História Coming Down - Capítulo 28


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren
Exibições 108
Palavras 3.896
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Ficção, Orange, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


quando eu pensei em escrever e terminei o primeiro capitulo eu percebi que precisava de um titulo.....antes de escrever qualquer coisa eu fiz um "esqueleto" e uma musica se encaixou perfeitamente nesse esqueleto, esse capitulo meio que marca a transição. vamos chamar de inicio da parte 2.
Eu nunca li e reli um capítulo tantas vezes quanto esse, fiquei muito apreensiva....
Eu escrevi o capitulo com uma musica no repeat, ela aparece ai "coming down - dum dum girls" (se quiserem vou deixar o link nas notas finais)

Capítulo 28 - Coming Down


Fanfic / Fanfiction Coming Down - Capítulo 28 - Coming Down

- porra – falei quando acordei esse sábado e vi a hora 7:30 am – pai, o senhor vai me levar ou eu vou de ônibus?

- o que você quer?

- eu tenho aula e já estou atrasada – estava ofegante, nunca me troquei tão rápido – o senhor vai me levar?

- não tem aula para você hoje – olhou no fundo dos meus olhos e não soube o significado de seu olhar – você vai para a igreja com a gente.

Voltei para meu quarto com ódio, tranquei a porta e dei um tapa tão forte na parede que senti minha mão cortar no dedo que usava anel.

- droga de religião – gritei irritada.

- ABRE ESSA PORTA – meu pai gritou chutando minha porta – EU MANDEI ABRIR!!!

Destranquei com medo e ele veio para cima de mim com um cinto na mão.

- quem você pensa que é? – cuspiu as palavras – chega daquele jeito exigindo coisas e ainda sai gritando? VOCÊ VAI PARA A IGREJA.

- eu preciso assistir essa aula – falei olhando assustada para o homem vermelho que me empurra na bancada – é importante, eu preciso pensar na minha carreira acadêmica.

- VOCÊ PRECISA PENSAR NOS SEUS PAIS, VOCÊ PRECISA IR PARA A IGREJA – a pouca calma que tinha adquirido se perdeu – PENSAR EM TUDO O QUE VOCÊ JÁ NOS FEZ PASAR.

- EU PRECISO PENSAR NA MINHA VIDA – gritei deixando a raiva me dar coragem para, pela primeira vez na vida, revidar uma coisa que meus pais me impuseram – daqui a alguns anos eu vou ter a MINHA casa e a minha vida, eu preciso pensar EM MIM – sua veia cada vez mais pulava de seu pescoço vermelho – E NO MOMENTO ESSA AULA É O MAIS IMPORTANTE PARA O MEU FUTURO!

- INGRATA!!! VOCÊ VAI PARA ONDE A GENTE MANDAR – apontou o dedo no meu peito – enquanto você morar na minha casa você vai fazer o que a gente mandar e agora eu estou mandando você ir para a igreja.

Saiu de meu quarto cuspindo fogo, fechei a porta e chorei de raiva, chorei de impotência, chorei de tristeza. Algum tempo depois minha porta é aberta brutamente.

- aula de que? – meu pai pergunta me olhando, analisando meus olhos vermelhos.

- desenvolvimento e neuroanatomia  – falei desviando de seu olhar – a primeira era de 7 horas, a segunda é de 8:55.

- acaba que horas?

- umas 11 horas – o fuzilei com o olhar.

O carro parou em frente a faculdade e ele olhou para mim, minha mãe não tinha olhado na minha cara, muito menos falado comigo e meus irmão nem imaginavam o que está acontecendo.

- quando acabar me dê um toque – me entregou um celular antigo, parecia aqueles descartáveis – nem um minuto a mais aqui, vai que você acha alguma merda para fazer em um minuto.

Desci do carro sem nem olhar para as pessoas dentro, caminhei até a “praça de alimentação” e por sorte Dinah estava sentada com umas amigas da nossa sala.

- chegou cedo Gasparzinho – brincou sorrindo, mas seu sorriso murchou quando ela me olhou – aconteceu alguma coisa? – levantou segurando meus ombros.

