História Conhecendo as Faces do Amor - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Jiraiya, Kakashi Hatake, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Tayuya
Tags Amor, Bebado, Escritor, Jiraya, Naruto, Romance
Exibições 4
Palavras 2.602
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 2 - José Cuervo


Acordei com o odor peculiar, mas a essa altura já familiar, da lixeira.

Excelente! De volta para a sarjeta. Será que desta vez estou no Moe ou no MacLaren's?

Lentamente abri os olhos e para a minha surpresa não estava jogado em nenhuma viela costumeira. A vizinhança estava quieta, algo bem raro para os locais onde eu costumava acordar.

A arquitetura daquele beco era diferente, pelo menos eu me enfiara em uma sarjeta mais requintada. Os prédios ao meu redor tentavam imitar a arquitetura parisiense medieval com construções góticas.

Palmas para você querida Nova York, você nunca me decepciona, pelo menos não enquanto eu estou bêbado.

Que dor de cabeça! Será que se eu bater minha cabeça na parede a ressaca irá passar? Por que eu continuo bebendo?

Tenho que parar com isso.

Não, de jeito nenhum. Para mim, viver e beber são praticamente iguais, afinal de contas não importa o quão divertida minha vida é ou ainda o quão cauteloso eu for para prolongá-la, ainda receberei o beijo inexorável da Señorita Muerte. Da mesma forma, não importa o quão pouco eu beba ou esteja me divertindo, sempre acabo de um jeito deplorável. Logo, Arriba, abajo, al centro y adentro! Obrigado amigos do Alcoólatras Anônimos por me ensinarem essa maravilhosa e distorcida filosofia de vida no dia que nosso conselheiro teve virose.

Apesar de estar me deleitando com minhas epifanias, tive que voltar minha atenção ao fato de que eu estava perdido. Tateei meus bolsos a procura do meu celular, mas para minha infelicidade ele havia sumido.

Celular?! Não, não, não, não... Droga! Foda-se, eu vou andando até achar uma daquelas adoráveis latas-de-sardinha amarelas.

Frustrado, comecei a caminhar em direção à saída da viela para ter acesso a rua. Enquanto andava, saquei minha carteira para me certificar de que o dinheiro seria o suficiente para o taxi ou então eu teria que procurar um telefone para contatar Kakashi e então implorá-lo para me buscar pela docentíssima-quadragésima-sétima vez desde o ano passado.

Quem é esse veado na minha carteira?

Bem, aquela não era minha carteira. Apesar de perder minha querida companheira de longa data, ao menos tinha o suficiente para uma corrida de taxi.

Por um momento tive um desconforto em usar aquele dinheiro, pois tecnicamente eu estaria roubando, porém eu lembrei que esse sujeito muito provavelmente estava gastando meu dinheiro.

Sinto muito, deixe-me forçar um pouco mais a vista para ler sua identidade, Sasuke Uchiha. Prometo que te pago algum dia... Ou não.

Caminhei por algum tempo, porém não fazia ideia de onde estava. Nem ao menos lembrava de como havia chego naquela viela.

Tentei calmamente relembrar o que eu havia feito naquele dia. Eu havia saído de manhã para tomar café no Central Perk e depois fui para a entrevista com aquela megera. Lembro-me que depois da sessão de tortura eu e Kakashi havíamos entrado no taxi, andamos algumas quadras enquanto brigávamos e então eu saí porque queria beber algo para aliviar o estresse. Entrei no primeiro bar que eu encontrei e então pedi uma dose de tequila com sal e limão, depois mais uma, então outra e mais outra.

Nada! Não consigo lembrar de mais nada.

Continuei andando por mais um tempo. Então vi algo que me assustou e me deixou consternado; acho que a última vez que tive um susto desse foi quando minha namorada do colegial me disse que sua menstruação estava atrasada.

Fodeu! Por que a caralha da Torre Eiffel está em Nova York?!

Por favor! Por favor! Por favor que essa seja só mais uma das lições de moral imbecis do Kakshi e que estejamos em algum lugar escondido em Las Vegas. É óbvio que aquela torre não é a verdadeira e essa viela é um cenário montado. Certo?

