História Coming Down - Capítulo 29


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren
Exibições 115
Palavras 6.975
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Ficção, Orange, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


oii, eu gostei de escrever esse capitulo, deu para esclarecer algumas coisas e tem gente nova chegando.
na hora da musica se quiserem ouvir....vou deixar o link.
espero que gostem, obrigada pelos fav e comentários :))
obs: maior capitulo que eu já escrevi.

Capítulo 29 - Never was my home.


Fanfic / Fanfiction Coming Down - Capítulo 29 - Never was my home.

Camila pov

Cheguei em casa leve, tinha certeza que os meus pais iriam me aceitar, coisa que eu realmente estava com medo. Tem alguns dias que eu percebi do que eu gostava, mas ainda não me sentia segura para me abrir. Lauren me ajudou muito nesse tempo e o que aconteceu no quarto ainda não saiu da minha cabeça....o que teríamos feito se a sofi não tivesse chegado?

Balancei a cabeça tirando esses pensamentos antes que eu enlouquecesse. Tirei minhas roupas e fui tomar banho para clarear meus pensamentos, vesti um pijama folgado e me deixei levar pelo cansaço da noite agitada.

 

 

- Camila – escutei uma voz longe, enfiei minha cabeça no travesseiro tentando voltar a dormir – CAMILA – levantei da cama assustada quase caindo.

- porra Dinah, tem que me acordar assim toda vez? – perguntei irritada.

- eu to a meia hora tentando te acordar, mas parece que você morre quando dorme – bufou sentando na cama.

- que horas são – perguntei estranhando sua presença – você não tinha aula hoje?

- meio dia e eu tive aula – ficou séria.

- aconteceu alguma coisa? – minha voz mostrava minha preocupação, raramente Dinah Jane fica seria.

- a laur pediu para te avisar que está sem celular – desviou seu olhar do meu.

- Dinah! Direto ao ponto – falei sem paciência.

- ela não explicou direito, só disse para não tentar falar com ela – deu de ombros – que a mãe dela pegou o celular dela e descobriu que ela é bi.

Caralho, foi tudo que consegui pensar, se os pais de Lauren descobriram, ela deve estar muito mal, fora que não se sabe o que esperar dos pais dela.

Depois do que dj falou eu não encontrei Lauren durante toda a semana, parecia que nossos horários sempre se chocavam, o que é estranho, já que quase todo dia eu conseguia falar com ela.

“Ela não fala nada” “não adianta perguntar” “eu nunca vi tanta maquiagem no rosto dela” tem uma semana que ela senta longe de mim na sala“ foram as únicas respostas que Dinah me deu quando eu perguntava dela nesse tempo.

- Lauren – grite na segunda feira quando vi a hispânica descendo do carro de sua mãe.

- oi – acenou passando por mim – eu to atrasada e tenho um trabalho para apresentar – sua voz estava mais rouca que o normal, parecia doente – depois a gente se fala.

- tchau – respondi quando ela já estava longe, meu coração apertou com a visão da garota distante, mais uma vez.

Minha cabeça estava a mil, eu pensei que tínhamos superado essa coisa de afastamento. Acho que estava errada.

- Harry, você conseguiu falar com a Lauren? – perguntei quando nos encontramos pela faculdade.

- não – respondeu e fez uma careta – na verdade, ela passou por mim semana passada, tentei perguntar se estava tudo bem, mas ela tinha que ir para a aula – deu de ombros – depois disso eu não a encontrei.

Me despedi do garoto e fui para as minhas aulas. Tentei várias vezes falar com a garota, mas parecia que ela nunca podia. Dinah disse que tentou fazer a mesma coisa, mas ela se limitava aos problemas da faculdade.

Na segunda semana que a Lauren se afastou eu tentei falar com ela de novo, no banheiro do seu bloco....ela fugiu mais uma vez. “meus pais estão digerindo a ideia” pelo que eu conheço deles....essa não seria a definição.

 

-  mano eu to muito preocupada com a Lauren – Dinah falou sentando na mesa com uma bandeja – tem quatro semanas que ela vem com blusas largas e hoje eu me assustei com seu rosto.

- como assim? – perguntei alterada, todo meu corpo entrou em alerta com o pensamento de que algo sério aconteceu com ela – o que aconteceu com o rosto dela?

- ela veio sem maquiagem hoje – olhei para Dinah incrédula com a sua frase – não desse jeito, mas parece que ela não dorme a anos ou que pegou uma daqueles resfriados que acaba com você.

- o que a maquiagem tem a ver com isso? – estava com medo da resposta.

- nessas três semanas e meia que ela se afastou, não teve um dia em que ela não viesse com maquiagem carregada – falou mais calma – ela está com olheiras imensas, muito abatida e claramente mais magra.

- eu preciso falar com ela – estava agoniada com a ideia de ver minha lolo assim – nós precisamos falar com ela.    

 

Estávamos prontas para falar com ela e descobrir uma forma de ajudar.

Chee: ela acabou de sair da sala, ta indo para o banheiro.

Sai quase correndo das minha sala em direção ao banheiro do bloco delas, parei e quando abri uma brecha na porta, para tomar cuido...

- ele ligou para ela - dj falou baixo e vi os olhos fechado de Lauren.

