História Como em um Conto de Fadas - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Espero que gostem!

Capítulo 8 - Não Tem Quem Culpar


Fanfic / Fanfiction Como em um Conto de Fadas - Capítulo 8 - Não Tem Quem Culpar

– O Augustin tá arrependido, Lali. – Respondeu Liz.

– Como assim? – Eu perguntei. Eu olhei para Pedro e ele estava com os olhos vermelhos e inchados. O que diabos ela disse para os dois chorarem dessa forma? Pedro não aguentou ficar no quarto pra ouvir a Liz contar o que tinha acontecido, então ele se dirigiu até o corredor. – O que você falou pra eles? Por que o Augustin saiu tão desesperado? E por que o Pedro tá chorando?

– Eu falei sobre o que o Augustin e o Pedro fizeram com você, e o Augustin tá muito arrependido por ter causado tudo isso, ele tava sendo sincero, eu vi. – Disse Liz.

– Só o Augustin se arrependeu? – Perguntou Gas, olhando pra mim.

– O Pedro não fez nada, pra falar a verdade, ele não aceitou ajudar o Augustin, ele realmente se apaixonou por você, e o Augustin se aproveitou disso pra fazer não só você sofrer, mas o Pedro também. – Explicou Liz.

– Mas ele tava beijando a Paula, se ele se apaixonou por mim por que ele a beijou?

– Ele não queria beijá-la. Quando ele saiu da sala, ela já foi logo pulando pra cima dele como se fossem namorados apaixonados, e ele não pôde fazer nada, mas não é dela que ele gosta, é de você, Lali. Quando ele falou com você ontem, ele estava falando a verdade.

– Desculpa Liz, mas eu não consigo acreditar que alguém do tamanho dele não consegue se defender, ou ao menos se desviar de alguém do tamanho da Paula. Mas a questão não é essa, por que eles estavam chorando?

– Primeiro, eu perguntei ao Augus se realmente tinha sido ele o culpado pelas coisas que aconteceram com você e ele me explicou que fez com que todos acreditassem que a Nina que tinha feito aquilo no auditório, mas ele quem arquitetou o plano.

– Eu sabia. – Sussurrei.

– Ele tinha pedido para o Pedro fazer o que todos pensam que ele fez, mas é claro que o Pedro não aceitou. Ele nunca ajudaria a magoar ninguém, e depois quando ele te ajudou e o enfrentou, só fez com que o Augustin ficasse mais zangado ainda. O Augus ficou feliz por ter feito você pagar o maior mico da história do Wisdom Heirs, mas não foi o suficiente, assim que ele tivesse a oportunidade, ele faria algo ruim. Então ele percebeu que o Pedro estava interessado de verdade em você e você por ele e viu aí uma oportunidade pra magoar os dois. No aniversário da Rochi, ele fingiu estar bêbado, fingiu que o que estava falando era verdade, detonando o plano dele, mas foi tudo de propósito. A intenção dele era que todos acreditassem, que você pensasse que o Pedro não gostava de você e que você não acreditasse no Pedro. Assim, os dois sairiam magoados. E depois…

– Depois? O que mais ele ainda queria fazer? – Eu questionei.

– Ele fez. Com a ajuda da Paula. Eles que combinarem o beijo. Ele sabia que você poderia acreditar no Pedro, então quis pôr um ponto final nisso. Sabia que se você visse ele beijando outra não acreditaria nele e não o perdoaria, e a Paula com certeza ajudaria. Ela o beijou quando viu você chegando, ele foi surpreendido, não pôde fazer nada. Eu corri pra te alcançar e não vi o que aconteceu, mas agora eu sei. Eu sei que ele não tem culpa. Ele gosta de você, Lali. Não tinha porque chorar. – E agora ela estava paraplégica, por minha culpa...

– Eu não acredito nisso…Qual o problema desse garoto? – Eu indaguei.

– Agora foi o suficiente pra ele? – Perguntou Gas, indignado.

– E-ele se sentiu contrariado, ele não suporta isso, ser desafiado. Ele não me contou apenas como aprontou tudo isso pra você. Ele contou também sobre a vida dele. Foi quando começou a chorar. Ele contou o quanto sofreu quando pequeno… – Explicou Liz.

