História Com amor, Eu - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Amizade, Casamento, Família, Gravidez, Romance, Traição
Exibições 3
Palavras 2.144
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Oieeeeeee!
Alguém já odeia a Violette? Hehehe XD

Capítulo 5 - Capítulo 3


           Quando terminei a leitura, soltei a respiração que eu nem havia percebido que estava prendendo desde o momento em que li sobre submeter-se aos outros por não ter opinião própria.

           "Certeza de que não escreveu isso?" Lúcia perguntou.

           "Absoluta. Não notou a cidade? Aratuba é perto daqui, mas eu não moro lá!"

           "Certeza de que achou isso num ônibus qualquer e não foi escrito por alguém que te conhece? Sei lá, porque queria te lançar uma indireta?"

           Olhei para ela exasperado e fechei o diário com força.

           " bom! Entendi! Não está mais aqui quem falou!" ela ergueu as mãos em rendição.

           "Eu não vou ler a outra agora." falei quando Lúcia tentou pegar o diário de mim.

           "Mas..."

           "Olha, Lulu, eu estou tão confuso quanto você e sinto que agora não é o momento de ler a próxima carta. Depois a gente lê,  bom?"

           "Ai, calma! Eu só quero ver a data da próxima, porque não sei se você notou, mas essa primeira foi escrita exatamente um mês atrás." Lúcia bufou e tomou o diário das minhas mãos.

           Suspirei enquanto ela olhava as páginas do pequeno volume e pensei nas palavras da carta. Eu sentia que não eram para mim, mas de alguma forma aquilo era para alguém como eu. Alguém que estava passando – ou que passou – por uma situação parecida com a minha. No entanto, não tive tempo para refletir sobre isso imediatamente. Violette chegou com minha mãe e eu escapei de casa tão logo quanto foi possível, indo visitar a igreja matriz local.

           Não que eu seja religioso nem nada – na verdade, sou ateu e minha mãe vive me crucificando por isso –, mas aqueles vitrais, a construção que parecia ter sido feita na Idade Média e o silêncio que era quase tangível faziam com que eu me sentisse em paz.

           Era o lugar perfeito para assimilar o que eu tinha lido.

������

           Depois de um tempo tentando digerir aquela loucura de diário com cartas para alguém – ou ninguém –, decidi organizar minha linha de pensamento.

           Primeiro os fatos:

1. Eu tinha encontrado um diário em um ônibus.

2. Esse diário pedia para ser lido.

3. Eu li o diário.

4. Esse diário era, na verdade, um conjunto de cartas para uma "Querida pessoa" assinadas apenas por "Eu".

5. A carta parecia falar sobre a minha vida.

6. Eu estava ficando muito maluco se achava que aquelas cartas realmente tinham sido escritas para mim, as chances de eu encontrar o diário eram mínimas.

           Depois de enumerar o que havia acontecido, percebi que nada tinha sentido ou se encaixava em lugar nenhum. Na verdade, exposto dessa forma, parecia apenas fatos aleatórios e coincidentes.

           Com esse pensamento, decidi parar de "viajar na maionese", como Lúcia diria, e a pensar na minha vida de verdade. Era  um diário. Por que eu estava fazendo tanto caso com isso?!

           Minha indesejada namorada estava na minha casa naquele exato momento, cozinhando alguma coisa que certamente iria exigir que eu comesse, tendo minha mãe como apoio na hora de apelar para o sentimentalismo.

           Droga. Tomara que, pelo menos, não estivesse envenenado.

           Voltei para casa esperando encontrar pelo menos minha amiga para me ajudar a superar aquela fatídica tarde de primeiro de Outubro, mas encontrei apenas o gato da minha mãe – cujo nome estranho eu havia esquecido de novo – em cima do pilar esquerdo que separava a sala do corredor, me encarando como se eu fosse uma das suas presas ignóbeis e ingênuas.

           Confesso que a análise do felino me tocou. Não era sempre que alguém me via como eu realmente era.

           Caminhei em passos lentos até meu quarto e encontrei minha mãe arrumando alguma coisa ao lado da cama. Um relance cor de rosa alcançou minhas vistas antes que minha mãe voltasse o rosto para mim, parecendo um tanto afogueada.

           "Ora! Já chegou?" ela retorceu as mãozinhas nervosamente.

           "Sim... não devia?" indaguei desconfiado.

           "Ora... Bem... Não é isso! Eu estava ansiosa para que chegasse, Lette quer que você experimente o fricassê."

            "O que é, então? O que foi que a senhora colocou aí?" aproximei-me lentamente dela, que sentou-se na cama com uma expressão resignada.

