História Contos de Amor da Família Weasley - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Alice Longbottom, Alvo Potter, Dominique Weasley, Fred Weasley Ii, Harry Potter, Hermione Granger, Hugo Weasley, Lílian L. Potter, Lorcan Scamander, Louis Weasley, Lucy Weasley, Lysander Scamander, Molly Weasley II, Personagens Originais, Ronald Weasley, Rose Weasley, Scorpius Malfoy, Ted Lupin, Tiago S. Potter, Victoire Weasley
Tags Drama, Harry Potter, James Potter, Nova Geração, Romance, Scorose, Teddy Lupin, Victoire Weasley
Exibições 46
Palavras 5.240
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Fantasia, Festa, Magia, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


VOLTEI! Que saudades de postar, nossa. Agora voltei com tudo. A meta é acabar a fic antes do ano terminar. E, pra voltar com estilo, nada melhor que volter com o amor da minha vida, Albus Potter.

Ouçam Haunted da Taylor Swift enquanto leem, pra uma leitura melhor e mais emocionante. A história do Albus é inteiramente inspirada na letra dessa música, que é uma das minhas favoritas dela.

Não me abandonem nos comentários! Sei que deixei a fic de lado por um tempo, mas agora vou voltar e terça já deve ter capítulo. Espero que gostem!

Capítulo 8 - Albus Severus Potter


Fanfic / Fanfiction Contos de Amor da Família Weasley - Capítulo 8 - Albus Severus Potter


CAPÍTULO OITO
–Albus Severus Potter–

 

Eu tinha o medo de todo menino Weasley/ Potter: ir para a Sonserina. Lufa-Lufa e Corvinal eram ótimas casas, mas a casa de Salazar Sonserina não era bem vista aos olhos da família Weasley. Não muito, pelo menos até certo momento. 

Cresci com toda a pressão que era colocada sobre um Potter. A pressão era maior ainda em mim do que em James, porque ninguém tinha expectativas muito sérias quando se tratava dele. Só esperavam que ele conquistasse as garotas, jogasse Quadribol e tivesse notas boas. Comigo era diferente. 

Esperavam que eu fosse exatamente meu pai. De aparência, éramos muito parecidos. James, de acordo com meu pai, era parecido com nosso avô de mesmo nome. Olhos amendoados e charme natural. Com onze anos, James já conquistava as meninas, enquanto eu fugia delas. 

E eu tanto fugia delas que quase corri da cabine quando minha prima, Wren, tentou socializar com desconhecidos claramente sonserinos. No caso, futuros sonserinos. 

Era primeiro de Setembro e James me atormentava mais do que nunca. 

– Não vou! Não serei da Sonserina! – gritei.

– James, dá um tempo! - disse minha mãe.

– Eu só disse que ele poderia ser! – disse James, sorrindo para mim. – Não tem nada de errado nisso. Ele pode ser da Sonse...

Mas os olhos de James encontraram os de mamãe e ele ficou quieto. Nos aproximamos da barreira. Sorrindo convencidamente, por sobre o ombro, James pegou o carrinho e se pôs a correr. Segundos depois, ele havia desaparecido.

– Vocês vão me escrever, certo? – perguntei, aproveitando a ausência de James.

– Todo dia, se quiser. – minha mãe respondeu.

– Não todo dia. James disse que a maioria só recebe uma carta por mês da família.

– No ano passado escrevíamos para ele três vezes por semana. 

– E não queira acreditar em tudo o que ele diz sobre Hogwarts. – complementou meu pai. – Ele gosta de umas travessuras, o seu irmão.

Lado a lado, empurramos o segundo carrinho, ganhando impulso e, quando chegamos à barreira, fechei os olhos, esperando por uma colisão que não veio. Ao invés disso, a emergimos na plataforma Nove e Meia que estava coberta pelo vapor lançado pela locomotiva vermelha do Expresso de Hogwarts. Figuras indistintas se moviam através da névoa, na qual James já havia desaparecido.

– Onde eles estão? – quis saber, ansioso, observando as pessoas entre a fumaça enquanto elas cruzavam à plataforma.

– Nós vamos achá-los. – mamãe me tranquilizou. 

Mas o vapor era denso, tornando difícil distinguir o rosto de alguém. Separada de seus donos, as vozes pareciam anormalmente altas.

– Eu acho que são eles ali, Al. - ouvi mamãe dizer de repente.

