História Conhecendo as Faces do Amor - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Jiraiya, Kakashi Hatake, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Tayuya
Tags Amor, Bebado, Escritor, Jiraya, Naruto, Romance
Exibições 3
Palavras 1.927
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura.

Capítulo 2 - Tequila Slammer


Acordei com o odor peculiar, mas a essa altura já familiar, da lixeira.

Excelente! De volta para a sarjeta. Será que desta vez estou no Moe ou no MacLaren's?

Lentamente abri os olhos e para a minha surpresa não estava jogado em nenhuma viela costumeira. A vizinhança estava quieta, algo bem raro para os locais onde eu costumava acordar.

A arquitetura daquele beco era diferente, pelo menos eu me enfiara em uma sarjeta mais requintada. Os prédios ao meu redor tentavam imitar a arquitetura parisiense medieval com construções góticas.

Palmas para você querida Nova York, você nunca me decepciona, pelo menos não enquanto eu estou bêbado.

Que dor de cabeça! Será que se eu bater minha cabeça na parede a ressaca irá passar? Por que eu continuo bebendo?

Tenho que parar com isso.

Não, de jeito nenhum. Para mim, viver e beber são praticamente iguais, afinal de contas não importa o quão divertida minha vida é ou ainda o quão cauteloso eu for para prolongá-la, ainda receberei o beijo inexorável da Señorita Muerte. Da mesma forma, não importa o quão pouco eu beba ou esteja me divertindo, sempre acabo de um jeito deplorável. Logo, Arriba, abajo, al centro y adentro! Obrigado amigos do Alcoólatras Anônimos por me ensinarem essa maravilhosa e distorcida filosofia de vida no dia que nosso conselheiro teve virose.

Apesar de estar me deleitando com minhas epifanias, tive que voltar minha atenção ao fato de que eu estava perdido. Tateei meus bolsos a procura do meu celular, mas para minha infelicidade ele havia sumido.

Celular?! Não, não, não, não... Droga! Foda-se, eu vou andando até achar uma daquelas adoráveis latas-de-sardinha amarelas.

Frustrado, comecei a caminhar em direção à saída da viela para ter acesso a rua. Enquanto andava, saquei minha carteira para me certificar de que o dinheiro seria o suficiente para o taxi ou então eu teria que procurar um telefone para contatar Kakashi e então implorá-lo para me buscar pela docentíssima-quadragésima-sétima vez desde o ano passado.

Eu estava absorto em meus pensamentos, cambaleante tentando meditar para conter a enxaqueca e o refluxo da ressaca. Tentava me recordar de meu dia, porém minha última memória era daquela apresentadora fútil me importunando.

Eu caminhei mais um pouco até sair daquela viela. Logo em seguida me deparei com uma avenida escura que se estendia até uma ponte bem iluminada. Ao mirar o horizonte eu tive uma sensação engaçada por um instante, era como se minha visão estivesse me pregando uma peça, pois ao mesmo tempo que a ponte estava lá bem em frente de minha vista, parecia que ela era uma fotografia de como eu gostaria de ver o mundo. Talvez fosse a combinação das luzes que davam o tom etéreo a paisagem, ou quem sabe fosse as últimas noites mal dormidas que estavam me fazendo alucinar, ou então, muito provavelmente, era o álcool me iludindo novamente.

Mantive o foco e me arrastei até a ponte. A vontade de regurgitar todas as doses ingeridas era grande, contudo o meu asco pelo vômito era maior ainda, por isso mantive os passos lentos e parava regularmente para respirar fundo e não colocar minhas entranhas para fora.

Finalmente eu chegara àquele lugar extremamente iluminado. A ponte estava tão clara que parecia que o mundo repentinamente adquirira um filtro esbranquiçado. Era uma construção pitoresca.

Por que as grades laterais de segurança estão infestadas de cadeados de todos os tamanhos e cores?

