História Como se livrar de uma Vampira Apaixonada - Capítulo 22


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Categorias Austin Mahone, Camila Cabello, Fifth Harmony, Shawn Mendes
Personagens Ally Brooke, Austin Mahone, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais, Shawn Mendes
Tags Cabello, Camren, Estrabão, Hansen, Jauregui
Visualizações 629
Palavras 3.068
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Luta, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Violência, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Mais um capítulo em que eu tive ajuda de ~itsclamp

Capítulo 22 - Capítulo 22


– Você vai fazer uma ótima exibição, querida – prometeu mamãe, usando um alfinete para prender meu número nas costas do blazer de montaria.

– Vou vomitar – gemi. – Por que me inscrevi nisso?

– Porque os desafios nos fazem crescer – respondeu mamãe.

– Se você diz...

Dentro de alguns minutos seria a minha vez. Eu montaria Bela na arena do Clube da Juventude e nós saltaríamos uma série de obstáculos.

A coisa toda duraria uns três minutos, no máximo.

Então por que eu estava tão nervosa?

Porque você pode cair. Bela pode refugar. Você não é uma atleta, é só uma matematleta.

– Eu deveria ter trazido um bezerro, como no verão passado – resmunguei.

– Tudo o que a gente precisa fazer é entrar na arena e esperar para ver se ganha um prêmio.

– Camila, você é uma ótima amazona – insistiu mamãe, me girando pelos ombros para olhar nos meus olhos. – E até parece que nunca competiu.

– Mas aquilo era matemática – protestei. – E eu sou boa em matemática.

– Você é boa saltadora também. –Pensei em Alexa e Lauren.

– Mas não sou a melhor.

– Então hoje é uma excelente oportunidade para testar seus limites. Arriscar-se a um segundo ou até mesmo a um terceiro lugar.

Olhei para o outro lado do campo, onde Lauren estava a meio galope com sua égua, que ela havia batizado de Fera. Rá-rá-rá.

– Correr riscos nem sempre é uma coisa boa – retruquei, olhando Lauren lutar para controlar o animal ainda meio selvagem. Lauren era a única que conseguia encostar em Fera.

Ela insistia em dizer que ela era incompreendida, mas eu achava a égua simplesmente maligna.

– Aquilo é um pouco arriscado demais – admitiu mamãe, acompanhando meu olhar. Em seguida suspirou. – Espero que ela fique bem.

Pelo modo como ela disse, tive a estranha sensação de que mamãe não falava somente da competição de saltos.

– Ela também precisa colocar o número – acrescentou mamãe. E acenou para Lauren.

Ela ergueu a mão, cumprimentando-a, e veio trotando, saltando da sela e enrolando as rédeas numa estaca da cerca. Fera jamais seria o tipo de animal capaz de esperar sem estar amarrada.

Lauren fez uma pequena reverência.

– Dra. Cabello. Camila.

– Oi, Lauren – respondi, pouco à vontade.

Ela se virou e minha mãe prendeu o número. Para minha surpresa, em seguida mamãe girou Lauren, como tinha feito comigo, e a abraçou. A surpresa se transformou em choque quando Lauren a abraçou de volta. Quando foi que essas duas se aproximaram? Em algum momento depois do Halloween, talvez. Lauren e eu estávamos nos evitando desde aquele encontro estranho no terraço.

– Boa sorte – disse mamãe, espanando uma sujeira imaginária no blazer impecável dela, de caimento perfeito. – E use o capacete – acrescentou. – É obrigatório.

– É, é, a segurança em primeiro lugar – disse Lauren, sarcástica. – Vou procurá-lo. – Ela virou para mim com o olhar neutro. – Boa sorte.

– Pra você também.

Lauren desamarrou a égua e a conduziu para longe. Mamãe a observou com o rosto tenso.

– Ela vai ficar bem – garanti.

– Assim espero.

– Eu sou a segunda, certo? – perguntei.

– É. Depois da Alexa.

Maravilha. A pior apresentação que poderia vir antes de mim. Alexa não competia apenas na exposição anual do Clube da Juventude. Montava nas exposições mais importantes em seu capão caríssimo. Meu estômago ficou embrulhado de novo.

– Você vai se sair muito bem – afirmou mamãe. E me abraçou.

O alto-falante começou a berrar. Estava na hora.

– Vamos lá.

