História Composições de Um Sorriso Triste - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias IKON
Personagens B.I, Bobby, Chanwoo, Donghyuk, Jinhwan, Junhoe, Yunhyeong
Tags Doubleb, Ikon
Exibições 111
Palavras 8.980
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


(...) Acabam antes da batida terminar.

Capítulo 1 - Bons momentos em uma estrofe (...)


 

24 de setembro de 2016.

A sombra do conjunto de árvores bloqueou completamente os raios de sol. Acima das cabeças pensativas e das bocas silenciosas, a fumaça de mais um cigarro de maconha subia aos céus, visando mesclar-se ao aroma verde do sicômoro.

 Jiwon decidiu se sentar sobre o gramado e revisar mais uma vez, com seus olhos de pupilas dilatadas, as letras que Hanbin lhe entregara naquela tarde. Por mais que forçasse sua concentração ao máximo de sua capacidade humana, as letras dançavam no papel tal como os galhos sobre si agitavam-se com o vento. Estalou a língua no céu da boca e estendeu a folha de caderno para o amigo que estava ao seu lado, tão imerso em viagem quanto ele próprio. Junhoe franziu o cenho e maneou a cabeça em negação. 

O mais velho insistiu: 

— Você é péssimo com o seu hyung, não é? — Bateu na cabeça do outro com o papel. Junhoe riu soprado. — Eu tenho uma batalha de rap hoje. Hoje. Hoje! — Gritou no intuito de ganhar a atenção alheia. 
— Hyung, eu não entendo metade das coisas que Hanbin escreve. Ele fala em uma linguagem estranha. 
— Ele é poeta. Os jurados gostam do que ele escreve. — Jiwon replicou. Sua voz soou tão convincente que o mais novo arqueou as sobrancelhas. — Mas eu também sou ignorante o suficiente para apenas reproduzir as palavras e não compreender o que elas querem dizer. 
— Precisamos parar com a maconha, hyung. — Completou com sabedoria. O Kim acenou um ‘sim’. — Mas não hoje. 
— Nem amanhã.

(...)

25 de setembro de 2016.

Grandes produtores e os mais diferentes personagens da cena underground compunham a velha boate central de Seul. Bobby, como Kim Jiwon era conhecido no rap, estava finalizando seus últimos arranjos para a apresentação da noite. Memorizara todas as letras da nova música com a qual fora presenteado e estava confiante. 

Seus olhos ansiosos, combinando perfeitamente com o comportamento eufórico, não viram Hanbin. Isso o deixou em um estado avançado de nervosismo. As pernas chegavam a estremecer diante da possibilidade de estar sozinho em um dia importante como aquele. 

Presidentes das maiores empresas de Hip Hop da Ásia estavam no evento, amontoados em mesas compridas e na companhia das mais belas prostitutas coreanas que Jiwon já tivera visto na vida. Seu coração só se tranquilizou quando viu o compositor de suas canções atravessar o salão e pegar um lugar bem próximo ao palco. Sorriu com seus dentes tortos e cedeu uma piscadela ao outro, ganhando para si um comprimento breve e tradicional coreano. Era típico de Hanbin. 

O relógio apontava meia-noite quando Bobby finalmente se apresentou. Diante dele, a casa noturna virou uma bagunça. Homens e mulheres abarrotavam o estabelecimento, dançando e cantando junto as rimas repetidas do repertório do garoto. 

Jiwon se realizou. 

Fez seu ritual habitual de jogar água nas pessoas e pulou de um lado para o outro como se tivesse bateria eterna. Hanbin assistiu até o fim. Quando a apresentação acabou e outro rapper tomou o lugar de Jiwon no palco, o menino mais novo correu para os bastidores a fim de encontrar seu amigo. 

— Procurando pelo mais bonito aqui presente? — Bobby indagou ao surgir na frente do Kim mais baixo. Seus cabelos estavam molhados e uma toalha de rosto localizava-se sobre seus ombros.
— Sim. Você o viu? — Devolveu transbordando humor. O mais velho riu e passou o braço ao redor do pescoço de Hanbin. — Acho que eles gostaram. 
— Acha? — Arregalou os olhos e encarou o rosto sereno do menor. — Eles me amam, pirralho. — Apontou para si mesmo; um sorriso vitorioso lhe estampando a face despreocupada. — Eu sou invencível com você ao meu lado. 
— Devo cobrar por isso, hyung? 
— Não seja tão seguro das suas habilidades. 

A dupla saiu pela porta dos fundos e caminhou a noite inteira pelas ruas frias do bairro central. Segundo Bobby, as estrelas ficavam mais bonitas perto do nascer do sol. E Hanbin acreditava piamente nisso também. Pegaram um lugar na ponte que conectava uma rodovia a outra, com Jiwon carregando consigo um fardo compacto de cervejas, e puseram-se a observar o começo de mais um dia na cidade metropolitana. 

Hanbin retirou o casaco e fez com este um travesseiro em que apoiou sua cabeça cansada. O rapper cogitou acender um cigarro e não o fez. Embora a ansiedade aflorasse em seu corpo, a ideia de aproveitar o corpo bonito do outro, estendido no chão e receptivo como sempre estava, apeteceu-lhe mais. 

Aproximou os lábios gélidos dos carnudos de Hanbin e esse último se desvencilhou do beijo. 

— Ah, qual é? — Bobby disparou irritado. O Kim mais novo escondeu seu rosto no próprio antebraço e se sentou, afastando-se do maior. — Achei que tivéssemos passado dessa fase. Eu só quero agradecer.
— E-eu... eu não estou bem hoje. De verdade. Não é como se eu não quisesse fazer sexo com você agora... só que... eu não estou bonito. 
— Você está igual a sempre, Hanbin. — Devolveu sem hesitar. Arrancou o maço de cigarros do bolso frontal do jeans e acendeu um filtro. 
— Não. — Retrucou o compositor. O sol que despontava no horizonte iluminou parte de sua face pálida e aflita. Jiwon o fitou nos belos olhos, aguardando que o outro prosseguisse com o assunto. — Estou careca. Por baixo da touca. 
— Deixe-me ver. — Levou as mãos à cabeça do outro, com objetivo de livra-lo do gorro, e recebeu um tapa nas mãos. — Vem aqui! — Jogou o cigarro fora e subiu no tronco de Hanbin, segurando seus pulsos relutantes e, por fim, tirando dele a touca preta. Estava realmente careca. — Oh! Isso é swag! — Percorreu os olhos pelos traços do rosto do mais baixo e sorriu de um jeito reconfortante. Juntou sua boca na do outro. A língua não demorou muito a invadir a boca de Hanbin e explorar os cantos da cavidade alheia com uma urgência beirando a luxúria. Encerrou a troca de salivas cedo o bastante para que Hanbin continuasse de olhos fechados. — Eu gostei. — Sussurrou perto da orelha do mais novo, dando-lhe, para completar, uma mordida no pescoço. — Seu defeito é estar cada vez mais magro. Coma direito. 
— Você tem mal gosto. — Ditou. Bobby sorriu e o Hanbin reproduziu o mesmo sorriso, correndo a visão pelo rosto alheio como se quisesse gravar cada detalhe rústico. — O que achou do que eu escrevi?
— Ah, Codorniz, eu não sou muito bom em interpretar as suas poesias, entende? Por mais que eu tente e trabalhe duro para aumentar minhas habilidades nesse quesito. — Sorriu derrotado. 
— Isso está errado. — Hanbin impôs com seriedade. Jiwon abaixou a cabeça e trilhou beijos no pescoço do menor. — Músicas são histórias. — Pontuou para um hyung desinteressado. — E às vezes a história fala com a gente para dizer alguma coisa. 

