História Confessions About Anorexia - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Magcon, Nate Maloley
Personagens Nate Maloley, Personagens Originais
Tags Freya Mavor, Magcon, Nate Maloley
Visualizações 64
Palavras 4.131
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


oi. esse capítulo ficou grande d+
queria dizer também que, todo esse capítulo acontece no mesmo dia, é que uma amiga minha ficou confusa quando mandei o capítulo pra ela a 84 anos, mas se caso, houver dúvidas quanto a isso, já tá respondido.

Capítulo 8 - Priority


Dia seis

Quando abro os olhos, já se passam das seis horas da manhã, respiro fundo e me sento na cama, sonhando em estar de férias ou a West High pegar fogo. Levanto-me e paro em frente ao espelho do quarto, encarando o meu rosto.

Eu estava completamente suja e nojenta. Os meus olhos estão borrados de rímel e delineador. O meu cabelo está com cheiro de cigarro e maconha. Pego a minha escova de cabelo na penteadeira e a passo nos fios, tentando desembaraçar. Mas tudo o que vejo, é os fios na escova.

— Droga! — passo as mãos nos fios loiros e com lágrimas nos olhos, vejo alguns deles nas minhas mãos.

Engulo as lágrimas e o mais rápido possível, prendo os cabelos. Suspiro pesadamente e o ápice do dia anterior, invade a minha cabeça.

Divórcio.

Não sou idiota de pensar que isso nunca passaria na minha cabeça, porque mesmo que eu soubesse, que um dia o casamento dos meus pais não iria aguentar tantas mentiras e traições, e Diana iria desistir de tudo, quando desse conta de que o marido, realmente está com outra e Dave iria largar toda a sua vida para criar uma nova, com uma outra mulher e talvez, com um outro filho. Esse dia chegou.

Mesmo com a minha cabeça passando mil coisas, nunca iria desejar o pior para a minha família. Queria eles juntos para sempre, entretanto, quando o contrário acontece, e tem um motivo para tal separação. Não tem o que fazer, a não ser tentar superar. Mas do fundo do meu coração, não vai ser fácil.

Dave é o meu pai, a minha figura paterna. Ele era a minha inspiração desde alguns meses atrás, antes das discussões e traições. Quando tudo estava normal na nossa família, se alguém o ofendesse, eu o defenderia com unhas e dentes, mas agora? Tudo o que sempre falavam sobre ele, é verdade. Toda aquela inspiração e amor, foram por água abaixo.

Minha mãe é uma das pessoas que mais precisa do meu apoio neste momento tão delicado e difícil, já que a mesma se deu conta de que o marido tem outra e vai embora, largando tudo. Dói saber que não vou conseguir dar esse apoio à Diana. Ela é a pessoa que mais amo nessa vida, mas eu estragaria tudo, como sempre e iria acabar desapontada comigo. Não queria ser mais um motivo para a sua tristeza.

Balanço a cabeça e suspiro pesadamente, querendo que esse assunto não exista mais na minha cabeça e não a domine. Saio do quarto e paro do corredor, o vazia dentro de mim grita com todas as forças de que falta alguém dentro daquela casa. David não está mais ali. Encaro os meus pés sujos de areia, de ontem, e engulo o choro, que queria se formar e mexer ainda mais com o meu emocional. Passo as mãos no rosto e jogo a cabeça para o lado, encarando a última porta do corredor aberta. Um sorriso maléfico se forma nos meus lábios e todo o meu corpo queima por vingança.

“Você precisa se vingar. Você precisa se vingar.Você precisa se vingar. Você precisa se vingar. Você precisa se vingar. Você precisa se vingar dele.”

Antes de ir em direção a porta do corredor que está aberta, preciso verificar se Diana ainda está em casa. Sem barulhos no andar de baixo ou movimentação, que denunciaria se minha mãe ainda estaria em casa ou se já estava no trabalho.

— Mãe? — chamo, mas não obtenho resposta.

Arrasto o meu corpo até o, antigo, escritório de Dave. Entro no cômodo e encontro as prateleiras, que antes eram repletas de livros, vazias. Os quadros com as fotos da família reunida ainda estão pendurados na parede, mas o único que me recordo, não está lá. A última foto que tirei com meu pai. Ele tinha levado junto com as suas roupas. Droga! Eu odeio ele.

