História Consequências - A Escolha - Capítulo 4


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


E aí povo lindo, bora pro próximo?
Boa leitura ☺

Capítulo 4 - Capítulo VI


Fanfic / Fanfiction Consequências - A Escolha - Capítulo 4 - Capítulo VI

Minha cabeça e corpo se movimentavam lentamente ao som suave do Jazz enquanto terminava a limpeza do balcão. Estiquei o corpo tentando relaxar os músculos, estudar de dia e trabalhar a noite, não estava sendo nenhuma tarefa fácil, mas de qualquer forma, precisava manter o foco nos meus objetivos e assim que recebesse o meu diploma poderia garantir um bom emprego, e por falar nisso, essa semana seria uma loucura, eu tinha tantos trabalhos para entregar e provas para fazer, que mal estava tendo tempo para comer.

― Ei boneca, me veja uma dose de Bourbon! ― um senhor de meia idade pediu enquanto me olhava descaradamente, e para piorar a situação começou a lamber os lábios, numa tentativa falha de ser sexy, o que é claro, não funcionou muito bem.

Prendi o riso na garganta e servi sua bebida olhando dentro de seus olhos com malicia, e isso já foi o suficiente para ele entrasse em êxtase, querendo ou não, eu era o tipo de garota que ele queria ter, mas que não poderia, e isso facilitava muito na arte da conquista.

Ele jogou uma nota de cinquenta dólares no balcão me olhando fixamente, mas meus olhos desviaram acidentalmente para sua grande careca que brilhava conforme as luzes batiam, acho que ele devia lustrá-la para ficar daquela maneira.

― O troco é seu, boneca! ― piscou sorrindo malicioso, assenti pegando o troco e guardando no vão dos seios. ― É uma pena que você só possa me servir às bebidas... ― disse vagamente, como se estivesse jogando a isca certa, sorri bobamente como se a sua jogada estivesse dando certo.

― Pois é... É realmente é uma pena. ― respondi com um desanimo exagerado, o fazendo sorrir cada vez mais, segurei a risada, às vezes as minhas atuações se superavam. Acho que deveria tentar algo em Hollywood, eu poderia fazer sucesso...

― Mas isso não significa que não possa acontecer lá fora... ― falou afobado, ri baixo concordando com a cabeça de maneira discreta, ele sorriu me estendeu um cartão.

― Me ligue, posse te dar o mundo se quiser! ― ergui a sobrancelha e segurei a vontade de revirar os olhos, mas a única coisa que fiz foi sorrir docemente, ele terminou o restante do Bourbon, e deixou o copo vazio no balcão, para logo em seguida segurar a minha mão num gesto inofensivo e beijá-la. ― Prometo que não vai se arrepender!

Continuei sorrindo, mas é claro que não vou! Principalmente pelo fato de não te ligar, mas ele não precisava saber disso agora. Por isso agradeci mentalmente quando Camille passou do seu lado rebolando, o que já foi o bastante para o mesmo ir atrás dela como um cachorrinho sem dono.

E assim que eles estavam fora do meu campo de visão, meu sorrido forçado desapareceu, dando lugar ao tédio. Olhei com atenção o cartão em minhas mãos e revirei os olhos sem acreditar no que estava lendo, homens são tão baixos...                                          

 Simon Hunter

Ou mais conhecido como o juiz de mãos de ferro, respeitado por toda Nova York, além de ser visto nas colunas sociais como um homem honesto e de bom caráter.

É... Com toda certeza eram as suas melhores qualidades!

Imagine só o que diriam se descobrissem que o juiz Hunter era um frequentador ativo de boates de Strippers? Mesmo sendo casado e pai de três filhos? Tenho certeza que a opinião alheia mudaria rapidamente, e o status de bom homem desapareceria da noite para o dia, mas sei que a possibilidade disso acontecer era zero.

Todas as meninas da boate estavam bem cientes sobre manter sigilo absoluto sobre aos clientes do senhor Black. Já ouvi dizer que as consequências de quem abrisse a boca, não eram nada agradáveis.

