História Consequências - A Escolha - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Exibições 15
Palavras 7.557
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


E aí gente? Vamos ao próximo cap?

Boa leitura ☺

Capítulo 2 - Capítulo II


Fanfic / Fanfiction Consequências - A Escolha - Capítulo 2 - Capítulo II

Antes...

Suspirei pela décima vez tentando me acalmar ou teria um ataque de pânico a qualquer momento, hoje é o meu primeiro dia de trabalho, e tudo precisava seguir de acordo com os meus planos, então nada poderia dar errado, por isso chequei mais uma vez o meu visual antes de sair de casa e fiquei satisfeita com a opção do vestido preto, me pareceu uma ótima escolha, ele caia perfeitamente bem no meu corpo acentuando cada uma das minhas curvas, além de deixar os meus seios avantajados, mas o melhor de tudo é que ele não ficava vulgar.

Por isso para dar um pouco de contraste na cor devido os meus cabelos serem no mesmo tom, optei por usar saltos vermelhos, só estava com um pouco de duvidas sobre o que fazer nos fios rebeldes já que eles sempre resolviam ficar embaraçados.   O que é claro, nunca facilitava pra mim.

Pensei por mais alguns minutos, até que resolvi bagunçá-los por completo, o que os deixou ainda mais despojados, mas não como uma vassoura, eu tinha ficado bem sexy!

E para finalizar o look, fiz a maquiagem com uma sombra marrom e um pouco de brilho o que se destacava bem com os meus olhos escuros, já o gloss rosa ficou bem uniforme com o meu tom de pele. Às vezes a minha palidez me irritava, mas dessa vez me caiu muito bem.

― É isso ai Katherine! Hoje você vai arrasar! ― disse animada dando alguns giros em frente ao espelho.

Com toda certeza eu deveria começar a me vestir mais vezes assim, principalmente quando fosse visitar a minha mãe, acho que ela teria bons argumentos de como Nova York estava me mandando direto para o inferno. Revirei os olhos imaginando a cena. Ela sempre sabia como ser dramática ao extremo principalmente quando se tratava da minha mudança para cá, escutei o interfone tocar e corri para a sala.

― Alô?

― O táxi que pediu já esta a sua espera senhorita Morgan.

― Ah sim, obrigada senhor Afonso, já estou descendo. ― coloquei o telefone no gancho e voltei para o quarto pegando minha bolsa e casaco.

Tranquei o apartamento e entrei no elevador descendo até a recepção, como Dominic tinha saído mais cedo e infelizmente eu não tenho um carro, precisava me virar sozinha, mas a possibilidade de andar assim pelo metro a noite era nula, então um táxi seria a forma mais segura de chegar até a boate. E pelo que entendi, eu só iria precisaria fazer isso nos dias de sexta-feira quando ela se apresentava, mas já nos outros dias iriamos juntas normalmente, o que é claro achei maravilhoso.

Assim que cheguei ao térreo vi o senhor Afonso caminhando na minha direção. Ele é o porteiro do nosso prédio e uma pessoa muito gentil. Eu passava horas ouvindo suas histórias de quando era mais novo e de como a cidade do México é incrível, ele veio de lá com apenas dezoito anos, e já está aqui há trinta anos.  

― Senhorita Kate, se me permiti dizer está linda hoje. ― sorri com o seu elogio, pelo jeito a minha escolha de roupas estava agradando.

― Obrigado Afonso, você sempre sabe como agradar uma mulher. ― respondi rindo antes de sair para a rua o que me fez tremer um pouco, apesar de estarmos no verão, às noites não eram lá muito agradáveis.

Vesti meu casaco de couro e entrei rapidamente no táxi dando as instruções ao motorista, mas não deixei de notar o seu olhar carregado de malicia sobre mim, o que fiz questão de ignorar, por isso durante o caminho fiquei jogando no celular e respondendo em monossílabas as suas perguntas idiotas, e assim que o carro parou em frente à boate soltei um suspiro de alivio.

Paguei a ele e desci do carro com pressa, o olhar daquele homem estava me irritando. E pensar que talvez todas as sextas, fossem assim, fazia o meu estômago embrulhar.

Observei a boate com um frio na barriga, ela ficava localizada em uma das avenidas mais luxuosas e discretas de Manrathan, havia muitas boates, mas acho que nenhuma se comparava a ela sendo de longe a mais bonita. A estrutura da Secrets é rústica e diferente de tudo que já vi, tinha a aparência de um prédio antigo dos anos vinte, o que chamava bastante atenção. Andei com passos lentes até Jeffrey, um dos seguranças da boate, havíamos nós conhecido em uma das baladas que Dominic me levou. Ele é um cara bem legal.

― Olha quem temos aqui, seja bem vinda à família Kate! ― falou me abraçando e me tirando do chão, Jeffrey é um homem de porte grande e com toda certeza assusta muitos por ai, mas o jeito dele te faz mudar de ideia rapidamente.

― Obrigado Jeff, mas acho melhor eu entrar, estou bem nervosa. ― disse mostrando as minhas mãos tremendo o que o fez rir.

― Relaxa gata, hoje vai ser mais como uma apresentação de tudo, as garotas só vão te explicar as regras e mostrar a casa, mas vai dar tudo certo, além de ser linda você é inteligente. ― suas palavras foram tão sinceras, que me ajudaram há relaxar um pouco.

― Obrigada de novo Jeff você é um ótimo amigo. ― suspirei olhando para entrada e sentindo o coração acelerar. ― Bom, mas de qualquer forma, é melhor eu entrar.

― Boa sorte Kate. ― disse sorrindo e abrindo a porta pra mim.