Obviamente Alexa completou o circuito sem falhas com seu puro-sangue Dança Lunar.

Dominou o percurso com as pernas ágeis, de ossos finos, do animal, superando cada obstáculo, até mesmo o quinto, uma torre que, de onde eu esperava, na lateral, parecia ter uma altura intransponível.

Eu precisava fazer xixi, um xixi de nervosismo, mas não havia tempo. Montei enquanto os cascos de Dança Lunar passavam na parte final do circuito.

– A seguir, Camila Cabello, da Escola Woodrow Wilson, montando Bela, uma appaloosa de 5 anos.

Eles anunciaram meu nome.

Respirei fundo e localizei Shawn, que assistia da arquibancada. Ele sorriu, me encorajando com os polegares para cima. Sorri de volta, quase por obrigação.

Lauren também estava lá, observando, encostada na cerca. Droga. Como se eu precisasse de seus olhos hipercríticos para me julgar.

Olhei por cima do ombro, imaginando o que aconteceria se minha égua e eu simplesmente desistíssemos. Mas era tarde. Não havia como dar para trás.

Respirando fundo outra vez, fui em frente. Os cascos de Bela faziam pouco barulho na terra densa da arena quase silenciosa. Sentindo a força do animal, seus passos familiares sob meu corpo, comecei a me concentrar. O primeiro obstáculo se aproximava. Uma cerca.

Entramos em meio galope, saltamos e ultrapassamos sem erro. Você está só saltando com Bela. Exatamente como faz em casa. Passamos então com facilidade pelas traves baixas e o nervosismo foi sumindo, sendo substituído pela empolgação. Todas aquelas pessoas nos observavam e estávamos conseguindo.

Bela passou pelas duas cercas seguintes, e seus cascos seguer roçaram as traves.

A quinta cerca, a mais alta, se aproximou e meu coração quase pulou pela boca. Mas Bela se ergueu, voou e nós passamos.

Um circuito perfeito. Sem faltas. No final das contas havíamos feito uma passagem impecável. Um sorriso enorme, vitorioso, rasgou meu rosto.

Engole isso, astrozinha romena.

Enquanto ia a meio galope para a saída, acenei para meus pais, que aplaudiam, e para Shawn, que estava com os dois dedos na boca, assobiando. Procurei Lauren e vi que ela batia palmas com energia, as mãos levantadas. Ela moveu os lábios sem emitir som: “Boa apresentação.” O que quer que tivesse se partido entre nós havia acabado de ser um pouco consertado.

Voltei, depois de levar Bela, bem a tempo de ver a exibição de Lauren.

Ela montava com facilidade, majestoso, como se tivesse nascido sobre o lombo de Fera. A égua negra como a noite também parecia estranhamente calma. Cutucando os flancos, Lauren a instigou num meio galope, chegando quase ao galope total. A velocidade era insana para o percurso pequeno, mas Lauren não parecia notar. Havia um pequeno sorriso em seus lábios enquanto se aproximava da primeira cerca. Fera voou, pousando com suavidade, e percebi que aquele era um animal nascido para saltar. A duas pareciam fundidas uma a outra, égua e cavaleira, tomando conta do circuito. Fera chegava ao dobro da altura necessária e de repente os espectadores estavam gritando e aplaudindo.

Era uma coisa imprudente. Imprudente demais. Olhei para meus pais na arquibancada.

Pareciam aterrorizados e logo fiquei também.

Enquanto Lauren voava por cima do quinto obstáculo, alguém apertou meu pulso, fazendo-me pular de susto.

– Olha só para ela – sussurrou Alexa Ferrer para ninguém em particular.

Tive quase certeza de que ela nem notara quem estava segurando, tamanha a intensidade com que olhava Lauren. Alexa bateu com o chicote de montaria no tornozelo, distraidamente, no mesmo ritmo dos cascos. Puxei o braço para longe.

– Desculpa – murmurou ela, sem desviar o olhar de Lauren.

Fera ultrapassou o último obstáculo e o locutor anunciou um novo recorde de tempo na competição.

Lauren e a égua pararam diante do portão e ela apeou, tirando as luvas de montaria com ar tranquilo, como se tivesse acabado de dar um passeio no parque, alheio aos aplausos.

Sempre metida a besta.

– Vou dar os parabéns a ela – disse Alexa.