“Vingança! Vingança! Vingança! Vingança! Vingança! Vingança! Vingança!”

Os fortes raios solares, que atravessam as cortinas da janela, permitem que eu não precise ligar o interruptor de luz. Me aproximo da mesa no centro do cômodo e abro as gavetas, procurando por qualquer documento que tenha relação com o divórcio dos meus pais. Nada!

Impossível, claramente, Dave não tinha os levado por causa da nossa discussão de ontem, ainda mais que o mesmo não levou o resto dos seus pertences, que seriam mais fáceis de carregar, como relógios e cordões. Encaro novamente a parede com os quadros e com o senso de perfeccionismo que minha mãe tem, o quadro com a fotografia da nossa família está torto. Uma coisa é certo, Dave mexeu.

— Mais fácil do que imaginei.

Pego o quadro da parede, com cuidado, e o coloco deitado em cima da mesa e tiro a fotografia dele. Os meus olhos brilham ao pegar os documentos do divórcio atrás do quadro e a adrenalina corre em minhas veias, que sinto vontade de rir e gritar ao mesmo tempo.

Sento na cadeira em frente da mesa e perco minutos, lendo  e relendo diversas vezes todas as linhas do documento de divórcio. Na página sobre os bens que iria ser dividido entre os meus pais, algo me chamou a atenção. A casa em que moro, agora, com a minha mãe, ficaria para Dave. Pisco algumas vezes, tentando compreender o que tinha lido. Aquilo só pode ser brincadeira. Diana deu a vida para construir essa casa e o seu esforço não pode ser jogado fora. Outra coisa que prendeu a minha curiosidade é que a assinatura no final do documento não era da minha mãe. Ele tinha falsificado. Isso explica o motivo dos documentos estarem escondidos.

Como alguém pode ser tão cruel e ganancioso ao ponto de falsificar uma assinatura para que a sua ex esposa e a sua única filha, desde que eu saiba, percam o único lugar que tem para morar, nos jogando na rua. Não é como se Dave fosse pobre, com certeza, pode comprar quantas casas tiver vontade. Mas… fazer o que ele está tramando é desumano. Um monstro, que chamava de pai.

Uma parte do meu coração está quebrada depois dessa descoberta. Sinto vontade de vomitar por ficar tão nervosa por causa de mais uma situação que iria ter que enfrentar, mas essa era muito pior, pois Dave quer prejudicar a única filha dele.

Respiro fundo, até sentir que a ânsia de vômito foi embora e me recomponho. Coloco o quadro no mesmo lugar em que estava e pego os documentos, saindo do cômodo. Desço as escadas e entro na cozinha, procurando por uma garrafa de álcool nos armários. Acho a garrafa e a levo comigo para a sala e antes de ir para a rua, pego o maço de cigarro e isqueiro da minha mãe.

Saio de casa com tudo o que preciso para que aqueles documentos não existam mais. A rua está completamente vazia e quieta, mas com certeza, as vizinhas fofoqueiras estão nas janelas prestando atenção em cada movimento que faço, desde jogar os papéis no meio da rua e derramar o álcool neles. O fogo se forma quando acendo o cigarro e o encosto na papelada banhada de álcool.

Os meus olhos se perdem nas chamas alaranjadas próximas a mim. Levo o cigarro que está entre os meus dedos para os meus lábios e inalo a fumaça para dentro dos meus pulmões, não demora muito para que a fumaça acinzentada saia entre os meus lábios. Abro um sorriso vitorioso, sendo dominada mais uma vez pela vingança e por ter dado certo e ter sido fácil demais.

Se Dave se acha esperto, sinto lhe informar, que eu sou muito mais.

(...)

Limpo o suor da minha testa e respiro fundo, o meu coração pula dentro do peito. Encaro os ponteiros do relógio pendurado na parede da academia. Oito horas. Eu estou quase uma hora alternando entre a esteira e o saco de pancada, sem nenhum tipo de interrupções, mesmo que seja para ir ao banheiro ou beber um pouco de água. Não quero perder o foco em acabar com as calorias que preciso para chegar na minha meta pessoal.

O meu corpo clama por um momento de descanso e hidratação. Engulo em seco, tirando essa idéia da minha cabeça. Tudo está acontecendo perfeitamente bem, mesmo que eu esteja a três dias sem ingerir qualquer tipo de alimento. Não preciso me preocupar com pausas bobas, que irão me desconcentrar.