Assenti sem conseguir responder nada, porque mais uma vez, fui submetida ao choque desse lugar. O ambiente estava escuro, iluminado apenas por algumas luzes e o som suave do Jazz tocava ao fundo deixando tudo ainda mais excitante, observei o teto com ainda mais fascínio, o forro era negro, mas com grandes lustres vermelhos e velas decorativas, o que dava um belo contraste com as paredes marfim.

Já no salão havia pequenas mesas redondas de vidro e ferros de dança aleatórios, provavelmente para as garotas se exibirem durante a noite, e mais ao fundo havia sofás de couro vermelhos e pretos. E mesmo com uma decoração tão exótica aquele lugar gritava dinheiro. É... A vida é mesmo uma caixinha de surpresas! Nunca imaginei que o primeiro lugar luxuoso que frequentaria na vida seria uma boate de Strippers.

― Ah olá, deve ser Katherine Morgan não é? ― a voz da garota me tirou do transe momentâneo, ela sorria abertamente pra mim, o que me deixou um pouco sem graça, será que estava tão na cara assim que eu era a novata?

― Sim, sou eu mesma.

― Prazer, sou Emily Johnson, mas pode me chamar de Emy. ― disse me abraçando e me beijando no rosto o que me surpreendeu um pouco.

Acho que agora entendi o porquê Dominic fez tanta questão de me comprar roupas novas e mais ousadas, as garotas daqui são realmente um espetáculo, dei uma olhada em Emily com mais atenção. Ela usava um short Jens desfiado mostrando suas pernas bem torneadas e um tope branco brilhante combinando com os saltos, sua barriga estava à mostra e sua pele morena realçava ainda mais seus olhos verdes, já seus cabelos eram longos numa mistura de castanho e loiro.

― Ah sim, eu... Prazer pode me chamar de Kate. ― respondi ajeitando a bolsa, ela sorriu e me olhou de cima a baixo como se me analisasse.

― Então você que é amiga da Clarke. ― perguntou curiosa, mas fez uma careta. ― Nunca pensei que ela pudesse ter amigos.

― Pois é... Nós dividimos o apartamento juntas, foi ela quem me indicou para o senhor Black. ― comentei vendo que tinham poucas meninas por ali, acho que tinha chegado mais cedo do que pensei.

― Você vai gostar daqui, é uma loucura às vezes, mas garanto que compensa no fim do mês. ― concordei com a cabeça pensando no dinheiro, era o que estava mais me motivando a trabalhar aqui.

― Você por acaso viu a Domi...

― Emy! Ai graças a Deus! ― uma garota gritou me interrompendo e grudando na Emily.

Observei tudo confusa, ela realmente parecia assustada, sua respiração estava acelerada e seus cabelos ruivos espalhados pele rosto, ela estava usando roupas comuns de mais para trabalhar aqui, além de estar carregando vários livros consigo, mas eu não podia negar, ela tinha uma beleza bem inusitada, nunca vi cabelos tão chamativos como aqueles, eles me lembravam a cerejas.

― Ei calminha ai, o que foi que aconteceu? ― Emily perguntou a ajudando equilibrar os livros.

A menina arrumou os óculos no rosto e respirou fundo recuperando o folego, ela abriu a boca para falar, mas se calou de novamente para respirar o que foi bem engraçado.

― Emily, sabe dizer se o senhor Black já chegou? ― sua pergunta estava carregada de aflição. ― Se ele descobrir que eu estou atrasada de novo vai querer me matar. ― falou com a voz chorosa. A menina estava tão preocupada, que nem ao menos notou a minha presença, fiz uma anotação mental para nunca me atrasar.

― Não Cali, não se preocupe! Ele só vai chegar mais tarde, o Joe disse que ele saiu com o Montessori. ― Emily disse tentando acalmá-la, e pegou mais um livro que estava caindo de seus braços. ― Casse não esta aqui, então se considere uma garota salva!

Ela soltou um suspiro de alivio e abriu um sorriso contagiante nós lábios, não parecia nem um pouco mais assustada.  Ela ficou pensativa por alguns minutos, quando arregalou os olhos.

― Ai meu Deus! ― disse pausadamente. ― Será que ele vem aqui hoje? ― perguntou com ansiedade, Emily revirou os olhos, mas concordou que sim, olhei para elas um pouco confusa, o que foi que eu perdi?

― Caliel, você deveria se preocupar mais com á Casse querendo te ferrar do que com o Montessori, ele é só um cliente e quanto antes você enfiar isso nessa sua cabeça oca mais fácil vai superar essa paixonite idiota por ele! ― Emily esbravejou irritada e por um momento me senti como uma intrusa no meio das duas.

A ruiva suspirou pensativa e encaixou os óculos mais uma vez no rosto, mas algo me dizia que ela não se importou muito com o comentário que Emily fez.

― Tenho que ir me arrumar, preciso ficar deslumbrante, quem sabe ele me escolhe ao invés da chorosa da Layla. ― Emily revirou os olhos mais uma vez demonstrando sua total falta de interesse no assunto. ― E quanto a Casse prefiro não pensar na jararaca, minha vida já tem tormentos demais pra incluir mais um.

― OK..., mas vamos deixar esse assunto para depois, quero te apresentar uma pessoa. ― Emily disse segurando a minha mão e me aproximando das duas. ― Essa é Katherine Morgan, a nossa nova bar tender. E Kate essa é a nossa estudiosa e futura médica Caliel Foster.

