História Como Nascem As Estrelas - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Star vs. as Forças do Mal
Personagens Marco Diaz, Personagens Originais, Star Borboleta
Tags Disney, Drama, Jantom, Marco, Marco Diaz, Osckie, Star, Star Butterfly, Starco, Stvfoe
Visualizações 43
Palavras 4.344
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Fluffy, Magia, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Visual Novel
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - I. Lar doce lar


Fanfic / Fanfiction Como Nascem As Estrelas - Capítulo 2 - I. Lar doce lar


“Um por um os nós que atamos serão desfeitos
Como abrir fechaduras, vamos semear nossas sementes sob o sol
Nossa cúmplice é a chuva
Com paciência, como de santos
Ele cresce e cresce
O nosso lar doce lar

 

(From The Ground Up - Sleeping At Last)

 

MEWNI – DIAS ATUAIS

 O pátio do novo castelo de Mewni era luxuosamente maior que o antigo, surpreendendo seus convidados com uma aconchegante sala de recepção, seguida de um largo corredor que sucedia as enormes escadas reais. Escadas cuja a criatura homem-polvo-pássaro encontrava-se estática como uma estátua nos primeiros degraus, ele mantinha sua postura de servente enquanto alguns dos convidados acomodavam-se na recepção, deixando seus presentes e agrados – em sua maioria abençoados com algum tipo de mágica – sobre um balcão colocado ali já com o propósito de recebê-los. Na entrada, a acompanhante real recebia todos com um “seja bem-vindo(a)” e um comentário simpático, talvez rude para alguns, mas era este o humor de Janna, e ninguém poderia mudá-lo, mesmo porque exercia sua posição de acompanhante muito bem, digna de uma das melhores amigas da rainha.

E por melhores amigas da rainha, Pony Head – agora, também parte da realeza – surgia flutuando sobre as escadas até o monstro servente, cochichando-lhe alguma informação. Discretamente, ela assobiou para Janna, que suspirou aliviada por finalmente receber o sinal para fechar as portas. A mulher já sentia o maxilar doer de tantos sorrisos distribuídos. Num estalar de dedos da acompanhante, que naquela ocasião estava deslumbrante em um longo vestido vermelho cor-de-sangue e os cabelos presos em quatro maria-chiquinhas, pequenos demônios surgiram voando no salão com suas asas de fogo e seus chifres curvados que Janna considerava fofos, para auxiliá-la na tarefa de fechar as portas rústicas do castelo.

— Valeu, meninos! — Agradeceu enquanto erguia a barra de seu vestido para se mover pelo salão.

— Às suas ordens, madame. — disseram em uníssono os demônios, retirando-se da área destinada aos convidados.

Para algumas pessoas ali, ainda não era completamente convencional estar em um ambiente em que monstros e humanos conviviam normalmente, tratando-se como iguais e não arqui-inimigos. Por outro lado, mesmo as pessoas de mente mais fechada naquele lugar não podiam negar que era mesmo uma cena agradável presenciar tanta paz em um reino, a ponto de poderem assistir monstrinhos sapos correndo pelo salão, brincando de pega-pega com outras crianças em plena inocência.

O servente nas escadas limpou a garganta para obter a atenção dos presentes, fez isso repetidamente, até que todos estivessem concentrados em seu pronunciamento.

— Senhoras e senhores, relativos da família real, é uma grande honra tê-los aqui esta noite para comemorar conosco o 13º aniversário de posse da rainha em um jantar de confraternização. Gostaria de pedir a todos um momento de sua atenção para recebermos nossos amados rei e rainha, que darão início ao nosso evento apresentando sua valsa anual, como é tradição.

Ele estava prestes a encerrar, mas Janna caminhou até ele e sussurrou outro anúncio.

— Ah, e antes que eu me esqueça, a família real pede desculpas pelo ocorrido no ano passado, e compromete-se em garantir que não haja explosões ou incêndios na sala de jantar este ano. Sentimos muito.

Janna piscou para ele com um sinal de positivo, relembrando-se das cenas hilárias dos incidentes de jantares passados.

— Ela não preparou nenhum Gran Finale este ano? — Pony Head perguntou a parte para Janna, que riu em resposta. Pony não sabia dizer se aquele gesto era irônico, mas conhecia sua melhor amiga bem o bastante para achar um evento rigorosamente tradicional no mínimo suspeito.