Um grupo de quatro pessoas saiu da neblina, próximos ao último vagão. Seus rostos só se tornaram nítidos quando nos aproximamos. 

– Olá. – disse, imensamente aliviado.

Rose, que já estava usando os trajes novos de Hogwarts, sorriu. Pouco mais adiante, tio Carlinhos aparecia com Wren. As pessoas paravam para olha-la, principalmente os meninos. Nem mesmo alguém como eu correria dela. 

– Olha quem é.

Papai e tio Ron olharam um homem alto e loiro com um menino idêntico a ele. Do lado, outra menina de cabelos marrons e olhos cinza iguais ao dos outros conversava com o garoto. Talvez eles fossem irmãos.

– Então aquela é Iris Malfoy. E aquele é o pequeno Scorpius – disse tio Ron. – Arrase-o em todos os testes, Rosinha. Graças a Deus que você tem o cérebro de sua mãe.

– Pelo amor de Deus, Rony. - disse tia Hermione, um pouco nervosa, um pouco sorridente. – Não os tente colocar um contra o outro antes mesmo de as aulas começarem!

– Você está certa, desculpe. - disse Rony, mas incapaz de se segurar, completou, – Mas não fique muito amiga dele, Rosie, vovô Weasley nunca a perdoaria se você se casasse com um puro-sangue!

– Ei!

James havia retornado, explanando Victoire e Teddy. 

– Já são quase onze, é bom subirem a bordo.

– Te vejo mais tarde, Al. E cuidado com os testrálios! – James se despediu, me deixando aterrorizado.

– Pensei que eles fossem invisíveis? Você me disse que eles eram invisíveis! – exclamei. 

Mas James simplesmente sorriu e deixou que mamãe o beijasse, deu um abraço rápido no meu pai e entrou no trem. Ele acenou e depois atravessou o corredor, em busca de seus amigos.

– Não se preocupe com os testrálios. - disse meu pai – Eles são bem dóceis, não precisa ter medo deles. Além disso, você não vai para a escola em carruagens esse ano, você vai de barco.

Mamãe me deu um beijo de despedia.

– Te vejo no Natal.

– Até mais, Al. - sussurrou meu pai. – Não se esqueça que o Hagrid convidou você para tomar chá na sexta. Não se meta com o Pirraça. Não duele com ninguém até você ter aprendido como, e não deixe o James te incomodar.

– Mas se eu for para a Sonserina?

Ele agachou-se, seu rosto um pouco abaixo ao meu. Apenas eu entre Lily e James tinha os olhos de minha avó, Lily Potter, e de meu pai. 

– Albus Severus. – ele disse tão baixo que somente nós três pudemos ouvir, embora eu fingisse, discretamente, que acenava para Rose, que já havia embarcado. – Você tem o nome de dois diretores de Hogwarts. Um deles era da Sonserina e provavelmente o homem mais corajoso que já conheci.

– Mas e se...

– A Casa de Sonserina ganhará um excelente aluno, não é? Isso não é importante para nós, Al. Mas se é importante para você, você pode escolher a Grifinória ao invés da Sonserina. O Chapéu Seletor considera a sua escolha.

– Sério?

– Ele considerou a minha. – disse.

Se ele considerava a minha escolha, eu estava seguro. 

Wren me arrastou com Rose e nos fez procurar um vagão com pessoas legais. Ela juntou dois garotos, os gêmeos Malfoy e mais uma garota. 

Ela gostava de Quadribol, ou então não estaria lendo sobre isso. A garota era linda.

Seus olhos eram verdes, não como os meus. Os dela eram um pouco mais claros, bonitos. Ela também tinha cabelos escuros, e, novamente, um pouco menos que os meus. Sua pele era clara, mesmo que um pouco bronzeada nas bochechas. E, mesmo que estivesse sentada, eu podia perceber que ela era muito alta e esbelta – da altura de Wren. 

Ela não parecia nada tímida, mas, quando nossos olhos se encontraram, seu sorriso foi tímido. Senti minhas bochechas esquentarem. Rose fugiu, não sei para onde. 

Wren juntou todos numa cabine. 

– Vocês são do primeiro ano, não é? – perguntou e eles assentiram. – Sou Wren Weasley, esse é Albus Potter…

Eu corei – mal de Weasley – de novo. 

– Taylor Wood – disse a menina bonita do Quadribol. Uma Wood. Ela devia ser uma ótima jogadora. 