Emily fez as apresentações formais fazendo com que a mesma me notasse, ela me olhou surpresa e sorriu envergonhada, só que acabou deixando mais um de seus livros caírem, só que dessa vez quem o pegou foi eu. Entreguei a ela rindo da situação, ela parecia um pouco desastrada.

― Cali, por favor, Caliel jamais! Minha mãe teve sérios problemas quando escolheu o meu nome, isso é nome de garoto se ela ainda não percebeu. ― resmungou indignada. ― Mas de qualquer forma, seja muito bem vinda à família Kate, posso te chamar assim certo? ― perguntou calorosa, assenti imediatamente, fazer amigas no emprego novo era sempre um bom começo.

― Sem problemas! E obrigada Cali.

― Não por isso. ― falou dando de ombros e encaixando os óculos. Acho que isso devia ser algum tipo de mania. ― Bom, preciso ir me arrumar meninas, até mais tarde. ― se despediu e correu para um pequeno corredor do salão, fiquei surpresa por nenhum livro ter caído dessa vez.

― Não ligue para o jeito maluco dela, a Caliel é meio avoada..., mas é uma ótima pessoa.

― Tudo bem, ela perece ser legal.

― Ela é sim, mas vamos às explicações. ― começou a falar em um tom mais serio. ― Sou eu quem vai ficar responsável pelo seu treinamento, então qualquer duvida que tiver não hesite em me perguntar. ― eu assenti concordando. ― Que tal fazermos um pequeno tour pela boate? Tenho certeza que deve estar curiosa para ver como é tudo por aqui...

― Séria incrível Emily! Eu vou adorar. ― falei com animação, se o salão era assim, não podia nem imaginar o resto.

Quando vim aqui pela primeira vez, a única coisa que conheci fora o salão da boate foi o escritório do senhor Black. E por falar em senhor Black... A conversa que tive com ele na entrevista ainda está bem nítida na minha cabeça.

(...)

Dominic me encarava como se esperasse a qualquer momento que eu saísse do carro correndo para voltar para casa, e eu estava me sentindo uma idiota por parecer dessa forma. Eu quero esse emprego mais que tudo e se caso não conseguir, vou ter que me apertar ainda mais.

― Não fique assim Kate! É só uma entrevista, vai dar tudo certo... ― Dom falou pela quinta vez enquanto esperávamos a ligação do seu amigo no estacionamento em frente à boate.

Encarei meu relógio de pulso com ansiedade, eu ainda tinha meia hora de almoço, ou seja, tinha que conseguir fazer a entrevista e voltar para o meu trabalho no outro lado da cidade em apenas trinta minutos! Que maravilha!

Coloquei minha mochila de lado e desci do carro ainda sem respondê-la, não queria parecer ainda mais patética, querendo ou não, não eram todos os dias que eu saia por ai para fazer entrevistas em uma boate de Strippers. Fico pensando o que minha família diria se soubesse disso, talvez dessa vez pudesse dar razão a eles.

Fiquei andando de um lado para o outro pensando nas minhas melhores respostas para dar ao senhor Black, foi quando Dominic também desceu do carro.

― Eu estou bem. ― foi tudo que pude responder, ela me olhou com deboche e revirou os olhos.

― Claro! Estou vendo... Olha Kate, eu só te dei uma ideia, se estiver te incomodando, nós podemos voltar, eu cancelo tudo e posso te emprestar a grana.

Olhei pra ela confusa, acho que o meu nervosismo estava lhe dando a impressão errada da situação, eu queria muito aquele emprego, não passou pela minha cabeça em nenhum momento desistir.                                      

― Não! ― disse com firmeza. ― Eu só estou com medo de não conseguir o emprego, acho que só isso pode me salvar do aperto, e de qualquer forma, eu não posso mais aceitar a sua ajuda Dom, você já fez muito por mim.  ― suspirei com desanimo. ― Mas olhe para você e depois olhe pra mim... As minhas chances não são tão boas.

Eu sabia que era bonita, não sou do tipo que me fico me menosprezando ou coisa assim, mas a minha beleza é algo comum demais, nada que chame tanto a atenção, como por exemplo, para trabalhar em uma boate de luxo, mesmo que seja só para servir as bebidas.

Talvez se eu tivesse me produzido um pouco mais... Droga Katherine! Acho que deveria ter escolhido uma roupa mais chamativa ao invés de calça Jens e uma camiseta do Flash. Acho que ser fã de uma série de nerds não estava fazendo bem ao meu guarda-roupa. Mas pensando pelo lado bom, ela estava apertada em mim, então eu podia estar parecendo uma nerd gostosa.

― Você é linda e sabe disso, não me faça ficar repetindo, agora vamos andando, porque ainda preciso fazer algumas coisas no centro.

― Ele já te mandou a mensagem? ― perguntei ansiosa, ela balançou o celular assentindo. 

― Sim, o Joe disse que ele já esta te esperando, então vamos logo.

Seguimos até a entrada da boate e o segurança nós olhou com uma cara nada boa. Ele era alto e moreno, tinhas olhos escuros e a barba estava crescida, era um homem bonito, se não fosse pela cara de quem acabou de chupar um limão.

― Vim trazer a garota para uma entrevista com o senhor Black, nós deixe entrar Peter. ― Dominic falou com autoridade, vi o homem revirar os olhos e pegar um aparelho.

― Ei JJ, Dominic Clark está aqui fora com uma garota... Disse que veio para uma entrevista com o senhor Black, pode confirmar. ― pediu olhando para nós duas com cara de poucos amigos.

Vi Dominic o encarar mortalmente, ela odiava quando alguém desconfiava do que ela falava, até mesmo quando estava mentindo, o que era um pouco engraçado.