—Tá bem Kakashi, eu já entendi tudo. Me-desculpe por ter te xingado e por ter surtado com a Tayuya hoje. Eu já aprendi minha lição, nunca mais te deixo falando sozinho e vou para o bar. Você já pode aparecer! — Eu desesperadamente gritei na vã esperança de que tudo fosse apenas uma pegadinha.

Vous avez besoin d'aide? —Disse uma senhora no fim da viela.

—A senhora pode me ajudar? Fala inglês? —Eu gritei enquanto ia em sua direção.

A mulher saiu com passos largos e eu corri em seu encalço. Ela caminhava rapidamente entre os prédios, virando as esquinas e seguindo em direção a uma rua mais iluminada.

Finalmente eu estava me aproximando daquela senhora, mas quando cheguei naquela região mais clara a mulher havia desaparecido.

Ela havia me guiado para uma área comercial cheia de lojinhas.

O que aconteceu comigo?!

Ao mirar meus olhos para a vitrine vi algo que superou o susto anterior. Veja, se o susto anterior se equivale a me tornar um pai adolescente, esse aqui se equivale a me tornar um pai adolescente sendo que eu é quem vou parir a criança mesmo tendo um par de bolas. A pessoa que se encontrava no reflexo daquele vidro definitivamente não era eu; aquele cabelo negro como o ébano e aqueles pares de orbes escuros como ônix eram do dono da carteira que eu encontrei mais cedo.

Curieux? —A mulher sussurrou ao pé de meu ouvido.

—Minha senhora, espaço! Pelo menos um metro de distância e sem mais enconchadas! Sabe me explicar o que está acontecendo? Por que esse no espelho não sou eu?

Garçon, vous êtes dans la Ville Lumière maintenant. Soyez fidèle à votre écriture et laissez l'amour vous prendre dans les bras de sa bien-aimée.— A velha disse enquanto dava leves tapas na minha bochecha direita.

— Corta esse sentimentalismo todo. Eu não entendi bulhufas do que você cuspiu em cima de mim além de amour (amor), mas já lhe aviso que no momento não quero e também não posso comentar meus livros com uma fã maluca.

Pathétique. Je m'y attendais un peu plus de vous Jiraya. —Aquela múmia decrépita sibilou com desdém. — E você vive reclamando sobre a existência do amor. Salve aquela garota ou então você nunca mais terá sua vidinha medíocre de novo.

— Excelente, você fala a minha língua. Será que podemos acabar com esse lero-lero e...

Puta merda!

A velha estalou os dedos e tcharam! De um beco escroto para uma ponte iluminada com milhares de cadeados presos em suas grades de segurança.

— Serei breve. Meu nome é Chiyo e você, rapaz, irá impedir que aquela bela senhorita se jogue da ponte.

— Nãos sei que pedra de craque nós fumamos, mas...

Com mais um estalar de dedos aquela senhora materializou um revólver em suas mãos.

— Garoto, você vai impedir que aquela jovem não se mate ou então...

— Você irá me matar?

— Por favor. Você viu o que eu acabei de fazer e acredita que eu iria te matar assim tão rapidamente? Que decepção! Eu jurava que escritores eram mais inventivos.

— Se você é realmente tão poderosa assim por que não salva a garota? Não seria mais fácil?

Caralho! A velha atirou em meu pé direito. Que dor infernal!

— Você não vai conseguir correr, não vai conseguir se mexer um músculo sequer e vai escutar tudo o que eu tenho a dizer. Entendu, scories? — Ela me coagiu enquanto pisava em meu pé ferido.

Eu não sei o que essa maluca fez, mas eu realmente não consigo me mover!

Sai daqui Satanás! Que bruxaria é essa? O que essa defunta quer comigo?

— Veja, pode não parecer, mas eu sou o cupido. — Antes de continuar ela me lançou um olhar penetrante e intenso. — Se você fizer alguma piadinha a respeito de minha aparência eu irei te castrar. Note que meus termos são simples: salve a garota ou então eu lhe farei sofrer tão intensamente que você não saberá mais distinguir dor e prazer.

Novamente ela estalou os dedos, dessa vez o efeito de seu som curou meu pé e devolveu minha mobilidade.

—Que garota? Como eu vou pará-la? E por quê?