(...)

30 de setembro de 2016.

De porta fechada, o grupo de amigos se divertia no quarto de Hanbin. Ao contrário do que era rotineiro, com a presença de Jinhwan, Yunhyeong e Donghyuk, o espaço agora comportava também Junhoe, jogado na cama na companhia de uma garrafa de vodca, Bobby e Chanwoo. Este último era vizinho de Hanbin e vivia na casa do garoto, ainda que não abrisse a boca para falar sobre muitas coisas. 

O dono da residência bufou de forma audível e resmungou para que o restante fizesse silêncio, mas todos estavam vibrando com as linhas de freestyle jogadas ao ar por Jiwon. Até mesmo o compositor ficaria feliz de ouvir as letras improvisadas do mais velho, mas a dor latejante que sentia na cabeça mexera com seu humor. 

Estava imerso em papéis e ideias melancólicas. A função de compor o que Bobby apresentaria nas competições de inverno era sua prioridade e seu fardo. Nas ideias de Hanbin, se Jiwon não tivesse o que apresentar e fosse vetado dos shows, ele estaria acabado e de nada serviria para o outro. 

— Droga! — Esbravejou. Todos o encararam. — Façam silêncio. — Acrescentou ao massagear as têmporas por cima da touca. Bobby riu e deu de ombros, completamente alienado ao estresse do compositor. — Que seja. Eu vou ao jardim. — Levantou-se bruscamente da cadeira de rodinhas. 
— Aproveite para tomar um pouco de ar, Hanbin. Você está cada vez mais branco e isso não é um bom sinal. — Jinhwan advertiu. — Não é saudável. Mais tarde eu quero cozinhar para você. 
— Você não gosta de cozinhar, hyung. Você odeia o cheiro dos alimentos crus e o cheiro de tempero que fica nas mãos. — Hanbin retrucou. 
— Mas por você eu farei. Olha como eu sou bonzinho! 

O garoto pegou sua caderneta e saiu do quarto, pisando duro. Bobby respirou fundo e se levantou também, andando de um lado para o outro com uma pequena porcentagem de culpa por ter irritado o mais novo. Não gostava de correr atrás dos outros e se desculpar quando errava, mas com Hanbin era diferente. Automaticamente, quando agia feito um ogro desalmado, via-se na obrigação de consertar as coisas. 

E assim o fez. 

Desceu as escadas e logo se pôs a caminhar para os fundos da casa. O Kim mais baixo estava, assim como ele há poucos minutos, andando de um lado para o outro. A porta de vidro bloqueava o som e, mesmo assim, os lábios carnudos do outro deixavam claro que ele estava praticando o que havia escrito para o rapper. Bobby sorriu. Cruzou os braços no tórax e sorriu em admiração. Em meio aos movimentos cheios de marra do mais novo e a felicidade com a qual ele ditava as rimas ao vento, a memória de Jiwon trouxe para si uma lembrança:

-

03 de março de 2015.

O inverno o obrigou a vestir mais roupas que o necessário. Era um frio que não podia suportar. As juntas doíam e a boca estava arroxeada. Nunca vira uma manhã fria como aquela na cidade. Caminhou até o prédio de uma famosa produtora coreana e se posicionou na fila para a audiência da mesma. Atrás de si, mais coberto por tecido do que ele mesmo, um moleque que aparentava ser alguns anos mais novo pegou o último lugar na fila. Bobby o encarou da cabeça aos pés e contraiu seu rosto em uma expressão rude. Imaginou que seria bom espantar seus rivais. O garoto, por sua vez, devolveu-lhe um sorriso com a boca cheia de dentes e o cumprimentou com a cabeça. 

Nenhum deles foi aceito na empresa. O menino por não conseguir cantar em público – errando e esquecendo cada verso da música – e Jiwon por ter letras horríveis que falavam sobre porcarias que os jurados estavam cansados de ouvir. Sem ao menos avançarem da fase seletiva, Bobby decidiu chamar o outro para um café. Não pelo motivo de ter se interessado pela companhia alheia, mas por estar terrivelmente disposto a ouvir algumas das letras que aqueles que os julgaram exaltaram tanto.

Jiwon descobriu que Hanbin, como se chamava o rapaz, além de um ótimo compositor, era apaixonado por Hip Hop. Ouviram o arsenal de músicas baixadas no celular do americano e debateram sobre diferentes tipos de fluxo. Hanbin não conseguia enfrentar seu medo de cantar em público. Até mesmo em uma pequena demonstração para seu novo amigo, esquecera a letra cinco vezes e xingara inúmeros palavrões ao desistir de cantar para o mais velho. 

Bobby sorriu internamente. Hanbin era bonito e tinha um timbre incrível, mas melhor que isso era o seu dom de compor situações com as quais qualquer um poderia se identificar. Nascia ali uma aliança conveniente. Jiwon queria cantar mais do que histórias sobre prostitutas morrendo de overdose numa pilha de dinheiro, e Hanbin, com seu cabelo incrível e sorriso fácil, sonhava em brilhar... mesmo que fosse através de outra pessoa. 

-

30 de setembro de 2016.

A noite caiu e as peças daquele grupo se retiraram da casa do Kim mais novo. Menos Bobby. Deitado no mesmo lugar que antes era ocupado por Junhoe, o rapper mendigava a atenção do parceiro. Hanbin tirara o dia para escrever nas malditas folhas de linhas horizontais azuis. Jiwon sentia falta do calor do outro; do suor mesclando-se no seu conforme estocava alguns centímetros do interior anal daquele que escrevia palavras incansavelmente. 

Os pais de Hanbin o odiavam no início, até porque o estrangeiro tinha péssimos modos e um vocabulário extenso de palavrões, mas depois de um tempo o aceitaram ali dentro. Curiosamente, os pais do mais novo faziam tudo que ele queria e Bobby se intrigava com isso. Certo dia, bebeu demais e decidiu afrontar a senhora Kim dentro de sua própria casa, dizendo que levaria o primogênito da família para beber. Surpreendeu-se ao ouvir a mulher dizer que fizessem isso o quanto quisesse, mas que o rapper, em momento algum, deixasse de zelar por Hanbin. 

— Acho que por hoje é isso, não? — Bobby despejou. Suas pálpebras estavam cansadas, lutando para se manterem abertas. Hanbin agitou a cabeça em um forte e decidido ‘não’. — Você não comeu nada. Não falou com ninguém. Não me deu atenção. Só escreveu como se o mundo fosse acabar amanhã e você estivesse sem tempo. — Finalizou com um bocejo. Hanbin não respondeu. — Eu vou embora. 

Sentiu-se invisível novamente. 

