História Consonância - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Justin Bieber, Maia Mitchell
Personagens Justin Bieber, Personagens Originais
Visualizações 129
Palavras 4.019
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Luta, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hallo!
Muito obrigada pelos favoritos e comentários. Espero que gostem do capítulo. Boa leitura. MWAH!

• Capítulo sem uma revisão mais profunda, perdoem-me se tiver erros.

Capítulo 2 - Um pouco de orgulho para manter.


Fanfic / Fanfiction Consonância - Capítulo 2 - Um pouco de orgulho para manter.

Empurro as partituras para dentro da minha pasta, e junto o resto dos papéis que deixei espalhados sobre a mesa. Estava tudo uma bagunça, mas ajeitaria apenas quando voltasse para casa. Passei parte da madrugada em claro, pensando em maneiras de transformar minha música em algo ousado. Não importava quantas notas eu conseguisse pensar, todas pareciam soar como sons alarmantes em minha cabeça. O cesto de lixo estava cheio de papéis amassados pela vergonha que sentia por não conseguir mais criar.

Era frustrante, mas precisava continuar tentando. Fazia uma semana desde a conversa com meu mentor, e ele estava determinado em pegar em meu pé. Todos podiam falhar em suas aulas, fosse o mais grave erro, apenas eu tinha a sua atenção, e precisava recomeçar. Deixava suas aulas irritada, praguejando todos ao redor, mas ninguém tinha culpa, realmente. Ele me deu uma opção, e eu não queria decepcionar o único que acreditou em mim. Queria conquistar a bolsa e orgulhá-lo.

— Bom dia. Bom dia. Bom dia. – minha voz ecoa na sala de jantar, e o sorriso do pequeno garoto me faz sorrir. — Como você está?

Acaricio o rosto macio do meu irmão, e beijo o topo de sua cabeça. Carl apenas sorri, e volta a prestar atenção em sua salada de frutas bem picadas e alternadas em diversas cores e sabores.

— Bom dia, Noah. – voz suave de Elizabeth é acompanhada por um sorriso amistoso.

— Bom dia, Lizzie. – retribuo o sorriso. — Como Carl está?

— Dormiu melhor essa noite, mas acordou bem cedo. – ela olha para meu irmão, e passa as mãos por seu cabelo escuro, escovando os fios.

Assinto, e arrasto uma cadeira ao lado da que o pequeno garoto estava sentado, ainda centrado em suas frutas. Sirvo-me com um pouco de café, e olho para minha mãe que estava sentada do outro lado, arrastando algo na tela de seu aparelho celular. Meu pai também estava logo ali, vestido como de costume, bebericando sua xícara com café e duas colheres de leite, enquanto lia o seu jornal. Mal nos falávamos pela manhã, era algo rotineiro para todos nós. Vivíamos embaixo do mesmo teto, interagíamos silenciosamente durante refeições, e era tudo. Todos os dias por ano. Todos os dias pela vida.

 — Então, como está indo sua música? – Lizzie pergunta ao se sentar na cadeira ao lado de Carl. — A ouvi tocando ontem à noite. Estava indo bem.

Nego com a cabeça, e alcanço uma fatia de bolo no centro da mesa.

— Estou testando coisas novas. Meu professor quer que eu me arrisque mais. – suspiro. — Ele disse que os responsáveis por avaliar o desempenho dos participantes do concurso, irão desejar pessoas ousadas para a equipe. Apenas os melhores serão escolhidos.

— Pensei que você fosse a melhor da turma. – a voz imponente do meu pai causa-me arrepios. Olho-o de canto, preferindo encarar a tranquilidade e prazer de Carl por estar degustando o que gostava. — Porque esse professor está tendo problemas logo agora?

Limpo minha garganta. Eu odiava a sensação que sentia sempre que iniciávamos uma conversa.

— Ele só está querendo me ajudar. – umedeço os lábios e procuro reformular a minha afirmação. — Se eu quiser vencer, preciso dos conselhos de quem foi o melhor violinista por décadas.

— Você irá vencer. – é a vez da minha mãe se pronunciar, ainda concentrada na tela do seu celular. — Sabe o quanto investimos para que tivesse o melhor acompanhamento desde que escolheu que era isso que queria fazer.

Não me surpreendo, eles sempre me lembravam disso.

— Eu sei. – abaixo a minha cabeça. — Não irei decepcioná-los.