Eu tenho controle do meu corpo. Eu tenho controle do meu corpo. Eu tenho controle do meu corpo. Eu tenho controle do meu corpo.

Você tem controle do seu corpo, Elizabeth. Você tem controle do seu corpo, Elizabeth. Você tem controle do seu corpo, Elizabeth. Você tem controle do seu corpo, Elizabeth.

Abro um sorriso, concordando com Mia. Ela está certa, como na maioria das vezes.

— Eu tenho controle do meu corpo — murmuro, confiante.

Antes de se aproximar, novamente, do saco de pancadas, dou dois passos para trás e me desequilibro, caindo no chão. Tudo ao meu redor gira rapidamente, o que me faz ficar ainda mais tonta. Tento usar a força dos meus músculos para tentar ficar de pé, mas falho vergonhosamente, na frente das pessoas que estão ocupadas com os seus próprios afazeres na academia. A minha respiração está descompassada e os batimentos cardíacos estão tão rápidos do que eu me lembre. Começo a suar frio e sinto a minha garganta fechar, me impossibilitando de pedir ajuda.

Dois pares de pernas param na minha frente, não tenho forças e nem vontade para encarar a pessoa que está parada perto de mim.

— Ela está passando mal! — a voz feminina atinge os meus ouvidos.

Tenho vontade de empurrá-la para que cale a boca e pare de chamar atenção, mas sei que não vou conseguir fazer isso. Mesmo assim, estou bem, não é como se neste exato momento, eu fosse morrer. Não preciso de ajuda e não quero ser ajudada. Eu tenho controle do meu próprio corpo.

— Deixa que eu cuido dela, ok?

— Tudo bem, Skate.

O apelido de Nate atinge os meus ouvidos e é como música para os mesmos. Se antes o meu coração batia rápido, desta vez bate duas vezes mais rápido, enquanto eu tento controlar a minha respiração. Um misto de emoções por estar perto dele ocorrem ao mesmo tempo dentro do meu corpo.

Skate Maloley, se abaixa próximo do meu corpo, tentando encarar os meus olhos, que estão perdidos nas tatuagens dos seus braços.

— Você está bem? — pergunta, mas não sinto vontade de respondê-lo — Tá bom, então — balança os ombros.

Os braços de Nate envolvem a minha cintura com delicadeza. Ele me pega no colo e nos levanta do chão. Passo os braços envolta do seu pescoço e o meu olfato é dominado pelo cheiro do seu perfume. Skate aperta o meu corpo ainda mais no seu ao mesmo tempo em que entrelaço as minhas pernas em sua cintura. A minha respiração bate contra a pele do seu pescoço e aos poucos, deixo o meu os meus lábios terem o contato da pele do garoto, que se arrepia com o meu toque.

Ao caminho para o vestiário, Nate encosta os seus lábios na minha orelha e morde o lóbulo da mesma, qcausando incansáveis arrepios por todo o meu corpo. Aperto os dedos nas suas costas, por cima da blusa.

As famosas ‘borboletas’ resolvem aparecer no meu estômago e brincar comigo, quando Skate entra no vestiário.

O rapaz senta no banco comigo sentada de frente em seu colo. Respiro fundo, fugindo dos olhares de Nate e encaro a parede atrás dele. Uma das mãos dele encosta com delicadeza na minha bochecha, fazendo-me encarar o seu rosto preocupado.

— Você está bem? — repete a pergunta. Assinto com a cabeça — De verdade? — encara profundamente os meus olhos.

— S-sim — murmuro, encarando os seus lábios, quando ele passou a língua nos mesmos.

— Quer beber alguma coisa? — pergunta, tirando os fios rebeldes dos meus cabelos, que caem nos meus olhos.

Pisco algumas vezes e balanço a cabeça, recordando que ainda estou encarando os lábios de Nate sem fazer algum esforço para desviar.

— Água — respondo e mordo o lábio inferior, quando o rapaz faz menção de se levantar, o que me resulta sair do seu colo e me sentar no lugar vago.

— Já volto.

Assim que Nate sai do vestiário, respiro fundo, passando as mãos no rosto. Levanto do meu lugar e paro em frente ao grande espelho do vestiário e com desgosto encaro o meu rosto. A minha pele está mais pálida que o normal e as bochechas vermelhas por todo o esforço que fiz.

