História Consequências da Liberdade - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Doyoung, Hansol, Jaehyun, Johnny, Mark, Taeil, Taeyong, Ten, Yuta
Tags Chittaphon, Doyoung, Hansol, Jaehyun, Jaeyong, Ji Hansol, Johnny, Johnten, Jung Jaehyun, Lee Taeyong, Mark, Mark Lee, Moon Taeil, Nakamoto Yuta, Nct Dream, Seo Johnny, Seo Youngho, Taeil, Taeten, Taeyong, Ten, Tenil, Tenny, Yusol, Yuta, Yuten
Exibições 144
Palavras 4.726
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


OI, EU SOU BABACA E REPOSTO MESMO! MAS COMPLETO DESSA VEZ!

Me perdoem por fazer isso, foi bem merda da minha parte, mas eu vou explicar o que aconteceu nas notas finais.

OBRIGADO PELOS 15 FAVORITOS!

NÃO DIRIJAM ALCOOLIZADOS E NÃO USEM DROGAS!!!!111!1ONZE!!1

Obrigada por seu o meu Johnny e segurar todas barras que eu preciso Nicolle, eu te amo! ♡ (Fala sério, sou muito fofa e faria muita bosta sem você por perto).
Nos vemos nas notas finais! ♡
Sem mais enrolação, direto ao capítulo moçoilos e moçoilas!

Capítulo 3 - Doing It On My Own Way


Fanfic / Fanfiction Consequências da Liberdade - Capítulo 3 - Doing It On My Own Way

– Prazer Ten, sou o Moon Taeil – O garoto loiro sorri e deixa um selar as costas de minha mão, fazendo-me corar com aquele ato.

Sorrio para ele e abaixo a minha cabeça, envergonhado. Nem mesmo Taeyong me deixava daquela maneira. Taeil ri e me puxa até o sofá onde estava antes, o maior se senta e  simula um gesto na minha direção, indicando que eu deveria fazer o mesmo. Assim que o faço, ele passa o braço sobre meus ombros, dispondo de um semblante totalmente relaxado.  

 – E então, o que te traz aqui? – O loiro me encara com um sorriso travesso nos lábios após fazer uma minuciosa análise de todo o meu corpo. 

– Lee Taeyong... – Digo baixo e olho para o teto da boate, suspirando pesadamente, não tinha ideia do porque, mas não conseguia encará-lo. 

Quando meu olhar finalmente volta a focar-se em Taeil, ele estava ajoelhado na frente da mesa presente ao lado do sofá enquanto encarava um pó branco, armazenado em um saquinho. O maior estica a mão na minha direção e dobra os dedos duas vezes, como se quisesse algo.
 

– Cartão. – O garoto diz sem nem mesmo me encarar. A relutância era inexistente na situação em que me encontrava, pego a minha carteira rapidamente, retirando dali o pequeno retângulo de plástico. 

Taeil despeja parte do pó presente em um primeiro saquinho na mesa e, separado deste, derrama a mesma quantia de um segundo. Com o meu cartão, o loiro começa a separar aquela substância em fileiras, aproveitando daquele momento para fazer-me algumas simples perguntas. 

– Qual a sua idade? 

– Vinte e três. – Digo objetivamente – E você? 

– Sou seu hyung. Tenho vinte e cinco. – Pela primeira vez na noite, vejo um sorriso doce se formar em seu rosto – Taeyong é seu ex?

– Sim. – Suspiro e o encaro sério – Por que a pergunta? 

– Não permaneça na defensiva Ten. – Ele ri e eu o acompanho – Quero apenas saber o motivo pelo qual cada um de meus clientes me procura. 

Clientes? Eu não sabia o que Taeil queria dizer com aquilo, mas algo me dizia que eu estava a dois passos de descobrir. Assim que ele termina de arrumar o pó branco na mesa, o loiro se vira para mim, soltando um suspiro que exprimia todo o seu tédio antes de começar a falar. 

– Então, isso é cocaína. – Ele diz o óbvio para si, apontando para o pó branco na mesa – Se não for usar, é melhor que saia daqui de uma vez. – Taeil diz de maneira ameaçadora e arqueia a sobrancelha de forma desafiadora na minha direção. 

