História Conflitos de um grande amor - Capítulo 11


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Categorias Originais
Tags Bissexual, Blumettra, Gran Hermano, Homossexual, Mulheres, Romance
Visualizações 20
Palavras 1.962
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 11 - Vida nova... novos problemas


Durante a semana toda tudo correu bem. Eu saía com a Dani direto, todas as noites. No final de semana, voltamos para a cabana, e novamente foi uma loucura. Estava tudo perfeito. Na quinta-feira da semana seguinte era aniversário da Aylén, uma grande amiga minha desde a época de colégio. Ela iria fazer um churrasco na casa dela para reunir os amigos, e eu perguntei se poderia levar uma “amiga” comigo. Ela disse que não tinha problema nenhum. Chegou o dia e nós fomos lá. No início estava tudo tranqüilo. Ela tinha me perguntado sobre o Marco, que não acreditava que a gente tinha terminado, etc.

No final da noite é que começou o stress. Ficaram umas dez pessoas, somente. Só os amigos mais chegados. Até que começou uma conversa sobre homossexualidade por causa de um cara que descobriu que um dos nossos antigos colegas tinha “virado viado”. Foi um horror, acho que naquele momento é que caiu a ficha pra mim da situação em que eu estava vivendo. Uns três ou quatro, mais alterados por causa da bebida, começaram a fazer piadinhas horrorosas a respeito, diziam que tinham nojo “desse tipo de gente” e eu ali no meio. Eu ficava olhando pra Dani, que não mostrava nenhum tipo de reação na hora, só me olhava de vez em quando pra ver qual era a minha reação, que era de indignação contida. Não agüentei ficar ali por muito tempo e logo levantei pra ir embora, alegando que estava cansada. Fiquei muito mal com aquela história, afinal de contas, aquele era o mundo em que eu vivia até algum tempo atrás. Aquelas pessoas, bem ou mal, faziam parte da minha vida, e receber um tapa na cara desse jeito, mesmo que não fosse intencional, pois ninguém sabia nada a meu respeito, tinha sido uma experiência horrorosa.

Logo que nós entramos no carro a Dani me perguntou se eu estava bem. Bem? Como eu poderia estar bem depois daquilo tudo? Eu estava me sentindo péssima, isso sim. Tinha ficado chocada com a indiferença dela diante da situação. Ficamos conversando dentro do carro por alguns minutos.

- Isso é normal, Eli. Não foi a primeira nem vai ser a última vez que eu tive que ouvir esse tipo de comentário e engolir a seco. Faz parte.

- Ah não, Dani. Não tenho esse sangue frio todo, não.

- Mas você acaba aprendendo a ter. Se você for bater boca com cada pessoa que falar mal de gays você não vai fazer mais nada na sua vida. Além do desgaste que você vai ter por uma situação que não vai mudar assim.

- Que é isso? Então o que você quer dizer é que nós estamos na merda mesmo e temos que aceitar e atolar de vez.

- Nossa, Eli, não exagera. Não falei nada disso. Só que não adianta você querer bancar a justiceira enfrentando gente ignorante como alguns desses seus amigos, que o máximo que você vai conseguir é se tornar alvo das piadinhas, também.

- Então ninguém vai poder saber nada de mim e eu vou ter que viver me escondendo pro resto da vida? É isso?

- Não, claro que não. Só que você tem que se abrir com as pessoas certas, que você gosta, realmente. Você tem que criar o seu universo seguro.

- Não sei não, Dani. Tenho o maior medo de perder a amizade das pessoas que eu gosto.

- Se você gosta delas e elas gostam de você elas podem até não entender, mas vão te aceitar. Comigo foi assim.

- Mas e se não aceitarem?

- Então elas não gostavam de você de verdade. A pessoa tem que gostar de você pelo que você é, e não pelo que você faz na cama.

- É. Na teoria é tudo muito lindo, mas na prática a coisa é bem diferente.

