História Como Um Paraíso Escuro - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Jared Leto
Personagens Jared Leto, Personagens Originais
Tags 30 Seconds To Mars, 30stm, Aluna, Amor Proibido, Bailarina, Ballet, Jared Leto, Original, Personagem Original, Pianista, Proibido, Romance, Sadomasoquismo, Sexo
Visualizações 31
Palavras 4.588
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Festa, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Self Inserction, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


A autora some e aparece uma semana depois do combinado e ainda a essa hora... Tsc.

Pois bem, não estou demorando por querer, acreditem, estava tentando finalizar esse capítulo a mais de oito dias, mas o tempo estava apenas apertando para o meu lado. Últimas provas do semestre da faculdade, relatórios, audiência, palestras, trabalhos... Além do fato de que estarei mudando de cidade e estou organizando tudo.

Mas eis que cá estou, pronta para mais um capítulo. Avisando também que terei que atualizar as outras histórias, então talvez eu demore um tiquinho, mas apareço.

Caso estejam afim, conversem comigo pro qualquer meio, ficarei muito feliz.

Agradeço desde ja os favoritos e comentários. Eu fico pulando e alegria, pode ter certeza que cada letra que leio eu fico imensamente feliz. Então obrigada a todos em geral, porque vocês são especiais por estarem aqui.

Agora, cala a boca autora.

Boa leitura. 📖❤

Capítulo 4 - Incline-se para um grande beijo


Fanfic / Fanfiction Como Um Paraíso Escuro - Capítulo 4 - Incline-se para um grande beijo


Capítulo III

Anteriormente...

– Gosto de olhar as estrelas... – Falou de olhos semiabertos encarando o céu. – Sabe, as vezes... – Ella se apoiou e levantou ficando apenas encostada. – O céu me lembra seus olhos. Claros como o dia, e ao mesmo tempo negros como noites nubladas, impedindo qualquer um de enxergar através deles.

– Você nunca vai ficar normal se não parar de fumar. – Desconversei.

– Odeio ficar, como você diz, normal. – Ela deu uma longa puxada e despois de alguns segundos soltou a fumaça. – Você me quer?

Eu não esperava por essa. Na verdade, eu não esperava por nada que esta noite estava trazendo. Mudei minha postura e fiquei mais sério que o normal.

– Você não está falando coisa com coisa. – Aproximei-me dela e me estiquei para pegar o fumo, até que ela em uma brincadeira estúpida começou a afasta-lo de mim. – Deixa de agir como uma criança e me de isso. – Ela continuou. – Eu disse para me dar.

Acabei me jogando contra o seu corpo e o imprensando contra a proteção e segurei seu braço. Pela altura estávamos distantes, mas assim que abaixei minha cabeça ela estava olhando para cima e ficamos a centímetros apenas. Podia sentir seu cheiro da planta, junto com um cheiro gostoso do cabelo lavado e molhado.

– Você não respondeu minha pergunta... – Ela sussurrou, soprando seu hálito contra a minha boca e queixo. – Senhor Leto.


___


Eu poderia citar todo esse momento como a minha chegada marcada ao inferno. Lillity estava a minha frente tentando-me ao melhor dos piores pecados.

Em determinado tempo eu me perdia pensando em qual personalidade Ella poderia ser definida, ou se alguma dessas mesmas condutas até agora realmente era verdadeira.

Ela conseguiu descer dos céus em forma de anjo e afundar diretamente para o fogo e a chama inflamável do submundo e transfazer-se em uma demônia acirrante. Quem sabe ela tenha sido sempre um anjo caído, expulsa do paraíso por alguma profanação.

Seria uma boa explicação para o que eu estava vendo bem a minha frente.

A menina tímida e apesar de sociável, sempre muito reservada ao pouco, na verdade não era uma forma de defesa ou quem sabe o seu jeito de ser, era tudo na verdade uma grande e bela armadura, que a protegia de ser descobertas nas suas maiores desqualificações escondidas.

Não a culpo por consumir drogas ou qualquer outra coisa. Fui jovem e em alguns momentos passados eu também experimentei e passei por um processo de reconhecimento, mas parei por vontade própria e pelo sonho de ser o que sou hoje.

Ella esta tão vulnerável e tão... Irresistível. Me sinto errado em sentir-me tentado agarra-la, fode-la e marcar sua pele em lugares que jamais alguém veria.