Rasguei o cartão sem pensar duas vezes e o joguei no lixo, tudo que eu menos queria era me envolver com um velho tarado, precisava de dinheiro sim, mas não ao ponto de me envolver com ele.

E o trabalho de bar tender já me ajudava o suficiente e Deus que me livre o senhor Black pensar que eu estava ganhando por fora na boate, ser demitida era o último dos meus planos, ri sozinha por um momento, quem diria que um dia eu iria me adaptar com esse tipo de lugar?

Nunca pensei que uma boate de luxo me faria tão bem, mas no fim sair do restaurante do Benson foi uma das melhores decisões que já tomei, e tenho que admitir tudo isso foi graças a Dominic Clarke, o meu grande anjo da guarda... Ou talvez não tão anjo assim.

Mas mesmo assim ela foi à salvação para muitos dos meus problemas, e se não fosse por ela, talvez ainda estivesse na minha cidade natal.

(...)

Suspirei com desanimo e me encolhi no casado pesado quase que me fundindo a ele.    Nova York estava muito gelada naquela tarde, e para o meu total desespero, a chuva começara fortemente, o que era um ótimo momento para não se ter um guarda chuva! Corri para dentro do Starbucks tentando evitar a chuva, como muitos outros faziam, acho que todos foram pegos de surpresa, mas pelo menos tive a sorte de entrar aqui, já estava extremamente cansada, tinha visitado oito apartamentos e só um deles havia me agradado, mas infelizmente o valor do aluguel era muito mais alto do que eu poderia pagar.

Sentei-me perto do balcão e aproveitei para pedir um caputino e alguns donauts. Estava faminta, não tinha conseguido comer nada o dia inteiro, fiquei tão focada naquela entrevista de emprego que nem ao menos me dei ao trabalho de pensar em comer, além do mais, tive que ir atrás do meu apartamento. E acho que só agora consegui parar.

Peguei meu celular no bolso do casaco, minha mãe com certeza ficaria feliz em saber que ainda não tinha encontrado nenhum lugar para morar. Fechei os olhos tentando me concentrar em qualquer coisa, menos na sua felicidade.

“Vamos Kate, você ainda vai dar um jeito nessa situação!”

Repeti isso várias vezes como se fosse um mantra. Precisava ter esperança, nem tudo ainda estava perdido, pelos menos o meu emprego já estava garantido, e acho que essa deve ao Bill, já que ele fez o favor de me indicar ao Benson, eles são amigos há anos, e quando pedi minhas contas na lanchonete para poder vir estudar, ele disse que talvez pudesse me ajudar com um trabalho, e no fim realmente ajudou. Então, o primeiro problema já estava resolvido!

E além do mais, o Benson me pareceu ser uma boa pessoa, é bastante gentil e engraçado, além de ter me dado várias dicas de turismo na cidade, mas minha cabeça estava tão longe, que me divertir era a última coisa que eu queria fazer. Disquei o número de casa, e rezei internamente para que o papai atendesse e não minha mãe. Preferia mil vezes ele a aturar as reclamações entediantes dela.

A atendente trouxe o meu pedido o que fez o meu estômago roncar, agradeci ela com a cabeça.

― Alô? ― escutei a voz sonolenta de Selena o que me fez rir, era quase cinco horas da tarde e ela ainda estava dormindo? Essa garota era preguiçosa mesmo.

― Selena sou eu, o papai ou a mamãe estão ai? ― perguntei beliscando os meus donauts de chocolate.

― Não, só a tia Mary, eles saíram e ela veio ficar de olho na gente, ou melhor, dizendo no Charlie, por que eu já disse que não preciso de babá, já tenho dezesseis anos! ― revirei os olhos e segurei a vontade de mandá-la calar a boca.

― OK! Eu realmente não estou a fim de discutir isso Selena, me passa para a tia Mary. ― cortei antes mesmo que ela começasse a me alugar com os seus dramas.

― Por isso que eu não estou sentindo nenhum pouco a sua falta Katherine! ― reclamou me fazendo segurar a risada. ― Tia Mary a chata da Kate quer falar com a senhora! ― gritou tão alto que me fez afastar o celular do ouvido. E em alguns segundos ela me atendeu.