― Eu não estou mentindo seu idiota! Anda logo! ― exigiu irritada, e tudo que ele fez foi lhe lançar um olhar de tedio.

― É melhor esperarmos Dom. ― tentei acalmá-la, não queria causar problemas pra ela.

― Tá tudo bem Kate. ― falou sorrindo pra mim e voltou a olhar com raiva para o segurança.  ― Ok Peter! Isso é pelo fato de não termos mais transado? Porque se for, eu não tenho culpa se você não é capaz de satisfazer uma mulher! ― disse secamente o que fez o homem lhe lançar um olhar mortal.

Arregalei os olhos surpresa, aquilo não ia prestar! Segurei a vontade de rir, o que faria a situação se tornar ainda mais constrangedora, então só cruzei os braços e esperei pelo espetáculo que sei que viria a seguir.

― Ou talvez o problema seja o fato de você viver dando para esses velhos por dinheiro como uma verdadeira vadia, eu não tenho culpa se...

Fechei os olhos quando ouvi o estalo estridente, forte o bastante para deixar a marca dos cinco dedos de Dominic em seu rosto. Eu simplesmente estava chocada com tudo aquilo, e acho que ele também. Ninguém estava esperando por essa reação, mas foi mais do que merecido, não se ofende uma mulher assim, independente de suas escolhas.

― Não pense nem por um segundo que eu iria deixar de abrir as pernas para os velhos, do que ter que fazer isso novamente com você, se conforme. E agora nos deixe entrar, sabe que o senhor Black detesta que o façam esperar! Quer que eu diga a ele que a culpa foi sua?

Vi o homem alisar o rosto e lhe encarar com ódio, mas logo em seguida abriu a porta para que entrássemos. Passei por ele como um raio puxando Dominic comigo, vai que ele resolvesse revidar... Tem louco pra tudo hoje em dia.

― Dom o que foi que...

― Nem ouse me perguntar o que aconteceu agora Katherine! ― me cortou secamente.

Revirei os olhos e emburrei a cara por culpa da curiosidade. Duvidava muito que ela fosse me contar o que tinha acontecido, e mesmo sendo obviou, os detalhes eram sempre o que tornavam as coisas mais interessantes.

Mas logo a minha curiosidade foi deixada de lado, dando lugar ao espanto, aquele lugar era mesmo incrível, não tinha nada a ver com o que eu imaginava os filmes realmente não eram nem de perto daquela exuberância, o lugar era tão inusitado e ao mesmo tempo calmo e sensual que te fazia vibrar, senti um cheiro doce e amendoado invadir minhas narinas, e o som suave da música me fazer relaxar, eles eram espertos usavam todos os sentidos para aguçar os homens a pensar em sexo.

― Então essa é a sua amiga de quem me falou? ― a pergunta do desconhecido me fez piscar voltando à realidade.

Olhei para o homem esguio e magro com curiosidade, ele tinha cabelos cacheados e castanhos, sem falar nos grandes olhos verdes, usava uma camisa da banda Kiss bem bizarra, acho que pelo seu visual dava para deduzir que ele era fã de Rock. Ele sorriu pra mim quando percebeu que eu estava o analisando, o que me deixou totalmente sem graça.

― Sim Joe, Katherine Morgan, minha amiga. ― Dom informou enquanto mexia no celular, sua cara não era uma das melhores, e acho que o probleminha da entrada a deixaria de mau humor pelo resto do dia.

― Que incrível... Nunca pensei que você pudesse ter uma amiga... ― suas palavras foram suaves, ele parecia estar brincando, vi que Dom também sorriu.

― Prazer senhorita Katherine, me chamo Joe Stan, sou o gerente daqui, espero que seja contratada para que eu possa admirar a sua beleza todos os dias.

Sorri sem jeito pelo elogio, fazia um bom tempo que eu não recebia uma cantada, percebi que Joe tinha um sotaque diferente, talvez fosse britânico, eu tinha uma amiga na faculdade que falava da mesma maneira arrastada.

― Obrigada senhor Stan, eu também espero que de certo. ― respondi de maneira positiva.

― Oh não, por favor, me chame apenas de Joe, mas vamos querida, o Black não gosta muito de esperar. ― disse pegando minha mão de maneira delicada, senti minhas bochechas ficarem vermelhas, que vergonha, eu estou parecendo uma adolescente virgem. ― Se puder me acompanhar.

― Claro. ― assenti e me virei para ver Dominic sentando em um dos bancos e me mandando um “Boa sorte”.

Andei com Joe por um pequeno corredor, e vi que Jeff ou JJ como o chamavam aqui estava parado em uma porta marrom, sorri assim que o vi, faz um tempinho que não tínhamos uma saída para balada.

― Pequena Kate. ― disse baixo, assenti sorrindo pra ele.

― Pode entrar senhorita. ― Joe informou abrindo a porta.

Entrei no escritório um pouco nervosa, não tinha muita luz naquele ambiente, e a decoração era repleta de couro e madeira, parecia tudo bem luxuoso, mas ainda sim sombrio. A mesa estava centralizada de frente pra mim, e quando me aproximei, a cadeira girou mostrando um homem de terno azul escuro e rosto perfeito. Engoli em seco sem saber como agir, ele me olhava sem dizer nada, tenho que confessar, andar com Dominic ultimamente só estava me fazendo conhecer homens bonitos.

― Sente se, por favor, senhorita Morgan. ― falou indicando a cadeira em frente a sua mesa.

Sentei-me rapidamente e deixei a minha bolsa no colo, meus dedos batiam sem parar no couro velho dela, e minhas mãos estavam soando de tanto nervosismo.