- minha mãe descobriu – ela me olhou ainda sem entender – ela viu uma conversa minha com a mani sobre garotas...

- laur – não precisei completar minha fala, DJ me abraçou e eu me senti segura – eu to aqui para o que precisar – alisou minha cabeça e me puxou para uma mesa mais reservada.

- posso usar seu celular?

- claro.

- preciso falar para ninguém falar comigo – disse com a voz baixa.

- fica à vontade – seu olhar media meus movimentos – quando quiser me falar o que aconteceu...

- por enquanto nada – suspirei – só pegaram meu celular.

Fiz as ligações e mandei as mensagens que eu precisava, expliquei por alto a Dinah o que tinha acontecido e pedi para que ela dissesse a Camila o que tinha acontecido.

- se eu ligar ela não vai me deixar assistir aula – foi a desculpa que eu usei – você explica para ela e pede para não me procurar – na verdade, se eu falasse com Camila iria desabar e eu precisava ser forte agora.

Fiz o que meu pai falou e o liguei, DJ me deu um abraço antes de ir embora. O final de semana foi estranho, não saia do quarto para nada, comia depois de todos e quando saia sorria como se nada estivesse acontecendo, eu sei o quanto meus pais odeiam a ideia de não estarem me atingindo. O telhado virou meu melhor amigo mais uma vez, me fez lembrar o terceiro ano, quando eu não podia fazer nada e passava horar desenhando e lendo debaixo do céu.

Domingo à noite, estava em meu quarto quando bateram na minha porta.

- entra – falei ainda com o livro aberto em minhas mãos.

- a gente precisa conversar - minha mãe falou e eu fechei o livro colocando ao meu lado na cama, tirei os óculos e a encarei – você já deve imaginar o que a gente achou no seu celular – esperou uma resposta que eu não dei – eu realmente acreditei que você estava mudando, que agora, mesmo fora da igreja, ia se tornar alguém na vida – riu sarcástica, sua calma estava indo embora – não sei porque ainda espero algo de você, achamos uma carteira de cigarros no seu quarto e perdoamos “vamos dar mais atenção”, você fica bêbada na escola e nós perdoamos “ela está se sentindo mal, vamos ajudar”, você se droga e nós perdoamos “dessa vez precisa ter consequências”, deixamos você em regime fechado, tiramos tudo de você, e você começa a melhorar – abriu os braços – é isso? Não pode nunca sair da coleira?

- tenho certeza que a senhora não achou nada no meu celular, eu não estava combinando de beber ou me drogar – falei sabendo onde iriamos chegar – eu não saiu mais, não fumo, nem bebo – omiti algumas coisas – ou a senhora achou? Alguma coisa??

- nunca se sabe – recuou – se a gente não tivesse te afastado daqueles delinquentes, VOCÊ TERIA PARADO?

Ela esperou por mais tempo por uma resposta, eu só olhava fixamente para a mulher que eu mais admirava no mundo, “eu sei o que parece, mas foi ela que me ensinou a pensar” falei uma vez quando ela me deu um fora na frente da lex. Seu olhar era tão machucado e raivoso, nada comparado ao dia que ela descobriu as drogas, seus olhos gritavam “eu preferia te internar como dependente química a ter uma filha se relacionando com outra mulher!!!”

- olha, me pareceu que você gosta dos dois lados – fez uma careta – se quiser namorar com um rapaz, a gente continua com a mesma amizade de antes, não tem problema, eu posso entender essa fase ridícula que você esta passando – levantou um dedo – mas se você me aparecer com uma garota, com essa...nojeira – cuspiu a palavra e senti como se fosse uma facada no meu peito – esqueça que eu sou sua mãe, não converse comigo, não quero saber das coisas que você acha interessante na faculdade nem do novo livro que lançou – apontou para mim – acho melhor você escolher o lado certo.

Fechei os olhos e as memoria, de 5 anos atrás, me atingiram com força.

 

Flash back on

- que merda é essa? – minha mãe falou quando viu sites pornô homossexuais em meu histórico.

