História Conto de Areia - Capítulo 1


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Categorias Originais
Tags Bahia, Brasil, Candomblé, Clara Nunes, Folclore, Iemanjá, Lua, Mar, Praia, Sereia
Exibições 18
Palavras 678
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Fantasia, Ficção, Misticismo, Musical (Songfic)
Avisos: Álcool, Nudez
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Acho que em nosso país temos visões lindas sobre as Sereias. Uma delas, vêm do Candomblé e sua crença em Iemanjá.
Inspirada pelas músicas de Clara Nunes "O Mar Serenou" e "Conto de Areia", pensei nesse conto, que tem como enredo essa crença na Senhora das Águas. Links para as músicas se encontram nas notas finais.
Pretendo em breve fazer um conto sobre a visão indígena das Sereias, ou seja, a Iara.
Espero que gostem!

Tentei reproduzir de uma maneira fiel como seria contado pelo homem, por isso, peço licença para a gramática.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Conto de Areia - Capítulo 1 - Capítulo Único

Conto de areia

 

“Painho sempre me dizia que se ele pudesse escolher como iria morre, seria nos braço de Iemanjá. E assim foi que se sucedeu. Numa noite de mar bravo, o barquinho de pescaria num conseguiu vencer as onda do mar brabo e a Senhora das Águas chamou ele pro seu Reino.

Eu era muito novo, só um tiquinho mais velho que ocê quando isto se passou. Mainha ficou triste por demais, mas ela sabia que a hora dele se despedir deste mundo de expiação havia chegado e que agora ele descansava ao lado de sua Senhora.

Nessa época, essa vila era pequena, era pouca família e todo mundo vivia de pescaria. Nós morava à beira mar num casebre que hoje nem existe mais, a areia já levou tudo....

Foi na noite que íamos bebe painho, ou seja, íamos bebe a memória dele, que aconteceu o causo.

Ele era um homem muito do querido por isso todos da vila viero. Alguns tocavam tambor, outros puxava cantos e pontos, todos embalados pela cachaça.

Por mais que eu tivesse tentando celebrar painho e sua maravilhosa passagem por este mundo de Nosso Senhor, meu coração tava despedaçado, rasgado, em carne viva. Não aguentava fica alí, doía por demais.

Então que eu peguei uma garrafa e decidi ir para um ponto mais quieto da praia. Queria fica sozinho cos meus pensamento e sentir meu luto em paz.

Sentei aqui, nessa mesma pedra, e comecei a chorar. Meus olho tava que parecia molhado de mar, meu pai, meu guerreiro, havia ido embora e tudo que eu tinha dele era pedaços de sua canoa que o mar trouxe de volta pra nós.

Foi quando ela apareceu. Bem alí ó, aonde as onda quebra.

Não sei se foi por causa que do som dos tambor que ecoava lá de longe ou se foi a lua cheia que abrilhava toda vaidosa tingindo a maré de prata, mas eu ví, saindo das água e caminhando até a areia. Bem alí.

Pois ela tinha a pele morena, os cabelos eram longo e pretinho, pretinho, feito a noite! Usava uma coroa de conchas e tinha colar de conta azul e branca que cruzava o peito, feito um xis. Ela tava peladinha, sem nenhuma peça de roupa.

Ela começo a dança. E dançando ela girava, balançando os braço, requebrando ao som dos tambor.

No comecinho eu fiquei arredado de medo, onde ja se viu, mulecote daquele tamanho, com medo de sereia.... dai eu me escondi atras das pedra e fiquei olhando ela dançano. Não sei quanto tempo que foi, mas ela danço, danço, batia os pé na água e girava. Até que ela ficou olhando a luz da candeia que alumiava lá de longe por um bucadinho de tempo e daí resolveu ir simbora.

E ela foi, entrou na água e desapareceu. Eu procurei por tudo que foi lado e num vi mais, dai saí de trás da pedra e fui la na areia ver os passo dela que ficou tudinho marcado.

Penso comigo que Iemanjá amava tanto Painho que mandou até um das suas fia vir comemora a memória dele. Então eu agradeci, "Odoiá minha mãe" e fui me embora.

Nunca contei esse causo pra ninguém... mas eu te juro por todos os santo que se sucedeu, bem aqui, na noite que bebíamos painho”.

O jovem rapaz de quinze anos olhava para aquele senhor franzino de cabelos brancos e ralos não acreditando muito naquela história. Ele sabia que seu velho avô adorava contar um causo, como ele mesmo chamava aquele tipo de conto.

“Ora vovô, quer dizer então que o senhor viu uma sereia sambando na beira do mar?” - perguntou ele, sorrindo, achando graça.

“Pois sim, vi com esses olho que a terra um dia há de comer” - respondeu o velho, com muita convicção.

“Está certo então vovô, vou acreditar nesse seu causo”- respondeu o rapazinho que logo em seguida levantou-se da pedra onde estava sentado e estendeu a mão ao velho - “Vamos pra casa vovô. Obrigado por compartilhar comigo esse seu conto de areia”.

 


Notas Finais


Links: O Mar Serenou: https://youtu.be/drGewMyo00A
Conto de Areia: https://youtu.be/xc3DqY1yoSc


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