Ah, Deus... Por que eu ainda estava parado a sua frente?

Não consigo mais descrever o que a sensação de que é esta centímetros de completar minha vontade mais particular, apenas um movimento e eu estaria agarrado a sua boca enquanto por uma peça de roupa eu a comeria ali.

– Eu excito você? – Senti sua perna se mover para cima, para perto da minha virilha. – Você parece grande, senhor Leto.

Minha respiração sumiu quando seu joelho sutil encostou exatamente no volume já marcado no meio de minhas pernas.

Ella riu e ficou um pouco mais acima quando provavelmente elevou-se nas pontas dos pés e mordeu meu queixo, por baixo da barba bem feita, encarando-me, sem hesitar, diretamente e profundamente nos olhos. E eu, apenas continuei ali, parado, sem entender nem o que estava se passando na confusão da minha mente.

Fui liberando seu braço sem perceber, mas permaneci estático. E foi quando meu pau gritou ao ver suas mãos descendo o sobretudo e terminando de descobri-la.

Céus, eu juro que tentei, como eu tentei não descer meus olhos pelo seu corpo, mas falhei covardemente.

Era difícil não passar pela grande curiosidade de poder admira-la nem que por apenas uma fração de tempo, o que tanto quis e lutei internamente contra estava enlouquecendo minhas ações e percepções. Centímetros ou ate mesmo milímetros me afastavam da consumação do pecado.

Desesperado pelo o que minha mente suja e impura estava me mandando fazer com ela, me afastei de costas dando longos passos até me virar de frente a porta de vidro, levando minhas mãos a cabeça e parando por meus cabelos, fechando os olhos e buscando calmaria.

– Achei que você pudesse me ensinar algo... – Falou insinuante. Maldita. – Mas acho que você não é o suficiente pra isso...

Meu sangue subiu imediatamente e sem me importar me virei e andei todos os passos novamente e segurei seu rosto em uma das minhas mãos, apertando seu maxilar.

– Você não sabe o que está querendo e nem ao menos acho que seja mulher para isso. – Falei baixo mas autoritário. Não havia mais sanidade em mim. – Eu poderia te quebrar ao meio e você ainda assim pediria por mais. Acha mesmo que uma garotinha como você seria capaz de sobreviver a uma noite em minha cama? Acha que faz certo em me subestimar?

Desci minha mão livre pela lateral de seus cabelos de forma suave, passando por seus por seus ombros quase chegando a encostar em seus seios médios, escorregando até o meio de sua perna e voltei subindo até o mais próximo da parte interna da coxa, parando ali mesmo.

Ela era tão fácil de se amansar. Era tão simples faze-la suspirar sem nem efetivamente fazer nada. Seu tórax subia e descia rapidamente, e podia sentir sua respiração ser baixa e graça. As pupilas antes dilatadas pelo pó da cocaína, agora dilatavam-se por uma luxúria estampada como uma tatuagem grande e colorida no meio da sua face. Ah, você está tão entregue pequena.

Sorri de canto.

– Vista-se – Olhei-a profundamente e cheguei meu rosto próximo ao dela, quase encostando nossos narizes. – Senhorita Valentini.

Soltei sua mandíbula e me virei de costas para a criatura assustada ali.

– Verei a situação de suas roupas.

Antes de sair encarei seu reflexo pelo vidro que separava a sacada da sala e analisei cada detalhe de seu corpo.

Ella era realmente uma garota convidativa. Cada pequeno traço e pedaço de sua silhueta era marcada e simétrica.

Diaba.

– Vai... Se foder! – A ouvi gritar quando já estava no meio da sala.

Esperei por aparentemente uns cinco minutos encostando na parede próximo a secadora. Estava processando tudo que tinha acanhado de acontece ou quase acontecer, não sei. Por um pequeno, mas muito pequeno mesmo, tris eu não estiquei mais ainda minha mão e a toquei.

O que me chamou atenção foi uma cicatriz eu ela tinha quase invisível abaixo da barriga. Mas não podia pergunta-la.

Assim que a máquina parou, peguei todas as roupas e sai em direção a sala. Ela já não estava por ali nem por lugar nenhum naquele cômodo.

– Ótimo.

Quando ia em direção ao corredor ela voltou com a mochila em mãos e em momento algum me olhou.

