História Como prometi, voltei - Capítulo 15


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Categorias Animais Fantásticos e Onde Habitam, Harry Potter
Personagens Aberforth Dumbledore, Alvo Dumbledore, Ariana Dumbledore, Armando Dippet, Credence Barebone, Fineus Nigellus, Jacob Kowalski, Newt Scamander, Newton Scamander, Personagens Originais, Porpetina "Tina" Goldstein, Queenie Goldstein
Tags Animais Fantásticos, Harry Potter, Jacob, Newt Scamander, Onde Habitam, Queenie Goldstein, Tina Goldstein
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Palavras 2.792
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 15 - O famoso herói de guerra


Tina abriu os olhos e sentiu sua cabeça pesar. Ela descobre, pelo branco em todo o cômodo, que está num hospital. Sua visão periférica capta outra coisa que não é uma cortina branca.

O homem a sua frente tem cabelos escuros e bagunçados, uma barba igualmente escura, porém não desleixada, sardas se espalham por suas bochechas e nariz, cicatrizes marcam o rosto dele, a maior que Tina consegue ver vai da sobrancelha direita até o lóbulo da orelha. Há um corte recente na ponta do nariz meio torto dele.

– Senhorita Goldstein. – disse ele. – Sou Theseus Scamander, chefe dos aurores, gostaria de ter uma conversa.

O fato de que Theseus ser irmão de Newt é inegável, há muitas semelhanças. Porém os cabelos de Theseus tentam – ainda que sem muito sucesso – seguir um corte, seus olhos não arregalam um pouco de forma alarmante como os do mais novo quando está em um lugar que não é familiarizado, as sardas são muito menos numerosas, ele é mais baixo, o tronco e ombros são mais largos, a pele não tem o bronzeado decorrente de travessias pelos desertos, a postura dele é ereta, ele ergue levemente o queixo e sua linguagem corporal parece calma. Theseus exala confiança e certo orgulho próprio.

– Eu conheço você. – ela passa as mãos pelo cabelo tentando resgatar o máximo de dignidade que possa ter usando um pijama de hospital.

Theseus reprime um sorriso. Quem não conhece o famoso herói de guerra e orgulho da família Scamander? Theseus ser chefe do departamento não surpreende Tina, Newt já havia contado por cartas que o Scamander mais velho conseguiu o cargo alguns meses após a prisão de Grindelwald. Provavelmente o antigo chefe achou ser uma boa hora para se aposentar.

– Na verdade, conheço seu irmão. – ela corrige e esfrega os olhos tentando afastar a sonolência. – Newton Scamander.

Theseus parece um pouco surpreso. Ele se apodera da cadeira que está ao lado da cama e se senta, um meio sorriso nos lábios e parece se divertir com a menção do nome do irmão.

– Eu também não a conheço, mas conheço meu irmão. – ele cruza os braços e desfaz de uma vez a postura de auror. – Veja só que coincidência.

Piadista. Ela se recorda de Newt falando sobre o mais velho e levanta um pouco as sobrancelhas. “O que está acontecendo aqui?"

– Disse que queria conversar. – ela lembra. – Qual o assunto?

– Sobre ontem.

– Sim, claro. – ela assente. – Bem, obrigada por não mandar os seus aurores me atacarem.

– De nada. – a seriedade volta para o rosto dele. – Enfim, estou aqui porque acho que carregamos a mesma opinião sobre o obscurus. Quando Newton voltou para o ministério me contou que ele poderia estar vivo e disse que por ser adulto a magi... – ele para com a expressão confusa de Tina.

– Newt sabia que Credence estava vivo? – ela franze as sobrancelhas e estica um pouco o pescoço.

– Não tinha certeza, certeza absoluta. – ele agita os dedos no ar. – Mas viu uma parte pequena ir embora. Continuando – ele prossegue sem dar brecha para novas perguntas – agora sabemos que ele estava certo. Newt me contou que pelo hospedeiro ser adulto a magia dele se tornou muito poderosa e instável, sendo assim acho que não é eficaz tentar mata-lo, se fosse, vocês teriam conseguido em Nova Iorque. Se o obscurus está aqui, Grindelwald também está, isso é garantido. Do meu ponto de vista deveríamos ficar com ele, certificando que Grindelwald não vá mas causar grandes destruições, pelo menos não de uma só vez. Aposto que ele vai vir atrás do rapaz e podemos, com sorte, ter a chance de prende-lo.

– É, acho que pensamos quase do mesmo modo. – afirma Tina.

– Quase? – Theseus arqueia as sobrancelhas.

