História Come a little bit close - Camren - Capítulo 19


Escrita por: ~

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Palavras 3.545
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Romance e Novela, Seinen, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Shounen
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Livro: Perto de Você
Titulo Original: Come A Little Bit Closer
Autor (a): Bella Andre
Editora: Novo Conceito
Adaptação: @childlaurmani

OBS: estou apenas postando com autorização de quem adaptou a história para Camren. boa leitura!

Capítulo 19 - Capitulo 19


Fanfic / Fanfiction Come a little bit close - Camren - Capítulo 19 - Capitulo 19

— Camila!

Ela acabara de se sentar no set para esperar a filmagem começar quando Taylor, a irmã de Lauren, chamou-a pelo nome e veio se sentar ao seu lado.

— Bom ver você de novo — Camila disse, com sinceridade.

Tinha passado um dia tão bom com a irmã de Lauren uma semana antes.

— Também estou feliz — Taylor respondeu, os olhos zombeteiros brilhando. — Estou morrendo de curiosidade para saber as novidades sobre a pessoa que você não queria dar esperança, mas continua transando. Ela continua se esforçando para ganhar seu coração? Ou já desistiu?

Antes que Camila pudesse responder — ou cobrir a boca de Taylor —, Lauren estava parada na frente delas, parecendo ter ouvido cada palavra que a irmã dissera.

— Ei, Taytay, fico feliz por ter dado uma passada por aqui — ela disse, enquanto dava um abraço apertado em Taylor. Mas manteve os olhos verdes em Camila o tempo todo, recusando-se a deixá-la afastar o olhar.

— Eu também — Taylor concordou, sorrindo de alegria para a irmã, deixando evidente o quanto a adorava.

Camila quase ficou cega diante da beleza compartilhada pelas irmãs Jauregui. Se não fosse pela ternura nos olhos e pelos sorrisos que se espalhavam com naturalidade nos lábios, os Jaureguis poderiam ser um clã ameaçador, com certeza.

Sophia chegou para dizer oi a Taylor, e o foco de Lauren recaiu ainda mais sobre Camila. Ela tentou lhe dar um olhar que dizia Explicarei o que Taylor acabou de dizer, ok? Por favor, podemos deixar isso para quando estivermos sozinhas?

No entanto, ela conseguia ver a frustração nos olhos de Lauren, a mesma tristeza que havia na primeira noite delas juntas, quando a prendera na cama pela manhã e se recusou a deixá-la partir, o mesmo esgotamento da paciência que sentira na festa de Natal quando lhe dera o quebra-cabeça de Alcatraz.

Meu Deus, só a lembrança daquele ato de amor que compartilharam já deixava suas entranhas retorcendo de calor. Poderia jurar cem vezes que não estava fugindo para que Lauren a perseguisse, mas o corpo dela toda vez contestava aquela mentira.

— Camila. — A voz baixa e rouca lhe arranhou os nervos à flor da pele. — Aqueles arquivos que pedi estão no meu escritório.

— Ótimo — ela conseguiu dizer com uma voz que esperava ter soado tranquila. — Vou pegá-los para você...

— Agora.

Não havia arquivo nenhum. E mesmo se houvesse Camila com certeza poderia ter esperado para pegá-los até que ela e Sophia terminassem de gravar a próxima cena. Mas algo lhe dizia que ou seguia Lauren até o escritório, ou arriscaria que, mais tarde, ela fizesse algo que deixaria todos nos set de orelha em pé e queixo caído.

Dava para ver que a atriz não estava a fim de esperar muito pela decisão, então disse às irmãs delas que voltariam logo. Seguiram para o escritório de Lauren. Podia sentir os olhos verdes queimando sobre ela, cada parte sensível de seu corpo já estava reagindo ao calor daquele olhar, não precisou ser tocada.

Ela mal pisara no escritório quando ouviu a porta ser fechada, e trancada, atrás delas.

— Lauren. — Ela se virou devagar para encará-la. — Taylor nunca teria dito aquilo se soubesse que você é a pessoa com quem...

Lauren esperou, uma sobrancelha erguida... e o estômago de Camila revirou ao admitir que, não importava o que dissesse, só iria magoá-la ainda mais. Não poderia dizer que estavam apenas dormindo juntas, pois não podia negar que aquilo que compartilharam fora muito mais do que isso. Embora estivesse tentando ao máximo se convencer do contrário.

