História Compass - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias Monsta X
Personagens Hyung Won, I'M, Joo Heon, Ki Hyun, Min Hyuk, Personagens Originais, Show Nu, Won Ho
Tags Changki, Changkyun, Hyungwon, Jooheon, Jookyun, Kihyun, Lemon, Minhyuk, Monsta X, Romance, Shownu, Wonho, Yaoi
Visualizações 896
Palavras 7.891
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


CHAI NI FOR-EVA!
Que recomecem as tretas!
HIHIHIHIHIHIHI
(teremos notas finais hoje)

Capítulo 11 - Do Not Play


Fanfic / Fanfiction Compass - Capítulo 11 - Do Not Play

   Foi a semana mais entendiante e ao mesmo tempo boa desde que tinha ido no Parque Epcot, em Orlando, em visita aos Estados Unidos, quando era criança. Entendiante porque eu tive que me limitar à todas as receitas médicas, ou seja: remédios e repouso, o que me fez ficar histérico de claustrofobia daquele quarto. E foi bom porque KiHyun dobrou sua atenção sobre meu tornozelo machucado, ou seja, todo o tempo disponível que ele tinha depois do trabalho, era para cuidar de mim.
    Ele pareceu esquecer que eu não estava debilitado e eu não fiz questão de lembrar. Era engraçado e bom vê-lo tão atencioso, não que ele não fosse atencioso, mas ele parecia cem mil vezes mais grudento, e no fundo, aquilo não me incomodava mais. Havia poucas coisas que me incomodavam em KiHyun: quando ele ficava com raiva de mim ou quando parecia triste, o que não tinha acontecido nenhuma vez durante aquela semana.
  Então, quando ele não estava ali, entre o horário de oito da manhã até as seis da tarde, pois havia parado de fazer hora extra para me evitar, eu dormia, e quando ele chegava, eu estava virado no açúcar e muitas vezes ele reclamou por eu não o deixar dormir. Não era minha culpa, eu não podia fazer nada o dia inteiro, então, acabava dormindo, quando chegava o anoitecer, eu estava cheio de energia.
  Na quarta-feira, minha mãe ligou. Nós não tínhamos nos falado desde quando ela me ofereceu a casa, e receber novamente sua ligação tirou todo o meu bem estar. Tentei ser o mais educado possível com suas perguntas de mãe normal, que não me pareciam nada naturais e nem um pouco parecidas com as perguntas que ela normalmenteme fazia. 
   Ao final, quando ela desligou e eu voltei ao meu estado vegetativo, me senti como tinha me sentido com tantas lembranças. A casa já não me parecia agradável para se estar, se tornou insuportável, e eu só melhorei depois de KiHyun chegar e tentar me fazer rir quando viu como eu estava seco e frio, e eu ri mais da sua tentativa de me fazer rir do que de fato das suas brincadeiras, que estavam sendo ridículas, a intenção que me revigorou. Não tinha como não sorrir com o seu sorriso.
  Na quinta-feira, implorei para poder ir trabalhar, mas KiHyun estava irredutível em relação aos meus machucados e não era como se eu conseguisse discordar mais dele, ele estava impondo maturidade demais só porque eu estava machucado. HoSeok os outros jantaram com a gente naquele dia e receberam o meu mar de reclamações, aos risos ao ver KiHyun ignorar as minhas lamentações, que só quando se tornavam tristes eram ouvidas.
  Sexta-feira, eu comemorei pela chegada do fim de semana, não me importando e andando o dia inteiro pela casa, já não sentindo dor nenhuma. Quando KiHyun chegou, eu estava preparando o jantar, - lê-se macarrão, a única coisa que eu sabia fazer -, e KiHyun me deu uns berros. O calei com beijos. Ele não reclamou.
  No sábado, acordei mais tarde, após o meio-dia. Eu sabia que KiHyun estava exausto pelas tentativas de me fazer deixá-lo dormir e eu me sentia mal por isso, então, não o incomodei, apenas deixei ele dormindo sobre a cama, que não era mais só minha, já que seu quarto aparentemente deixou de ser eu. Ele estava dormindo encolhido sobre o meu peito, o que dificultou o meu trabalho de sair da cama sem fazê-lo acordar.
  Caminhei até o banheiro, querendo um banho. O único local que eu podia ir sem KiHyun reclamar comigo era no banheiro, então, eu estava abusando dos banhos, como se eu morasse em um país tropical. Porém, aquela manhã, KiHyun não podia mais me limitar, pois eu estava livre da receita médica. Claro que o médico tinha aumentado mais uma semana de repouso, mas eu não tinha mostrado a nova receita para KiHyun e eu estava extremamente bem. Eu poderia correr e ainda praticar esportes que continuaria inteiro, então, eu resolvi ignorar a receita médica.
  Tomei um banho demorado, planejando o dia que já estava pela metade. Eu estava precisando sair de casa, já que a televisão era algo inútil para mim, também poderia comer fora e fazer algo interessante, nem que eu tivesse ir que à Pohang caminhando. Minha vida normal, antes de JooHeon e suas tentativas de se livrar do casamento, estar em casa seria uma dádiva concebida pelos deuses, mas muita coisa tinha mudado.
  Meus amigos estavam dizendo que eu estava mudando. Minhas regras básicas de convivência humana estavam mudando também. Descobri que pedir desculpas não muda o que aconteceu, mas mostra o caráter da pessoa que errou. Descobri que agradecer te faz parecer mais digno de algo, mesmo você não sendo. Descobri de abraços são gostosos, principalmente os de KiHyun. Não que eu fosse admitir em voz alta, mas eu já não conseguia negar no meu intimo.
  Quando voltei para o quarto, KiHyun já tinha levantado e pude ouvir o barulho de chuveiro no seu quarto. Vesti um jeans preto que na minha opinião estavam justos demais, uma camiseta manga longa preta e botas confortáveis. Desci e mandei uma mensagem para MinHyuk, HoSeok e HyungWon, exigindo suas presenças para naquela tarde.
  KiHyun desceu as escadas, vestindo roupas de ficar em casa e com uma expressão confusa. Sorri para ele, sentado no sofá, e voltei minha atenção para o celular. Ele me lançou um olhar enfezado preparando o sermão.
- Nem vem, eu não preciso mais ficar em casa.- apontei um dedo para ele, sorrindo diabolicamente.- Já posso fazer o que eu quiser, você não manda mais em mim.
  Ele fechou a boca e suspirou, balançando a cabeça positivamente, vindo até mim e se jogando ao meu lado.