— É bom que isso seja verdade. – o celular do meu pai começa a tocar, e ele retira-o depressa do bolso de sua calça, olhando para o aparelho ainda tocando. — Tenho que ir. Não volto para o jantar.

Tão rápido quanto um raio, desaparece da sala de jantar, deixando seu jornal e xícara, ainda com café, para trás. Minha mãe sai em seguida, nem mesmo se despede, não olha para nenhum de nós. Carl olha esperançoso quando ela retorna, mas sua esperança é esmagada quando ela passa direto por trás de sua cadeira e apanha sua bolsa do outro lado da mesa, colocando as alças em seu ombro direito e marchand para longe. Eu perco o apetite e apenas espero o pequeno garoto terminar de comer.

— Eles não merecem a sua tristeza. – acaricio o seu rosto com as pontas dos dedos, e limpo a sujeira inocente que deixou em todo o seu queixo. — Irei voltar mais cedo para casa, podemos fazer algumas pinturas. O que acha?

Ele sorri da maneira mais adorável possível.

— Eu gosto. – as duas palavras soterram toda a angustia que havia se apossado do meu peito. — Eu gosto de você.

Balanço minha cabeça e me inclino para beijar o seu rosto redondo e de pele macia.

Carl era um menino especial. Não apenas por ter nascido com Sindrome de Down, mas por ser como um verdadeiro anjo, rodeado pela luz. Ele nasceu em um momento difícil, onde território era perigoso para ele. Meus pais estavam abalados, e sem estrutura emocional para lidarem com um filho, ainda mais sendo necessário cuidado e atenção dobrados. Eu tinha quatorze anos quando assumi a responsabilidade de depositar sobre ele um pouco do amor que não teria mais chance de dar a Donovan. Não sabia o que fazer e nem como lidaria com tudo, mas não o deixaria sozinho, nunca. Apaixonei-me por essa criança assim que coloquei meus olhos em seu sorriso infantil e livre de ambição, maldade ou pretensões.

Seriamos sempre nós dois contra o mundo.

— E eu amo você, garotinho. – encosto meu nariz em sua testa. — Muito.

Ouço o suspiro de Lizzie e olho para ela.

— Vocês dois são a alegria dessa casa.

— Diga isso para nossos pais. – endireito-me e me coloco de pé. — Qual foi à última vez que passaram um tempo com o filho? Que perguntaram o que ele aprendeu com a sua tutora? Ou, demonstraram qualquer sinal de afeto?

 — É tudo muito difícil para eles, Noah. – como de costume, com toda sua bondade e paciência, Lizzie tenta amenizar os erros dos meus pais. — Apenas desaprenderam a serem pais.

— E isso é possível quando ainda tem dois filhos vivendo sob o mesmo teto? – nego com a cabeça e jogo o guardanapo em meu prato. — Nós não tivemos culpa do que aconteceu naquela noite. Eles sempre irão sofrer pela perda, mas nós também, e sofremos ainda mais por não recebermos nem um pouco de empatia.

Inspiro e respiro algumas vezes.

Eu não podia perder a cabeça. Todas as vezes que me excedia em casa, não fazia um bom trabalho em minha aula de música e com o concurso se aproximando, eu não tinha tempo para lidar com minhas frustrações pessoais. Estava disposta a mostrar que era boa e que poderia ser ousada. Seja lá como eu vá conseguir fazer isso.

— Estou indo. – aviso a Lizzie, mas olho para Carl. — Prometo não demorar. Se comporte.

— Tenha um bom dia, menina.

Despeço-me com um aceno e lanço um beijo no ar para o meu irmão que faz o mesmo, de maneira desajeitada. Apresso-me em apanhar minhas coisas sob o sofá da sala e passo pela porta. Meu carro estava na garagem, sendo o único veículo que a ocupava. Meus pais já tinham saído, não era uma surpresa também. Destravo-o e jogo minha bolsa e partituras no banco de trás, e me acomodo no assento, ajudando-o para mais perto do volante. Coloco o cinto de segurança, endireito o retrovisor e giro a chave na ignição.