— Não sei qual o nome disso que estamos fazendo — ela continuou, baixinho. — Na verdade, tentei encontrá-la hoje de manhã no seu escritório para que pudéssemos conversar. — Deus, ela odiava admitir, mas a atriz precisava saber. — Não sei como lidar com a velocidade com que as coisas estão acontecendo entre nós. Mesmo que todo dia eu diga a mim mesma que é a última vez, as coisas ficam cada vez...

— Tire a roupa.

A palavra piores, ou melhores, foi interrompida na ponta da língua pela ordem brusca da Jauregui.

Dia após dia ela a vira dominando o elenco e a equipe do set. Não importava o quanto fosse acolhedora, Lauren sempre tinha total controle sobre tudo o que estava à sua volta. Com ela, no entanto, sempre fora gentil. Até mesmo naquela manhã na cama, quando tinha sido cuidadosa o bastante para não penetrá-la com muita força nem muito fundo, para não machucá-la.

Até agora.

— Tire a roupa.

Camila sabia que deveria estar irritada com ela por lhe dar aquela ordem. Sem falar na frustração por Lauren sempre encontrar formas de evitar que tomasse as providências para terminar o caso entre as duas.

Ela deveria estar se sentindo qualquer outra coisa, exceto acolhida e liberta — e sentia um desejo, com desespero — apenas pelo tom de posse na voz rouca. E pelo fato de Lauren ter certeza de que ela não só obedeceria a seu comando sensual, mas também adoraria cada segundo.

De fato, ela tinha tanta certeza que não esperou a latina começar a tirar a roupa antes de começar a despir-se. Infelizmente Lauren estava certa sobre ela, porque o desejo inevitável crescia mais e mais ao observá-la abaixar os ombros para tirar a jaqueta e, em seguida, desabotoar a camisa xadrez, um botão de cada vez.

Ela mal podia engolir quando Lauren alcançou o zíper da calça, mas, de alguma forma, conseguiu dizer, com um lamento na voz:

— Logo vão estar procurando você no set.

— Então vamos ter que fazer isso rapidinho, não é?

Os saltos dela desapareceram em um minuto, depois a calça, até estar vestindo apenas a boxer, que não ajudava em nada a esconder sua ereção.

— Nossas irmãs vão se perguntar por que nossas roupas estão amassadas — a diretora sussurrou, ao ir em direção a outra.

Lauren tinha razão. Se não iria ter forças para sair do escritório dela, precisava tirar o terninho, e depressa. Com o desejo mantendo as rédeas tão curtas a ponto não conseguir arrancá-lo dali nem se fizesse um esforço sobre-humano, Camila tocou no blazer com os dedos trêmulos. Mas Lauren já estava bem perto, escorregando os dedos em seus cabelos e beijando-a.

As mãos saíram da jaqueta para os ombros de Lauren. No momento exato em que deveria estar dizendo não e afastá-la, tudo o que conseguia fazer era dizer sim,sim e sim, vez após outra, em sua cabeça, enquanto a puxava para mais perto. E então as mãos de Lauren lhe arrancaram o blazer e começaram a desabotoar a blusa e abrir o zíper da saia com a mesma destreza e eficiência com que tirara a própria roupa.

Quando parou na frente da maior sem nada além dos sapatos de saltos e outro conjunto de lingerie que havia lhe dado, a respiração de Lauren saiu do peito em um golpe quente.

— Gostaria de poder passar as próximas dez horas apreciando você — sussurrou com a voz completamente sexy ao colocar os lábios e os dentes sobre o tendão entre o pescoço e o ombro. — Mas, já que só temos dez minutos...

Antes que Camila pudesse se dar conta da intenção dela, Lauren colocou-a sobre a mesa do escritório em um piscar de olhos, e os quadris dela fizeram com que uma pilha de papéis e um grampeador se espalhassem pelo chão.

— Nunca desejei alguém tanto quanto lhe desejo. Está me fazendo passar dos limites, quebrar as próprias regras para ter você. Preciso de você, Camila, com tanto desespero que isso está acabando comigo.

Quando estava assim, com Lauren lhe acariciando a pele e queimando-a com seu calor, quando tudo o que sentia era o quanto ela a desejava, Camila não conseguia esconder nada. Além disso, estava tão perturbada quanto a atriz, pois o que a levava a ficar com Lauren sempre e sempre era mais do que sexo.

Era a vontade de estar perto.

De ser acolhida.

De ter intimidade.

De ser desejada.