Repentinamente, as luzes do salão baixaram, apenas um feixe de luz gerado por magia iluminava um espaço pouco adiante das escadas onde os convidados reuniam-se ao redor, formando um círculo.

— Senhoras e senhores, seu rei… — Então todos os olhares voltaram-se para o topo das escadas. Uma silhueta masculina surgia, aos poucos, a luz fraca do salão revelou a feição bondosa do homem vestindo a coroa, ele utilizava um traje branco-neve, clássico da realeza, as ombreiras davam destaque aos ombros largos e braços musculosos daquele que se tornou o motivo de tantas desafortunadas suspirarem no salão, lamentando por não estarem no lugar da mulher que havia colocado aquela aliança brilhante em seu dedo. — Marco Diaz.

Ao que seu nome foi anunciado, o rei fora recebido com uma salva de palmas enquanto descia as escadas com sua postura rígida e as mãos atrás das costas. Mesmo depois de anos fazendo aquilo, ainda sentia-se um pouco nervoso diante da multidão e tinha receio de cometer algum erro. Por dentro, ele ainda suava frio ao descer aquelas escadas e ser apresentado como rei de Mewni como das primeiras vezes.

— E agora peço a todos que recebam a estrela desta noite, sua rainha, Star Butterfly!

O barulho dos saltos finos da rainha sobre os degraus ganharam toda a atenção do salão, todos esperavam ansiosos quando a luz revelou aos poucos a figura da mulher. Ninguém podia negar a semelhança física gritante de Star com sua falecida mãe, a rainha Moon Butterfly. No topo das escadas, ela se encontrava parada por um momento, admirando aquela multidão que veio de tão longe apenas para vê-la. Seu peito subia e descia um pouco acelerado debaixo do enorme vestido azul celeste, que cobria até mesmo seus pés; ele ressaltava suas curvas femininas e a beleza natural, seu rosto bem iluminado ganhava destaque com os cabelos loiros compridos presos, e era admirado pelos convidados.

Lá de baixo, Marco assistia aquela mulher inacreditável descer as escadas e apaixonava-se por ela mais uma vez. Ele se apaixonava por ela todos os dias de sua vida, cada vez mais, e sentia-se sortudo ao se lembrar da aliança em sua mão esquerda, pois podia chamá-la orgulhosamente de esposa.

Já no térreo, Star parou ao lado de seu marido, olhando-o no fundo dos olhos para perguntar baixo:

— Como eu estou?

Um sorriso de lábios juntos nasceu em seu rosto antes que respondesse com convicção:

— Você está incrível.

Star devolveu-lhe o sorriso, curvando-se a ele e o lembrando de fazer o mesmo, em seguida estendendo a mão para que ela o concedesse uma dança. Star pousou sua mão sobre a dele e, dessa maneira, caminharam até o meio do feixe de luz, atraindo todos os olhares para seus corpos colados, prontos para dançar.

— Não fique nervoso, Sr. Butterfly — ela cochichou pousando uma das mãos em seus ombros e tendo a outra guiada por ele no ar. Marco sorrira provocativo.

— Eu sei como fazer isso, Sra. Diaz.

A música começou a tocar, suspiros podiam ser ouvidos do momento em que a dança se iniciou. Marco guiou a mulher em círculos pelo salão, com movimentos repetitivos. Vez ou outra, ele não podia evitar senão olhar para baixo, certificando-se de que Star não esmagaria seus pés como era de costume.

— Não é patético ter que fazer isso todo ano? — A loira bufou entre os sussurros.

Marco riu discretamente e concordou. Aquele era alguns dos poucos rituais que Star procurou manter em seu papel como rainha, pois lembrava-se do quão importante o Jantar de Aniversário de Posse da Rainha era para sua mãe.

Ela se lembrava da sua primeira valsa de introdução do jantar, ainda na posse de Moon. Star descia as escadas ao lado de sua mãe todos os anos, e logo ao completar seus onze anos de idade, Moon decidiu homenageá-la permitindo que ela fizesse a valsa com River, seu pai. Deveras uma cena adorável que ficou registrada no coração dos mewnianos e da princesa – agora rainha.