Deixo o condomínio e me esgueiro pelas ruas. Enfrento o começo de um congestionamento por um acidente na via principal, mas sigo o exemplo de alguns motoristas e consigo desviar para um atalho próximo. Estaciono meu carro no quarteirão de cima do edifício da minha escola de música. Volto a pegar minhas coisas e salto para fora, passando a alça da minha bolsa por meu ombro esquerdo, seguro com firmeza minha pasta e fecho a porta atrás de mim. Aciono o alarme, e atravesso a rua.

Subo os degraus da entrada e empurro a porta de vidro. Passo pelos corredores e subo mais algumas escadas até chegar a meu andar. Ainda era cedo, o senhor Peterson não chegaria antes das nove. Aproveitando que meus colegas de classe não chegariam, também, resolvo praticar. Coloco o suporte do meu violino em cima da mesa de madeira, e ergo as delicadas travas, revelando o meu bem mais precioso.

Apanho o instrumento, giro-o e apoio meu queixo na queixeira, enquanto sustento-o com os dedos envoltos na cravelha e voluta. Com a mão livre, ergo no ar o arco, e começo a arrastá-lo pelas cordas, e minha música começa a soar e preencher toda a sala. Fecho meus olhos e permito-me vagar junto à melodia. Não existia mais nada em todo mundo, éramos apenas eu e o meu violino.  Era suave como o cantar de pássaros em uma manhã ensolarada, mas possuía o poder das rajadas raivosas da brisa de uma tarde anunciando a tempestade se aproximando. O senhor Peterson havia escutado essa composição, achou-a incrível, mas, na última aula, ainda que estivesse tocando-a da mesma maneira de quando a apresentei, não parecia mais agradá-lo. Faltava algo.

No festival de inverno do meu colégio, arrisquei-me em me apresentar, pela primeira vez. Mesclei clássicos de Fritz Kreisler e Shlomo Mitz, todos me aplaudiram de pé. Não imaginava ser capaz de vencer meus medos e dar a mim mesma uma chance de ingressar em minha carreira musical. Meu pai foi em minha apresentação, assistiu-me por pouco mais de um minuto e meio, mas se retirou para atender alguma ligação. No caminho para casa, não me parabenizou, nem mesmo ficou feliz por eu ter vencido o festival. Quando chegou em casa, minha avó, que estava nos visitando, perguntou-lhe como eu tinha ido, ele lhe respondeu que tinha sido boa. Meus professores e amigos disseram que eu era boa, mas eu queria ser a melhor. Dia e noite, passei a me dedicar em aprender e ser impecável, sem erros ou inseguranças.

Ele continuava dizendo que eu era boa. Não era o que eu queria ouvir.

Não percebo que minha música calma havia cedido lugar para o arco arranhar as cordas com agressividade, ignorando o cantar dos pássaros e permitindo que apenas a tempestade se fizesse presente. Abro meus olhos ao ouvir um soar de palmas na porta, franzindo o cenho olho para o corpo parado entre os batentes.

— Existe raiva em você. – o estranho balbucia, e sua voz preenche a sala. — Isso é um bom começo.

— Quem é você?

Ele olha ao redor, como se avaliasse o que estava vendo. No entanto, nada parece lhe surpreender. Nem mesmo todos os quadros de artistas renomados na música clássica. Os instrumentos espalhados por todos os cantos são como objetos comuns diante sua visão pouco amplificada para as coisas. Seu polegar direito dedilha uma tecla do piano no centro da sala, e depois o seu anelar faz o mesmo com outra nota. O som é horrível.

— Eu sou a sua salvação. – murmura, e olha-me com divertimento em sua expressão. — Me chamo Justin.

Justin. Certo.

O nome soava tão arrogante quanto a quem pertencia.

— O que faz aqui? É um novo aluno do senhor Peterson? – sentia-me perdida, mas estranhamente confusa por não achá-lo um completo desconhecido. Era como se já tivesse visto o seu rosto.

— Não vai me dizer o seu nome? – desconversa, e afasta-se do piano. — Sabe, isso se chama comunicação entre duas pessoas. Eu disse meu nome, agora me diz o seu...

— Porque quer saber? – dou um passo para trás, mas ergo meu queixo. — Eu não perguntei seu nome, apenas quis saber quem era, e agora, o porquê está aqui. Se não for aluno, é melhor se retirar, pois a entrada é proibida.

— Eu fui convidado para estar aqui. – não parecia estar mentindo.

— Mas...

— Eu disse para me esperar. – uma voz extremamente familiar também ocupa a sala, junto ao seu corpo alto e magro. — Olá, N. Vejo que já conheceu o meu amigo.