           Por alguns segundos fiquei estático. E não era para menos, pois minha mãe acabara de colocar a mala de Violette no meu quarto, o que era terminantemente proibido há três anos. A garota sempre dormia no quarto de hóspedes número dois – que tinha uma porta que o ligava ao meu, mas a passagem estava bloqueada pelo guarda-roupa de madeira clara do meu quarto.

           "Por que a bolsa de Violette está aqui?" perguntei cuidadosamente, temendo a resposta.

           "Bem... Eu... Ora! Não está satisfeito? Antes você era louco para dormir no mesmo quarto que ela. Eu lembro!" ela argumentou na defensiva.

           Pressionei a ponte do meu nariz e tentei lembrar-me de quando aqueles desentendimentos haviam começado.

            Ah, verdade. Começaram quando descobri Violette e Jonas se agarrando no banheiro na segunda terça-feira do mês passado.

           "Mas a senhora nunca deixou. Por que isso agora?" gesticulei com as mãos tentando encontrar uma saída para aquela bagunça.

            "Vocês já estão bem crescidinhos. Achei que fosse gostar da surpresa!" ela cruzou os braços e me olhou com uma expressão quase magoada.

           "Mãe." respirei fundo e controlei minha voz que estava um tanto esganiçada devido à indignação, "Tudo bem, olha, eu queria vir sozinho hoje para poder conversar com a senhora à sós. Mas então Violette acabou descobrindo que eu viria sem ela e decidiu vir também. Só que eu ainda quero conversar com a senhora. É muito importante."

           "Bem, então fale!" minha mãe acenou para mim enquanto tentava disfarçar o rubor em suas bochechas. Certamente sentindo-se um tanto culpada pela a vinda da garota.

           "É sobre Violette e..." fui subitamente interrompido por uma cabeleira loira adentrando o quarto.

           "Leozinho!" meu carma cantarolou sorridente. "O fricassê está pronto!"

������

            A comida não estava envenenada.

           Na verdade, meus parabéns à Violette foram mais verdadeiro do que eu gostaria. Seria bem mais fácil terminar com alguém se um dos argumentos fosse "ela não sabe cozinhar". Ainda que o valor persuasivo dessa frase fosse quase nulo.

           Enquanto minha mãe parabenizava Violette e sorria para nós dois como quem guarda um segredo, eu fingia estar muito empolgado com outra porção de fricassê quando na verdade estava apenas pedindo mentalmente à minha mãe que desse um jeito de ocupar meu carma – digo, minha namorada – por tempo suficiente para que pudéssemos conversar com privacidade e sem o risco de sermos ouvidos. O problema é que minha mãe parecia empolgada com a conversa e ficava me lançando piscadinhas a todo instante.

           O que, no caso de dona Isadora Tavares – mais conhecida como minha mãe –, nunca era um bom sinal.

           "Você tem uma mão boa na cozinha, Lette querida!" minha mãe lançou uma nova piscadinha nada discreta para mim. "Já dá para casar!"

           Quase cuspi toda a comida pela mesa, mas me contive bem a tempo, o que me causou o segundo engasgo convulsivo em menos de doze horas.

           "Leonardo!" minha mãe exclamou preocupada e começou a bater em minhas costas.

           Novamente, controlei minha respiração e engoli a comida enquanto afastava as mãos de minha mãe. Aparentemente eu era o único naquela casa que sabia desengasgar alguém.

           "Tudo bem. Estou bem!" reclamei de suas batidas com um fiapo de voz.

           "Tem certeza, amor?" Violette indagou, agora me fazendo ter vontade de vomitar por causa do vocativo.

            "Absoluta." declarei recomposto.

            "Ótimo. Agora coma com cuidado, Leonardo!" minha mãe bronqueou.

            "Certo, certo." acenei displicentemente e voltei a comer, ainda pasmo com o que minha mão havia sugerido indiretamente.

           Será que ela estava achando que...

           Não! Ela não podia ser tão cega. Não via o quão frio eu estava sendo com Violette? Ela não poderia realmente achar que eu estava pensando em... casamento?

           Sacudi a cabeça em negação. Aquilo não estava acontecendo.

           Precisava conversar com minha mãe urgentemente, caso contrário ela continuaria com as indiretas e logo Violette perceberia. Se isso acontecesse, tudo só pioraria para mim.

           Seria bem mais difícil terminar com uma namorada infiel do que com uma noiva, ainda que não oficial.

           Eu só podia esperar que as suposições mentais da minha mãe se voltassem para o meu favor, ou logo tudo aquilo viraria uma bola de neve maior do que eu poderia suportar.

������

           Quando a noite caiu – e eu finalmente percebi que Alberto havia ido embora –, minha mãe pediu que eu fosse até o mercantil que ela costumava frequentar para pegar um sabonete, pois o dela já estava quase acabando e ela havia se esquecido de trazer um nas compras do mês.