Por algum motivo desconhecido por mim, não me levanto e saio dali, apenas permaneço onde estava até ser chamado para me juntar a ele. Nunca havia passado pela minha cabeça o uso de drogas, afinal, aquilo era totalmente ilícito e eu sempre fui do tipo "certinho", não estava acostumado a quebrar regras. 

Taeil me entrega o cartão de crédito. Quando eu tinha dado isso a ele, mesmo? O guardo novamente na carteira antes de ouvir ao passo a passo de como tudo deveria ser feito e, assim que o mais velho termina a sua explicação, este me pergunta se eu realmente tinha entendido tudo. Assinto frenéticamente e suspiro antes de voltar a fitá-lo, estava ansioso. 

– Agora, o preço por essa noite. – Ele sorri malicioso e escreve algo em uma pequena folha, que guarda no bolso da blusa que eu vestia – Veja somente amanhã. 

O maior ri e posiciona a sua narina direita , tampando a outra, no início do caminho formado pela droga. Faço o mesmo e da maneira como ele havia explicado, inspiro todo o ar que posso, sentindo aquela estranha substância invadir o meu corpo de uma só vez, causando uma imensa coceira em meu nariz, esta que foi seguida por alguns espirros. Meu corpo tentava de toda maneira expulsar aquilo. 

Me levanto tossindo, Taeil por sua vez, somente coçava a sua narina. Ele segura a minha mão e se aproxima aos poucos do meu rosto, parando apenas quando nosso lábios se juntam em um breve selar.  

– Venha Ten, vamos dançar! – Taeil ri e começa a me puxar para o meio das pessoas que enchiam aquele camarote. 

Nos esgueiramos entre as pessoas, podendo chegar assim até, quase, o centro da pista. A música que soava no ambiente era muito animada, como aquelas que costumam tocar em raves. Estar ali, no meio de todas aquelas pessoas, era algo totalmente novo para mim, mas era uma nova experiência excelente. 
 

Eu não percebia mais o tempo passar dentro daquele lugar.


Taeil's POV
 

Se eu me sentia mal por tê-lo induzido a usar cocaína, enquanto na verdade, eu desfrutava de um simples açúcar de confeiteiro? Não, jamais. Eu sempre fazia aquilo. Me drogar não estava mais nos planos. 

Ten era um ótimo dançarino, era fato. A sutileza com a qual ele rebolava e fazia body waves era impressionante. Sinceramente, era muito difícil me controlar, ainda mais quando se tratava de alguém tão fodidamente gostoso como o tailandês. Minhas mãos permaneciam em sua cintura, mas tudo ao redor dizia que eu deveria juntar os nossos corpos. 

Por que eu não fazia aquilo? Era simples de entender. Havia uma promessa a mim mesmo de que nunca mais transaria com ninguém, absolutamente ninguém, que estivesse sob efeito de drogas. 

Depois de um tempo dançando, Ten parecia ficar mal. O menor começou a cambalear dentro da pista e suas roupas estavam molhadas pelo suor excessivo. Infelizmente, eu sabia muito bem do que aqueles sintomas se tratavam.

Seguro o corpo do menor, que começava a ficar mole em meus braços e deslizo meu celular do bolso, digitando o número já tão conhecido por mim nesse tipo de situação. O homem não atende na primeira vez que ligo, porém na segunda, é possível ouvir a sua respiração pesada do outro lado da linha.  

– Caralho, Johnny. Pra que você tem celular?! – Um suspiro é ouvido do outro lado da linha, fazendo-me revirar os olhos – Enfim, não importa. Venha pra boate, agora, overdose. – Digo baixo e receoso, já tentando arrastar Ten para fora daquele lugar, utilizando a saída dos fundos.  

– Oi? Overdose? – Era possível perceber a alteração em sua voz. Contraio meu rosto em uma careta e murmuro alguns xingamentos – Vamos levá-lo para um hospital. – O garoto do outro lado da linha dita enquanto, já fora do estabelecimento, eu me sentava com Ten em meus braços. 

