História Compromisso Inesperado - Capítulo 17


Escrita por: ~

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Categorias Bleach
Personagens Aizen Sousuke, Byakuya Kuchiki, Hinamori Momo, Hirako Shinji, Ichigo Kurosaki, Isshin Kurosaki, Izuru Kira, Karin Kurosaki, Mashiro Kuna, Personagens Originais, Rangiku Matsumoto, Renji Abarai, Rukia Kuchiki, Sado Yasutora, Shihouin Yoruichi, Shunsui Kyouraku, Tatsuki Arisawa, Urahara Kisuke, Uryuu Ishida, Yumichika, Yuzu Kurosaki
Tags Casamento, Deathberry, Família, Ichigo, Ichiruki, Rukia
Exibições 229
Palavras 3.720
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Então é isso. Estou postando o último capítulo. Quero agradecer a quem acompanhou até aqui me fazendo muito feliz como escritora e eu espero que a fic não tenha decepcionado muito vocês.

A capa desse capitulo eu vi pela primeira vez no dia em que li o abominável capitulo 686 e na legenda dizia “Era assim que eu esperava que fosse a última página de Bleach. ” Bom, faço dessas as minhas palavras, eu escrevi essa fic, de certa forma para aliviar minha dor causada por aquele final terrível do mangá, espero que tenha confortado pelo menos um pouco vocês.

Boa leitura e, pela última vez, me perdoem por qualquer erro. (Nossa, isso soou tão mórbido)

Capítulo 17 - Imperfeições


Fanfic / Fanfiction Compromisso Inesperado - Capítulo 17 - Imperfeições

A pequena garota sorria enquanto as lágrimas rolavam por sua face. Segurava com cuidado a pequena criatura de cabelos negros que chorava estridente. Ela olhava para o filho que há poucos minutos estava dentro dela e soluçava emocionada.

Depois das doze horas de trabalho de parto, a baixinha estava orgulhosa da criança que trouxera ao mundo. O marido também parecia estar, pois saíra de sua costumeira pose de durão e permitia que algumas lágrimas rolassem por sua face em silêncio.

– Diz oi para o papai. – Ela virou a criança que ainda berrava escandalosamente para o marido que sorriu levando a mão a cabeça suja do filho.

– Qual será o nome dele? – Questionou o avô sem ousar se aproximar muito.

– Eu pensei em Souken – Falou Uryuu ajeitando os óculos. – Em homenagem ao meu avô.

Rukia observava a cena parcialmente perturbada. Deu uma cotovelada no estômago de Ichigo quando ele fez cara de nojo ao ver Uryuu acariciar a cabeça melada do filho.

– Não faça essa cara. Esse é um momento lindo. – A morena cochichou, mas não era exatamente sua opinião, também está enojada com a cena em geral, mas escondia isso bem melhor que o ruivo.

– Mas ele tá sujo. – Falou o ruivo encarando a esposa. – De uma meleca que saiu de dentro dela.

– Eu sei. – Disse a baixinha deixando transparecer por um momento seu nojo. – Mas finja que tudo é lindo e maravilhoso.

Ryuuken que estava em um canto no quarto sorria disfarçadamente. O primeiro neto se tornara o maior motivo de orgulho do quincy.

– Que nome mais lindo, Ishida-kun. – Falou Inoue que segurava uma inquieta Chiharu nos braços.

– Papai, papai. – Protestava a menininha até que a ruiva se rendeu entregando a garota a Keigo.

– Vocês têm muita sorte. – Falou Yuzu ao casal que experimentava a dádiva da maternidade pela primeira vez. – Vão ver que cuidar de um garotinho é muito bom. – O filho nesse momento estava pendurado na perna esquerda dela pedindo para ir brincar lá fora, dando pouca credibilidade a fala da loira.

– Eu acho melhor cuidar de uma menininha. – Falou Seiji se referindo a filha que parecia a criança mais quieta da sala, havia espelhado o temperamento pacífico de Sado e a simpatia de Seiji, nem parecia que fora adotada aos seis anos. – Mas como nunca fui pai de um menino, não posso saber.

Sado balançou a cabeça concordando com o marido.

– Agora só falta o Oni-san e a Rukia-chan para a próxima geração estar encaminhada. – Falou Yuzu sorrindo enquanto tentava fazer o filho soltar sua perna.

Ichigo e Rukai se entreolharam sem jeito e sentiram o olhar de todos sobre si.