Abro a torneira, sentindo a água gelada cair nos meus dedos e encho as mãos com água, molhando o meu rosto.

Me afasto da pia e abro a minha bolsa, procurando por qualquer comprimido que parasse com as minhas tonturas em momentos errados. Pego a cartela e coloco um comprimido na boca, me aproximo da pia e me abaixo até a minha boca ficar perto da torneira e abro a mesma, engolindo o comprimido e o máximo de água que consigo.

Fecho os olhos, ainda bebendo a água, que é a única coisa que deixo entrar no meu corpo desde o dia seguinte do aniversário de Rachel. Eu não iria comer nada, deveria me manter firme e perder mais calorias, estas que ainda não soube o quanto perdi.

— Liz?

Abro os olhos ao mesmo tempo em que a voz de Nate se encontra com a minha audição. Puta merda. Fecho a torneira e me viro para ele, passando as mãos nos lábios.

Para completar maravilhoso dia que vivencio. Além de Nate me encontrar totalmente ‘frágil’ e passando mal na sua frente. Agora, para tudo ficar melhor, ele me vê bebendo água da torneira como uma louca, que ficou dias sem comer qualquer coisa. Eu sou uma vergonha, isso é fato.

Não encaro o seu rosto e ignoro quando ele me oferece a copo de água, pego a minha bolsa e volto para a pia e a coloco dentro da mesma. Reviro as coisas dentro dela e acho o meu rímel.

Pelo reflexo do espelho, consigo ver Nate me avaliando dos pés à cabeça como se quisesse descobrir algo. Naquele momento, eu queria muito saber o que se passa em sua cabeça, pois sou o motivo dos seus olhares.

Suspiro pesadamente, passando uma camada de rímel nos cílios e preencho os lábios com batom rosa. Agora, eu não parecia uma morta viva depois de um passar um pouco de maquiagem no rosto. Guardo as maquiagens dentro da bolsa, encarando Nate se aproximar.

Prendo a respiração por alguns segundos, quando sinto Nate parado atrás de mim. A sua respiração bate contra o meu pescoço, fazendo meu corpo se arrepiar. Engulo em seco ao sentir os dedos dele se roçar nos meus. Abro as mãos e o rapaz faz a mesma coisa com a suas e entrelaça as nossas mãos. De uma coisa é certa, o contato da pele de Nathan Maloley na minha faz todo o meu corpo corresponder positivamente.

— Olha — fecho os olhos ao escutar a voz de Nate perto da minha orelha — Abre os olhos, bobinha — ele ri e lentamente, abro os olhos.

Encaro o meu reflexo no espelho preso na minha frente, confusa com qualquer coisa que Nate for fazer.

Quando você se encara no espelho, o que vê?

— Eu? — ele balança a cabeça com a minha resposta. É claro que Nate sabe que estou me fingindo de idiota.

A verdade é que a sua pergunta me pegou desprevenida e totalmente frágil ao seu ponto de vista e nunca iria dizer para ele como eu me vejo em frente ao um espelho, pois, além de não ter total confiança em Nate, se caso eu falasse, o meu segredo vai ser exposto para todo mundo e jamais quero isso.

Suspiro pesadamente, me obrigando a sair do transe que a minha cabeça criou com a pergunta de Nate, que faz com que o meu humor mude, se antes eu tinha sido pega de surpresa, agora tudo o que sinto é raiva de mim mesma e do questionamento que o rapaz me fez.

— Por quê você está perguntando isso? — pergunto, me afastando de Nate e cruzando os braços, sem paciência.

— É só uma pergunta — ele dá de ombros, sem se afetar com a mudança repentina do meu humor.

— Eu não quero e não vou respondê-lá  — retruco e pego a minha bolsa, sem antes esbarrar, de propósito, no ombro de Nate antes de sair do vestiário.

Apresso os passos para fora da academia, que não está tão cheia e até ignoro a mulher, que antes só tinha faltado berrar para o mundo inteiro, que eu estava passando mal, quando na verdade, aquilo só foi um mal estar.