Cansado demais para discutir com o menor deles, Jiwon calçou os sapatos e vestiu a jaqueta preta de couro. Hanbin soltou o lápis sobre a mesa e encarou o modo como o mais velho se preparava para sair de sua casa. Os corações dos dois estavam pesados demais e o escritor não conseguia manifestar qualquer palavra protestasse contra a iniciativa de Bobby de ir embora. 

Mas Hanbin não queria que ele fosse. 

Naquela noite em especial, o céu não possuía tantas estrelas e o frio trazia ao mais novo uma sensação deprimente muito arrebatadora. Tentando vencer o orgulho e a humilhação de pedir para que o mais alto permanecesse consigo, abandonou as composições e retirou a camiseta de mangas compridas. A atenção de Bobby fora depositada no ato do outro. O rapper engoliu em seco e posicionou o boné sobre os fios de cabelo preto. 

Hanbin estava magro

Bem mais magro do que Jiwon se lembrava na última vez que foderam. 

Nada foi dito. O compositor se livrou rapidamente das roupas, em meio a uma guerra interna travada pela vergonha de mostrar o quanto havia emagrecido, e Bobby, sentado à cama, abraçou seu quadril. Beijos mornos adornaram o abdômen do Kim mais novo, descendo até a virilha e arrancando dele uma sequência de arrepios. 

Ambos se deitaram na cama pequena de solteiro, quando o americano retirou todas as suas vestes, e iniciaram um beijo brando que em nada combinava com as rápidas passadas de mão pelo tórax do mais novo. Os pelos claros e finos do corpo de Hanbin se eriçaram. 

Bobby sorriu ao perceber e reação que causava no outro. Dominou os braços de Hanbin, como fizera há noites atrás, e se colocou por cima. Seu íntimo estava ereto. O criador das letras de rap umedeceu os lábios, involuntariamente, e mordeu com força o inferior. Retomaram o ósculo. 

A língua afoita do moreno percorria sua boca com uma intensidade sexual que deixou Hanbin, assim como Bobby, imerso em excitação incontida. Jiwon se posicionou entre as pernas do mais novo, no instante em que este cobriu sua face vergonhosa com o braço, e abocanhou-lhe o pênis. Enterrou-o fundo na garganta, bombeando a glande contra o seu limite e, vez ou outra, engasgando conforme o comprimento aumentava. 

Era o paraíso na Terra. 

— Hum... isso... i-sso é bom. Não pare. — Disse Hanbin. As mãos foram parar sobre os cabelos escuros de Jiwon, bagunçando-os com uma necessidade incontrolável. Espasmos adornaram seu baixo-vente. — Hyung... você é bom com a boca. 

Feliz com o comentário do parceiro, Jiwon sorriu perverso ao retirar o membro rijo de sua boca sedenta. Migrou as carícias da extensão do falo para a entrada rósea do compositor, sugando-lhe as pregas com uma maestria que fazia Hanbin se contorcer no colchão. Bobby introduziu o dedo indicador no orifício e, ao perceber que o mais novo se acostumava com a espessura, adicionou o dedo médio.

 Movimentou os dois dentro do rapaz como se não se importasse com a dor alheia. E de fato não se importava. O seu próprio sexo pulsava de tesão. Hanbin nem ao menos fora avisado quando seu rapper de expressão dominadora substituiu os dígitos pelo órgão sexual fálico. Para afagar um gemido estridente que se alojara no topo de sua garganta, o mais novo mordeu as costas da mão e pressionou as pálpebras uma contra a outra. 

Era dolorido. 

Uma dor aguda que espetava sua virilha e subia até o estômago, fazendo-o se revirar por consequência do desconforto. Mas os olhos profundos de Jiwon estavam diante dos seus, dizendo de maneira muda que ele seria bem cuidado como sempre havia de ser. 

— Faz muito tempo desde que... — Bobby fora cortado por um gemido rouco que lhe obstruiu a frase. Hanbin abriu seus olhos e focou sua atenção no semblante sério próximo ao seu rosto avermelhado. — Está tão apertado... 

A pélvis do rapper chocou-se nas nádegas alheias. A intimidade do estrangeiro atingiu em cheio o limite mais sensível no corpo de Hanbin, que não conseguiu controlar um suspiro mais longo ao ver, quase que literalmente, estrelas no teto do quarto. 

Jiwon entrelaçou seus dedos com os do menor, deixando de lado o contato agressivo em seus pulsos finos, e afundou o rosto na curvatura do seu pescoço. O cheiro do garoto magricelo era inebriante; uma fragrância amadeirada e selvagem que o fazia perder a noção da realidade. Tentavam ao máximo conter os ruídos sexuais que pouco a pouco preenchiam o cenário.

E por falar em cenário, a penumbra provinda da iluminação do abajur deixava o Kim mais velho um tanto misterioso. Hanbin não podia decifrar as expressões do outro. Envolto em uma aura obscura, apenas a voz grave de Jiwon chegava ao seu conhecimento, tirando de si o resto de sanidade que trabalhara duro para manter. 

Marcas dos chupões deixados por Bobby preenchiam a derme clara e macia de Hanbin. Este último, hipnotizado pelo fato de estar sendo possuído pelo outro, não o reprimiu por tal atitude de monopolização. O filho mais velho dos Kim que viveram a vida inteira na Coreia estava fora de si, entregue ao toque viciante do rapper. 

O corpo esguio explodia em pequenos fogos de artifício quando sua próstata era surrada pela glande de Jiwon. Hanbin até alucinou sobre seu interior estar em chamas com as investidas contra a sua circunferência anal. Era prazeroso. Melhor do que escrever letras sobre Jiwon, ainda que ele não soubesse se reconhecer nelas, era tê-lo dentro de si como se apenas eles existissem no mundo.

E em momentos como aquele, longe de tudo e de todos, era possível acreditar que eram os únicos a habitar até mesmo o universo composto pelas estrelas que tanto gostavam. 

Hanbin não notou quando Jiwon o posicionou com os joelhos e cotovelos pressionados no colchão e se postou atrás de si. A primeira penetrada o fez respirar ofegante. As unhas foram enterradas nos lençóis com uma violência semelhante a qual Bobby entrava e saia de dentro do seu ânus. 

Sentiu falta, entre uma estocada e outra, do cabelo desfiado lhe cobrindo os olhos quando abaixava a cabeça para que o mais velho não o visse gemendo seu nome. Achava-se feio e estava inseguro sobre o outro ver o mesmo, mas estar com o rapper era mais forte do que dar ouvidos aos seus demônios pessoais, lembrando-o a todo momento de que o tempo era curto demais e que as estrelas que brilhavam além das nuvens em breve viriam buscá-lo. 

Gozaram quase juntos. Após a transa que Bobby tanto viera cobrando incansavelmente nos últimos dias, decidiram dormir abraçados. Jiwon, tomado por um cansaço avassalador, dormiu rápido o suficiente para não tomar conhecimento de que, ao seu lado, Hanbin reprimia seu choro que duraria até outro dia de sol despontar no céu fosco. 

(...)

05 de outubro de 2016.

O tempo passou sem que Jiwon visse o amigo compositor novamente.