Merda eu vou matar esses filhas da puta, eu falei para eles apagarem o histórico.

- não sei mãe – falei sabendo que seu falasse “foram meus amigos da rua que vieram aqui e esqueceram de apagar o histórico” ela nunca mais me deixava pisar na rua.

- não sabe?!?! – passou a mão no rosto – eu sei exatamente o que é isso, só escuta uma coisa: se um dia você ou seu irmão forem, sei lá, gay o-ou lesbica, tanto faz – falou com o rosto vermelho – vocês não são mais meus filhos, são umas....abominações, na bíblia fala sobre essa pouca vergonha, não sei nem se vou poder chamar de gente – gritou alterada – porque quem faz essas coisas, não merecem nada – levantou e fitou meus olhos intensamente – acho bom você não esta metida com esse pecado, não que eu tenha preconceito, mas não quero dentro da minha casa – falou com nojo – e se estiver...acho bom esquecer e começar a orar pela cura – eu estava assustada, nunca vi minha mãe assim – entendeu?

- s-sim senhora – me encolhi na cama – eu não sou nada do que a senhora falou.

Flash back off

 

- sinto muito, mãe – falei com a voz mais firme do que eu imaginava – mas eu não vou pedir desculpas por ser que eu sou – levantei meu rosto encarando a expressão espantada na mulher à frente – eu não vou mais abrir mão de mim para agradar vocês – me referi a minha família – e por isso eu sinto muito.

- eu não estou pedindo para você mudar o mundo, sua ingrata – passou as mãos no cabelo – só estou pedindo para fazer a escolha certa – levantou e foi em direção a porta – se eu vou ser obrigada a conviver com você,  enquanto morar aqui e me quiser como mãe, supere essa fase – cuspiu as palavras antes de sair.

Tranquei a porta do meu quarto e encarei meu reflexo no espelho, meus olhos ardiam, meu peito apertava cada vez mais.

- acho melhor você não derramar essas lagrimas – falei para o meu reflexo – eles não vão te atingir – apontei para meu rosto – você não vai derramar lagrimas por eles – dei um tapa em meu rosto, respirei fundo e fechei os olhos, logo abri um sorriso, meus lábios tremendo levemente – você não vai se curvar para eles – abrir meus olhos – não mais.

 

 

 

 

Na primeira semana foi difícil, eu andava como se fosse a pessoa mais feliz do mundo, livro após livro, eu lia não apenas por gostar, mas para mostrar que o que eles me tiraram não me afetou. Sorria sempre que podia e ignorava meus pais. O vazio se espalhando por meu corpo.

- eu quero você longe desse menino – meu pai falou segurando meu braço antes que eu descesse na faculdade – isso é uma ordem – olhei incrédula – não quero você com essas más influencias – se referiu a Harry.

Eu nada disse, apenas desci do carro e sorri para as pessoas. Evitei todos, Camila, Harry, Louis, Brad, ally e até Dinah, me limitava a falar coisas da faculdade, não queria problemas para eles.

- fala comigo!! – dinah falou me segurando antes que eu pudesse sair da sala – pelo amor de deus, acha que esses sorrisos ainda me enganam?

- não tem o que falar – me soltei de seus braços – só preciso de espaço.

Na segunda semana as coisas não melhoraram “qual a hora da sua aula?” “Quando termina?” “Com quem você estava sentada?” “Acho bom você não está andando com aqueles pevertidos”, eram as frases que meus pais dirigiam a mim e eu me limitava a respostas curtas. Nunca precisei usar tanta maquiagem, mas minhas noites sem dormir estavam acabando comigo.

- lolo, tem duas semanas que você não fala comigo – Camila me encurralou no banheiro do meu bloco – o que está acontecendo, Dinah não sabe explicar direito!!

- nada está acontecendo – olhei para Dinah que estava na porta, tenho certeza que ela falou para Camila o nosso horário – nada além do que Dinah falou – lavei minhas mãos e a empurrei delicadamente, já que a mesma atrapalhava minha passagem – eu não posso sair e estou sem celular, meus pais estão digerindo a ideia de ter uma filha bixessual.