― Kate meu amor, como vai indo? Está tudo bem por ai? ― perguntou com animação. Suspirei pensando no que falar.

― Ah está sim tia, Nova York é realmente incrível como você já havia me contado... É tudo maravilhoso, mas... ― parei de falar sentindo o desanimo me abater. ― Acho que os meus planos de morar aqui, não estão dando muito certo...

― Porque diz isso Kate? Ainda não conseguiu nada? ― perguntou com preocupação.

Tia Mary foi uma das pessoas que mais me incentivaram a me escrever em uma faculdade longe de casa, e o meu principal objetivo sempre foi estudar na Columbia, onde ela já foi aceita um dia, mas infelizmente eu não fui, e quando pensei que teria que me contentar com a faculdade de Lynnwood; recebi uma carta da NYU, o que pra mim já era mais do que o suficiente.

― Não é isso tia, é só que eu não consigo encontrar nenhum lugar decente para morar, e o único que me interessou, custa uma nota! ― bebi o restante do caputino e ouvi vozes de gritos no fundo, já imaginando Charlie e Selena brigando por alguma bobagem. Tia Mary suspirou parecendo cansada.

― Kate, porque não pede ajuda ao papai? Sei que ele jamais se recusaria em te ajudar. Ele pode até ser contra a sua mudança, mas jamais deixaria o seu sonho se perder.

Enfiei o último donauts na boca e o mastiguei com vontade, não iria pedir ajuda ao vovô, ele é incrível e por isso mesmo não poderia fazer isso, não seria tão egoísta a esse ponto. E sem contar que ele não tinha gostado nada da ideia de vir estudar em Nova York.

― Eu não posso tia, o vovô se aposentou á pouco tempo, mas sei que o que vem guardando é para reformar á casa do lago... Ele fala disso desde que eu me entendo por gente, não posso pedir um centavo a ele se isso significa realizar o meu sonho e não o dele. ― expliquei com desanimo, sem ainda saber o que fazer.

― Eu te entendo querida, mas o seu avô, ele...

― Por favor, tia Mary! ― a interrompi antes que continuasse. ― Não fale nada sobre isso com eles, sabe bem como a vovó Susan é! E a última coisa que preciso é de um deles se metendo nisso... E de qualquer forma é bem capaz do meu pai ficar chateado comigo por ter pegado dinheiro emprestado sem falar com ele antes. ― ela ficou em silêncio por alguns minutos, mas sei que não falaria nada.

― Tudo bem querida, eu prometo que não vou contar nada, mas vou rezar por você, sei que vai encontrar outra saída!

Assenti concordando, eu também rezava por um milagre, e um agora seria perfeito! Já que a opção de ficar em um dos dormitórios da faculdade não me parecia nada vantajoso, o valor que eu teria que pagar seria muito alto, quase que o valor de um aluguel, e sem contar que eu não queria viver em um quarto ou muito menos em uma republica cheia de gente estranha.

― Vou desligar tia, tenho que voltar para o hotel e ainda ligar para a mamãe... Ela vai pular de felicidades quando souber que ainda não encontrei nada! E não posso mais ficar aqui, amanhã o meu voou vai sair bem cedo. Preciso conseguir mais grana pra voltar antes das aulas começarem. ― expliquei enquanto pegava o dinheiro na bolsa.

― Não diga isso Kate, Margareth só quer o seu bem! ― revirei os olhos com o que ela estava falando. Não! Definitivamente a minha mãe só queria o que fosse conveniente a ela.

― É claro... Por que casar, ter filhos e morrer nessa cidade é o melhor para o meu futuro brilhante! ― respondi com deboche, eu sabia que ela não tinha culpa por nada, mas ficar defendendo a minha mãe não fazia nenhum sentido.

― Kate eu...

― Preciso desligar tia, até amanhã! Se cuide e mande beijo para todos. ― me despedi rapidamente e guardei o celular.