– Wood? Você joga? Eu sou artilheira, mas sou péssima. Só jogo para completar o time quando os primos vão pro campo. – Wren começou a falar. 

– Goleira.

Respirei aliviado. Ainda bem que não era Artilheiro. 

Todos começamos a conversar. Lembrei que Taylor era irmã mais nova de Kendall Wood (que eu só havia ouvido falar por causa de James, é claro), a goleira da Grifinória. Descobri que os Malfoy não eram o que tio Ron dizia, além de que eu era sim capaz de sair da minha concha de timidez e conversar normalmente. 

Como deu para perceber, eu era tímido. Muito tímido. Sempre que reparava que Taylor me olhava, eu corava e sentia meu rosto arder. Isso levou uns anos para mudar.

Então, finalmente chegamos à Hogwarts. O castelo, maior do que jamais imaginei, estava iluminado e sua beleza podia ser vista de muito longe. As torres altas, jardins enormes, lagos congelantes, salões, salas comunais. Tudo era melhor do que imaginei. 

E, como provavelmente já lhes contaram, eu fui para a Grifinória. Ir para a casa dos leões significava mais pressão sobre mim ainda. Por alguns instantes, me arrependi. Eu queria ter ido para a Sonserina, onde estavam meus amigos. Eu amava Rose, mas só ela não era muito. James, por mais que dissesse que era brincadeira, realmente acreditava que eu iria para a Sonserina. Por um momento, eu também. Não era muito próximo de Louis, Roxanne era um ano mais nova, Lucy era da Lufa-Lufa e tenho certeza que no jogo Matar ou Casar, Rose casaria com um livro e me mataria. Afinal, é a Rose.

A primeira aula do dia seguinte era de Poções. Eu não estava muito descansado. James e seus amigos fizeram uma festa até tarda na Sala Comunal e eu praticamente não dormi. Nesse meio-tempo, escrevi uma carta aos meus pais, contando que fora para a Grifinória e já tinha amigos. Mandei Firebolt, a coruja de James, entregar a carta. 

Quando me ofereceram, não quis uma coruja. Todo mundo tinha uma coruja, mas ninguém tinha um furão. James tentou me fazer esquece-lo n' A Toca, mas não funcionou. 

Esperavam que eu fosse como meu pai, Harry. Esperavam que James fosse como meu avô – isso não posso negar: ele era – e que Lily fosse como mamãe. Não é assim que funciona. 

Eu não ter salvado o castelo de um basilisco ou vencido o Torneio Tribruxo pareceu decepcionar muita gente. Com o tempo, aprendi a não me importar com o que falavam. Porém, enquanto eu me importava, foi difícil. Sem Scorpius, Seth, Luke, Iris, Wren e até – e principalmente – Taylor, não teria sido possível. 

Nossa relação era boa. Éramos ótimos amigos – pelo menos até o quarto ano. As três eram as garotas mais festeiras que eu conhecia. No começo era pouco, mas chegou a um ponto onde elas íam para três lugares num mesmo final de semana. 

Eu sabia que não convenceria Wren nem Iris, mas podia tentar com Taylor, certo? Wren era teimosa e Iris continuava com notas impecáveis. Mas Tay – como a chamávamos carinhosamente – não era nada disso. Ela só ía na onda. E eu tentei. 

Os jardins eram onde mais ficávamos, pelo menos nessa época. Iris gostava de flores, então arrastava as garotas até lá. Quando as duas me viram, foram conversar com uns Corvinos que estavam na outra árvore, deixando Taylor sozinha com seu livro – que não era de matéria alguma, aliás. Ela levantou o olhar, sorrindo assim que me viu. Fechou o livro, descruzou as pernas e fez sinal para que eu me sentasse.

– Hey, Al – disse, feliz. – Já fez o dever de Transfiguração? É para amanhã, mas não vou ter tempo de fazer. 

– Vai sair com as meninas? 

Ela mordeu os lábios. Por favor, até ela sabia que isso não era nada bom. Me ajeitei, dobrando as pernas e olhando diretamente para ela. 

– Por que, ao invés de sair com as meninas, não vamos nós dois à Hogsmeade? Vamos, vai ser divertido.

Hogsmeade = enrolar Taylor = dar um jeito de fazê-la estudar. Só voltávamos de Hogsmeade à noite, então ela não teria tempo de se arrumar para sair – já que as meninas levavam três horas para tal –, não iria à festa, não chegaria cansada, não dormiria o domingo inteiro e, consequentemente, estudaria. 