– Eu chamei um táxi. – Ela esticou as mãos esperando que eu entregasse a roupa.

– Mas eu disse que a levaria. – Continuei segurando as peças.

– Não importa. – Ela esticou mais ainda as mãos e as puxou de mim.

Antes que eu voltasse a falar novamente, Ella começou a colocar o short, virou de costas e abaixou o sobretudo colocando a blusa e depois recolocando o sobretudo. Virou-se pra mim e colocou os sapatos.

– Vamos evitar que toda essa situação se torne se mais estranha. – A garota passou como um raio por mim e andou em direção a porta, parando antes de abri-la. – Eu sinto muito por hoje e por tudo que aconteceu. Eu peço desculpas, senhor Leto. Prometo que não torno a repetir nenhuma desses meus atrevimentos.

Ella abriu a porta e por último, antes de sumir por ela, disse:

– Obrigada por me receber aqui e me ajudar.

Fiquei tentado a ir atrás dela e dizer que ficasse mais um pouco ou apenas puxa para dentro e despi-la novamente, mas quem seria eu se o fizesse depois de toda aquela circunstância delicada que nos estávamos.

Eu precisava dormir e tentar relaxar meus pensamentos. Acalmar todo o meu corpo e acorda com um novo dia, esquecer ou fingir que não aconteceu nada disso.

Foi o que tentei fazer e minha imaginação desleal não permitiu. Quando não tinha sonhos com a pequena dose de problema que Ella era, eu apenas inconsciente recordava do momento em que estavam os na sacada.

Acordei com uma dor de cabeça enorme e com um mau-humor que eu jamais desejaria alguém me aturando nesses momentos.

Hoje era o último dia do final de semana, ou seja, domingo, e eu tinha muitos planos para o dia de hoje. Eu precisava levar o carro para lavar, a empresa de limpeza viria para limpar o apartamento, compras para a casa deveriam ser feitas para repor mantimentos, eu iria malhar e depois sair pra jantar em qualquer restaurante de bom gosto. Claro, apesar de não ser uma programação, hoje seria o dia que eu iria atrás de diversão momentânea.

Charlotte já não era alcançável e nem ao menos me fazia diferença tê-la comigo ou não, mas era uma boa foda.

Mais do que de forma comum eu comecei o meu dia e segui conforme deveria. E quando chegou a noite, acabei preferindo ficar em casa e pedir uma comida italiana que eu acompanharia com um bom vinho composto por Pinot Noir, uma uva ótima tinta que dava mais sabor à minha adega.

Eu adorava uma massa ao molho bolonhesa, com especiarias que apenas o meu restaurante favorito tinha o fim de preparar.

Dormi relativamente cedo, antes chegando a passar algumas notas no piano e assistir um documentário sobre os vinhos que estava passando em um dos canais pagos.

Não foi o dia mais produtivo da minha vida, mas foi interessante e relaxante.

No dia seguinte, após abrir a imensa cortina de seda carmesim que ia de cima a baixo, dando-me visão da janela retangular que também ia de uma ponta a outra, admirei o belo tempo que estava fazendo la fora. Era uma magnífica paisagem que eu poderia dizer, de ego cheio, ser uma das cinco mais belas dessa cidade.

Porém, como hoje era segunda-feira, era dia da rotina voltar ao normal. Era dia de eu me assegurar de que jamais, em hipótese nenhuma, eu deveria deixar outra mulher entrar aqui. Ou melhor dizendo, aquela garota diabólica.

Quem diria, Ella Valentini, uma das garotas mais quietas e até, aparentemente, um pouco introvertida, ser tão para a frente como outras.

Eu gostaria de ter a apreciado mais, de ter a tocado mais... Mas isso é impossível.

Se até mesmo por um pequeno lapso de sanidade eu não a agarrei ali, imagino perfeitamente se tivesse o feito. Seria como um belo e bem dirigido filme pornô.

Em quantas posições eu poderia coloca-la? Em quantas partes do cômodo e em quantos móveis poderíamos ter usado?

Virgem, acredito que não seja. Pelo menos não mais. Até ontem isso até cogitaria na minha cabeça sem hipótese de mudar, mas depois, a única certeza que eu posso ter sobre essa menina é a de que ela nunca foi o que aparenta.