Tina assente com a cabeça e abre um sorriso diminuto e triste ao se lembrar de Credence. Ela torce para que Theseus não tenha percebido.

- Eu conheci Credence em Nova Iorque, antes de saber que ele era o obscurus. Ele precisa de ajuda e na hora eu não pensei em Grindelwald, pensei apenas  nele.

Theseus não pode deixar de comparar o modo de pensar da auror com o do Newt, o ímpeto de ajudar. Ele ainda não sabe do senso de justiça que reside nela.

– Meu irmão ainda está no seu apartamento?

Tina se pergunta até onde Theseus sabe sobre ela e Newt. Definitivamente, pelo brilho de divertimento nos olhos dele, ele sabe de algo.

Ele e todos os aurores que entendem inglês ouviram o berrador que foi enviado para ela. Theseus está interessado em saber quem é a mulher que fez Newton Scamander esquecer Leta Lestrange.

– Ele te disse isso?

– Ele falou que estava na casa de uma amiga.

– Eu pedi que ele ficasse lá, tenho uma irmã e não queria deixar ela sozinha. – explica ela.

– Entendo. – ele estende a mão para ela. – Foi muito bom conhecer a senhorita.

Ela aceita o cumprimento e volta a afundar no travesseiro com um suspiro assim que Theseus atravessa a porta.

Newt entra no apartamento fazendo o mínimo de barulho. A manhã dele estava ótima, ele havia recebido noticias de Tina no dia anterior – ele e Queenie ficaram desesperados ao ver as manchetes dos jornais sobre o ataque – e Jacob e ele haviam tido uma conversa muito engraçada sobre o mundo bruxo, a Irlanda e a Inglaterra. Tudo que Newt falava era acompanhado por exclamações e piadas de Jacob. A manhã dele estava ótima. Estava.

Ao entrar ele vê que tem uma carta em cima da mesa. Olhou para os lados a procura de Cam, sua e temporária coruja de Tina, mas não encontra. Ele paralisa ao ver o brasão de Hogwarts e a cera vermelha selando o envelope. Era um pavor sem sentido, Newt sabe disso, mas a última carta que recebeu da escola fora da sua expulsão.

A curiosidade foi maior e ele abriu a carta.

"11 de agosto de 1928

Prezado senhor Scamander,

Gostaria de pedir a sua presença para um assunto urgente. Estarei em Hogwarts todo o tempo, porém quanto antes puder vir será melhor.

Aguardo seu retorno,

Albus Dumbledore

Professor na escola de magia e bruxaria de Hogwarts."

Não era nem uma carta, parecia mais um bilhete de tão curto. Dumbledore não podia ao menos adiantar o assunto da conversa?

Na manhã do dia seguinte o magizoologista toma a decisão de fazer logo a visita.

– Professor Dumbledore? – Newt bate na porta.

– Entre. – ouve-se a voz do professor.

O magizoologista entra antes que seu cérebro tenha tempo de enviar instruções para que seu corpo corra.

O bruxo de cabelos acaju com mechas grisalhas deixa de lado os livros e ajeita os óculos meia lua.

– Senhor Scamander, é um prazer reve-lo. – Dumbledore se levanta e aperta a mão de newt.

– Igualmente, professor.

– Eu diria para sentar, mas acho que uma caminhada se tornaria mais agradável. – Dumbledore indica a porta. – Me acompanhe.

Dumbledore anda calmamente em contraste com os pequenos tiques nervosos de Newt: tatear os bolsos, apertar mais firme a alça da maleta, coçar a nuca.

– Fez um ótimo trabalho com o seu livro, explicativo e sucinto. – disse Dumbledore. – Como vão as vendas?

– Uh, bem, as pessoas parecem mais interessadas em saber sobre as criaturas mágicas... – a escola esta num silêncio mortal sem os alunos e cada palavra ecoa pelas paredes de pedra. –  Sem desmerecer o elogio, acho que não me chamou para falar do meu livro.

– Está certo, senhor Scamander. – Dumbledore para e encara o bruxo mais novo. – Creio que já saiba dos boatos que se espalham ao meu respeito.

– Na verdade não, passei os últimos meses longe daqui. – responde Newt.

– Resumidamente, os boatos me colocam como o único capaz de deter Grindelwald, por eu conhecer seus ideais desde jovem. Ele tem controle de um obscurus agora, sempre achou o tamanho poder fascinante. Credence Barebone, não é?

Newt percebe que mesmo sem sair dos arredores de Hogwarts o professor estava a par de tudo que acontecia. O nome de Credence era apenas um dos detalhes que não havia aparecido nos jornais, mas eram do conhecimento dele.