― Quantos anos você tem? ― essa foi sua primeira pergunta.

― Vinte anos, senhor Black.

― Quais foram suas últimas experiências? Já trabalhou em algum bar ou coisa desse tipo?

Franzi o cenho pensando no que responder, tecnicamente eu já tinha trabalhado servindo pessoas, mas servindo drinks em um lugar com mulheres nuas, não.

― Bom, na verdade senhor, meu primeiro emprego foi em uma lanchonete na minha cidade, trabalhei com eles por quatro anos, e no momento estou trabalhando em um restaurante Italiano, como atendente.

― Quais são seus planos aqui? Porque o interesse na vaga? Não me julgue de má fé menina, mas muitas mulheres querer entrar para o show principal... É onde elas realmente ganham dinheiro...

Assenti entendendo o que ele queria dizer, e me incomodei um pouco por ele me considerar uma “menina” e não como uma “mulher”, mas absolutamente aquele não era um dos meus desejos. E eu não julgava nenhuma delas por isso, cada uma delas tinha os seus motivos, mas minha situação não era tão complicada para ter que fazer isso.

― Eu faço faculdade de psicologia na NYU, mas os custos estão mais altos do que eu poderia imaginar, não tenho condições de ficar pedindo dinheiro aos meus pais, e com o salário que estou ganhando teria que trancar a minha matrícula, e não quero desistir do meu sonho, mas também não quero fazer algo que vai contra a minha índole, Dominic me explicou que o senhor paga muito bem para as meninas que servem as bebidas, e que elas não precisam fazer programas, ou coisas assim... Por isso eu quero muito a vaga, sei que não tenho experiência nesse ramo, mas aprendo rápido e sei que o senhor não vai se arrepender se me der uma chance. ― falei tentando passar o máximo de firmeza em minhas palavras.

Ele assentiu parecendo entender o que eu queria dizer, e se levantou andando até uma pequena estante e retirando algo que não pude notar o que era, mas notei como o senhor Black é alto e forte, ele sentou-se me olhando novamente.

Os olhos azuis dele eram escuros, e seu jeito me parecia um pouco frio, já o seu rosto tinha traços discretos e finos, a barba estava feita, e o cabelo muito bem penteado, a cor de seus fios eram incrivelmente dourados.

― Está contratada senhorita Morgan, começa essa semana e o quanto antes, Joe explicara sua carga horária e algumas das regras da casa. Eu não coloco minhas funcionárias com uniformes, mas todas que ficam no bar precisam estar à altura do lugar em que trabalham. ― falou encarando a minha roupa. ― Então escolha peças de roupas chamativas, isso atrai os homens daqui.

Eu fiquei em silêncio por algum tempo ainda assimilando o que ele disse, eu consegui? É isso mesmo? Engoli em seco e o vi pegar um papel na gaveta e escrever algo.

 ― Muito obrigada senhor Black, não sei nem como te agradecer pela oportunidade, estou muito grata mesmo, prometo que não vou te decepcionar.

Ele sorriu, mas não um sorriso comum, foi um sorriso lento e sensual, e isso me fez parar para encarar a sua boca como uma perfeita idiota.

― Tenho certeza que não senhorita Morgan, e quanto à maneira de me agradecer, acredite, eu encontrarei uma forma para que possa me retribuir a gentileza, e se possível de uma maneira inesquecível para ambos...

Oi? Será que só eu escutei isso? Ele estava mesmo querendo dizer algo com duplo sentido?

― Ahãm... Claro senhor... ― pigarrei com o nervosismo e vi seu sorriso aumentar. ― Assim que souber como pensa em fazer isso, quer dizer quando o senhor souber o que quer fazer comigo eu..., quer dizer... Acho que é melhor eu sair e conversar com o Joe.

― Claro até breve senhorita Morgan. ― disse baixo, mas não pude deixar de notar o divertimento em sua voz.

― Até senhor. ― respondi saindo do seu escritório.

Deus que entrevista fácil, até mesmo o Benson me fez mais perguntas... Acho que ele deve ter se encantado com os meus lindos olhos, ri com isso. Mas o mero pensamento que ele tenha dito algo que pudesse envolver sexo me fez sentir o corpo inteiro ficar quente, qual é! Eu até tinha alguns pensamentos certinhos, mas nunca na vida recusaria sexo com um homem gostoso, e o fato dele ser o meu chefe só tornaria tudo ainda mais interessante e talvez um pouco fantasioso demais pra mim.

(...)

Enquanto andávamos pelo salão, algumas meninas nós olhavam com curiosidade, mas nenhuma perguntava nada, elas usavam lingeries, bem ousadas o que quase me deprimiu por um momento, caramba essas mulheres são lindas.

― Como já notou Kate esse é o salão principal, nos temos entradas ensaiadas, está vendo aquele elevador na lateral? ― perguntou apontado para a porta do lado direito do salão, assenti com a cabeça. ― É por ali que os clientes chegam, a entrada principal fica lá em baixo. É uma garagem subterrânea, agora esta vendo o outro mais no fundo perto do palco? ― concordei mais uma vez. ― É por ali que os clientes se locomovem até os outros andares da boate e...

― Espera ai Emily, tem outros andares aqui? ― perguntei surpresa.

― Sim, mas vem, quero te mostrar outra coisa antes de irmos lá em cima. É onde acontece o show principal da noite, você vai adorar! ― falou com empolgação e me puxando, o que quase me fez cair. Emily me olhou com expectativa assim que paramos em frente ao palco, subimos pelas escadas que tinha ao redor dele.