- Posso saber para onde o senhor vai? - ele olhou para mim, cutucando o meu braço.
- Aonde NÓS vamos, mocinho.- falei, e belisquei sua bochecha.- Vamos sair e dar uma volta, o que acha?
- Mas eu estou com tanto sono.- ele se esparramou no sofá e deitou a cabeça sobre a minha coxa esquerda, fechando os olhos.- Se você me deixasse dormir...
- Se você me deixasse trabalhar.- rebati, segurando o celular na frente do seu rosto para irritá-lo.
- Você está machucado.- ele reclamou, afastando o celular do rosto e me olhando irritado.
- Eu ESTAVA machucado.- ressaltei, sorrindo para quando ele fez careta, pronto para contestar.- Cadê o meu 'bom dia', hein?
  As coisas entre nós dois estavam ficando mais naturais, menos tensas de sua parte, pelo menos. Não era como esperar quem iria tomar a iniciativa, ou corar até o último fio de cabelo, ou coisas do tipo. Nós já conseguiamos agir como tudo o que tivesse acontecendo fosse normal, nos acostumando. Claro que para mim, as coisas ainda eram difíceis, pois eu nunca tinha ficado com alguém daquela forma, e não sabia exatamente o que um não-quase-talvez-relacionamento precisasse. Eu não sabia falar sobre aquilo para os outros e muito menos quando ele queria atenção. Porém, KiHyun parecia gostar do meu jeito.
   Ele sorriu, fechando os olhos por alguns segundos antes de sentar sobre as pernas e segurar meu rosto para me beijar. Mas, cerimonial do jeito que era, deixou que eu o beijasse, calmamente, a boca levemente gélida pelo frio da manhã e o cheiro de shampoo de chocolate emanando dele. Sorri, acariciando sua cintura, o puxando para perto, como fazia quando ele insistia em se manter sentado e não no meu colo.
- No caso, é 'boa tarde'. Você parece animado hoje.- ele disse após partir o beijo, acariciando lentamente o lóbulo da minha orelha, passeando seus olhos pelo local.- Que bicho te mordeu?
- Por que não estaria? Estou morrendo de vontade de passar o dia fora.- falei, e ele se ajeitou ao meu lado e depositou a cabeça no meu ombro.- E eu poderia já estar me satisfazendo se você fosse se arrumar logo.
- Ah, mas, Changgie...- ele choramingou, afundando o rosto na volta do meu pescoço, em uma tentativa de me arrepiar.- Eu estou com sono.
- Nada de 'mas', KiHyun.- falei, o puxando para cima para que ele levantasse.- Se você estivesse mesmo com sono, você não teria levantado antes das dez.
- Mas você levantou e eu não consegui dormir.- ele tentou fazer uma voz fofa de criança, coisa que ele tinha adquirido o hábito e me fazia querer rir e ao mesmo tempo revirar os olhos, porém, era realmente fofo.
- Reclama que não consegue dormir comigo, reclama que não consegue dormir sem mim.- soltei um muxoxo, e girei seu corpo, indicando as escadas com um dedo.- Vá se trocar.
- ChangKyun... Eu não quero.- ele se emburrou, cruzando os braços.
- Tá, então, eu vou almoçar com HoSeok e HyungWon, mas como eles estão em casal, sobrará apenas eu e MinHyuk...- sorri sacana e ele me encarou com um expressão pensativa, e logo após correu para o segundo andar, me fazendo rir de prazer.- Ciumento!
- Eu só vou porque o MinHyuk vai, mas porque eu quero vê-lo, e não porque eu tenho ciúmes, ele é quase sua mãe! - ele reclamou da escada, e eu ri mais ainda, pois ele falava com raiva.- Onde já se viu uma coisa dessa?!
- Admita, Hyun, você é bem ciumento.- sorri com satisfação, apenas ouvindo um resmungo vindo do segundo andar.- Você não negou!
- Idiota.- disse ele, e bateu a porta do quarto com força.
  Voltei minha atenção para o celular, percebendo que KyungSoo tinha me mandado mensagem, perguntando se eu tinha melhorado. Aproveitei o convidei para sair comigo e com os garotos, e ele perguntou se podia levar o namorado e BaekHyun, concordei, imaginando que um dia no parque seria bom, pelo menos para mais tarde, pouco antes do por-do-sol. MinHyuk não poderia ir ao anoitecer pelo seu jantar, mas ficar à tarde com a gente já convenceria KiHyun.
  KiHyun desceu as escadas vestido, dando de ombros quando cutuquei sua cintura envolta em uma calça justa, e saímos. Ele disse algo sobre estar morrendo de fome, e eu o apressei para o restaurante, e MinHyuk, HoSeok e HyungWon apareceram após um tempo, comendo com a gente.
- Ótimo, agora eu vou ficar sobrando.- disse MinHyuk, se sentando ao lado oposto de KiHyun e eu, rejeitando sentar-se com qualquer um de nós.- Por que eu ajudei vocês dois? Agora eu perdi meu melhor amigo e ainda tem que aguentar sua cara de idiota apaixonado, ChangKyun.
  KiHyun riu e depositou a cabeça no meu ombro, eu não sabia se de vergonha ou algo do tipo, mas ele fazia isso sempre, e não era como se eu não gostasse. Sorri para MinHyuk, sem ligar para o que havia dito.
- Viu só? Você está sorrindo.- ele praticamente enfiou o dedo no meu rosto.- Sem sarcasmo, sem deboche, sem malvadez. KiHyun, não sei o que fez com o ChangKyun, mas dá para fazer o favor de devolvê-lo? Todo doce assim ele me assusta.
- Para de torrar meu saco, MinHyuk.- reclamei, comendo um pouco do sorvete que tínhamos pedido de sobremesa.- O garçom parece disponível para torração de saco, por que você não tenta?
  KiHyun levantou a cabeça do meu ombro e me deu um tapa no lugar, murmurando o que parecia ser uma bronca.
- Que foi? É verdade! - resmunguei, e ele deitou a cabeça ali de novo, ainda murmurando coisas para mim.
- Deixe-o, KiHyun, se ele não tivesse falado algo do tipo, aí era motivo para se preocupar.- MinHyuk riu, e olhou em direção de HyungWon e HoSeok à nossa direita.- Vocês morreram? Por que estão mudos?
- Estamos comendo, MinHyuk. É mal educado conversar durante a refeição.- disse HyungWon, e HoSeok concordou com a cabeça.- Você deveria pedir algo para você e comer também.