– Pelo amor de deus Johnny, você enlouqueceu? – Digo gritando e seco a testa suada do menor com a manga de minha blusa – Esqueceu da parte em que eu sou o traficante que vendeu a droga pra ele? 

– Não. Mas eu cansei desse teu joguinho com a vida das pessoas. – Johnny suspira e continua – Você brinca com o perigo, Taeil. 
– Puta que pariu Johnny... Só... venha rápido. – Suspiro e pisco meus olhos com força até que estes parassem de marejar – Eu não quero mais ninguém morrendo nos meus braços. 

– É a última vez que eu seguro a sua barra. – Ele diz sério e desliga a chamada.  

De novo... – Murmuro e sinto uma lágrima escorrer pela minha bochecha. 

Ergo o corpo miúdo de Ten, que ainda soava em excesso, ao ponto de parecer que ele tinha tomado um banho . Eu tentava inutilmente assoprar seu rosto e pescoço, mas nada parecia aliviar a maldita sudorese do garoto. Aish Johnny, cadê você? Caralho. 

Longos e agoniantes minutos se passaram até que Johnny finalmente chegasse. Vejo este sair do carro e caminhar até nós rapidamente. O maior pega Ten em seus braços, como uma criança, e o carrega até o automóvel estacionado na rua.  

Eu permanecia estático, sentado. Até que uma voz me tirou de meus pensamentos, colocando-me para correr atrás do carro, que já se encontrava ligado. Ao adentrar este, Johnny apenas suspira, antes de começar a dirigir na direção da minha casa. 

– Você tem sorte Taeil, muita, muita sorte. – O maior diz baixo, assim que para em um sinal – Ele não deveria nem mesmo estar vivo.  

– E como você pode saber disso? – Digo irritado e bato a minha destra no painel do carro – Por que insiste em dizer que eu mato as pessoas? – Eu não conseguia nem mesmo manter a calma, era patético.

– Porque é isso o que você faz. – Johnny diz em um quase murmúrio antes de acelerar novamente. 

Percorremos o restante do caminho em silêncio, ele não ousava dizer nada e eu, muito menos. Os minutos dentro daquele carro pareciam horas desde que seguíamos até a minha casa para que pudéssemos, ao menos, tentar salvar a vida de Ten. 

Saímos os dois do carro, eu segui na frente, destrancando todas as portas que ficavam no nosso caminho, impedindo que chegássemos ao subterrâneo da casa. Me sento em uma cadeira enquanto Johnny colocava Ten na maca, podendo assim furar seu braço com a agulha ligada a bolsa de glicerina, que ficava pendurada em uma haste de metal sobre a sua cabeça, junto do soro.  

Eu não sabia quanto tempo havia se passado, eu via toda a correria de Johnny e como era desesperador ter uma vida nas mãos. Como eu podia causar aquilo? O enfermeiro caminha até mim e estende-me a sua mão. Me levanto, mesmo que relutante com a sua ajuda, e reparo em seus olhos, que permaneciam vidrados nas instalações de Ten. Ando até estas, sendo acompanhado pelo maior, que permanecia na minha retaguarda. Pigarreio e me viro a direção deste, que parecia perdido em seu próprio mundo. 

– Quanto tempo até que ele melhore? – Pergunto baixo, tirando o castanho de seus pensamentos. 

– Depende. – Ele diz simplesmente e caminha até o pé da cama – Dois a três dias... Se ele continuar com a recuperação que está tendo... 

Assinto cabisbaixo e encaro o rosto sereno de Chittaphon na maca. Vão sentir falta dele... Deslizo meu celular do bolso e digito algumas mensagens, apenas para que aquilo não passasse dos limites.

(01:34) Moon Taeil 

O Ten está comigo. 

(01:40) Nakamoto

Aconteceu algo? Vocês sumiram. 

(01:40) Moon Taeil

Nada de preocupante. 
Nós passaremos três dias fora. Avise quem for preciso.  

(01:41) Nakamoto

Três dias? 

(01:47) Nakamoto

Ok. 
 