O piso de madeira antigo e as luzes brancas deixavam tudo bem iluminado e no fundo as cortinas vermelhas de veludo te faziam sentir como uma estrela da Broadway, o palco era totalmente diferente do salão, no meio havia um ferro preto e lustroso de poli dance, me aproximei dele segurando com a ponta dos dedos sentindo a sua frieza, nunca vi alguém fazendo isso, talvez devesse aprender com Dominic.

― Vamos lá Kate, de um giro. ― Emily me incentivou, parei por um segundo e pensei, porque não?

Segurei-me com firmeza e girei lentamente no ferro, não queria cair ou coisa assim, pagar mico na frente dos outros seria péssimo. Dei mais alguns giros sem ousar muito e sem todo o glamour daquelas garotas, eu estava de salto e não sabia fazer isso. Emily ria e assobiava me chamando de delicia, enquanto eu tentava fazer cara de sexy entrando na brincadeira, foi ai que escutei uma salva de palmas, o que me fez parar automaticamente.

Olhei para frente vendo uma mulher muito elegante em um vestido vermelho e justo. O olhar que ela nos dava não era nada amigável. Emily ficou seria e me olhou de lado negando com a cabeça, ela desceu do palco e eu a acompanhei.

― Pensei que o senhor Black te contratou para fazer bebidas, e não para brincar de dançarina, mas se deseja mudar de área e só me avisar, não que você tenha potencial para isso! ― sua voz estava acida enquanto me olhava, por um momento me senti como uma criança sendo pega fazendo travessura. Que vergonha! Ela desviou o olhar de mim e focou em Emily. ― Achei que tinha te pedido para mostrar a boate para a novata senhorita Johnson?

― E é isso que estou fazendo Casse, não seja tão exagerada! Não estávamos fazendo nada demais, eu só queria que...

― Para você é senhorita Montez não somos intimas para isso. ― disse rude e Emily fechou a cara com á represaria, mas não falou nada, que mulher insuportável! Acho que nem tudo é perfeito por aqui.

― Eu preciso ensaiar Casse, será que pode deixar elas em paz do seu mau humor? ― olhei com surpresa quando vi Dominic se aproximar.

― Suba no palco senhorita Clarke! Não quero discutir com você mais hoje. ― sua voz estava bem controlada, e pelo visto estava se segurando para não gritar. ― E nem ouse dizer mais uma palavra ou serei obrigada a mandá-la para sala do senhor Black, para que tenham uma conversa sobre o seu comportamento.

Dom revirou os olhos e a olhou de cima a baixo com ironia.

― Oh claro, como se isso realmente me preocupasse, eu diria até que seria um imenso prazer falar em particular com o Chris! ― arregalei os olhos com a sua insinuação, eu até tentei segurar o riso, mas não deu muito certo, o que fez com que ela me olhasse sombriamente.

― Emily saia já daqui com a novata e quanto a você senhorita debochada, suba logo nesse maldito palco.

Emily me puxou pela mão na direção contraria delas, e vi Dominic piscar pra mim. Entramos no elevador rapidamente.

― O que foi isso? ― perguntei chocada e Emily começou a ter um ataque de risos e eu a acompanhei.

― Olha Kate, preciso ser sincera com você, a Dominic é uma verdadeira cadela, mas tem horas que eu realmente me divirto por ela ser tão abusada.

― Quem é aquela mulher Emy? ― perguntei mais seria, ignorando o que ela disse sobre á Dom, eu já sabia que minha amiga não era um anjo de candura e tentar defender ela era meio que impossível em certas situações.

― É a Casse, ela é gerente daqui com o Joe, mas quer saber o que eu acho? Que ela não passa de uma rabugenta mal amada! Além do mais, todos desconfiam que ela tenha um caso com o senhor Black, mas os dois se tratavam feito cão e gato..., então fico meio confusa, ou talvez seja só tensão sexual. ― disse em duvida dando de ombros. ― Mas só te dou um conselho Kate, não se aproxime dele se não quiser uma inimiga aqui dentro!

― Oh não! ― respondi rindo nervosa. ― Pode ficar tranquila tudo que menos preciso é arrumar problemas com uma louca, e eu não tenho nenhum interesse no senhor Black! ― disse sendo sincera, mesmo ele sendo um gato e eu ter pensado besteiras no começo, mas arriscar o meu pescoço com aquela maluca não era nenhum pouco animador.

Emily riu e apertou alguns botões, fazendo com que o elevador se abrisse, vi um longo corredor com paredes vermelhas e uma decoração antiga, mas mesmo assim era bem iluminado, fomos andando sem pressa por ele quando avistei um segurança nós olhando, mas ele não disse nada que nos impedisse de prosseguir.

Paramos em frente a uma das portas e Emily abriu para que eu entrasse, era um quarto com pouca luz, mas não era um quarto normal. Ele não tinha uma cama ou coisa assim, tinha uma mesa de jogos e um ferro de poli dance. Apesar de não ter muitas coisas, o lugar era bem luxuoso.

― Aqui é onde ficam as salas particulares de jogos, alguns clientes, vem para jogar e quando querem solicitam algumas das meninas pra uma dança particular. Homens e seus vícios... Vai entender né...

Concordei com ela e me lembrei do meu pai, apesar da minha mãe não saber, ele adorava jogar cartas aos sábados com o senhor Frank e o xerife Collen, alegando que estava indo pescar no lago, e como eu imaginava, eu não era a única que precisava mentir para poder escapar das loucuras da minha mãe. Porque se ela descobrisse o que ele fazia, convocaria uma reunião com a família e o padre da nossa igreja para fazer uma intervenção no que ela se referia ser como o “domínio do mal”.