A música já estava no fim, Star contava os acordes para que aquilo acabasse, e quando finalmente acabou, ela pousou ambas as mãos sobre os ombros de Marco e gastou alguns bons segundos encarando-o, até que uma luz rubi hipnotizante refletiu da janela no topo da escadaria, chamando a atenção de ambos para o enorme reflexo da lua cheia cor-de-sangue no algo do vitrô.

— Parece que nossa “madrinha de casamento” veio. — Ela brincou. Marco acariciou seu rosto brevemente antes de se afastar dela e ambos virarem-se para cumprimentar e acenar para os convidados, que aplaudiam a dança do casal.

Marco engatou seu braço com o de Star, ele sempre fazia isso ao discursar em público, pois ajudava-o a falar de maneira mais confiante.

— Amigos, família, e todos os demais presentes, é uma honra tê-los conosco esta noite! A rainha Star e eu somos muito gratos por sua consideração, por virem de tão longe em uma data tão especial — Star escorregou seus dedos pelo braço do outro, agarrando-se às suas roupas com os dedos e prestando atenção enquanto ele falava, sempre mantendo seu olhar reto. — Esperamos que tenham tido uma boa viagem, e que sintam-se à vontade em nosso reino. É como ressaltamos todos os anos para que saibam que, aqui em Mewni, estão em casa!

Seu discurso teve aprovação da maioria e recebeu algumas palmas antes que o servente pedisse um momento de silêncio para apresentar o que viria a seguir:

— Como todos sabem, estamos aqui hoje para comemorar o décimo terceiro ano da posse oficial de Star Butterfly como nossa regente e homenageá-la por isso. Esta noite, temos preparados alguns discursos e apresentações especiais, mas antes, gostaria de um minuto de sua atenção para algumas palavras da rainha.

Star encarou Marco de soslaio sem soltar seu braço até o momento. O rei soltou de sua mão e depositou nas costas da mesma um beijo antes de afastar-se alguns passos para trás, dando espaço para ela sobre a luz. Star juntou as mãos em frente ao corpo nervosamente, limpando sua garganta e tentando lembrar-se do discurso que havia preparado. Na verdade, não havia preparado muita coisa, pois gostava que suas palavras fluíssem naturalmente, apesar de o nervosismo dificultar um pouco.

— Estou vendo muitos amigos aqui esta noite, amigos próximos, de longa data, amigos que eu fiz ao longo desses treze anos em que tive a honra de ser sua rainha — Começou, passando os olhos por toda a extensão do salão. — O que eu gostaria de ressaltar é que enquanto eu crescia, sempre achei que o Aniversário de Posse fosse um evento egoísta com o intuito único de inflar o ego da rainha como um símbolo da realeza — Então um suspiro inevitável escapou de seus lábios quando ela levou uma das mãos até os cabelos, tocando a coroa repleta de pedras preciosas que carregava. — Mas agora que eu estou usando essa coroa e sendo chamada de Rainha Butterfly, minha visão mudou um pouco. — Em um gesto astuto, ela tirou a coroa, chocando alguns ali. Com suas mãos pequenas revestidas por luvas, ela segurava o objeto em frente ao corpo e encarava seu próprio reflexo nos cristais. — Agora, vendo todos os meus amigos aqui, eu vejo que é mais do que isso… Esse jantar não é uma tradição real em que nos reunimos, damos sorrisos falsos uns para os outros e vamos embora. É um momento que temos para olhar em volta e pensar sobre o quão longe chegamos. Não há maior sentimento de missão cumprida do que quando eu olho para cada um de vocês, para este reino e penso que nós conseguimos. Reconstruímos um lugar em que podemos viver em paz com nossos entes queridos e amigos, exatamente como eu imaginei treze anos atrás, quando coloquei essa coroa pela primeira vez. — Ela pausou, respirando fundo. — Eu só queria dizer que nada disso seria possível sem a determinação do povo de Mewni. Se estamos aqui esta noite, é porque lutamos por isso. Então, não entrem naquela sala de jantar ou atravessem aquelas portas direto para sua casa pensando que devem me agradecer por alguma coisa — dissera convicta, erguendo seu olhar e perdendo-o em meio ao povo emocionado com seu discurso tão sincero. — Sou eu quem devo agradecer a vocês.