- Que é isso? Já estão indo à igreja juntos? Estão planejando filhos? - perguntou MinHyuk, estupefato com as ideias de HyungWon.- O que deu em vocês?
  Ri baixinho, observando a cena, e KiHyun tombou sua cabeça ainda mais, começando a cochilar. Me arrependi de tê-lo tirado de casa, já que ele queria dormir. Passei um braço pelo seus ombros e ele se aconchegou mais em mim, suspirando baixinho, murmurando algo que não entendi.
- Eu preciso de um namorado urgentemente.- MinHyuk lamentou, e apoiou a cabeça na mesa, também fechando os olhos.- Não aguento mais.
- Você poderia chamar ShowNu para sair? Ele está solteiro.- disse HyungWon, sorrindo para ele.
- Não é mal educado falar enquanto come, HyungWon? - rebateu MinHyuk, cheio de orgulho por repreender o mais novo.- Eu não, ele até que é bonitinho, mas até ele superar o KiHyun, eu já estarei dentro de um caixão.
   A referência ao garoto com a cabeça no meu peito junto com o nome de ShowNu me fez pesar as sombrancelhas. KiHyun não deu sinal de estar acordado, então, resolvi perguntar o que eu tinha me coçando a semana inteira para saber.
- Qual foi a reação dele ao KiHyun dizer sobre mim? - falei em tom baixo para MinHyuk, que apenas deu de ombros.
- Ele ficou chateado.- sussurrou meu amigo.- Não é como se ele tivesse muita razão em ficar chateado, KiHyun já havia dito muitas vezes que não gostava dele, mas ele forçava a situação.
  O assunto pareceu encerrado, mas eu queria saber mais. Então, chamei o garçom que passava ali.
- Que sorvete você quer, MinHyuk? - sorri sugestivo para o meu amigo, que balançou a cabeça negativamente pela minha chantagem e pediu seu sorvete de morango.- Agora me conte o que você sabe, Min.
  Ele acenou com a cabeça, e esperou pelo sorvete de forma paciente, assim que a taça se foi colocada em sua frente, ele olhou KiHyun para ter certeza que o menor não nos ouvia, e pelo ressonar baixo, sabíamos que não.
- KiHyun já estava de olho em você à muito tempo, seu lerdo. Mas você não interferia nas investida de ShowNu e isso o deixou mal para caramba. Ele se sentia mal por gostar de você dessa forma, sabendo que você era totalmente indiferente à ele. Lembra do encontro deles? - ele disse baixinho, apenas para que eu ouvisse, e eu assenti com um maneio de cabeça.- KiHyun não queria ir, mas você não fez nada, então, ele foi mesmo assim. Foi um desastre. KiHyun começou a fazer tudo que uma pessoa não interessada faria, ShowNu percebeu que ele não queria nada, e tentou saber o porquê, aí quase rolou briga, mas você apareceu na hora e fez outra briga por causa do JooHeon.
  Fiquei parado olhando para o nada, me sentindo a pessoa mais lerda do mundo. Na época, eu já estava com ciúmes, mas não sabia identificar aquilo. Pra mim, não era relevante naquela época.
- Dias depois, ShowNu não desistiu. Ele estava sendo um pouco abusivo, beijou KiHyun m ei o que à força, foi à casa de vocês naquele dia em que você apanhou, sem permissão de KiHyun. E como KiHyun estava mal por você, ele não conseguia ter uma reação aversiva em relação à atitudes de ShowNu.
  Senti uma raiva borbulhante dentro de mim, rasgando o meu peito e me fazendo querer chutar aquela mesa com força o suficiente para esmagar ShowNu onde quer que ele estivesse. Por ciúmes, por ter mexido com KiHyun, por não entender que antes mesmo de eu estar com KiHyun, ele já era meu. Meu.
- Calma, Chang.- disse HyungWon, preocupado.- Já passou e não assuste KiHyun com essa cara de que vai matar alguém. MinHyuk, não foi uma boa ideia falar isso para ele...
  Respirei devagar, para não mexer e acordar KiHyun. Enquanto eu estive apenas preocupado com JooHeon, KiHyun que aguentar tudo aquilo sozinho. Quis acordá-lo e pedir desculpas de novo.
- Enfim, ele disse que vai se afastar por um tempo. Já que o clima entre vocês dois não é nada bom.- MinHyuk disse e soltou um longo suspiro.- Tenho inveja de KiHyun, tendo tantos caras atrás dele e todos bonitos. Que eu fiz de errado no mundo para ser encalhado assim?
  Segurei o riso, acariciando o ombro de KiHyun de leve enquanto terminava o meu sorvete. Se ShowNu ficasse longe, estaria tudo bem entre nós, já que ele não mais fazia parte daquele grupo. Não porque não o queríamos mais ali, mas sim porque ele mesmo tinha feito besteira.
- Você não se esqueceu do meu jantar hoje à noite, não é? - MinHyuk me lançou um olhar desconfiado, e sorriu maquiavélico.
- Mas é claro que não.- revirei os olhos, e suspirei mais alto.- Pedi KyungSoo para fazer a reserva.
- Não gosto dele.- disse meu amigo e fez uma careta.- Vocês dois são muito parecidos.
- Todos eles são muito gentis, tanto KyungSoo e BaekHyun, eles cuidaram do Chang tão bem até nós chegarmos no hospital naquele dia.- disse HyungWon, e sorriu.- BaekHyun parece gostar realmente de você, Chang, ele estava tão preocupado.
- Nós vamos vê-los mais tarde.- falei, e sorri.- BaekHyun é hilário, gosto dele também.
- Eles vão conosco ao parque? - perguntou HoSeok pela primeira vez, e sorriu.- Que bom, assim não sentiremos tanta falta do MinHyuk.
- Isso, me substitui, me joga na sarjeta, seu falso cheio de anabolizantes.- MinHyuk se levantou após terminar seu sorvete, mas eu sabia que ele só estava fazendo drama.- Vocês são os piores amigos do mundo.
- Você vai jantar fora.- revirei os olhos.- Foi você que decidiu não ir.
- Já estava marcado.- disse MinHyuk, e fingiu um choro.- Que decepção, pessoal, que decepção.
- Que drama, isso, sim.- disse HoSeok, e voltou a comer silenciosamente.- Para de ser chato.
- Estou indo.- MinHyuk se recompôs, e sorriu forçado.- Preciso falar com uma pessoa.
- Estamos de olho em você, hyung.- HyungWon estreitou os olhos, sorrindo.