Eram todas as coisas que seus pais compartilharam, e que destruíram sua mãe depois da morte do pai. Assim como era impossível se afastar do desejo dela, também não havia como negar o próprio desejo.

— Também preciso de você.

Diante daquela admissão, Lauren retomou-lhe os lábios com um grunhido de possessão enquanto entrava no meio das pernas dela. Afastou-se um pouco para lhe pedir que levantasse os quadris e depois tirou a calcinha. Um segundo depois, a box desapareceu, e a atriz pegou uma camisinha para colocar sobre seu membro.

A última coisa que deveriam estar fazendo era sexo em cima da mesa do escritório de Lauren enquanto a irmã dela, a de Camila, e toda a equipe esperavam pela atriz para filmar uma cena importante.

Mas, ao pegar seus tornozelos e fechar suas pernas em volta dos quadris, ao enroscar os braços em volta do pescoço de Lauren e segurar com força, ao sentir o membro entrar nela com um grunhido desesperado, não havia nada no mundo que Camila quisesse, ou desejasse, mais.

Elas podiam até ter apenas dez minutos, mas que fração de hora MARAVILHOSA fora aquela, quando Lauren a possuíra, corpo e alma, os quadris mexendo em sincronia com os dela, os lábios chupando, mordiscando a parte de cima dos seios.

Não importa quantas vezes fizessem amor, ela nunca se cansaria da quentura de Lauren, de sua paixão, da maneira como abraçava por inteiro não só a vida, mas a ela também, levando-a ao céu chegando a outro pico de prazer, antes de, segundos depois, acompanhá-la com mais uma estocada forte que fez a mesa sair do lugar, com um rangido alto.

Camila tentava recuperar o fôlego enquanto se perguntava como tudo tinha acontecido tão rápido desde a pergunta inocente de sua irmã — e então Lauren levando-a a seu covil, e sendo absoluta e maravilhosamente devorada no escritório dela —, a atriz pressionou-lhe outro beijo nos lábios e se afastou para vestir a roupa.

Como, Camila se perguntou, incapaz de fazer outra coisa exceto admirar aquele rosto e aquele corpo lindo com um desejo inevitável, Lauren conseguia fazer amor cheio de paixão com ela e segundos depois retornar para o personagem? Essa era uma das razões para ela nunca querer namorar uma atriz.

Não conseguia suportar a ideia de ser apenas outra cena que estivesse interpretando o melhor que pudesse.

Quando os verdes intensos olharam dentro dos olhos dela, Camila percebeu com uma clareza surpreendente que, apesar de estar usando as roupas da personagem de novo, Lauren não estava fingindo. Em vez da bilionária do filme a encarando, em vez da estrela de cinema Lauren Jauregui, ou até mesmo da irmã de Taylor, a mulher que estava na sua frente era cem por cento sua amante.

Só dela.

Dar-se conta de que como ela se entregara deixou a gerente abalada, mesmo quando a atriz disse:

— Já que tenho certeza de que minha irmã não desistirá até se dar por satisfeita, pode dizer que a mulher está fazendo de tudo para ganhar seu coração.

Com mais um beijo possessivo, Lauren a deixou seminua na beirada de sua mesa toda torta, ainda tremendo não só com luxúria, mas também com um doce sentimento que não conseguia mais ignorar, por mais que tentasse.

Ao final, o que mais a surpreendera — muito mais do que o sexo ardente e alucinante que fizeram — era que dera a Lauren todos os motivos para desistir dela.

Contudo, ela não desistiu.

O coração de Camila ainda estava disparado, as pernas ainda tremendo ao colocar as roupas de volta e fazer o que fosse necessário para consertar a maquiagem. Sem uma escova e um secador à mão, o cabelo dela não chegava nem perto de estar arrumado como antes, querendo dizer que, ao voltar para o set no momento em que a filmagem estava para começar, poderia jurar que Taylor olhava para ela com uma expressão inquisidora no rosto.

Camila esforçou-se para focar cada gota de sua concentração na cena que começava a discorrer em frente dela. Por sorte, não demorou muito para estar envolvida por completo na história.

Jo estava sentada amamentando a bebezinha, Lea, em um luxuoso berçário. As paredes eram de um amarelo luminoso, os quadros nas paredes eram suaves, sem exageros. Há seis meses ela teria ficado furiosa com aquela mulher por ter assumido o controle de sua vida dessa forma, mas o orgulho, como logo aprendera, tinha pouco espaço na vida de uma mãe.

