História Como cães e gatos - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Malhação
Tags Fabiela, Fábio, Malhação, Manuela
Exibições 117
Palavras 1.454
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - Só me importa o que você acha


Ela entra na sala e meu coração acelera. É oficial, eu teria que me esforçar pra esquece Manuela. Me pergunto como aquilo começou, mas não faço a menor ideia. Troquei de lugar com Bruno pra evitar ficar muito perto dela, já que, minha carteira habitual é exatamente atrás de Manu, onde passo a maior parte do tempo pensando em como o cabelo dela cheira bem. “Estou ficando maluco” digo pra mim mesmo. Tivemos duas aulas de matemática, o intervalo e depois é hora da apresentação de Biologia, fomos o segundo grupo a apresentar, tudo correu muito bem e a professora elogiou nosso trabalho.

-Gostei de ver vocês dois trabalhando juntos. – Ela diz. – Acho que o nosso diretor vai ficar feliz em saber que um dos maiores problemas do semestre nessa turma parece ter sido resolvido.

-Eu não comemoraria tão rápido. -Alguém diz no fundo da sala. Reconheço a voz de André, um colega.

Oito duplas se apresentaram naquela aula, no total. E o sinal tocou nos liberando.

-Não me espera. Tenho reunião no M.O.F.O – Luiza diz feliz. – E eu já avisei pra nossa mãe.

-Ok. – Respondo desinteressando. – Fico por último juntando minhas coisas e quando estou prestes a sair da sala Manuela aparece. – Esqueceu alguma coisa? – Pergunto.

Ela me encara com uma expressão que não consigo ler muito bem, parece em conflito.

-O trabalho ficou muito bom. -Ela diz. Manuela tem um jeito melancólico desde a conheci, mas parece acentuado naquele momento.

-Que bom que gostou. – Respondo com um sorriso.

-Não fique se achando.

-Manuela, eu queria me desculpar por...

-Não se desculpe. – Ela me interrompe. -Fábio, a única coisa que eu preciso agora é alguém pra conversar. E por estranho que pareça, conversar com você naquele dia me fez bem. Ontem as coisas foram horríveis, não com você... – ela diz, percebo que ela está constrangida. – Mas na minha casa, com a Joana e minha irmãs, ela deve ter contado.

-Contou sim. – Digo. – Mas ela falou que você a defendeu e que ela gosta muito de você.

-Sim, mas como eu estava dizendo. Por alguma razão que não consigo entender, quando eu pensei em quem poderia me ouvir sobre isso, você foi a primeira pessoa na minha cabeça. Eu não estou pedindo pra que nos tornemos amigos, mas você acha que eu posso te alugar um pouco? – Ela pergunta. Fico feliz, embora Manu tenha dito que não estava interessada ela me queria por perto e, talvez, a convivência me ajudasse a parar de pensar naquela daquela forma.

-Claro. – Respondo.

-O que você vai fazer agora? – Ela pergunta. Eu fecho minha mochila e coloco sobre o ombro.

-Ir pra casa, jogar videogame.

-Que tal eu te levar num lugar dessa vez?

-Tudo bem. – Respondo. Manu sorri, um sorriso tímido, mas aquilo me alegra.

Pegamos o ônibus pra Gávea. Sento ao lado de Manu impaciente. Não sei bem o que devo dizer.

-Então, foi muito ruim ontem? – Pergunto.

-Foi bem como um trem saindo dos trilhos e atingindo uma escola elementar. -Não consigo correr e dou uma risada.

-Você vai ficar rindo? – Ela pergunta.

-Eu não estou rindo de você. Eu apenas.. deixa pra lá. – Como eu explicaria que estou rindo porquê de repente consigo ver Manuela com uma outra luz? É como se ela fosse a pessoa mais extraordinária do mundo.

-Eu fiquei com pena da Joana sabe? Mas ela ameaçou bater na minha irmã. E ela já fez isso antes, lá na academia.

-Eu não quero ficar tomando partido Manu, mas a Bárbara não me parece uma pessoa muito bacana.

-Imagina se fosse você. Se você descobrisse que seu pai traiu sua mãe e teve uma filha. Com se sentiria?

-Ele traiu. – Digo. – Meu pai traiu minha mãe várias vezes, ele fez ela infeliz, ele nos fez infeliz. E um dia ele foi embora e nunca mais voltou. Eu e a Luiza não ouvimos falar dele em anos, nenhum telefonema pelo menos.

-Sinto muito Fábio. – Ela diz colocando sua mão no meu braço pra tentar me confortar, quando percebe o que fez ela se retrai rapidamente.