O pedido foi quase sem esperança, mas ela aceitou. Quando ela disse que iria, meu coração bateu mais rápido. 

Na hora de perguntar não me dei conta, mas aquilo era um encontro. Já sentia as borboletas em minha barriga, percorrendo todo o meu estômago e deixando aquela sensação boa. 

Eu só havia tido um encontro na vida – que, à propósito, não deu certo. Foi no terceiro ano, um ano antes. Infelizmente, estava chovendo e Lauren tropeçou na chuva, o que fez o encontro terminar na enfermaria. Uma pena, porque ela era muito legal. 

Não adiantaria de nada pedir conselhos a James, simplesmente porque aquelas coisas só funcionavam com ele. 

– É claro que só funcionam com ele – disse Rose. – James é… naturalmente charmoso – bufou.

Estávamos na Sala Comunal, eu na minha poltrona favorita e ela no sofá com um livro no colo. 

– Viram? Até a Rose sabe – James desceu as escadas com a vassoura nas mãos, com Fred atrás dele. – Estamos indo para o treino agora, Al. Não se atrase. 

Rose revirou os olhos, é claro. 

– A questão é: você não é o Jay. Aliás, você é melhor que ele, sapinho – fiz una expressão emburrada ao ouvir o apelido carinhoso que James usava comigo e que Rose roubara. – Ta, eu sei que não tenho uma vasta experiência com encontros…

– Você não tem nenhuma experiência com encontros, Rose – interrompi-a.

– Ok, Albus. Obrigada por jogar na minha cara – seu rosto ficou vermelho. – O que importa é que eu li livros e fiz o meu dever de casa para te ajudar. 

– Certo – assenti. 

– Para começar: use uma roupa legal – a cada vez que ela falava, eu assentia. – Seja cavalheiro, mas não seja babão. Não fale besteiras. Tente falar de coisas que vocês têm em comum, como Quadribol. Elogie o modo como ela joga, mas, como eu disse antes, não exagere. Só seja você… um pouco menos idiota, é claro. – ela deu um sorrisinho. – Ah! Muito importante! Não leve ela ao Madame Puddifoot. Vá ao Três Vassouras, de preferência, mas saia para outros cantos. Tem umas ruas muito bonitas e vazias por Hogsmeade.

Ela piscou o olho, lembrando alguns segundos depois que deveria estar na biblioteca estudando para seu trabalho sobre Direitos dos Elfos Domésticos. 

– Sabe que pode mandar uma carta para sua mãe que ela vai te dar o trabalho pronto, não sabe? – perguntei. 

– É, mas isso seria colar – debochou com uma expressão de "não é óbvio?". – Tchau, Al! Boa sorte! 

Eu amava Rose. 

***

Sábado finalmente chegou e, sim, eu coloquei uma roupa "legal". Rose disse que combinava comigo e que eu estava "charmoso". Na verdade, era só uma calça jeans e uma blusa verde-escura. 

– Combina com seus olhos – falou. 

Quando encontrei com Taylor na saída da escola, ela estava simples, mas mais bonita do que jamais a havia visto. Era apenas um jeans rasgado claro, um top preto, tênis brancos e pouca maquiagem, mas alguma coisa a fez parecer diferente de um dia para o outro, e eu não sabia o que era. Ainda, pelo menos. 

Ela abriu um sorriso feliz ao me ver. Nessa época, eu ainda era mais baixo que ela. Aliás, todo mundo era mais baixo que ela. James sempre zombava de mim por isso, só porque nessa idade ele era alto. 

– Vamos ao Três Vassouras? – sugeri, lembrando que eu deveria te-la elogiado. Burro. – E, à propósito, você está ótima. 

Ótima. Não consigo deixar de rir de mim mesmo ao lembrar que disse que ela estava "ótima". 

– Você também – ela soltou uma risada feliz. – Claro. Estou com saudades da cerveja amanteigada. 

– Comprei isso na Gemialidades… – tirei a pelúcia das minhas costas. – Esse é o Senhor Dragão. 

Ela riu, segurando a pelúcia num abraço apertado. 

– Eu tenho quatorze anos, não dois, Al – riu. 

Fomos ao Três Vassouras e pegamos uma mesa bem no canto – o canto mais escondido; eu avisei que era tímido. Pedimos duas cervejas amanteigadas à Madame Rosmerta e passamos quase duas horas falando sobre Quadribol. 