Não queria ficar escutando nenhum sermão de como a minha mãe se preocupava com o meu futuro, sabia bem que ela não queria o meu mal, mas isso não significava que a mesma tivesse o direito de querer tomar todas as minhas decisões.

Eu já sou maior de idade podia muito bem seguir com o meu caminho sem ela questionando todas as minhas escolhas.

Levantei cansada do banco e vi pela janela que a chuva já tinha diminuído um pouco, paguei tudo e segui para a saída do Starbucks, mas antes mesmo que pudesse fazer isso, uma garota extremamente elegante me barrou.

― Olá! Prazer, o meu nome é Dominic Clarke. ― se apresentou. ― Acho que posso resolver todos os seus problemas! ― falou com firmeza, o que me fez erguer a sobrancelha.

― Ahãm... Desculpe moça, mas acho que está me confundindo com alguém... ― respondi com sinceridade, a diferença entre nós duas era gritante.

Enquanto eu usava Jens rasgado, all star e jaqueta de couro, ela usava um vestido justo, botas e um casaco muito delicado e que parecia valer mais que o meu guarda roupa completo. Tentei passar mais uma vez, mas ela segurou meu braço com firmeza, me impedindo de sair, o que me irritou um pouco. Acho que essa garota era maluca.

― Será que podemos conversar apenas por cinco minutos? Prometo te esclarecer o porquê eu sou a solução dos seus problemas!

Franzi o cenho e ponderei por alguns minutos. Ah quer saber, que se dane! Não custava nada escutar. Assenti concordando ainda receosa. Ela sorriu e me indicou um assento perto da janela e sentou-se de forma elegante, fiz o mesmo que ela, mas sem toda aquela classe que ela esbanjava.

Encarei a avenida notando a chuva voltar mais uma vez, mas que maravilha! A moça, ou melhor, dizendo Dominic, tossiu chamando a minha atenção, o que me fez sorrir sem graça. Prestaria atenção nela, afinal de contas, ela era a solução para os meus problemas...

― Qual é o seu nome? ― perguntou enquanto digitava algo no celular e me olhava de rabo de olho.

― Ah claro... Kate, quer dizer, me chamo Katherine Morgan. ― ela assentiu e me analisou minuciosamente, o que foi bem esquisito.

― Bem Katherine, eu acabei escutando a sua conversa sem querer e vi que precisava de um apartamento com urgência... ― com toda a certeza! Mas o que ela tinha a ver com isso? Abri a boca para perguntar, mas ela me impediu. ― Me deixe terminar e depois você me pergunta o que quiser! ― disse rude, mas concordei emburrada sem interrompê-la.

― Eu moro sozinha em um apartamento muito confortável e espaçoso aqui perto, e tenho um quarto de sobra, ele fica em um bairro seguro e privilegiado de Nova York. Se quiser morar lá, o aluguel é um pouco caro, mas se você preferir pode me pagar á metade daqui a três meses, eu sei que mudanças são complicadas...

Ela me esticou o seu celular, mostrando fotos do lugar, e tudo que fiz foi abrir a boca instantaneamente, era realmente perfeito, o lugar todo tinha uma decoração muito bem elaborada, além de parecer bem aconchegante, devia mesmo ser seguro, mas porque ela faria isso por alguém que nem conhece?

― Olha Dominic, é realmente uma proposta ótima, mas porque me ajudaria? Eu sou só uma estranha pra você... ― ela revirou os olhos e guardou o celular na bolsa Prada. Acho que dinheiro não era o problema em questão.

― Acredite querida, eu realmente não sou conhecida por ajudar ninguém! E também não tenho ninguém que faça isso por mim, mas meu pai quer vir conhecer á minha casa, e saber como estou me virando tão bem sem o dinheiro dele, mas isso é um assunto meu... ― ela passou a mão no cabelo liso e sorriu. ― Mas não posso deixá-lo descobrir o que estou fazendo, ou com certeza vou estar fora do seu testamento. ― Dominic parou por um momento, acho que notando que estava falando demais. ― Olha Katherine, se aceitar só precisa ficar longe das minhas coisas e eu ficarei das suas, e se caso o meu pai aparecer e só dizer que o apartamento é seu e que nós conhecemos na faculdade...

