História Como tudo começou - para Vegeta - Capítulo 97


Escrita por: ~

Postado
Categorias Dragon Ball
Personagens Bulma, Vegeta
Tags Bulma, Dragon Ball, Vegeta
Visualizações 114
Palavras 5.209
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


DBZ não me pertence e seus personagens também não.
O intuito dessa fanfic é totalmente interativo e sem fins lucrativos.
Por isso, não me processem, por favor. Não tenho como pagar uma fiança e da cadeia não dá pra postar.


Nossa.
N.
O.
S.
S.
A.

Boa leitura!

Capítulo 97 - 180 dias


 

 

Dia 1

Bulma decidiu encerrar o dia por ali. Nada de bom poderia sair dele. Estava cansada demais pra ir pro laboratório e era muito tarde pra iniciar qualquer projeto que tirasse seus pensamentos de Vegeta. Decidiu ir pra casa de uma vez. Aproveitou pra jantar com Trunks e contar ao filho, com calma, o que tinha acontecido. Sim, tudo o que tinha acontecido.

Ela achou interessante justificar o porquê de o marido ter ido treinar em lugar tão distante e com pessoa tão “inóspita”. Claro que omitiu a parte do ataque, mas contou à Trunks que a exaustão aliada à frustração, estavam levando Vegeta à loucura e que, por isso, quando surgiu essa oportunidade, ambos acharam por bem agarrá-la.

O garoto ouviu tudo muito atentamente. Quando Bulma terminou de falar, esperando a resposta do filho, o que ele lhe deu foi um suspiro aliviado e a mulher pode perceber que, pra ele, também não estava sendo nada fácil. A verdade é que Trunks vinha sofrendo em silêncio com esses treinos insanos do pai. Muitas noites, quando Vegeta estava no deserto, o menino ficava sentado sozinho, na varanda, controlando o ki do pai de longe, pronto pra intervir. Sabia, mesmo sem ver, quando ele desmaiava de cansaço. Sentia o coraçãozinho se apertar, dividido entre o dever de sayajin, de não interferir no que o pai fazia, ou o sentimento de filho, de ir chamar a mãe pra, juntos, irem resgatá-lo. Esperava. O pai levantava. Ele sempre levantava, era forte demais. Então Trunks sabia que podia ir dormir. Mas isso, muitas vezes só acontecia, quando o dia amanhecia. As únicas noites de sono completa que o menino tinha, era quando sentia o ki do pai vindo em direção à casa. Nem se preocupava em vê-lo. Sabia que a mãe assumiria o papel de cuidá-lo. Aproveitava pra poder descansar. Por isso que, ao ouvir Bulma contar desse treinamento, se tranquilizou. Pelo menos, o pai estaria sob a tutela de alguém.

Ela viu o rosto de filho aliviado, ouvindo aquilo, e se recriminou, mentalmente, por não ter percebido que, pra ele, também estava sendo ruim. Baixou os olhos, triste e envergonhada. Mas Trunks não era assim. Ele era seu pedaço de sol. Nunca cobraria nada dela. Ao ver a mãe reagir dessa forma, fez o que o pai esperaria dele.

- Não se preocupe, mamãe! Eu vou cuidar de você, enquanto meu pai estiver longe! – bradou, com as mãozinhas na cintura. O verdadeiro protetor da princesa, como Vegeta tinha ensinado desde que era um bebê.

Foi demais pra Bulma. Agarrou ele pela gola do uniforme verde de treino e trouxe pra um abraço bem abertado. Seu filhote. Seu e dele. Seu pequeno grande sayajin. O pedaço de Vegeta que nunca sairia de dentro de seu coração.

No quarto, ela pensou que não teria grandes problemas pra conseguir dormir já que, nas últimas semanas, o sayajin era apenas um visitante das madrugadas. Então, tranquila, foi tomar seu banho. Já na hora de se trocar, sentiu o baque. Abriu a porta do armário com as roupas dela. Pegou um pijama, como sempre. Mas não resistiu à tentação de passar a mão pelas camisetas dobradas no sayajin dentro da gaveta do guarda-roupas. Pensou em colocar uma, mas mudou de ideia. Não sabia quanto tempo ele demoraria pra voltar e deixaria esse coringa guardado pra quando a saudade estivesse doída demais. Por hoje, ela conseguiria se controlar, afinal, era como qualquer outra noite, como se ele só estivesse treinando no deserto. Fechou as portas e se deitou.

