História Compêndio de um amor perdido - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Exibições 8
Palavras 843
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 17 - Racional


O sexo era maravilhoso, incrível mesmo, selvagem e intenso, como nunca havia experimentado antes, mas quando estávamos vestidos, a situação mudava de figura. Afinal, não se pode basear um relacionamento somente na conjunção carnal, mesmo que fosse inacreditavelmente boa. Por isso, tentamos manter um relacionamento saudável, contudo, ficava muito difícil, porque ele não gostava de nada o que eu gostava e vice-versa. Para ele, as suas diversões prediletas era beber com os amigos em botequins, assistir e jogar futebol, o que eu detestava. Para mim, os amigos deles eram grossos e mal informados. Para ele, minhas amigas eram metidas e dondocas e cinema e livros eram chatos.

O pior momento foi quando o apresentei a minha irmã e ao meu cunhado. Combinamos de jantar juntos, no restaurante favorito dela, o que não foi uma boa ideia porque ele achou muito cheio de frescuras. Minha irmã bem que tentou disfarçar o seu total espanto, diga-se de passagem, sem muito sucesso, ao conhecer o meu novo namorado. Meu cunhado até que foi simpático, puxando assuntos para trazê-lo para a conversa, falaram sobre futebol e carros. Foi quando minha irmã me convidou para irmos ao banheiro juntas, mas paramos bem atrás da porta, atrapalhando a entrada.

- O que você pensa que está fazendo? – ela me disse, em tom de recriminação.

- O que? – Fingi não entender.

- Saindo com um cara desses! – concluiu.

- Você está sendo preconceituosa – ataquei.

- Não, estou sendo realista. Vocês são muito diferentes.

- Ele é um cara legal.

- Eu não estou dizendo ao contrário, mas está na cara, que vocês não têm nada a ver um com o outro.

- Mas o sexo é fantástico! – declaro sem nenhum pudor, ela revira os olhos, irritada e arfa exasperada. 

- Não se pode viver o tempo todo na cama. E quando estão fora dela, como é que é?

- É um tanto estranho – tive que admitir a verdade.

- Está vendo! É isso que estou dizendo! Até entendo, pois sei que depois do que passou pode estar um tanto carente e uma boa cama faz a gente perde a cabeça, porém, no momento, que o fogo da paixão e do desejo cessarem, e a fumaça abaixar, vocês vão se enxergar exatamente como são, então a verdade virá à tona. Será só uma questão de tempo – previu.

 

 Como minha irmã profetizou, percebi que o show pirotécnico da paixão e desejo estava terminando, quando tive que trabalhar até tarde por vários dias, devido o fechamento de um semestre difícil. E toda noite, meu telefone tocava e a voz inquisidora soava acusatória.

- Aonde você está?

- No trabalho – respondia, me sentindo culpada.

- Até essa hora?

- Sim, eu disse a você que era o fechamento do semestre – respondi e seguia-se um pesado silêncio.

- Vai demorar?

- Só um pouco mais.

- Tem alguém com você aí?

- Um monte de gente.

- Não chegue tarde – ele finalizava – Boa noite.

 

A gota d’água, foi naquela sexta, quando ele me convidou para sairmos para dançar no clube onde nos conhecemos, pois era o aniversário de um amigo dele e toda a sua turma estaria lá. Cheia de cuidados, desculpei-me e disse que não poderia, pois seria a conclusão do fechamento do relatório do semestre e não sabia a hora que terminaria. Ele ficou muito aborrecido, fechou a cara, mal se despediu, avisando que iria sozinho. Dei de ombros, com falsa indiferença, falei que não tinha importância, que ele poderia ir.

No entanto, naquele dia, inesperadamente, conseguimos terminar o fechamento mais cedo. Olhei para o relógio, feliz, pois poderia ir à festa de aniversário do amigo dele. Quis lhe fazer uma surpresa, aparecendo lá de repente. Mas, a surpresa foi minha, pois ao chegar no clube, toda animada, deparei com ele, rodopiando pelo salão, todo serelepe e feliz, com outra mulher nos braços. Até aí tudo bem, no entanto, havia algo a mais naquela cena, alguma coisa familiar que reconheci de tempos atrás, quando era eu nos braços dele. Havia um quê de sedução, um joguinho de conquista dos dois, que estava nos olhares e sorrisos lânguidos que eles trocavam, na mão dele possessiva nas costas dela. Senti como se um nó apertasse minha garganta, algo se partiu dentro de mim, só queria sair dali. E assim, como entrei, eu me fui.

 

  - Acabou! -  declarei com a voz firme, olhando direto nos olhos dele, naquela tarde de sábado, quando nos encontramos naquele barzinho na beira da praia. Minha mente estava clara e limpa, com o peito vazio, não havia dor naquele adeus, só uma certa melancolia. Naquele momento, eu me sentia completamente racional.

- Certo – ele não pediu explicação, não precisava, pois ambos sabiam que a nossa história havia chegado ao fim. – Foi bom enquanto durou – disse, me deu um beijo no rosto e partiu, me deixando ali com uma inexplicável mescla de tristeza e alivio.

Depois desse dia, eu o encontrei algumas vezes pela noite, nos cumprimentamos à distância, com um rápido aceno de mão e um sorriso fugaz, mais nada.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...