- o que ele disse? – virou para encarar dinah e perguntou, depois de um tempo calada.

Não tive coragem de interromper o “dialogo”, a voz de Lauren pingava sarcasmo, mas nem todo o sarcasmo do mundo esconderiam a dor em suas palavras. Senti vontade de chorar por vê-la assim, minha vontade era de segurar seu corpo, em um abraço apertado até que tudo passasse. Ela focou seu olhar em mim, me notando pela primeira vez, ela não sorriu, nem fingiu. Passou por mim e levantei minha mão, tentei tocar em seu braço, mas foi tarde demais, a deixei ir com uma única certeza: 

Ela vai fazer alguma coisa.

 

- Dinah, eu disse para você não falar – normani grunhiu irritada, chegou de viagem ontem e marcou com o pessoal em minha casa.

- eu pensei que ela ia falar com você – tentou explicar – ou pelo menos com a gente – suspirou olhando para mim.

- eu só não entendo porque ela se afastou – disse abrindo minha boca pela primeira vez desde que as meninas e meninos chegaram aqui em casa – ela nem sentava mais com a gente – massageei minhas têmporas, tentando aliviar a dor em minha cabeça – sempre sorrindo e falando que estava ocupada.

- ela ia na minha casa fazer trabalhos – DJ disse com uma careta – ela sempre chegava com roupas folgadas e expressões cansadas, mas não falava nada que não fosse do trabalho, mesmo que eu perguntasse, “estou bem” ela falava.

- o que aconteceu? – Louis perguntou saindo dos braços do namorado, sentando-se ereto – o que você falou para ela?

- só que a mani queria conversar – deixou os ombros caírem cansada da conversa – ela me perguntou o porquê e eu respondi que o pai dela tinha ligado para a mani.

- o pai dela? – Louis falou e Dinah assentiu – por isso que ela saiu sem falar com ninguém.

Sua expressão era de um conhecimento amargo, todos focamos o olhar nele que se acomodou em Harry mais uma vez.

- o que? – perguntou quando percebeu nossas expressões.

- o que você sabe? – Harry falou como se fosse obvio.

- gente, eu não gosto de lembrar – se encolheu, nunca tinha visto o garoto sorridente desse jeito – e não sei se a laur gostaria que eu falasse.

- você não pode nem esclarecer alguma coisa? – Dinah perguntou olhando com expectativa para Louis.

- só que....ele falou coisas horríveis e obrigou a laur a falar também – fechou os olhos como se tudo tivesse acontecido ontem – o pior foi o olhar dela quando tudo aconteceu, ela estava aterrorizada.

- ela sabia exatamente o que o pai dela falou para mim – mani afirmou e garoto só concordou com a cabeça, trocando um olhar compreensivo com mani, o olhar de uma experiência compartilhada.   

- ela acha que está protegendo vocês – falou com a voz triste – foi assim com a gente, ela sumiu só tivemos notícias esse ano – apontou para Dinah – lembra de quando a gente se conheceu? – Dinah assentiu – aquele dia foi o nosso “reencontro”.

Por isso a relação dela com o pai é daquele jeito, me dei conta de todas as vezes que ele tentava se aproximar e ela se afastava. Eu não imaginava nada do o Louis falou, só conseguia pensar no que deve estar se passando pela cabeça da garota. Me praguejei por deixar ela se afastar mais uma vez, e se ela sumir sem dar notícias, como fez com os meninos?

Eu não quero ficar sem a lolo.

- eu vou tentar falar com ela amanhã – disse suspirando.

Passamos o fim do domingo, conversando e assistindo filmes, na verdade estavam todos tentando distrair a mente. Quando fiquei sozinha em meu quarto passei algum tempo encarando o meu reflexo e acabei sorrido fraco quando lembrei o quanto a garota de olhos verdes detestava espelhos. Antes que tudo me atingisse e eu desabasse no choro, tirei minha roupa e fui tomar um banho, para relaxar de todas as informações do dia. Deitei na cama e revirei boa parte da noite sem consegui dormir.

 

Cheguei na faculdade 9 horas, minha primeira aula era em 10 minutos, resolvi mandar uma mensagem para Dinah.

Eu: qual o horário vago de vocês?

Chee: ela ainda não apareceu na aula, acho que não vem.

Eu: ela deve ta atrasada, ela sempre se atrasava na escola.

Chee: mila, nós tínhamos a primeira aula (7h30) e ela não chegou.

Eu: ela não pode chegar na segunda?

Chee: ela nunca aparece depois de perder um aula.

Travei meu celular e o nó em minha garganta voltou, as batidas do meu coração ficaram mais rápidas. Respirei fundo e me obriguei a andar até a minha sala, amanhã ela vai aparecer.

 

   

Uma maldita semana que Lauren não aparece na faculdade, todos os dias eu tentava me acalmar “amanhã ela vai aparecer”, mas esse “amanhã” nunca chega e eu estava surtando, tentei falar com ela por suas redes sociais, pelo menos as que restavam, já que a mesma não gostava muito. Liguei para os pais de Lauren, mas eles não atenderam, até na igreja eu apareci e tentei falar com jenna, mas ela disse que Lauren não tinha aparecido, antes de sair percebi a nojenta da jade sorrindo cinicamente para mim.