Já estava bem tarde e eu não podia mais apenas ficar gastando meus preciosos segundos atolado em pensamentos ligados a ela. Fui para o meu banho de rotina às seis e vinte para logo em seguida me trocar.

Como hoje eu apenas deveria chegar às dez, optei por um social despojado, com um jeans negro e bem alinhado, uma camiseta social azul claro bem dobrada nos punhos e com barras colocadas por dentro da calça, um blazer de cor roxa chegando próxima a um azul royal. Nem sempre eu usava apenas trajes cem por cento social, somente quanto haviam compromissos depois dos ensaios. Além de tocar para o grupo de meninas eu também leciono música.

Acho que poderia dizer que minha grande paixão sempre foi a grande e bela melodia que os instrumentos fazem, e o canto. Porém, este último eu já não me disponho a fazer, apenas para mim mesmo. É como um momento único somente meu. Apesar de Shannon, intrometido, ter ouvido uma vez e me pertubado para que eu começasse a seguir por uma carreira artística cantando também.

Impossível.

É quase um pânico, a possibilidade de alguém me ver cantando ou cantar para qualquer pessoa que seja.

Enfim, finalmente era hora de ir até o The Wolseley, um dos meus pontos favoritos aqui. Eu diria ser um pouco de mais vir todos os dias desde que cheguei a Londres nesse lugar, mas ele é maravilhosamente um espetáculo de caffe. Meus favoritos são: o café bem forte e o iogurte grego de textura magnífica, além do sabor, claro. As vezes aproveitava umas mini tortas diversificadas.

A estrutura é como em maioria meio gótica moderna. Três portas em arco de entrada, por dentro o luxo é visível e de muito bom gosto. Cadeiras extremamente confortáveis em mesas redondas ou retangulares, lustres em cristal e prataria ótima. Porcelana da melhor qualidade e atendimento impecável. Principalmente da garçonete que já esteve em uma das camas de um pequeno mas confortável e luxuoso quarto que eu alugo em um lado contrário ao meu apartamento.

– Bom dia, senhor Leto. – A morena Latina chegou mais perto de mim com um tablet em mãos. Modernidade. – O que gostaria de comer?

Não, isso não saiu nem um pouco sutil. Era exatamente o contexto que ela queria dar. Jade gostaria de ser servida à mesa.

– Me veja o de sempre – Folheei o menu e mantive meus olhos concentrados nas letras. – mas hoje retire os bolinhos e acrescente torradas integrais com buffala.

Eu não a olhava mas tinha certeza que ela está impaciente e louca para que eu a convidasse para sair.

– Mais alguma coisa? – Ela se aproximou mais um pouco, porém, sem demonstrar intimidade e sussurrou para que ninguém conseguisse ouvir. – Sou uma ótima sobremesa.

Eu apenas sorri impassível. Assim que fechei o menu e o estiquei na sua direção, sua expressão endureceu.

– Obrigada. Apenas o que eu pedi e seja rápida, por favor.

– S-Sim... – Ela retomou a compostura e pegou o menu. – Trarei em cinco minutos.

Não demorou muito e aqui estavam, em frente a mim, na mesa de vidro fino, um belo café da manhã. Desfrutei de toda as minha refeição e fui novamente embora. Claro, não antes de receber quase que uma súplica da garçonete para que a ligasse.

E finalmente agora eu estava indo para a instituição. Uma mistura de ansiedade e receio me corroía, já que de repente a garota podia dar com a língua nos dentes e falar sobre o ocorrido do final de semana.

Droga! Eu deveria me escuta mais.

Por sorte ou azar do destino, quando eu cheguei, Ella também estava chegando. Não pude ver quem a deixou exatamente, mas pelo vidro abaixar pude ver o jeito que ela se retraia ao escutar a pessoa aparentemente dar uma bronca nela, provavelmente seu irmão mais velho, há que os pais dificilmente estavam em casa.

Ella desceu cabisbaixa e abraçada ao próprio corpo e andou em passos rápidos até o prédio. Seria mais estranho se eu dissesse que pela temperatura quente que estava, pelo menos para o tipo de roupa que ela usava, uma blusa de mangas compridas e calça não estavam bem dentro do normal.

Estacionei o carro próximo a entrada em a das vagas restritas e peguei minha maleta de couro no banco de trás, aonde eu levava meu IPad e o Macbook.

Assim que travei o carro e comecei a caminhar me deparei com uma silhueta agachada em minha frente. Chloe.