A ansiedade o fez gastar dois maços de cigarro por dia. O clima frio da época o fazia mal-humorado. Nem os jogos que disputara – e vencera – com Junhoe o deixavam menos desanimado com a vida. Transitou de um lado para o outro no piso de madeira, fazendo ecoar pela sala um barulho irritante que tirou de June um milhão de palavrões. Mas Bobby não ouviu. Estava aéreo. Resolveu pegar o celular e enviar mais um monte de mensagens para Hanbin, mas não recebeu resposta. 

Perto das seis da tarde, contemplado por uma aglomeração de carros que tornou o trânsito infernal, foi à casa do compositor. Não encontrou nem sinal dos pais do garoto ou do próprio. Coberto por uma onda de preocupação que nunca sentira antes, perguntou do paradeiro do rapaz para uma vizinha que estava varrendo a calçada. 

Óbvio que de nada adiantou. 

A mulher não via Hanbin e a família há dias. Desesperado e com péssimos pensamentos nadando em sua mente ansiosa (e depressiva), pegou o carro velho e foi até a residência de todos os amigos de seu pequeno poeta. Ninguém soube responder sobre a ausência de Hanbin ou para onde ele pudera ter ido. 
Bobby achou aquilo forçado. “ Se são amigos dele e convivem juntos, como não estranham quando ele desaparece? ” Questionou mentalmente. 

Um riso debochado escapou de seus lábios no instante em que Jinhwan balbuciou a mesma resposta que ouvira o dia todo. Ir para casa ficou fora de questão quando a noite se estendeu sobre o céu e a lua fez companhia a ele. Sentou-se nos degraus da porta da casa do mais velho e vasculhou o celular atrás de alguma mensagem que tranquilizasse seu coração. Inútil. 

— Está frio e você não veio agasalhado, Kim Jiwon. — A voz suave de Jinhwan invadiu sua audição. Bobby olhou para trás e engoliu em seco. Suas pupilas estavam dilatadas e os lábios sem cor. — Não é saudável. — Pegou um lugar ao lado do rapper e fechou o casaco para se livrar das correntes de vento. 
— Foda-se. — Murmurou baixo. As mãos estavam trêmulas. — Eu estou com um mal pressentimento, hyung, então não vou embora até que alguém me diga o que aconteceu. 
— Hanbin viaja muito com a família. Apenas isso. — Tossiu. Jiwon não engoliu a resposta e, com objetivo de demonstrar tal conclusão, arqueou uma das sobrancelhas. — É sério, garoto. Você é apaixonado por ele ou algo assim?

Dentre todas as respostas que o de cabelos castanhos esperava do moreno, a que mais demorou a fazer sentido foi a que ele realmente recebeu de volta: 

— Sou. 

Um silêncio interminável se instalou. Jinhwan encarou Bobby por mais tempo do que gostaria, o que gerou para si um olhar hostil por parte do outro. Jiwon se levantou para ir embora e, antes disso, checou mais uma vez o aparelho celular. Por estar de costas e distraído em seus martírios, Bobby não percebeu que o melhor amigo de Hanbin movia os lábios para lhe dizer o que ele buscara a tarde inteira ouvir. Ao contrário disso, deu passos apressados rumo ao veículo e enxugou as lágrimas que coloriam de vermelho seus olhos minúsculos. 

Cuide-se, Jinhwan hyung.  

(...)


Seu coração estava pesado e amargurado dentro do peito. Em algum momento entre correr feito um maluco com o automóvel e parar em acostamentos para chorar, Jiwon comprou uma garrafa de uísque e foi para o velho viaduto em que passara bons momentos perto do mais novo. Nenhuma pessoa podia lhe fornecer as informações que rodara Seul inteira atrás, mas as estrelas pareciam estar no céu para confortá-lo.

Elas sempre estavam. 

Bebeu mais da bebida do que bebera na sua vida inteira. Lembrou-se do rosto do compositor e de seus lábios macios sempre pronto para serem beijados. Pensou novamente em plausíveis desfechos para o sumiço do garoto, afinal de contas, Hanbin nunca fora magro como agora e sua aparência transmitia cansaço. 

“Músicas são histórias. E às vezes a história fala com a gente para dizer alguma coisa”. 

— Então vamos conversar, Hanbin. — Balbuciou embriagado. Sacou de novo o celular do bolso e procurou pelas letras de seus raps anteriormente apresentados. Os globos oculares exaustos demoraram a manter o foco nas linhas rimadas e a cabeça zonza dificultou o processo de entender o que havia lá. — Que merda, Jiwon! Por que você é tão burro?! — Bradou contra si. 

Ler sóbrio já era difícil e naquela situação seria impossível. 

Mas o rapper estava determinado. 

Tentou arduamente e insistiu nas letras quando nem ao menos seu nome fazia mais sentido. O sol alaranjado, em sua promessa de ressurgir em todas as noites escuras e até mesmo tempestuosas, apareceu por entre os prédios. As írises de Jiwon pareciam maiores. Lendo palavra por palavra – quantas vezes fosse necessário – para entender o que Hanbin queria dizer, Kim Bobby chorou. 

A resposta se materializou à sua frente de uma maneira que ficou impossível de conter as lágrimas. Ou os soluços desesperados na calada de mais uma manhã na capital. Suas mãos tremiam e o ar não circulou nos padrões da normalidade de alguém fumante e sedentário como ele. E a dor era grande demais para que o coração pudesse suportar.

Permitiu-se afundar em pranto. Um misto de ódio e tristeza assolou seu emocional, resultando nas piores reações histéricas protagonizadas por Jiwon. Ele se levantou do gramado no qual vivera grande parte de suas noites como cidadão coreano e amaldiçoou os céus por fazerem de si um homem cego. O rapper vivera durante um ano ao lado de Hanbin e não fora capaz de notar as gradativas mudanças que o menor apresentava. 

Os goles bem sorvidos de uísque destruíram o conteúdo da garrafa. Bobby andou trançando as pernas e se escorando nas vigas de concreto que sustentavam a ponte. A crise de ansiedade atingiu o topo do seu organismo frágil. Em meio aos gritos aflitos cedidos naquela solidão interna, o estrangeiro arremessou o celular na parede e o estilhaçou em incontáveis partículas. 

-

12 de julho de 2016.

“Essa é de um garoto que está morrendo” Hanbin disse ao entregar mais uma folha amassada para Bobby. O rapper a tomou nas mãos e a analisou, ainda que não compreendesse muito da poesia nas composições. “Espero que não tenha ficado ruim... a gripe está me deixando cansado”.
“Oh, obrigado, seu prodígio!” Bagunçou as madeixas do outro e sorriu. “As pessoas curtem suas letras porque são sobre situações que as emocionam de alguma forma”

Atiraram pedras nas poças que a chuva largou sob a grande construção em que os carros passavam em cima. Hanbin não queria conversar e Jiwon estava mais interessado em fumar seu cigarro e, assim, memorizar suas letras. 

Ele amava como o outro tinha as palavras certas para expressar sentimentos. 