– Isso é motivo pra fazer outras pessoas sofrerem? – Eu interrompi.

– Você não entende. Ele apanhava do pai dele, a mãe dele não se importava com ele. E mesmo depois do pai dele morrer, a mãe dele continuou sem se importar. Ele nunca foi amado. Isso resultou no que ele é hoje. Ele não é mal intencionalmente. Só sofreu muito e arranjou um jeito de não sofrer mais, se defende de forma agressiva sem nem mesmo precisar se defender. O Augus tá arrependido, ele não queria isso tivesse acontecido comigo. Queria te fazer sofrer porque ao desafiá-lo você tocou em uma ferida, e doeu mais do que você poderia imaginar, Lali, ele pode ter provocado, fingido que não se importava, mas nunca sabemos o efeito que nossas palavras e nossos atos podem ter nos outros. E o efeito das suas palavras foi despertar essa parte ruim nele. Não estou te culpando, nem justificando. Só explicando. Só queria que tentasse entender o lado dele.

– É dificil, Liz… Olha pra você, olha onde você está, consegue entender a gravidade do seu estado?

– Eu não sou nenhuma burra, Mariana. Sei que não estou sentindo minhas pernas e sei o que isso significa. Mas não estou culpando ninguém por isso. Sabe por quê? Porque não vai mudar nada. Eu corri atrás de você porque eu quis. Não vou me culpar por isso. Não vou te culpar por ter ficado triste e fugido do que estava vendo. Não vou culpar o Pedro por ter sido beijado pela Paula. Não vou culpar Paula por beijá-lo e não vou culpar o Augus por ter armado isso. Ninguém planejou ou imaginou o que aconteceu comigo. Não tem quem culpar, Lali. E não tem como voltar atrás. – Senti meus olhos marejarem enquanto ela falava e comecei a entender porque aqueles dois estavam chorando. Deviam estar se sentindo tão culpados quanto eu. Ele provavelmente disse que ninguém tinha culpa para eles também. Ela deve ter mostrado para ele que ele não precisava ser mal pra se defender de pessoas boas. Acredito que ele deve estar arrependido, que pessoa com coração não estaria? Mas é como ela disse, não tem como voltar atrás. – Mas eu vou voltar a andar, confia em mim. – Ela afirmou, e eu sorri, algumas lágrimas fugiram de meus olhos, a confiança dela me alegra.

Pedro entrou, não estava chorando, mas seus olhos continuavam inchados.

– Acho que ela já terminou de contar tudo. – Ele disse, sua voz estava rouca.

– Também vai defender o Augus? – Perguntei.

– Não. Mas ele finge melhor do que você pensa, então, se você vir ele de boas por aí, não se deixe enganar, nem se irrite com ele. Porque ele não está.

– Eu vi ele saindo chorando. – Eu disse.

– É, essa garotinha tem uma ótima habilidade de ler sua alma e fazer você mostrar tudo o que sente. Ele fez o Augustin chorar. Ele não fez isso nem quando o pai morreu. Acho que por isso estava chorando tanto, todo a angústia culpa, tudo acumulado, saiu tudo de uma vez.

– E você, por que você estava chorando? – Perguntou Gaston, eu já tinha até esquecido que ele estava ali.

– Porque eu sou chorão, porque eu me senti culpado por isso, porque eu precisava chorar. – Respondeu Pedro. – Lali, podemos conversar? – Eu assenti e segui ele até o corredor, fechando a porta.