– É claro que não! – ela falava com uma voz de "é óbvio". – O desempenho da Grécia na última Copa foi incrível, admito, mas não foi apenas por causa daquele artilheiro. A goleira deles também é muito boa. 

– A Dileros? – perguntei. – No último jogo, foi horrível. A Grécia só saiu antes das semi-finais por causa dela. 

– E o resto do campeonato? Aquele foi só um dia ruim.

– Um dia que estragou tudo, não é? 

Eu adorava discutir com Taylor. Ela levava a sério por um tempo, mas depois ía cansando e sempre ria no final. Só que, dessa vez, ela não riu. 

– Já viu os jogos dela pelo Holyhead Harpies? Sua mãe jogou lá, com certeza ela pode dizer que Sage era boa. 

– Mas ela saiu, não é mesmo? E ela agora está sem time.

– Sua mãe também saiu, ambas por opção própria – argumentou. 

De repente, senti um impulso – talvez o impulso mais idiota da minha vida até então. Me inclinei para ela no banco e fiz algo que nunca imaginei fazer – não daquele jeito e naquela situação, é claro. Eu beijei Taylor Wood, a Sonserina mais complicada de todos os tempos. 

Eu não era dos mais festeiros, então não havia beijado mais que três meninas nessa época – época em que ligavam muito para quantas garotas você já ficou. E posso dizer com muita certeza que o beijo de Taylor não era igual ao das outras três garotas. 

Tinha gosto de cerveja amanteigada, mas era muito melhor que isso. Ela correspondeu, talvez um pouco – muito – surpresa. 

O beijo foi longo. Depois de um tempo, agradeci horrores por ter ficando num canto discreto, acho que principalmente por ela – vai que ela não queria ser vista me beijando. 

Quando o beijo acabou e nos separamos, ela arregalou os olhos verde-claros. Deixou alguns sicles na mesa, bebericou o resto da cerveja amanteigada e murmurou:

– Preciso ir.

E, bem, ela foi, mas não esqueceu o Senhor Dragão.

***

– Como foi? – Rose perguntou, ansiosa.

Eu sentei na poltrona, repassando tudo na minha mente.

– Eu disse que ela estava "ótima" – foi o que consegui dizer.

Rose murmurou um feitiço que não entendi. Algo foi parar na mão dela – feitiço convocatório, sim. 

– Toma – ela me entregou o objeto.

– Um dicionário? – perguntei. 

– Você não achou nenhuma outra palavra além de "ótima", o que mostra sua falta de vocabulário. Vai dar uma lida. Tem uma seção especial de adjetivos no livrinho do final. 

– Obrigado.

Fui levantar para guardar o livro no dormitório, mas Rose me puxou de volta. 

– E o resto? Você ainda não contou nada!

– Eu beijei ela – disse. 

A reação de Rose foi mais estranha do que eu pensava. Será que todas as meninas reagem assim quando recebem esse tipo de notícia? Eu esperava que não, porque, do jeito que Wren era, não seria nada bom.

– O quê?! Como você beijou ela, Severus?

– Sabe, com a minha boca e…

– Não, não é isso! O que te deu? – perguntou. – Poderia ter feito isso com qualquer outra garota, mas não com Wood. Agora você só ganhou duas opções: ou ela vai escolher te amar, o que seria bom para você, ou… 

Ou ela me odiaria para sempre. E adivinhem só o que aconteceu? 

Três anos depois disso, ela ainda me odiava. Quando eu digo "odiava", é ódio verdadeiro. Ela me desprezava simplesmente porque nos beijáramos e – de acordo com minhas teorias – porque ela sentira algo que não queria. Taylor tinha essa coisa toda de "eu nunca vou me apaixonar", e ficava repetindo esse discurso sempre. 

A gota d' água foi ela ter ficado com John Stuart na minha frente simplesmente porque eu não gostava dele. 

– Sério, Taylor? – perguntei.

Enquanto isso, ele corria suas mãos por todo o corpo dela, enquanto ela me olhava com desprezo. 

– É, Potter. É sério – torceu o nariz. 

You and I walk a fragile line
I have known it all this time
But I never thought I'd live to see it break
It's getting dark and it's all too quiet
And I can't trust anything now
And it's coming over you like it's all a big mistake

Oh, holding my breath
Won't lose you again
Something's made your eyes go cold

Inevitavelmente, ainda nos víamos todo santo dia. Não deixaria de ser amigo de Iris, Wren e os outros só porque ela agora me odiava. Ela ainda falava comigo, mas tornava o diálogo uma discussão em questão de segundos. 