Captei uma expressão peculiar nos olhos da futura rainha do baile de formatura.

Alexa desapareceu na multidão, em direção à saída, seguindo Lauren atrás da arena. Foi então que pensei no chicote de montaria. Fera não gostaria de ver o chicote. Lauren chegara até a pôr um cartaz de aviso no estábulo – um cartaz que eu via quase todo dia.

– Alexa, espera – gritei, indo atrás dela.

Mas não fui rápida o bastante. Quando a alcancei atrás da estrebaria, Alexa se aproximara da égua e da cavaleira e estava balançando o chicote, chamando a atenção de Lauren. O chicote roçou o flanco do animal e Fera girou furiosa, recuando, quase arrancando as rédeas das mãos de Lauren antes que ela percebesse o que estava acontecendo.

Ouvi Lauren ordenar que Alexa largasse o chicote, mas era tarde demais.

A égua empinou, dando com as patas no ar, perto demais de Alexa. Gritei, vendo o que iria acontecer, e então Lauren empurrou a garota, colocando-se na frente dos cascos e depois caindo debaixo deles.

Houve um estalo horrível quando a força dos cascos de Fera, impelidos por uma tonelada de cartilagens e músculos, colidiu com as pernas e as costelas de Lauren. Tudo acabou em segundos, antes que eu pudesse sequer gritar de novo, e de repente Lauren estava caída, o corpo comprido dobrado, quebrado, sobre a grama. Havia sangue na camisa branca dela, sangue escorrendo da bota de cano alto e manchando a calça cáqui.

– Lauren!

Finalmente encontrei minha voz e gritei, correndo, abaixando-me ao lado dela. Estava tão apavorada que me esqueci do monstro perigoso que se erguia ainda solto perto do meu ombro.

– Pegue-a – pediu Lauren, com os dentes trincados enquanto tentava rolar de lado, indicando a égua que estava parada, arfando, com medo e ainda cautelosa. – Você consegue. Antes que ela...

Alexa começou a chorar aos berros, mas ninguém nos ouvia atrás da estrebaria. Todos estavam lá dentro, assistindo à competição. Fera tinha parado, com a cabeça baixa, fungando como uma sentinela furiosa acima de Lauren. Eu podia sentir seu hálito quente no meu pescoço e então fiquei apavorada por mim também. Nada de movimentos bruscos...

– Ela precisa ser amarrada, Camz– implorou Lauren, contraindo-se com o esforço das palavras.

Assenti em silêncio, pois sabia que ela estava certa. Levantando-me bem devagar, o mais lentamente possível, me virei.

– Calma, garota – sussurrei, estendendo as mãos com as palmas para cima.

A égua se encolheu e eu também. Mantenha a calma, Mila...

Cheguei mais perto. Os olhos de Fera giraram loucamente, mas ela não fugiu. Não deu coices. Parecia entender que alguma coisa tinha dado errado. Estendi as mãos trêmulas para as rédeas soltas que pendiam do freio.

– Calma, garota.

Mantive os olhos fixos nos dela e localizei as rédeas com as pontas dos dedos. A respiração da égua continuava pesada e rápida, mas ela ainda estava parada. Lauren gemeu.

Eu precisava agir depressa. Movendo-me com mais segurança, porém com os dedos trêmulos, enrolei as rédeas numa estaca presa ao chão.

Graças a Deus. Ela estava sob controle.

Corri de volta para Lauren, que apertava as costelas por cima da camisa ensanguentada.

Fiquei de joelhos e segurei sua mão livre.

– Está tudo bem – prometi. Mas não conseguia desviar os olhos de sua perna. Havia uma fratura na metade da canela e a bota de couro estava dobrada. – Chama alguém para ajudar – gritei para Alexa, que parecia paralisada.

– Foi um acidente – ela choramingava sem parar.

– Vai chamar alguém! – gritei com ela de novo. – Agora!

– Não! – rosnou Lauren, mais alto do que eu imaginaria ser possível, dada a posição retorcida de seu corpo. Mas algo em seu tom interrompeu Alexa e ela se virou. – Chame os pais de Camila. Mais ninguém.

Alexa hesitou, em pânico, perplexa, incerta. Olhou para mim.

– Chama os médicos de plantão – implorei a Alexa. O que Lauren estava fazendo? Ela precisava de uma ambulância.