- tem noticias da laur? – sua voz pingava veneno – ela nunca mais apareceu, eu estou preocupada.

- sua...

- não vale a pena – jenna me puxou para a lateral da igreja – eu não sei onde a laur está, mas não é a primeira vez que essas coisas acontecem.

- ela já sumiu outras vezes? – minha voz se alterou.

- não – seu rosto era triste – não tem muitos anos que eu estou na igreja, mas eu presenciei muitos de seus momentos – segurou minha mão – ela é forte, sabe? Sempre aguentou tudo calada, mas dessa vez...acho que ela cansou.

- como assim “cansou”? – meus olhos se encheram de agua.

- a laur tem o espiro livre e ele passou tempo demais acorrentado – me abraçou – se fosse em qualquer outro momento, eu estaria aterrorizada com esse sumiço dela.

- você não esta preocupara? – me separei um pouco de seu corpo para olhar em seus olhos.

- eu sempre me preocupo – enxugou minhas lagrimas – mas ela sabe se cuidar, ela cresceu.

 

Lauren pov

 

Sentia todo meu corpo doendo e demorei algum tempo para abrir meus olhos. O céu negro lá fora indicava que já era madrugada, olhei para o relógio em minha parede 2 horas da manhã. Busquei coragem para levantar do chão e depois de um grande esforço consegui me apoiar na cama e ficar em pé, sentia minha barriga doendo e minhas costas ardendo, assim como meu joelhos pelo tempo que passei na mesma posição.

Tirei a calcinha e olhei meu rosto magro, mais magro do que desejei por anos, eu tinha conseguido chegar onde eu queria durante esse ultimo ano, Camila me ajudou. Camila, queria poder deitar em seus braço e chorar, até tudo isso passar, mas eu não podia, se meus pais me vissem com algum dos meus amigos, com certeza ia fazer de tudo para acabar com esse meu amigo.

“o que as pessoas vão pensar?” foi o que mais escutei desde que consigo me lembrar. Entrei no banheiro e deixei a agua gelada lavar meus pequenos cortes que pareciam pegar fogo de tão ardidos.

Sai do banheiro e vesti um short jeans folgado, blusa branca folgada manga longa e minhas havaianas, não consegui colocar o sutiã. Abri a porta de meu quarto e andei pela casa escura até um quartinho pequeno da casa “quarto da bagunça” minha mãe o chama. Pequei a maior mala e carreguei até meu quarto.

Abri a porta de meu guarda roupa jogando tudo o que tinha dentro no chão, peguei peça por peca e fui dobrando e ajeitando dentro da mala vermelha. Peguei uma caixa grande que tinha no quarto da minha irmã e ajeitei meus livros, achei minha antiga bolsa de escola, para colocar algumas coisas de higiene pessoal e pequenos objetos de decoração, os que eu tinha colocado no meu quarto e meu carregador, minha bolsa da faculdade e uma sacola para os calçados.

Passei as coisas pela janela do meu quarto e arrastei até a calçada, voltei para o quarto e sentei na cama com o caderno de desenho aberto e um lápis na mão.

“Eu nunca fiz uma escolha tão difícil em toda a minha vida. Eu estava arrumando minhas coisas e lembrando de uma historia diferente a cada peça de roupa, historias boas, ruins, tristes, engraçadas....eu me perguntava a cada historia o motivo da minha decisão, porque você esta indo embora? Você tem uma família perfeita, seu pai ama a sua mãe, uma igreja com pessoas maravilhosas que cuidam de você como se você fosse parte da família deles, uma família carinhosa que só quer o seu bem, irmãos para cuidar e amar (eu vou sentir tanta falta dos meus pequenos), mas por mais perfeita que seja essa família, por mais que eu tente me encaixar....eu não sou perfeita para essa família. Por anos eu tentei seguir coisas que eu não acredito e me encaixar no molde, me odiava por ser imperfeita, por ser ingrata, rebelde e irresponsável, mas esse ano...esse mês me fez perceber uma coisa, que eu só me dei conta essa noite: eu sou perfeita!

Quando a senhora veio conversar comigo a única coisa que consegui pensar foi “eu sou exatamente a pessoa que você me criou para ser, mãe” e sabe porque? Você me ensinou que todos tem um lugar no mundo, todos são iguais. Quando eu era pequena e a senhora me contou que tinha participado de um protesto contra o governo, que era injusto com as pessoas e quase foi presa por isso....nossa, eu pensei “quero ser como a minha mãe” e eu carregava a foto que a senhora tinha do dia do protesto, segurando uma facha enorme e mostrava para os meus amiguinho “minha mãe faz a diferença no mundo” eu falava orgulhosa, porque a senhora fez a diferença no mundo e tudo que eu queria, e quero, fazer é exatamente a mesma coisa. Meu coração se partiu em mil pedaços quando a senhora veio conversar comigo e disse que eu não posso ser que eu sou, eu lembrei da foto e me perguntei o que tinha acontecido com a mulher que lutava pelos direitos das pessoas, com a mulher que me fez amar causas sociais, que me fez ver que o mundo poderia ser bom, mesmo tão ruim....a minha heroína não, ela não ia ser hipócrita a esse ponto. Eu entendo que seja difícil, você tem crenças e eu não quero que você mude, mas eu esperava respeito, respeito da mulher eu me ensinou a respeitar. Ela me ama, mas agora eu sou uma obrigação? Conviver comigo é um fardo? Doeu ouvir essas palavras saindo da sua boca.

