História Contra Regra - Capítulo 82


Escrita por: ~

Postado
Categorias Ariana Grande, Justin Bieber
Tags Ariana Grande, Ashley Benson, Chaz Somers, Ryan Butler
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Palavras 2.769
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 82 - Caindo em si.


Senti o estômago embrulhar, levei alguns segundos para processar a cena que se desenrolava a minha frente. Mesmo com o braço ferido, Justin atravessou a porta do bistrô quase tão rápido quanto ao homem encapuzado. Todos se entreolhavam desesperados, a gritaria aos poucos ia cessando e gradativamente senti os olhares pesarem sobre mim.  

Tiro. Justin. Porta.

Meu cérebro ainda tentava se reorganizar enquanto eu abandonava o estabelecimento e corria os olhos por toda rua, avistando somente os pés do loiro quando virou uma esquina. Acelerei os passos naquela mesma direção, me forçando a manter o equilíbrio sobre os saltos que pareciam pesar uma tonelada diante a tensão que percorria em meu corpo.

Eu estava assustada e bastante atordoada com os acontecimentos de minutos atrás, eu sabia que havia alguma coisa errada com o cara encapuzado que vinha me perseguindo, e após vê-lo quase atirar em mim, pior, ver Justin sendo atingido no meu lugar e ainda por cima vê-lo correr atrás de um homem armado, era o suficiente para que um grande mal estar tomasse conta de mim. Eu sabia que minhas pernas não estavam firmes o suficiente para continuar correndo, mas eu precisava continuar, precisa alcançar Justin e fazê-lo parar de perseguir um provável assassino.

Cruzei a mesma esquina e enxerguei os dois há alguns metros consideravelmente distante de mim, Justin estava incrivelmente perto do homem e bastou esticar o braço para conseguir puxa-lo pelo capuz. Então eu parei. Parei de correr naquele mesmo instante, meu coração parecia bombear cubos de gelo, tamanho foi o frio que percorreu o meu corpo ao notar a arma prateada cair no chão.

O homem tentou resgata-la no mesmo instante, no entanto Justin fora mais rápido ao lhe empurrar na direção oposta, fazendo-o cambalear alguns passos para trás. Em uma fração de segundos ele recuperou sua postura e foi para cima de Justin, parecia uma disputa de igual para igual, mesmo ferido Justin conseguia acertar e se esquivar do homem de preto.

A arma continuava sobre o chão, porém perigosamente perto de onde os dois estavam, sem querer imaginar no que aconteceria caso o homem conseguisse pega-la novamente, comecei a correr na direção em que ela estava. Havia alguns rastros de sangue pelo chão, logo deduzi que seria de Justin, e aquilo fora o suficiente para que eu agarrasse a arma e apontasse a mesma na direção do encapuzado.

- Solte-o! – eu gritei apertando o metal entre meus dedos.

Justin aproveitou o momento de distração que ele teve ao olhar para mim, para acerta-lhe um soco no rosto. Ele recuou alguns passos e olhou em minha direção por alguns segundos antes de voltar a correr, atravessando a rua poucos segundos antes de um caminhão de carga passar pela mesma. Assim que pudemos olhar para o outro lado, ele já não estava mais lá, tinha desaparecido.

O olhar dissimulado que me lançou antes de correr me deixou enjoada, enjoada porque eu conhecia aqueles olhos, eu já tinha-os visto antes e sempre me causara a mesma reação, nojo.

- Spider – murmurei meus próprios pensamentos. Sentindo meu cenho formar uma leve ruga ao tentar entender por que aquele ser potencialmente desprezível havia tentado me matar.

- O desgraçado não podia ter escapado – disse Justin com a voz ofegante, atraindo meu olhar para si.

O braço direito estava manchado pelo sangue que ainda escorria impiedosamente pelo ferimento, e eu sabia que aquilo precisava ser cuidado o mais rápido possível. Escondendo a arma no bolso de trás da minha calça, me aproximei do loiro e pedi para que tirasse a camisa. Ele fez uma careta de dor ao ter que levantar o braço direito e eu o ajudei a terminar de se livrar do tecido, Justin acompanhava calado enquanto eu amarrava a blusa ao redor de seu braço para conter o sangramento. Era fácil perceber a raiva em seu semblante, ele sequer protestou quando precisei apertar o nó para garantir que estivesse pressionando o ferimento corretamente. Pude notar que também havia um pouco de frustação em seu olhar, e aquilo me fez adverti-lo.

- Você não estava em condições de fazer mais. Além do mais nem deveria ter ido atrás dele. – eu disse devagar, sem precisar disfarçar meu descontentamento.

- Ele tentou atirar em você! – exasperou as palavras, quase incrédulo – Deveria ter atirado quando teve chance. – acusou ele.