– Só os pais de Camila – disse Lauren, cuja voz se sobrepôs à minha em seu tom mais autoritário. E me segurou pela mão para que eu não pudesse ir.

– Eu... eu... – Alexa começou a dizer alguma coisa.

– Vá! – ordenou Lauren.

Alexa saiu correndo. Rezei para que ela trouxesse os médicos.

– Droga, isso dói – gemeu Lauren, o rosto se retorcendo enquanto uma onda de dor a atravessava. Ela apertou minha mão. – Fique aqui, está bem?

– Não vou a lugar algum – respondi, num esforço para que a voz não falhasse. Estava aterrorizada e lutava para não deixar que Lauren visse meu medo. Um fio de sangue escorria de sua boca e eu contive a ânsia de gritar. Isso devia ser mau sinal. Poderia indicar uma hemorragia interna. Limpei o líquido vermelho com os dedos trêmulos e uma lágrima caiu no rosto dela. Eu nem tinha percebido que estava chorando.

– Por favor, não faça isso – ofegou Lauren, me encarando. – Não desmorone por minha causa. Lembre-se: você é da realeza. – Apertei sua mão com mais força.

– Não estou chorando. Aguenta firme aí.

Ela se remexeu um pouco, encolhendo-se.

– Sabe... isso não pode matar uma...

Meu Deus, ela ainda ia falar naquela palhaçada de vampira? Nunca acreditei nem por um segundo que ela não poderia morrer.

– Fica parada.

– Essa perna... Porcaria.

Seu peito arfava e ela tossiu. Mais sangue. Um monte de sangue. Sangue de mais. Saía de seus pulmões. Provavelmente haviam sido perfurados. As aulas de primeiros socorros na escola tinham sido em número suficiente para que eu soubesse um pouco sobre acidentes.

Limpei seus lábios com a manga da minha blusa, mas isso só espalhou mais sangue em nós.

– Os médicos já estão vindo – prometi.

Mas será que chegarão tarde demais?

Por instinto, alisei o cabelo de Lauren com minha mão livre. Seu rosto relaxou só um pouquinho e a respiração se acalmou de leve. Mantive a mão ali, pousada em sua testa.

– Camz?– estranhei o novo apelido, mas aquilo não importava no momento.

Ela procurou meu rosto com os olhos.

– Não fale.

– Eu... eu acho que você merece... um prêmio.

Mesmo contra a vontade eu ri, um riso áspero, tenso, e me abaixei para beijar sua testa. Aquilo simplesmente aconteceu. Pareceu a coisa certa a fazer.

– Você também. – Seus olhos se fecharam. Senti que sua consciência estava se esvaindo.

– E... Camz?

– Fica quieta.

– Não deixe que façam nada... com minha égua – conseguiu dizer com a respiração difícil. – Ela não quis fazer mal. Foi só o chicote, você sabe...

– Vou tentar, Lauren – prometi. Mas sabia que não adiantaria. Os dias de Fera estavam contados.

– Obrigada,Karla... – Sua voz era quase inaudível.

Vindo da lateral da estrebaria, ouvi o som de pneus de carro na grama. Soltei o ar com alívio. Alexa havia chamado a ambulância.

Mas me enganei. Quando o veículo virou a esquina, identifiquei a velha Kombi com Alejandro Cabello ao volante. Meus pais saltaram, o medo estampado no rosto, e me tiraram do caminho.

– Levem-me para sua casa – implorou Lauren, voltando um pouco a si. – Vocês sabem...

Mamãe girou para me encarar.

– Abra a traseira da Kombi – ordenou.

– Mamãe, ela precisa de uma ambulância.

– Faça o que eu digo, Camila.

Comecei a chorar de novo porque não entendia o que estava acontecendo e não queria contribuir para a morte de Lauren. Mas obedeci. Meus pais colocaram Lauren na Kombi com o máximo de delicadeza possível, mas ela continuou a gemer, mesmo inconsciente. A dor era tão grande que devia ter passado pelo seu cérebro entorpecido. Comecei a ir atrás dela, mas papai me impediu com a mão firme no ombro. Em vez disso mamãe entrou, agachando-se ao lado de Lauren.

– Fique aqui e explique o que aconteceu – disse papai. – Diga a eles que levamos Lauren para o hospital.

Vi a mentira no rosto de papai e meus olhos se arregalaram.

