História Contos Que Nunca Contarei - Capítulo 25


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Visualizações 14
Palavras 1.869
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Então, se houver algum erro, me desculpem. Fiz esse conto pelo celular e revisei rapidamente ;-;
Nele eu quis mostrar um momento dos apaixonados. Não é a vida deles. Nem uma garantia que estarão juntos para sempre. Mas é um instante, a palavra certa com a pessoa que julgamos certa. E ela pode se mostrar errada depois, no entanto, nem que por um milésimo de segundo, lhe causou alegria pensar que vocês eram corretos. Os planos, as combinações. Quis demonstrar tudo isso neste conto.
Espero que gostem!
BOA LEITURA!

Capítulo 25 - Vigésimo Quinto Conto


“ – E o leão se apaixonou pelo cordeiro.

- Que cordeiro imbecil.

- Que leão doentio e masoquista.”

- CREPÚSCULO.

Eu não sentia minhas mãos circulando seu corpo, mas sabia que estavam lá. No entanto, mesmo com esse conhecimento, eu dedilhei sua pele exasperado, apenas para me certificar de que a adolescente ainda permanecia na concavidade de meu tronco, adormecida em meus braços. Talvez, não fosse meu toque que lhe conheceu antes, e nem que prevaleça a desbravá-la, desconhecer e reconhecer novamente, porém, eu não me importei, pois havia eternizado a textura de seus seios desnudos em meu peitoral, as cócegas que sua cabeleira ruiva causava em meu abdômen coberto por madeixas avermelhadas de tintura, a dança que seus lábios coreografaram nos meus e a sonoridade de seus sussurros, declarações e gemidos. Eu havia eternizado a menina trancafiada em meu abraço, e jamais ousaria esquecer daquela minúscula eternidade que reservara para nós.

- Hm. – ela ronronou, os membros se movimentando com ternura sob os meus. Sua perna subiu, desenhando a linha de meu quadril, e suas mãos pequeninas se encontraram, apoiando sua cabeça em um travesseiro. A sua nudez não era mais maliciosa no momento, e estava escondida por lençóis até sua cintura afinada e curvilínea. As costas ainda possuíam fios de suor escorrendo pelos ossos, os cabelos ainda grudavam encaracolados em suas costelas úmidas, o sopro de sua respiração ainda estava descompactado, em pausas, recordando de cada beijo, sorriso e ligação. Os olhos ameaçavam abrir, e eu podia perceber enquanto era retirada vagarosamente de seus sonhos, alguns supérfluos, outros que ela só confessava a mim. Eu me lisonjeava de ser seu maior confidente, e apesar de estar emaranhado de segredos, meu anjo sabia que nunca revelaria um sequer. Pertenciam só a ela, assim como eu.

- Boa madrugada, meu amor. – desejei quando suas íris pesarosas de sonolência se elevaram, analisando meu rosto de baixo para cima. Greta riu anasalado, impulsionando seu corpo para a altura do meu, a face da garota achando-se a centímetros da minha. Tão próximos que era capaz de sentir as pontas de nossos narizes se instigando. Eu a tinha, comigo. E nada mais constava ou existia, a não ser Greta. A não ser nós.

- Eu dormi de primeira, não foi? – indagou, constrangida. As bochechas rubras me fizeram sorrir abobado, já que eu adorava aquela fusão do vermelho de seu cabelo com o de sua vergonha desnecessária e desmotivada. Assenti mudo a sua pergunta, abrigando seu rosto em minhas mãos, notando quão gigantescas elas eram em comparação a miudeza dele e de seus traços. Meu sorriso apareceu mais uma vez, e em nenhuma eu tentava impedi-lo.

- Sim, dorminhoca. São quase quatro da manhã, sabia? – informei, selando seus lábios brevemente ao ver seu semblante surpreso. – Te cansei, é? – ergui uma sobrancelha, afiando meu convencimento. Greta estapeou-me no ombro, mostrando-me a língua. – Você dormiu das seis da tarde até agora, ruiva. Quer que eu acredite em que teoria, sem ser essa?