Na cama, percebeu que não era nem um pouco igual as outras noites. Nas últimas semanas, Vegeta saía pra treinar, mas voltava. Em três ou quatro dias, ele entrava pela varanda. Dessa vez, ele tinha partido sem prazo pra retornar. Apenas com a promessa de que voltaria. Não, definitivamente, não era nada igual. Abraçou o travesseiro dele, olhando pro teto e enrolando a pontinha da fronha. Será que ela o amaria tanto se ele fosse uma pessoa comum? Se fosse um executivo, um cientista ou artista de televisão? Alguém mais acessível ao mundo real? Será que se Vegeta fosse uma pessoa como as outras, ela o amaria tanto? Eram questões que passavam pela sua cabeça, enquanto fitava o teto, enrolando o travesseiro. Provavelmente, sim. Ou não. Não dava pra saber. Suspirou fundo, cansada de pensar besteira e irritada por não saber a resposta e se virou de lado, fazendo uma concha no travesseiro do sayajin. Os olhos não conseguiam ficar fechados. A imagem das camisetas voltou à sua mente. Não quis ceder. E se ele demorasse e todas se acabassem? Porque teria que lava-las, certo? E se o cheiro bom de sayajin saísse delas? Não, melhor não usar. Deixa pra uma emergência.

Essa era uma emergência. Se as camisetas acabassem, ela começava a dormir usando as camisas, os ternos e, foda-se, dormia até usando os uniformes de treino dele. Deu um pulo da cama e pegou a primeira camiseta que viu. Levou ao nariz. Automaticamente, os olhos se fecharam. Inspirou o cheiro que a fazia dormir tão bem e acordar tão feliz. Tirou o pijama dela e colocou a blusa dele. Ele teria gostado do que veria: Bulma, como antigamente, de camiseta e calcinha. Deitou de volta na cama e fez de conta que a roupa era o abraço que gostava de se encaixar pra poder dormir. Não era perfeito, mas era o que tinha. E era bom que se acostumasse, pois era só o que teria por um bom tempo.

---------

No planeta de Bills, a situação de Vegeta não era muito diferente.

Ele tinha chegado horas mais cedo no lugar e Whis tinha lhe mostrado tudo. Basicamente, tinha lhe informado como seria seu treino: na primeira parte do dia, se empenharia um cuidar de tarefas cotidianas do grande castelo de Bills e arredores. Isso incluía, inclusive, uma rotina de organização e limpeza do aposento do deus da destruição que, nesse momento, dormia um de seus famosos e profundos sonos. O resto do tempo, Whis o treinaria em luta.

É claro que Vegeta gritou, berrou, esperneou, praguejou e ameaçou o outro pela proposta. Em nenhuma circunstância se rebaixaria ao papel de “empregadinho” de ninguém. Whis nem respondeu. Virou as costas e largou Vegeta sapatear sozinho. Por fim, mostrou onde se acomodaria. Um grande salão, com uma cama simples. Disse que descansasse, pois no outro dia começariam os trabalhos. Saiu dando aquela risada, que Vegeta achava parecida com a da mãe de Bulma, e deixou o sayajin puto da vida, sozinho.

Quando parou de ameaçar a tudo e a todos em pensamento, respirou fundo e olhou ao seu redor. Inacreditável como sua vida tinha virado de pernas pro ar em apenas algumas horas. O príncipe dos sayajins, que finalmente tinha conseguido seu castelo e sua princesa, de novo parecia estar morando em uma droga de uma masmorra. Nada, naquele lugar, lembrava, remotamente, à sua casa, o seu quarto, a sua vida. Essa sala, tinha uma sacada ampla, como todos os outros cômodos do palácio de Bills, onde era possível, agora, receber toda a escuridão da noite, sob o céu estrelado. Era a única coisa que se parecia com a sua casa. O céu estrelado. Ficou um tempo parado, olhando pro alto. Analisou, ponto a ponto, o que tinha visto até agora. Engoliu o orgulho sayajin. Tentou se convencer de que valeria a pena ter aberto mão de sair de perto de Bulma e Trunks pra se enfiar nesse lugar e passar por um treinamento tão pouco ortodoxo. Balançou a cabeça, na intenção de afastar as dúvidas que tinha.