– Vocês vão levá-la para lá?

– Só diga a todo mundo que ela está bem – retrucou papai, sem responder à minha pergunta. – Depois, cuide da égua.

O que eles me pediam era de mais para mim. E se não levassem Lauren para o hospital e ele morresse? Seriam responsáveis! Talvez acusados de negligência ou alguma modalidade de homicídio. Alexa tinha visto que Lauren não estava bem. Sabia que ela precisava de cuidados médicos. E o Clube da Juventude verificaria se ele fora hospitalizado. Afinal de contas, o haras poderia ser processado. Que diabo meus pais estavam fazendo? Eles podiam ir para a cadeia. E por quê? Não fazia sentido manter Lauren fora de um hospital.

Mas não havia tempo para protestar nem para pedir orientação. Lauren precisava ir para algum lugar quente, pelo menos. Algum lugar onde as pessoas soubessem cuidar de ossos quebrados e pulmões sangrando. Desde que não fosse a nossa cozinha, onde papai poderia tentar alguma cura com ervas...

Meu peito arfou de novo. Eu estava apavorada. Se meus pais fossem tentar algum tipo de “cura natural” em Lauren seriam mais sem-noção do que eu pensava.

Tudo isso passou pela minha cabeça enquanto eu seguia a pé atrás da velha Kombi, olhando desamparada o veículo sacolejar pela área gramada e pelo estacionamento de cascalho, o mais rápido que papai conseguia dirigir sem, aparentemente, levantar suspeitas ou sacudir muito Lauren.

Eu ainda estava ali, parada, olhando uma nuvem de poeira que se afastava, quando Alexa reapareceu ao meu lado, mais recomposta. Seus olhos estavam vermelhos, mas os ombros haviam voltado a ficar alinhados. Mesmo assim sua voz ficou um pouquinho embargada quando perguntou:

– Você acha que ela... vai ficar...?

– Ela vai ficar bem – prometi, mentindo com mais facilidade do que achava possível.

Precisava soar convincente. A sobrevivência da minha família, não somente a de Lauren, estava em jogo.

– Acho que os ferimentos não foram tão ruins como pareceram de início.

– Não?

Alexa me lançou um olhar cético. Mas também era um olhar de esperança. Percebi que ela preferia acreditar na mentira. Afinal, não queria ser responsável pelos ferimentos de Lauren, muito menos por sua morte.

– Ela se sentou um pouco – contei, obrigando-me a encarar os olhos azuis de Alexa. – E fez uma piada.

A tensão no rosto de Alexa se aliviou e eu soube que ela havia se obrigado a acreditar no que eu disse. Estava desesperada demais por ser absolvida.

– Deve ter parecido tão ruim porque aconteceu rápido demais.

– É, provavelmente – concordei. – Foi apavorante mesmo.

O olhar de Alexa se desviou na direção do estacionamento, como se ainda esperasse ver a Kombi se afastar. Então notei que ela continuava com o chicote nas mãos, batendo-o distraída na bota. Eu teria jogado aquela coisa no lixo. Como é que ela não havia enxergado a placa no estábulo?

A resposta era tão óbvia que chegava a ser ridícula. Alexa Ferrer não via nada além de sua pequena esfera de interesse. Simples assim.

– Mesmo não estando tão ruim quanto a gente pensava, por que ela não quis que eu chamasse os médicos? – perguntou ela, pensativa.

Eu também não tinha certeza, mas fiquei com a sensação de que teria a ver com as ilusões de Lauren sobre ser uma vampira. Mas essa definitivamente não era uma resposta adequada para Alexa, por isso sugeri:

– Acho que ela é orgulhosa demais. Corajosa demais para ser carregada ao som de sirenes e com pessoas olhando.

Na verdade, conhecendo Lauren, isso também poderia ser verdade.

Alexa sorriu um pouco, ainda olhando a distância. O chicote batia a um ritmo constante em sua bota. Estava calma agora, quase relaxada.

– É – disse ela, mais para si mesma do que para mim. – Lauren Jauregui parece não ter medo de nada. E ela sabe mesmo o que quer, não é?

Você não faz ideia, senti vontade de dizer. Nesse instante, porém, um bando de juízes da competição marchava em direção a nós duas. Eu me virei para encará-los, pronta para contar mais mentiras.


Notas Finais


Daqui a pouco trago os outros 2


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