Algo em Yuta era muito bom. Ele não se preocupava demais. Isso facilitava as coisas, para os quatro de nós. Mas também poderia ser muito ruim, não conseguia sequer imaginar como seria se o japonês nos descobrisse, toda a histeria e escândalo que ele poderia causar... Era realmente preocupante e eu pretendia manter a minha saúde.
 

Ten's POV 
 

Abro meus olhos, mas não consigo permanecer com eles daquela maneira por muito tempo. Suspiro erguendo o meu braço, ele parecia feito de chumbo. Por que parece tão pesado? Cubro parte da minha visão com o antebraço e volto a enxergar aos poucos, quando me acostumo com a luz. 

Era um quarto claro como um hospital, tinha até mesmo as luzes brancas, assim como os lençóis da cama ligeiramente desconfortável que estava. Tento mexer meu braço esquerdo, mas este parecia pressionado contra a cama por algo. Ao olhar para o lado, é possível perceber uma cabeleira loira sobre este. Suspiro, inclinando-me para ambos os lados, tentando ter uma visão ampla do rosto do garoto, ele parecia sereno ao descansar e pelo jeito, não era a toa. Ele tinha olheiras fundas abaixo dos olhos. 

Toda a movimentação vinda da minha parte acaba por despertá-lo. Mordo meu lábio inferior ao sentir uma pontada contínua se apoderar da minha cabeça e desvio meu olhar, mesmo sabendo que o garoto ao meu lado continuava a me chamar. 

– Ten?! – O garoto continuava, esperando uma resposta – Faz quanto tempo que você acordou? 

Me viro na sua direção, o encarando sem entender a sua preocupação. Ele parecia eufórico, segurava meus braços com força e me enchia de perguntas, enquanto eu apenas o observava. Não conseguia dizer nada

– Diga alguma coisa... – Ele suspira e passa a mão em meus cabelos – Por favor...

– Kwenchana... – Digo rouco, denunciando o longo período de tempo que tinha passado sem usar as minhas cordas vocais. A curiosidade me instigava a perguntar a ele o que havia acontecido, mas no fundo, algo dizia que era melhor se eu não soubesse.

– Você quer alguma coisa? – Ele pergunta, pegando o seu celular no bolso traseiro da calça.

Me contento em apenas negar com a cabeça. Vejo o homem se distanciar e pela primeira vez, desde que "acordei", segundo ele, tenho coragem de olhar para o meu braço. Solto uma lufada de ar, vendo o tubo ligado ao meu antebraço por meio de uma agulha. Então eu estava realmente em um hospital?

Queria me levantar e sair dali, mas meu corpo parecia não estar em condições, ele estava ainda mais frágil do que antes e como adicional, a minha cabeça parecia explodir. Murmuro alguns sons incompreensíveis antes de tentar movimentar as minhas pernas, que formigaram no segundo em que as usei.

Era desesperador. Eu não lembrava de nada que poderia ter causado a minha ida a um hospital, era como se a minha memória tivesse sido apagada. Eu tinha inúmeras dúvidas. Será que um trauma muito grande apagou a minha memória? Ou eu entrei em estado de choque? E o medo de descobrir era real.

Encaro a escada quando ouço passos distantes vindos daquela direção, o homem loiro descia novamente, mas desta vez, com uma bandeja em mãos e sobre esta, estavam um copo de água e um sanduíche. Ele caminha até mim, deixando o alimento comigo e se sentando na cadeira onde estava antes de acordar.

– Fique a vontade. – O loiro diz normalmente e volta a mexer em seu celular, provavelmente para que eu pudesse ter mais privacidade ao comer.

O soro não me deixava com fome, mas da mesma maneira, a minha boca salivou ao ver aquele simples lanche. Por mais rápido que eu quisesse acabar com aquilo, a minha falta de fome e lentidão me impediam.

– Estava bom? – O homem pergunta e eu assinto brevemente, pigarreando em seguida.

