História Com Você - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Como Eu Era Antes de Você
Tags Como Eu Era Antes De Você, Drama, Lou, Me Before You, Romace
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Palavras 2.066
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Pessoal tudo bem?
Os flashbacks estão em itálico para facilitar a compreensão. Espero que gostem.
Sei que não postei quarta e desculpe por isso, tive uma prova muito importante na faculdade que me deixou de cabelo em pé e não conseguia raciocinar sobre a história, mas ...
Para compensar fiz um capítulo na visão do Will, não sei se é assim que vocês o imaginam, qualquer crítica estou aberta a ouvir como também novas sugestões.
Enfim falei demais, boa leitura!!

Capítulo 6 - Sonhos


Fanfic / Fanfiction Com Você - Capítulo 6 - Sonhos

Eu estava em um lugar que não conhecia e isso me deixava aflito. 

Não ter o controle das coisas me deixava sempre tão perdido, confuso, agitado. Olhei ao redor e as pessoas continuaram a caminhar nas direções que queriam sem sequer me olhar, tropeçando no meu corpo grande e resmungando sobre minha falta de percepção. 

Senti um calor tremendo subir pelo meu corpo e percebi que era o único ali que usava roupas tão quentes, que o sol era forte demais e deixava tudo com um aspecto alaranjado. Me livrei das luvas e do casaco deixando tudo no chão que foi rapidamente consumido pela areia, mas algo dentro de mim me dizia que aquilo não era importante. 

Me livrei dos sapatos e das meias e continuei andando por um caminho sem saber exatamente qual era e nem para onde me levaria. 

Senti os grãos de areia sobre meus pés e saboreei a sensação de caminhar novamente, amava o mar, as ondas, o calor, a natureza. Inspirei fundo me senti feliz, caminhei até a beira do mar deixando a água tocar meus pés, fechei os olhos e esperei inconsciente por alguma coisa. 

— Me ajuda achar minha mamãe? 

A voz doce, baixa e chorosa fez meu coração bater com uma força que me assustou, meu sangue correu quente pelas veias e abri os olhos apavorado para encarar quem quer que fosse que estivesse do meu lado. 

Mas ela colocou sua mão dentro da minha. 

Uma mão quente, pequena e seus dedinhos se agarraram aos meus. 

— Eu preciso de você 

Lentamente virei o rosto e olhei pra baixo, olhei pra ela. Olhei pra garotinha de lindos olhos azuis e cabelos claros. Seus pés estavam descalços como os meus, seu vestidinho vermelho molhado na barra e na outra mão estava um macaco de pelúcia. 

—  Quem é você? 

—  Me ajuda achar minha mamãe? - repetiu e seus olhinhos ficaram cheios de lágrimas - Eu preciso de você ... 

—  Onde está sua mamãe? - ela deu de ombros e olhou ao redor, mas estávamos  sozinhos – Qual o seu nome? 

—  Seus olhos são iguais aos meus – me abaixei e ela se aproximou, a mão pequena tocou a maçã do meu rosto e eu nunca tinha sentido nada parecido com aquilo na vida, o quanto era bom sentir o toque dela, o quanto me sentia no lugar certo – Me ajuda achar minha mamãe? 

Num segundo ela estava diante de mim, mas no outro correu para o mar, corria muito e a cada passinho seu a água cobria mais seu corpo. Entrei em desespero correndo atrás dela, pensei em gritar, mas não sabia seu nome. A menina se virou para mim ainda com o macaquinho nas mãos, sorriu e um onda grande a engoliu, arrancando ela de mim. 

 

Ergui o tronco da cama e arfei alto. Meus olhos encararam a escuridão apavorados. O meu corpo coberto de suor assim como a camisa branca e o edredom azul marinho que me cobria, o coração batia rápido demais. Passei a mão pelo rosto e respirei fundo. 

—  Will? 

A porta abriu um pouquinho, a luz do corredor iluminou o quarto e Nathan colocou a cabeça para dentro. Estiquei o braço e acendi uma das luzes do abajur. 

— Entra, Nathan  

— Ouvi você gritar – disse depois de encostar a porta e se aproximar da cama, usava um pijama de frio e a cara amassada – O que foi? Pesadelo? 

— O pior que há tive - ele sentou na beira da cama – Pior é que não consigo lembrar o rosto de ninguém depois que acordo ... mas essa angústia  parece não sair de mim 

—  Conversou com a Lou? – neguei – Porque  não?  