Tinha que valer a pena. Era a única chance. O único jeito.

Deitou-se na cama simples, tão menor do que a que estava acostumado a se deitar. Sim, tinha ficado no deserto nas últimas semanas mas, seu parâmetro de conforto, era o que Bulma lhe propunha. Bom, teria que recalibrar seus sistemas. Ali, não tinha Bulma. Não tinha o conforto dela. Não tinha seu cheiro, seus olhos, seu sorriso. Isso, ele podia afirmar com certeza. Só tinhas quatro malditas paredes cinzas e um treinamento duro pela frente. Uma vida de sayajin. Deitado, pensou em sua menina. O que será que ela estaria fazendo agora? Será que conseguia dormir? Será que estava pensando nele também? Fechou os olhos por um segundo. Com criatividade, conseguiu enxerga-la, deitada na cama, como se estivesse ao seu lado. Não nesse lugar frio. No quarto deles, dos dois. Os olhos brilhando, o sorriso aberto. Provavelmente, falando alguma das muitas bobagens que ela falava. Sem perceber, Vegeta também sorriu. Era tão linda essa maldita... uma beleza, uma alegria, um carinho viciante. E, pensando nisso, o sorriso se amargou. É, o vício teria que ser perdido por um tempo. Como ele faria isso? Nem ele sabia. Na primeira noite, já tava pensando mais em voltar do que em ficar.

Respirou fundo algumas vezes, soltando o ar com força. Tinha que fazer isso. Por ele, por ela e por Trunks. Tinha que protege-los. Principalmente, dele mesmo.

 

 

Dia 55

Whis vinha com menos frequência visitar Bulma. Ela deduziu que as suas aparições, antes, se deviam, muito, à solidão de estar sozinho no planeta onde Bills dormia profundamente e seu único companheiro de conversa era um peixe lunático, como o próprio havia definido. Mas agora, com a presença de Vegeta, Whis não estava mais sozinho. Então, vinha menos para a Terra. Aparecia com diferença de tempo cada vez maior e ficava menos tempo que antes. Comia, conversava um pouco e logo partia.

Nunca, absolutamente nunca, dava detalhes sobre o treinamento para Bulma. Apenas respondia com palavras curtas ou vagas o que ela perguntava. Geralmente, se reduzia à “está tudo bem” ou “o senhor Vegeta é muito dedicado”. Ela não perguntou se ele já havia alcançado seu objetivo e nem Whis lhe falou. Ficaram, ambos, com essa informação em suspense. Bulma querendo saber mais e Whis querendo falar menos. Com o tempo, se equilibraram nessa nova conjuntura. Ela não forçava e ele não ultrapassava os limites.

Mas a ansiedade de Bulma era imensa e, quando via o clarão cruzando o céu, se animava toda. Whis tinha chegado. Torcia, a cada vez que ele partia, pra que na próxima, trouxesse Vegeta junto. Pelo menos pra um descanso, ou um fim de semana de folga. Nunca trazia. E Bulma nunca propôs. Só que, a cada vez que ele surgia sozinho, em sua frente, mais era difícil esconder a frustração por não ver o marido junto.

E Whis percebeu isso. Pensou que, talvez, fosse melhor deixar de vir à Terra. Mas, apesar de simpatizar com Bulma, não foi altruísta o bastante pra colocar o bem-estar dela acima de sua vontade insana de experimentar as delícias da culinária terráquea. Só que via que ela queria falar sobre Vegeta. Bom, sobre o treinamento, não falaria. Mas não custava nada ouvir um pouco sobre o que lhe afligia.

- É a primeira vez que a senhora e o senhor Vegeta ficam tanto tempo separados? – Whis perguntou, tomando seu chá.

Bulma foi pega de surpresa. Ele nunca tocava nesse tipo de assunto. Talvez, pela novidade, respondeu sem pestanejar.

- Não. Ele passou quase um ano fora, há oito anos. Quando Trunks nasceu. Mas nós não eramos tão próximos. – respondeu firme, esperando que essa oportunidade de falar lhe desse brecha pra descobrir mais sobre o marido.

Whis fitou o horizonte. Pensava em algo que Bulma não conseguia prever o que era.

