História Como Eu vi meu Ex se Apaixonar - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol
Tags Angst, Baekyeol, Chanbaek
Exibições 163
Palavras 2.019
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Slash, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Will your mouth still remember the taste of my love?

(A sua boca ainda se lembrará do gosto de meu amor?)

Will your eyes still smile from your cheeks?

(Os seus olhos ainda sorrirão em suas bochechas?)

 

Era inverno, a noite estava fria, e o vento batia forte do lado de fora do carro, era um V8, padrão americano, mas caro demais para um jovem coreano. Chanyeol tinha dinheiro, ou melhor, seus pais possuíam uma conta bancária cheia de zeros, enquanto eu andava pelos transportes públicos que a cidade oferecia.

Estávamos no estacionamento do meu café favorito, o silêncio já se fazia presente por longos minutos, era torturante. Mas como um café em um dia frio, estava acabado. Em um estacionamento, as 8:46 da noite, segundo o rádio antigo daquela lata velha, estávamos terminando tudo o que um dia havíamos começado. Ele queria casar e ter filhos, eu queria a Tailândia, Nova York e Madri, talvez o Brasil por um ou dois anos. Queria continuar a escrever, morar em um apartamento horrível e viver uma paixão que não saberia dizer se duraria um ano ou alguns dias. Eu havia completado 21 anos no último mês, não queria as coisas tão fáceis, eu queria viver uma aventura.

Depois de pedir dois cafés, e algumas rosquinhas, que agora se encontravam no chão do carro, estávamos em silêncio. Preferíamos isso aos olhares que as senhoras nos lançavam dentro daquela cafeteria toda vez que íamos lá, ou talvez porque simplesmente naquele dia queríamos comer em silêncio.

– Tem algo errado. – Minha voz saiu fraca pelo desuso.

– Erraram o pedido? – Perguntou preocupado, me lembrando o porquê eu amava aquele ser de um metro e oitenta e quatro.

– Não. Não é o café ou as rosquinhas, é algo errado com a gente.

Quando o chantilly do cappuccino manchou seus lábios, eu entrei em uma guerra interna sobre limpar ou não o resquício do doce. Ali, chorando, nos prometemos várias coisas impossíveis de serem compridas, quanto o café esfriava no porta copos. Quem sabe se nós tentarmos em alguns anos, passei acreditando nisso mais do que deveria.

Essa foi minha justificativa para um mês depois estar fuçando o twitter dele, era madrugada, e algumas horas depois eu poderia culpar o tédio por ter feito algo tão babaca, mas na hora, eu apenas pensei: só irei entrar e conferir se está tudo bem, será que ele conseguiu aquela promoção que tanto queria? Era aquilo que me motivava a entrar naquela rede social, eu estava usando a desculpa de sempre, que mal eu sabia na época que viraria a ser a desculpa mais usada por mim.

Não havia nada sobre promoções, ou sobre alguma doença que do dia para noite havia surgido, era isso que eu queria saber, mas mesmo depois de constatar que nada de errado havia acontecido no último mês, eu ainda estava lá. O primeiro tweet foi uma coisa banal, algo que geralmente amigos faziam, e eu por um certo lado, sempre havia caçoado dele e de suas brincadeiras idiotas. Enquanto eles conversavam animadamente, eu encarava a tela do meu notebook. Talvez eles sejam só amigos, eu disse a mim mesmo. Será que eles já se conheciam quando a gente namorava? Me peguei pensando se já haviam se encontrado.

Foi quando me lembrei que agora eu não tinha mais direito de me importar, o que ele fazia ou deixava de fazer ainda era problema dele. Mas eu me importei, e muito. Forcei a tela do notebook para baixo, pouco me importando se aquilo estragaria ou não o aparelho, estava me torturando demais para apenas uma noite. Mas assim que peguei no sono sonhei com ele.

Era mais uma noite de verão, estávamos em frente à minha casa, as arvores dançavam ao ritmo do vento. Ele parou a minha frente e me abraçou, como em qualquer outro sonho, não havia história nenhuma por trás daquilo. Por que estávamos ali? Por que meu pai ainda não havia aparecido na porta me mandando entra? Por que ainda estávamos juntos?

Me aproximei mais dele, e apertei o abraço, fazendo ele soltar a risada que eu tanto amava.

