História Como eu era antes de você - (Hot Version) - Capítulo 21


Escrita por: ~

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Categorias Como Eu Era Antes de Você
Personagens Alicia, Bernard Clark, Camilla Traynor, Katrina Clark, Louisa Clark, Patrick, Steve Traynor, Will Traynor
Visualizações 624
Palavras 2.639
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 21 - Capítulo 21


Não é nem meio dia e eu já terminei de dobrar todas as minhas roupas, arrumei a cama e ajudei Treena a limpar o restante da casa. Hoje pela manhã pensei, contente, que teria coisas para me distrair, mas agora vejo que foi apenas uma ilusão. Tenho ainda uma longa e tediosa tarde longe do meu Will e também várias horas para pensar sobre a loucura de Patrick. Eu sei que devo contar à minha mãe e também a Will, mas sinto medo. Apesar de Patrick estar sendo um ex-namorado muito babaca, eu não quero que ele se prejudique por não estar pensando direito.

Afasto os pensamentos com um balançar de cabeça quando sinto meu celular vibrar — digo, o celular que William me emprestou por algum tempo. Não faz nem meia hora que o liguei e já recebi uma mensagem dele em meu e-mail.

 

 Para: Louisa Clark

De: William J. Traynor

O que está achando do seu mais novo aparelho?

Estou com saudades. Mal posso esperar para lhe encontrar hoje à noite.

Vista suas melhores roupas.

Bj

Franzo o cenho, confusa. O que é aquele J no meio do nome dele? Deve ser seu segundo nome, ou seu primeiro sobrenome. Dou de ombros. Bom, é mais uma coisa que eu vou saber dele. Estico-me no sofá, me preparando para respondê-lo.

Para: William J. Traynor

De: Louisa Clark

É incrível, mas vale lembrar que é apenas um empréstimo.

Também estou com saudades. O que devo vestir, ao certo?

Bj

Fico olhando o celular por alguns minutos, mas ele não me responde. Thomas saí do quarto, dando risadinhas altas, e Treena está logo atrás dele com uma toalha úmida. O pequeno se joga por cima de mim no sofá. Dou uma fungada profunda, sentindo seu cheiro de menino recém-lavado, sabonete fresco e aquele aroma que ele tem desde que nasceu. Contente por estar aqui, perto dele, eu o abraço com firmeza.

— Quer assistir desenho comigo, titia?

— Eu adoraria.

Ele se livra de meu abraço e começa a bater palminhas, risonho. Sento-me no sofá e ele se encaixa debaixo do meu braço, ao meu lado. Seu braço minúsculo se estende para frente, com o controle da televisão na mão, e a liga direto no desenho do Bob Esponja. Ah, o seu preferido. Seus olhinhos minúsculos brilham para a televisão e ele solta risadinhas hora e outra.

O celular vibra novamente.

Para: Louisa Clark

De: William J. Traynor

Vamos apenas sair para jantar, anjo. Então me surpreenda.

Bj

Hum... Surpreendê-lo? A ideia não me parece nada mal.

 

 

No fim da tarde, eu e Treena nos sentamos à mesa de jantar da cozinha e compartilhamos do vinho branco que compramos para receber Will no jantar de ontem à noite. Durante a tarde, levamos Thomas ao Parque de Greenwich. Trata-se de um parque enorme e com um imenso gramado verde. Thom não parou de correr nem um segundo. Aliás, lá é um dos lugares que quero ir com Will em Londres. Voltamos para casa com Thomas de joelho ralado.

Bebo mais um gole do vinho, saboreando-o, me sentindo um pouco mais encorajada para sei lá o que.

— Você vai sair hoje à noite? — minha irmã me pergunta.

— Sim, vou.

De repente, me sinto envergonhada. Sei o que ela está pensando; provavelmente vou sair para transar.

— Quando começa a sua faculdade? — pergunto, mudando subitamente de assunto, desejando que a timidez fosse embora.

— Na quarta-feira tenho minha prima aula. Levo Thomas para ficar na creche.

— Não quer que ele fique comigo?

Ela suspira, aliviada.

— Você faria isso por mim?

— Claro — tomo mais um gole do meu vinho.