– Não vai me perguntar o que aconteceu? – Ele volta a se pronunciar e eu nego com a cabeça, movendo meu olhar para o teto. Não queria encará-lo. – Tudo bem... – O loiro suspira e se levanta para caminhar na direção de uma tomada, onde já estava plugado um carregador – Se lembra de alguma coisa? – O outro me pergunta, fazendo com que eu negasse novamente. Por que aquilo soou tanto como uma pergunta retórica?

Permaneço mexendo em meus dedos nervosamente enquanto tentava me lembrar do que havia acontecido. Era simplesmente impossível. Eu estava frustrado e o garoto ao meu lado parecia perceber aquilo. 

– Quer falar alguma coisa, Ten? – Ele diz baixo e me encara, assinto e suspiro olhando para as paredes brancas do local.

– Eu só me lembro dele... – Murmuro e sinto algumas lágrimas escorrerem pela minha bochecha – Taeyong... – Volto a suspirar e abaixo a minha cabeça, envergonhado por chorar na frente de um desconhecido.

– Prefere não falar sobre isso? – Assinto e fecho meus olhos até que me sentisse seguro o bastante para abri-los novamente – Imagino que não se lembre, – Ele sorri – Meu nome é Moon Taeil.

– Você já sabe quem eu sou... – Permito-me rir, mesmo que sem humor e o encaro – Mas de qualquer maneira, meu nome é Chittaphon, mas pode me chamar de Ten – Sorrio fraco e estico a minha mão para Taeil, que segura a mesma, a balançando duas vezes antes de soltar.

Ele diz mais algumas coisas, nas quais eu não presto atenção o bastante para me lembrar, antes de se distanciar na direção do seu celular. Durante alguns minutos, ele fala com alguém pelo aparelho, tempo este que eu passei ponderando sobre o porque do quartinho onde eu permanecia, não ter sequer uma janela. 

Com certo esforço, devido as ligações em meu braço, retiro o lençol que cobria as minhas pernas. Arrasto as mesmas para fora do colchão, ficando sentado por alguns segundos até, que me estabilizasse. 

Apoiando o quão firmemente era possível com as mãos no colchão, meus pés encontram o chão gélido. Me seguro na haste de metal onde ficavam dois saquinhos endurados, identificados por uma etiqueta como soro e a glicerina. Suspiro e volto-me para a escada que levava ao andar de cima. Eu só queria sair dali logo.

Eu havia tentando ser o mais discreto possível, porém, além do metal em minhas mãos atrapalhar nesta tarefa, o menor barulho parecia chamar a atenção do loiro. Ele caminha até mim e, sem hesitar, ajuda-me a subir as escadas.

Se ao ver aquele lugar eu o reconheci? De maneira alguma, jamais tinha visto aquelas paredes na minha vida. Parecia como uma casa, e bem, era um lugar maravilhoso, eu tinha de admitir. Acabo sentado no sofá da sala, assistindo a um programa de variedades qualquer. 

Apesar de toda a estranheza da situação, eu não me sentia acanhado. Quer dizer, não tanto quanto antes. O sorriso de Taeil é reconfortante e bem, eu não valia nem mesmo um centavo, não era rentável que alguém me sequestrasse.

– Cheguei! – Uma voz animada me retira dos atuais devaneios e encaro um garoto alto, que permanecia parado na porta.
Ele sorri para mim e faz uma gestura simples, indicando que já voltaria. Assinto mesmo sem entender e volto a minha atenção para a TV logo a minha frente. 

Me viro para o lado assim que o peso de um novo corpo se faz presente no sofá. Ele permanece olhando para a sua mão enquanto parecia formular o que iria me dizer. 

– Hm... Eu sou o Johnny. – Ele diz normalmente e me encara, sorrio para ele e logo sou retribuído. – Você quer qual notícia, a boa ou a ruim? – Ele ri de maneira contida e puxa os cabelos para trás. 

– A boa... – Digo baixo depois de ponderar sobre aquela questão. 

– Ah, a boa é que você está vivo! – Ele ri e eu arqueio uma sobrancelha na sua direção. – Calma, você já vai entender. – Johnny revira os olhos e pigarreia antes de voltar a falar – A ruim é que você passou dois dias desacordado por conta de uma overdose. – O maior diz casualmente, como se quisesse de alguma maneira, me acalmar. 