Ele disse algo que eu não consegui entender, mas o calor do corpo dele me fazia bem, ele me fazia bem.

Acordei suando muito, não apenas com os cabelos molhados, mas também com o rosto banhado em lágrimas. O momento depois foi o pior de todos, naquele instante eu sentia que tudo aquilo era real, que o sonho era real, e que nunca havíamos terminado de verdade. Eu adormeci mais uma vez desejando o calor do seu abraço, eu não queria cobertores para me aquecer, eu queria apenas ele. Era em momentos como aquele que eu me lembrava como era difícil amar e ser amado e, o quanto parecia impossível aquilo ser apenas mais um caso.

Tateei meu celular na cama, e dei mais uma olhada no twitter. Eu precisava estar com ele, do jeito que fosse. Agora lendo seus posts, eu conseguia ouvir sua voz. Eu podia imaginar ele dando risada das piadas antes de posta-las, e sorria apenas com lembranças como estas. Podia ouvir nitidamente sua voz, e por um momento, eu realmente me senti sozinho.

Seis meses depois do nosso termino, uma foto em seu instagram surgiu: ele e o garoto das conversas animadas estavam em um jogo de basquete. O nó que se formou em minha garganta foi tão rápido que mal pude conter as lagrimas que teimavam em escorrer, pude perceber olhando naquela tela o quanto presente aquele menino na vida daquele estava se tornando, enquanto eu não passava de uma mera lembrança. Olhei a foto, como já era verão, cada um segurava uma latinha de coca, aquelas que eu dizia o quanto mal fazia ao corpo, mesmo tomando uma ou duas por dia. Me perguntei se ele realmente gostava de basquete, ou estava lá apenas pela comida, como eu fazia. Ou se ele adorava olhar a regata larga dos jogadores, ou falar do pessoal bêbado que os rodeava. Ou até mesmos e eles estavam se divertindo.

Mesmo vendo eles dois juntos, sorrindo, com latinhas, e comida, eu ainda não entendia como ele havia superado. Talvez em alguns anos, eu ainda lembrava daquela promessa com a facilidade com que havia sido feita. Só porque eu não o queria agora, não significava que eu não poderia tê-lo nunca mais.

Eu não conseguia aceitar que ele estava se apaixonando de novo, enquanto eu ainda o amava. Naquela época eu não conseguia entender como amor podia ser tão platônico. Me doía imaginar que ele dizia a para ele as mesmas coisas que dizia para mim, ou se olhava para ele com a mesma paixão que para mim olhou um dia.

Aquele garoto estava tão iludido que eu podia até sentir pena. Coitado, tinha um namorado que amava o ex. O que era engraçado de fato, era como a mente conseguia acreditar tão fácil em uma mentira apenas para doer menos.

Ainda pensava nele quando deitava na cama, e talvez, rezava para que aquele garoto ao seu lado fosse eu. Era fácil pensar que ele não conseguia dormir como eu, pois me procurava sem parar na cama, pois a realidade era dolorosa: ele não estava mais pensando em mim.

O twitter havia me contado várias coisas sobre ele, como ele era lindo, e inteligente. Que era sociável como eu nunca fui, e tinha um sorriso doce, eu queria muito odiá-lo, mas não conseguia. Ele tirava fotos com animais e sorria de uma forma muito sincera, e até mesmo sua risada parecia única. Ele tinha pinta daqueles caras que não demoravam para se arrumar.

Eu olhava o twitter dele, as fotos dele, e depois as minhas, tentando sair de mim e sendo um juiz comparando nós dois. Olhava para os nossos tweets, e via tudo que a gente tinha em comum, e tudo o que não tinha. Meu rosto era muito diferente do dele, e meu cabelo mais loiro. Meu sorriso nem era tão espontâneo, a não ser apenas fotos que eu estava com ele, que por algum motivo eu ainda não havia excluído. Ele era de uma família rica, e eu parecia que comprava as roupas em algum brechó de igreja. Tínhamos nossas diferenças, mas também similaridades óbvias: amávamos nossas famílias, nossos amigos e o mesmo cara.