– Verdade. Kuchiki, quando você e a Rukia-san pretendem ter filhos? – Perguntou Uryuu, fazendo o casal se retrair mais ainda.

– Hum... É... Logo. – Respondeu Ichigo sem qualquer certeza do que estava falando.

– Logo?! – Rukia olhou confusa para o marido se perguntando quando eles decidiram aquilo.

– Não sabemos quando vai ser, não pensamos nisso. – Corrigiu Ichigo, sabiamente, com medo da esposa.

– Eu sei que é bom curtir os primeiros anos de casamento, mas vocês não imaginam como é gratificante cuidar de um bebê. – Falou Keigo que deixava Chiharu puxar seu cabelo.

 

Caminhando pelo senkaimon em silêncio, Ichigo e Rukia pensavam nos acontecidos das últimas horas.

– Rukia... – Ele chamou bagunçando o cabelo ruivo. – Você ainda está animada para ter bebês? – Estava apreensivo com a resposta.

– Para falar a verdade, nós podíamos adiar isso... – A baixinha acompanhara boa parte da gravidez de Yui e também o parto. Depois de testemunhar o sofrimento que a ruiva passara na gestação e a tortura infligida pelo filho à mãe no parto, Rukia estava repensando se queria mesmo a maternidade.

– Ainda bem. – Ichigo assumiu o alívio.

Não era como se o ruivo não quisesse ter filhos, mas não queira por um bom tempo. Esses últimos quatro anos que passara casado com Rukia foram os melhores de sua vida, não queria ter que dividir sua baixinha com outro ser tão cedo, já bastava o coelho de estimação desgraçado que ela vivia abraçando.

 

Ichigo e Rukia atravessaram o portal de volta para Soul Society encontrando a maioria das edificações decorada com fitas e tecidos alaranjados e roxos. Todo ano era a mesma coisa e para a infelicidade do casal, não podiam sair na rua que recebiam uma infinidade de presentes, cumprimentos e parabenizações.

Aproveitando que ainda era cedo e poucas pessoas transitavam pelas ruelas, os dois se apressaram rumo ao lar, infelizmente, moravam fora da seireitei e não conseguiriam chegar em casa antes que os moradores saíssem e os encontrassem.

– Feliz dia de IchiRuki. – Falou uma senhora que varria distraidamente a calçada.

– Feliz dia de IchiRuki para a senhora também. – Falou Rukia enquanto Ichigo só acenou com a cabeça.

– Espera, vocês não são eles? São sim! Meus parabéns. Por favor, me permitam presentear-los de alguma forma. – Dizia a senhora sorrindo sem acreditar na sorte que teve. – Gostariam de alguma coisa para comer? Eu preparo em um momento.

– Obrigada pela gentileza, mas passamos a noite em claro no mundo real e precisamos descansar. – Falou Ichigo com medo que Rukia aceitasse por educação.

– Oh sim, mas é claro. Sei que são muito ocupados. Mas me permitam lhes dar algo. – Ela caminhou ligeira para dentro da casa e voltou em dois segundos com uma cesta. – São os melhores pêssegos que poderiam encontrar, são da árvore da casa do meu filho.

– Não podemos aceitar… – Argumentou Rukia sem sucesso.

– Por favor, seria uma honra para mim. – Ela sorria estendendo as frutas ao casal.

– Muito obrigado. – Disse Ichigo recolhendo a cesta.

Eles saíram caminhando com as cabeças baixas tentando impedir que mais alguém os reconhecesse. Estavam inclinados a usar o shunpo para se locomover, mas as novas leis de restrição de uso de poderes impediam a técnica dentro da seireitei fora de momentos de crise.

Percorreram um bom percurso pelas ruas quase desertas sem serem descobertos, o que era quase um milagre pois o cabelo comprido e a barda de Ichigo pareciam um letreiro em neon indicando suas identidades. Essa era uma das ocasiões em que Rukia se sentia inclinada a pintar os fios ruivos do marido de preto, evidente que não faria isso, ela amava acordar ao lado de seu sol particular.

– Feliz dia de IchiRuki, Kuchiki taichous. – Falou uma voz vindo de trás. O segundo de pânico passou assim que reconheceram o capitão de cabelos vermelhos de aproximando.

– Tia! – A garotinha de cabelos vermelhos que estava sobre as costas do pai tentou se jogar na baixinha.

– Oi Ichika. – Rukia acolheu nos braços a menininha de cabelos vermelhos. – Como vai minha macaquinha?