           "Oh! Pode deixar! Eu vou!" Violette prontificou-se, erguendo-se do chão de azulejos cinzentos do meu quarto, de onde estava fazendo uma análise em sua bagagem.

           "Oh, querida! Não precisa!" minha mãe olhou para ela com doçura, sentada ao meu lado na beira da cama.

           "Tudo bem, Isadora! Estou precisando de uma escova de dente, porque esqueci a minha, e já ia até comprar." ela voltou a inspecionar a bolsa e pegou algumas cédulas de dinheiro, pondo-as no bolso de trás do short.

           "Tudo bem. Você vai com ela, Leo?" minha mãe indagou voltando seu olhar para mim.

           "Eu..." droga. Claro que não! Eu queria aproveitar a deixa dela e conversar com minha mãe!

           "Não precisa!" Violette respondeu por mim, surpreendendo-me. "Sei me cuidar sozinha."

           Observei enquanto ela pegava um casaco azul de capuz e vestia, ainda pasmo com sua fala. Geralmente ela teria feito questão de que eu fosse com ela. Por que isso agora?

           "Tchau! Eu coloquei o fricassê pra esquentar, como a senhora pediu." ela beijou o rosto de minha mãe, que sorriu agradecida, e curvou-se para me beijar nos lábios, depois saiu.

           Observei-a enquanto fazia seu caminho até a porta e, em um relance, percebi que ela guardava óculos escuros no bolso do seu casaco.

           Por um segundo, cogitei segui-la só para ver a que lugar ela iria que exigia o uso de óculos escuros à noite, mas então lembrei da conversa que precisava ter com minha mãe e deixei Violette de lado. Uma hora ou outra eu ia acabar sabendo, afinal era o filho da advogada pública da cidade e todo mundo parecia saber mais sobre minha vida do que eu mesmo.

           "Então, mãe, podemos ter aquela conversa agora?" perguntei segurando um suspiro.

           "Claro! Já sei o que você vai dizer e te dou minha bênção!" ela exclamou animadamente.

           Em outros tempos, eu realmente ficaria feliz com essa frase. Não podia negar que amara Violette e fora profundamente apaixonado por ela, mas agora isso era passado. Um passado não tão distante assim, mas já remoto.

            "Mãe, espere. Não é o que a senhora está pensando. Não estou planejando me casar com Violette." respirei fundo "Na verdade é o extremo oposto. Quero terminar com ela." e encarei minha mãe.

           Por um segundo, sua face ficou congelada inexpressivamente, mas logo ela se retorceu em confusão.

            "O quê?! Como assim?! Por quê?!" ela jorrou as palavras em cima de mim e agarrou minhas mãos. "Não faça isso! Ela é uma menina tão boa! Se vocês brigaram podem se entender! Ela te ama muito! E..."

           "Não, mãe. Calma! Eu posso te explicar!" apertei suas mãos entre as minhas tentando fazê-la parar com a hemorragia verbal.

           "Então espero que seja uma explicação muito boa! Não sei como você pode querer terminar com uma menina daquela! Vocês combinam tanto...!" minha mãe soltou-se de mim e cruzou os braços, franzindo o cenho de maneira contrariada.

           "Mãe..." comecei, mas minha voz falhou e eu precisei pigarrear para controlá-la. A única pessoa a quem eu havia contado isso era Lúcia e havia sido por meio de mensagens, já que esta era a primeira vez que eu vinha para casa desde a descoberta da traição. Mesmo naquele dia havia sido difícil digitar o texto, pois meus olhos estavam embaçados pelas lágrimas insistentes. Lúcia tivera que traduzir a mensagem cheia de erros e subtender boa parte de tudo, mas havia conseguido.

           Eu era um bobo apaixonado desiludido que estava ali, mesmo quase um mês depois, tendo dificuldade em falar aquela simples frase sem chorar.

           Que trouxa que eu era! A pessoa da carta que me desculpasse, mas eu ainda não havia evoluído. Talvez a tapa que a remetente prometera me fizesse acordar.

           "Leo?" minha mãe olhou para mim com preocupação.

           "Eu vou à cozinha. Não saia daqui, por favor." Murmurei e corri para lá, onde, na parede direita, havia a porta do banheiro.

           Entrei, fechei a porta e permiti que algumas gotas teimosas manchassem minha face. Não queria que ninguém visse aquelas lágrimas idiotas que demonstravam minha fraqueza. Sentei no chão ao lado da pia e chorei. Chorei como o desiludido que eu era, ao ponto de não notar como era traído bem debaixo do meu nariz.

           Tudo o que me restava agora era sofrer as consequências.

������


Notas Finais


Tchauuuuu *3* *3* *3*


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