- Não estourando a conta do restaurante, não me importo com mais nada.- falei, e ele revirou os olhos, murmurando um 'tchau' e saindo do restaurante.
   KiHyun se remexeu, e eu sussurrei perto do seu rosto para ele acordasse, assim nós poderíamos ir embora, ir primeiro para casa de HoSeok e depois sair mais tarde. HyungWon não parecia muito à vontade após MinHyuk ter me contado sobre ShowNu e KiHyun, mas agi como se não soubesse de nada só para não prejudicar MinHyuk. Após KiHyun cambalear até o carro, pedi para que HoSeok deixasse que ele fosse atrás para poder descansar.
   Na casa de HoSeok, KiHyun tirou os sapatos e se jogou no sofá para dormir. HyungWon insistiu para que ele fosse para o quarto, mas o menor nem o ouviu, jogado em cima das almofadas, ignorando todos nós. HoSeok jogou uma coberta para mim, e eu cobri KiHyun, ouvindo os seus murmúrios de sono, tomando cuidado para não acordá-lo.
  Depois que garanti ele estava dormindo bem, HoSeok e eu voltamos para a varanda, sentando sobre o sofá de madeira e olhando o quintal, aproveitando os poucos raios de Sol daquela tarde de Outono. Eu me sentia leve e com um pouco de sono, mas nem morto me renderia ao sono quando podia aproveitar o dia.
 - HyungWon vai viajar para os Estados Unidos.- murmurou ele, e passou as mãos pelo rosto de forma relaxada.- Ele foi finalmente chamado.
  Olhei para o meu amigo em preocupação, entendendo que pelo seu tom de voz, aquilo dificultaria as coisas para ele.
- Eu estou orgulhoso, muito orgulhoso.- ele sorriu triste, e me encarou.- Ele vai seguir o sonho dele, na empresa dos sonhos, e vai ficar famoso, vai ser ótimo.
- Seok hyung, como vocês vão ficar? - perguntei, vendo que ele mordia o lábio para amenizar o abalo.
- Eu vou com ele, claro. Pelo menos nas primeiras semanas.- ele disse, e sorriu.- Eu sou péssimo do inglês, mas eu o tenho, nada mais importa.
- Vocês... Já estão assim? - sussurrei, confuso.- Mas vocês estão juntos à pouco tempo...
- Não quer dizer que estejamos juntos à pouco tempo que não nos gostamos à muito tempo.- ele me lançou um sorriso terno e puxou as pernas para cima.- Depois, nós veremos isso. Quem sabe, não ficaremos por lá? Dessa vez, vai ser eu que vou embora, Chang.
   Balancei a cabeça positivamente e suspirei, sentindo peso em pensar nisso. HoSeok fariam falta, mas mesmo eles não dizendo, eu sabia que eles nos visitariam. Era bom que HyungWon estivesse seguindo sua carreira, e se HoSeok achava que era bom segui-lo, não era eu que iria contrariá-lo. Eu já não poderia zombar de coisas do tipo, minha consciência já não permitia.
- Quem você acha que o Min tem se encontrado? - perguntou HoSeok após um tempo que ficamos em silêncio, sorrindo de forma maliciosa para mim.
- Algum cara que seja uma montanha de músculos, talvez. Ele não vai nos dizer tão cedo.- ri baixinho, e busquei o celular no bolso.- Quando chegar a hora, ele vai nos dizer, aposto.
  HoSeok balançou a cabeça positivamente, e me encarou por alguns segundos.
- Você disse à KiHyun que BaekHyun vai conosco hoje? - sussurrou ele, e eu lhe lancei um olhar confuso.
- Eu deveria dizer? - falei no mesmo tom, e o encarei, me perguntando porque diabos ele achava que eu deveria dizer.
  HoSeok riu, balançando a cabeça negativamente.
- Ah, isso vai ser muito interessante.


(...)


  Quando HoSeok disse interessante, ele estava falando só para ele, pois assim que BaekHyun pisou os pés no parque, KiHyun, acordado à base de enérgetico, assumiu uma expressão de raiva diabólica.
 Nós estávamos reunidos no parque da cidade, o que ficava no centro e que eu não fizera questão de saber o nome. KiHyun estava com a cabeça jogada no meu ombro, e HyungWon estava sentado com HoSeok em um dos bancos da entrada, quando BaekHyun gritou um 'gatinho' e balançou os braço de forma animada enquanto corria até nós, um KyungSoo calmo com um rapaz de expressão curiosa logo atrás.
  Eu sabia que estava ferrado, pelo menos, pela forma que KiHyun me lançou um olhar questionador, e como eu não lhe disse nada, ele apenas lançou um olhar mortal para BaekHyun. O Byun, nem prestou atenção na fera que estava ao meu lado, apenas jogou os braços em cima de mim e me abraçou com força.
  Afastei seu corpo levemente, tentando não parecer que tinha uma aversão, abraços bem-vindos só eram os de KiHyun. BaekHyun sorriu, parecendo não notar, e foi falar com HyungWon e HoSeok. Direcionei meu olhar para KiHyun automaticamente, e seu olhar mortal tinha sumido, dando lugar para à um olhar decepcionado enquanto chutava um papel no chão. Afundei em agonia, tentando fazê-lo sustentar meu olhar, mas ele continuou a chutar o papel.
- Chegamos tarde? - perguntou KyungSoo quando se aproximou, e sorriu para KiHyun, se curvando para nós, assim como o garoto ao seu lado.
- Não, ainda são seis.- olhei no relógio, e olhei para o resto do parque movimentado.- Aonde vocês querem ir primeiro?
- Hum... Você é o ChangKyun, certo? - o acompanhante de KyungSoo disse, me encarou.
- Sou, e você é? - perguntei, arqueando uma sombrancelha.
- JongIn, namorado de KyungSoo.- ele fez questão de ressaltar a palavra, sorrindo forçado.
- Jong, pode parar, eu já disse que ChangKyun é tranquilo.-  KyungSoo apertou o braço, e eu soltei uma risada.
- Hm...- murmurou o rapaz, e penteou o cabelo castanho claro com as mãos.- Okay.
  KyungSoo iria dar uma bronca nele, mas a risada de BaekHyun nos interrompeu, e HoSeok e HyungWon levantaram. Segui calmamente ao lado de KiHyun, não sabendo o que falar para ele, já que ele parecia terrivelmente acanhado e eu não me sentia no direito de tocá-lo naquele momento. Sabia que quando chegasse em casa, levaria bronca dele e a última coisa que eu queria era brigar. A semana tinha sido perfeita, apesar de ter ficado em casa.