-Não sinta. Eu estou bem. Foi ele quem perdeu, quer dizer, eu não sou muita coisa. Mas a Luiza é uma garota incrível, inteligente, boa com todo mundo, menos com ela mesma, claro. E a minha mãe, minha mãe é a pessoa mais batalhadora de todas, ela é bonita, engraçada.

-Ele também perdeu você. Claro, você realmente não é grande coisa. – Ela diz sorrindo. – Mas ele seria sortudo de ter um filho que se importa com os outros como você se importa.

-Eu não me importo com os outros Manuela, eu me importo com você. – Digo encarando-a firmemente. Manuela vacila por alguns segundos e depois olha pela janela.

-Você é impossível. – Ela diz.

-Eu disse que não ia mais te beijar, mas eu não vou mentir. – Afirmo. – Mas eu não te falei da história com meu pai procurando por simpatia, eu só queria que você soubesse que embora seu pai não seja o melhor pai do mundo, ele ficou, ele se importa vocês. E eu não sei o que aconteceu entre ele a mãe da Joana, mas eu sei que ele ficou com vocês.

-Mas você acha que ficar é o suficiente?

-Não. Não é. Mas é mais do que o meu pai fez. – Digo. – E não foi só isso né?

-Ele perdeu qualquer coisa que era importante pra mim Fábio. Peças na escola, trocas de faixa, ele nem sabe do que eu gosto. É sempre a Bárbara ou a Ju que lembra a ele do meu aniversário e só então ele tenta me comprar algo ou fazer uma festa.

-Ele tenta. Você deveria considerar isso. – Afirmo. -Eu sei que você tem todo direito de estar chateada, mas seu pai é só uma cara. Ele vai errar, e enquanto ele estiver tentando você precisa sempre considerar a possibilidade de perdoá-lo.

-Descemos na próxima. – Manuela avisa. Fico de pé e peço parada. Reconheço o lugar como o planetário, nunca tinha visitado, mas sabia que ele era famoso. – Você conhece?

-Não. – Confesso.

-Que bom então. – Ela sorri. – Você me levou num lugar que eu não conhecia, eu queria fazer o mesmo. Esse é um dos meus lugares prediletos. Você gosta de ficção cientifica?

-Claro que gosto. – Respondo animado.

-Tem um club cine sci-fi aqui e hoje vão exibir e debater O império contra ataca.

Ver o filme ali foi incrível, a tecnologia fulldome digital dava a impressão de que estávamos dentro do filme, depois rolou um debate incrível. Manuela aventurou algumas considerações, eu apenas fiquei quieto impressionado com ela.

 

-Tem alguma coisa que você não saiba fazer? – Perguntei enquanto caminhávamos pelo Planetário. – Você é boa em luta, esportes, razoável na escola. Entende de HQ, ficção cientifica...

-Eu não sou boa com pessoas. – Ela diz. – Elas me manipulam com facilidade e por isso eu tendo a confiar demais ou desconfiar demais.

-Então você desconfia de mim?

-Bastante. – Ela responde.

-Você desconfiou do meu beijo?

-Um pouco.

-E se eu te garantir que era a coisa que eu mais queria fazer? Que eu só conseguia pensar nisso nas últimas semanas. – Manuela para de andar. Ela se vira pra mim, seu rosto está um pouco corado.

-Por que?

-Porque você é incrível. – Digo. A respiração de Manuela fica pesada e eu me aproximo mais, coloco minha boca bem perto da ela, mas não a beijo, espero que ela se mova. Manu coloca suas mãos no meu rosto e começa a me beijar, mas interrompe nosso contato rapidamente.

- Foi o beijo? Você não gostou? Parecia que você estava..

-Não foi isso. – Ela diz corando. – Na verdade, eu não sabia o que esperar. Eu nunca beijei ninguém antes de você – Saber disso me causa uma estranha sensação de felicidade, mas depois penso que privei Manuela da escolha do seu primeiro beijo.

-Você gostaria que eu não tivesse te beijado? – Pergunto.

-Não. – Manuela me encara firme. – Mas isso não significa que eu gosto de você, apenas que você é bonito, beijável.

-Já é muita coisa. - Minha colocação faz Manuela sorrir. Percebo que gosto disso, de ser responsável por um sorriso seu. Mas perceber isso só torna as coisas ainda mais difíceis.

-Qual é Fábio, vai me dizer que você não sabe que muitas das garotas da nossa turmas estão caídas na sua? Você deve ter percebido, as risadas, os cochichos. Você é o novato calado que não se importa em tentar fazer amigos. Elas acham isso charmoso.

-Não me importa o que elas acham. – Respondo. – Só me Importa o que você acha. - Faço Manuela corar novamente. 

- Não podemos ser amigos? - Ela questiona. Seus olhos baixos. 

-Ai já é pedir demais. – Digo com um sorriso. – Mas nós podemos estabelecer uma relação amistosa.

 



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