Eu tô com tanto medo, mãe, eu sei exatamente o que vai acontecer lá fora. Eu vou ter que ralar para conseguir pagar a faculdade, tudo que eu tenho de “regalia” eu vou precisar abrir mão. Não sei onde vou morar, não vou ter dinheiro para academia e sei que não vou ter como comprar livros e ir ao cinema, mas eu preciso ir, preciso achar o lugar perfeito para a minha perfeição, porque aqui....eu sou tão imperfeita para vocês, quanto vocês para mim.

Essa foi a decisão mais difícil que eu já tomei, porque eu precisei de coragem, olhando para o meu reflexo no espelho. Se eu ficar... Não quero ser uma obrigação, não quero amarra-la, seja tão livre quanto eu ser depois dessa noite.

Eu te amo, todos vocês, diga aos pequenos que vou sentir saudades” – Lauren Michelle Jauregui Morgado.

Olhei para o papel por alguns minutos antes de dobrar e deixar na minha cama bem feita. Olhei para o desenho que eu tinha acabado alguns dias atrás: um coração com barras de ferro quebradas no lugar das veias e artérias, e penas voando pelo caminho que o pássaro, agora livre, está fazendo até o céu, até a lua e suas estrelas. Coloquei o desenho ao lado da carta e respirei fundo.

Abri a porta do meu quarto e caminhei em direção as escada, abri a porta com cuidado. Mesmo com a penumbra no quarto consegui ver o berço da Tay e o colchão de Chris ao lado da cama de meus pais, peguei a chave do carro no criado mudo e me ajoelhei.

- eu vou sentir tanta, tanta saudade, meu homenzinho – beijei suas testa e levantei indo até o berço – minha princesinha – alisei sua bochecha – vai ter que aprender a subir na cadeira para pegar os salgadinhos do armário – sorri sentindo minha visão turva – a laur ama vocês. 

Fechei a porta do quarto e senti as lagrimas em minhas bochechas, pela primeira vez em um mês. Um soluço baixo cortou minha garganta, eu vou sentir tanta saudade dos meus irmãos.

Destravei o carro e pedi aos céus para ninguém ouvir o barulho que ele fez. Procurei pelo tapete do motorista e achei meu celular no canto, descarregado, droga! Travei o carro e coloquei a chave no balcão da cozinha, tranquei a porta e andei até minhas coisas.

Minhas costas estavam doendo pelo peso das duas bolsas que estava levando e por estar pressionando os machucados, arrastava a mala de rodinhas com uma mão, a caixa apoiada em cima e a sacola de sapatos na outra. Cheguei no fim da rua ofegante e olhei para a casa grande com iluminação em uma das janelas, aposto que ela está estudando. Respirei fundo e toquei a campainha.

- quem porra esta....laur? – eu riria da sua reação se não estivesse no estado em que estou.

- eu sei que não deveria te pedir nada – olhei nos olhos da minha amiga de infância – mas...eu posso passar a noite aqui? – ela me olhou de cima a baixo – eu durmo em qualquer lugar e...

- Lauren – tocou meu ombro – foda-se o que aconteceu, temos muito tempo para discutir isso outra hora – tirou a sacola e uma das bolsas de minhas costas – o que aconteceu?

- eu acabei de sair de casa – ela deu passagem.

- eu nem percebi isso – falou irônica.

- passam os anos e você continua idiota – dei dedo.

- tá xingando a pessoa que vai te abrigar, jauregay? – ameaçou falsamente, gargalhei divertida – ta doida?

- você me chamou a infância e boa parte da minha adolescência assim e eu ficava com raiva de você.

- eu sei – deu de ombros – você é “hetero”.

- ai é que ta – deixei as coisas na base da escada de sua casa – eu não sou.

- é o que? – me encarou de olhos arregalados.

- eu acabei sair de casa por ser bi – suspirei cansada – eu acabei de sair de casa.

- foi sua mãe?

- eles fizeram desse ultimo mês um inferno para mim – sentei na escada gemendo de dor nas costas – eu não aguento mais um dia com eles.

Ela me olhou e percebeu que o clima pesou, sentou ao meu lado e passou um braço por meus ombros me abraçando. Eu sentia falta de falar com ela.

Vero era mais uma das minhas amigas que foram afastadas por meus pais. “não quero você andando com uma lesbica” lembro do meu pai falando “as pessoas vão pensar que você também é, fora que ela não tem regras, vive em festas bêbada”. Ela é 3 anos mais velha que eu, adiantada na escola, como eu e esta no 8 período de medicina em uma faculdade diferente da minha, nos conhecemos quando eu me mudei para esse bairro, eu tinha 6/7 e ela tinha 9/10 anos, fizemos loucuras juntas....pelo menos até minha mãe ficar sabendo que ela se assumiu, eu tava com uns 14 anos e fiquei proibida de falar com ela.

- eu quero que você me conte o que aconteceu – olhou em meus olhos – mas primeiro quero que tome descanse e amanhã nós conversamos.