Newt apenas concorda.

– Andou progredindo nos estudos do obscurus? – Dumbledore questiona. – Sabe se há como salvar o rapaz?

O magizoologista olha para o professor com as sobrancelhas franzidas e pensa em perguntar como ele sabia disso. Acabou por desistir.

– Antes eu achava que a idade máxima para o obscurial era onze ou doze anos, mas Credence já passa dos vinte, a magia se tornou muito poderosa e quase incontrolável. Mas é sim possível que ele possa ficar livre do obscurus. O obscurus é como um parasita, sua fonte de alimento, por assim dizer, é a magia reprimida e más experiências que afetam o hospedeiro. Se conseguirmos fazer Credence perder o medo de sua natureza e criarmos uma atmosfera em que ele sinta-se acolhido e confortável em controlar sua própria magia, o obscurus não vai ter uma fonte de alimento. Assim como todo parasita sem ter algo para se nutrir, ele vai ficar fraco e pode até desaparecer.

Dumbledore assente e Newt respira fundo ao terminar de falar. Ele se concentra em olhar as paredes de pedra e fica absorto relembrando dos tempos em que corria por aqueles mesmos corredores, sempre atrasado para alguma aula. Ele pensa num dos lugares preferidos dele na escola: a sala comunal de sua casa.

– Senhor Scamander, novamente digo que foi um prazer reve-lo. Muito obrigado por vir. – Dumbledore gesticula para as mãos se referindo a escola. – Ninguém ira se incomodar se quiser ficar um pouco mais, sinta-se a vontade.

Newt dá um sorriso pequeno para Dumbledore em agradecimento e observa ele se afastar pelo mesmo caminho de antes. Ele morde o lábio ao pensar numa dúvida que o persegue a anos. Newt chama pelo professor antes que ele desapareça na esquina ou que uma parte dele desista da pergunta.

- Professor! - Dumbledore se vira com a voz de Newt. - Por quê foi contra a minha expulsão?

Talvez seja a distância ou a mente lhe pregando uma peça, mas Newt podia jurar que um sorriso apareceu na expressão de Dumbledore.

– A verdade. Há sempre aqueles que sabem a verdade, mesmo que ela não seja dita. – havia uma certa cumplicidade na voz de Dumbuldore, como se tratasse de uma velha piada em que apenas eles dois soubessem o significado.

O magizoologista pisca, perplexo. Não era exatamente a resposta que esperava. Dumbledore da as costas e some da vista de Newt.

Ele não tem dificuldade em lembrar o caminho que leva até a pilha de barris perto da cozinha e se lembra corretamente o número e ritmo de batidas para poder entrar. Os barris se afastam dando lugar a uma passagem.

Ele abaixa um pouco a cabeça para entrar e ser envolvido pela atmosfera acolhedora e que parece estar numa eterna primavera.

A sala continua exatamente como Newt se lembrava: Plantas e vasos espalhados em prateleiras e algumas suspensas por cordas presas no teto, a luz amarelada entrando pelas janelas redondas e pequenas, os sofás amarelos, os móveis de madeira cor de mel. Tudo parece ter permanecido do mesmo modo.

Ele sorri para o retrato de Helga Hufflepuff bem acima da lareira. Ele nunca teve nada com a reclamar em relação aos colegas lufanos, apesar de não ter formado um laço mais forte de amizade com nenhum deles. O mesmo não podia ser dito dos grifinórios e sonserinos, que com toda a certeza teriam feito um número maior de provocações se não fosse por Theseus.

Hogwarts havia sido palco de lembranças marcantes, boas e ruins, era o lugar que foi a casa de Newt durante anos.

"13 de agosto de 1928

Irmãozinho,

Acho que já deu tempo suficiente para  Grindelwald estampar a manchete principal de cada jornal. Não é a toa, ele fez uma enorme bagunça.

Seria bom se você viesse dar uma mãozinha aqui, estou com dificuldade para convencer o pessoal em não matar o obscurus. É bom que esteja aqui quando ele voltar.

Você tem jeito com essas coisas!

Ainda está no apartamento das americanas? Achei que já estivesse no meio da África outra vez. O milagre que te fez ficar em Nova Iorque todo esse tempo tem sobrenome Goldstein? Apenas confirmando.

O seu irmão predileto,

Theseus"

A maleta de Newt foi invadida por uma Queenie que soltava gritinhos no momento que ele terminou de ler a carta.

– Eu estou oficialmente demitida! – ela declarou dando um abraço no magizoologista.