A estranheza só aumentara, porque aquela atmosfera realmente transmitia algo transcendental; para começar minha ressaca e meu enjoo se esvaíram completamente em um piscar de olhos, além disso, aquele lugar me era familiar e ao mesmo tampo sabia que não estava mais em Nova York. Ainda assim, era uma sensação aconchegante que me manteve cativo olhando para o céu enquanto me apoiava na grade de segurança durante um bom tempo. Eu então fechei os olhos e respirei profundamente. Fiquei dessa maneira por um bom tempo, pois trazia leveza esta carcaça velha que ainda chamo de corpo.

Contudo, minha paz fora interrompida por barulhos agudos e sem ela todo o mal-estar causado pela bebida voltara ainda mais intensamente. Eu fora tirado de meu transe por um abrupto som de metais se chocando e intensas arfadas vindo de trás de mim. Reabri meus olhos e me deparei com uma ponte escura, com grades carcomidas sem os milhares de cadeados que lhe serviam de adereços e por fim, uma garota simplesmente se sentara em uma das grades de segurança daquela ponte. Ela era alta, esguia e possuía madeixas rosas; exótica, devo dizer. Apesar do álgido clima, a garota estava sem agasalhos; uma simples regata preta, um jeans surrado e um par de coturnos militares.

Ela parecia ter corrido bastante, sua respiração estava pesada e seu corpo estava trêmulo enquanto ela se equilibrava sobre aquela ínfima barra de metal.

Eu a fitei intensamente, não raciocinei o porquê dela se sentar naquele local. Permaneci imóvel durante um breve momento apenas observando aquela jovem senhorita.

Não sei o motivo, mas eu me perdi enquanto observava aqueles longos fios róseos tremularem. Aquela garota me despertava algo que há tempo eu não sentia por uma mulher. Fascínio. Eu estava hipnotizado, não sei o que era que me atraia, mas eu tinha o senso de urgência em conhecer aquela moça.

.

Droga! Ela vai se matar!

—Não pule! – Clamei para que aquela pobre criatura não se jogasse ao mesmo tempo em que me aproximava.

— Me dê um único bom motivo para não pular. — A garota da pele alva murmurou com a voz trêmula; seus olhos esmeraldinos estavam vermelhos, eles transbordavam e suas lágrimas escorriam o preto de sua maquiagem. Seus longos cabelos róseos tremulavam com o sopro do vento, enquanto suas pernas balançavam para fora da ponte.

Merda! Calma Jiraya. Pense em algo para dizer; pense, pense, pense...Porra! Eu sou um escritor profissional mas as palavras simplesmente me abandonam nos momentos mais inoportunos. O que eu faço agora? Vamos lá cérebro, sei que lhe agrido com a maconha mas por favor não me deixe na mão agora.

—Você é uma jovem muito bonita para morrer. — Tentei me aproximar de um jeito amigável.

—Obrigada. – Ela abaixou a cabeça bruscamente e então bufou.

Opa, algo não está certo, ela está muito séria e sua voz detonava raiva.

— Quer dizer que se eu fosse uma velha feia minha morte não faria diferença não é mesmo?!

Me fodi!

— Cai fora daqui seu porco chauvinista, velho nojento, pedófilo depravado. Vocês homens nos veem só como objetos. Eu odeio todos vocês!

— Me desculpe, eu não quis dizer isso. Eu só não quero que você pule!

— Por que não? — Seus olhos verdes me fitavam intensamente; eu via neles angústia e tormenta, buscando algo para lhes acalmar o espírito.

—Porque você é especial; porque você possui uma majestosa beleza e nem sabe disso. — Fui interrompido novamente.

— Viu só! Você é só mais um idiota que quer me foder! Não me vê como um ser humano, mas sim como um buraco quente e úmido para ser usado pra te dar prazer quando lhe convir. — A garota em seu surto de raiva soltou as mãos da grade e ficou se equilibrando. — Eu tenho nojo de todos vocês! Sai daqui agora, me deixe em paz!

—Não! — Esbravejei agarrando seu pulso; ela parecia assustada e por pouco não perdeu o equilíbrio. — Não, não é da beleza física que eu me referia... você, eu e todas as outras pessoas na face da Terra possuímos uma beleza magnífica que às vezes não nos damos conta ou simplesmente a esquecemos. Não sei qual é a sua crença, mas essa é verdade.