 

Quase duas horas passaram voando como minutos no salão de festas, Star vibrava ao receber as homenagens humildes que seu povo havia preparado apenas para ela – tais como danças, poemas e uma canção que Ruberiot fez questão de mostrar ao final das apresentações, como um desfecho.

Agora, Star tinha alguns minutos reservados apenas para agradecer e cumprimentar seus convidados. Ela costumava prolongar esses minutos em mais meia hora cada vez que encontrava uma grande amiga que não via há muito tempo, como fazia naquele momento ao ouvir Pony Head contar todos os detalhes do seu jantar de noivado, que estava próxima a acontecer. Mesmo a personalidade altruísta e independente de Pony não interferiu em nada tratando-se de amor. Estava noiva, e morrendo de ansiedade para sua tão sonhada lua-de-mel, que estava sendo meticulosamente planejada pela noiva e sua madrinha, Star.

— Isso me faz lembrar da minha lua-de-mel! Nem parece que já faz mais de dez anos… — A rainha permitiu que um suspiro escapasse pelos lábios contornados em cor-de-rosa escuro.

— Ah, é! Poderíamos rever seu álbum de casamento para ter algumas ideias, B-Fly. Aqueles cenários da Terra nem pareceram tão cafonas nas fotos. — Star riu com o comentário.

— Claro que não, Pony! O Marco conhece lugares incríveis na Terra. Ah, você precisa conhecer Tulum! É mágico. Não literalmente mágico. Ou um pouco literalmente, depois que estive lá. — As garotas abafaram uma gargalhada. — Por falar nisso, já faz um tempo que não vejo o… — Seus olhos passearam rapidamente através do salão, até reconhecerem os olhos castanhos inconfundíveis de seu marido; estavam brilhantes, sua expressão parecia radiante enquanto ele segurava um pequeno ser humano nos braços, brincando com a criança recém-nascida ao fingir arremessá-la no ar, gargalhando e abraçando-a em seguida. Ao seu lado, Jackie Lynn Thomas, uma mãe orgulhosa e deslumbrante ao lado de seu acompanhante e do rei. — Marco…

Por algum motivo, aquela cena mexeu com Star. Um pouco mais do que deveria. A alegria nos olhos de Marco e o luxo que ele tinha com a filha da ex-namorada, enchendo-a de carinhos e presentes, incomodava-a de alguma forma.

— Só um segundo, Pony, eu já volto. — Anunciou, sem dar tempo de sua amiga finalizar o que estava prestes a dizer antes de erguer a barra de seu vestido e caminhar rapidamente até a ponta oposta do salão, seus saltos chocavam-se contra o assoalho de forma a demonstrar a pressa e inquietação da rainha. Ao alcançá-los, fez questão de chegar de surpresa, fazendo com que Jackie caminhasse um passo para trás com o pequeno susto que levou. A garota mantinha algumas mechas azuis-claras entre os cabelos claros, como em sua adolescência, todavia preferia mantê-los presos agora; era a forma mais viável de lidar com cabelos volumosos como os dela sendo general do exército de Mewni, escalada pelo próprio casal real para tal cargo. — Olá! — Star bradou engatando mais algumas vogais à palavra, surpreendendo-os. — Oi, Jackie, você está linda hoje — Elogiou ao notar o vestido verde-mar repleto de pequenas conchas que a mulher vestia, Jackie sorriu e agradeceu o elogio. — Oskar! Oskar Greason, meu ministro favorito! Como vai você? — dissera desajeitadamente, cumprimentando seu ex-paquera – agora comprometido com a general – com um breve soco no ombro; Star ainda não tinha noção do tamanho de sua força. — Ah, Marco! Que coincidência encontrar você aqui, querido.

Marco arqueou uma das sobrancelhas, divagando sobre o sorriso torto e brevemente forçado da mulher. Ele conhecia bem aquela expressão de “se não sairmos daqui agora, abro um portal para outra dimensão e você nunca mais vai ouvir falar de mim”.

— Não vai dar olá à pequena Lea? — Jackie cutucou-a, recebendo um olhar confuso da outra, que parecia um pouco distante.

— Oi?

— Claro que vai, não é, pequena Lea? Você quer dizer oi para a rainha, quer? — Marco brincou balançando-a no ar e afinando sua voz, o que se tornava hilário tratando-se de alguém com mais de 1,80 e uma cicatriz de batalha enorme estampada no rosto.