—Inútil. — Ela resmungou. — É uma lição de vida para você. —Ela disse de maneira sucinta. —O tempo está correndo. Salve a garota ou bye bye. —Ela então se aproximou de mim e me acertou um peteleco na fronte.

Após seu golpe meus olhos se fecharam e novamente a paisagem ao meu redor mudou. Ainda continuávamos em cima de uma vazia Pont des Arts, mas a noite que até a poucos segundos atrás era quente e aconchegante, passara a ser gélida e deprimente. Minhas vestimentas também mudaram e agora eu estava com um pesado sobretudo, mas o sopro frio era imponente e assim arrepiava minha espinha.

Chega de maluquice! Por favor, só quero que esse pesadelo acabe agora.

Escutei um abrupto som de metais se chocando e intensas arfadas vindo de trás de mim. Olhei para ver o que era; uma garota simplesmente se sentara em uma das grades de segurança daquela ponte. Ela era alta, esguia e possuía madeixas rosas; exótica, devo dizer. Apesar do álgido clima, a garota estava sem agasalhos; uma simples regata preta, um jeans surrado e um par de coturnos militares.

Ela parecia ter corrido bastante, sua respiração estava pesada e seu corpo estava trêmulo enquanto ela se equilibrava sobre aquela ínfima barra de metal.

Eu fitei intensamente aquela garota, naquele momento eu não estava raciocinando, eu apenas fiquei olhando aquela jovem senhorita; permaneci imóvel durante um breve momento.

Não sei o porquê, mas eu me perdi enquanto observava aqueles longos fios róseos tremularem. Aquela garota me despertava algo que há tempo eu não sentia por uma mulher. Fascínio. Eu estava hipnotizado, não sei o quê era que me atraia, mas eu tinha o senso de urgência em conhecer aquela moça.

Algo não está certo comigo. Normalmente quando eu vejo uma bela jovem eu só consigo pensar duas coisas: ela já têm dezoito? E como seria meu pau na boca dela? Porém, agora eu só quero saber se existe algo que eu possa fazer para ajudá-la.

Droga! Ela vai se matar!

—Não pule! – Clamei para que aquela pobre criatura não se jogasse daquela ponte.

— Me dê um único bom motivo para não pular. — A garota da pele alva murmurou com a voz trêmula; seus olhos esmeraldinos estavam vermelhos, eles transbordavam e suas lágrimas escorriam o preto de sua maquiagem. Seus longos cabelos róseos tremulavam com o sopro do vento, enquanto suas pernas balançavam para fora da ponte.

Merda! Calma Jiraya. Pense em algo para dizer; pense, pense, pense...Porra! Eu sou um escritor profissional mas as palavras simplesmente me abandonam nos momentos mais inoportunos. O que eu faço agora? Vamos lá cérebro, sei que lhe agrido com a maconha mas por favor não me deixe na mão agora.

—Você é uma jovem muito bonita para morrer. — Tentei me aproximar de um jeito amigável.

—Obrigada. – Ela abaixou a cabeça bruscamente e então bufou.

Opa, algo não está certo, ela está muito séria e sua voz detonava raiva.

— Quer dizer que se eu fosse uma velha feia minha morte não faria diferença não é mesmo?!

Me fodi!

—Cai fora daqui seu porco chauvinista; você homens nos veem só como objetos. Eu odeio todos vocês!

— Me desculpe, eu não quis dizer isso. Eu só não quero que você pule!

— Por que não? — Seus olhos verdes me fitavam intensamente; eu via neles angústia e tormenta, buscando algo para lhes acalmar o espírito.

—Porque você é especial; porque você possui uma majestosa beleza e nem sabe disso.— Fui interrompido novamente.

— Viu só! Você é só mais um idiota que quer me foder! Não me vê como um ser humano, mas sim como um buraco quente e úmido para ser usado pra te dar prazer quando lhe convir. — A garota em seu surto de raiva soltou as mãos da grade e ficou se equilibrando.

Se ela morrer, a velha irá me currar pelo resto da eternidade. Preciso fazer algo!