– Olha, ela deve ter falado que a Paula me beijou a força, mas eu não tentei afastá-la. Pra falar a verdade, eu queria que você visse aquilo, eu queria saber se você sentiria ciúme, se você sentiria algo, se você sentia algo por mim. Eu sei que eu agi errado, mas eu realmente gosto de você Lali, e você desconfiar de mim... eu acho que se você gosta de alguém você confia nessa pessoa, ainda mais quando a outra pessoa é o Augustin. E você não confiou em mim. Achei que você merecia me ver beijando outra garota, mas agora sua irmã, a garota mais esperta que eu já conheci, uma criança, tá na cama de um hospital, sem poder andar, e eu sei que eu tenho uma parcela de culpa nisso, me desculpe por ter feito isso. – Ele disse. Eu queria abraçá-lo, dizer que ele não tinha culpa, que me alivia saber que ele gosta de mim, me desculpar por não ter confiado nele, queria beijá-lo, mas eu só consegui ficar parada com uma chama de raiva nos olhos. Eu queria confortá-lo, sentia isso em meu âmago, mas outra parte de mim não queria acreditar nele, outra parte de mim não queria apenas responder a tudo com amor, outra parte de mim queria sentir ódio, dele, do Augustin, da Paula, de mim, de tudo.

– Como você queria que eu confiasse em você se tudo indicava que você que estava mentindo? Você nunca realmente demonstrou o que sentia por mim, e vivia agindo feito um idiota... – Eu disse subindo o tom da voz e sendo interrompida pelo Pedro.

– Só porque eu agia como um idiota não queria dizer que eu não tenho caráter, uma coisa é totalmente diferente da outra, e sabe aquelas indiretas? Bem, eram demonstrações! E eu já disse que tenho dificuldade em demonstrar o que eu sinto, disse diretamente pra você, olhando em seus olhos. Mas você quer saber o que eu sinto? Eu te amo, e nunca, nunca, nunca faria nada que pudesse te magoar assim. Eu te conheço há pouco tempo mas já percebi o quão você é incrível e como me faz bem, e te ver sofrer me faz sofrer. Te ver com raiva de mim só não é pior do que te ver decepcionada comigo, então se quer gritar comigo, grita, põe essa raiva pra fora, é melhor do que ter você me ignorando. – Disse Pedro fazendo com que todos os desaforos que eu queria falar saíssem da minha cabeça, e fazendo com que só uma coisa ficasse na minha cabeça, ele me ama, espera aí, ele me ama, ele me ama. – É, você ouviu direito, eu disse que te amo – ele falou como se lesse meus pensamentos – Então, agora eu demonstrei o que eu sinto por você? – Ele começou a se afastar. Eu estava parada, em choque. Quando percebi que tinha que ter dito algo ele já estava longe.

– Ei, ei, Pedro, espera. – Eu praticamente gritei, indo até ele.

– O que é?

– Nossa! Eu...

– Não precisa falar nada, tá?

– Mas eu quero falar.

– Então fala.

– Por que você está sendo tão grosso comigo?

– Porque eu sou um idiota, ainda não ficou claro?

– Não, você não é.

– Sim, eu sou, uma pessoa que não é idiota não age como um idiota, você mesma falou que eu agia como um.

– Você ta agindo assim por que eu te chamei de idiota?

– Não, eu to agindo assim porque você não confiou em mim, porque preferiu acreditar que eu não tinha caráter. Preferiu acreditar no Augustin. – Seus olhos estavam novamente vermelhos, ele parecia a ponto de chorar. Deu pra ver a dor em seus olhos. A dor por eu não ter acreditado nele.

– Não foi bem assim, Pedro.

– E como foi? Você acreditou em mim em algum momento?

– Sim, eu acreditei, eu estava acreditando quando você disse que gostava de mim de verdade, até ver você e a Paula se beijando, aí eu saí da escola desesperada, decepcionada comigo mesma por ter acreditado em você, e por ter percebido que o primeiro garoto que eu realmente gostei só estava me usando, ou no mínimo me enganado, agora eu sei que não estava, mas naquele momento, eu não sabia, e eu me senti tão mal... Eu achava que você não merecia nem mesmo que eu pensasse em você, mas você merece, só que nesse momento eu não sei exatamente o que eu sinto por você, eu simplesmente não sei o que sinto. – Eu disse com lágrimas nos olhos – Eu sei que gosto de você, só não sei o quanto, me desculpa, por tudo. – Eu continuei já com lágrimas escorrendo pelo meu rosto, e Pedro me abraçou. Eu precisava tanto desse abraço.

– Você não tem que se desculpa por nada, ninguém tem. – Disse ele enquanto acariciava o meu cabelo, e de repente eu me senti tão segura.