Levantei e fui a seguindo para o quarto que iria ficar, quando estava terminando de ajeitar minhas coisas no canto do quarto senti suas mãos levantando minha blusa.

- porra, Lauren! – bufou quando me afastei – me fala que não foi você – abaixei minha cabeça – tira a blusa e deita na cama, vou cuidar desses cortes para não ficar cicatriz.

Observei-a saindo do quarto e fiz o que ela mandou.

- ótima psicóloga eu vou ser – sorri amarga.

- muitos médicos fumam – falou começado a cuidar de meus cortes – o que eu quero dizer é que, você não é uma psicóloga 100% de seu tempo, você esta aprendendo e isso leva tempo – puxou meu rosto para me encarar – você também comete erros, todos comentem. Leve isso para a sua terapia – voltou a olhar para meus cortes – trabalhe isso em você antes de absorver os problemas dos outros.

- quando você ficou tão inteligente? – perguntei trincando os dentes pelo ardor do remédio que ela esta passando em minhas costas.

- eu tenho os meus momentos – riu de meu comentário – sorte de terem sido superficiais, coso contrario, ficaria com belas cicatrizes.

- obrigada, vero – vesti minha blusa depois que ela fez curativos em minhas costas – por tudo.

- eu sempre vou esta aqui laur – piscou o olho – boa noite, amanha conversamos, estou morta.

Fiquei um tempo sem consegui dormir pensando no que eu faria da vida, como os meus pais vão ficar depois de perceber que eu sai de casa, se meus irmãos vão sentir minha falta, essas coisas até que lembrei do celular descarregado e coloquei para carregar, finalmente conseguindo dormir.

 

- bom dia – disse na ponta da escada olhando a garota na cozinha.

- boa tarde – apontou para o relógio que marcava 2 horas da tarde – to fazendo o almoço.

Fiquei ajudando vero a fazer a comida e comecei a contar tudo o que aconteceu comigo nesses últimos 4 anos que não nos falamos. Ela ficou chocada com a capacidade dos meus pais e xingou varias vezes suas ações. Falei dos meus novos amigos...

 

- eu ainda não entendi o real motivo de você ter se machucado – olhou séria para meu rosto – eu não vou te julgar, mas eu realmente quero saber o motivo.

- eu me sinto tão errada – falei suspirando – como se mesmo sabendo que não é errado e que eu sou uma boa pessoa...eu ainda estivesse errada.

- por gostar de garotas também?

- não só isso – apertei o garfo em minha mão – eu sempre me senti errada, por não gostar das coisas da igreja, por não achar as coisas “erradas” de fato erradas, por gostar de festas – olhei para vero mordendo a boca – meus pais sempre me “puniam” com pisas e castigos...

- eu lembro – sorriu triste para mim. Meus pais nunca me espancaram, mas acreditavam “bater por amor” resolveria alguma coisa.

- quando me olhei no espelho, me senti tão burra, tão covarde que...que a única coisa que consegui fazer para me dar coragem foi essa – apontei para as minhas costas – me fez lembrar de cada momento que me senti suja por ser quem eu sou. Me olhei e percebi que alguém vai gostar de mim do jeito que eu sou, eu vou ter uma família que me aceita e apoia.

- pode crer, irmã – apertou minha mão, mostrando a verdade de suas palavras.

- gostar de garotas...foi só a gota d’agua -  sorri de lado – e meio que me apaixonei por uma garota maravilhosa, mesmo que não de certo....eu cansei de me limitar.

- meu deus – arregalou os olhos – você apaixonada.....na mesma frase, não acredito – gargalhou – eu preciso conhecer essa menina.

- cala a boca – levantei para colocar o prato na pia.

- ei – respondi com um som nasal – vai tomar banho para eu trocar os curativos e passar o remédio – levantou uma sacola da farmácia.

Tomei banho e esperei verônica cuidar de minhas costas entre risos e zoações, peguei meu celular vendo muitas notificações e abri uma em especial.

Ligação on

- alô – escutei a voz sonolenta.

- te acordei? – perguntei culpada.

- eu já ia acordar – falou divertido – a que devo a hora da sua ligação.

- lembra daquele dia que você..........

Ligação off

Desliguei a ligação com um sorriso no rosto, pelo menos uma coisa tinha dado certo.

- conseguiu? – vero me olhou com expectativa.

- consegui – falei me jogando no sofá ao seu lado.

Passamos o sábado e o domingo jogadas assistindo filmes aleatórios, ouvindo musicas e tocando nos instrumentos espalhado pela casa. Eu sentia muita falta desse tempo com a minha amiga.

- você quer uma carona? – perguntou segunda quando estávamos na mesa do café da manhã – eu vou passar o dia fora.

- quero – olhei para vero um pouco “dormente” quando compreendi que agora é para valer – quero sim.

- qualquer coisa me liga – falou quando paramos na entrada da minha faculdade as 9h, minha turma esta tendo aula e a de Camila já já começa – se cuida.

- obrigada, vero – desci do carro e coloquei o capuz do casaco folgado que estava usando.

Fui pela parte de trás dos blocos até chegar na parte da administração, caminhei lentamente ate a atendente. Depois de um tempo fui chamada.

- bom dia Sra. Streep – falei entrando na sala da coordenadora de cursos.