– Tsc. Já disse para não chamar ela assim. – Reclamou Renji, em resposta Rukia e Ichika mostraram a língua para ele.

Rukia sacudia a menina de cabelos vermelhos semelhantes aos do pai sem parar, ela ria descontroladamente enquanto os dois capitães ruivos observavam a cena impacientes.

– O que quer, Renji? – Falou Ichigo com a cara enfezada.

– Calma. Só estava fazendo umas compras e vi vocês passando.

– Estava fazendo compras esse horário? – Questionou Ichigo.

– É… – Ele olhou para os lados envergonhado. – A Hime passou a noite com vontade de comer doce de feijão com moshi. – Ele ergueu as sacolas que vinha trazendo. Rukia e Ichigo nunca entenderam como esses dois passaram de arqui-inimigos a casados em quatro anos apenas.

– Então, obedientemente, veio comprar? – O sorriso de deboche de Ichigo começou a se alargar.

– Não. Eu vim comprar porque sou um bom marido, vai entender quando você e a Rukia estiverem grávidos. – O sorriso debochado e divertido sumiu imediatamente.

– Hum… Nós temos que ir, não é Rukia?

– Acho que sim. Passamos a noite em claro, o bebê do Ishida nasceu hoje, deveria ir visita-los.

– Qualquer hora passo por lá, só que estou um pouco sem tempo, já que meu próprio bebê está chegando.

– Irmãozinho! – Gritou Ichika ainda nos braços de Rukia.

– Isso mesmo Ichika, seu irmãozinho está chegando, o Renji II. – Falou sorrindo orgulhoso da prole.

– Já pensou que pode ser outra garota? – Comentou Rukia sem muito ânimo.

– Não, dessa vez é um menino, tenho certeza!

– Claro. – Ichigo assumia a mesma expressão de Rukia. Renji também tinha certeza que teria um menino na primeira vez, mas em vez do Renji II, nasceu Ichika.

– Nós temos mesmo que ir. – Falou Rukia devolvendo a ruivinha ao pai.

 

Caminhando de volta para casa com as ruas começando a encher, eles eram cada vez mais cumprimentados e parabenizados. Todo ano nesse dia era a mesma coisa, Akihime, Urahara e Aizen fizeram um excelente trabalho na promoção do casamento e todos os anos em toda a Soul Society o dia de IchiRuki era comemorado no aniversário de casamento deles.

As casas eram decoradas em tons de roxo e alaranjado, durante o dia várias festividades aconteciam por todo o lugar, as pessoas confraternizavam e se presenteavam, por fim, de noite as famílias jantavam uma ceia. E assim as tradições do dia de IchiRuki iam se formando.

– Merda. – Rukia parou onde estava.

– O que foi?

– Com a correria que foi ontem para irmos ao mundo real, eu esqueci de preencher umas coisas. Tenho que ir ao bantai agora.

– Deixa para amanhã, hoje é feriado lembra? – O primeiro feriado oficial da Soul Society.

– Não posso, se eu não preencher isso os shinigamis do meu esquadrão não poderão sair em missão no mundo humano no próximo mês.

– Então vamos logo.

– Não precisa, pode ir para casa. Já acompanho você. – O ruivo tinha a intenção de insistir, mas o cansaço físico e mental falou mais alto.

– Nos vemos em casa então.

 

Rukia entrou no seu escritório e começou a vasculhar sua mesa que fora organizada por sua tenente após sua partida ao mundo real.

Há quase quatro anos Kyone Kotetsu era sua tenente. Depois do incidente no casamento ficou claro que Yachi não poderia continuar como tenente de Rukia, por isso um grande processo de remanejamento de fukutaichous começou.

Seu ex tenente foi mandado a sexta divisão, onde agora servia exemplarmente a Byakuya. A pequena e tímida Kiyori fora transferia para a sétima divisão, se tornando tenente de Renji, como os dois se tornaram grandes amigos e ele estava ensinando ela, a competência da garota aumentara muito.

Com isso Iba fora transferido para a terceira divisão, sendo muito mais útil para Ichigo que o morto vivo do Kira que, por sua vez, foi levado ao quinto bantai, substituindo Momo que fugiu com Aizen para o palácio do Rei das Almas.

Já que Kyone se tornou tenente de Rukia, Hanatarou assumiu o segundo posto da divisão médica, fazendo um ótimo trabalho sob o comando de Hisane.