Foram quase um ano assistindo pela tela do meu notebook eles se marcando em fotos e fazendo piadinhas internas como as que fazíamos, nas primeiras vezes até tentei entender o que falavam, mas percebi que não pertencia mais a sua rotina. Eu vi quando ele ficou amigo da Yoora, irmã de Chanyeol e tirou foto com a senhora Park. Fui a espectador da viajem que eles fizeram a Busan, enquanto ele usava a camiseta do One Piece que eu havia dado. Vi eles dirigindo juntos o carro em que nos beijávamos, e o mesmo carro em que terminamos.

Eu vi o relacionamento deles chegar aonde o nosso havia chegado, e passar por fases que nós não tivemos.

Sim, a qualquer momento eu poderia parar com aquela tortura psicológica que aquele vicio me trazia, mas eu queria, e precisava saber o que ia acontecer. Se eles iam dar certo, ou, talvez, se não iam.

Apesar da tortura diária, eu nunca falei novamente com Chanyeol.

Eu ainda queria a Tailândia, Nova York, Madri, e talvez o Brasil por um ou dois anos. Nada em relação isso tinha mudado, mas eu ainda gostava de ver as fotos daquele orelhudo. Eu gostava das caretas que ele fazia e do seu sorriso que continha dentes demais. Ele me lembrava de como era me apaixonar, e eu gostava disso.

Nossos caminhos eram opostos demais, mas eu ainda sentia a atração inexplicável por ele. Era bom ter ele ali, tão perto, tão acessível, mesmo que ele não estivesse de fato.

Eu não me achava um stalker, mesmo que talvez eu fosse, espiando a vida feliz de alguém através de uma janela virtual, de alguém não, dele. Acho que eu pensava que só por vê-lo na tela do computador, de alguma forma ele ainda era meu e talvez, eu não estivesse sozinho e que alguém talvez me amasse de verdade. Talvez ele também estivesse espiando minha vida.

Com o passar dos meses, eu entrei menos no perfil dele. E quando entrava, nem doía tanto. Pelo contrário, passou a ser um completo tédio, como ver um site de notícias de outro país, uma dor família que deixava cicatriz, mas você sente mais dor pela lembrança do que qualquer outra coisa.

No começo eu conseguia passar uma hora sem pensar nele. Depois foram algumas horas, um dia, uma semana, e por fim, um mês inteiro.

Hoje, quando entro no perfil dele quase nem sinto mais nada. Sinto orgulho quando algo bom acontece na carreira dele, e fico muito triste quando alguém morre. Fico feliz por ele ter se apaixonado. E fico feliz pelo garoto das conversas engraçadas ter encontrado alguém tão bom, amável, seguro de si, e um com um sorriso muito lindo.

Talvez hoje ele não seja mais o mesmo que conheci, considerando os meses que se passaram. Talvez ele nem cubra mais a boca com a mão quando fala um palavrão, ou não goste mais tanto de animes assim. Talvez eu nem conheça mais ele de verdade. Mas ainda assim, entrar no perfil dele me traz uma nostalgia, me faz lembrar como fui capaz de amar e que sou digna de ser amado. Me faz lembrar que não existe o esquecer. É preciso esquecer ou basta apender a lembrar? Para esquecer o que dói é preciso antes lembrar de forma exaustiva, até que as lembranças se percam nas artérias das histórias, e as histórias comecem a ter falhas, e as falhas se transformem em histórias, e as histórias representem apenas histórias. Só é possível esquecer o que nos dói quando é possível ser lembrado, então, percebe-se que não existe o esquecer, esquecer é apenas deixar de lembrar insistente e dolorosamente. Esquecer é lembrar em paz. 

E eu me lembro de que quando você realmente se importa com outra pessoa, você realmente nunca esquece.


Notas Finais


Oi, meu povo que come pão com ovo!
Eu sei que deveria atualizar SWT, mas juro que o atulização sai ainda hoje, ok?
Esse plot está comigo desde agosto, e só ontem consegui escrever ele, espero que tenham gostado. Foi baseado em um texto que eu vi no fb, mas eu perdi o link, mas tem quase o mesmo nome caso queiram procurar. Acho que era isso, mais tarde atualizo SWT.

xoxo ~❤

ps: caso não conheçam Started with Twitter, o link ( https://spiritfanfics.com/historia/started-with-twitter-6994741 ).
ps²: meu twitter caso queiram falar comigo, né ( https://twitter.com/ilhoonn ).


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