Dei de ombros e sai do banheiro sendo acompanhada pelos olhares das duas garotas que nem tentaram me parar.

Terceira semana, olhei minhas olheiras e quase desabei no quarto tonta, passava algum tempo sem comer, só para sentir a dor em meu estomago e quem sabe me distrair dos meu dias de merda. Três semanas que eu ia da faculdade para casa e de casa para a academia, além disso só igreja e porra, eu preferia ficar em casa.

- você está bem laur? – jade perguntou – ta um pouco mais magra – seu sorriso era sarcástico.

- cuida da sua vida – falei a empurrando da minha frente com brutalidade.

Quarta semana, semana de provas e eu não estava com a mínima vontade de estudar ou de fazer os artigos imensos que os professores passaram. Me afundei nos estudos de cabeça, qualquer coisa era uma desculpa para me deixarem em paz, os jejuns e excessos de exercícios já não bastavam para me distrair, nem mesmo os socos nas paredes de meu quarto. Nada me deixava exausta a ponto de me fazer esquecer.

- normani quer falar com você – parei quando ela suspirou cansada de brigar, depois de muito insistir para eu me abrir – alguma coisa séria.

- o que é dinah? – será que meus pais tinham feito mais uma vez?

- ela disse que não queria te contar, ou você iria fazer algo impulsivo – olhou triste para mim – ela disse que está tudo bem e que não era para te preocupar, mas ela ficou muito preocupada. Me fala o que se passa na sua cabeça?

- chega, dinah, tudo está como deve estar – quase gritei – não adianta falar o que não tem jeito – dei as costas sabendo que ela não ia falar nada.

- seu pai ligou para ela – seu tom baixo, mas o suficiente para que eu ouvisse. Fechei os olhos.

Flash back on

- de novo? – minha mãe me fitou – tem filmagens?

- tem – a coordenadora me olhava com pena.

Estávamos na sala da coordenação, uma semana depois de ter tido um coma alcoólico na escola, “descobrimos outras coisas da sua filha e seus amigos”, foi o que a mulher obesa falou quando entrei na sala para me desculpar pela semana passada.

“eu to mal, lex” minha voz distante no vídeo embaçado de alguma câmera de segurança “eu quero fumar” “tem certeza? Você está indo tão bem” minha melhor amiga tenta me fazer mudar de ideia. Eu não precisava ver, eu lembrava, estávamos perto da escola em uma rua sem saída, na porta de alguém, fumamos e ela me abraçou por saber que eu não estava bem.

- olha aqui garota – minha mãe agora estava falando com lex – eu quero você longe da minha filha, ela não pode se juntar com o seu tipo de gente – segurou forte no meu braço – fala – eu olhei minha amiga com lagrimas no rosto – EU MANDEI FALAR!

- vo-você precisa ficar longe de mim – minha voz falhou – você não me faz bem.

- laur, voc...

- cala a boca sua bêbada, desmiolada – minha mãe me puxou da frente dela quando ela tentou me tocar – acha que eu não sei seu histórico? Você é toxica assim como o seu pai foi – eu queria falar, lex estava encolhida na cadeira da sala, seu pai era seu ponto fraco – você vai sumir da vida da minha filha, ela tem uma família estruturada, um futuro, não precisa de más influencias – me olhou – eu já tinha mandado você se afastar dela! – beliscou meu braço.

- você não deveria ter se aproximado de novo – falei em um sussurro – não podemos mais ser amigas.

.

.

.

- EU NÃO ACREDITO NISSO – meu pai rosnou – EU ACHEI QUE VOCÊ STIVESSE COM UM POUCO DE JUIZO NA SUA CABEÇA!

- desculpa, pai – soluçava.

- SEUS MACONHEIROS – apontou para Brad e Louis – ela não é uma filha ruim, mas faz péssimas escolhas – senti meu braço ser puxado – eu não quero ver, nunca mais, esses dois perto de você, nem o resto da gangue que você se meteu – sua voz assustadora em meu ouvido – fala.