Uma vez que o sol começara a se pôr no mesmo ponto costumeiro da cidade, Bobby sugeriu que os dois saíssem de lá. Caminharam naquele clima fresco de verão e riram sobre várias bobagens ditas pelo estrangeiro sobre sua estadia no sul do país norte-americano. Por fim, o mais velho acompanhou o mais novo até a porta de sua casa e acabou com outro filtro de tabaco antes que o menino decidisse entrar. 

“Ei, Hanbin” Gritou. O menor deles se virou. “Eu vou retomar o Ensino Médio no ano que vem... aí as suas poesias farão sentido para mim” Completou com um sorriso típico seu. 
“Existem coisas que eu não gosto de comentar e eu acabo escrevendo. É doloroso e assustador de falar... assim... em voz alta” Murmurou de um jeito que o rapper quase não ouviu com exatidão. “Sou bem covarde...” engoliu em seco e sorriu triste. 
“É um pouco sobre você gostar de mim, não é?” Jiwon riu e o mais novo o imitou. “Eu também gosto um pouco da sua companhia, Hanbin. Somos uma boa dupla”. 
“Como cerveja e frango?”
“Como cerveja e frango”.

-

06 de outubro de 2016.

As vozes ecoavam de modo que assustou quem dormia no chão frio. Kim Jiwon abriu suas pálpebras, desnorteado e com uma forte dor de cabeça, e olhou ao redor. Era noite novamente e um grupo de mendigos se aquecia com o fogo que saía de um tambor de lixo. 

O rapper se sentou, esfregou seus olhos inchados e massageou as têmporas. Odiou-se por ter dormido em um local como aquele, cujo perigo estava até mesmo nos insetos que ali poderiam ter. Pôs-se em pé e caminhou como um ser perdido até o carro. Decidiu que não olharia sua própria figura no espelho do retrovisor e nem choraria mais por pensar coisas ruins sobre Hanbin. 
Hanbin tentou por meses lhe contar que estava doente, muito provavelmente em uma situação terminal, e Bobby não percebera. Preferiu acreditar que as composições se tratavam de dilemas adolescentes que ele não entenderia.

A culpa e a decepção o preenchiam por completo. 

Guiou seu veículo até a casa do pequeno compositor e o estacionou no jardim mesmo. O imóvel estava apagado, sem sinal nenhum da família de Hanbin ou dele mesmo. A ausência de um muro ou um portão de madeira maciça, típico da Ásia, facilitaram que Bobby invadisse a residência através de um chute dado na janela da sala. Seus nervos tremiam por conta da adrenalina de estar fazendo algo como adentrar o lar alheio de um jeito tão grotesco e fora da lei. Sentia-se em um filme. 

— Hanbin-ssi! — Chamou ainda que tivesse certeza que ninguém responderia. 

Subiu as escadas que levavam aos quartos e entrou no do amigo doente. Tudo estava como ele se lembrara na última vez que fizeram sexo. Os pôsteres de grandes nomes do hip hop, o violão que arriscaram aprender a tocar no mês em que o Kim patriarca resolveu presentear o filho, a poltrona em que Jiwon costumava fumar enquanto apreciava a concentração – e expressões faciais – usada por Hanbin na composição de cada verso. 

O velho peso no coração voltou a visitá-lo. Bobby colocou a mão em cima do lado esquerdo do peito e mexeu nas gavetas do quarto em busca de alguma resposta. Olhou embaixo da cama, nas repartições da escrivaninha e em cada centímetro do armário, que por sinal teve suas roupas e pares de tênis jogados no chão. 

Havia uma bagunça e nada de soluções. Após intermináveis horas de procura, o rapper se viu exausto. Deitou-se na cama do mais novo e abraçou consigo o travesseiro que Hanbin dormia. O cheiro que o mesmo exalava o deixou embriagado, imerso no mar de desespero e incerteza ao qual pertencera desde o começo daquele inferno. Adormeceu deprimido e frustrado. 


07 de outubro de 2016.


O garoto vindo dos Estados Unidos acordou com um toque sutil em seu ombro. Assim que abriu os olhos, a primeira coisa que viu foram olhos extremamente familiares que fizeram seu coração surrar o peito em pulsações desesperadas. A pessoa que o acordou recuou dois passos, incerto do que tinha acabado de fazer. 

Bobby se sentou no colchão e abraçou os joelhos. Estava de botas no estilo militar e o barro nestas sujou de marrom o tecido branco do edredom bagunçado. O pai de Hanbin, assim como a mãe, estava aterrorizado com a presença do mais novo na casa. O rapper não dava a mínima para as consequências da invasão. Ele só estava estranhamente feliz por ver a família do compositor. 

— O que você está fazendo aqui, Kim Jiwon? — O patriarca indagou. A mãe colocou suas mãos no batente da porta e escondeu seu corpo parcialmente atrás dele, visivelmente temerosa a Bobby. — A casa... meu Deus. Está tudo um caos. — Passou a visão pelo quarto e engoliu em seco ao estacioná-la no moreno que parecia pouco se importar com o estrago. — Principalmente você. 
— Quero vê-lo. — Jiwon se pronunciou em resposta. O homem mais velho que si desordenou os próprios cabelos e suspirou pesadamente. A mulher começou a chorar e se retirou do cômodo. — É cruel fazer isso comigo depois de tudo. 
— Nós sabemos. É só que... — Respirou fundo e encarou o rapper. — É complicado e doloroso, sem falar que foi uma escolha dele. Ele não queria que você o tratasse diferente como os outros. E isso é compreensível. — Explicou em tom de voz seguro. O coração de Bobby disparou. — Jinhwan não era mais o mesmo... nem Yunhyeong, Donghyuk ou até mesmo Chanwoo. 

-

16 de maio de 2016.

Dentre as coisas que Bobby mais odiava no mundo, estar em um parque de diversões, com a luz e a gritaria, era de longe a pior. Mas Hanbin estava feliz e o rapper mais ainda depois de ganhar um prêmio em dinheiro por mais uma conquista no mundo underground. Chanwoo se soltou da mão de Yunhyeong, que era seu veterano na academia de artes cênicas, e entrelaçou seus dedos com os de Hanbin. 

Jiwon arqueou as sobrancelhas. 

“Ciúmes? Isso não combina com você” Junhoe afirmou rindo. O rapper franziu a testa e deu passos mais rápidos em direção ao compositor. “Não seja ridículo”.
“Não seja intrometido” Respondeu o estrangeiro. Cessou a caminhada rápida ao encontrar uma barraca de bebidas. “Estou querendo outra cerveja. Você que está vendo coisa onde não tem”. 
“Pegue uma para mim também!” Donghyuk gritou. “Não conseguirei andar em nenhum brinquedo se estiver sóbrio”. 
“Ninguém é ruim o suficiente para merecer seu vômito, criança” Jinhwan disse à Donghyuk. Este último abaixou a cabeça e concordou. “Beber e andar em brinquedos não é uma boa ideia”.

O moreno que estava parado em frente a atendente, sendo fitado pelo semblante antipático desta, deu de ombros e colocou o dinheiro da bebida sobre o balcão. A mulher lhe deu uma ficha que equivalia a uma cerveja. 