Sem percebermos o tempo passar, era ano da Formatura, o último ano, o ano dos NIEMs, mais assustadores que todos os NOMs somados e multiplicados por 20. 

Naquela noite, éramos invencíveis. Aquela seria a noite. 

Coloquei meu terno e Lily fez o nó da minha gravata. Arrumei meu cabelo e desci as escadas – por algum motivo, os fundadores confiavam mais nas meninas que nos meninos, pois Lily conseguia facilmente acessar nossos dormitórios – para encontrar Mia Kettleburn, meu par para a festa de formatura. Ela também era da Grifinória e bem tímida, e admito que só estava levando ela porque Taylor fora convidada por um garoto mais velho que ela estava tendo uns casos, Jake Harrinton, reserva de um time de Quadribol irlandês famoso. 

Mia usava um belo vestido azul que ressaltava seus olhos. Quanto mais a olhava, mais imaginava Taylor em seu lugar, o que fazia eu me sentir terrivelmente mal. Ninguém deve ser usado, e eu estava usando ela. 

– Vamos? – chamei-a, tirando sua atenção do braço da poltrona que eu sempre sentava. 

Rose estava com Scorpius, Iris com James – que retornara a Hogwarts apenas para isso – e Taylor com Jake. O pior de tudo era que ela realmente parecia feliz com ele, enquanto eu falhava miseravelmente em recupera-la. 

Recupera-la. Como se em algum momento tivéssemos sido mais que amigos. 

Stood there and watched you walk away
From everything we had
But I still mean every word I said to you
He will try to take away my pain
And he just might make me smile
But the whole time I'm wishing he was you instead

 

Oh, holding my breath 

Won't see you again
Something keeps me holding on to nothing

 

O Salão Principal estava sem as mesas das casas. A mesa dos professores ainda estava lá, mas estava decorada e bonita. Várias mesas redondas foram dispostas onde as outras deveriam estar, e cada uma continha 12 cadeiras. Meus pais estavam lá, além dos pais de Rose e tio Charles, pai de Wren. 

Era triste lembrar que aquela seria minha última noite naquele castelo. Hogwarts era e ainda é minha casa, muito mais que A Toca ou minha casa de verdade. Foi em Hogwarts que vivi os melhores – e piores, não posso esquecer – momentos da minha vida. 

Quando Mia começou a falar sobre curso de medibruxia no Saint Mungus, me arrependi seriamente de não ter convidado outra garota. Não, eu não teria chamado Taylor nem se me pagassem. Ela provavelmente teria me batido e me xingado de algo como "azeitona" ou "verme" como ela sempre fazia. 

E, para variar, não conseguia passar dois segundos sem pensar em Taylor Wood.

Após longas duas horas de cerimônia, recebemos nossos diplomas e fomos dançar ao som de As Esquisitonas. E não, elas não tocavam só música Pop Bruxa. Também tinha valsa. 

Não queria falar nada, mas já tinha bebido algumas doses de whisky de fogo e não estava em meu melhor estado. Iris e James, se vocês estiverem lendo isso, me desculpem por te-los interrompido enquanto se pegavam escondidos atrás do palco, eu só estava um pouco bêbado. 

E não era só eu. Taylor e Wren – ou pelo menos antes dela sumir da festa – também não estavam muito bem. Quando uma música lenta começou, não sei de onde tirei coragem para fazer isso:

– Me concede esta dança, senhorita Wood? 

Dica: nunca chame a garota que te odeia para dançar enquanto se está bêbado. 

Surpreendentemente, ela largou Jake para dançar comigo. Coloquei minhas mãos sem sua cintura, desejando loucamente poder beija-la direito. Ela apoiou seus braços em meus ombros, encostando o rosto em meu peito. 

– Por que me odeia, Wood? – perguntei, enquanto a guiava lentamente pelo salão. 

– Eu não te odeio, Potter. Só não entendo o que você tem na cabeça – muito esclarecedor, Taylor Wood. 

– Não entende porque te beijei? É fácil. Te beijei porque acabei me apaixonando por uma garota que, ou me despreza, ou sente o mesmo e não quer admitir. Sabe, não queria dizer nada, mas a segunda opção é a melhor e mais cabível – falei.

– É uma mistura dos dois – deu de ombros, sem se dar conta do que havia dito. – Calma, eu estou bêbada. Quer sair daqui? Preciso respirar. 