Ela estava tão segura de si, que parecia ser a coisa mais fácil do mundo, e bem na verdade era, além de ser uma proposta tentadora, não me parecia nada difícil mentir para alguém que eu nem se quer conheço.

E pelo lugar que ela me mostrou valeria muito a pena. Mas uma questão não poderia ficar de fora, o outro apartamento em que eu tinha visitado era muito mais simples que o dela e o valor cobrado tinha sido um absurdo, não queria nem imaginar o valor que ela pagava.

― Quanto custa o aluguel? ― perguntei me preparando mentalmente. Ela sorriu maliciosa, mas deu de ombros.

― Quatro mil dólares... Não é nada demais Katherine! ― respondeu tranquilamente, como se aquela quantia realmente não fizesse diferença.

Neguei com a cabeça, o apartamento que eu tinha visto seria por mil e setecentos dólares e o meu orçamento não cobriria, o máximo que eu poderia gastar era mil e duzentos dólares, Mesmo se dividíssemos eu sabia que não daria conta com o meu salário de garçonete...  Droga, mas é claro que ela morava num lugar de classe média, olha só para ela!

Unhas feitas, cabelo Chanel perfeitamente no lugar, maquiagem marcante e roupas de marca, sem contar toda a classe que ela demonstrava... Será que ela não reparou no meu jeito simples? Com toda a certeza eu não fazia parte dos padrões de vida dela.

― Olha Katherine, suas feições são realmente engraçadas, mas vou logo te adiantar, você não vai precisar pagar o aluguel, ele é pago todo mês por uma pessoa, mas preciso de uma boa história para enganar o meu pai! Suas despesas se resumiriam em compras pessoas, já que minha alimentação é bem balanceada, então acho que não vai gostar das coisas que como... ― explicou me olhando com atenção.

Parei um segundo para raciocinar o que ela estava me dizendo... Era isso mesmo? Eu moraria naquele lugar lindo e não precisaria pagar o aluguel? Ri por um momento sem acreditar em tudo que estava ouvindo.

Mas acho que já sabia o que iria fazer, por mais estranho e inusitado que era a situação, eu não tinha muitas opções, e acho que não é todo dia que agente recebe uma proposta maluca dessas.

― Eu aceito Dominic, mas antes que me meta numa fria, eu só preciso saber se você não é nenhuma criminosa? ― perguntei seriamente, o que a fez ter um acesso de risos, como se eu acabasse de contar uma piada.

― Não se preocupe Katherine, não sou uma bruxa má... ― ela parou um segundo e mordeu a ponta do dedo pensativa. ―OK! Na verdade sou sim... Mas não nesse sentindo, não sou perigosa para você, mas a sua ingenuidade de pensar que eu te diria a verdade é bem engraçada... ― falou com ironia.

Cocei a cabeça sem graça, é... Acho que às vezes eu mesma me negligenciava, até parece que ela diria algo se o fizesse, os olhos verdes dela eram felinos e astutos, mas não me pareciam de alguém ruim, bem, pelo menos foi à primeira impressão que tive. E esperava realmente que ela se provasse verdadeira.

― E então temos um acordo Katherine? ― perguntou agora mais a vontade.

Sim! Nós definitivamente, tínhamos um acordo, não queria me contentar em voltar para casa e olhar o sorriso vitorioso da minha mãe.

E mentir não seria algo tão difícil assim e muito menos um crime, era só inventar uma pequena história e fazer o pai dela acreditar... Eu mesma já tinha feito isso muitas vezes para fugir das regras militares da minha mãe.

― Sim Dominic! Nós temos um acordo. ― disse com confiança, já que quando aceitava algo ia até o fim, ainda mais se tratando do meu futuro.

― Que tal conhecer o seu novo apartamento? ― perguntou sorrindo enquanto se levantava. Assenti imediatamente feliz.

Pois é... Meu milagre veio mais rápido do que eu esperava! E Dominic Clarke realmente resolveu o meu problema.