― Olha Kate agente até podia subir lá em cima, mas não teremos muito tempo e prefiro-te mostras as coisas lá em baixo, mais pra não ficar muito curiosa, no terceiro andar são os quartos equipados de acordo com o gosto de cada cliente, alguns são simples, já outros tem milhares de brinquedos pitorescos...

― Pitorescos? ― perguntei rindo e balancei a cabeça negativamente, era melhor nem querer saber do que realmente se tratava.

Lembro-me de uma vez em que Dom e eu estávamos conversando sobre os seus clientes, e ela me disse que um deles pediu que ela o amarrasse em uma das bases de ferro e passou a noite toda batendo nele com chicotes e outros objetos, ela disse que nem chegou a fazer sexo com ele, e quando perguntei como ela aprendeu isso, ela apenas respondeu que eu deveria ter a mente aberta e pesquisar um pouco sobre sadomasoquismo.

Bem... Digamos que a minha pesquisa me deixou com a mente bem aberta, mas acho que esse lance não fazia a minha praia, eu até podia curtir um sexo mais selvagem, mas nada comparado com aquilo.

― É, mas depois eu te mostro tudo com calma, você vai se divertir muito, mas nosso horário está apertado. Então é melhor irmos para o bar, antes dos clientes chegarem.

Quando retornamos ao salão ele estava mais lotado, muitas meninas conversavam entre si enquanto outras dançavam espalhadas ao som suave da música. Vi Dominic no palco dançando de forma delicada e selvagem era mesmo incrível de assistir, e olhando assim até parecia ser fácil de fazer, acho que deveria mesmo pedir algumas aulas a ela, notei que Casse também ainda estava ali e parecia ditar os seus passos, quase como uma professora.

― A Casse quem ensina as danças? ― perguntei com curiosidade, Emily olhou pra elas e assentiu. Seus olhos estavam focados na dança sensual de Dominic.

― Por mais jararaca que seja ela sabe fazer ótimas cronografias, mas às vezes algumas das meninas fazem sozinhas, elas gostam de inovar.

Continuamos andando até que paramos no bar, ele era todo de madeira e com alguns bancos de couro redondos, não era muito diferente dos outros que eu já tinha visto por ai, a não ser é claro, pela grande parede com o fundo espelhado e prateleiras cheias de garrafas enfeitando o lugar todo, o que tornava tudo ainda mais chamativo.

― E é aqui que fica o melhor lugar dessa boate! ― Emily falou com um entusiasmo contagiante. ― Como já sabe Kate, você ficara responsável pelo lado esquerdo do balcão junto com a Mia, ela entra uma hora depois de você e sai uma depois também, e já no lado direito a responsabilidade é da Cameron e da Emma, e eu fico no meio, dando apoio às mesas principais e a vocês caso precisem. Mas vem, vou te mostrar outro lugar.

Ela segurou a minha mão e começou a me puxar novamente, mas dessa vez pelo corredor onde Cali havia entrado há pouco tempo. Paramos em frente de uma porta branca com varias estrelas e nomes em cada uma, o que achei bem legal.

― Aqui é o nosso camarim, é onde as meninas se arrumam, temos comida também se estiver com fome, ou precisar de algum remédio. Ah e temos também um banheiro equipado.

E quando ela abriu a porta, minha boca, quase caiu de espanto. Era um quarto gigantesco talvez até maior que o meu apartamento, e estava repleto de roupas e penteadeiras cheias de maquiagens. Realmente era um camarim espetacular, tinhas alguns sofás e frigobares espalhados ao redor, e mais no fundo havia uma porta que deveria ser o banheiro.

― Uau... É realmente impressionante! ― disse abismada, olhando cada detalhe.

― Sabia que ia gostar, mas vamos continuar com o passeio.

Emily continuou me puxando pelos corredores, mas dessa vez seguimos pelo outro lado, sei que aqui é onde ficava o escritório do senhor Black. Vi que um dos seguranças nos olhou feio fazendo Emily rir, quanto a mim, tentei me afastar dele, acho que sempre que o visse ficaria assim.

― Relaxa Peter, só estou mostrando as coisas para a novata. ― avisou me puxando com força até o final do corredor, já que eu havia parado de andar.

― Ok! Mas não demorem muito, aqui não é o lugar de vocês. ― sua voz saiu bem azeda, o que me fez engolir em seco.

― O escritório do senhor Black você já conhece, então já sabe que aqui é um lugar restrito, a não ser é claro que ele solicite a sua presença, e acho que isso nunca é muito bom... ― falou seriamente e depois sorriu doce para o homem que ainda nos observava. ― E um pouco mais ao fundo fica a sala de segurança, é lá onde estão todas as câmeras de vigilância, esse lugar é frequentado por homens importantes da cidade e diria até que do país, então ter olhos e ouvidos em todo lugar é extremamente importante para o nosso chefe.

― Até aqui tudo entendido. ― respondi rapidamente, queria sair logo da mira daquele homem, ainda fico imaginando a cena de Dominic dando aquele tabefe em seu rosto.

― Acho que já podem ir! O senhor Black não vai gostar se velas aqui.

― Certo, já estamos saindo senhor resmungão! ― Emily disse revirando os olhos.

Quando voltamos ao salão, ela se sentou em um dos bancos em frente ao bar e me ofereceu o lugar ao seu lado, o que agradeci mentalmente. Meus pés já estavam doendo de tanto andar de um lado para o outro, não estava habituada a usar saltos, e pensar que ainda vou ter que ficar com eles a noite toda me dava tristeza. 