- Eu não acho uma boa ideia manter uma aproximação entre vocês agora. – respondeu, por fim. – Finalmente, o senhor Vegeta está conseguindo controlar seu ki. Eu acredito que sua presença possa deixa-lo, novamente, instável. – encerrou, com uma frieza, científica.

Bulma entendeu os motivos dele. Então, era por isso que não sabia nada sobre Vegeta e, provavelmente, Whis não dava nenhuma informação dela para o marido. Tinha um porquê. Muito válido, por sinal. Quando ia abrir a boca pra dizer que entendia e até que concordava, a voz doce do amigo a interrompeu.

- Posso levar algum recado pra ele. Mas, não garanto que entregarei. – terminou, tomando seu chá.

Ela pensou naquilo. Um recado. O que poderia dizer à Vegeta que não atrapalhasse seu treinamento? Não queria prejudica-lo, acima de tudo. Por fim, pediu licença por um instante. Foi até o computador do laboratório, pesquisou alguma coisa e voltou com um papel dobrado. Nele, lia-se: “#76”. Whis a olhou, como se perguntasse o que era. Bulma não queria dizer mas ele, no caso, era como os policiais de alfândega dos aeroportos. Por mais que seja sua intimidade, quando eles perguntam o que tem na bolsa, você tem que abrir e mostrar tudo o que tem dentro.

- Uma música. Ele vai gostar. – sempre assim. Eles sempre se entenderam muito bem pelas canções. E, dessa forma, ela acabava saindo da censura de Whis pela tangente. Deu um sorrisinho traquinas. Ele ainda reforçou o aviso de que não sabia se entregaria. Ela se satisfez com a possibilidade. Se despediram. Bulma, mais uma vez, torceu pra que na próxima ele não viesse sozinho.

-------

Sempre que Whis partia em direção à Terra, o coração do sayajin se apertava. No fundo, também tinha a esperança de que, um dia, o maluco diria que ele ia junto. Tava louco de saudade de Bulma. Mas, como ela, não dizia nada. Pelo contrário. Cada dia mais, ficava mais quieto, mais concentrado em seus afazeres e aproveitando com mais intensidade os ensinamentos de Whis.

Só que quando o via voltar, era impossível não se abalar. Era incrível como o cheiro de Bulma vinha junto, no ar. Por alguns segundos, ele sempre achava que ela tinha chegado junto e olhava, com os olhos negros arregalados, pra constatar, triste, que era só a saudade lhe pregando uma peça. Então, baixava os olhos, e ia informar à Whis o resultado do treino diário, já que o outro não tinha supervisionado. A cabeça, fervilhando de perguntas pra fazer. Sobre Bulma, sobre Trunks, sobre tudo. Mas nem ele fazia, nem Whis lhe respondia às questões mentais. Terminava o que quer que ainda tivesse pra fazer e o encontrava de novo, mais tarde, pra jantar, antes de se recolher no quarto frio de paredes cinzentas.

Naquela noite, algo diferente. Os olhos caídos de Whis não o deixavam em paz. Estava pronto pra arrebentar com o respeito com o mestre, quando a voz doce de Whis surgiu pelo ar.

- Qual o significado disso, pra você? – e puxou o pequeno papel dobrado de dentro de um bolso da roupa que usava. Empurrou na direção de Vegeta. O sayajin ao vê-lo, já soube que era de Bulma. O logo da corporação, a sombra da caneta no avesso do papel, denunciando sua letra. O ki oscilou. – Cuidado, senhor Vegeta. Controle-se ou não terá acesso à isso. – então, em um golpe cruel, Whis gerou uma pequena redoma de fogo em volta do papel. A cada movimento de Vegeta tentando pegá-lo, mais perto o fogo chegava do bilhete.

Só aí ele percebeu. Até nisso, Whis o treinaria. Respirou fundo, mas manteve os olhos mortais. Controlou o ki. Como mágica, o fogo foi diminuindo. Whis, rindo, deixou o papel cair sobre a mesa. Os olhos negros de Vegeta o fuzilando, querendo mata-lo pela gracinha de quase ter destruído o recado de sua Bulma. Puxou o pequeno papel dobrado pra si. Quase o levou ao nariz, mas se conteve. Com aquele maluco por perto, era perigoso por fogo em tudo. Abriu. Sorriu sem querer.