Newt nunca pensou que participaria de um jantar comemorando uma demissão. Mas participou, junto com Jacob.

Depois disso tudo foi resolvido para a mudança de Queenie e Jacob. Newt mostrou um apartamento em Londres para Queenie, convenceu Jacob de que ele não seria queimado vivo ao usar pó de flu e o levou até o gringotes para trocar os dólares por galeões, as passagens de navio foram compradas. Em duas semanas eles se despediram de Nova Iorque.

– É amanhã. – disse Queenie pegando um banco para sentar.

–Amanhã. – repetiu ele. – Espero que aproveitem a viajem e gostem de Londres. 

– Eu não acredito que Jacob me convenceu mesmo a ir de navio! O mar enjoa muito?

– Não... – ele faz um gesto de desdém.

– O navio é grande e você nem vai sentir o balanço, a viajem também não é longa, vão estar lá em cinco dias, seis no máximo.

Queenie ri.

– Qual a sua concepção de longa?

– Já passei bem mais de cinco dias num navio. – ele abre um sorriso. – Cada criatura que eu vi valeu a pena.

O silêncio cai sobre eles de novo, entretanto a mente de Newt está muitíssimo agitada. Queenie ouve cada pensamento dele. O que o esperava na França estava incomodando ele. Tina. Não exatamente ela e sim a ideia deles juntos, os próprios sentimentos e se ela sentia algo também.

– Newt, eu estou feliz que vá ver a minha irmã pois sei que você não ficou nem um pouco tranquilo nesses últimos meses. Eu a conheço muito bem e sei o quanto ela é teimosa, Tina pode enfrentar o perigo todos os dias, mas quando se trata de sentimentos ela tem medo. Ela vai se esconder atrás daquela pose durona e vai negar, mas esses sentimentos ainda estão lá, eles existem.

Newt encara as próprias mãos, ouvindo cada palavra. Ele apenas repete a mesma incógnita mentalmente "Por que os seres humanos são tão complicados?"

Queenie suspira, se levanta, fica a frente de Newt e agacha, obrigando o magizoologista a encara-la.

– A maior prova disso é  confiança que ela tem em você. Tina é muito fechada para qualquer pessoa, parte disso é por ela ter tido de amadurecer muito rápido para cuidar de mim e uma outra parcela foi por causa de um cara. Desde da morte de papai e mamãe ela nunca deu a confiança dela para qualquer um, mas teve um namorado de Tina...

– Eno Wood? – o homem do taça de prata e Tina cerrando os dentes aparece na mente de Newt.

Queenie franze as sobrancelhas ao ouvir o nome e depois nega com a cabeça.

– Eno Wood foi namorado de Tina no quinto ano. Não durou muito. – Queenie dá de ombros. – Enfim, não é dele que estou falando, o nome dele era Anthony Hayes, Tina conheceu enquanto ainda estudava para ser auror. A loja que ela estava trabalhando havia fechado porque o dono iria se mudar para a Irlanda e Anthony indicou uma outra que estava contratando, eles começaram a se ver com mais frequência e foi realmente bom para Tina ter alguém, sabe... ela queria se tornar auror, tinha que estudar muito, trabalhar e estava preocupada em cuidar de mim, foi bom ela ter alguém que distraísse ela de todas as obrigações, foi bom até ela ver ele com outra garota. Ela terminou com ele, mesmo após as desculpas. - Queenie balançou a cabeça e seu lábio se torceu um pouco. - O estrago já estava feito, a tal garota era filha do dono da loja e fez com que Tina fosse demitida. Lembro que naquele ano ela quase não conseguiu comprar o meu material, acho que foi por isso que aquilo mexeu tanto com tina, não foi por ele e nem por ela, foi por mim, como se ela dando espaço para outras pessoas se aproximarem ela fosse falhar em cuidar de mim. Velhos hábitos não mudam tão facilmente e Tina ignora esses sentimentos, ela vê como um fraqueza.

– Eu não fazia ideia. – Newt passou a mão pela nuca e depois pelos cabelos.

– Não diga nada disso a ela, ela odeia falar sobre isso. Eu contei para você tentar entender.

– Ela nunca havia me contado nada. – ele não pode culpa-la, ele também não teve os melhores dos relacionamentos e ficava extremamente desconfortável quando o assunto era Leta.

– Tina confia muito em você, mas isso não significa que ela vai abrir e contar todo o passado dela para você. 


Notas Finais


Eu me atolei para fazer trabalho da escola e escrever, mas postei no dia.

Até mozões 💙


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