   A coisa piorou quando BaekHyun se postou ao meu lado direito. Lembrei de ter dito à ele que não estava com KiHyun à uma semana atrás, e tentei engolir seco tantos palavrões se zonearam minha mente quando percebi que ele estava igualzinho quando não sabia de KiHyun. Como se a área estivesse livre.
- Então, KyungSoo disse que você não está trabalhando ainda.- falou ele e sorriu.- Mas você me parece bem, Chang.
  Não pensei duas vezes para analisar KiHyun. Uma conversa não parecia ter risco, pois ele parecia tranquilo, apesar da clara expressão de decepção.
- Fui liberado hoje.- lembrei de responder BaekHyun, e lancei um olhar de súplica para HoSeok, que observava a cena ao nosso lado, porém, ele apenas sorriu, como se dissesse 'se vira'.
  Soltei um suspiro alto, agoniado.
- Então, nós vamos poder sair mais agora, certo? - perguntou BaekHyun, e sorriu.
  Arregalei os olhos, sabendo que uma frase poderia ser muito mal entendida para quem quer que escutasse, inclusive, KiHyun. Percebi que ele começou a andar mais rápido, tentando se postar ao lado de KyungSoo e JongIn, mas, em meio ao meu desespero, segurei sua mão.
  Ele não retribuiu o aperto, nem olhou para mim, mas pude ver quando ele crispou os lábios e lançou um olhar incomodado para o lado. Entrelacei nossos dedos, fazendo um leve carinho circular com o dedo sobre sua pele macia, em um claro pedido para que ele ficasse ali. Sua mão quentinha continuou imóvel, mas continuei mostrando minha preocupação com leve apertos para chamar atenção.
  Nós normalmente não tínhamos aquele contato. Abraçar, sim. Beijar, sim. Dormir juntos, sim. Mas afeto em público, como segurar as mãos, não era muito para nós dois. O que pareceu deixá-lo com vergonha por alguns minutos, porém, se acostumou com o meu carinho inesperado.
  Nós compramos Passes Prioritários para os brinquedos, que na verdade, eu já não estava muito à fim de ir com aquele clima com KiHyun. Porém, quando chegamos à fila da montanha russa, KiHyun soltou minha mão e foi falar com HyungWon, já que BaekHyun não pareceu se importar por eu não tê-lo respondido, e falava pelos cotovelos. Pela primeira vez, quis enfiá-lo na lata de lixo mais próxima, de tanto que eu estava ficando irritado.
  Eu não estava ouvindo, é claro, minha atenção estava voltada para KiHyun. Ele torcia levemente o zíper da jaqueta bomber cinza clara, e batia o pé no chão da mesma forma quando ficava nervoso, batendo um leve barulho com as botas. Não parecia estar falando sobre mim, muito menos, olhava na minha direção, mas eu sabia que ele estava com raiva. Se fosse ShowNu com ele, eu também estaria, então, eu não podia contestar o incômodo da presença de BaekHyun.
  Quando chegou a nossa vez, não tive tempo para ir ao lado dele no brinquedo. Tive que ir justo na frente, com BaekHyun. Quando tentei me levantar, BaekHyun forçou meu corpo para baixo e me fez sentar de novo, indo ao seu lado, enquanto eu não fazia ideia em qual local do brinquedo KiHyun estava, de tão lotado.
  Brinquedos como aquele não me assustavam e muito menos me faziam querer gritar. Porém, enquanto eu continuava impassível no meu lugar, sem nem ligar para as descidas e giros do brinquedo, os outros começaram a gritar pela 'adrenalina', que não tinha coisíssima nenhuma, e eu comecei a me irritar.
   Foi assim, durante mais três brinquedos irritantes. KiHyun estava com HyungWon e HoSeok, enquanto eu tentava fazer BaekHyun se aquietar e KyungSoo e JongIn estavam apenas quietos. Ao final do quarto, quando nós descíamos do Elevador, percebi que KiHyun já não estava entre nós.
  Segui para fora do brinquedo olhando em volta, o procurando aos arredores, entre as pessoas que ali estavam. Soltei um palavrão baixo, sabendo que seu sumisso só podia ser fruto da raiva, e que era tudo culpa minha. Se eu tivesse deixado bem claro para BaekHyun que eu estava com KiHyun, ele não estaria chateado comigo por uma coisa daquelas.
- O que foi, ChangKyun? - HyungWon surgiu com o grupo, enquanto eu tentava passar entre as pessoas para encontrar KiHyun.
- KiHyun sumiu.- falei, parando de andar e girando o meu corpo, passando um pente imaginário pelas pessoas que ali estavam, descartando a possibilidade de KiHyun estar visível.
- Tem certeza? - perguntou HyungWon, e olhou em volta.- Eu disse à ele para nos esperar.
- Vou atrás dele.- coloquei o passe no bolso, e busquei o celular.- Não me esperem, eu preciso falar com ele, quando eu encontrar, vou direto para casa.
  - Espera, é o que estou pensando? - BaekHyun perguntou baixinho quando comecei a caminhar para longe do grupo.- Por que ninguém me avisou?
  Ouvi HyungWon explicar para ele o que estava acontecendo, e simplesmente voltei minha atenção para a multidão, procurando KiHyun. Havia várias barraquinhas por todos os lados e era difícil se mover entre as pessoas, comparado com os adultos, KiHyun conseguia ser baixo, então, era mais difícil conseguir vê-lo caso eu achasse.
  O sol já tinha descido, e apenas as luzes do parque iluminavam o local de forma fraca, fazendo que eu me sentisse cego ao olhar para qualquer garoto de jaqueta cinza imaginando ser KiHyun. Comecei a perguntar para as pessoas, mas claro, nenhuma delas estavam prestando atenção nele, o que dificultou o meu trabalho. Me senti um pai que perdera uma criança no local.
  Pouco depois das sete, quando eu já estava desistindo e ele não atendia minhas ligações, vislumbrei uma jaqueta bomber cinza diante de uma das barraquinhas de bijuterias. Suspirei em alívio, reconhecendo seu cabelo, assim como todo sua estrutura. Suspirei mais alto, me aproximando devagar. Não era hora de brigar com ele por ele ter sumido assim, eu tinha que lhe esclarecer algumas coisas.
  Ele parecia estar olhando alguns anéis, quando me aproximei mais, vi que era alianças. Surpreso, o observei, distraído com uma aliança prateada e lisa, enquanto fazia uma careta. Ele não parecia querer comprar, e eu não queria imaginar porque diabos estava vendo alianças. Claro que o motivo era óbvio, mas eu estava me perguntando se ele queria que eu pedisse ou ele mesmo pensava em fazer isso.