- e-eu nunca mais vou falar com eles – seu aperto em meu braço ficou mais forte – v-vocês precisam ficar longe de mim, eu p-preciso de b-oas pessoas por perto – minha garganta ardia por precisar falar essas coisas.

- EU VOU DENUNCIAR O SEU PAI – apontou para Brad – FALAR DE TODA A NOJEIRA QUE ELE ESTÁ METIDO – meus olhos se arregalaram – é melhor ficar longe da minha filha – eu queria gritar, mandar ele parar, mas ainda assim fiquei calada – se não quiser ir para a cadeia junto do seu pai – percebi Louis me olhar e segurar o Brad – é uma coisa de família, né?

Saiu me arrastando até o carro. “acho melhor se afastar” “drogada” “sem família” foi a coisa mais leve que eu ouvi das ligações feitas, do meu celular, para meus amigos no caminho de casa.

Chorando abraçada as fotos dos meus amigos, era assim que eu estava deitada na minha cama. Arrasada por não ter conseguido enfrentar meus pais.

Flash back off

- o que ele disse? – minha voz foi um sussurro.

- para ela se afastar, que era uma má influência – tentou pegar em meus braços, me afastei rapidamente – que você não ia pegar “essa doença”, então era melhor ela se afastar ou ele ia denuncia-la ou processa-la, algo do tipo, por ela ser maior de idade e você não – soltei uma risada seca e sem humor.

- mais fácil ele ser preso por homofobia – fiquei seria a encarando – ele ligou para você? Para mais alguém?

- até onde eu sei, não - minha cabeça estava explodindo com essa informação. Eu não podia deixar isso acontecer. Virei para sair do banheiro e dei de cara com Camila olhando toda a cena, eu não consegui fingir. Passei por ela e fui para casa.   

Nesse mês que se passou eu vivi um inferno, só ia na casa da Dinah para fazer os artigos em grupo e ia visitar meu vô sempre que podia, mas não sabia quem estava pior, eu ou ele.

- você sabe em que eu acredito – afagou meus cabelos – mas eu também sei que você já ta grandinha, o que tínhamos de ensinar...já ensinamos e acho que ensinamos muito bem – sorriu para me reconfortar – se você é feliz com uma menina – era perceptível sua dificuldade em falar, abrir mão do que acreditava – então eu estou feliz pela sua felicidade, não vou dizer que defendo a causa com unhas e dentes ou que não preferia você com um garoto, mas respeito quem você é – abracei meu avô – se você está assim nesse último ano por isso – deu de ombros – então foi a melhor coisa que já aconteceu na sua vida.

- obrigada, abuelito – isso era tudo que eu queria de meus pais, respeito – eu te amo.

- eu te amo, pequena.

 

 Eu tinha acordado atrasada nessa sexta e nem deu tempo de passar maquiagem, deixando visível que estou acabada, minha vontade de chorar era tão grande que sentia minha garganta arranhar quando engolia o bolo que se formava, eu queria contar para alguém, queria fazer alguma coisa.

- você precisa ser forte – estava mais uma vez na frente do espelho, apenas de calcinha, meu corpo um pouco mais magro e os músculos e ossos um pouco mais salientes já que estava pegando pesado na academia, mais do que deveria, mas com a alimentação que eu vinha tendo...não tinha como “crescer” – isso é para aprender a não ficar com vontade de chorar por eles – senti minhas costas arderem no local que o sinto de couro bateu – fraca – levantei meu braço mais uma vez – burra – mais uma vez – achou mesmo que eles iam te amar acima da imagem de perfeitos cidadãos da igreja? – apliquei mais força e dessa vez eu arfei com a dor do sinto abrindo um pequeno corte nas minhas costas – abaixou a guarda e olha o que aconteceu.

Outro pequeno corte, outro, outro e outro. Sentia o sangue quente descendo por minhas costas em linhas finas e percebi que já não doía tanto, soltei o sinto e fechei minhas mãos em punho.