Olho para Ben, e para o tal Justin.

— Seu amigo? – soou um pouco incrédula.

Analiso da cabeça aos pés, o corpo tatuado do intruso. Ele não se vestia, nem mesmo semelhante a Benjamin. Suas roupas eram simples e gastas, seu jeans claro e rasgado parecia estar tão surrado quanto seu par de tênis, e sua jaqueta de couro não era tão brilhante quanto as botas do meu amigo. Seu cabelo, no entanto, tinha um tom loiro único. Natural, poderia afirmar. Mas, todos aqueles desenhos escapando por seus braços com as mangas erguidas da jaqueta davam-lhe um ar perigoso.

— Bem, é um amigo de alguns amigos. – balança sua cabeça. — Depois que saímos da boate, naquela noite, acabei me encontrando com o primo de Justin e...

— Você pode pular essa parte, cara. – Justin intervém depressa.

— Nós fumamos e conversamos um pouco. Hardin acabou me contando que esse amigão aqui... – segura no ombro direito do garoto tatuado, e balança-o. — Está precisando de um dinheiro extra, além dos bicos que faz em baladas.

— E o que eu tenho a ver com isso? – olho para meu amigo, realmente alheia ao que quer que esteja passando por sua cabeça. — Vamos lá, Ben. Eu preciso continuar treinando. Você sabe que não tenho tempo para perder.

— É ai que você entra. – sorri empolgado e dá alguns passos para frente. — O seu professor lhe mandou ser ousada, então, quem pode ser mais ousado que um DJ todo tatuado e... – ele olha para Justin, e faz uma breve pausa. — Quente. Verdadeiramente quente, com esse porte de rebelde pecaminoso.

— Isso é algum tipo de elogio? – pergunta para Ben que o ignora, e olha para mim.

— Ele pode dar-lhe algumas aulas, mostrar como quebrar regras na música. Em troca, você dá a ele um pouco da mesada que ganha dos seus pais.

Solto uma risada.

Uma risada verdadeiramente sonora.

— Diga-me que está brincando. – continuo rindo, colocando meu violino de volta em seu suporte, junto ao arco. Meu riso, no entanto, morre aos poucos, percebendo a ausência de humor na face do meu amigo. — Por favor, não me venha dizer que está falando sério.

— Pense bem, N. – se aproxima, acabando com a distância entre nós. — Justin pode ser a sua chance. Você tem que dar uma chance para isso.

— Não. – nego depressa. — Dar uma chance para que? Você nem o conhece, realmente, Ben!

— Eu sei que ele ganha a vida com música eletrônica, e é bom. Você o viu tocar, sabe disso.

— Não, eu não sei. – estreito os olhos. — O que esse DJ faz não é música. Ele apenas coloca um pouco mais de barulho em músicas prontas, isso não é ser bom.

— Então, a boneca pensa que apenas música sem voz é música? – sua voz arrogante vibra do outro lado da sala. Por cima dos ombros de Benjamin, encaro-o. — É por isso que está sendo brigada a abandonar a sua arte? É boa demais para viver em qualquer lugar?

— Você não sabe nada sobre mim. – sou rápida em minha resposta, sinto meu corpo inteiro esquentar, da ponta do meu nariz até os dedos dos pés.

— Não preciso conhecê-la para saber que não passa de uma garota mimada e pretensiosa.  – dá um passo para frente, talvez, dois. Ou três. Estava mais perto e parecia furioso. — Tem tudo o que quer, quando quer. Possui amigos bons, que se importam com seu bem estar, enquanto você se importa apenas com qual cor de roupa irá usar, apenas para não repetir a cor do dia anterior.

— Você não... – luto para avançar em sua direção, mas um braço magro rodeia minha cintura. — Me solte, Ben!

— Não até a gatinha se acalmar. – diz em tom sério, mas havia humor em sua expressão. — Vocês dois precisam respirar um pouco. – por cima dos ombros, olha para trás. — Vá dar uma volta, Justin. Irei conversar com ela.

— Porque dar uma volta? Mande-o embora. – fuzilo o corpo tatuado. — Eu não preciso dele!

— Acalme-se. – Ben sussurra em meu ouvido direito. — Por mim. Respire fundo. Ele já está de saída, não está, amigo?