Megan deu a ela e a Lea um presente que ela nunca teria condições de lhes oferecer por conta própria, como era provável. Ela as tirara de um apartamento caindo aos pedaços, em uma área ruim da cidade, e as colocara em um lindo apartamento em frente a um parque onde crianças felizes brincavam todas as manhãs e todas as tardes. Se Jo tivesse de trabalhar o resto da vida para pagá-lo de volta, faria. Com toda a boa vontade. E sem ressentimentos.

Bem, ela pensou ao ouvir a campainha tocar e ajeitar a blusa, sem ressentimentos demais, pela forma como Megan parecia sempre estar lá para ela, antecipando suas necessidades até mesmo antes dela própria. Toda noite ela trazia o jantar mais delicioso e nutritivo que qualquer mãe de primeira viagem poderia comer, e ela estava cansada demais (e agradecida demais por não precisar usar a pouca energia que lhe sobrava) para abrir mão dela ou daquela comida maravilhosa. Também era educada o bastante para não dispensá-la depois de ter sido tão gentil e dedicar tanto tempo da sua agenda lotada a ela e ao bebê.

E, na verdade, não era o apartamento ou a comida que a faziam se sentir mal. Não. Era algo mais traiçoeiro, muito mais perigoso em potencial, que a fazia se deitar na cama à noite virando de um lado para o outro, tentando dormir um pouquinho quando a filha enfim pegava no sono.

Teria sido mais fácil, e muito mais seguro, odiá-la. Porém tudo mudara com o nascimento da filha. E ela não podia mais negar que, durante o estranho meio tempo em que tentara afastá-la de sua vida, quando a empresaria passou a ir ao café todos os dias, até as refeições juntas toda noite seu no apartamento, as duas tinham se tornado amigas.

E Jo nunca se esqueceria das horas em que dera à luz Lea. Megan permanecera ao lado dela a cada segundo, não soltara sua mão, e por puro instinto deu-lhe a recém-nascida para segurar. A ternura de Megan era tão evidente. Tão doce. Tão pura. E tudo que acreditara ser verdadeiro sobre ela, tudo que tentara dizer a si mesma que era real, se mostrara o contrário, chegando ao ponto de Jo não ter certeza de mais nada.

Nada, exceto o quanto se sentia segura com ela, e que ela era a única pessoa no mundo a quem confiaria a vida de sua filha.

Durante as últimas semanas, Jo nem se dera o trabalho de negar que aguardava as visitas dela, em especial porque Megan não bisbilhotava o passado dela, nem ela o da empresaria. Tudo continuaria bem — a comida, a amizade, a adoração que ela tinha pelo bebê —, se não fosse por um problema. Um problema ainda mais assustador do que se tornarem amigas de verdade.

Jo sentia-se atraída por ela, cada vez mais, a cada dia que passava. E ela não era jovem demais ou cega demais para não ver que a milionária também se sentia atraída por ela.

Nenhuma das duas era o tipo da outra. No entanto, não importava que a garçonete tivesse uma preferência infeliz pelos roqueiros e roqueiras, ou que ela fosse o oposto extremo das loiras impecáveis que já vira na companhia da empresaria — quando não resistiu e foi até o computador descobrir coisas sobre ela.

Abriu a porta da frente, e o rosto de Megan se iluminou ao ver que o bebê estava acordado. Não era só ela que estava feliz; Lea esticou os bracinhos para ela com um gorgulho de alegria. Mas ela nunca pegaria o bebê sem a permissão de Jo, e, depois de ter colocado a comida sobre a bancada no meio da cozinha, uma sensação agridoce tomou conta dela quando deixou todas felizes ao colocar seu pacotinho macio nos braços de Megan.

O coração de Jo amolecia cada vez mais à medida que ouvia os barulhinhos bobos que a mulher poderosa de terninho caro fazia para o bebê enquanto ela colocava a comida sobre a pequena mesa de jantar. Quando abriu uma garrafa de cerveja para a empresaria e serviu-se de um copo de leite, Lea já tinha caído no sono nos braços de Megan.

Jo esticou os braços para pegar o bebê, mas Megan disse:

— Coma enquanto ainda está quente. Eu a coloco na cama.

Ela sabia que deveria colocar barreiras mais definidas entre ela e a filha, contudo não tinha como justificá-las, já que era óbvia a adoração que tinha pela menina. Jo nunca tivera uma pessoa como ela em sua vida, alguém que a amasse de forma incondicional. E não podia privar Lea daquilo.