- mais forte – trinquei os dentes e soquei mais uma vez o meu estomago – está com medo de se machucar? – desci os punhos sem intervalos.

Passei horas ajoelhada no chão do meu quarto, o sangue das minhas costas secou e meu abdômen ficou quase todo vermelho quando, finalmente, cai no chão exausta. Meus olhos vermelhos, nenhuma lagrima caia, estava no fim do poço.

- você precisa ser forte – sussurrei – mas eu não estou mais aguentando – respondi para mim mesma – eu acabo com a vida de todos ao meu redor, olha para a minha mãe, ela é tão boa – tossi e minha barriga doeu – eu estraguei tudo, era para ser uma boa filha, uma boa pessoa...

 

Oh whoa-oh

 

Comecei a cantar com a voz baixa, com um sorriso amargo.

 

I take as much as i can get

I don’t take any regret

I close my eyes to conjure up someting

But it’s just a faint taste in my mouth

(Eu pego tanto quanto eu posso aguentar

Eu não levo nenhum arrependimento

Eu fecho meus olhos para conjurar alguma coisa

Mas é apenas um leve gosto na minha boca)

 

Eu já peguei tudo que eu podia e não me arrependo de um segundo da minha vida, mas eu simplesmente não aguento mais...

 

I think i’m coming down

I think i’m coming down

(Eu acho que estou caindo

Eu acho que estou caindo)

By tomorrow i’ll be leaving

By tomorrow i’ll gone

If you want to tell me something

You had better make is Strong

(Amanhã eu vou estar deixando

Amanhã eu vou embora

Se você quer me dizer alguma coisa

É melhor você torna-lo forte)

 

Amanhã EU vou estar indo embora, cada lembrança desse espelho, do que eu falei...torna-me forte para seguir em frente.

 

‘cause i think i’m coming down

I think i’m coming down

I think i’m coming down

I think i’m coming down

(Porque eu acho que estou caindo

Eu acho que estou caindo

Eu acho que estou caindo

Eu acho que estou caindo)

I think i’m coming down

(hare I go)

I think i’m coming down

(hare I go)

I think i’m coming down

(hare I go)

I think i’m coming down

hare I go

(Eu acho que estou caindo

(Ai vou eu)

Eu acho que estou caindo

(Ai vou eu)

Eu acho que estou caindo

(Ai vou eu)

Eu acho que estou caindo

Ai vou eu

There I go

(Lá vou eu)

You abuse the ones who love you

You abuse the ones who won’t

If you ever had a real heart

I don’t think you’d know where to start

(Você abusa dos que te amam

Você abusa dos que não conhece

Se você já teve um coração de verdade

Eu não acho que você sabe por onde começar)

 

Eu abusei da minha mãe, ela apenas me amou e eu sou diferente. Abusei das pessoas que me admiravam, os fazia se curvar a mim, lembrei das festas e das pessoas que faziam coisas a meu comando. Eu nunca soube começar nada, eu não sei onde está meu coração e nem sei se já amei de verdade, a única recordação que tenho de um coração verdadeiro é porque ele bate mais forte quando Camila se aproxima.

 

‘cause i think i’m coming down

I think i’m coming down

I think i’m coming down

Yeah, I think i’m coming down

(Porque eu acho que estou caindo

Eu acho que estou caindo

Eu acho que estou caindo

Eu acho que estou caindo)

Yes, I think I’m coming down

Yes, I think I’m coming down

(Sim, eu acho que estou caindo

Sim, eu acho que estou caindo)

 

E como eu acho que estou caindo. Respirei fundo sentindo minha vista embaçar – amanhã você vai acabar com isso – depois desse pensamento eu apaguei.


Notas Finais


(musica do final) https://youtu.be/sZdbNMDH8hc
não me matem....desde o começo da fic a laur tem alguns problemas e esse cap vai ser super importante para isso.
comentem.....próximo capitulo já ta quase pronto, gente enova chegando, gente contado coisas para outra "gentes".
só eu fiquei com raiva dos pais da laur?


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