“Bobby! Hanbin também quer” O hyung de todos falou em voz alta. Jiwon se virou para trás, com uma expressão confusa, e deu dinheiro de mais uma cerveja a atendente. “Você pega as duas e nos encontra na roda gigante, sim? Junhoe quer andar nela comigo porque tem medo”.
“Mas...” Bobby disse. Todos, menos Hanbin e Chanwoo que estava bem a frente do bando, olharam para ele. “E se Hanbin vomitar?”
“O estômago dele é forte, mas... se acontecer... acredito que está tudo bem arrumarmos confusão por causa dele” Yunhyeong afirmou. Um fraco ‘sim’ saiu de Jinhwan. “Só hoje”. 

-

Perdido em seu próprio sofrimento, Jiwon maneou a cabeça positivamente e reprimiu o choro dolorido que se materializou no topo de sua garganta. O pai de Hanbin se sentou na cama, ao lado do rapper, e tirou do bolso da camisa xadrez um filtro amassado de cigarro. Bobby lhe ofereceu o isqueiro. A sinfonia da cena era, basicamente, os gritos de sofrimento da mãe. A mão de Jiwon se manteve sobre o peito, medindo a intensidade de seus batimentos cardíacos. 

— É o hospital central. — Informou o homem. Bobby escondeu o rosto na manga do moletom. — Ele gostaria que você se lembrasse dele de um jeito bom e não como está agora, mas eu acho que você não o perdoaria em uma situação dessas e ele não pode partir dessa forma. 
— S-Sim. — Foi o que o rapaz conseguiu despejar. Suas mãos estavam trêmulas e os globos oculares marejados. 
— Nós temos sido fortes. — Repousou sua mão no joelho de Bobby e o olhou nos olhos. — Quando a vontade de chorar for muito grande e o seu coração não suportar mais, diga que vai ao banheiro. — O pai alertou. Sua voz estava apática, assim como suas expressões que anteriormente demonstravam impotência. — Não faça eu me arrepender de ter traído a confiança do meu filho... e não o prive de ver seu sorriso. Essa é uma boa recordação de quem amamos para se levar do mundo. 


(...)


As paredes brancas e o ar gélido passavam a Bobby uma sensação fúnebre. Seu rosto estava menos avermelhado e as bolsas embaixo dos olhos haviam diminuído. Andando ligeiramente, a enfermeira chegou ao quarto duzentos e oito. Jiwon sentiu suas pernas estremecerem. Os dedos ficaram gelados e a quantidade de saliva em sua boca quase se tornou escassa. A mulher mais velha abriu a porta e entrou primeiro. O rapper se viu aflito ao ouvir a voz de Hanbin, saudando a funcionária com uma fraqueza perceptível. Introduziu-se ao cômodo quando a enfermeira disse seu nome e anunciou sua visita. 

Hanbin estava surpreso ao vê-lo. Flores e balões estavam ao redor da cama, mascarando o espaço melancólico com uma decoração que bem condizia com a personalidade do mais novo. Folhas rabiscadas e amassadas estavam jogadas em cima das pernas cobertas do Kim doente. Ele as juntou com as mãos, sem muita coordenação, e enfiou tudo dentro de uma pequena caixa de madeira. 

— O que você faz aqui, Jiwon? — Questionou. Sua voz soou receosa. — E-eu não te convidei. Você não deveria estar nesse lugar... e nem me ver assim... ou...
— Calma! — Bobby exclamou. A enfermeira passou por ele e os largou a sós. O mais alto se aproximou da cama, triste por ver que Hanbin estava ainda mais magro do que se lembrava há dias atrás, e bateu com o indicador em um dos balões coloridos. Ele tentava parecer indiferente. — Eu vou ficar aqui até você aprender a rimar como um rapper de verdade. Aí, quando você for capaz de fazer na frente dos outros, vou te levar a uma competição. 
— Que?! Nossa... — Hanbin soltou um riso cheio de frustração. — Que ridículo. Ridículo! — Replicou, enfurecido. Bobby mirou os olhos na expressão inconformada do mais novo, engolindo em seco quando a vontade de chorar o dominou. — Você sabe que eu vou morrer, não sabe? Então... 
— Esse é o ponto! Se você for mal e começar a passar vergonha, o que eu acho bem possível de acontecer, é só morrer e estará tudo resolvido. — Bobby acrescentou. Sua voz soou insensível. O menino mais fraco franziu o cenho e balançou a cabeça em negação. Forçou um sorriso amarelo. — Você é covarde até quando não tem que lidar com as consequências das coisas... isso... causa pena. — Respirou fundo e estalou a língua no céu da boca. Hanbin ameaçou dizer alguma coisa. — Mas eu não vou desistir. — Finalizou por antecipação. 
— Eu nem posso sair dessa cama, seu estúpido. Como você pretende que eu me apresente para um monte de acéfalos como você? — Uma lágrima se formou em um dos seus olhos, correndo seu rosto até sumir no maxilar. — Até para ir ao banheiro...
— Não ligo. — Jiwon o interrompeu. — É problema meu o modo como vamos fazer isso, Kim. Apenas faça como você me viu fazer e se apresente no meu lugar. Você ficar aí escrevendo letras e guardando nessa caixa velha não é o suficiente para viver uma vida satisfatória. 
— Você está inscrito! — Apontou o dedo para o amigo e engoliu o choro. O rapper imitou seu último ato e migrou sua atenção para a janela. — Eles pagaram você para aparecer! E não a mim! Eu não sou você! Todos vão reconhecer isso.
— Hanbin... basta morrer, não? Achei que já tivéssemos passado dessa fase. — Bobby disparou natural, usando uma de suas frases características. — O que acontecer depois é problema meu. 


(...)


10 de outubro de 2016.

Uma folha entrou por intermédio da janela aberta e repousou na cama de Hanbin. O garoto estava estressado, cuspindo rimas com Bobby desde a hora que acordou naquela manhã fria. A enfermeira servia de plateia, sentada na cadeira como uma presença capaz de fazer com que o mais novo perdesse o medo de soltar seu rap em público. Bobby já não tinha mais paciência – e nem café – para suportar os chiliques alheios com a mesma dedicação anterior. 

— Eu sou uma negação nisso. — Hanbin jogou a cabeça no travesseiro e se cobriu por completo com a manta. Jiwon puxou o tecido que cobria o garoto e resmungou para que ele deixasse de ser infantil. — Nem com ela eu consigo formar um verso sem gaguejar ou esquecer a continuação! — Argumentou exasperado. 
— Você está nervoso, mas seu timbre é realmente agradável de escutar. — Yeri, a funcionária favorita dos dois moleques, ditou de maneira calma. Ela tirou seus óculos de grau do rosto, limpou as lentes e os recolocou no lugar. — Continue praticando. 
— Ou... — Bobby correu até sua mochila e retirou de um dos compartimentos os óculos de sol e entregou a Hanbin. — Use isso e cante de olhos fechados. Veja se funciona. 

O que estava sentado na cama posicionou a armação do adereço atrás das orelhas e fechou os olhos. Os versos, dessa vez, fluíram com mais naturalidade porque Hanbin se lembrou de como era treinar em seu quarto. Sozinho. Vez ou outra, as rimas saíam engasgadas, mas em momento algum ele se esqueceu do que vinha depois. 