– Senhorita Foster, bom dia. – Desviei do seu corpo e continuei em frente, sem nem ao menos olha-la novamente.

– Senhor Leto! – Pude ouvir ela correr em minha direção e se colocar ao meu lado, caminhando. – Bom dia... Hã... Você sumiu na festa...

Levantei uma sobrancelha e a olhei de canto apenas, esperando que prosseguisse.

– É que ontem ficamos atrás da Ella, que havia sumido e nem o irmão dela sabia aonde ela estava... Procurei o senhor e também não lhe achei. – Ela parou por uns segundos e pelo mesmo tempo eu congelei por dentro. – Achávamos que poderia ter a visto durante o percurso para fora do bairro.

Respirei fundo e começamos a passar por portas e corredores enquanto eu buscava amenizar meu desespero. Até que chegamos à sala de ensaios e eu voltei a falar.

– Apenas achei que minha hora já estava chegando e fui embora. Quando à senhorita Valentine, não a vi em momento algum.

Chloe estava parada perto à entrada e me olhava estranho.

– Claro... – Foi a última palavra antes dela entrar na sala e se juntar ao restante das garotas.

Ella não estava na sala, até porque acredito que tenha ido a trocar antes. Charlotte ainda veio falar comigo e buscar informações sobre o meu final de semana além de dizer que estava me precipitando em terminar.

Quase dez minutos e a aula estava começando, mas nada de Ella chegar. Aonde essa garota estava se metendo?

As garotas estavam de lado nas barras em frente ao espelho, umas atrás das outras enquanto Esme ditava o Pilé.

Frappé. – Charlotte ordenou e todas seguiram. – Rond de Jambe. Fondu. Grand Battement...

E a aula continuou até que a menina dona dos meus maiores problemas entrou pela porta com uma vestimenta negra de ensaios. Meias, saia, boddy e um casaco colado usado em conjunto com a roupa, cobrindo bem as costas e braços, não passando da altura do busto.

– Perdão, senhorita Charlotte... – Seus olhos encontraram os meus e então ela abaixou novamente o olhar, virando um pouco a cabeça para o lado contrário. – Eu não estive me sentindo bem estes dias e estou um pouco ruim...

– Ella, você esta tomando um caminho muito difícil de se manter aqui. Sabe que suas notas sempre foram uma das melhores e sua dedicação também, mas a um tempo tem sido totalmente diferente e isso precisa parar de acontecer. – Charlotte parou em frente a menina e arrumou o coque dela. – Gosto muito de você, mas não posso deixar de abrir seus olhos para uma possível remoção da academia.

– Não, por favor, eu juro que estou tentando fazer o meu melhor mas... – De repente ela estava chorando e escondendo o rosto com as mãos. – Eu juro que estou tentando... Mas estou tão... Eu... Desculpe...

Ella saiu pela porta, deixando todos sem entender absolutamente nada.

– Mas o que será que está acontecendo com ela? – Esme perguntou caminhando em minha direção. – Uma garota tão bonita e tão dedicada, de repente assim... Acho que vou falar com ela.

– Não acho que deva ir agora. – Aconselhei. – Ella pode esta precisando se acalmar primeiro... Depois você conversa com ela.

– Acha mesmo?

– Bom, é o que eu faria.

– É... – Charlotte me olhou por um momento e sorriu, virou para as garotas e voltou. – Ao centro.

O restante da aula voltou ao normal e todos voltaram a se distrair. No intervalo de descanso resolvi ir até Jardim do terreno e fumar. Não era o costume mais saudável, mas era um modo de me manter menos ansioso. Quando estava tragando pela quinta vez, olhei para cima e observei o tempo e quando meu olhar desceu até uma janela do prédio. Vi a garota problema sentada de costas em uma das laterais, com uma perna para fora e olhando pra cima. Balançava a perna suspensa e parecia molhar o rosto com lágrima.

Essa louca vai cair.

Foi o pensamento mais besta que eu arranjei como pretexto para me obrigar a subir e foi o que eu fiz. Por que eu tinha que inventar um desculpa tão ridícula e cair nela?

Assim que cheguei ela estava sentada agora encostada em uma parede. Aquela era uma sala pequena e vazia, ainda não tinham arrumado uma ocupação para ela. Parei na porta e cruzei os braços.