- bom dia – falou sorrindo – senta, Lauren?

- isso, Lauren jaurregui.

- em que posso ajudar? – sentou de frente juntando as mãos.

- eu queria saber como posso entrar no sistema de bolsas – estava nervosa e sentia minhas mãos suando – eu sei que é incomum uma aluna já matriculada terminado o segundo período, mas eu não sei se tenho como pagar os próximos anos.

- não é todo dia – mexeu no computador – aqui em Miami...só se você for uma excelente ginasta, caso contrario, você pode fazer testes para alguns esporte, sei que você joga handebol muito bem, mas nem todos do time são bolsistas.

- aqui em Miami? – perguntei com medo de sua resposta.

- somos uma rede universitária – me explicou calmamente – por exemplo, se você dançar muito bem e tiver algum curso, posso te arrumar uma audiência no polo de Tampa – olhou para o computador – tem vaga para Orlando, audiência de canto.

- 3 ou 4 horas de viajem – falei baixo pensando na distancia.

- o que exatamente te fez me procurar? – fitou meus olhos – eu sei que sua família não tem problemas em pagar a faculdade, conheço seus dois sobrenomes.

- não moro mais com meus pais – minha garganta secou.

- entendi – sorriu doce para mim – provavelmente vai ficar em um dormitório?

- se fosse possível – minha voz esperançosa.

- eu não tenho como te colocar agora em um programa, mas posso te dar uma semana para pensar e me dar uma resposta sobre os testes – pegou um papel e estendeu para mim – esse é um curso de férias de dança que a faculdade tem um convenio, se você estiver interessada te inscrevo...

Fiquei vendo opções e acabei explicando uma parte da minha historia para a mulher que se dispôs a me ajudar no que pudesse.

- tchau Sra. Meryl, obrigada por tudo.

- tchau laauren, se cuida – falou quando já estava saindo da sala.

Mandei mensagem para verônica explicando minhas opções, mas a mesma ainda esta em aula, então não viu minha mensagem, guardei o celular e me encaminhei até os fundo do meu bloco, mandei mensagem para a pessoa que eu queria me encontrar. Olhei para frente e vi ao longe a garota que tomou conta de minha mente. Linda, com um vestido soltinho colorido e all star branco, cabelos presos em um coque mal feito, porra, ela fica tão linda de cabelo preso e esses óculos, senhor tira esses pensamentos da minha cabeça. Ela estava distraída com o pessoal de sua sala, estavam indo para o estacionamento com uns equipamentos de engenharia, sei lá para que serve. Uma raiva me subiu quando vi aquele garoto com ela, mas logo sorri quando ela disse alguma coisa e ele se afastou.

- bu – um ser humano pulou em mim.

- filho da puta!!! – quase gritei de susto.

- o que quer comigo?

- duas coisas – começamos a conversar e marca as coisas até da o horário dele voltar para a sala.

 

 

 

- verooo – falei pela milésima vez.

- eu levo – suspirou derrotada – mas eu não vou ficar lá.

- você é a melhor – pulei em seu colo a abraçando.

- esteja pronta cedo, eu não tenho aula, mas tenho estagio a tarde.

Hoje é terça e eu não sai de casa, basicamente fiquei vendo as notificações de Camila e meus amigos, mas não podia responder, não até ter certeza de algumas coisas e não fazia ideia do que meus pais estavam aprontando. Suspirava lembrando de Camila, estava morrendo de saudades de....de tudo, não tinha algo especifico para sentir falta na latina, tudo fazia falta.

- meu deus, já esta pensando na garota outra vez – jogou uma almofada em minha cara.

- me deixa em paz, vero – joguei de volta – um dia você vai ficar assim e eu vou te zoar.

 

 

- desce desse carro – me empurrou abrindo a porta.

- eu to com medo – ignorei sua impaciência.

- vai logo, você o conhece – falou como se meu medo fosse idiota, e era.

- tchau, bom trabalho – dei um beijo em seu rosto – obrigada.

- não precisa agradecer – me encarou – boa sorte.

Desci do carro e encarei o jardim um pouco mais murcho, ele nunca foi muito bom com plantas, não tão bom como ela. Entrei na casa e bati palmas chamando atenção.

- vô – gritei – oi.

- laur? – perguntou surpreso – não imaginei te ver aqui.

- já te contaram? – ele assentiu – queria te contar e saber o que o senhor acha, mas já que te contaram, quero saber sua opinião.

- direta como sempre – sorriu e me chamou para a cozinha – se quiser fazer um bolo – deu de ombros – você cozinha como a sua vó.

- vou fazer enquanto me fala sua opinião – mordi os lábios com seu olhar triste ao falar da minha vó.

- achei precipitado – se acomodou e eu fui separando o material – mas eu conheço você, sabia que não ia durar muito para sair de casa, mesmo antes de tudo acontecer.

- serio? – assentiu e apontou para que eu adiantasse – eu sou tão previsível?

