História Compêndio de um amor perdido - Capítulo 19


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Exibições 8
Palavras 1.040
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 19 - Tensa


No fundo do coração, não acreditava que o amigo do meu cunhado ligaria. No entanto, ele ligou na terça à tarde. Fiquei pasma, quando atendi o número desconhecido e ele se apresentou.

 - Você não acreditava que eu ligaria – ele declarou, adivinhando meus pensamentos.

- Não – confessei com sinceridade.

- Então, podemos marcar algo?

- Sim.

- Onde você mora? – ele quis saber e eu o informei.

- Eu conheço um lugar ótimo perto da sua casa. Pode ser na sexta?

- Claro – concordei, decidida em acabar com aquela história o mais rápido possível. – Sexta está ótimo.

- Quer que eu pegue você em casa?

- Não, obrigada. Posso encontrar você lá – determinei, pois não queria ficar com ele em um ambiente restrito com um carro logo de cara. Assim, ele me passou o endereço e nos despedimos. Sem dar muita importância, imaginando que seria só uma saidinha com os dois sem graça, depois nunca mais precisaríamos nos ver e minha irmã me deixaria em paz.

Durante o resto da semana, eu praticamente me esqueci do tal encontro. Contudo, na sexta, fiquei tensa durante dia todo, pensando como seria a noite, e o que me esperaria. Por isso, comecei a inventar mil desculpas para uma possível fuga estratégica, caso ele fosse muito chato, esquisito ou inconveniente.

Na noite combinada, usei a velha tática de chegar atrasada, pois não queria ficar sentada, naquele bar, sozinha, esperando por ele.

O lugar estava cheio, afinal, era sexta-feira. Olhei em volta, procurando por algum homem sozinho, sem ter ideia de como ele seria. Assim, meus olhos passearam dos mais bonitos aos mais feios, mas a maioria de eles estavam acompanhados. Quando eu notei alguém se erguer, na clara intenção de ser visto, sorriu e acenou para mim.

Caminhei na sua direção, analisando-o, sem chegar a nenhuma conclusão, era um cara comum, mais ou menos da minha idade, tinha uma boa aparência, um rosto simpático e um belo sorriso, vestia-se bem, de um modo casual, camisa polo e calça jeans.

- Oi – sorri timidamente, quando estávamos frente a frente.

- Oi – Ele me devolve o sorriso.

- Desculpe-me pelo atraso.

- Você não demorou tanto – afirmou, quando nos sentávamos. – Bebe algo?

- Sim – respondi olhando o cardápio – Uma taça de vinho branco. – Estava disposta a beber pouco e prolongar aquela taça pelo resto da noite.

- Minha irmã disse que você voltou ao país há pouco tempo – Inicie a conversa, tentando parecer descontraída, depois que fizemos os nossos pedidos ao garçom.

- Sim, há alguns meses.

- Aonde você morou?

- Bélgica. Trabalhei em um banco lá por muitos anos. Mas, então, senti que era a hora de voltar para casa.

- Saudades?

- Não, eu me divorciei. Então, não vi mais motivo para continuar por lá.

- Deve ter sido difícil abandonar tudo e voltar.

- Não foi fácil. No entanto, minha ex-mulher era francesa, mas como eu, trabalhava em Bruxelas e quando ela foi embora, eu comecei me sentir diferente, me percebi como um estrangeiro, sem nenhum vínculo com aquele lugar.

- E você largou o seu emprego? Sua carreira? – questionei, descrente de tal coragem e impressionada por ele contar sua história logo no primeiro encontro.

- De certo modo. Mas, não se preocupe, porque já arrumei outro emprego aqui.

- Que bom!

- Claro, que não ganho nem a metade do que ganhava antes, mas dinheiro não é tudo na vida, precisava de um pouco de paz de espírito. Você deve me achar estranho por contar a minha história a uma pessoa que mal conheço.

- Não – menti, dando de ombros, com falsa indiferença.

- Mas, agora não me machuca como me machucava antes e gosto de dizer a verdade.

- Isso é bom, dizer a verdade. E há quanto tempo você se separou?

- Há mais ou menos um ano. Foi tudo muito de repente, um dia saímos para jantar, com fazíamos todas as sextas, e entre a sobremesa e o café, ela disse que iria me deixar porque não me amava mais. O pior é que eu não tinha percebido nada.

- Eu entendo o que está falando, passei por isso. Meu companheiro também me deixou assim, repentinamente, fiquei sem chão.

- É como estar preso em um pesadelo – ele confessou

- Que você sabe que não vai acordar – eu completei

- Então eu sugiro um brinde: A nós, os abandonados e sobreviventes, que superamos nossas perdas! – Ele ergueu seu copo, fiz o mesmo, brindamos, sem ter certeza se, realmente, havia superado completamente minha perda, e duvidava se ele também havia superado a dele, mas, seguramente, doía bem menos agora. Olhei nos olhos castanhos deles eram calmos e ternos, pareciam sinceros, aquilo me tranquilizou.

Depois, continuamos a conversar sobre outros assuntos, nos forçando a criar um clima mais leve. Ele era culto, simpático e agradável, contava história interessantes, discorria suas ideias com facilidade, ou seja, era encantador, mas não sabia se sentia-me atraída por ele. Talvez, ele achasse o mesmo de mim. Ambos estávamos ali só para agradar os outros. Ou, quem sabe, estava me protegendo depois de tantos envolvimentos errados, nesses últimos tempos. Eu havia criado uma casca dura, quase impenetrável, não queria mais desperdiçar meu tempo, com alguém errado.

- O que eu sinto mais falta é da companhia para as pequenas situações cotidianas, coisas banais, como ir ao cinema ou jantar fora no restaurante da esquina, assistir um filme juntos no sofá. Essas coisas de casais, mas não tive muita sorte esses últimos tempos – ele confessou. Imaginei que ou ele era mesmo muito esperto, dizendo exatamente o que eu também sentia, ou estava sendo verdadeiro.

- Que tipo de filme você gosta de assistir? – Fiquei mais interessada, rezando que ele não fosse fã de filmes alternativos e de culturas exóticas, nem de filmes de ação ou violência.

- Eu sou bem eclético. Gosto de tudo um pouco, passando por alguns filmes comerciais até filmes mais alternativos – ele declarou e eu suspirei aliviada.

No fim da noite, caminhamos até o meu prédio, paramos na frente da minha portaria.

- Gostei muito dessa noite – Percebi que ele estava sendo franco.

- Eu também – admiti.

- Podemos sair para jantar qualquer dia desses.

- Sim – assenti, realmente, gostando da ideia.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...