Thomas é uma criança amigável e querida, sei que vai ser muito bom passar o tempo com ele. Além do mais, estou de favor no apartamento dela, e é o mínimo que eu deveria fazer.

— Lou — minha irmã murmura, também tomando um gole do seu vinho, bastante, aliás, e acho que ela vai vir com a sua inquisição, mas vejo que seus olhos não estão me fitando até a alma, e relaxo. — Você não pretende começar uma faculdade também?

Ah!

Acho que se ela tivesse feito um interrogatório sobre eu e Will seria muito melhor. Eu pretendo fazer uma faculdade? Não sei. Acho que não. Nunca pensei nisso antes. Tudo o que eu desejava há alguns dias atrás era continuar trabalhando no The Buttered Bun por tempo indeterminado. Eu tinha uma paixão enorme por aquele café, mas ele fechou, e eu me vi sem meu futuro. Nunca tive ambições e sei que, para as outras pessoas, isso não é algo bom, mas para mim não faz diferença. Mas como eu explicarei isso à minha irmã que sonhou a vida inteira em terminar uma faculdade?

— Hum... Não sei, Treen, acho que não...

Ela revira os olhos e vira o rosto para a varanda, que ainda está com as portas abertas. Os prédios se alongam pelo caminho e as pessoas percorrem as calçadas estreitas em disparada. O sol está se pondo, deixando-nos à brisa do crepúsculo, e a vista é linda até mesmo para esta parte da cidade. Ao longe, os arranha-céus estão ganhando vida, e sorrio, sozinha, ao lembrar-me que Will está por lá.

— Olha o que você têm — ela diz. Eu a encaro, mas seus olhos ainda estão na janela, iluminados, e um sorriso contente brota em seu rosto. — Londres é toda sua, basta você querer... — Então ela me olha novamente, com aquelas suas íris verdes hipnotizantes, e sei que está preparando um dos seus melhores discursos na cabeça. — Você tem potencial, Lou. Só não sabe que tem. Conquistaria o mundo se quisesse. Mas acho que o que você tem é medo, e não deveria. Estou aqui, com um filho, mas ainda assim tenho como estudar. Você está aqui, completamente à vontade, sozinha para fazer o que bem entender e na hora que quiser, e sei que está apaixonada pela cidade — ela faz uma pausa, toma um longo gole de vinho, e ri para mim. — Bom, não só pela cidade — Reviro os olhos para ela. — Mas seu medo é maior do que a coragem para enfrentar tudo isso.

Fico em silêncio. O que eu vou dizer? Não posso falar nada. Ela tem razão. Tudo o que eu tenho é medo.

 

 

Encaro a garota de vestido amarelo com bolinhas pretas, olhos alegres e um rosto vivaz no reflexo do espelho. É assim que Londres me deixa e eu gosto disso. Coloco as mãos na cintura e dou uma meia volta, vendo meu vestido girar e dobrar de tamanho em meio ao ar, e eu sorrio feito uma boba para o espelho. Na verdade, acho que não é Londres que me deixa assim. É Will Traynor.

— Lou — minha irmã coloca a cabeça para dentro do quarto, olha sugestivamente para a minha roupa, mas não fala nada, apenas ergue as sobrancelhas. — Seu Bonitão chegou.

Ah, meu Bonitão!

Pego a bolsa amarela de alça e a coloco no ombro, dando uma última olhada para o espelho antes de sair dando pulinhos pequenos e frenéticos em direção à porta. Ele está aqui! Quando passo por minha irmã penso em perguntar a ela o que acha da minha roupa, mas não digo nada, apenas sigo meu caminho.

Assim que saio do quarto encontro Will abaixado na soleira da porta para ficar na mesma altura que Thomas enquanto conversa com ele. Daqui, não ouço nada, mas fico maravilhada com a cena. Ele, com sua calça de terno preta, blusa social branca por dentro da calça e uma gravata prata, e com seus milhões de reais no bolso, é apenas um homem comum conversando com uma criança na porta de um apartamento velho. Não consigo me conter e sorrio para os dois. Will ergue os olhos por cima da cabeça de Thom e eles se encontram com os meus e, no instante em que isso acontece, sinto a nossa sintonia se construir aos poucos entre nós dois. Aquela sensação gostosa de cócegas no estômago e, ao mesmo tempo, batimentos descompassados do meu coração à medida que sentia nossa sintonia se tornar palpável no meio do apartamento.