Justin olha para mim, e dá-me as costas, esboçando o seu sorriso mais esnobe, causando-me anseio por socar seu rosto até que perca cada um de seus dentes.

— Posso soltá-la ou terei que bloquear a porta? – afasta seu rosto do meu cabelo. — Estou com medo de você, garota. Faz muito tempo que não a vejo tão furiosa. O que está acontecendo?

— Não sou um animal raivoso. E nada está acontecendo. – empurro seu peito, no intuito de afastá-lo de mim. Eu precisava mesmo respirar. — Foi você que causou isso colocando para dentro do meu espaço alguém como ele. Eu quero bagunçar todo aquele rosto!

Eu estava rosnando.

— Justin é um bom cara, Noah. – olho-o com desdém. — Essa postura que ele assume quando anda por ai, é apenas uma casca. Assim como essa que você coloca quando sai de casa, de garota implacável.

— Eu não sou como ele. – defendo-me. — E eu sou assim. Você, melhor do que ninguém sabe disso. Não preciso fingir.

Era uma grande mentira. E ele, melhor do que ninguém, sabia disso. Só não me contradiz porque preciso me manter inabalável.

— Entendo você, linda. – soa sincero. — Mas você precisa entendê-lo também. Ele é a melhor saída nesse momento.

— Eu não preciso trabalhar com ele. – ergo meu queixo. — Posso me virar sozinha. Estou quase lá, só preciso me concentrar em criar algo novo.

— Não duvido do seu talento. Nunca faria isso. – abaixa um pouco sua cabeça. — O ponto é que vocês dois são incríveis na música, cada um do seu modo. Você irá ajudá-lo, e ele irá ajudá-la. Isso é tudo. – sorri. — Será até você aprender, conhecer um pouco sobre a ousadia que ele coloca em suas batidas remixadas. Transfira isso para a sua música clássica, e apresente a Edgar uma nova Noah. Aquela que precisa da sua permissão para se libertar, e que irá conseguir a bolsa de estudos e todo o dinheiro oferecido.

Solto um longo suspiro.

Odiava encontrar um pouco de razão nas palavras de Ben, mas ele sabia como argumentar com algo que serviria apenas para mim.

— Você viu como nós somos. Não nos conhecemos, e já nos odiamos. – levo meus braços para cima, e balanço minhas mãos no ar. — Ele deve ter ido embora.

— Eu tenho certeza que não. – é confiante, e escova os dedos em seu cabelo já bem penteado. — Justin precisa mesmo desse dinheiro extra. Ele cuida de um garoto e arca com todas as despesas, sozinho. Tem amigos, mas nenhum familiar presente.

Sinto-me abalada.

Ele não estava me ajudando por ser um favor, o que era bom, pois não precisaria me sentir em dívida com o estranho. Daria a ele uma boa quantia em dinheiro, precisaríamos conviver juntos apenas por alguns dias na semana, irei aprender sobre sua música gritante, e desenvolverei melhor o que o senhor Peterson cobra para que eu me torne melhor.

Eu aprendo depressa. O tempo irá passar rápido, e antes do concurso consigo me livrar dele. Estarei lutando por minha bolsa, e ele desfrutando do dinheiro, como desejar. Nunca mais iremos nos ver.

Isso me soa bem.

— Tudo bem. – digo, por fim. — Irei dar a ele quatrocentos dólares. Cem por semana.

— Ele irá com certeza aceitar isso. – Ben comemora. — Você é fantástica!

— Lola sabe de toda essa maluquice?

— Não. – ele retira o seu celular do bolso. — Mas, irei contar isso, agora mesmo.

Franzo o cenho.

— Você precisa ir atrás do seu amigo. – limpo a garganta. — Diga a ele que aceito contratá-lo para me ajudar.

— Acho melhor você mesma dizer. – dá de ombros, e digita algo na tela de seu celular. — Será uma forma de se desculpar por sua grosseria.

— Eu não fui grossa. – replico. — E não vou me desculpar. Não mesmo.

Ben me olha. E seu olhar é duro, quase que capaz de me torturar.

Não me rendo, sabia o que ele estava fazendo. Era sua maneira de me fazer mudar de ideia e aceitar que estava errada.

— Noah...

— Certo! – dou-me por vencida, ele tinha um poder assustador diante as pessoas. Ou, apenas sobre mim. — Irei falar com ele. Tenho apenas alguns minutos antes da minha aula começar.