– Overdose? – Digo em um quase murmúrio e abaixo a cabeça, sinto as lágrimas rolarem pelo meu rosto enquanto pensava no meu problema, este que era conhecido como Lee Taeyong. 

– É, cocaína e álcool. – Ele suspira e coloca sua mão sobre a minha. – Você está bem? 

– Não... – Digo me segurando para não soluçar – Meu primeiro amor me jogou nessa ruína. – Levanto meu olhar e o encontro com o de Johnny. O maior suspira e passa o braço pelo meu ombro, abraçando-me desajeitadamente, mesmo que eu não tivesse forças para correspondê-lo. 

– Vai ficar tudo bem... Hora ou outra vai... – O garoto diz baixo enquanto afagava meus cabelos – Mas por favor, nunca mais chegue a este ponto. – O castanho suspira antes de se separar de mim, ele se levanta e sorri pequeno, tentando novamente me reconfortar – Eu vou preparar o seu almoço, sei como é sentir-se vazio. 

Assinto e espero que ele vá até a cozinha para que me levantasse. Caminho até a janela mais próxima dali e observo o movimento das ruas enquanto passava os meus dedos pala vidraça. Não sabia quanto tempo eu havia passado ali, mas fora o suficiente para banhar meu rosto em lágrimas novamente devido a pensamentos que giravam, em sua totalidade, em torno de Taeyong. Como ele pode me esquecer com tamanho sangue frio? Pensei que ele ainda me amasse... 

– Ten? – Ouço a voz de Johnny me chamando antes de sentir a sua mão em meu ombro. 

– Onde está o Taeil? – Pergunto baixo, sentindo uma certa falta do loiro, que havia sumido desde que subimos. 

– Ele foi dormir – Johnny suspira e limpa as minhas lágrimas antes de pigarrear – Pare de pensar tanto... – Ele murmura antes de dar as costas para mim. – Eu vou comer, você vem? – Ouço a sua breve risada e caminho atrás dele até a cozinha. 

Ao chegar no cômodo, o cheiro de comida recém feita invade as minhas narinas e sorrio fraco, me sentando em um dos bancos, na frente de Johnny. Ele me entrega uma colher e coloca uma tigela preenchida com sopa na minha frente antes de repetir a mesma ação, porém do lado oposto da mesa. 

O maior se senta e começa a comer com calma, eu me sentia um completo estranho por observá-lo num momento como aquele. Balanço a minha cabeça negativamente e inicio a minha refeição. Eu não sabia se era pelo tempo que havia passado sem comida, tendo ingerido apenas um sanduíche ao acordar, ou se Johnny realmente cozinhava bem, estava divino e por mais que não sentisse fome, me sentia na obrigação de admitir isso.  

– Pra quem ficou mais de dois dias desacordado... –Ele diz baixo e limpa as mãos com um sorriso no rosto – Você come devagar. 

– Não sinto fome... – Murmuro. Por mais vazio que me sentisse, era a mais pura verdade. 

– Sem pressa. – O maior diz e dá de ombros, ele se levanta e leva tudo o que havia sujado ao comer até a pia, onde começa a lavá-los pacientemente.  

O observo por algum tempo antes de voltar a comer. Mais de dois dias fora? Ninguém havia sentido a minha falta pelo visto. Eu não os culpava, eu não era importante a esse ponto. 

– Estava bom? – Assinto e me levanto, sigo até a pia onde ele estava e começo a lavar o que restava na mesa, mesmo que Johnny protestasse contra isso. 

– Posso ir pra casa? – Digo baixo e, quando crio coragem, encaro o rosto pensativo dele.  

– É necessário que você fique por mais um tempo... – Ele suspira e se vira para mim – Sabe Ten, você ficou dois dias desacordado, preciso te manter em observação. Não sei ao certo quais podem ser os efeitos do que restou da droga no seu organismo. 