Star hesitou por um momento, sem saber o que fazer quando Marco se aproximou dela com aquela coisinha pequena e cheia de sardas nos braços. Ela encarou o bebê, captando as semelhanças dela com seus pais. As sardas, obviamente de Jackie; os grandes olhos verdes encantadores, característica marcante de Oskar. Ela era uma mistura perfeita, uma Greason Thomas rechonchuda com um olhar de inocência e confusão. Star engoliu em seco sem saber o que dizer até Marco cutucá-la com o cotovelo e sussurrar “Star, diga oi para a Lea” tirando-a imediatamente de seu transe.

— Ah, sim… Hn, oi, pequena… Pequenina Lea… — Ela sorriu amarelo, sem jeito, e tentou levar uma das mãos até o bebê. — Você é mesmo muito engraçadinha, sim, você é sim! Deixa eu tocar suas sardinhas um p-... — Mas ela sequer teve chance de tentar; Lea desatou em gritos quando viu a mão de Star se aproximando.

— Eu cuido disso — Oskar tomou frente, pegando-a no colo. — Ei, Jackie, aonde está a bolsa com a chupeta dela?

— Pensei que estivesse com você! — A mais baixa arregalou os olhos, estudando toda a área ao seu redor em questão de segundos procurando pela chupeta.

— Hein?! Não, não, não, eu me lembro bem que você disse que estava com você antes de sairmos — Ele apontou sem deixar de embalar Lea. — Sabe onde seu skate está vinte e quatro horas por dia mas perde a chupeta da sua filha num piscar de olhos? Inacreditável. — Ele provocou, recebendo o segundo soco da noite. — Ouch.

— Você é inacreditável! Vamos, eu sei aonde deixo uma chupeta reserva para casos como esse, em que você perde a primeira — Acusou o outro e recebeu um olhar de reprovação, rindo por cima. — Sinto muito, rei e rainha Butterfly — Brincou com um gesto de reverência à realeza antes de segurar o braço de Oskar. — Precisamos ir agora, se não se importam. Vemos vocês no jantar!

Au revoir, amigos! Até mais tarde! Até logo! Bye bye! — Star acenava desesperadamente até perdê-los de vista, por fim. E quando se foram, ela fez questão de puxar Marco pelas vestimentas para que ele a acompanhasse caminhando. — Você sumiu por vinte minutos! Quem passa vinte minutos brincando com alguém que nem sabe falar?!

— O quê? Star! — Ele a parou, segurando seu pulso e obrigando-a a olhar para ele. — Qual é o problema? Você está meio descontrolada.

Descontrolada?! Eu? Marco Ubaldo Diaz Butterfly, se não me respeitar, não haverá espaço pra você na cama hoje, senhor. — Dera de dedo, ameaçadora.

Ugh, certo — Apenas concordou ao notar que Star estava realmente descontrolada. Por outro lado, ele sabia que ela achava a palavra um tanto quanto inadequada para seu temperamento. — Vamos servir o jantar, então?

— Ahn? Não, eu ainda não achei o meu-

— Marco! Aí está o meu garoto! — Uma voz familiar surgiu na cena, atraindo a atenção do casal para o lado, onde um senhor simpático e barbudo tinha sua cadeira de rodas empurrada pelo mesmo servente homem-polvo-pássaro da escadaria.

Star deu um sorriso de rasgar o rosto ao enxergá-lo e imediatamente abriu seus braços, correndo até ele e atirando-se em seu colo para um abraço.

— Pai!

— Minha garotinha! Ah, que saudades eu senti desse abraço! — Ele apertou-a contra si, acariciando suas costas e chegando a encostar em suas asas brevemente. — Meu Deus, você já é uma mulher. E seu rosto se parece cada dia mais com o da sua mãe. As mulheres mais lindas que eu já conheci.

— Ah, papai… — Ela o apertou um pouco mais no abraço antes de afastar-se, ainda sentada sobre seus joelhos cansados na cadeira. — Por onde andou? Não me manda mais cartas, fotos, cartões, quanto menos pensa em nos visitar. Não é típico dos Johanssen não dar notícias. — Brincou.