(...)

E depois disso ela ainda me ajudou com a minha mudança, me fazendo me sentir o mais a vontade possível, além de ter me ajudado com a decoração do meu quarto, e com um tempo passamos a ter a melhor convivência, e quando eu fui pega pelas primeiras crises financeiras, ela insistiu tanto para comprar os meus livros que se mostrou ainda mais a minha amiga.

Eu devo muito a ela, e por mais que algumas pessoas não gostem dela, eu a conheço o suficiente para saber que dentro daquela casca dura existe uma pessoa boa.

― Ei Kate como vai indo?

Olhei pra cima vendo Emily sorrindo, ela estava com os braços cruzados em cima do balcão me encarando.

― Vou bem, e você Emy? ― respondi um pouco confusa por ela estar aqui hoje. ― Pensei que fosse sua folga? ― perguntei enquanto tirava o dinheiro do sutiã.

Ela revirou os olhos e bufou.

― Eu estou bem, mas estaria melhor se estivesse aproveitando a minha folga, mais parece que a pobre da Cameron está doente. ― disse rindo, e pelo seu tom de voz, acho que ela não acreditou muito nisso. ― O Joe me ligou à tarde pedindo pra cobrir ela.

Assenti entendendo, Emily e Cameron viviam em um ódio mortal, e que para mim nunca fez sentido, mas não me metia na rixa delas, já que era amiga de ambas e elas respeitavam isso, então evitava fazer comentários ou perguntas desnecessárias.

― Está com boas gorjetas hoje, vejo que te ensinei bem...

Ri com o seu comentário e tive que concordar Emily além de me ensinar o meu trabalho na boate, me ensinou também que se jogássemos um pouco de charme nós clientes sem sermos vulgares, conseguiriam gorjetas mais altas.

E ela realmente estava certa! No começo eu era terrível, não sabia nem ao menos ser sensual sem parecer uma grande idiota, mas eu merecia um pouco de credito, querendo ou não, nunca precisei seduzir ninguém... Quanto mais homens mais velhos e poderosos. Mas uma hora, eu aprendi direitinho o que falar e fazer.

Meu salário é de dois mil quinhentos dólares, e com as gorjetas que eu recebia conseguia juntar por volta de três a quatro mil dólares no fim do mês. Além do mais, meu trabalho era de segunda a sexta e somente seis horas por noite, então não tinha do que reclamar, e duvidava que conseguisse coisa melhor por ai, a não ser é claro, se fizesse o mesmo que as meninas. Mas isso não era algo a ser levado em consideração.

― Pense pelo lado bom Emy... Hoje vai ser a apresentação da Cali, e geralmente são os dias em que mais ganhamos gorjetas. ― comentei tentando mostrar o lado bom da situação e me abanando com o dinheiro. Ela suspirou ainda parecendo desanimada.

― É sim... Mas por falar em apresentação, hoje à tarde eu precisei vir aqui pra falar com o senhor Black, e vi a Casse treinando uma garota nova. ― falou sorrindo travessa, e isso me fez franzir o cenho.

― Uma garota nova? ― perguntei com curiosidade, será que alguma das meninas iria sair da boate?

― É sim, eu só não sei o nome dela, o Black ficou aqui no salão a vendo ensaiar... ― comentou distraída olhando direto para Casse do outro lado do salão. ― Ele nem ao menos piscava Kate... A chefona ali só faltou surtar de tanta raiva, mas tenho que concordar, a garota é realmente linda, acho que é até mais angelical que a Layla.

Ri com divertimento tentando imaginar a cena, já que a Casse é muitas vezes prepotente e arrogante só pelo fato do senhor Black confiar tanto nela, o que fazia muitas vezes o poder subir a sua cabeça.

Mas que isso era estranho era! Pelo que eu saiba a boate já estava lotada e todas as meninas eram escolhidas a dedo. Não era qualquer uma que entrava aqui. As meninas mais pareciam modelos saídas do desfile da Victoria Secrets.