—  Ela anda ocupada demais pra mim – tirei a camisa ensopada e deitei de novo – Faculdade, estudos, o desfile que ela está planejando junto com os amigos que fez. Acredita que ela está querendo trabalhar? 

—  Will – ele bocejou – A Lou anda ocupada, mas isso não significa que ... 

— Exatamente - o cortei – Ela anda ocupada demais pra notar tudo relacionado a mim – me sentei de novo – Cinco meses Nathan ... – disse com desdém – Cinco meses se passaram e cada progresso meu não significou nada mais pra ela depois que comecei a mexer os braços.  

— Will não é assim 

— Não?  Tem certeza? Pergunta pra ela se ela sabe que dei alguns passos no hospital? - suspirei – Que horas são?  

— Cinco. Quer um chá ou alguma coisa? 

— Quero Nat, por favor ... Vou tomar banho e já te encontro lá em baixo. A propósito cadê ela? 

— Dormiu na casa da Vitoria, ligou ontem era meia noite pra avisar. Não quis te acordar e pediu pra te avisar – assenti e fui para o banho tirar o suor do meu corpo. 

 💘💘💘

 

— Vídeo game é uma arte cara, tem que ser fera pra passar de nível – ele bebericou um pouco do café e sentou pegando um pão e passando manteiga sentou na cadeira a minha frente  

— E você é péssimo nisso 

— E você é insuportável – minha garganta estava doendo e acabei tossindo um pouco – Está mal de novo Will ... – assinalou 

— De jeito nenhum estou ótimo Nathan, nada de paranoias-  tossi mais um pouco e tomei um pouco de suco de laranja. Era ótimo ter a sensação de me movimentar sem a ajuda de ninguém. 

A porta se abriu e Louisa entrou por ela carregando uma bolsa nas costas e quatro sacolas de roupas, o sorriso largo e os olhos que expressavam felicidade. 

Isso me irritou profundamente. 

— Bom dia pessoal – ela foi até a sala e jogou as sacolas na poltrona bege – Estão bem? – ela se aproximou de Nathan e o abraçou , veio até mim e tentou me beijar mas desviei o rosto fazendo o beijo acertar minha bochecha, não queria contatos físicos tão grandes.  

Estabeleceu-se um clima tenso e seus olhos antes felizes agora expressam confusão, me limitei a sorrir e voltei a tomar meu café tranquilamente, pelo menos por fora. O sorriso de seus lábios desapareceu e ela se sentou também passando geleia em uma torrada. Estava tudo silencioso até Nathan quebrar o gelo e secretamente o agradeci por isso. 

— Então-  pirrarreou – Lou ... como vai o desfile? – seus olhos brilharam e ela começou a tagarelar 

— Vai ser dia 27 Nat, queria que tivessem visto a cara da Sra. Mark quando viu o vestido que eu desenhei – ela mordeu a torrada  – O queixo dela caiu – falou de boca cheia e Nathan riu. Olhei no relógio de pulso, ainda faltavam duas horas para ir ao hospital, desisti de tomar café jogando o guardanapo na mesa. 

— Aonde vai Will? – parei de movimentar a cadeira e a olhei 

— Descansar, tenho que ir ao hospital daqui a pouco 

— Posso ir com você?  - perguntou esperançosa.  

— Há algum tempo você não me pediria isso Louisa, viria sem pensar duas vezes – ela prendeu a respiração – Melhor não. O seu desfile é dia 27 não é?  - ela assentiu  - Então se preocupe com isso. 

Voltei para o quarto fitando a rua pela janela. O dia começava a nascer e era a melhor coisa.  

Minhas manhãs não eram as mesmas quando olhava o sol nascer, foi um hábito que voltei a ter desde que os pesadelos começaram. Eu cultivava esse hábito desde que parei no internato , todas as manhãs eu levantava pedindo aos céus pelo perdão da minha mãe e sonhava com o dia que ela voltaria pra me buscar, que aparecesse naquela porta e me chamasse pra ir embora. 

Mas isso não aconteceu.  

Foi totalmente o contrário. 

 

Eu esperei sentado por uma hora naquela direção até ouvir o barulho das chaves na porta e me levantei da cadeira no susto. Ajeitei o blazer para não ouvir o quanto era relaxado e respirei fundo. Martha Simpsons entrou calada, o rosto sério e pálido. Ela encostou a porta veio até sua mesa colocando a bolsa preta de couro no braço da cadeira e batendo o pé fazendo o barulho dos saltos ecoarem pela sala silenciosa. 