Dito isso, fomos para fora do Salão Principal. Ela cambaleou e se encostou numa pilastra, após rodopiar em seu vestido longo. 

– Posso te beijar? – perguntei. 

– Não precisa pedir.

No segundo seguinte, ela estava prendada contra a parede e seus lábios colados desesperadamente nos meus. Ela bagunçava meu cabelo e deixava-o mais rebelde que o normal, mas eu não estava nem aí. Três anos depois e o beijo dela ainda era mágico. 

É, eu sempre estivera certo. Taylor Wood me amava. 

– Eu conheço um lugar – falou, me arrastando para o que reconheci como as masmorras da Sonserina. 

– Eu também conheço a Sala Comunal da Sonserina, se é para lá que está me levando – avisei. 

Taylor me arrastou – não à força, é claro – até seu dormitório, vazio naquele momento. 

– Abafiafo! – exclamou, puxando sua varinha de dentro do vestido. 

– Nem quero saber onde estava essa varinha – anunciei. 

– É, também não quero falar, mas acho que você vai achar o lugar logo – disse no sentido menos inocente possível. 

Meu terno, gravata, blusa, sapatos e meias já não estavam mais lá, e o clima ficava cada vez mais quente. Quando Taylor tirou o vestido, parei por alguns instantes, tentando assimilar tudo. 

Eu sei, não devíamos ter feito nada bêbados, mas simplesmente aconteceu. E eu sei, isso é desculpa de adolescente irresponsáveis. 

– Hora de ir, Potter – ela acenou, colocando o vestido e saindo do dormitório, me deixando lá. 

Come on, come on, don't leave me like this 
I thought I had you figured out 
Something's gone terribly wrong 
You're all I wanted


Come on, come on, don't leave me like this 
I thought I had you figured out 
Can't breathe whenever you're gone 
Can't turn back now 
I'm haunted

 

– Taylor, volta! Taylor! Wood! – gritei. 

Tarde demais. Ela já havia ido embora, e me sentia perseguido a cada passo que dava saindo dali. Realmente tinha achado que ela entendera, mas ela só estava bêbada e falando besteiras, e eu só fiquei decepcionado e com o coração partido. 

I know... I know...
I just know...
You're not gone
You can't be gone, no

E ela não estava mais lá, em lugar nenhum. 

***

Na volta para casa no dia seguinte, nada parecia certo. Era ali que nos veríamos provavelmente pela última vez, fazendo a trajetória contrária àquela que fizéramos na primeira noite em Hogwarts: barcos pelo Lago Negro. Ela num barco, eu em outro. 

Nisso tudo, nem sinal da Wren. Iris me avisara que os professores, funcionários e aurores já estavam à procura dela, mas que não podiam fazer muita coisa já que ela era maior de idade. 

E esse foi o último dia em que vi Taylor Wood em cinco anos. 

CINCO ANOS DEPOIS… 

– Anda logo, Albus! – berrou Liam lá de baixo. – Já estamos duas horas atrasados para a festa no Ministério. 

– Já vou, idiota! – berrei em resposta, rindo logo em seguida. 

Em cinco anos eu não achara ninguém que fizesse meu coração disparar como Taylor. Um caso ou outro, mas não amor. Só atração. 

E agora eu era um auror experiente do Ministério da Magia, junto com Liam Bale, meu colega de apartamento e de treinamento. 

A festa do Ministério era para aurores, outros funcionários de alto escalão, jogadores de Quadribol e famosos geral, como modelos bruxas, cantores e famílias reconhecidas. 

Era a primeira vez que iríamos, simplesmente porque eu nunca tinha saco para ir. Meu pai costumava estar lá, além de James e uns colegas de Hogwarts. 

Liam entrou sem bater enquanto eu arrumava minha gravata, pegando minha varinha para usar de baqueta. 

– Hora de ir, garanhão – avisou. – Já pode parar de arrumar os cabelos, eles não têm mais jeito. 

– Então vamos.

Aparatamos na rua em Londres, entrando pela cabine de telefone vermelha com os números 62442. Magic. 

A festa estava no padrão dos eventos do Ministério dos quais eu sempre fugia, mas era melhor que passar a noite de sábado em casa me remoendo de relatórios chatos do departamento de aurores.

Estavam todos mascarados. Ganhei a minha máscara quando entrei no salão, entregue por um elfo doméstico que teria feio tia Hermione ter um ataque. À propósito, ela também estava lá, mas não deve ter visto o elfo – estava calma demais para isso. 