- KiHyun...- chamei quando ele não notou que eu estava postado bem ao lado dele, esperando uma reação de sua parte.
  A aliança foi jogada de forma assustada para dentro da caixa onde as outras estavam, e a vendedora fez uma careta extremamente incomodada com a atitude. Ele corou de uma forma que eu nunca tinha visto antes, desde as bochechas até ponta do nariz e testa. Não agia como se estivesse pego fazendo uma surpresa, mas sim, como se tivesse fazendo algo muito retardado e quisesse sumir.
  Depois de alguns segundos olhando para todos os lados, tentando escapar de mim, ele pareceu lembrar que estava chateado e sua expressão suavizou para algo mais decepcionado, uma melancolia calma. Suspirei, não sabendo exatamente o que dizer, nem como se sentir ao vê-lo daquela forma comigo, só queria tirá-lo dali e fazê-lo afundar o rosto no meu peito.
- Ei... Onde você estava? - falei em tom suave, tão baixo, sem qualquer tipo de acusação.
- Queria um refrigerante, e resolvi dar uma volta, tem coisas interessantes por aqui.- me respondeu, como se falasse do tempo, olhando para o lado, como se houvesse algo muito interessante ali, no nada.
  Eu sabia que era mentira, mas iria questionar.
- Por que não me atendeu? - continuei calmo, sem ligar que a vendedora nos olhava curiosa ali.
- Meu celular descarregou.- sorriu forçado, e cruzou os braços, balançando o corpo, parecendo querer mostrar desinteresse.
  Outra mentira, eu sabia disso. Suspirei, não encontrando uma forma de falar aquilo sem parecer ridículo. Me pesava o coração aquele clima estranho entre nós dois e pesava ainda mais ver que ele tentava manter uma expressão neutra, mas tudo o que ele conseguia passar era decepção. Não raiva, não ciúmes, apenas decepção.
   Estendi minha mão para ele, em um pedido silencioso para que ele me seguisse. Ele me lançou um olhar hesitante, como se eu fosse fazer algo ruim. Suspirei, mantendo a mão estendida para ele, até que ele aceitou. Seu aperto, fraco, me deixou mais nervoso.
  Eu o guiei para trás de uma das barracas, onde ninguém poderia nos ouvir, e nem nos atrapalhar. Soltei sua mão e me virei para ele, que cruzou os braços e olhou para os próprios sapatos.
- Eu conheci BaekHyun através de KyungSoo, naquele jantar que eu fui. Em nenhum momento, nós ficamos.- comecei a explicar, sabendo que mesmo que ele fosse sincero comigo, eu deveria ser com ele naquele momento.- Quando o conheci, eu até considerei a ideia, mas você já estava aqui.- apontei para o meu próprio peito, e ele lançou um olhar culpado para o chão.- Deixei KyungSoo e seus amigos naquela noite para cuidar de você. No dia do hospital, ele achou que nós tínhamos algo, sábado passado, ele me perguntou, mas eu desmenti.
  Ele deixou os braços caírem ao lado do corpo, a expressão ficando incrédula.
- MAS...- continuei, para não confundi-lo.- Você estava chateado comigo e eu nem cogitava a ideia de ficarmos juntos, você pra mim estava com ShowNu e era isso.
  Ele abriu a boca para retrucar, mas eu pedi para que ele deixasse eu terminar.
- Ou seja, nós não tínhamos nada, e eu não estava mentindo, eu não tinha dito com intenção de fazer BaekHyun ficar comigo,  não consigo pensar em ninguém além de você.- continuei, e ele me olhou de soslaio, desconfiado.- Porém, não tinha falado com BaekHyun sobre meus sentimentos, e ele talvez tenha acreditado que fossemos sair. Eu não queria explicar para ele sobre aquilo bem aqui, porém, eu sei que deixei você chateado. Não foi a intenção, mas no fundo, eu esperava que você entendesse.
- No início, eu fiquei chateado por causa dele.- ele falou baixinho, e encarou o chão.- Mas na verdade, é que eu queria que você tivesse dito para ele, mesmo que fosse ali. Você não dizendo, fez que eu ficasse longe de você por causa dele, não porque eu não queria, mas sim, porque eu não consigo competir pela sua atenção com ele pert...
- KiHyun, você sempre teve minha atenção.- sorri de canto, me aproximando dele o suficiente para ter que olhá-lo de cima, e ver sua expressão receosa.- Você pode não ter notado, mas eu estava tentando fazer você ficar desde que ele chegou.
  Ele suspirou, e me olhou cansado.
- Tudo bem, está tudo bem.- disse ele, e encostou a testa no meu ombro.- Só não faça isso de novo, eu não gosto daquele garoto e se ele tentar encostar em você de novo, eu vou arrancar aquela peruca de shampoo barato dele.
  Soltei um risada alta, o puxando para perto. Ciúmes era uma coisa estranha, mas era bom saber que a pessoa que você gostava te quer unicamente também, que tem medo de te perder e não quer ninguém que não seja ela perto de você. Vindo de KiHyun, era engraçado e bonitinho. Em outro momento da minha vida, eu teria rido da sua cara e mandado ele ir dormir, mas não naquela vez, não mais.
- Vamos para casa? - perguntei contra o seu cabelo, e ele balançou a cabeça positivamente, sorrindo.- Eu não aguento mais andar.
- Não devemos forçar muito seu tornozelo.- ele se preocupou, e eu beijei a ponta do seu nariz gelado, sua bochecha e terminei em seus lábios, que não tinham gosto de refrigerante, e sim de algum doce de morango.
- Está tudo bem.- o afastei levemente, e passei o braço pela sua cintura enquanto andávamos para as ruas do parque para ir embora.- Aliás, por que você estava vendo alianças?
  Suas bochechas coraram outra vez, e seus olhos se arregalaram, o que tinha diminuído muito nos últimos dias. Passei a ponta do meu nariz pela sua bochecha, provocativo.
- ChangKyun, estamos em público.- ele tentou se afastar, percebendo que algumas pessoas olhavam para nós enquanto passávamos.- Pare.
- Que foi? Estava vendo aliança agora pouco e não quer ser visto de forma íntima comigo? - brinquei com ele, e ele arregalou os olhos de novo.- Eu deveria me preocupar com sua evidente bipolaridade?