- você é tão jauregui morgado – sorriu divertido – como o resto da família – meu coração errou uma batida “como o resto da família” – conheço o suficiente da família de seu pai para saber o quão teimosos os jauregui são, sempre brigando por suas coisas e mostrando o quão corajosos são, e da minha....sabemos segurar opiniões, sei bem o quanto um morgado pode ser orgulhoso – olhei em expectativa enquanto mexia a massa – nós não aprovamos o casamento de seus pais, não de primeira. Ele era festeiro, malandro e sua mãe...sempre se encantou pelos badboys, cada namorado era uma tortura – sorriu – mas ela só realmente se apaixonou pelo seu pai, depois que se casaram e eu vi como ele se esforçou para mudar, eu resolvi da uma segunda chance – levantou da cadeira e segurou a colher para me ajudar a colocar a massa na forma, parecia automático, como quando minha vó fazia bolo, ele sempre a ajudava nessa hora.

- deu uma chance?

- mas só fiquei tranquilo e admiti, para mim mesmo, que tinha sido uma boa escolha quando vi a forma que ele olhava para você no seu nascimento – alisou minha bochecha e pegou um pouco de chá preto gelado, o que eu amo – ele te olhou com tanto amor, eu tiver certeza que ele ia cuidar de você – fiz uma careta – eu sei que ele só quer o seu bem, apesar das maneiras erradas.

- eu entendo o lado deles – tomei um gole – mas eu queria que eles fizesse o mesmo por mim, olhar o meu lado.

- eu queria que você voltasse, tentasse conversar com eles o que você sente – olhou em meus olhos – o que pode ser tão ruim?

Senti o cheiro do bolo e usei como desculpa para levantar, mais alguns minutos. Droga!!

- não fuja – falou brincalhão.

- nem todos os problemas são expostos para toda a família – falei amarga – ainda somos a família perfeita.

- laur...

- eu odeio me esconder, odeio mentir – soltei o pano na mesa – e eu tive que fazer isso minha vida quase toda – peguei a bandeja e coloquei na mesa – eu sei que eu vou quebrar a cara, sei que vou cair – senti lagrimas em meus olhos – mas a coisa mais importante que eu aprendi nessa família foi levantar, aprender com os erros, eu aprendi isso com você.

- você esta tão grande, pequena estrela – me abraçou – pense bem, serão muitos erros – secou minhas lagrimas.

Tirei o bolo desenformei e quando estava procurando os ingredientes para a cobertura ouvi o que menos queria ouvir.

- pai, o senhor esta em casa?.

- aqui clara, seu Enriq...Lauren? – meu pai se assustou quando me viu ali.

- esta na minha hora – falei me preparando para sair da casa.

- você não vai a lugar nenhum – falou chegando na cozinha –espero que não tenha cometido nenhum crime sua...

- CLARA  menos – ouvi a voz firme de meu vô calando a minha mãe.

- posso falar com você? – Mike olhou para mim enquanto minha mãe olhava vermelha para me vô.

- não temos nada para conversar – falei virando e cobrindo o bolo.

- por favor – apontou para a sala, revirei os olhos e segui meu pai – você quer matar a sua mãe? Ela esta desesperada, você deixou uma carta? Ela nem me mostrou o que tinha lá...

- matar minha mãe – ri sem humor – leia o que tinha na carta antes de vir me questionar.

- você não podia ter feito isso – começou a alterar a voz.

- não podia?? – falei incrédula – o que você esperava de mim? Que passasse o resto da vida naquela prisão???

- você vai voltar para casa, ainda é menor de idade – olhou para mim convencido – EU TO MANDANDO VOCE VOLTAR – perdeu o controle.

- voltar para casa? CASA? – gritei de raiva – eu não tenho mais uma casa, ou eu não sou mais uma aberração? Abominação? Desmiolada? Decepção? Seja lá do que vocês me chamam!!!! Vocês transformaram minha vida em um inferno – dei um passo a frente – UM MALDITO INFER....

Senti meu rosto ir para o lado com força e uma ardência tomar conta do lado esquerdo, pela segunda vez na vida.

- meu deus, lauren, desculpa – puxou meu braço com força quando tentei me afastar – eu não queria....

- me solte – falei baixo.

- desculpa, mas você começou a gritar tantas coisas – falava desesperado.

- falei para me soltar – olhei em seus olhos com ódio e ele me soltou.

- eu não falei essas coisas para você – colocou as mão na cabeça – me fale um dia, quando eu te chamei dessas coisas?

Puxei em minha memoria e ele realmente nunca me ofendeu desse jeito, o mesmo problema com impulsos que eu tenho ele tem, por isso ele me bateu agora e esta tão arrependido, não foi a primeira vez que ele perdeu o controle eu sei que já perdi também.

- nunca - falei, mas lembrei de inúmeras outras vezes que ele só assistia.

- eu disse, eu nunc....

- você nunca me protegeu – minha voz grossa o cortou – você nunca fez nada, nada além de tudo o que ela manda, assistia ela me chamando de coisas horríveis, calado – fria, era como eu estava encarando o homem gordinho em minha frente – ela sempre pedia desculpas, mas isso nunca a impediu de falar novamente. Quando você a confrontou? Eu sei que você me via chorando, sempre tentava me levar para sair e me animar, mas quando você a confrontou?

- laur...

- quando? – insisti.

- volte para casa – suplicou derrotado – você nunca saiu...é seu lar...

- nunca foi – magoa era o sentimento agora, magoa, tristeza, raiva e indiferença a seu sofrimento – nunca foi meu lar.