— Clark, você está linda — ele disse, se colocando de pé, levando os olhos desde o meu scarpin preto, até o meu cabelo preso num coque no alto da cabeça.

Senti minhas bochechas corarem. A forma como ele me olha, mesmo que isso seja algo comum diante das outras pessoas, faz meu corpo inteiro esquentar. E ele nem sequer está perto de mim!

— Você também não está nada mal — tento sorrir da forma mais natural possível e me aproximo dele.

Assim que ficamos à centímetros um do outro, o mundo inteiro em minha volta parou. Não existia mais nada além de nós dois. E a sensação é incrível e deliciosa. Nunca senti nada assim antes.

 

 

 

O motorista de Will, Nathan — que parecia nunca dormir ou ter uma vida pessoal sem ser o seu trabalho — , estacionou o Maybach Exelero à frente ao Hotel Corinthia, um lindo lugar à beira do Rio Tâmisa. O prédio é gigantesco e completamente iluminado, com várias janelas lustrosas de tirar o fôlego. Estava espiando pela janela do carro, me perguntando o que estávamos fazendo aqui, quando senti a mão de Will repousar em minha coxa, fazendo a minha pele formigar. Olhei-o por cima dos cílios.

— Vamos comer num restaurante aí dentro — ele respondeu à minha pergunta, a mesma que parecia ter lido na minha mente.

Pisquei. Como ele consegue fazer isso?

— E você pode simplesmente entrar num Hotel e comer no restaurante deles? — perguntei, surpresa.

Até onde eu sei, a pessoa precisa ser hóspede do Hotel para usufruir das coisas em seu interior. Ele sorriu para mim, como se eu fosse a pessoa mais doce do universo e depois tirou a mão da minha coxa para acariciar minha bochecha com o polegar. Quase fechei os olhos com o carinho.

— Eu sou sócio daqui — disse.

O que? Sócio de um lugar imenso desses? Uau! Me perguntei, outra vez, qual é a influência de William Traynor entre as pessoas e se toda a City o conhecia e respeitava como parecia.

 

 

Nos sentamos em uma das mesas do restaurante Massimo e não pude não ficar boquiaberta com o que tinha bem na minha frente. Se tratava de um imenso salão, com mesas espalhadas, uma longe da outra, com lustres redondos e chiques colocados milimetricamente um depois do outro no teto. A iluminação é um pouco fraca, o que me deixa confortável, e um homem toca piano logo à frente, fazendo com que meu coração se aqueça. Esse lugar é incrível. Will me surpreende sempre. Olhei para ele, completamente atordoada e fora de mim, e ele sorriu para mim, e só então me dei conta do quanto eu não pertencia à este lugar. Quero dizer, o Restaurante é magnifico, mas como eu vou me comportar aqui? Senti o nervosismo subir por minha coluna e queimar bem na minha nuca. As pessoas à minha volta conversam e sorriam, completamente descontraídos, felizes, e sabendo lidar com este lugar refinadíssimo. Sei que não é hora de pensar sobre essas coisas, mas Will já deve ter levado outras garotas em lugares como este. E aposto que todas elas sabiam ser tão elegantes quanto todos os outros ricões do lugar. Engoli em seco.

— Está tudo bem? — Will me perguntou, inclinando a cabeça, me estudando com cuidado.

Meu couro cabeludo pinicou.

— Hã... Sim, está tudo ótimo.

Ele ficou me olhando, desconfiado, mas assim que eu abri um sorriso forçado ele relaxou na cadeira. Parece tão nervoso quanto eu, mas, pela parte dele, era por ter certeza de que eu gostei do lugar. Eu gosto daqui, é simplesmente incrível, um Castelo dentro de um lindo Hotel, só que eu não estou familiarizada com nada disso.

— Quer beber alguma coisa?

Pensei por um segundo. O que eu quero beber? Eu conheço algo que eles vendem aqui? Bom, talvez aqui tenha água...

— Quer um vinho branco? — perguntou, preocupando-se com meu silêncio. — Um suco? Aquele vinho rosa que você gostou?

— Vinho branco, por favor.