- Eu não iria comprar alianças! - ele reclamou, um tanto desesperado.- Eu só... Acho muito bonitas e...
- E...? - apertei sua cintura, sorridente.
- E só isso. Nada demais. Eu estava olhando os anéis e comecei à olhar as alianças.- ele riu de nervoso, e mordeu o próprio lábio.- Quem disse que só quem namora usa aliança de compromisso?
- Quem tem namorado, quem é casado, o bom senso social, o planeta terra, Deus.- citei, me sentindo extremamente bem por brincar com ele daquela forma.- Quer mais exemplos?
- Você é tão chato.- ele tentou se livrar do meu aperto, mas eu o segurei à tempo.- Me solta, Sr. Só-uso-aliança-quando-namoro.
- Mas eu nunca namorei, então, nunca usei aliança.- eu sabia que estava testando os limites de sua irritação, mas era divertido vê-lo impaciente comigo.
- Legal.- ele ironizou.- Percebi que você não tem nenhuma experiência com isso.
- Eu te avisei, e você disse que não queria que eu tivesse experiência.- segurei sua mão, fingindo um sorriso triste, mas sorrindo dentro pelo aperto que ele deu com sua pele quente.
- Eu não reclamaria se você fosse menos tapado.- ele resmungou, e me lançou um olhar enfezado.
  Sorri ainda mais, sabia o que ele queria com tudo aquilo, mas brincar com seus limites era muito engraçado.
- O que está insinuando, Yoo KiHyun? Que eu não sei que você quer namorar comigo?
  Ele quase tropeçou, e olhou por cima do ombro com uma tentativa de não parecer ter sido pego.
- Cale à boca, ChangKyun. Só cale à boca.- ele disse, a voz tremendo pelo nervosismo.
- Ah, mas seria tão engraçado ver você corar quando eu te chamasse de 'amor'.- sussurrei perto do seu ouvido em tom rouco, e não sei qual reação foi mais intensa, seu arrepiar, ou suas bochechas corarem ou sua expressão de choque.- Aposto que você iria adorar, e iria adorar outras coisas também, tipo...
- Agora você passou dos limites! - ele esbravejou, todo vermelhinho e tentando parecer bravo, largando a minha mão.- Vai dormir sozinho hoje.
- Amor...- chamei manhoso, apenas para provocá-lo.-... Não faz isso comigo, eu não vou sobreviver.
- Três dias, ChangKyun! E trate de ficar longe do meu quarto, seu descarado! - e dito isso, ele saiu marchando na frente enquanto eu tremia para segurar as risadas.
  Ao final, a ideia não me parecia tão apavorante. KiHyun e eu gostavámos um do outro, e pela primeira vez, queria me referir à ele como 'meu'.
   

(...)


   Não é como se KiHyun cumprisse suas ameaças. Ele tentou se livrar de mim aquela noite, mas eu invadi seu quarto enquanto ele tomava banho. Então, ele teve que se decidir se me dava bronca ou se trocava. Sugeri à ele que continuasse me dando bronca enquanto eu o observava andar pelo quarto só de toalha. Mas ele preferiu pegar roupas, se trocar no banheiro, e berrar sua bronca de lá mesmo.
  Porém, aquela noite, não deixei só naquilo. KiHyun estava se mostrando cada vez mais receptivo com os meus toques, e eu aproveitei a sua birra momentânea para lhe distribuir algumas marcas pelo corpo. Levei uns tapas e ele me chamou de abusado, mas não me importei, ainda mais com aquelas coxas à mostra pela falta de calça dele.
  No domingo, ele me obrigou a ficar em casa com ele e assistir filmes. Meu tédio explodiu e eu o larguei no sofá para trabalhar, ele invadiu meu escritório mais tarde e me desconcentrou do trabalho com o seu repentino atrevimento, ainda mais com aquela cara de quem não queria nada e de que era inocente.
  Na segunda-feira, ele não pediu para que eu o levasse, mas sim, para que eu o buscasse após o trabalho. O dia tinha sido puxado para mim, mas eu ainda não pretendia voltar para casa com uma noite agradável daquela, sair com KiHyun me parecia bom, mas para não correr o risco de outra briga, apenas com ele.
  Pouco depois das seis, após pegar minhas chaves e algum dinheiro para gastar, fui buscá-lo, sabendo que KiHyun estava passando a se trocar no trabalho, então, não teria problemas com ele reclamando de que não podia passear de uniforme. Em compensação, o trânsito estava um saco e passei minutos tentando controlar a impaciência com tantos carros que não pareciam ter rodas de tanto tempo parado que fiquei.
  Quando cheguei no restaurante, estava levemente cheio, mas consegui achar uma mesa onde KiHyun me acharia quando saísse, perto as portas da cozinha. Esperei sentado, enquanto, o horário dele terminava, tentei me distrair mexendo no celular, olhando de vez em quando para a entrada da cozinha, que estava fechada.
   Percebi algumas garçonetes, embora, o termo garçonete parecesse muito chulo para a forma elegante de seus uniformes, estavam reunidas no balcão da frente, e cochichavam e olhavam para mim, pareciam novas demais, talvez até mais novas que eu. Ignorei a presença delas e voltei minha atenção para a porta, me perguntando porque diabos KiHyun estava demorando tanto.
  Uma das garotas, a que parecia mais nova, que talvez tivesse acabado de sair do colegial, veio até a minha mesa. Ela tinha um ar infantil e expressão nervosa, os olhinhos arregalados e uma respiração levemente descompassada.
- Boa noite, meu nome é Ming, e eu vou ser sua garçonete essa noite. Gostaria de fazer o pedido agora? - ela falou o bordão formal de uma atendente, mas em tom nervoso, sorrindo enquanto me entregava o cardápio.
- Eu gostaria de apenas um café, na verdade, eu estou esperando Yoo KiHyun, você deve conhecê-lo.- falei, e a menina arregalou os olhos à ponto de rasgá-los.
- Ai, meu Deus...- murmurou ela, e quase deixou seu bloco de notas cair, se virou para onde suas colegas estavam e chamou um pouco alto demais.- ChoA unnie! Vem aqui, por favor!
  Não entendi seu desespero, mas esperei para saber o que elas me diriam. A outra garota, que era incrivelmente bonita com cabelos curtos e louros e parecia mais velha, veio até nós, com um olhar envergonhado. Ela repreendeu sua dongsaeng com uma olhada feia e sorriu sem graça para mim.
- Algum problema? - perguntou ela para a menor.