- Na de que eu estava com sono, oras. – disse em defesa. Concordei em deboche, fazendo-a criar um beiço exagerado em seus lábios. Balancei minha cabeça, como quem não crê na presença e existência de alguém tão purificado e bondoso. Como quem não crê que a amada esteja lhe mostrando um beiço choramingado, partilhando seu colchão bagunçado, com as mãos apertando-te contra ela. E eu realmente não punha minhas crenças naquilo, pois aparentava ser aqueles famosos “minutos no Céu”. – No que essa mente linda anda pensando? – questionou Greta, no momento em que meus devaneios se transformaram em algo perceptível demais. Seu toque achatado e rechonchudo percorreu a raiz de meu cabelo enegrecido e desarrumado, empurrando-o para trás, acarinhando minha nuca com suas unhas roídas. Me distanciei minimamente da menina, apenas para tatear a caixa de meus cigarros na cômoda. O objeto já estava aberto e vomitava alguns tubos de nicotina para fora. Capturei um nas dobradiças de meus dedos juntamente a meu isqueiro esverdeado, a cor que Greta tanto idolatrava, prendendo-o entre meus dentes, ascendendo-o, meu polegar já anestesiado das queimaduras que a chama criada o submetia. Deixei o objeto no móvel, girando meu corpo para Greta de novo, tragando as substâncias químicas e amorosas que continham a minha volta. Soltei o ar acima de nós, não querendo prejudicar a adolescente com meus vícios, mas reconhecendo quão cômico ela achava os círculos e enrolados que a fumaça concretizava. – É encantador. – comentou em um murmúrio, deslumbrando-se com os rebolados da névoa esbranquiçada, suspensa acima de meu rosto. Por fim, deitei-me de costas, fumando de uma maneira que não a atingisse, pois havia jurado àquela miniatura de garota que jamais permitiria algo de ruim a infectar ou contaminar. Ela era boa demais para qualquer vício tolo de um mauricinho como eu. Boa demais para mim. – Mas ainda não me contou o que pensa. – lembrou-me, a mão escapulindo de meu cabelo, apenas para encontrar meu peitoral magricelo, pintando geometrias nele em dedilhadas. Eu sentia suas digitais realizarem triângulos e quadriláteros em minha pele, estendendo meu braço pela cabeceira da cama, tendo uma Greta empolgada se levantando um pouco, só para então fazer meu ombro de travesseiro, ajeitando-se em mim. Ri enfraquecido pela infância que possuía em cada ato, assim como a maturidade em cada filosofia, teoria ou tese. E a abracei de lado, mergulhando meus dedos nas divisórias de suas costelas, para enfim informá-la do que tanto ansiava saber.