Will sorriu e ergueu a mão e, num passe de mágicas, surgiu um garçom muito bem vestido ao lado dele, com a caneta já posta ao bloquinho de notas, com os ouvidos atentos, pronto para atendê-lo.

Assim que o garçom saiu, estava decidida a parecer um pouco menos patética e pelo menos fingir que sabia lidar com as coisas daqui.

— Como é o Restaurante? — perguntei, encostando as costas na cadeira, tentando relaxar.

Ele pareceu ficar aliviado com a minha pergunta.

— É um restaurante italiano — disse, olhando em volta por um momento, até seus olhos pousarem em mim novamente. — A especialidade deles é frutos do mar. Acho que vai gostar.

— Tenho certeza que sim — sorri.

O garçom voltou com um vinho branco e serviu nossas taças, deixando-nos à sós em seguida. Beberiquei um gole do vinho, saboreando seu gosto doce e, ao mesmo tempo ácido, tornando-se uma maravilha em minha boca. Quase fechei os olhos e suspirei, mas me contive.

— Eu vinha aqui quando era criança — ele contou, bebendo o vinho elegantemente, olhando ao seu redor outra vez, seus olhos brilhando pelas mesas. — Sempre que saiamos para algum lugar, eu sempre dava trabalho para os meus pais. Corria por todos os lados...Mas aqui, eu ficava sentadinho. Sempre gostei deste lugar. Acho que a decoração me distraía o suficiente para não me deixar elétrico.

Sorri, imaginando por alguns instantes um menino de cabelo caramelo e olhos azuis cinzentos sentado numa dessas mesas, num nível mais baixo do que das outras pessoas, comendo e se lambuzando inteiro. Sorri com meu pensamento.

 

 

 

 

O jantar foi maravilhoso. Deixei que Will escolhesse o cardápio — até porque eu não entendo nada de frutos do mar, nem de bebidas. Afinal, do que é que eu entendo? De chá e servir mesas numa cafeteria, meu inconsciente me lembrou e, por um instante, senti uma pontinha de saudade criar-se dentro de mim quando me lembrei do meu antigo emprego. Balancei a cabeça, mandando o pensamento embora. Comemos antepastos na entrada e, como prato principal, um maravilhoso linguine com lagostim, o qual quase fui até a cozinha pedir a receita para fazer em casa.

Durante o tempo que passamos aqui percebi que gosto de Will. Mais do que pensava que gostava. Gosto de verdade. Mesmo me sentindo completamente deslocada, me sentia à vontade por saber que estou com ele. E isso é reconfortante. Me faz pensar que não importa o lugar que estiver, Will sempre vai me fazer se sentir da mesma forma.

— Aliás, eu gostei do seu vestido — ele disse, sorrindo, assim que terminamos de comentar sobre a delícia do nosso jantar. — Caiu bem em você.

— Obrigada — falei, sentindo minhas bochechas queimarem.

— Não precisa ficar com vergonha, Clark.

Como não ficar?

— Quer dormir aqui esta noite? — perguntou-me, pegando-me de surpresa.

Olhei para seus olhos, que agora estavam por cima da taça de vinho, que estava bebericando, e senti meu estômago se contorcer. Eu senti a promessa em seu convite. Sei muito bem o que faríamos se dormisse aqui.

— Para dormir? — indaguei, provocando-o.

Will sorriu.

— Sim, Clark, para dormir.

— Bom, se for para dormir, eu aceito.

Ele arqueou uma das sobrancelhas, me desafiando.

— E se for para ficar acordada a noite inteira?

Senti uma pontada em minha barriga e um calor começou a subir por minha espinha.

— Eu também aceito, Sr. Traynor.

Ele sorriu, satisfeito, e depois ergueu a taça de champanhe, me chamando para brindar com ele. Brindamos e eu tomei um longo gole do vinho branco, percebendo que neste instante eu estou com muito calor.

— Muito bem, então tire a calcinha.

Quase me afoguei. O vinho, de repente, tornou-se ferro quente quando passou por minha garganta, ardendo até terminar seu caminho. Tremi no mesmo instante, olhando-o, desconcertada, sem ter certeza do que acabara de ouvir.

— O... O que? — gaguejei.

— Isso mesmo que você ouviu. Tire a calcinha.



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