Começo a fazer o caminho para casa e a minha cabeça começa a questionar o motivo de Nate ter ido na academia, até porque ele não malha ou trabalha naquela. Bufo pesadamente, tentando esquecer Nathan Maloley da minha cabeça, mesmo que seja durante dois minutos, mas, eu simplesmente não consigo e me odeio ainda mais por isso.

A rua está totalmente deserta e com pouca iluminação dos postes, a vizinhança é calma, mas, não duvido que alguns dos vizinhos estejam olhando das suas janelas para a rua ou posso está errada e eles podem terem ido dormir para trabalhar ou estudar no dia seguinte. Abraço o meu corpo para tentar me esconder o máximo do frio, que não resolve nada.

Escuto o barulho de passos lentos na calçada, certo, eu não faço idéia de quem seja e tenho medo de virar para tentar ver quem é.

Respiro fundo, tentando controlar a minha respiração e os pensamentos perdidos na possibilidade de ter alguém me seguindo. Mordo o lábio inferior, escutando os passos mais próximos de mim e uma sombra alta surge na minha frente. Engulo em seco, ainda sem coragem de ver quem é, mas o meu corpo reage dizendo que é perigoso e eu comprovo isso, quando uma mão gelada se pressiona na minha boca, abafando o meu grito de susto.

— Shh!! Deste jeito você irá acordar a vizinhança.

Um misto de sensações corre no meu corpo ao escutar o dono da voz. Nate. Uma parte minha tem vontade de abraçá-lo, por não ser alguém que vá me machucar, mas a outra parte, tenho vontade de socá-lo até o mesmo desmaiar.

Tiro a mão de Nate sobre a minha boca, ainda tentando me recuperar do susto de alguns minutos atrás.

— Você quase me matou.

— Desculpa, desculpa — ele protege o rosto com as mãos, quando dou tapas em seus braços.

O silêncio se instala entre nós dois, durante dois minutos, até que Nate o interrompe.

— Toma — sem eu me preparar, ele joga o seu casaco no meu rosto — Você está tremendo — avisa, tentando segurar a risada.

— Um verdadeiro gentleman — murmuro com ironia na voz.

Paro de andar para vestir o casaco de Nate, o mesmo encara cada movimento que eu faço para vestir a sua peça de roupa.

— Eu sei — ele entra na brincadeira, se gabando.

Eu demoraria muito para chegar em casa, se continuar em passos lentos ao lado de Nate. Então, tenho uma brilhante idéia de ir correndo até a minha casa, iria ser melhor porque eu iria perder mais calorias e chegaria em casa mais rápido.

— Nate, eu preciso ir para casa o mais rápido possível — tento parecer o máximo desesperada.

— Por quê? — arqueia uma sobrancelha, parando de andar.

— Porque eu preciso… — olho para os carros estacionados atrás de Nate, tentando ganhar tempo para pensar em alguma desculpa — Xixi. Eu preciso fazer xixi.

Depois que a frase sai dos meus lábios, tenho vontade de bater a cabeça milhares de vezes na parede por inventar a pior desculpa de todas para o Nate.

— Faz ali — ele aponta para um carro que está estacionado. Reviro os olhos — Vamos, eu faço cabaninha para você — Nate entrelaça os nossos braços e faz menção de começar a andar em direção do carro.

— Não, não, não e não — balanço a cabeça, arregalado os olhos com a idéia dele — Prefiro em casa.

— Eu juro que não olho — ele fecha os olhos por alguns segundos e os abre, soltando uma gargalhada.

— Idiota — reviro os olhos.

— Eu diria, bonitão — ele se gaba, fazendo um bico, e é a minha vez de cair na gargalhada — O quê? Eu sou a sedução em pessoa.

— Está bem, senhor sedução em pessoa.

O garoto começa a correr na minha frente, sem ao menos esperar eu tentar me recuperar das risadas.

— Parece que o gatão aqui não vai ser a mulher do padre — grita.

— Quantos anos você tem? Dez? — reviro os olhos e cruzo os braços.

— Pelo menos, eu não vou ser a mulher do padre — ele sorri e eu tenho que me dar por vencida, porque a idéia de correr foi minha.

— Nate, espera!!

(...)

— Você ganhou! — murmuro derrotada e ofegante ao pararmos em frente a porta da minha casa.

O meu corpo todo dói, principalmente as minhas pernas por causa do esforço que fiz na academia e agora, correndo com o Nate. Eu preciso me jogar na cama e ficar dormindo por uma semana até recuperar totalmente as dores que venho sentindo.