– Se pretende suicídio, acho que podemos ir até um psicólogo.

Falei e a menina que estava encostada na parede, com as pernas dobradas e cabeça escondida entre o joelho, levantou-a e me encarou.

– Por favor, apenas saía... Não estou com cabeça para nada...

– Não está um pouco quente para usar essas roupas? – Me referi à calça e a blusa que ela já havia trocado. – Não parece doente.

– Engraçado, você não parecia tão falante e tão intrometido. – Ela sorriu sem humor.

– Eu posso ouvir o que você tem a falar.

– Posso poupar seu tempo e dizer que não tenho nada para lhe contar. Até porque não tenho intimidade nenhuma com você.

– Já lhe vi chapada de drogas, lhe dei carona. – Sorri com a expressão dela. – Também a levei para o meu apartamento, coisa que aliás mulher nenhuma fez. Te deixei usar minha secadora e... – Fechei a porta atrás de mim e caminhei agachando perto dela. – Te vi nua.

Ela me encarou com os olhos arregalados e abriu a boca várias vezes mas nada saía.

– Ah sim... – Encarei-a com um pequeno sorriso de canto e a vi erubescer sem desviar o olhar do meu. – Você se lembra, não é?

– Aquela noite... – Ela apertou as mãos contra o tecido do jeans de sua calça e engoliu a saliva que parecia difícil de descer. – Eu, apenas, eu, aquilo... – Seus olhos baixaram até a minha boca e ficaram ali por alguém segundos até que subiram novamente para os meus olhos. – Estou com problemas infinitos e não consigo ficar bem. As vezes encontro solução em outras coisas.

– Acha que vai resolver alguma coisa? – Perguntei, mas sem esperar resposta continuei. – Eu já tive a sua idade e não fui o aluno exemplar e o garoto certinho, diz muitas coisas e esse tipo de solução, como você chama, não vai te levar a lugar nenhum. – Ella me encarava com atenção, mas aparentemente nervosa. – Seu desempenho apenas esta caindo e vai chegar uma hora que os seus problemas e suas péssimas soluções irão te arrancar o seu maior sonho.

– Ai, eu não acredito que vivi para receber um sermão do senhor maravilhoso e perfeito Leto. – Debochou passando as mãos com força no rosto. – Escuta uma coisa, você por um acaso sabe o que eu passo? Passei? – Apontou o dedo em minha direção. – Não, você não tem nem ideia e nem ao menos a importa. Então por que se dar o trabalho de toda essa ladainha?

A garota levantou com uma dificuldade suspeita e começou a andar até próximo a janela e parou agarrada ao próprio corpo de costas para mim. Me levantei imediatamente e me encostei a parede a observando.

– Eu poderia começar a me lamentar pela vida nada perfeita que eu levo, mas que todos parecem idolatrar. – Sua voz saiu baixa, arranhada. – Poderia dizer que não posso ser eu mesma e que a minha família simplesmente não existe. Que o que eu tenho são pessoas do mesmo sangue que se esbarram por ai dentro da própria casa. – Ela me encarou por cima dos ombros. – Eu sei o que está pensando. É um exagero de uma adolescente que só sabe reclamar da vida. Um clichê. – Se virou para mim. – Mas não é.

Aquelas lágrima, as mesmas que de alguma forma me incomodaram hoje mais cedo, estavam ali, descendo pela sua maçã do rosto e caindo por seu pescoço até encontrar a gola redonda da blusa, morrendo ali.

Nos encaramos em silêncio até ela começar a andar e passar por mim, pretendendo ir até a porta. Mas eu a segurei, antes mesmo disso acontecer. E foi ai que ela a contorceu com uma careta de dor e resmungou baixinho.

– Ai...

– Eu não apertei tão forte assim... – Falei a soltando aos poucos. – O que aconteceu?

Eu não poderia ser tão desatento ou ignorante para saber que de alguma forma, durante estes dias ela tinha sofrido algo mais grave do que queria demonstrar, e que isso incluía algo físico.

– Não me trate como um tolo, pois eu não sou. Algo aconteceu e você quer esconder, mas se foi grave, precisa dizer.

Ella recolheu o braço e o segurou contra o corpo e se afastou de costas dois passos.

– Na-Não aconteceu nada... – Ela desviou o olhar. – Foi apenas um mal jeito que você me segurou e.