A vantagem de um baile de máscaras é simples: você nunca sabe com quem está dançando, o que significa que é realmente só uma dança. 

Uma música lenta começou, me fazendo lembrar da formatura. Eu estava bêbado, mas ainda lembrava de tudo. 

Puxei uma mulher de máscara dourada e vestido preto para dançar comigo. Ela tinha cabelos marrom-claros e olhos verdes como os de Taylor. De novo não, Albus. No meio da música, ela me soltou abruptamente, olhando para uma menina de cabelos marrons e olhos verdes como os meus que aparentava ter uns quatro anos. Ela usava um vestido verde como seus olhos sujo de chocolate e rodopiava pelo salão como os adultos, segurando a bainha do vestido. 

– Lexa, volte aqui! – chamou. – Alexia Wood, volte aqui agora! 

Foi nessa hora que eu parei. A menina também parou, enquanto a mulher com quem eu dançava tentava limpar seu vestido sujo. 

Não pode ser, pensei. 

As contas faziam sentido. Os olhos da menina faziam sentido. A voz da mulher era idêntica à dela. 

– Quer ajuda? – ofereci, agachando para me aproximar da menina. 

Nessa hora, ela tirou a máscara dourada com um olhar assustado. Taylor Wood tivera uma filha cujo pai era eu. 

– Albus – sua mão tremeu, assustada. – O que está fazendo aqui? Alexia, vá brincar com seu primo. 

– Não, mamãe. Eu quero ficar aqui!

– Taylor Wood?! 

(...)

Fora da pista de dança e com a menina que eu deduzida ser minha filha – ainda estava assimilando isso –, sentamos para que ela pudesse explicar tudo. 

– Naquela noite… – não sabia o que dizer. – Só me diga se ela é minha filha, Taylor. Não minta. Eu tenho o direito de saber. 

– Alexia é sua filha Albus. Nossa filha – respondeu, nervosa. – O que está fazendo aqui? Por que voltou para me atormentar? 

– Eu é que devo perguntar: o que está fazendo aqui? Como ela foi criada? Como explicou para ela que simplesmente esqueceu de avisar o pai que estava esperando uma filha? 

– Pare, Albus, só pare um pouco! Acha que foi fácil acordar no dia seguinte e perceber que havia confessado tudo o que eu sentia e ainda ter transado com você? Acha que foi simples criar uma filha sem pai? Alexia foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, e você não vai tira-la de mim. 

– Do mesmo jeito que tirou ela de mim? – perguntei. 

– Não dá para te tirar algo que nunca foi seu.

– Acontece que ela é minha filha, e eu vou ser o pai que ela precisa, você querendo ou não. 

Nessa hora, ela apareceu com seus olhos verdes brilhando, confusa. 

– Mamãe, esse é o papai? – perguntou. – Você é meu pai? Mamãe me falou de você! Você morava longe por causa do trabalho, mas agora está aqui! 

– Taylor… – trinquei meus dentes. Não queria parecer agressivo para a menina. 

– Não faça isso, Albus…

– Sou, Alexia. Posso te chamar de Lexi? – perguntei com uma voz doce que não sei como fiz. Ela assentiu com a cabeça, sorrindo. – Ainda preciso resolver umas coisas com sua mãe, está bem? Enquanto isso – peguei minha varinha, conjurando um urso do tamanho dela –, por que não dança com o Senhor Ursinho? 

– Vou dançar, mas queria dizer que Senhor Ursinho é um nome muito bobo. Eu tenho quatro anos, não dois. 

Mesmo com meus olhos, ela era idêntica à Taylor. 

– Ela tem seu jeito – falei. 

– Ela tem seus olhos – completou – Não sabe como foi ver seus olhos abrindo e me olhando como você me olhava. 

– Não sabe como foi perceber que a garota que você amava não estava mais perto de você – confessei. 

– Só pare. Se queremos o bem dela, é hora de recomeçarmos. Podemos ir para minha casa… o apartamento é pequeno, mas ela gosta do quarto, e tenho certeza que vai adorar colocar o Senhor Ursinho na prateleira ao lado do Senhor Dragão. 

FIM


Notas Finais


HEY! Espero que tenham gostado. E sim, vai ser um epílogo fofis do Albus e da Taylor, mas só no último capítulo. Comentem! É muito importante que eu saiba o que vcs acham da história. Beijos!


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