História Conflitos de um grande amor - Capítulo 14


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Categorias Originais
Tags Bissexual, Blumettra, Gran Hermano, Homossexual, Mulheres, Romance
Visualizações 11
Palavras 1.548
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 14 - Cartas na mesa


Aquela semana estava sendo uma tortura. Fazia três dias que eu só falava com a Dani pelo telefone, pois eu tinha que me preparar melhor para enfrentar a situação. Eu ficava me esquivando, e ela já começava a estranhar a minha atitude. Eu estava disposta a abrir o jogo com ela, contar tudo. Eu não aguentaria ficar com esse segredo engasgado, só que não poderia ser de qualquer jeito. Tinha que ser em um lugar calmo, onde nós tivéssemos tempo e tranqüilidade suficiente para esclarecer tudo, então liguei para a Dani e perguntei se ela não poderia reservar para o final de semana aquela cabana que nós costumávamos freqüentar. Ela adorou a idéia. Mal sabia que a nossa pequena viagem não seria exatamente como ela estaria esperando que fosse. Resolvi faltar a aula de sábado, pois o semestre estava naquele ponto meio parado, e assim nós poderíamos ir na sexta à noite. Chegou o final de semana e ela passou na minha casa para me pegar. Eu já estava morrendo de saudades dela, pois até então nunca ficamos tantos dias sem nos encontrarmos.

Quando chegamos na cabana, eu não conseguia disfarçar a minha tensão. Dani tinha perguntado várias vezes o que estava acontecendo comigo enquanto nós ainda estávamos no carro, mas quando nós entramos no quarto e conseguimos um pouco de privacidade ela foi mais incisiva.

- Tá certo. Estamos aqui, temos um final de semana todinho só nosso, por isso não precisa ter muita pressa. Então, amor, você não vai me falar o que está acontecendo?

- Dani, a gente tem muita coisa pra conversar.

- A gente tem? – Ela perguntou, sem ter a menor noção do que estava por vir.

- Tem.

- Tudo bem. Pode começar, então.

- Não dá pra você pedir um vinho, antes? Acho que eu tô precisando.

- Como você quiser. – Pelo rumo que as coisas estavam tomando ela já começava a ficar desconfiada de que o assunto era sério. Ela estava aparentemente calma, mas com gestos limitados e uma expressão fechada.

Estava um silêncio totalmente constrangedor e eu resolvi ir para o banheiro enquanto o vinho não chegava, para quebrar aquele clima. Fechei a porta e fiquei escorada na pia, olhando para o chão e tentando pensar em uma maneira de amenizar toda aquela situação. Não encontrei nenhuma solução, é claro. Ouvi um barulho do lado de fora do banheiro e logo depois a Dani me chamou, dizendo que o vinho já tinha chegado. Já não era sem tempo, pensei. Joguei uma água no rosto e voltei para o quarto. Dani estava servindo o vinho. Veio em minha direção, me entregou uma taça, pegou outra para ela, sentou um pouco distante e ficou me olhando.

- Pronto. E agora?

- Nem sei por onde começar, Dani.

- Tudo bem. Estou esperando.

- Bom, a Aylén foi lá em casa no domingo passado, né.

- Sim. E daí?

- Pois é. Nós conversamos bastante, e ela levantou algumas questões que me deixaram meio grilada.

- Questões de que tipo?

- Sobre tudo o que está acontecendo. Sobre essas mudanças todas na minha vida, o que eu estava sentindo.

- E qual é o problema?

- Nenhum, na realidade. Só que eu fiquei pensando no nosso namoro, e eu queria ter certeza de que não estava machucando você, ou a mim mesma.

- E isso está acontecendo?

- Não sei. Eu estava super confusa.

- Estava? Então você chegou à uma conclusão?

- Na verdade não é bem isso. Aliás, é e não é.

- É o quê, então?

- É que eu achei que precisava me encontrar realmente, entende?

- Não.

- Eu achei que eu precisava sair um pouco da sua referência e ver como eu encararia o mundo gay sozinha.

- Sei. – Ela já estava com uma expressão totalmente tensa.

- Pois é. Então eu resolvi ir à uma boate gay. Tipo estudar a realidade, sabe?

- E quando é que você foi?

- No domingo mesmo.

- Você podia pelo menos ter me contado, né? Você acha que eu iria impedir você de sair sozinha, por acaso?

- Eu sei que não. Além do que, foi mais uma idéia infeliz que eu tive. Não sei o que passou pela minha cabeça. Se eu pudesse voltar atrás, jamais teria saído naquele dia.

- Por que? O que aconteceu de tão horrível? – Ela realmente estava ficando puta. Já estava esperando a bomba. Eu bebi o vinho e tentei arrumar coragem para falar.