- É ele. O cara que fica mandando mensagens para KiHyun-ssi.- sussurrou Ming, mas de forma que eu pudesse escutar, e a mais velha arregalou os olhos, assumindo uma postura autoritária.
  Franzi as sombrancelhas, confuso.
- Olha, ShowNu, não é mesmo? - disse a mais velha, ChoA.- Eu entendo que você goste do KiHyun-ssi, mas ele já deixou bem claro para o senhor que não quer que o senhor apareça em horário de expediente, e em nenhum outro, então, eu peço gentilmente que o senhor se retire, isso perturba os clientes e também o funcionário.
  Fiquei olhando para elas, tentando entender do que diabos ela estava falando. Percebi seus olhares preocupados, a forma que viravam e olhavam para o grupo de amigas e tentavam agir naturalmente, como se nada estivesse errado.
   Soltei uma risada, passando uma mão pelo cabelo e as encarando.
- Não sou ShowNu, sou ChangKyun...- expliquei para elas, que arregalaram ainda mais os olhos e passaram a me observar melhor.
- Espera, KiHyun-ssi disse que ChangKyun era...- começou ChoA, pensativamente.
- Nossa, KiHyun-ssi tem bom gosto.- disse Ming, e recebeu um tapa da mais velha.- Que foi, é verdade!
  Soltei uma risadinha, achando-a engraçada, apesar do seu nervosismo presente.
- Desculpe pela confusão, não foi nossa intenção.- disse a mais velha, e se virou pra a outra.- Não tire conclusões precipitadas, Ming, isso poderia ter dado muito errado para nós.
- Em falar em errado.- comecei, não me esquecendo do seu breve sermão.- Por que vocês me confundiram com ShowNu e por que dessa defesa por KiHyun?
 As duas se entreolharam, parecendo desesperadas. Claro que eu tinha notado que havia algo errado ali, desde quando ela me chamara de ShowNu. Aquele vagabundo estava atormentando KiHyun outra vez?
- Nós deveríamos contar.- disse Ming para ChoA, que me olhava pensativamente.- Nós não teremos outra oportunidade de resolver isso para KiHyun-ssi.
- Ele disse para não contarmos para ninguém, ele confiou na gente, Ming. Podemos colocá-lo em encrenca caso contemos para alguém.- disse à mais velha para Ming, e segurou o bloco de notas rente ao peito.- KiHyun-ssi é um anjo conosco e não quero decepcioná-lo.
- Mas não vamos decepcioná-lo, vamos ajudá-lo.- replicou a mais nova.- Agora ele sabe que tem alguma coisa, não seria pior que ele questionasse KiHyun-ssi?
- Ele vai nos demitir, Ming-ah.- disse ChoA, e suspirou.- Olha onde você nos meteu.
- Na verdade...- levantei o dedo, para chamar atenção das duas.- Isso eu posso garantir que não, KiHyun não faria algo do tipo. Aliás, se vocês me contarem, podem me ajudar à resolver esse assunto.
- Viu só! - Ming gesticulou de forma eufórica.- ChangKyun-ssi pode resolver isso para nós, ChoA unnie.
  A mais velha suspirou pesarosa, irredutível. Me virei para Ming, que esperava uma resposta da mais velha. Impaciente com aquele assunto sem pé nem cabeça, indiquei a cadeira para a moça.
- Me conte o que aconteceu, Ming. Prometo que o que quer que seja, não te prejudicará.- sorri de forma simpática para ela, que automaticamente de sentou e sorriu animada.
- Ming...- repreendeu ChoA, impaciente.
- Esse tal de ShowNu vem deixar recado para KiHyun-ssi todos os dias da semana desde segunda-feira passada.- ela falou cheia de euforia, gesticulando enquanto falava.- Ele diz que quer conversar com ele e que eles ainda precisam se resolver, e isso deixa KiHyun-ssi possesso. Nós nunca o vemos, KiHyun-ssi nunca o deixa entrar, nós não temos permissão para sair para fora em expediente. Por isso o confundimos com você, já que a única pessoa que vem aqui em busca de KiHyun-ssi é esse tal de ShowNu. Ao que parece, ele viria aqui após o expediente dele para conversar, mesmo KiHyun-ssi não querendo.
  Respirei tremidamente, tentando conter todas as emoções explosivas dentro de mim. ShowNu estava pedindo mortes e eu já não tinha saco para falar sobre aquilo. Ele tinha dito que iria se afastar só para me despistar, me fazer pensar que ele não estava atrás de KiHyun ainda. Filho de uma puta.
- Obrigado, Ming. Isso foi de grande ajuda.- sorri para ela, e olhei para a cozinha.- Poderia me dizer porque KiHyun está demorando tanto?
- Isso é porque ele decidiu fazer hora extra para ajudar com alguns problemas, mas não pode avisar ninguém.- ela sorriu para mim.- Você vai resolver o problema?
- Claro, pode deixar comigo.- lancei outro olhar em direção à cozinha, tendo uma ideia.- Já que ele vai fazer hora extra, diga à ele que volto daqui um pouco.
- E se ele desconfiar? - ChoA finalmente se pronunciou, pesarosa.
- Desconfiar do quê? Eu nem falei com vocês.- sorri leviano para elas, que riram em alívio.- Não se preocupem, meninas, não vou contar nada.
   Ela sorriram outra vez, e Ming disse para que eu cuidasse de KiHyun. Me despedi delas e saí do restaurante, sentindo meu maxilar trincar, minha expressão pesar e a minha mente nublar, cheia de pensamentos nenhum um pouco agradáveis.
   Estava na hora de conversar com ShowNu.


Notas Finais


Vamos lá:
1. Primeiro de tudo, eu quero agradecer o amor que fic está recebendo. Dez capítulos com 200 favoritos, na minha outra fanfic eu não tinha conseguido nem metade com dez capítulos. Muito obrigada.
2. Eu tenho demorado mais que o normal para responder vocês ou até mesmo postar. Desculpem-me, meus anjos, mas na correria, eu acabo demorando, não desistam de mim.
3. Uma coisa que eu queria dizer para vocês, porque às vezes, vejo que vocês ficam preocupados. Eu escrevo uma fanfic de cada vez justamente para não me desfocar da história, para que essa seja prioridade. Então, não fiquem preocupados de caso eu sumir assim por uns dias, não que isso vá acontecer agora. É só para vocês saberem que eu não desisto das minhas histórias. É a minha promessa com vocês, e promessa é dívida.
(vou responder todos os comments e todas as mensagens, okay? Não esqueci de nenhum)
~chuuuuuuuuu


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