- Então, qual o significado disso pra você? – Whis voltou a perguntar, tirando Vegeta daquela contemplação silenciosa. O sayajin voltou a dobrar o papel e apertou na palma da mão.

- Uma música. – respondeu, seco.

Whis riu de novo, com seu jeito debochado.

- Eu sei que é uma música, senhor Vegeta! A senhora Bulma me disse. Caso contrário, não traria esse bilhete pra você! – justificou de forma óbvia. – O que eu quero saber, é o que isso significa. Eu disse que traria um recado. Ela mandou uma música. Por quê? – os olhos caídos conseguiam entrar na mente do sayajin. A voz doce, já não era tão doce. Tinha uma pimenta. Um tom de inquisição.

Vegeta se sentiu incomodado. Por que não perguntou isso à Bulma? Ela conseguiria explicar muito melhor que ele. Olhou pra um lado, olhou pra outro. Pensou em sair dali. Depois, chegou à conclusão de que podia ser outro treinamento. Se resignou.

- Nós conversamos através de música. – respondeu, de forma direta e seca. Não daria maiores explicações. Se ficasse curioso, que perguntasse à Bulma.

Whis se recostou na cadeira, ainda observando Vegeta. A tensão no sayajin era enorme. Os olhos baixos, se desviando dos dele. A mão, apertando aquele pequeno papel. O coração, apesar de controlado, tentando bater mais rápido. Era, sem dúvida, um indíviduo diferente, esse Vegeta.

- Interessante. – respondeu, finalmente. – O senhor pode ir ouvir sua música, senhor Vegeta. Sei que está ansioso por isso. – encerrou, vendo Vegeta se afastar da mesa sem nem falar nada.

E estava mesmo. A melhor maneira que Bulma poderia ter agido. Entrou no quarto e bateu a porta. Sentou naquela cama dura e pegou o MP3. Procurou até chegar à música #76. Colocou os fones. Começou a sorrir. Era como se ela estivesse ali.

Hello again, it's you and me

Olá de novo, somos você e eu

Kind always like it used to be

Como sempre costumava ser

Sippin' wine, killing time

Bebendo vinho, passando o tempo

Trying to solve life's mysteries

Tentando resolver os mistérios da vida


 

How's your life, it's been a while

Como vai a sua vida? Já faz algum tempo!

God it's good to see you smile

Deus, como é bom te ver sorrindo

I see you reaching for your Keys

Eu vejo você pegando as chaves

Looking for a reason not to leave

Procurando uma razão para não ir embora


 

If you don't know if you should stay

Se você não sabe se deve ficar

If you don't say what's on your mind

Se você não diz o que está pensando

Baby just breathe

Baby, apenas respire

There's nowhere else tonight we should be

Não há outro lugar em que deveríamos estar

 

You wanna make a memory

Você quer tornar isso memorável?*

 

Ouviu a música inteira como se fosse Bulma lhe dizendo aquelas palavras. Quando terminou, não teve como impedir as próprias de saírem, baixinho, como um lamento:

- Nossa, que saudade de você, princesa...

Do salão de jantar, Whis acompanhava o ki de Vegeta. Pensou, por um instante, que tinha sido uma péssima ideia dar o papel a ele. A queda do sayajin foi imensa depois que se recolheu. Mas, como mágica, algo aconteceu. De repente, o controle se fez. O propósito relembrado. O esforço, sendo recompensado por um bilhete escrito às pressas. Não, não foi uma má ideia. Pelo contrário. Pelo visto, a presença sutil de Bulma tinha dado à Vegeta novo ânimo. Whis deu um sorriso discreto.

- Muito bem, senhora Bulma. Pelo visto, seu treinamento com o sayajin é complementar ao meu. – deduziu, sorrindo, pra si mesmo.

 

 

 

Dia 110

Era natural à Vegeta já levantar e ir cumprir com as obrigações propostas por Whis. Nem reclamava mais. Xingava em pensamento, mas até disso tinha feito um treinamento. Reclamava sem descontrolar o ki. Na parte da tarde, vinha a parte que realmente gostava: as lutas. Vez ou outra, se livrava das perguntas indiscretas do homem sobre Bulma ou Trunks. Em alguns momentos, aproveitava essas oportunidades pra colher informações sobre como eles estavam.