— A vida é boa no palácio da minha família, querida, mas não há muito o que contar. Jogamos jogos de tabuleiro, cuidamos do jardim, temos um banquete todos os dias… De qualquer forma, adoraria que você e meu genro fossem nos visitar de vez em quando.

Apesar de Star e River terem um milhão de assuntos para jogar conversa fora, o tempo continuava passando ao redor. E Janna notou a inquietação dos convidados aparentemente famintos, e comentou consigo mesma como aquele pessoal fazia ficando dias sem comer de propósito a espera do grande banquete que era o Jantar Anual.

Ela se aproximou da rainha e não-tão-discretamente, chamou sua atenção.

— Com licença, Sra. Rainha, mas estou ouvindo barriguinhas roncarem por aqui! Vamos servir o jantar hoje ou vamos esperar o ano que vem?

— Ah, é mesmo! Desculpa, papai, preciso dar um pulinho na cozinha. Seu lugar está reservado ao meu lado, certo? Quero ouvir todas as suas histórias de mini-golf!

Assim deixou o salão, segurando a mão de sua acompanhante real e caminhando apressadamente até a cozinha. Marco viu ali uma oportunidade de se aproximar do sogro e cumprimentá-lo enfim.

— River? Como vai o senhor?

— Marquinho! Meu garoto! — Aproveitou-se do momento em que Marco se curvou em reverência e puxou-o para baixo, envolvendo seu braço rechonchudo detrás do pescoço do rapaz. — Insiste em me chamar de “senhor” depois de todos esses anos? Quem é velho aqui, rapaz? — Usou uma das mãos para bagunçar os cabelos castanhos do outro e assistiu enquanto ele ria e tentava se livrar da chave-de-braço do idoso. — Ei, venha aqui… Aproveitando que estamos só nós dois, há algo que eu queria falar com você.

Marco agachou-se diante do homem, podendo ouvi-lo com mais clareza devido a grande quantidade de ruídos que as conversas paralelas no salão causavam.

— Sou todo ouvidos, River.

— Rapaz, eu vi você brincando com aquela criança quando cheguei. Como se chama aquela moça, a mãe?

— Oh, fala da Jackie? A nossa general?

— Sim, essa mesma! Deslumbrante, simplesmente deslumbrante. E que belo casal ela e o Ministro da Música formam. Adorável. Mas esta não é a questão — Fizera então uma pausa para limpar a garganta, e então prosseguir: — Você gosta mesmo de crianças, não gosta?

— Para ser honesto, eu gosto sim. Tenho um carinho especial pela Lea.

— Então, é um bom começo, ahn?

Marco lançou-lhe um olhar confuso, sem saber do que aquele diálogo realmente se tratava e aonde iria chegar.

— Um bom… Começo? Um começo de quê?

— Ora, vamos lá… Você me deu um bom susto quando vi você com aquela criança no colo, quase chorei de alegria quando pensei que iria finalmente conhecer os meus tão sonhados netos.

Marco engoliu em seco e começou a mexer seus dedos nervosamente, gelando com a ideia repentina de River.

— N-Netos?

— Sim, rapaz, netos! Não acha que está na hora? Honestamente, eu mal posso esperar para que tenha a mesma sensação que tive quando segurei a Star no colo pela primeira vez, ela era tão pequena e barulhenta, tinha minhas feições. Olhe ao redor, Marco — orientou apontando para os grandes corredores que os cercavam. — Não acha que está faltando algo nesse castelo? Crianças correndo, brincando por aí, quem sabe?

— Não sei o que dizer, River — Sorrira sem graça o atual rei para o aposentado. — Você me pegou de surpresa. Eh, Star e eu… Bem, nós… — Passara os dedos pelos cabelos, ajeitando-os para evitar qualquer contato visual. — Nós nunca pensamos em filhos. Quer dizer, eu já pensei, mas não ela.

— Está dizendo que não quer ter filhos com a minha filha, garoto? — River arqueou o cenho, sério.

— Não! De maneira alguma eu quis dizer isso, senh- River. Eu quero ter filhos com a Star. Muitos. Só não sei se é a hora certa para pensar nisso…

— Hora certa? Mané de hora certa! Bobagem! — cortou-o rindo. — Você e a Star já estão beirando a casa dos trinta, já amadureceram bastante, o reino se encontra numa situação bastante estável… Não poderia haver hora melhor! Além do mais…

Algo o impediu de continuar, e ele oscilou por um momento, baixando sua cabeça. Marco estranhou aquele tom alternado.

