de seus olhos cor de mel. "A essa hora o frango já era."
           "Que nada!" discordei com um aceno de descaso. "Eu sei que você guardou pra mim!"
           Lúcia murmura algo sob a respiração que eu julguei ser mais ou menos "Foi a última vez que guardei comida pra esse idiota!" e saiu do meu quarto.
           Rindo da atitude de minha amiga, calcei os chinelos que eu deixava por ali para quando estivesse em casa, tirei o casaco e saí atrás dela, tentando ignorar o fato de que meu carma estava por ali, assombrando minha própria casa.
           Saindo do quarto, à esquerda e de frente para os pilares pelos quais eu passara mais cedo, havia a porta com batente que levava para a sala de jantar – onde havia a porta do quarto de hóspedes número dois – e a cozinha. Quando passei por ela, o cheiro do perfume forte de Violette me acertou como um soco e tornou impossível esquecer-se da presença dela.
           Passei por outra porta e cheguei à cozinha. Minha mãe estava com um avental amarrado na cintura e segurava uma espátula de fritura que usava para bater na mão de Alberto quando ele tentava pegar pedaços de alguma coisa que ela estava cozinhando.
           Sorri com a cena e virei-me para o armário da cozinha, à minha esquerda, no intuito de pegar um prato e uma colher, mas então vi meu carma encostado no móvel e o sorriso se desfez.
           "Leozinho! Acordou! Dormiu bem querido?" ela estrilou e se inclinou para me roubar um selinho.
           Atrás dela, Lúcia fez uma cara de nojo e encenou que vomitava seguidas vezes.
           Sorri de lado para minha amiga e respondi um "sim" indiferente para Violette. Depois segui meu intuito inicial e desviei da garota para pegar um prato e uma colher do armário branco. Fui até as panelas em cima da mesa no centro do cômodo e me servi de uma boa quantidade de arroz, feijão, farofa e salada cozida. 
           Do macarrão, passei longe.
           "Leôncio, seu frango  dentro do forno. De nada." Lúcia falou apontando para o fogão e depois saiu para o quintal.
           "Valeu, Luluzinha!" respondi, recebendo apenas um dedo do meio erguido como resposta.
           Rindo, abri a porta do forno preto – supus que minha mãe havia escolhido aquela cor porque o branco é bem mais difícil de manter em um fogão – e tirei lá de dentro um depósito azul com um bilhete em cima.
           "Pelo amor de Deus (ou não, no seu caso) se livra logo dessa loira. Ela comeu seu frango quase todo, isso não se faz! E, aliás, motivo para terminar com ela você tem até demais... 
           Agora, ou você se livra dela ou eu me livro.
           Beijos, 
           Luluzinha Sem Clubinho."
           O bilhete deixado por minha amiga me fez rir, depois querer me jogar da janela do meu apartamento, depois me fez rir de novo.
           "O que você tem aí?" a voz que me atormentava indagou.
           "Nada." Coloquei o bilhete rapidamente sob o depósito e caminhei para a mesa, onde tinha deixado meu prato.
           "Lette, querida, venha! Vamos comprar os ingredientes para fazer o fricassê!" minha mãe chamou, arrastando Alberto consigo para que ele não fosse pegar o que quer que fosse que ela tinha acabado de fritar.
           "Claro!" a moça respondeu e beijou meu rosto antes de seguir minha mãe.
           Olhei para ela enquanto saía e percebi pela primeira vez suas roupas. Estava usando um short jeans não muito curto, uma camiseta de algodão branca e chinelos de borracha coloridos.
           Como se fosse uma boa moça. Revirei os olhos.
           Quando ouvi a porta da frente se fechar, Lúcia surgiu novamente, trazendo um pintinho consigo.
           Um pintinho?!
           "Onde você arranjou isso?" perguntei curiosamente depois de colocar uma colherada na boca. 
           "Isso?! Olha o respeito! Esta é a Violeta!" ela declarou severamente.
           Sem me aguentar, comecei a rir e me engasguei com a comida, o que fez Lúcia soltar a tal Violeta às pressas em cima da mesa mesmo e começar a bater seguidas vezes me minhas costas.
           "Ai, meu Deus, Leonardo! Não morre desse jeito! Eu não acredito! Ai. Meu. DEUS!"
           Por cima da minha tosse engasgada, comecei a rir ainda mais com o desespero da minha amiga. Afastei-a com a mão e tentei parar de tossir e rir.
           Quando finalmente fui capaz de engolir a comida, limpei as lágrimas que haviam se formado durante meu acesso e bronqueei Júlia.
           "Sua doida! Não é assim que se desengasga alguém! Você não assiste televisão não?! Passou isso no Fantástico!"
           "Não! E..." de repente, Lúcia parou seu discurso – que certamente seria como a televisão é parcial e controladora – e começou a rir apontando para meu prato. "Olha isso! O nome tem influências sobre as pessoas mesmo!"
           Virei o rosto para a mesa e descobri Violeta roubando minha comida sem nenhum pudor.
           "EI! Sua ladrinha de comida!" peguei ela entre os dedos e a coloquei no chão.
           Lúcia agarrou a pequena ave ainda rindo e a colocou para fora. Depois voltou e sentou-se à mesa comigo. 
           "Então? Tem novidades?" perguntou.
           "Na verdade," lembrei-me do diário. "tenho sim!"
           Terminei de comer rapidamente e corri para meu quarto em busca do pequeno volume. Vasculhei os bolsos do casaco até encontrá-lo, depois corri de volta para a cozinha.
           "O que foi tudo isso?" Lúcia indaga ainda encarando meu prato esvaziado em segundos.
           "Isso!" exibi o pequeno caderno como se fosse um troféu.
           "O que é isso?" ela indagou novamente, entediada, enquanto eu soltava o chaveiro do cadeado.
           "É o que vamos descobrir." Respondi e inseri a chave a fechadura, depois a girei e abri o pequeno volume.
           "O que tem aí?" Lúcia chegou mais perto de mim sobre a mesa.
           "Tem um recado na primeira página." Respondi. "Leia essas cartas na ordem em que foram escritas e sem pular nenhuma. Tenha um mínimo de respeito já que está lendo o diário alheio. Com amor, eu."
           "Você escreveu isso?" Lúcia perguntou um tanto risonha.
           "Não. Eu achei no ônibus. Na contracapa tem "Leia-me"."
           "E você simplesmente decidiu ler?"
           "Sim." E virei a página.

������


Notas Finais


Tchauuuu o/
(Nada de vácuo, hein?)


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