- Estava pensando em anjos. – proclamei, batendo de leve com meu indicador no cigarro para as cinzas acumuladas o abandonarem. As cinzas haviam me abandonado quando Greta se nomeou a minha maior dependência, física, emocional e química. – Sabe, anjos? – indaguei e ela suspirou um “uhum” ansioso, querendo que eu prosseguisse com minha narração. – Eu estava pensando neles. Te rabiscando, apagando, rascunhando. – a ruiva se acomodou melhor em meu abraço, como uma criança prestes a escutar sua história predileta pela primeira vez na noite. Deus, como eu a adorava. – Estava pensando também em quanto tempo eles demoraram. Entende, para te fazer. É mais ou menos como tentar deduzir quantas horas um pintor demorou a produzir sua obra de arte, apesar de curioso, nunca é exato. Só ele sabe. – eu conseguia discernir o quente de suas bochechas aumentando em contato a minha clavícula. Sorri em um puxado de lábios rápido, dobrando meu braço, inclinando minha mão nas mechas ruivas e tingidas, passeando pelo caminho de caracóis vermelhos. – Então, desisti de pensar em como e quanta inspiração necessitou para os seres celestiais e angelicais te moldarem a perfeita imperfeição que é. E comecei a teorizar sobre os porquês. Por que você me olhou entre uma sala preenchida de personalidades distintas, e por que de tantos vazios, decidiu completar o meu. Por que você concordou em ignorar as minhas desavenças com o mundo, hipóteses mirabolantes, cigarros inseparáveis, humor carrancudo e olheiras de insônia apenas para me conhecer mais. E por que, depois de o fazer, continuou a procurar por mais segredos, experiências engraçadas, desejos enraizados da infância e qualquer coisa importante em um baú que só você, Greta, arranjou a chave. Um baú que eu só confio à você. Um coração que eu só confio à você. – dei de ombros. – No entanto, ao não achar nenhuma resposta ou razão para tais perguntas, desisti novamente. E me pus a indagar sobre a sonoridade das nossas músicas, citações e viagens. A sua cantoria matinal e esganiçada, assim como a ópera do motor de minha moto quando eu te levo para meu apartamento. Me empenhei igualmente em lembrar. Lembrar do dia em que você me questionou sobre meu signo, quando eu jamais quis compreender lua ou ascendente algum de Astrologia. Você sabe que eu não acredito nessas merdas, Greta. Mas quando informou que nossos signos eram um equilíbrio, fogo e água, meses após nos conhecermos, não pude discordar do fato. Talvez o meu sei lá o que em Marte, me faça ser apaixonado pela água residente em seus olhos, porque as ondas que ela resulta me trazem uma calmaria marítima e apagam minhas frustrações. – disse, sem o costumeiro desdém que carregava quando opinava sobre os astros e signos, paixões da garota de Peixes. Eu era seu rapaz ariano, como ela havia apelidado. – Talvez não saiba exatamente quantas teses se passaram pela minha cabeça durante esses pensamentos, mas eu sei que estava pensando, Greta. Em você, como faço toda vez que me pego olhando demais para seu semblante adormecido, ou quando me levo por quilômetros longínquos de alegria com sua risada. Em nós, como faço toda vez que nos fotografamos juntos, ou quando meus pais te parabenizam e agradecem por ter me mudado. Estava pensando em tudo que vivemos, assim como em tudo que ainda temos para viver, pois a juventude sempre será uma dádiva exclusivamente nossa, meu bem. Entende isso, não? – questionei-a em retórica, o cigarro se diluindo na ponta de meu indicador, e eu apenas o deixei ferver, manchando minha pele de uma argamassa cinza. – Mesmo em minha velhice doentia e sôfrega, eu me recordarei dos anos de adolescência em que furtava lojas de conveniência, fumava baseado como se o amanhã fosse algo destinado a poucos e tinha minha garota nos braços. Com você, Greta, sempre serei jovem. Em memória e espírito. – confessei, friccionando meus dedos ao soltar a base do cigarro, única peça que sobrara do tubo. O excesso do fumo se desgrudou de minhas digitais, e ao baforar o misto de química por uma última vez, voltei-me a menina. A minha menina. Ela possuía gotículas de orvalho em seus cílios, e lágrimas encamando os olhos sempre tão maravilhados e curiosos com o mundo a mercê da dona. – Por que chora, meu bem? A fumaça lhe incomodou? – perguntei em preocupação, passando meus polegares abaixo de suas pálpebras, retirando o pranto antes dele escorrer pelas bochechas salientes de Greta.

- Não, não foi a fumaça, Sid. – respondeu, risonha. E manteve minhas mãos em sua face chorosa. – Foi você, sempre foi. – seu olhar escalou meu corpo, alcançando as orbes que a analisavam demoradamente. Sorriu. – Eu nunca te contei, mas meu ascendente é em Áries. E o seu, meu amor, em Peixes. – admitiu e eu, mesmo totalmente contra as lógicas astrológicas, a acompanhei em um sorriso cúmplice. – Sabe o que isso significa, Sid? – sussurrou e eu neguei em um chacoalhar de cabeça. – Significa que somos escritos nos astros, meu amor. Sempre fomos. A nossa combinação, água e fogo, fogo e água, era para ser. Sempre foi. Entende agora, meu rapaz ariano?

- Entendo que te amo, minha garota pisciana. – selei sua boca rosada de gloss, pondo meu peso sob Greta, cobrindo-a comigo.  – É só isso que sempre entendi. – juntei nossas testas, colocando-me entre suas coxas, que circularam meu quadril. Nós trocávamos sorrisos breves e instantâneos, eu a arroxeava com sugadas e mordidas, e ela avermelhava minhas costas com suas unhas esmaltadas de azul. E por um período sem horas ou minutos, adentramos em nossa própria dimensão, uma áurea com astrologia, odor de nicotina e gemidos, filtrada apenas para nós dois. Permanecemos inertes e inebriados com a fusão e ligação que só tínhamos um com o outro. Uma conexão substanciosa e astrológica, reação química e combustão em nossas mentes e membros. O nosso equilíbrio.

Água e fogo.

 


Notas Finais


Até o próximo conto sz
Bjs no core


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...