Rukia, enfim, terminou de preencher a papelada que faltava, já estava para sair quando encontrou um envelope da quarta divisão em sua mesa. Certamente se tratava do resultado dos exames médicos semestrais que eram obrigatórios a todos os taichous.

Ela abriu sem muito interesse e passou a ler as conclusões médicas sobre sua saúde.

 

Rukia corria o máximo possível sem usar o shunpo, ignorava as pessoas sorridentes que comemoravam o dia de IchiRuki ao seu redor. Ela estava desesperada demais para ser gentil com eles.

Abriu de uma vez as portas da quarta divisão causando um grande estrondo, pode ouvir o grito feminino e esganiçado de Hanatarou.

A morena caminhou até o tenente de plantão que estava encolhido abraçado a um boneco de simulações de primeiros socorros.

– Kuchiki taichou? – Falou Hanatarou ainda envolvendo com força a cintura do boneco que transportava.

– Eu preciso… Que me explique… Isso. – Ofegante ela entregou a folha de papel com o resultado dos exames para ele.

– Hai. – Ele timidamente soltou o manequim simulador e passou a ler. É isso mesmo que diz aqui, parabéns Kuchiki-san, você vai ser mamãe. – Ele disse sorrindo e devolvendo o resultado para ela.

 

Ichigo mordia um pêssego distraidamente, aquela senhora tinha razão, eram os melhores que já provara. Olhou mais uma vez para o coelho de olhos vermelhos demoníacos que Rukia chamava de Chappie, o animal branco e gordo mexeu o focinho para Ichigo como forma de desafio, mas o ruivo o ignorou, se tentasse soltar Chappie na natureza outra vez a morena o mataria.

Ele bocejou quando terminou a fruta, queria muito se deitar, mas esperaria pela esposa, embora evitasse comentar isso com ela, Ichigo não conseguia relaxar enquanto ela não estivesse em casa.

O ruivo sabia que ela podia se cuidar sozinha, mas seu instinto protetor o impedia de dormir antes de tê-la em segurança ao seu lado.

Ouviu a porta se abrindo e acompanhou o som dos passos até que a baixinha apareceu na cozinha. Atenção nunca foi o forte de Ichigo e juntando isso com seu sono, fez ele nem mesmo notar a expressão apavorada no rosto de Rukia.

– Demorou, achei que ia ficar o resto do dia trabalhando. – Ele bocejou distraído. – Quer um pêssego? Está muito bom. – Ela negou com a cabeça, ainda pasma demais para falar. – Você quem sabe. Vem, vamos dormir, estou acabado. – Chamou.

– Ichigo…

– Que? – Ele se virou para a esposa, pela primeira vez notando sua expressão perplexa. – Está tudo bem? – Ele atravessou a sala se aproximando dela e tocando de leve a pequena face.

– Não sei… – Ela encarou os olhos castanhos hipnotizantes. – Eu… Provavelmente…

– O que houve? – Ele levou a outra mão ao rosto dela envolvendo a face pálida e encarando os olhos violetas/azuis preocupado.

– Provavelmente vou ter um bebê.

Ichigo ficou parado sem romper o contato visual e uma onda de sensações novas e estranhas para ele começou a percorrer seu peito. Ele nem mesmo sabia que era capaz de sentir tais coisas, mas elas se fizeram presentes no momento em que soube que seria pai.

Em um movimento rápido envolveu a fina cintura da esposa a erguendo em um abraço apertado e carinhoso.

– Acho que é nosso presente de aniversário de casamento. – Ele falou e nesse momento, todos os receios de Rukia passaram. O que poderia dar errado se ela e Ichigo estivessem juntos?

 

Rukia estava cansada. Graças a uma ideia absurda de Mayuri, boa parte do décimo terceiro esquadrão estava sujo de uma gosma verde inflamável, mas esse tipo de coisa era até normal já que o décimo segundo esquadrão era vizinho do seu.

Devido a experiência do louco taichou ela e seus funcionários tiveram que ficar duas horas depois do expediente arrumando a bagunça, por sorte conseguira comunicar a Ichigo que se atrasaria.

A morena passou pelo portão com a insígnia Kuchiki e o trancou em seguida. Já rumava para dentro da casa quando ouviu os barulhos de passos rápidos vindo em sua direção e se virou.

– Mamãe! – O garoto de cabelos ruivos cacheados, semelhantes aos da avó paterna corria vindo dos fundos da casa.

O sorriso de Rukia se fechou em uma expressão preocupada ao notar que ele carregava consigo a espada menor de Ichigo.