—Poupe seu tempo, não vou cair nessa baboseira religiosa barata. — Ela me respondeu com desdém.— Sou ateia. Aliás, poupe seu tempo em tentar me fazer mudar de ideia e vá embora daqui. — A garota bradou soltando seu braço de minhas mãos.

Não tenho escolha, preciso que ela confie em mim. Será que consigo me equilibrar?

— Que bom! — Exclamei sentando-me ao seu lado. — Também sou ateu. Presumo então que você utilize a ciência para interpretar a realidade, certo? — A bela de visual post-punk arqueou o cenho enquanto balançava a cabeça afirmativamente. — Você já parou para pensar que o fato de nós dois estarmos aqui tendo essa conversa é algo que vai contra as probabilidades? Não pelo fato de nos encontrarmos em si... se bem que isso também seria pouco provável também dado o tamanho da cidade, o número de pessoas e a hora em que nos encontramos, mas enfim.

Ela parece séria demais. Será que ela está realmente prestando atenção ou só está bolando um jeito de me jogar primeiro e então se suicidar? Não sei! Mas espero que eu consiga prender sua atenção por mais um pouco.

— Cai fora! — Ela me disse assertivamente. — Agora você vai me dizer que foi o destino que nos juntou? Me poupe, já disse que não vou dar para você seu velho otário!

— Me desculpe, sou prolixo. É tagarela, para velhos. —Ri timidamente tentando conquistar sua simpatia. — O que eu queria dizer, mas me perdi no meio, era que nós já somos especiais só pelo fato de estarmos vivos. — Ela revirou os olhos.

— Vai dizer que eu já sou uma vencedora da vida, porque de milhões de espermatozoides eu fui a que chegou primeiro? — Ela perguntou de maneira debochada.

Por favor querida memória, não me deixe na mão nesse exato momento

— Bem, isso é verdade, mas é só um dos fatores da magnificência da vida humana e talvez esse seja um detalhe pueril do todo. — Ela voltara a me encarar, porém estava com um semblante curioso dessa vez. — Você já parou para pensar que a existência da vida em nosso universo é algo dual? Dual, porque nós e outros seres vivos somos compostos basicamente de carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e alguns minerais; curiosamente esses elementos são os mais abundantes em nosso universo, contudo o aparecimento de vida é algo extremamente raro no Cosmos. Ah! E entenda vida como qualquer tipo de organismo, inteligente ou não, como algumas archea-bactérias que os cientistas encontraram em outros planetas também, assim como em regiões de climas extremos aqui na Terra.

 

— E daí? — Ela me perguntou com um olhar desiludido, seus olhos estavam marejados esperando uma resposta mais profunda.

— Você não acha isso poético? Ao menos pra mim a nossa existência é algo belo, somos a improbabilidade que aconteceu, somos um fenômeno que contraria a espontaneidade da termodinâmica. Somos joias raras nascidas de estrelas mortas. Somos um milagre do acaso, por isso defendo a vida e acredito que ela deva ser celebrada. —A medida em que eu falava alguns flocos de neve começaram a cair vagarosamente em nossos rostos.

De alguma forma meu discurso fora efetivo. A garota desistira de encontrar a morte naquele momento; ela desceu da grade e se sentou no chão, a jovem estava encolhida com a cabeça baixa, seu corpo tremia e seus dentes tilintavam.

Eu também desci da grade, tirei meu sobretudo e a cobri.

— Por que está me ajudando? —Ela levantou o rosto e depois tentou me entregar o casaco de volta.

— Não sei. Decência? — Falei enquanto empurrava o casaco de volta para ela. —Eu só acho que suicídio não é uma opção. Enfim, qual é o seu nome?

—Sakura. E o seu, velhote? — Ela me questionou enquanto se agasalhava.

— Só um momento. — Disse-lhe erguendo a palma de uma das mãos e me dirigindo ao outro lado da ponte.

Vomitei intensamente. Foi nojento, mas revigorante. A dor de cabeça e o enjoo melhoram bastante. Enquanto tirava o veneno de meu organismo pude ouvir risos contidos.

 

 


Notas Finais


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