— Ele deve estar por perto. – arrasta uma cadeira, e senta-se relaxado.

— Não irá comigo?

Olha-me como se tivesse fora do meu juízo perfeito.

— Acha que sou louco a ponto de me colocar entre os dois novamente? – torce os lábios. — Me amo demais para ser tão estúpido.

Balanço a cabeça, e marcho para fora da sala.

Levo alguns fios do meu cabelo para trás das minhas orelhas, e caminho, olhando para os lados. Desço os degraus, e não encontro em nenhum dos corredores, nem mesmo sentado em algum dos sofás macios da recepção. Prestes a desistir, paro entre a porta da entrada, e encostado nas pilastras da escada. Um cigarro pairava entre seus lábios, ele parecia concentrado na pista vazia até mesmo de carros.

Esfrego as palmas das minhas mãos, e pigarreio, apenas para atrair sua atenção. Vagarosamente, ele se vira e olha para mim, não esboçando qualquer reação humanamente provável de surgir após um impasse como o que tínhamos enfrentado na sala de música.

— Não gritou o suficiente? – sopra a fumaça para frente. — Acho que já entendi que não precisa da minha ajuda. Estou esperando minha carona.

— Eu não vim aqui para gritar. – começo dizendo, sentindo-me nervosa. — E sim lhe pedir desculpas por ter feito isso, na verdade.

Não me olha de imediato, mas quando seu olhar cai sobre mim, sei que não está disposto a deixar seu orgulho de lado para que eu possa me redimir sem me envergonhar tanto.

— E?

— Como assim ‘’e’’? – sua expressão era impossível de ler. — Estou tentando mostrar que não sou uma garota mimada.

— Pedir desculpas não lhe torna menos mimada. – dispara. — Isso é o mínimo que pode fazer. Não vim aqui para procurá-la, e sim porque Benjamin insistiu, ficou em meu pé como um chiclete na sola do meu sapato. Disse-lhe não, mas continuou me pedindo para vir até aqui. – se afasta das escadas, e olha-me por um tempo. — Isso é um favor que estou fazendo a ele, não a você. Mas foi um erro, de qualquer modo.

Engulo em seco.

Não estava acostumada a lidar com pessoas que falavam tudo o que pensavam sobre mim.

— Eu quero... – uma de suas sobrancelhas se sobrepõe a outra. — Eu preciso da sua ajuda.

— O que lhe faz pensar que irei ajudá-la?

— Irei lhe oferecer quatrocentos dólares. Cem dólares por semana. – apresso-me em dizer. Estava tão nervosa, minhas mãos suavam. — Se eu vencer o concurso posso lhe dar mais seiscentos dólares.

Sua língua passa preguiçosamente por entre seus lábios. Ele parecia pensar.

Seu silêncio não era tão agradável quanto sua voz. E sua música.

Queria dizer a ele que apreciei ouvir suas batidas remixadas, mas não faria algo assim. Não podia soar desesperada, ainda tinha um pouco de orgulho para manter.

— Teremos que impor algumas regras nisso. – ele pontua, e olha para trás no mesmo instante em que um carro antigo dobra a esquina. — Eu caio fora quando perceber que não precisa mais de mim.

— Tudo bem. – balbucio.

— Não pense que eu sou como os caras que está acostumada a ter em seu encalço. Você é bonita, boneca. – olha-me de cima abaixo, e dá passos para trás, ainda me olhando. — Tanto que chega a doer olhar e não poder tocar. Mas... – joga o seu cigarro no chão, e esmaga-o com uma pisada forte. — Lembre-se, você precisa de mim, não o contrário.

Meus lábios se descolam para revidar a sua ofensa, mas não tenho tempo para pensar em algo a altura. Ele entra no carro que tinha a porta do lado do passageiro aberta para ele entrar. Seu corpo ocupa o espaço ao lado de um jovem de estatura, aparentemente, baixa e cabelo colorido. Justin apoia seu braço direito sobre a porta e vidro abaixado, coloca sua cabeça para fora e sorri.

Seu sorriso era cheio de promessas e intenções.

Meu coração vibra em meu peito, e só então percebo o quão acelerado estava. Fazia muito tempo que não o sentia assim, batendo além da dor.

Apenas não sabia se isso era bom ou muito ruim. 


Notas Finais


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