– Yoshi, onde pegou isso? – Ela falou morrendo de medo que ele tropeçasse e se cortasse com Zangetsu.

– Com o papai. – O garotinho disse parando em frente a mãe.

– Da isso para a mamãe, Yoshi. – Ela pediu com cuidado. Antes que o ruivinho pudesse obedecer uma voz veio dos fundos.

– Eu vou te pegar. – Um menino da mesma altura de Yoshi chegou correndo carregando a zanpakutou maior de Ichigo. – Ah, oi mãe. – Falou o garoto parando ao lado do irmão mais novo.

– Oi Takashi. Pegou essa espada com o papai também? – O moreno de olhos violetas concordou com a cabeça. – Onde ele está.

– Lá nos fundos. – Falou Yoshi sorridente.

– Entreguem isso para a mamãe por favor.

– Mas nós ainda estamos brincando. – Falou Takashi apertando com mais força a Zangetsu que está em suas mãos, causando um calafrio de medo em Rukia.

– Sim, mamãe. – Concordou Yoshi com o irmão mais velho. – Estamos brincando de papai vs Yhwach. Eu sou o papai.

– Eu também sou o papai. – Completou Takashi.

– E quem é o Yhwach? – Perguntou Rukia tentando disfarçadamente tomar a Zangetsu do filho mais novo.

– Nenhum de nós quis ser, então somos o papai vs papai. – Rukia fez uma cara confusa, mas estava mais preocupada em tirar as zanpakutous das mãos dos filhos gêmeos.

– Vamos fazer assim, vão brincar com seus brinquedos lá dentro e mais tarde a mamãe conta de novo essa história para vocês, pode ser?

– Tá! – Gritou Yoshi, como sempre, muito alegre.

Os dois meninos já saiam correndo para dentro da casa quando Rukia os seguiu gritando.

– As zanpakutous, me deem elas. – Os gêmeos olharam decepcionados para a mãe, mas entregaram as metades de Zangetsu a Rukia.

A morena carregou os gigantescos pedaços de metal que Ichigo chamava de shikai até os fundos da casa. Observou, sob o grande carvalho, o marido adormecido deitado sobre a grama, de barriga para cima e com a cabeça apoiada nos braços.

– Ichigo! – Ela gritou, fazendo o ruivo se sentar de imediato e olhar para a esposa que parecia furiosa.

– Rukia?! – Ele esfregava os olhos tentando entender o que acontecia. – Por que está com as Zangetsus?

– Porque eu tive que tirar das mãos dos seus filhos que estavam correndo com elas por aí. – Ela arremessou as espadas para ele, na verdade ela arremessou nele, mas sabia que o ruivo as seguraria com facilidade.

– Os meninos estavam com elas?

– Sim! Como deu zanpakutous de verdade para eles?

– Eu não dei. Eles estavam brincando por aqui e eu fechei os olhos por um minuto e aí você chegou.

– Parece que fechou os olhos por mais de um minuto!

– Mamãe. – Yoshi se aproximou correndo e chorando.

– Você se machucou? – Perguntou Rukia abraçando o ruivinho que derramava lágrimas inconsolável.

– Não… Não briga com o papai, foi nossa culpa.

– Não, foi minha. – Falou Takashi sério parando ao lado do pai. – Dei a ideia de brincarmos com elas, o pai e o Yoshi não tem culpa.

Rukia e Ichigo se olharam e um pequeno sorriso brotou em seus rostos. A morena via muito de Ichigo nos gêmeos, em especial em Takashi, o mais velho, que tinha o instinto de proteger o caçula a todo custo.

– Tudo bem, eu não estou brava.

– Sim, vocês sabem como a mamãe gosta de gritar, mas no fundo é um amor de pessoa. – Falou Ichigo bagunçando o cabelo escuro de Takashi. – Vão brincar lá dentro, eu e a mamãe estamos bem.

– Tá. – Yoshi secou as lágrimas e abriu um grande sorriso soltando os braços da mãe.

Os dois garotos voltaram para dentro da casa e Rukia caiu sentada na grama ao lado de Ichigo.

– Desculpe.

– Kuchiki Rukia pedindo desculpas? Devo me sentir honrado. – Ele pretendia rir, mas levou um soco no ombro.

– Idiota, da próxima fique acordado enquanto estiver com eles.