Eu encosto o corpo na porta fechada e Nate abre um sorriso vitorioso por ter ganhado a corrida e por assumir isso em voz alta. Ele tem uma energia que não se compara com a minha, totalmente, opostos. Não tenho dúvidas que se apostasse outra corrida com o rapaz parada na minha frente, ele não iria cansar e toparia no mesmo minuto. Enquanto, eu faço esforço com o pouco de energia que tenho, Nate esbanja a sua saúde para quem quiser perguntar.

— Entendeu? — pergunta, fixando os seus olhos nos meus e esperando a minha resposta.

— Aham… Claro — minto, eu não faço idéia do que ele acabou de falar e muito menos sobre o que o assunto se tratava.

— Até parece — balança a cabeça, murmurando. Dou de ombros, batendo com os pés na grama verde e cortada — Respondendo a sua pergunta, eu fui na academia hoje porque iria me encontrar com o Sammy lá, mas não o achei — faz um bico e bate as mãos espalmadas na parede, pouco acima da minha cabeça, me cercando.

— Certo — sussurro e encaro os seus olhos, me perdendo em suas íris hipnotizantes com a atenção totalmente em mim.

— Mesmo se eu encontrasse com o Sammy na academia e você estivesse lá, sabe que eu iria falar com você, né? — a sua voz parece música para os meus ouvidos, que eu preciso me concentrar para não fechar os olhos — Sabe, prioridades.

— Prioridades? — franzo o cenho e pergunto, confusa. Nate olha para o céu e suspira pesadamente como se fosse óbvio as palavras que irão sair da sua boca.

— Digamos que, você virou uma das minhas prioridades — antes que eu possa falar mais alguma coisa, Nate é mais rápido, completando a sua frase — E não se fala mais neste assunto.

Depois da frase de Nate, respirar se tornou difícil e a cada passo que ele dá em minha direção, o meu coração corresponde batendo rápido dentro do peito e as malditas borboletas aparecem no meu estômago, o que iria ocasionar milhares de outras reações em cada parte do meu corpo. Engulo em seco, sem desviar os olhos de Nate, que abre um sorriso para mim. Os nossos corpos já estão pertos o bastante para eu aproximar as minhas mãos no seu rosto.

Cada traço do rosto de Nate, faz com que eu tenha que olhar com cuidado para gravar todos os grandes e pequenos detalhes do seu rosto gélido. Faço carinho em suas bochechas vermelhas por causa do sol forte de horas atrás, os meus dedos descem para os seus lábios, contornando a sua boca.

O rapaz não tenta fazer algo contra os meus toques em seu rosto, ele deixa para que eu aproveite o nosso momento. Seguro o seu rosto com as mãos, aproximando os meus lábios em sua bochecha por longos segundos. A minha respiração bate contra o seu pescoço e a sua pele se arrepia ao mesmo tempo em que encosto os meus lábios em sua orelha, sussurrando.

Boa noite, Nate.

Quando me afasto, Nate está com os olhos fechados e deixa um suspiro derrotado escapar entre os seus lábios, como se quisesse que aquele momento não acabasse e eu que não me afastasse dele. Ele abre os olhos devagar, respirando fundo.

Boa noite, Liz.

Ele se afasta ainda mais e se vira para ir embora, mas não olha para trás e isso alivia o meu corpo, pois eu estragaria tudo com mais uma pessoa que se importa comigo.

Eu fico parada na porta, acompanhando os passos de Nate, até o mesmo se perder na escuridão, levando um pouco da minha sanidade com ele.

De uma coisa é fato, Nate vai ser um problema para os meus sentimentos. Um belo e grande problema.


Notas Finais


o que vocês acharam desse capítulo?

sofro com a síndrome de apagar as minhas fanfics já postadas (já aconteceu de eu apagar 5 fanfics kjjkkkk rindo de nervoso, serião),
mas uma amiga me pediu para que eu não fizesse isso com essa fanfic (pq ontem eu quase apaguei rsrsss) e também por consideração a vocês.

eu vou escrever mais capítulos e talvez, vá aparecer três ou dois capítulos no mesmo mês. obrigada por quem comenta, lê, divulga e favorita a história, é tois.


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