Descobriu que Bulma estava desenvolvendo um novo projeto militar. Depois dele, ela tinha se especializado nisso. Pelo que ela tinha lhe dito, estava até concorrendo à prêmios internacionais por isso. Whis lhe contou que a mulher tinha dito que agora estava com muito tempo livre, já que não precisava ficar consertando robôs dia e noite. Vegeta ficou levemente chateado. Pelo visto, sua partida estava fazendo bem à Bulma. O outro percebeu isso.

Na verdade, Whis já tinha percebido que esse corte forçado dos dois era mais maléfico do que benéfico. Tratou de consertar rapidinho, pra não tirar a empolgação do sayajin. Disse que Bulma tinha citado esse tempo livre de modo magoado. Deixou no ar a possibilidade de ela ter até reclamado da falta que fazia um certo sayajin que estragava tudo por lá. Então, Vegeta voltou a se animar. Eram as pequenas provas de que Whis precisava. De alguma forma, essas sutilezas mantinham o homem mais incentivado.

Havia tornado um hábito, também, os pequenos bilhetes. Na primeira vez que voltou à Terra depois de trazer a primeira música, avisou à Vegeta que iria, como sempre fazia. Percebeu alguma inquietação no sayajin, que nada falou. Por fim, perguntou se queria que ele levasse algum recado, como resposta ao de Bulma. Sem responder nada, Vegeta apenas rabiscou no verso do bilhete que a mulher tinha lhe mandado. Não agradeceu, não era o tipo de coisa que fazia. Mas ficou mais do que satisfeito de Whis levar a sua resposta pra princesa. E quando viu o homem voltar, já ficou por ali, rodeando, esperando pra ver se tinha algo pra ele. Tinha. Depois da primeira vez, sempre teve. Whis agia com parcimônia. Controlava os impulsos do sayajin, que logo aprendeu. Quanto mais ansioso, mais Whis demorava pra dar o “presente”. O maldito era realmente um bom professor! Mas quando pegava seu bilhetinho com cheiro de terráquea... nossa! Corria pro quarto, sentava na cama e ia ouvir o que ela queria lhe dizer. As vezes, falava de amor. As vezes, de saudade. As vezes, de sacanagem. As vezes, era alguma coisa engraçadinha. Mas era ela. Sempre era Bulma lhe dizendo alguma coisa. Aos poucos, isso foi se tornando a força necessária pra alcançar o objetivo, que estava a cada dia mais próximo.

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Na Terra, Bulma era tão ansiosa quanto Vegeta. Whis, quando chegava, tinha vontade de colocar a mulher na linha, como fazia com o sayajin. Mas, a única vez em que tentou esconder o bilhete dela, Bulma o atacou com tanta fúria, enfiando as pequenas mãos pelos bolsos dele, que o homem pensou que, se treinasse Bulma, talvez ela desse mais trabalho que Bills pra ser domada. Seria uma excelente deusa da destruição!

Então ela corria pro laboratório, colocava a música pra tocar e dançava, girando de braços abertos. Whis reconhecia traços genuínos de felicidade nas atitudes daquela terráquea. Que coisa mais interessante! Um pequeno pedaço de papel, com um número rabiscado. E ambos, de raças diferentes, em planetas diferentes, ficavam tão felizes assim. Devia ser aquilo que os terráqueos chamam amor. É, deduziu que fosse isso. Quando ela terminava de se espalhar pela sala de metal, só aí, olhava pra ele sorrindo intensamente.

Whis percebeu que, depois das trocas de bilhete, os lugares onde Bulma o levava se tornaram ainda mais deliciosos. Bom, seu egoísmo permitiu que fizesse essa ponte mais vezes, só pra poder provar dessas maravilhas ocultas. Ouvia as palavras rápidas e animadas de Bulma, passeavam um pouco, tomavam um último chá na varanda da casa dela, recebia o bilhetinho de volta e partia. No caminho, pensava em qual seria a resposta dela pra ele. As dela, ele sempre ouvia. Senhora Bulma era escandalosa demais pra conseguir ouvir a sua música dentro do quarto, sozinha, como o marido fazia. Já corria pros alto falantes, sem se preocupar se o conteúdo da canção, por vezes, fosse explícito demais, como já tinha acontecido uma vez. Mas as que ela mandava pra ele, Whis nunca tinha ouvido. O sayajin nunca lhe deu abertura pra isso e nem Whis queria. Era seu pupilo e melhor que as coisas se mantivessem com uma distância saudável. Mas que ficava curioso pra saber o que saía daquela mente agitada da Senhora Bulma, ah, isso ele ficava.