– Eu sei, isso foi mesmo perigoso. – Ele deitou novamente e ficou olhando as folhas do carvalho balançando. – Quando fui buscar os meninos na mansão Kuchiki, Byakuya disse que quer fazer uma festa para eles de aniversário de dez anos, semana que vem.

– Acho uma boa ideia. – Ela se deitou na grama ao lado dele.

– Não lembra da última festa que a família Kuchiki nos deu? Mesmo catorze anos depois eu não estou pronto para repetir a dose.

– Não se preocupe, a Akihime está grávida de novo e sem ela envolvida duvido que seja tão extravagante.

– Acho que sim. – Ele observou o vento mover a folhagem por um momento antes de falar. – Rukia, acho que já está na hora de termos outro bebê.

– Que? Só se você carregar ele por nove meses e parir.

– A gravidez dos meninos só foi difícil porque eram gêmeos. – Argumentou o ruivo.

– E quem garante que não virão gêmeos outra vez?

– Acho pouco provável.

– Mesmo assim, não precisamos de mais bebês, já temos dois.

– Takashi e Yoshi já tem nove anos, Rukia.

– O que não quer dizer que precisamos de outra criança.

– Pensei que você gostasse de cuidar de bebês.

– Isso foi antes de ter que gerar e trazer ao mundo aqueles dois cabeçudos.

– Eles puxaram isso de você.

– Que? – Rukia se virou para o ruivo com cara de poucos amigos.

– Nada, nada. Por enquanto vou deixar para lá, mas eu não desisti desse assunto. – Ele disse envolvendo ela com o braço direito, arrastando a morena e encaixando o pequeno corpo ao seu.

 

Era uma manhã refrescante de primavera. A mansão Kuchiki não se via tão cheia e alegre a muito tempo. Várias crianças corriam por toda parte e muito mais adultos conversavam alegremente.

Byakuya olhava com atenção os dois sobrinhos que brincavam com espadas de treino. Desde que Yoshi e Takashi nasceram se tornaram o maior orgulho do Kuchiki, ele paparicava os dois meninos sempre que podia e se tornara menos frio e sério, pelo menos na presença dos garotos. Por isso estava dando uma festa em sua própria casa para comemorar o aniversário dos garotos, permitira, até mesmo a presença de vivos ali.

Yuzu observava apreensiva, o filho e Chiharu aprenderem a usar uma espada com o capitão do décimo primeiro bantai, Kenpachi Zaraki. Enquanto isso Karin conversava sobre o quanto aquela festa infantil estava tediosa com Hitsugaya. O capitão do décimo bantai parecia muito incomodado com Isshin e Matsumoto que contavam histórias dos tempos em que o moreno era seu taichou.

Renji abanava a esposa que parecia ter engolido uma melancia. Eles esperavam pelo quinto filho, dos outros quatro, entre ruivas e morenas, todas eram meninas, para desespero do pai que até o momento não tinha o seu Renji II.

Keigo, Uryuu e Sado conversavam enquanto Seiji vigiava como uma águia a filha que a essa altura já era um adolescente. Yui tentava convencer seu pequeno Souken a brincar com as outras crianças, o garoto era tão quieto quanto o pai.

Rukia observou quando Takashi e Ichika iniciaram uma discussão porque a ruiva derrubara Yoshi. Rukia tinha certeza que o garoto tinha o mesmo gênio difícil do pai, mas também o instinto protetor que era a maior qualidade de Ichigo.

Ichigo segurou a mão de Rukia e a morena se virou para o marido sorrindo. Quando os olhos castanhos se conectaram com os violetas eles sorriram, em nenhum momento se sentiam tão realizados quanto quando seus olhares se encontravam.

Não disseram nada, palavras não se faziam necessárias, entre eles nunca se fizeram, tudo que um precisava era do outro para ter certeza que tudo estava bem.

Continuaram se olhando por um tempo, eles, mais do que qualquer um sabiam que esse não era um final perfeito, era o início de uma história cheia de imperfeições, mas podiam enfrentar qualquer coisa, contando que estivessem juntos.


Notas Finais


Espero que tenham gostado do final, apesar de eu não curtir esses finais felizes clichês, eu gostei.
Pronto, taí o RenAki que tanto queiram (esse é um recado para leitores específicos que vão se identificar).
Para quem pediu crianças, fiquem felizes, está cheio delas e eu nem gosto muito de crianças.

Obrigada por terem acompanhado Compromisso Inesperado até aqui, eu fico muito grata. Adeus e até qualquer outra fic. :3


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