– Mentira! – Falei mais alto, ignorando a acústica totalmente cheia de eco do ambiente. Após o som a dissipar, respirei fundo e me aproximei. – Me diga a verdade.

Eu não entendia o motivo de o pensamento de alguém a machucando tanto física como emocionalmente, ainda mais ao ponto de a prejudicar na própria vida, me incomodava tanto. Era protético, patético eu diria, a forma como eu queria ao defender disto.

Porra! Mas que merda é essa que esta acontecendo?

– Eu... Vou voltar lá pra baixo.

Quando ela tocou a porta eu e segurei e a puxei novamente a colocando contra a parede e segurando seu braço.

– Para... Não faz isso...

Ignorei qualquer coisa que ela pudesse dizer ou fazer e puxei a manga da camiseta a suspendendo até um pouco acima do cotovelo. E puta merda, estava com um roxo não enorme, mas grande para deixar bem feio.

– Me larga. – Ela tentou, em vão, puxar o braço para si e escapar do paredão que eu estava formando contra ela. – Me deixa em paz...

– Isso aqui é o que você chama de nada de mais? – Puxei o outro braço, ouvindo uma reclamação, e subi do mesmo jeito, destra vez encontrando uma marca menor, mas visível, como dedos. – Quem fez isso em você?

– Eu já disse pra me deixar ir... – Os olhos estavam escorrendo lágrimas constantes e a voz embargada, o desespero por sair dali, tudo me deixava alarmado. – Você não tem esse direito...

– Aonde mais? – Rejeitei qualquer objeção.

Ella permaneceu calada e eu apenas observei seu corpo.

– Tire a camisa de frio.

– Você ficou louco? – Ela recolheu os braços. – Não! Eu não vou fazer isso.

– Ella! – Adverti. – Tire agora.

– Não.

Pode dizer que passei dos limites, porque eu sei que passei, mas neste momento não havia sequer um pingo de racionalidade.

Eu puxei sua blusa pela gola, para baixo e não precisou de muito para ver um absurdo de hematomas. Pequenos roxos e até mesmo o que eu sabia exatamente verificar por ser uma mordida muito forte bem em cima do seu ombro.

Antes que eu conseguisse abaixar mais, suas mãos me empurraram e ela se jogo no chão encostada a parede, com os joelhos dobrados a cabeça encostada nele e as duas mãos segurando a cabeça. Totalmente encolhida.

Com minha respiração pesada, meu corpo quente e fora de mim, eu pude perceber o quão invasivo eu havia sido. O quão ignorante poderia ter agido.

Droga!

Arrumei meu cabelo, o empurrando para trás e respeitei várias vezes fundo, buscando normalizar meu interior e minha mente, até poder ter condições de me aproximar.

– Eu... – Pausei. – Me desculpe.

Ela não respondeu nem se mexeu, apenas permaneceu ali, chorando em silêncio.

– Ella... – Já era a segunda vez que eu conseguia ser informal com das menina. – Apenas não entendo – Me agachei em sua frente e toquei-lhe a mão direita que estava sobre a cabeça. – Como alguém poderia lhe fazer algo assim...

Como uma surpresa eu cai de bunda no chão, com o peso do corpo da menina que se jogou em meus braços, me abraçando e escondendo o rosto em meu peito enquanto chorava.

– Por favor... Não conte a ninguém... – Ela pedia entre soluços. – Por favor... Eu não consigo... Eu não posso...

Eu não entendia nada mais. Nem sei a realmente queria entender a gravidade de todo esse problema, não por desinteresse, mas por medo do que poderia fazer.

Ali, eu apenas fiz o que queria, e a abracei, acariciando sua cabeça.





Continua...


Notas Finais


Se tiver ficado uma droga, perdão.

Ai gente, estou correndo para poder postar, fazer capas, pensar em tudo é ter tempo na vida.

Amo escrever e é uma forma de curar um pouco da minha ansiedade.

Espero que tenham curtido e se tiverem especulações... Adoro ouvi-las.

Outras histórias, segue os links:

Submeta-se - (Original/ Lobos).
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Beijo Escarlate - (Diabolik Lovers).
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I Am A House On Fire - (Joker e Harley/ Alternativo)
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To Aways Forgive Me - (Harley e Joker)
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I'm Hot For You In Every Est - (Bruce e Harley)
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Até a próxima!!


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