—Não! — Esbravejei agarrando seu pulso; ela parecia assustada e por pouco não perdeu o equilíbrio. — Não, não é da beleza física que eu me referia... Você, eu e todas as outras pessoas na face da Terra possuímos uma beleza magnífica que às vezes não nos damos conta ou simplesmente a esquecemos. Não sei qual é a sua crença, mas essa é verdade.

—Poupe seu tempo, não vou cair nessa baboseira religiosa barata. — Ela me respondeu com desdém.— Sou ateia. Aliás, poupe seu tempo em tentar me fazer mudar de ideia e vá embora daqui. — A garota bradou soltando seu braço de minhas mãos.

Não tenho escolha, preciso que ela confie em mim.

— Que bom!— Exclamei sentando-me ao seu lado. — Também não acredito em religião alguma. Presumo então que você utilize a ciência, assim como eu, para interpretar a realidade, certo? — A bela de visual post-punk arqueou o cenho enquanto balançava a cabeça afirmativamente.

— Você já parou para pensar que o fato de nós dois estarmos aqui tendo essa conversa é algo que vai contra as probabilidades? Não pelo fato de nos encontrarmos em si... Se bem que isso também seria pouco provável também dado o tamanho da cidade, o número de pessoas e a hora em que nos encontramos, mas enfim.

Ela parece séria demais. Será que ela está realmente prestando atenção ou só está me xingando mentalmente? Não sei! Mas espero que eu consiga prender sua atenção por mais um pouco.

—Cai fora!—Ela me disse assertivamente. — Agora você vai me dizer que foi o destino que nos juntou? Me poupe, já disse que não vou dar pra você seu otário!

—Me desculpe, sou prolixo. É tagarela. —Ri timidamente tentando conquistar sua simpatia. — O que eu queria dizer, mas me perdi no meio, era que nós já somos especiais só pelo fato de estarmos vivos. — Ela revirou os olhos. — Você havia me dito que é ateia e que baseia suas decisões em observações feitas pela ciência, certo? — Ela voltara a me encarar porém estava com um semblante curioso dessa vez.

Por favor querida memória, não me deixe na mão nesse exato momento.

—Você já parou para pensar que a existência da vida em nosso universo é algo dual? Dual, porque nós e outros seres vivos somos compostos basicamente de carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e alguns minerais; curiosamente esses elementos são os mais abundantes em nosso universo, contudo o aparecimento de vida é algo extremamente raro no Cosmos.Ah! E entenda vida como qualquer tipo de organismo, inteligente ou não, como algumas archea-bactérias que os cientistas encontraram em outro planetas também, assim como em regiões de climas extremos aqui na Terra.

— E dai? — Ela me perguntou com um olhar desiludido, seus olhos estavam marejados esperando uma resposta mais profunda.

— Você não acha isso poético? Ao menos pra mim a nossa existência é algo belo, somos a improbabilidade que aconteceu, somos um fenômeno que contraria a espontaneidade da termodinâmica. Somos joias raras nascidas de estrelas mortas. Somos um milagre do acaso, por isso defendo a vida e acredito que ela deva ser celebrada. —A mediada em que eu falava alguns flocos de nevem começaram a cair vagarosamente em nossos rostos.

De alguma forma meu discurso fora efetivo. A garota desistira de encontrar a morte naquele momento; ela desceu da grade e se sentou no chão, a jovem estava encolhida com a cabeça baixa, seu corpo tremia e seus dentes tilintavam.

Tirei meu sobretudo e a cobri.

—Por que está me ajudando? —Ela levantou o rosto e depois tentou me entregar o casaco de volta.

—Não sei. Decência? — Falei enquanto empurrava o casaco de volta para ela. —Eu só acho que suicídio não é uma opção. Enfim, qual é o seu nome?

—Sakura. E o seu, franjinha?

Franjinha?

Ah, não. Eu tinha esquecido que eu não sou "eu mesmo". Preciso ligar imediatamente para Kakashi e pedir ajuda.


Notas Finais


Algum comentário? Espero que não tenha ficado confuso.
Bem, eu estava pensando em fazer um "casting" com as pessoas de carne e osso de como eu imagino que cada personagem seria, mas ainda não consegui encontrar o elenco perfeito. Você poderia me ajudar? Quem você acha que seria um perfeito Jiraya?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...