– Mas eu não quero ficar aqui. – Digo convicto e coço a minha nuca – Por favor Johnny, me deixa ir, eu tô bem! – Sorrio falso na tentativa de um aegyo e caminho até onde o maior estava, na esperança de que ele permitisse a minha saída.  

– Me escuta, por favor. – Ele diz e revira os olhos – Eu estou responsável por você. Não posso deixar que você saia da minha vista.  

– Tudo bem... – Murmuro abaixando o meu olhar. 

Ele não podia tirar os olhos de mim, certo? Mas nada nos impedia de sair desse lugar. 

– Venha comigo! – Sorrio sinceramente pela primeira vez no dia e encaro o garoto, que parecia ponderar pela resposta – Eu não tenho mais nada pra perder mesmo, se está pensando em me roubar. – Dou de ombros e seguro o seu pulso timidamente – Kaja

E foi dessa maneira que eu enrolei o Johnny, com absoluto sucesso.

Por insistência do enfermeiro, passamos em um mercadinho, onde escolhemos e compramos juntos algumas coisas para que pudéssemos comer em casa. Não adiantou de muita coisa eu ter uma dieta a seguir, pois o nosso cesto continuava recheado de porcarias. Isso foi realmente divertido.

Quando chegamos na minha residência, já passavam das 22:00 e pelo visto, Taeyong e Jaehyun viveram a base de pizza nos dias sem mim. Suspiro enquanto recolhia as caixas jogadas pela mesa, as empilhando ao lado da lixeira.  

– Quem mora com você? – Johnny pergunta, deixando as sacolas no balcão. 

– Meu problema... – Digo pensativo e me sento em uma das cadeiras. 

– Taeyong? – Ele pergunta se virando na minha direção. 

– Como sabe? Eu te disse quando estava bêbado? – Rio sem humor e bufo.  

– Não... Eu não tive o prazer de te ver bêbado! – Johnny ri e cruza os braços – Mas, ele te mandou muitas mensagens enquanto você esteve na casa do Taeil e parecia preocupado. – Ele dá de ombros e me entrega um celular, que reconheço como meu – Você deveria colocar senha aí. – O maior volta a rir e eu reviro meus olhos. 

Taeyong tinha mais o que se preocupar. Eu não era mais o seu namorado, mas por que ele insistia em me prender a si? Isso era algo que eu realmente não entendia agora e, talvez, nem viesse a entender um dia.  

Passei muito tempo entretido naquele pequeno aparelho, tanto que não percebi Johnny fazer a nossa janta após arrumar a cozinha. A comida passava rasgando a minha garganta, por melhor que esta estivesse, eu não tinha vontade de comer. Não mais. 

Deixo o prato pela metade na mesa e volto para o meu quarto, onde tomo um banho rápido e me visto para dormir. Os minutos corriam no relógio, porém a minha mente não conseguia desligar. Sinceramente, eu não sabia se eram pelas lágrimas que inundavam a minha face ou pelo som que as causava. 

Era um péssimo dia para ter um ex, para morar com Lee Taeyong e seu novo namorado e para ter o quarto vizinho ao deles. Os gemidos e baques da cama na parede não me deixavam adormecer em paz. Eu não podia mais lutar contra as lágrimas, pois estas já me possuíam inteiramente. Era um caso perdido. 

Apesar de tudo, nada me forçava a ficar naquele quarto, mas meu corpo parecia não querer se mover.  
 

Por que você continua a sofrer dessa maneira? 
 

Eu estaria me enganando se fingisse que os dois não existiam? Não ligava, eu só precisava tirá-lo da minha cabeça por um segundo, nem que para isso, eu precisasse mentir para mim mesmo. Alguns flashes da tarde com Johnny me vem a cabeça e um súbito sorriso recheado com tristeza brota em meus lábios, ele conseguia tirar Taeyong de mim.  

Quando eu tinha começado a levar a vida como um arrasto? Isso não deveria ser assim. Me levanto já sem forças da cama, usando a minha última pontada de persistência para me escorar na parede para seguir até a sala, o local onde imaginava que Johnny dormia. Não havíamos falado sobre isso mais cedo. Abaixo ao lado do maior e sorrio fraco, mesmo que ainda chorasse. Ele parecia uma criança ressonando daquela maneira. 