Yeri sorriu quando a última estrofe encheu seu coração de alegria e Jiwon cruzou os braços com a postura de alguém vitorioso por ter conseguido uma conquista simples como aquela. 
A dupla completou mais um período de treinamento e tirou o resto do tempo para apreciar a presença um do outro. Bobby odiava esses momentos. Encarar Hanbin e pensar que ele logo morreria era uma punição dos deuses ou uma maldição infernal. 

O compositor apresentava-se mais doente ainda

Naquela tarde, jogaram xadrez e treinaram, por insistência do menor, mais um pouco de rap. Estavam sozinhos quando a lua despontou no céu. A direção do hospital, embora tivesse horários rígidos para as visitas, não desconfiava do quanto Bobby e os pais de Hanbin ficavam lá. As enfermeiras e o médico que cuidava do caso tinham dó da situação do garoto e burlavam as regras para que o Kim tivesse dias agradáveis de vida. O que acontecesse depois, assim como para Jiwon, era problema deles. 

— Você está bonito hoje. — O mais novo confessou depois de vários minutos observando o moreno. Jiwon sorriu tímido e sussurrou um ‘obrigado’ quase inaudível. — Gosto quando você não usa boné. 
— E gosta quando eu não uso nada. — Completou provocativo. Hanbin riu escandaloso e fez um sinal de positivo com a mão. — Esse pirralho... — gargalhou também. — Você não era assim, Hanbin! Cadê aquele garotinho envergonhado que corava como uma colegial japonesa?
— Eu nunca fui assim! — Hanbin espalmou as mãos no ar e moldou no rosto uma expressão de indignação. — Nem nos seus sonhos pervertidos e doentios, Kim Jiwon. 

O mais alto expeliu outra sequência reconfortante de risadas e se aconchegou na cama junto de Hanbin. Este último ficou desconfortável. Um silêncio incômodo se instalou perante os dois, fazendo com que Bobby coçasse a nuca para dissipar a tensão. Sua mão apertou a de Hanbin. O mais novo sorriu de canto, totalmente nervoso, e fixou seus olhos na textura do tecido da manta azul. O cheiro de Jiwon era um tormento. A mão firme e quente, contrastando-se com a sua, fazia seu coração desembestar a bater rápido. 

— Amanhã é o meu grande dia. — Hanbin sibilou. O rapper sorriu sereno e concordou, com a cabeça. — Estou muito feliz por finalmente poder me apresentar para um grupo de pessoas que não seja os enfermeiros do hospital. Não que eles não sejam bons telespectadores, mas eu sempre sonhei com isso e tenho a impressão de que eles não me aguentam mais. 
— Acho que eles estão torcendo para que você morra logo. — Bobby respondeu. Havia um tom brincalhão em sua voz e o mais novo riu simplista, feliz pelo amigo ter consigo esse tipo de humor. Os olhares se cruzaram, criando nos corpos uma sequência de vibrações nervosas. — Mas será divertido. O vigia disse que não vai falar nada para ninguém e que a porta dos fundos estará aberta. Ele só pediu para que você leve um casaco porque viu a previsão de que essa pode ser a terça-feira mais fria da estação. 


(...)


11 de outubro de 2016.

As luzes da casa noturna deixaram Jiwon com dor de cabeça. Além disso, o estado de Hanbin parecia mais crítico do que o da noite anterior, mas ele prometera ao menor que faria aquilo por ele. E lá estavam. O salão estava cheio e os nomes do rap se apresentavam um a um, uns levando aplausos e outros sofrendo com as vaias. Bobby teve medo da possibilidade de Hanbin ser vaiado e a transparência dessa dúvida não passou despercebida ao outro:

— Qualquer uma das reações vai fazer com que eu me sinta parte disso. Não fique aflito. — Pôs a mão sobre a coxa do mais velho. Bobby agitou a cabeça em um ‘sim’ e deu mais um gole na cerveja. — Estou satisfeito por estar aqui. 
— Qual seria seu nome de rapper? — Jiwon perguntou interessado. Hanbin ficou quieto e pensativo. — Precisa ser um nome bom. 
— Mas seu nome é Bobby. 

O moreno quase cuspiu a bebida na face alheia.

— Aish, moleque! — Estapeou a cabeça de Hanbin. Este último tossiu repetidas vezes e deixou seu professor de rap preocupado. — Está tudo bem?! — Indagou. Hanbin assentiu e abriu um sorriso sacana, insinuando que tudo não passava de uma dramatização patética. — Vai logo! Você não tem tempo!

Silêncio.
          Mais silêncio. 
A consciência de Jiwon focou seu último comentário e seu coração palpitou.

— B.I? — Lançou incerto. Bobby arqueou as sobrancelhas e quis saber o motivo daquela escolha. — “Bobby and I”... porque eu não teria um stage name e nem coisa alguma se você não me incentivasse. Somos uma boa dupla.
— Como cerveja e frango? 
— Como cerveja e frango. — Hanbin concordou sorridente. 
O nome do rapper norte-americano foi anunciado no microfone e seu sucessor se levantou com dificuldade. — É a minha hora! — Gritou. Bobby urrou de felicidade, incentivando que ele fosse logo até o palco que estava perto deles. — Caralho! 
— Sim. Diga bastante isso porque eles gostam de palavrões! — Gesticulou para que o moleque fosse em frente. — Boa sorte. 

O compositor colocou o lenço no rosto e olhou para Bobby, que cobria o seu próprio com o gorro do moletom. Hanbin enfiou o boné do mais velho sobre a cabeça careca e subiu os poucos degraus com uma complicação imensurável. Um microfone foi entregado a si no instante em que o cansaço e o nervosismo o contemplou inteiro. Parado diante de dezenas de pessoas, Hanbin retirou os óculos de sol do bolso da calça de moletom e os colocou. 

As pessoas vibraram. 

Ele fechou os olhos, alienado a todos aqueles homens e mulheres, e se dedicou as rimas de sua autoria. A energia de cantar o corrompeu. O Kim mais novo sorriu e apertou com mais força a circunferência do microfone, movendo-se independentemente da exaustão da doença. Nos poucos milésimos em que seus globos oculares captavam uma cena, era a figura de Jiwon que surgia à sua frente como um imã. 

Não era a voz de Kim Bobby, obviamente, e a felicidade do escritor das letras durou pouco menos de dois minutos. O homem responsável pela contratação dos nomes, que ficava atrás da cortina preta e com uma prancheta em mãos, não era tão burro como o mais velho acreditava. Ele interrompeu o show assim que a voz característica de Jiwon não fora identificada pelos seus ouvidos críticos. 

Os dois foram postos para fora pela segurança do estabelecimento. O melhor de tudo foi que, mesmo depois do barraco armado pelo organizador, as pessoas ainda aplaudiam as letras inteligentes e a forma relaxada como Hanbin fazia rap. A dupla se sentou na sarjeta, um ao lado do outro, e continuou rindo da situação azarada de ambos. Treinaram como malucos e mal tiveram a chance de permanecer no palco que o Kim mais novo tanto almejara estar. 