— Pode sentar Traynor. Obrigada pela gentileza – ela gesticulou e  me sentei  na cadeira com a postura mais reta que consegui, digna de um empresário – O trato com sua família foi que você deveria permanecer aqui por três anos – assenti, minhas mãos suavam frio e meu coração voltou a disparar – Mas seu comportamento é excelente, suas notas estão boas não tem porque permanecer aqui – ela pegou alguns papéis e os folheou – Liguei para os seus pais ontem, sua mãe não queria que voltasse mas seu pai permitiu no entanto Will... – ela colocou uma mecha do cabelo loiro atrás da orelha – Você frequentara uma universidade. Já tem um curso de sua preferência?  

— Direito  - sorri orgulhoso da minha escolha – Quero trabalhar com direito bancário  

— Excelente Will – ela sorriu – Isso é excelente. Tenho uma novidade – ela tirou os óculos e coçou os olhos, as unhas estavam pintadas de rosa  repousou as mãos sobre a mesa – Você foi aceito na universidade de Greenwich... começa a estudar daqui duas semanas o que você acha? 

Limitei me a sorrir e concordar. 

— Ótimo – bateram na porta e minha respiração falhou – Por favor, entre – falou mais alto, a porta se abriu e meus olhos se encheram de lágrimas  

— Pai – disse em um sussurro, fazia dois meses que ele não vinha me visitar, olhei para Martha pedindo permissão com olhar para abraça- lo e ela assentiu, corri até a porta e o abracei afundando meu rosto na curva de seu pescoço e chorando descompassadamente – Me perdoa pai 

— Não tenho o que te perdoar – ele me abraçou mais forte – Vamos pra casa meu filho. 

💘💘💘

Enxuguei duas lágrimas grossas que insistiam em cair pelo meu rosto assim que ouvi passos vindo em minha direção,  assumi a postura inflexível de antes só por precaução.  

— Nathan me contou que já esta mexendo as pernas Will – ela parecia mais ofendida do que brava – Porque não me disse? 

— Sinceramente faz diferença pra você?  Ou seu desfile e seus novos amigos são mais importantes?  

— Isso é ridículo e você sabe ... 

— Pra mim não é. Vamos fazer as contas de quantas vezes você se preocupou em me perguntar se eu estava bem?  Então...  

Comecei a falar tudo o que estava entalado a três semanas na minha garganta não me importando o quanto aquilo estava a machucando. Me machucava também acredite. Machuca muito, mas é um mal necessário. Falei do dia em que tive febre e ela simplesmente desapareceu o dia todo sem me dar satisfações, falei o quanto queria que ela estivesse comigo quando comecei a mexer as pernas e dar alguns passos e do quanto queria que fossem os braços dela a me levantar e não o de Nathan. Contei tudo ... 

— E então Louisa, realmente é importante pra você?  

— Você sempre veio em primeiro lugar na vida e sabe disso é só  ... Que eu me apaixonei por essa vida de estudos eu sempre quis isso Will. 

— Eu sei e não te recrimino por isso. É algo que jamais faria, sei o quanto você batalhou pra chegar aqui e me carregando nas suas costas só que agora o fardo pesou não foi? Está difícil pra você levar um aleijado nas costas quando seus sonhos querem te carregar – gesticulei. Minha voz saiu mais amarga do que eu esperava – Tudo bem Louisa vai viver sua vida. 

— Não me trata assim – ela ajoelhou na minha frente e segurou meu rosto entre as mãos, seus olhos estavam vermelhos e ameaçavam chorar, eu quis abraçá-la, mas meu orgulho falou mais alto e permaneci imóvel e desviei os olhos do dela – Eu te amo – sorri debochado. 

— Sério isso? Depois de tudo o que joguei na sua cara você ainda tem a capacidade de dizer que me ama? 

— Tenho – disse convicta, ela se colocou de pé  – Porque te amo de verdade-  minha garganta estava seca tossi de novo – Estou sendo negligente eu sei, mas ... 

— Sem desculpas Lou, não precisa.  

— Will ... – tinha tristeza na forma como ela pronunciava meu nome, como se eu estivesse escapando dentre os dedos dela.  

— Depois conversamos Lou – disse simplesmente.  

— Me deixa ir com você? 

— Não precisa Louisa, obrigada.   

Sai e a deixei sozinha, perdida em seus próprios pensamentos.  

 

  



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