 

 

 

Dia 180

Naquela manhã, Whis fez seu desjejum como o habitual. Vegeta o acompanhou, como sempre.

- Senhor Vegeta, estou indo visitar a senhora Bulma hoje. – avisou, terminando de limpar o canto da boca com o guardanapo.

Diferente do costume, Vegeta não se agitou. Em um primeiro momento, Whis achou ótimo, tinha conseguido se controlar. Mas ao encará-lo, viu que não era isso. A expressão do sayajin era desconfortável. Não precisou de muito pra Whis entender o que afligia o homem.

- Posso levar seu bilhete, mas não o senhor. – explicou de modo frio.

Vegeta o encarou. Não estava pedindo isso! Ia abrir a boca pra berrar isso pra ele, mas não o fez. Porque, no fundo, essa era a verdade. Queria demais, ir, pelo menos por um dia, pra casa. Já faziam seis meses que tinha saído de lá e as músicas, só aumentavam a saudade. Por mais que lhe desses novo ânimo, amassavam seu coração. Voltou os olhos pra mesa, em silêncio. Tirou o bilhete do bolso. Já o tinha deixado preparado há três dias, quando deduziu que Whis estava prestes à partir de encontro a sua princesa.

Whis pegou o papel amassado. Viu que Vegeta não fez menção de lhe dizer mais nada. Achou por bem lhe dar mais informações sobre o que acontecia na Terra. Talvez isso o animasse.

- Eu esqueci de lhe contar. A senhora Bulma me disse, na última vez que estive com ela, que a neta do senhor Goku nasceu. – isso chamou a atenção de Vegeta, que olhou pra Whis.

- Do Gohan?! Uma menina?! O Gohan teve uma filha?! – perguntou, com os braços encostados na mesa, olhando pra Whis com os olhos queimando.

O ser azulado não entendeu o motivo do descontrole. Analisou todas as variáveis e ainda assim, não conseguiu achar um porquê.

- Sim. – respondeu, desconfiado. – Isso lhe incomoda? – perguntou, tentando descobrir o porquê daqueles olhos tão bravos.

Muito. Nos únicos dois segundos em que pensou em ter mais um filho com Bulma, em um deles, pensou em mais um guerreiro sayajin. Outro Trunks pra treinar. Mais um da linhagem dos Vegetas. Mas no outro... se derreteu com a possibilidade de ter mais uma Bulma em sua vida. Uma princesinha. Uma menininha, uma florzinha, um solzinho. Não teve nem um, nem outro. Foi embora, pra treinar.

- Não. – respondeu seco. Se levantou. – Vou cuidar das minhas coisas. – e se afastou da mesa, querendo se afastar do ódio que sentia de si mesmo.

Whis também resolveu partir. Tentaria colher informações da parte mais maleável do casal.

-------

Quando chegou na Terra, encontrou Bulma como sempre. Agitada, empolgada, ansiosa. Nem pensou em não dar o papel. Ela o pegou e correu pra ouvir a música. O ritual de todas as vezes. Só depois, veio falar com o amigo.

- Whis, eu fiz uma coisa que eu acho que você não vai gostar. – disse, com um sorrisinho constrangido.

A expressão do homem não mudou. Era a mesma de sempre, olhos caídos, rosto inexpressivo. Mas ficou curioso.

- O que houve, senhora Bulma? – perguntou, com uma leve preocupação.

Ela aumentou a risadinha nervosa.

- Eu deixei escapar que Vegeta estava treinando com você. Agora, Goku também quer passar pelo seu treinamento. – se remexia sem parar. Então, ficou nervosa com ela mesma, com Whis, com Goku, com todo mundo. – Mas também! Ninguém me disse que era segredo! – ralhou, sem motivo.

Whis continuou sem expressão.

- Tudo bem. – respondeu, com a voz adocicada.

Bulma se surpreendeu.

- Tudo bem, o quê? Ele pode ir? O maluco tá me infernizando! Eu posso ligar pra ele vir até aqui e você dois conversam? – pediu, confusa. Whis confirmou com a cabeça. Enquanto ela avisava Goku, algo lhe passou pela mente.