― Será que ela vai entrar na lista? Porque se estava ensaiando é porque vai se apresentar na semana! ― Emy deixou a dúvida no ar me olhando com um sorriso brincalhão.

Balancei a cabeça sem querer tirar conclusões precipitadas. Particularmente esperava que não, ou ela iria arrumar um grande problema com as outras garotas.

― Acho que pro bem dela aqui dentro, é melhor a resposta ser não... ― fui sincera, mas pelo olhar dela percebi que Emily queria ver o circo pegar fogo.

A lista foi algo que Dominic me explicou desde o começo, ela foi criada por Chris Black, ele criou isso na intenção de selecionar as meninas mais lucrativas e procuradas da casa, dando a elas um dia especial na semana para uma apresentação única, o que fazia consequentemente terem o maior cache da noite.

E entrar na lista não era algo fácil, e se conseguir entrar, tinha que lutar com unhas e dentes para continuar na posição. Mas a realidade é que elas não se importavam com as danças, mas sim com as festas que frequentavam na mansão exclusiva do Montessori. Uma vez Dom me contou que as festas que ele dava, eram alucinantes, e esbanjavam luxo e poder.

Por isso todo começo do mês Casse anunciava quem estava ou não na lista. Já que o senhor Black a renovava sempre, então as garotas faziam de tudo para conseguir o lugar uma das outras, a Dominic mesmo, nunca perdeu a sua posição, e digamos que os métodos dela não eram pra lá de mais justos.

Por isso eu tinha pena dessa garota, e se ela realmente entrasse na lista iria ganhar muitas inimigas, já que apesar dos rostinhos bonitos a maior parte delas eram cobras cheias de veneno e prontas para dar o bote.

Depois de um tempo a boate já estava lotada o que fazia com que eu e as meninas não parássemos um só minuto. Mia se desdobrava ao meu lado enquanto contava o dia maluco que teve com a mãe, e eu até tentava prestar atenção nela, mas não estava sendo uma tarefa fácil.

Por isso depois de uma hora tudo pareceu se acalmar, o que foi um alivio. Os clientes já estavam acomodados no salão, apenas esperando a grande apresentação da noite, foi quando percebi Mia se aproximando de mim com um sorriso presunçoso.

― Ei Kate, já viu quem está aqui? ― disse olhando em um lugar especifico.

Segui o seu olhar e logo pude entender o seu tom de voz, bufei irritada, e lá se vai a minha noite tranquila...    

Os dois seguranças andavam pelo salão com os olhos atentos. Eles nem ao menos se davam ao trabalho de olhar para as garotas quase nuas. Porque tão sérios? A famosa frase do coringa sempre me vinha em mente, seria divertido perguntar isso a eles... Mas duvidava muito que tivesse coragem pra isso, eles eram intimidadores demais.

E se eles estavam aqui, ele também estava.

E só esse pensamento foi o suficiente para me fazer tremer inteira, às vezes até me sentia como uma adolescente boba tendo uma crise de paixonite, o que era extremamente vergonhoso pra minha idade.

E quando eu menos esperei Ian saiu do elevador atraindo todos os olhares femininos daquela boate, principalmente o meu.

Ele foi andando pelo salão demonstrando sua pose de superioridade, ele tinha um jeito distante e solitário, o que te fazia querer prestar ainda mais atenção nele, como se fosse uma peça rara de um museu, pelo menos pra mim era dessa forma.

Logo ele estava sentado em um dos estofados perto do balcão o que me fez sorrir, mas infelizmente daqui eu não conseguia ter uma boa visão de seu rosto. Kim se aproximou servindo sua bebida e tenho certeza que tentou algo para chamar sua atenção, mas ele nem ao menos a olhou, o que deve ter sido bastante frustrante.

Ian Montessori é o cliente mais vip da boate e pode até parecer loucura, mas muitas ali aceitariam dormir com ele sem nem ao menos cobrar o cache. Na verdade não seria loucura, o homem é mais quente que o próprio inferno, ou pelo menos como eu imagino ser por lá... Desde o momento em que o vi pela primeira vez, fiquei fascinada com tudo que envolvia ele, mas infelizmente e para a minha total tristeza, ele nem ao menos sabia da minha existência.