- Bom, isso é um risco que você vai ter que correr. Agora vamos embora porque não é uma boa ficar parada dentro do carro de madrugada.

No dia seguinte a Aylén me ligou. Ela queria saber se estava tudo bem comigo, pois achou que eu tinha saído de forma abrupta, de um jeito meio estranho. A Aylén era a minha melhor amiga, ou pelo menos costumava ser, pois nós éramos unha e carne, mas depois que entramos em faculdades diferentes (ela foi fazer direito), nós começamos a ter vidas completamente diferentes, o que dificultava que nós nos falássemos todos os dias. Ainda por cima, apareceu a Alyson. A minha história com a Dani nos aproximou muito, pois ela dava a maior força, saía sempre com a gente, estava sempre junto, ou seja, a vida acaba mudando realmente. Isso é que era complicado. A Aylén era a minha confidente. Todos os meus rolos com o Marco foi ela quem segurou a barra. Ela sabia mais da minha vida do que eu própria, mas agora tinha esse lance. Eu queria falar para ela, mas achava que esse não era o momento, pois eu ainda estava muito insegura com tudo. Precisava, antes de mais nada, me cercar de pessoas que já tinham intimidade com o meio gay. Depois eu pensaria no caso.

Só que não durou muito. Duas semanas depois, mais ou menos, em uma sexta-feira, a Dani sugeriu que nós fossemos à uma boate. Ela ficava em um dos bairros mais tradicionais (e ao mesmo tempo alternativos) da cidade. Existia há séculos e, pela localização, era freqüentada por todo tipo de gente. Dos mais caretas aos mais malucos. Tinha de tudo, era uma doidera. Era a primeira vez que eu ía naquele lugar. A Alyson disse que não poderia ir porque iria sair com o namorado, então Dani marcou com uns amigos e nós fomos para a boate.

Era um lugar muito show, só que estava completamente lotado. Encontramos os amigos dela, que tinham conseguido uma mesa, bem no canto, pois era a única que tinham encontrado livre, e guardaram lugar para nós. Eram quatro pessoas, duas garotas e dois caras. Eles eram super simpáticos. As garotas estavam namorando, mas os caras estavam sozinhos (um se arrumou logo em seguida). Ficamos bebendo e conversando por um tempo, até que decidimos ir dançar. Eu já estava um pouco alta, e nós estávamos dançando quase coladas, até que uma hora a Dani foi por trás de mim e começou a dançar junto comigo, com as mãos no meu quadril, enquanto beijava o meu pescoço. Ficamos assim por um tempo, até que eu abri os olhos e fiquei congelada com o que vi. A Aylén estava na boate, e o pior, ela estava me olhando com uma cara de espanto imensa.

“Puta que pariu”. Foi a única coisa que eu consegui pensar no momento. Fiquei paralisada.

- O que foi? – Dani me perguntou.

- Olha alí – Falei, olhando para a Aylén, que continuava me olhando sem se mexer.

- Puta merda. Não acredito! – A Dani falou, me soltando na hora.

Nesse momento a Aylén se levantou e foi sozinha para o bar. Ela estava com uma galera na mesa. Reconheci dois do aniversário dela, eram amigos da faculdade, mas acho que não me viram, pois estavam no maior papo. Saí da pista e fui atrás dela. Aquele pequeno trajeto pareceu ser o mais longo da minha vida. Eu não tinha idéia do que iria falar para ela. Mas, enfim, segui em frente. Ela estava sentada, de frente para o balcão.

- Oi – Eu falei, totalmente em pânico. Ela se virou e olhou para mim.

- Elettra. – Virou a cabeça para o balcão novamente – Então não era ilusão minha. Era você mesma que estava ali dançando.

- Aylén, olha só. Cara, eu nem sei o que te dizer.

- Então foi esse o motivo do fim do seu namoro com o Marco?

- De uma certa forma, foi – Eu baixei a cabeça.