- Dani, eu queria te dizer que eu não queria que isso tivesse acontecido.

- Acontecido o quê, Elettra? – Ela falou, meio impaciente.

- É que eu sentei em uma mesa com uma galera. Tava o maior papo, super animado. Eu bebi um pouco demais, estava bem alterada. Até que... ai, que merda isso!

- Até que o quê??

- Até que eu acabei ficando com uma garota. – Ela ficou muda, e eu continuei falando, tentando me explicar. – Dani, eu não planejei tudo isso. Eu estava bêbada, confusa, não sabia...

- Vocês transaram? – Ela me interrompeu, falando com uma expressão de indignada, mas sem mover nenhum músculo. Eu baixei a cabeça. – Fala Elettra! Você transou com a garota?? – Eu fiz um sinal positivo com a cabeça. Ela virou o rosto e não falou nada.

- Dani, por favor, acredita em mim. Eu não queria que nada disso tivesse acontecido. Eu não sei onde é que eu tava com a cabeça. Eu fui embora no meio da noite, mesmo, me sentindo extremamente mal. Eu passei a semana inteira me corroendo por dentro, me sentindo um lixo, não tinha coragem nem para te encarar. Você não sabe a culpa que eu tô sentindo. – Ela continuava muda, apenas me olhando. – Fala alguma coisa, vai! – Eu falei, angustiada.

- O que você quer que eu fale?

- Sei lá. Eu tô me sentindo muito mal.

- E você acha que eu estou me sentindo como?

- Dani, eu...

- Elettra, por que você quis vir até aqui hoje, hein? Por que essa palhaçada de final de semana romântico se era para me contar que você tinha me chifrado?

- É que eu queria ter tempo e tranqüilidade para esclarecer tudo com você. Eu não quero te perder.

- Você deveria ter pensado nisso antes de trepar com outra mulher.

- Dani, por favor, me perdoa. Eu sei que eu fui covarde, mau caráter. O que você disser eu aceito, mas eu percebi que você é essencial na minha vida. Eu não conseguiria mais ficar longe de você.

- E você precisou dar para outra garota pra perceber isso? Que ótimo.

- É que esses últimos meses foram muito difíceis pra mim, eu estava totalmente transtornada, mas agora eu não estou mais. Pelo menos em relação ao que eu sinto por você. Eu estou disposta a encarar o que for preciso pra ficar com você, Dani. Eu estou aqui na sua frente admitindo o meu erro, sendo sincera com você, expondo todas as minhas fraquezas. Isso não é fácil. – Eu sentei no chão, ao lado dela. – Eu só te peço uma nova chance.

- Não sei, Elettra. Está tudo muito recente ainda.

- Deixa eu te provar que eu te amo. Eu te amo, Dani! Eu jamais tinha falado isso pra você. E pode ter certeza de que é sincero.

- É sincero ou é consciência pesada?

- Tudo bem. Eu não tiro as suas razões para não acreditar em mim. – Eu continuava sentada no chão. Ela se levantou e deitou na cama, dando um longo suspiro. Eu me virei e continuei falando, agora sem muita esperança de conseguir contornar a situação. Pelo menos não naquele final de semana – Você quer ir embora agora?

- Agora não. Eu estou muito cansada.

- Quer ir amanhã, então?

- Pode ser. – Essa resposta retomou um pouco as minhas chances. O “pode ser” abria um espaço para a possibilidade de “não ser”. Então resolvi ser mais incisiva. Deitei na cama, de frente para ela, e comecei a fazer carinho no seu rosto.

- Você foi a coisa mais importante que me aconteceu nesses últimos tempos, Dani. Não me abandona, não. Por favor. Me perdoa. – Ela virou e ficou me olhando.

- Elettra, eu... – Eu a interrompi e comecei a beijá-la. No primeiro momento ela resistiu, mas logo correspondeu ao meu beijo.

Ficamos um longo tempo naquele beijo apaixonado, carinhoso. Para mim a realidade era outra a partir daquele momento. Eu só queria poder amar aquela pessoa por quem eu tinha um carinho e uma admiração enorme, e que agora definitivamente tinha se transformado em amor verdadeiro. Eu precisei dar com a cabeça na parede para perceber o que já era fato desde o início. Desde o primeiro momento em que entrou na minha vida a Dani já tinha me conquistado, nesse tempo todo eu só estava enganando a mim mesma. Apaguei as luzes do quarto, deixei somente uma luz baixa da mesinha de cabeceira. Deitei ao lado dela, tirei lentamente a sua roupa, depois a minha, e fizemos amor a noite inteira como se fosse a nossa primeira vez. Estávamos nos descobrindo novamente, iniciando uma nova trajetória. Aquela noite foi sim a minha primeira vez. A primeira noite de amor da minha vida. E foi inesquecível!

 

 

 



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