— Além do mais… O quê?

River suspirou pesadamente.

— Eu não pretendia contar isso, não quero que a Star saiba pois não quero preocupar minha princesinha com bobagens como esta mas… Eu estou velho, rapaz. Não posso mais enganar ninguém. Os anos me alcançaram. Você acha que eu queria estar nessa geringonça? — Referiu-se à sua cadeira. — Preciso dela. Estou envelhecendo por inteiro, e a cada dia parece que o tempo me cerca mais. Meu coração está fraco, eu não vou durar pra sempre.

— River… Eu nem sei o que dizer… — Marco lamentou após um período de silêncio entre os dois.

— Não precisa dizer nada. Eu apenas queria que soubesse que um dia eu vou partir, vou encontrar a minha Moon Pie esperando por mim em algum lugar muito bonito, e antes que esse dia chegue, eu gostaria muito, muito mesmo de conhecer os meus netos, você sabe, quero ter algo para contar à Moon quando nos reencontrarmos.

Marco suspirou, digerindo toda aquela informação e o apelo de seu sogro, refletindo sobre aquilo, e antes que pudesse dar qualquer resposta sólida a ele, a voz de sua esposa ecoou pelo salão. Quando se virou, lá estava ela, saltitante sobre o balcão, já havia tirado seus sapatos apenas para subir ali e anunciar a todos que um banquete esperava por eles para ser servido na sala de jantar.

O rei sequer ligou quando as pessoas começaram a sair daqui apressadas e, aos poucos, o salão foi ficando vazio. River já não estava mais ali.

— Marco, me ajuda a descer! — Ela ordenou, tentando seu melhor para não perder o equilíbrio e despencar do balcão. Diaz riu, aproximando-se da mulher e desafiando-a a saltar. Star, do jeito que era, jamais negaria ao ser desafiada. — Lá vou eu… Promete que vai me pegar? — Ele acenou positivamente com a cabeça, assentindo.

— Eu prometo.

— E um, e dois… E três… Salvem a rainha! — Ao que dito isto, ela tomou impulso e saltou do balcão, direto para os braços do marido, que agarrou-a e rodopiou com ela pelo salão, fazendo-a gargalhar alto e implorar para que ele a soltasse. Por fim, ambos perderam o equilíbrio, despencando sobre a cerâmica do salão de festas.

Star sorriu, encurralada pelo peso do corpo de Marco sobre si, e afastou algumas mechas castanhas para olhar em seus olhos.

— Você é bobo.

— Ah, é? E você, senhora Butterfly… — Ele cortou sua fala para presenteá-la com um breve beijo nos lábios antes de finalizar: — Você é incrível.

Star não deixou que o sorriso em seu rosto desaparecesse sem corrigi-lo com convicção:

— Senhora Diaz, por favor.


Notas Finais


[os créditos da mídia vão totalmente para atomicmangos, grande artista que admiro muito, faz artes incríveis de svtfoe, chequem esse tumblr quando puderem, é adorável]

oi, sweethearts :p
como vão vocês? espero que bem.
antes de tudo, notaram como os updates são REALMENTE devagar? mesmo que eu tenha avisado já na sinopse, eu peço desculpas. me sinto mal de não poder atualizar sempre e ainda peço mais desculpas por não ter revisado 100%
juro que fiz o que estava ao meu alcance mas ainda posso ter deixado passar uma coisa ou outra, e quero agradecer de coração pelos comentários e favoritos até agora, vocês são incríveis e me inspiram a continuar escrevendo!
aliás, falando em escrever, espero que se acostumem com a minha maneira de escrever, desenvolvendo tudo devagar e na maioria das vezes com capítulos extensos, peço que me avisem caso esteja demais, eu posso tentar diminuir, adaptar para que fique mais prático pra vcs, basta me dizerem! aprecio opiniões honestas, elas me deixam radiante.
por ora, é só o que tenho a dizer, espero que tenham gostado e que estejam dispostos a me dizer o que acharam, hihi, vejo vocês daqui algumas semanas!!!

com amor,
vanu


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