- De uma certa forma? Eu não acredito que você não me falou nada!

- Aylén, eu não planejei tudo isso. Aconteceu, e a minha cabeça tá em parafuso. Eu não te falei porque é muito difícil pra mim. Eu tinha medo de perder a sua amizade.

- Medo? Você acha que eu sou tão ignorante assim?

- Não, claro que não! Mas eu não queria te chocar com uma coisa que nem eu tenho certeza, ainda.

- Elettra, pelo amor de Deus. Eu estava super tranqüila, bebendo e conversando com uns amigos, e de repente eu olho pro lado e vejo a minha melhor amiga no maior amasso com outra garota. Te garanto que eu não ficaria chocada um décimo do que eu estou agora.

- Eu sei. Isso foi um puta azar. Eu não queria que tivesse sido assim, mas eu não gostaria que mudasse alguma coisa entre nós, entende? – dei uma pausa – Será que isso é possível?

- Não sei. Tô meio zonza com a porrada, ainda.

- Você quer que eu te deixe sozinha? – Falei, completamente arrasada.

- Pode ser. Eu já estava indo embora, mesmo. Já são 4h da manhã – Ela falou, olhando para o relógio.

- E os seus amigos vão com você?

- Vou saber agora.

- Tá ok. Eu vou deixar você na sua. Mas, Aylén, não deixa de falar comigo não, tá? Eu gosto de você pra caramba, e eu sou a mesma pessoa de sempre. Tem muita coisa que eu queria te explicar.

- A gente se fala essa semana, não esquenta.

- Tá. – dei uma pausa – Tchau. – Fui saindo devagar. Que merda isso tudo, eu pensava.

- Elettra? – Me virei e vi que ela estava me chamando.

- Que foi?

- Aquela garota é a “amiga” que você levou no meu aniversário, não é? A Dani.

- Ela mesma.

- E a quanto tempo isso tá rolando entre vocês?

- Faz pouco mais de um mês, mais ou menos.

- Um mês? Que loucura isso.

- Eu sei. Foi tudo muito doido, mesmo.

- Ela foi a primeira?

- Claro! Eu nem imaginava que isso pudesse acontecer comigo.

- E você contou para o Marco?

- Contei. Você pode imaginar como ele ficou. Ele tá puto comigo.

- Imagino. Mais alguém sabe?

- Só a irmã dela, que é minha colega.

- E aí?

- Tranqüilo.

- Bom, eu tô indo mesmo. – ela se levantou, foi saindo e olhou pra mim – Eu te ligo essa semana.

- Tá bom. Liga mesmo!

- Pode deixar. Tchau.

- Tchau, Aylén.

Saí do bar e voltei para a mesa onde estava o pessoal. Logo que me viu, a Dani veio perguntando como é que tinha sido a conversa.

- E aí, amor? Falou com ela? Como é que foi?

- Péssimo! Que situação horrorosa! – Sentei.

- Vocês brigaram?

- Não, mas ela estava com uma cara de espanto que nem precisava falar muita coisa.

- E o que vocês conversaram?

- Ela disse que estava chocada de ver a amiga de anos “no maior amasso” com outra garota, que não acreditava que eu não tinha contado nada pra ela.

- E você?

- Pedi mil desculpas. Disse que não queria contar porque tinha medo, essas coisas, mas não amenizou muito a situação, não. Ela perguntou sobre você, também.

- O quê?

- Se você era a mesma garota que tinha ido comigo no aniversário, quanto tempo nós estávamos juntas, se foi por isso que eu terminei com o Marco, e por aí vai.

- E como é que ficou?

- Não ficou. Eu disse que queria conversar melhor com ela e ela disse que sim. Agora que a merda já foi feita, vamos ver no que vai dar.

- Puta, que azar isso. Não tô acreditando.

- Vamos embora, Dani? Acho que não tem mais moral nós ficarmos por aqui, ainda.

- Claro.



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