Era um ano de má sorte. 

— Eu estou realizado! — Hanbin admitiu extasiado. Bobby escondeu o rosto para rir mais do quão patético o outro parecia vestindo suas roupas. Não sabia explicar que tipo de merda tinha na cabeça quando acreditou que Hanbin poderia se passar por ele sem que ninguém desconfiasse. — Sério! Você viu como eles gostaram de mim? Meu Deus... então essa é a sensação?! Sou um talento escondido... como... — Pausou a empolgação para pensar. Jiwon cessou a risada. — EMINEM! 
— Sim. Como Eminem. Claro. Eminem. — Expôs sua ironia e recebeu um tabefe certeiro na nuca. — Aish! Isso dói. — Massageou a área atingida e encarou Hanbin. 
— Então não tire com a minha cara, seu palhaço. — Colocou-se em pé e viu suas pernas fraquejar. O rapper mais velho se levantou rapidamente e serviu de apoio para o garoto, oferecendo suas costas para que ele subisse. Hanbin aceitou. — Temos que voltar antes de prejudicar alguém. 
— É cedo. Acho que podemos ir até a praça do centro, que é perto do hospital, e assistir ao ensaio do coral que se apresentará no natal. — Propôs. Espremeu as coxas magras de Hanbin entre os dedos afoitos e lamentou a leveza do corpo do outro. O escritor de suas letras estava cada vez mais magro; reduzido ao pouco que era quando se conheceram. — Abrace o meu pescoço com força e vamos caminhar. 
— Certo. 

Cruzaram a cidade em busca da praça que Bobby queria chegar. Os carros buzinavam conforme os dois rapazes decidiam atravessar o sinal verde. Eles não entendiam que o rapper e o compositor estavam com pressa, e suas buzinadas e palavras cobertas de raiva talvez eram pressa de chegar a algum lugar também. O vento gelado ressecou imediatamente a pele do moreno. Ele sentiu suas bochechas arderem e os lábios ficarem secos. 

Hanbin conversava sem parar sobre as partes da cidade que gostava de visitar quando era criança e da saudade que tinha de andar de bicicleta. Bobby amava ouvi-lo falar. A voz de Hanbin, bem menos grave que a sua, era o combustível necessário para que ele continuasse a carregá-lo rumo ao seu destino. Quando percebia que o menor poderia cair, ele soltava uma das pernas presas ao seu corpo e segurava as mãos do menino para que elas o agarrassem com mais força. 

O relógio acima da numeração dos semáforos exibiu que duas horas haviam se passado desde que os dois começaram a cortar o município em busca da tal praça. Ouvir o coral era uma atividade que Bobby exercera desde que se mudara para Seul, pois aquilo era como uma lembrança do país que vivera e dos fins de semana na igreja que passara com seus pais. Sua família havia ficado lá e esperavam que ele tivesse, na Coréia, uma chance real de ganhar dinheiro para que todos pudessem voltar para casa. Então o coral, em noites deprimentes e insuportáveis, aquecia seu coração e fazia uma promessa muda de que as coisas ficariam bem. 

E essa era uma promessa que Jiwon gostaria que Hanbin ouvisse também.  

— Nós estamos quase chegando. — Disse ao mais novo. Suas pernas estavam cansadas e seu fôlego praticamente inexistente. — Já consigo ouvir as vozes... aguente firme, Eminem. 

Um amontoado de pessoas transitava por eles: pais, filhos, avós, amantes e todos que estavam interessados em aproveitar da melhor forma possível o inverno que viria. Árvores enfileiradas trilhavam o caminho até o grupo que praticava o canto natalino que enchia de esperança o coração do rapper mais velho. As vozes, como ele dissera há pouco, podiam ser ouvidas com mais exatidão naquela altura do trajeto. 

Seus lábios estavam entreabertos e o oxigênio inalado era insuficiente para encher seus pulmões e tranquilizar seus batimentos cardíacos. O canto melódico penetrou seus ouvidos e o fez sorrir, mas a voz que ele mais gostava no mundo não se propagava desde que cruzaram a avenida principal há dez minutos atrás. 

Ele considerou que Hanbin estava cansado. 

Jiwon apressou os passos, trombando naqueles que não saíam da frente, e correu com o corpo do menor nas suas costas como se a música fosse a salvação dos dois. E como se tivesse resistência para fazer o que fosse preciso. Sua boca repetia incansavelmente – e em sussurros – a frase “não durma, Hanbin” e os olhos procuravam pelo local de onde partia as cantigas tradicionais coreanas. 

Os joelhos doíam. 

Aproveitando-se do restante de forças que continha em seu interior, Jiwon intensificou sua corrida e tropeçou em uma elevação do chão temático da praça. Caiu de boca e Hanbin caiu por cima de si. A ardência do lábio cortado o fez reprimir um resmungo de dor. Ele girou seu tronco minimamente e permitiu que o menor fosse colocado no chão da forma mais gentil que pudera. Algumas pessoas passaram por eles e ofereceram ajuda. Jiwon não quis nenhuma, afinal de contas, não é como se eles pudessem realmente fazer algo por eles. Nem por ele. 

O rapper estrangeiro se colocou de joelhos ao lado do amigo e tentou pegá-lo em seus braços. Os olhos de Hanbin estavam fechados e os lábios arroxeados. Jiwon sustentou o corpo mais frágil que o seu nos braços, mas Hanbin não se moveu. Andou por mais cinquenta metros até se deparar com a roda de canto que tanto pelejou a encontrar. Havia um banco livre sob um sicômoro, o mesmo em que matara o tempo fumando e bebendo com Junhoe. 

Sentou Hanbin na madeira, vendo este completamente imóvel e com as pálpebras cerradas, e pegou um espaço junto do garoto. A música invadiu seus tímpanos. Seus dedos se envolveram nos dígitos gelados do compositor e os apertaram de forma calorosa. Seu coração não doía mais como os dias anteriores nos quais sofreu pela doença emocional que decidira não tratar com medicamento. 

Estava leve

Cantaram cinco músicas no restante do tempo em que Bobby permaneceu ali sozinho, agarrado ao corpo morto daquele que era o criador de suas canções tristes. Assim que iniciaram a última música, cujo tema era sobre a esperança que vinha com o fim de ano, o rapper deitou a cabeça no ombro de Hanbin e fechou os olhos. Nas promessas de que tudo ficaria bem, ele não ficou nem com a família que largou nos Estados Unidos e nem com o garoto que levou consigo até o altar do seu choro aflito. 

Mas ele estava bem e os cidadãos que os viram pela manhã, sentados no banco e cobertos por uma camada fina de orvalho, podiam jurar por todas as religiões que os dois, mesmo que em momentos diferentes da noite, morreram sorrindo como se as melodias nostálgicas do coral fossem o bastante para sanar o caos que o coração fraco de um e o corpo deteriorado do outro puderam suportar. 


Fim.


Notas Finais


E aí? Gostou?
QUERO SABER TUDO!
Conte-me.
/esconde para não receber pedrada.

Obrigada por chegar até aqui. <3

QUALQUER COISA É SÓ XINGAR LÁ NO TWITTER: @pcyfeelslike


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...