– Não, eu tenho que me desculpar, porque mesmo se eu soubesse o que sinto por você, nós não teríamos nada, porque, agora, eu tenho que cuidar da minha irmã, eu tenho que me focar nisso, porque agora ela tá paraplégica e, eu me sinto culpada por isso, eu sei que não tenho culpa, não precisa me dizer isso, ainda assim eu me sinto culpada. – Eu disse, afastando ele. Eu queria continuar dentro de seu abraço, sentir o sobe e desce de seu tórax, sentir seu batimento cardíaco, sentir a segurança que seu abraço me passa, mas não podia.

– Eu sei exatamente como você se sente. – Disse ele enxugando meu rosto com seu dedo polegar, delicadamente, fazendo com que meus pelos se arrepiarem levemente.

– Então você entende?

– É claro que eu entendo, e ainda ofereço a minha ajuda pra cuidar dela, quando precisar pode me chamar, ok? – Como alguém pode ser tão incrível, eu pensei.

– Ok. – Respondi, sorrindo.

– Amo seu sorriso. – Disse ele, com aquele sorriso de canto que eu adoro.

– Pedro…

– O quê? Um amigo não pode elogiar o sorriso da amiga? – Ele se fez de desentendido, ainda com o sorriso de canto, pelo menos não tinha mais aquela dor nos olhos.

– Eu… eu tenho que ir.

 

No dia seguinte, não sei porque me surpreendi com um monte de gente que não se importava comigo fingindo preocupação com minha irmã. E eu estaria mentindo se dissesse que foi tudo normal. Porque não foi. Todos os professores fizeram aulas diferentes e ainda fomos liberados cedo devido aos “acontecimentos”. As mesmas pessoas que fingiram se importar com a Liz, não disfarçaram a felicidade ao sair cedo por causa dos “acontecimentos”.

Quando estávamos perto da minha casa eu me surpreendi ao sentir alguém tapar meus olhos, então eu sorri e disse repreendendo:

– Pedro!

– Errou – Disse uma voz desapontada, que eu logo reconheci.

– O que está acontecendo aqui? Por que você veio até aqui? – Perguntou Cande.

– Eu só vim ver se vocês estavam bem. – Respondeu Gas.

– E se desapontou por que ela não adivinhou que era você por quê? Você não voltou a gostar dela, voltou?

– Eu não...

– Cande para com isso. – Eu repreendi.

– Parar com o que?

– Só para tá legal?

– Ok – Ela concordou e entrou me deixando sozinha com o Gas, que não perdeu tempo.

– Ela está certa, eu acho voltei a gostar de você e antes de dizer algo só me escuta. Eu sei que é ridículo eu simplesmente dizer que voltei a gostar de você quando eu estou namorando a Rochi, e a amo. Eu sei disso porque com ela sinto tudo que um dia eu senti por você. Eu sei que eu era só uma criança, que agora eu amadureci, que meus sentimentos amadureceram e  que se eu deixei de acreditar no amor foi por você, e que se eu voltei a acreditar no amor foi pela Rochi. Sei também que seria uma tremenda de uma idiotice largar ou trair ela, ainda mais por que eu a amo. Mas se dissesse que depois de ontem, quando eu te vi chorando, assim como no dia em que nos conhecemos, eu não senti absolutamente nada por você eu estaria mentindo. Eu não estou falando que voltei a estar completamente apaixonado por você, eu estou apenas falando que voltei a sentir algo por você. Como se fosse uma atração, como se perto de você eu me sentisse mais eu, mais completo. E quando eu te vi chorando como uma criança depois de dar uma surra na Paula eu simplesmente não pude evitar todas as lembranças de quando éramos crianças, e éramos inseparáveis, e eu um tolo apaixonado, e você uma amiga compreensiva. Eu me lembrei de como me sentia bem só por estar com você e me lembrei de uma coisa que eu sempre quis fazer, mas aí eu cresci e deixei de gostar de você, mas agora, que eu lembrei do eu sentia vou ter fazer.

– Gas… – Eu comecei a falar, sendo interrompida por ele. Por um beijo dele.


Notas Finais


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