– Johnny... – Digo baixo enquanto balançava de leve o seu ombro. 
Vejo os olhos miúdos do garoto se abrirem aos poucos e em seguida se desviarem de mim para encarar o relógio. Ele se senta no sofá onde dormia e coça os olhos, pigarreando antes de dizer algo.  

– O que ainda faz acordado? – O maior pergunta inocentemente com uma expressão confusa. 

– Os gemidos deles não me deixam dormir. – Sussurro. Percebo que havia parado de chorar apenas quando a minha dor volta a se expressar pelas lágrimas, que escorriam por toda a minha bochecha. 

Sinto os braços do maior me envolverem e em seguida puxarem o meu corpo para o sofá. O cafuné que ele fazia em conjunto com o carinho nas minhas costas, estavam sendo tão eficazes quanto um calmante para mim, mas nada estava sendo capaz de retirar aqueles sons da minha cabeça.  

– Venha, vamos fazer alguma coisa. – Ele diz baixo e se levanta – Sobe aí, Ten – O maior diz, parando de costas para mim. Penso seriamente em negar, entretanto, o que eu tinha a perder?

Subo nas costas de Johnny e ele me leva com imensa facilidade até a cozinha, depois de olhar em alguns armários o maior me diz as opções que tínhamos para acompanhar o filme, elas se resumiam em pipoca.  

O cheiro de manteiga já começava a se espalhar pela cozinha quando ouvimos o apito vindo do microondas. Eu permanecia sentado na cadeira enquanto o maior preparava tudo. Não me sentia bem por jogar a responsabilidade nas costas dele, mas nas condições em que eu estava, despejar pipoca em um balde parecia uma tarefa repleta de complexidade. 

Voltamos para a sala. Eu me deitei em um dos sofás e Johnny ocupou o outro. O maior liga a televisão em um canal de animações, eu até poderia julgá-lo, mas amava assistir qualquer tipo de desenho. Por mais bobos que estes fossem, sempre conseguiam tirar um sorriso do meu rosto. 

Já passavam das três da manhã quando os meus olhos começaram a se fechar, eu não percebi o tempo passar. Meu rosto se encontrava duro por conta das lágrimas anteriores e eu comia o nosso segundo balde de pipoca.  

– Pode dormir... – A voz de Johnny soa baixa e relaxada. Segundos depois, sinto a sua mão acariciar os meus cabelos – Você precisa disso, Ten... 

E aquelas foram as últimas palavras que pude ouvir antes de cair no sono. Por mais desconfortável que o sofá estivesse e por pior que tenha sido o meu dia, aquela foi a melhor noite de sono desde a chegada de Taeyong.
 


Notas Finais


Ah, oi vocês tão aqui de novo? rçrç

Tá, as explicações. Eu tava com um bloqueio do caralho e aí resolvi dividir em dois, mas percebi que ia ficar sem sentido então postei ele completo. O próximo capítulo não será dividido e a postagem no sábado ocorrerá normalmente.

E DE NOVO, OBRIGADA PELOS 15 FAVORITOS, VOCÊS ME DEIXAM MAIS FELIZES DO QUE CAFÉ! HAHAHAHAHA EU TO TÃO BOBA ALEGRE MANO ♡ Acho que tenho um ataque toda vez que recebo um comentário ou um novo favorito! Dá uma certa emoção saber que eu não escrevo atoa, de verdade. Vocês alegram os meus dias bolinhos ♡
Não esquecendo dos leitores fantasmas, obrigado por acompanharem, mesmo que não deem nenhum sinal de vida, eu gosto de vocês igualmente, hihi ♡

Eu também estou com um projeto novo, então peço paciência para as starlights e A.R.M.Y's que acompanham CDL, tem coisa boa vindo ♡

É isso, comentem o que estão achando, favoritem caso tenham gostado e adicionem a biblioteca para receberem uma notificaçãozinha toda vez que eu atualizar.

Beijinhos de açúcar, a tia ama vocês.

(Me perdoem pelo idiotismo agudo)


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