― Sabe Kate eu só te levei até ali, para que soubesse da existência daquela sala, tudo aqui é vigiado, gostei de você, e por isso estou avisando para nunca aceitar sair com nenhum dos clientes. O senhor Black não iria aceitar isso muito bem, nós somos pagas apenas para servir as bebidas, o lucro que ele recebe pelos programas é altíssimo, por isso nunca tente enganá-lo.

― Tudo bem, eu realmente não quero me vender... ― pensei em uma maneira delicada de dizer isso sem ofender as outras. ― Quero dizer... Eu só aceitei o trabalho porque a Dom me disse que o salário iria compensar, não estou conseguindo pagar a mensalidade da minha faculdade, não que eu ache o que elas fazem errado, eu só...

― Kate relaxa, está tudo bem, você só não quer se prostituir, eu entendi isso, ― disse rindo o que me fez me sentir meio idiota. ― Mas e você, estuda em qual faculdade?

― Na NYU, é uma ótima faculdade, mas o meu sonho é a Columbia, mas infelizmente não fui aceita. ― comentei um pouco chateada.

― Sinto muito Kate, mas talvez lá não seja o melhor lugar pra você, mas porque exatamente queria ir pra lá?

Por mais que estivesse em um ótimo lugar, ainda não era onde eu desejava estar estudando, mas de qualquer forma receber aquela carta foi a minha salvação. Minha mãe estava planejando a minha vida toda sem nem ao menos se importar com o que eu queria. 

― É a faculdade em que a minha tia começou a cursar medicina, ela é apaixonada pela Columbia, eu ouvia varias historias dela sobre o tempo que passou aqui... Mas ela acabou engravidando e precisou voltar pra casa. ― expliquei sem querer dar muitos detalhes. ― Mas e você Emily? Trabalha á muito tempo aqui? ― perguntei querendo mudar de assunto, não gostava muito de lembrar que não fui aceita. E muito menos da cara de felicidade da minha mãe.

― Mais ou menos já tenho quatro anos aqui, eu vim no começo para ser como uma delas. ― disse apontando para as garotas dançando. ― Mas quando o Joe disse que precisava de um bar tender, eu aceitei na hora, minha namorada era muito ciumenta na época, mas eu precisava de dinheiro então não tinha muito que fazer quanto a isso. ― explicou ainda observando as meninas, franzi o cenho, ela disse namorada?

― Então quer disser que você é...? Quer dizer, você gosta de mulheres?

― Sim, espero que isso não seja um problema entre nós duas. ― falou sugestiva, sorri com compreensão, é claro que isso não seria um problema.

― Tudo bem Emy, eu não sou preconceituosa ou coisa assim... ― ela pareceu ficar mais confortável.

― Algumas delas não gostam muito de mim por isso, mas quem paga o meu salario é o Black... Sabe Kate, aqui é como qualquer outro ambiente de trabalho. Existem pessoas boas e outras nem tanto assim, por isso só um conselho, não confie em qualquer uma por que... ― de repente ela se calou e pareceu ficar assustada.

― Emy está tudo bem? ― perguntei confusa.

― Kate levanta! ― pediu ficando de pé, fiz o que ela me pediu na mesma hora ainda sem entender nada.

Foi então que percebi que ela olhava em lugar especifico, segui o seu olhar e vi dois homens andando pela boate, eles estavam muito sérios e encaravam a todas nós parecendo entediados, mas logo atrás deles estava o meu chefe, mas havia outro homem ao seu lado... Eu não fazia à mínima ideia de quem ele era, mas pretendia mudar isso o quanto antes.

― Emy, quem é aquele com o senhor Black? ― perguntei o mais baixo possível, já que todas as meninas estavam em silêncio os observando.

― Ian Montessori, ele é um amigo íntimo do nosso querido chefe. ― sussurrou só para que eu ouvisse. Assenti ainda o encarando, nunca pensei que algum dia um homem me deixaria tão desconcertada a esse ponto.

Ele estava usando uma calca Jens escura e uma camisa preta colada ao corpo o que deixava bem evidente de seus músculos, sem contar as tatuagens em seu braço direito. Eu particularmente nunca tinha gostado de homens com tatuagens, mas por ele com certeza abriria uma exceção, e que exceção! Seu rosto tinha traços fortes e bem marcantes, diria até que um pouco severas, mas o que mais me chamou atenção foram seus olhos, eu nunca tinha visto olhos tão azuis assim.

― Ele é podre de rico, é o herdeiro de uma rede de hotéis e cassinos de luxo, sem contar que a família dele é a dona da empresa Diamonds..., além de... ― ela parou de falar como se pensasse se continuava ou não.

― Além de? ― disse a incentivando a continuar, eu não me considerava a pessoa mais curiosa do mundo, mas de repente queria saber tudo sobre aquele homem.

― Não sei se se é verdade ou não, mas algumas pessoas dizem que ele faz coisas ilícitas e que se envolve com pessoas erradas, ninguém sabe ao certo, mas ele é perigoso, isso eu posso afirmar! ― falou olhando pra mim com um pouco de medo. ― Olha Kate, só não haja como mais uma das meninas apaixonadas por ele Ok, não vale a pena.

Franzi o cenho um pouco confusa, ela devia saber de mais coisas, mas não iria ficar bisbilhotando, pelo menos não agora.

― Não vou Emily. ― sussurrei sem saber se ela realmente me ouviu.


Notas Finais


E aí mereço comentários? Espero que sim ☺
Me digam o que acharam dos personagens e se tiverem dúvidas fiquem a vontade para perguntar 😉
Até o próximo 👉❤
Beijos 😘


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