Durante o jantar, perguntou-lhe sobre seu dia, e ela a fez rir com as histórias das pessoas do escritório, os investidores com quem lidava. Megan perguntou sobre o dia dela, e Jo lhe contou que tinha ido ao parque para Lea se sentar e ir de um lado para o outro na areia, e observar as crianças maiores, com seus olhinhos cheios de curiosidade. Ela fez perguntas sobre as aulas de horticultura que a garçonete estava fazendo on-line, e, mesmo conseguindo que ela se abrisse mais, pelo que parecia um acordo tácito, nenhuma das duas jamais falava sobre família, mães, pais, irmãos ou irmãs.

Ao final do jantar, os olhos de Jo estavam quase fechando; mesmo insistindo em ajudar Megan a limpar a mesa, quando ela lhe deu a Enciclopédia das Flores, Jo adorou mergulhar de volta no sofá para devorar as fotos e as descrições das flores, e sonhar com a floricultura que um dia abriria. Até que, enfim, a exaustão tomou conta dela.

O amor estava escancarado no rosto de Megan quando olhou para Jo, que pegara no sono no sofá, as pernas enfiadas embaixo do corpo pequeno e curvilíneo, o lindo rosto repousando sobre as mãos. Quando o bebê começou a chorar, ela logo foi até a geladeira, tirou uma mamadeira com leite materno e colocou água para esquentar no fogão antes de seguir em direção ao quarto, pegar a garotinha por quem ela era louca.

Fazendo “shhh” sobre a pele macia do bebê e acariciando o chumaço de cabelo escuro que combinava lindamente com o da mãe, exceto pelas mechas cor-de-rosa, Megan foi com ela até a cozinha no momento em que a temperatura da mamadeira chegava ao ponto certo.

Enquanto sugava a mamadeira com toda a vontade, a garotinha a encarava com grandes olhos azuis. Megan disse a Lea o que tinha medo de dizer à mãe dela.

— Eu amo você. — A mãozinha do bebê se ergueu e agarrou-se em um dos dedos dela, fazendo-a aconchegá-la ainda mais perto e sussurrando: — Nunca deixarei que ninguém a machuque. Nunca.

Quando o bebê terminou de mamar, ela embalou-a de um jeito carinhoso nos braços, e a canção de ninar que cantou com doçura a fez pegar no sono de novo.

Jo tinha acordado quando Megan trouxera a filha de volta para a sala de estar, mas fora tão bom, ao menos uma vez, ficar naquele estado de dormência tranquilo e quieto enquanto ela alimentava Lea. Ficou observando as duas por debaixo dos cílios, e, mesmo sabendo o quanto ela amava sua garotinha, ouvir as palavras de amor carinhosas saírem dos lábios dela, depois a canção de ninar, fora um choque.

Mais chocante ainda era o quanto ela mesma queria ouvir aquelas palavras. No fundo do coração, sabia que se apaixonara por ela muito antes de odiá-la. Esta noite, ao vê-la entregar o coração para a única pessoa que significava tudo para ela, Jo não só se sentira apaixonada demais como também percebera que nunca tivera a menor chance de proteger seu coração contra ela.

Pela primeira vez, em vez de tentar esconder seus sentimentos de novo, ela resolveu que já passara da hora de agir. Megan a ajudara de muitas maneiras especiais com a gravidez e o bebê.

Agora ela faria o que fosse necessário para ajudá-la.

Ela tinha cicatrizes suficientes para reconhecer o quanto as de Megan eram profundas. Não só nunca se esquecera da expressão dela ao falar da irmã daquela vez como descobrira sobre sua perda dolorosa quando buscara o nome dela na internet. A irmã morrera havia dois anos. As histórias que lera na internet diziam ter sido uma morte acidental, mas existia mais do que um sofrimento constante nos olhos de Megan.

Jo sentou-se e, aos poucos, foi chegando mais perto dela. A empresária fez um movimento para lhe passar o bebê adormecido, mas ela balançou a cabeça e a tranquilizou, colocando a mão sobre a dela.

Os olhos verdes se escureceram quando ela chegou mais perto, e mais perto ainda, até os lábios dela estarem a apenas um suspiro dos da outra. A noite silenciosa as embalou, protegendo as três almas, quando os lábios de Jo por fim tocaram os de Megan em um beijo suave que era uma declaração de amor tanto quanto quaisquer palavras. 



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