- Senhora Bulma, nós ainda iremos sair pra comer, certo? – afinal, esse era o principal motivo de sua ida a Terra. Foi a vez da mulher confirmar, sorrindo.

Mas em questão de minutos Goku apareceu lá.

- Whis! – saudou, animado, como sempre.

- Senhor Goku! Há quanto tempo não o vejo! – Whis respondeu, com a voz calma.

Sim, sim. Mas Goku num tava nem aí pra essas amenidades.

- É verdade que o Vegeta está treinando com você, senhor Whis? – Goku, perguntou, curioso.

Bulma suspirou. Era dessa animação que ela tinha medo, ao avisar sobre o errinho.

- Sim. Afinal, Vegeta me apresentou uma comida realmente maravilhosa. – a explicação era óbvia.

- Poderia me levar pra treinar também? Eu quero ser forte como o Lorde Bills. Eu imploro Senhor Whis! – e postou as mãos.

- Sem problema! – respondeu, animando o sayajin. – Creio que será em bom tempo. – tinha um plano em mente. Usaria Goku pra intensificar os treinos de Vegeta.

- É verdade? Verdade, mesmo? – perguntou o feliz Goku. Whis concordou. – Então, vamos logo! – e foi saindo.

Alto lá, cidadão!

Whis o deteve. Ainda não. Tinha ido à Terra pra experimentar uma gostosura de lá e era isso que faria. Goku que esperasse. Foi a pior refeição dele, desde que começou a se encontrar com Bulma. O maluco do sayajin não lhe deu um segundo de paz. Por fim, o ameaçou de não leva-lo. E pra piorar ainda mais, Chichi descobriu os planos de fuga do marido. Começou com o escândalo de sempre. Bom, não era exatamente com esse tipo de relação conjugal que Whis estava acostumado. Via sempre as sutilezas de Bulma e Vegeta e, aos poucos, passou a apreciar esse comportamento discreto e delicado dos dois. Ver aquela outra terráquea ali, gritando com Goku, lhe deu nos nervos. E também, ativou sua compaixão. Tirar aquele coitado da Terra seria um ato de misericórdia.

Mas Chichi não o largava. E bom, ele não ia interferir nisso. Avisou Bulma, estava saindo. Ela, dessa vez, nem conseguiu mandar seu recado, tamanha era a confusão em volta de si. Viu Whis se posicionar pra ir embora. Droga de família escandalosa dos infernos! Bulma já queria matar todos eles: Goku, Chichi, Gohan e Goten! A cafonada toda do ninho do Kakaroto, como dizia Vegeta. Quando viu Goku voar por cima de todos, entrando no rastro de luz e grudando na roupa de Whis.

E não é que ele foi junto? Por fim, ela riu. Depois, pensou na raiva que Vegeta ia passar quando visse Goku chegando lá. Balançou a cabeça, dando risada. Ainda bem que Whis estava junto, pra separar. Por fim, suspirou. Ele podia voltar logo... E, dessa vez, podia trazer algo além de um bilhetinho.

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Vegeta, como sempre, ao ver Whis chegar, já foi ficar por perto. Queria ver, ou melhor, ouvir, o que Bulma tinha lhe mandado.

- Bem vindo de volta, Lorde Whis! – recebeu, controlando ao máximo a ansiedade. Enfim... não dá pra esconder alguém do tamanho de Goku por muito tempo. Ele logo entrou no seu campo de visão. – Kakaroto! – reconheceu, incrédulo.

Vá pra puta que pariu!

Ele sai do planeta, vai pra Terra pra encontrar com a Bulma, fica o dia inteiro com ela e decide levar alguém junto, na hora de voltar. Por que não leva a princesa?

Não! Levou o imbecil.

E Vegeta não pode nem gritar que nem um demente! Tem que manter o controle do ki! É pra cair o cu da bunda, mesmo! Só deu uma olhadinha de lado pro “amigo”.

O peixe que fala, ainda tinha dito que ia chegar alguém junto com Whis. Ele, coitado, aguado que fosse a Bulma. Não era.

Bom, pelo menos, teria alguém pra dividir as tarefas.


Notas Finais


Música do capítulo:
* (You Want To) Make a Memory - Bon Jovi

Só porrada, manos.


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