Muitas vezes eu até me perguntava o porquê de um homem como ele pagar garotas de programa para ter sexo, mas se tem uma coisa que aprendi com as garotas da Secrets, é que elas não eram simples prostitutas, elas são muito mais que isso...

Elas eram capazes de realizar o desejo mais secreto deles e isso tudo com descrição e segurança, além delas estarem sendo pagas pra isso, então não existia as bobagens comuns de relacionamentos, e isso devia ser perfeito para um homem na posição dele.

Mas já ouvi dizer que algumas delas eram apaixonadas por ele, e até por outros clientes o que era bem clichê, e um pouco triste na verdade. A Cali e a Layla eram duas por exemplo.

Por isso sempre mantive o pensamento de que homens e mulheres têm mentes diferentes, e sexo nem sempre é só sexo, então acho difícil não rolar sentimento pela parte delas, ou pelo menos por algumas das garotas, e pela forma que o Montessori agia, ele devia evitar muito disso.

E a maioria dos clientes dessa boate ou eram casados, ou eram muito poderosos, e todos eles queriam descrição, e quase todos eles tinham gostos peculiares e até mesmo... Como posso dizer? Ah sim bem bizarros! E as meninas garantiam que tudo isso se tornasse realidade, sem o risco de chegar ao ouvido de terceiros.

Por isso a boate Secrets era considerada uma das melhores e mais caras de Nova York.

Já ouvi dizer que algumas delas, já foram pagas para fazerem programas com homens importantes do governo, e também celebridades conhecidas mundialmente. E pelo que entendi, eles eram os piores e mais depravados quando se tratava de sexo.

Então depois de tantas dúvidas, cheguei à conclusão de que não era tão estranho assim Ian Montessori frequentar um lugar como este.

Suspirei quase como uma garota apaixonada, ele estava tão concentrado no celular que não tinha noção de como ficava sexy usando aquela roupa, a camisa social preta estava com as mangas dobradas, deixando suas tatuagens à mostra e para o meu total delírio a camisa ficava justa quase que propositalmente para definir o seu corpo musculoso.

Seu rosto tinha traços fortes e bem marcantes dando um ar severo, ele realmente tinha cara de homem como muitas vezes Mia repetia, engoli em seco quando seus olhos encontraram os meus, e vi seus lábios se curvarem em um sorriso de lado cheio de deboche, enquanto seus olhos azuis me faziam derreter, nunca vi olhos tão azuis como os deles, o que se destacava ainda mais em seus cabelos negros.

― Ei Kate para de encarar assim até ele já percebeu que você esta babando como uma cachorrinha! ― Mia me alfinetou rindo, revirei os olhos e foquei a minha atenção nas garradas de Uísque, meu rosto já estava pegando fogo de tanta vergonha.

Algumas vezes ele já me flagrou o olhando, já outras não, mas não fazia nenhuma diferença minhas chances com ele só aconteciam na minha imaginação. Dominic mesmo jurava que meu caso já tinha se tornado paixonite, mas não era isso. Eu só tinha um desejo reprimido por um cara extremamente gostoso e que infelizmente sabia que não iria rolar nada, e mesmo assim, ainda continuava babando igual uma idiota.

Às vezes me perguntava se o problema não era estar sem sexo... Eu me matava tanto com a faculdade que não tinha tempo para mais nada, não sabia mais o que era fazer algo divertido. Era da faculdade pra casa e de casa para o trabalho, e isso com certeza não estava me fazendo bem.

No começo eu até pensei que fosse um desejo passageiro e com um tempo eu esqueceria, mas na verdade isso só pareceu aumentar a cada dia, eu já estou trabalhando aqui há nove meses, e nada melhorou desde então.

Por isso estava começando a chegar à conclusão de que Ian Montessori iria me enlouquecer a qualquer momento.


Notas Finais


E aí gostaram pessoal?? Espero que sim 😊
Ah e gente se tiverem algum personagem favorito me digam quem é ?


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