- eu te amo, laur – falou em um fio de voz.

- prove – olhei em seus olhos – você sempre me pediu provas de tudo que eu fazia, sua vez de me provar.

- mike! Segure-a, essa desmiolada vai fazer alguma coisa e vai sobrar para a gente – olhei para meu pais que nada disse, mas também nada fez – você é menor, não pode sair, eu vou te achar, precisa ficar em casa...

- tchau, depois a gente conversa....por celular – dei um beijo em meu vô vendo minha mãe tentando se soltar de meu pai.

- vai de que?

- ônibus....pé – sorri de lado – é só fazer o brigadeiro do bolo – apontei para a forma vazia na pia.

- ele não vai segurar por muito tempo – me estendeu a chave – entendo mais seu lado agora, vai, ela é sua – sorriu – obrigada pelo bolo, se sua vó tivesse viva ia me matar.

Sorri para o velhinho e corri para a garagem, subi na moto acelerei cantando pneu quando vi minha mãe descabelada gritando na porta de casa. O vento em meu rosto me deixa viva gargalhei em meio as lagrimas, tirei um peso de meu peito com o que falei para meu pai.

- como você chegou aqui? – vero perguntou quando me viu entrar.

- ganhei uma moto – levantei a chave.

- quer me explicar?

- não – peguei dois copos na cozinha – quero beber – tirei a tequila da sacola que tinha em minhas mãos.

- como você comprou? – franziu o cenho.

- tenho meus locais.

Bebemos e no meio fui contando o que aconteceu. O resto da semana se passou normal, lembrava de Camila, mas não podia responder suas mensagens ainda, assistia filmes, series, frequentava a academia na parte de trás da casa de verônica, cantava.

Domingo a noite chegou e eu estou uma pilha de nervos.

- eles vieram?

- disserem que estavam chegando – falou revirando os olhos – relaxa, Dinah disse algo de umas amigas que chegaram de viagem, ai vai passar na casa delas para vir todo mundo.

- aquieta esse fogo, jauregay – vero falou me entregando um copo de vodka e alguma fruta verde – kiwi, você gosta.

- obrigada – tomei quase tudo de um gole.

- ta na hora – o loiro me chamou – vai dar tudo certo!!!

Subi no palco do bar/restaurante e ajeitei a guitarra em meu corpo, Drew a meu lado com um baixo, seu namorado na bateria e cece no teclado.

- boa noite, meu nome é Drew, essa é a Lauren, Wesley e cece – apontou para nós três – se quiserem alguma em especial é só falar.

Olhava ao redor toda hora, começamos a tocar algumas musicas e estava amando aquela agitação, as pessoas dançando e a musica tomando conta.

- vamos fazer uma coisa mais divertida? – cece perguntou abrindo um sorriso largo – posso fazer um som e vocês dançam e catam – apontou para o equipamento de dj no canto.

- sabe? – Drew perguntou animado.

- dançar? – perguntei rindo – vamos logo com isso.

- Feellin myself, nicki e bey? – sorriu esperançoso.

- vamos testar o que tentamos no ensaio – sorri abertamente.

Ouvimos a batida e começamos a cantar dançando pelo palco. Estava colada com Drew dançando sensual enquanto nos olhávamos, eu cantava as partes nicki e ele as bey. Abri um sorriso largo quando a porta se abriu e revelou meus amigos, que me viram no palco e arregalaram os olhos, Dinah, mani, Harry, Louis, Brad, ally, troy, lex e Lucy? Mas eu foquei meu olhar na latina que me olhava em um misto de alivio e raiva. Estou ferrada quando descer desse palco.

 

- caralho!!!! – me joguei nos braços de Drew – eu amei cada segundo.

- estou feliz – me abraçou de volta – você ta bem?

- pode ter certeza – sorri largamente e abracei os outros dois que também fizeram parte da “banda”.

- vai falar com o povo – Drew bateu em minha bunda e eu sai correndo do “camarim”, vi Camila entrando no banheiro e corri entrando com ela, calça clara colada, sua barriga de fora pela blusa e botas de cano médio com um salto pequeno a deixando do meu tamanho.

- custava me falar? Um sinal de fumaça, qualquer coisa – começou a falar e virou em direção.

- eu posso explicar – mordi o lábio quando ela me olhou.

- agora não – se aproximou e puxou minha cabeça colando nossos lábios em um beijo violento, sua língua não pediu permissão e não houve batalha. Ela dominava e eu matava a saudade de sua boca, arranhei sua nuca e ela segurou em minha cintura apertando e me colando a seu corpo.

- nunca mais faça isso, eu fiquei tão preocupada – olhou no fundo de meus olhos – promete?

- prometo – ela colou mais uma vez, em um beijo mais calmo, mas tão gostoso quanto. Estávamos indo em direção a parede e quando pressionei Camila ouvimos a porta ser aberta.

- cami...que porra ta acontecendo aqui? – olhei assustada para a porta recebendo um olhar raivoso, olhei para a gorota grudada em meu corpo e percebi Camila pálida e tensa – eu não acredito que nenhuma das duas me contou, nem você Camila??

       


Notas Finais


o que acharam???? quem achou as meninas no banheiro???
https://youtu.be/ME8Y1Ps94aQ


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...