Eu respirei fundo, apenas para compreender que ele estava com raiva e que se tornava impulsivo quando se sentia assim.

- Esqueça isso por enquanto Justin, você precisa cuidar desse braço antes de mais nada. – afirmei, vendo-o suspirar e consentir contra a vontade.

- Isso não vai ficar assim. – ralhou ele, passando abruptamente por mim.

 

(...)

 

Já passavam das oito da noite quando Justin finalmente acordou, ele havia passado por uma cirurgia para a retirada da bala naquela manhã e desde então permaneceu no hospital para se recuperar. Eu estava sentada em uma poltrona ao lado da cama, observando fielmente as gotas de soro pingando no equipo, quando notei seus olhos abrindo devagar.

- Odeio hospital. – disse em um sussurro, analisando o ambiente branco ao seu redor.

Eu sorri diante sua reclamação, tão Justin.

- Só estavam esperando você acordar para dar alta. Ryan e Chaz estiveram aqui. – disse enquanto o observava sentar – E tem uma outra pessoa querendo te ver. – disse eu, já prevendo sua reação.

Justin estreitou os olhos por um instante como se precisasse pensar, e em um instalo me olhou de forma contrariada.

- Você contou para Pattie?!

Dei de ombros. Nunca fui muito boa em lidar com situações em que alguém aponta uma arma para mim, mas quem acaba levando o tiro é meu lindo marido. Precisava de alguém para me amparar.

- Ela está lá fora. – disse simplesmente.

Ele revirou os olhos como uma criança emburrada, sabia que detestava quando Pattie ficava a par de situações como aquela, mas eu simplesmente não pude evitar.

Me levantei e caminhei até a porta branca, fazendo sinal para que Pattie pudesse entrar. Ela sorriu em complacência deixando com que leves rugas se formassem nos cantos dos olhos, e caminhou até onde eu estava, adentrando o cômodo enquanto eu fechava a porta atrás de mim, deixando-os a sós.

JUSTIN’s POV –

Pattie ocupou a poltrona que Alana estava há poucos segundos atrás, lançando-me um olhar tranquilizador. Eu odiava hospital justamente por uma daquelas causas, todos te olham como se você fosse o ser mais frágil do mundo naquele momento.

Argh.

Eu estava bem! O que era um tiro no braço? Não era como se eu tivesse tomado dez. Não. Era apenas um. E no braço direito ainda. Eu não poderia ser mais sortudo.

Mas agora eu tinha Pattie me encarando com seu par de olhos cristalinos, de alguma forma, eu me sentia como um pirralho de oito anos quando ela me encarava daquela forma.

- Como você está? – ela disse o que eu estava prevendo. Bufei.

- Ótimo! Só estou aqui porque acho tudo mais confortável do que a minha casa, pensando até em trocar essa cama pela minha.

Pattie piscou calmamente, como quem já estivesse acostumada em lidar com minhas ironias. O que só me fazia querer bufar mais e mais. Ela não podia mais me olhar daquela maneira, aquele olhar me fazia querer assumir um “ta bom mãe, fui inconsequente outra vez”, mas eu clara e obviamente não faria aquilo.

- Alana ficou preocupada. – suspirou, se aproximando um pouco mais da borda da cama – Até quando, Justin? – perguntou ela, como se eu já soubesse do que estivesse falando.

Mas não. Eu não sabia.

Permaneci em silêncio mantendo minha melhor expressão de desinteresse enquanto esperava com que ela inevitavelmente continuasse a frase.

- Quero que sabia que eu nunca espero que aconteça esse tipo de coisa com você, mas estou sempre preparada. E quero saber até quando você vai continuar colocando sua vida em risco.

- Pattie – ela me olhou feio pela milésima vez em menos de dez minutos – quero dizer, mãe, digamos que não é uma boa hora para lições de moral, e como pode ver, a única coisa aqui que precisa melhorar é meu braço não minha conduta.

De fato não era uma boa hora, nem mesmo um bom dia, ou até mesmo uma boa semana para aquele tipo de conversa. Os últimos dias tinham sido cheios o suficiente para que a última coisa que eu quisesse fosse ter minha mãe enchendo meus ouvidos sobre coisas que ela provavelmente estaria certa, tudo porque Alana não conseguia ficar de bico calado.

- Não falo por mim, Justin. Até porque me forcei a acostumar com suas escolhas, sei bem as razões que te levaram até elas. Mas ela não, Alana nunca irá se acostumar com situações como esta, e é por isso que eu vim até aqui.

Deixei que um riso descrente escapasse, eu sabia que estava longe de ser o certo da história, que o caminho que escolhi também estava longe de ser o melhor, eu sabia. E justamente por isso eu me esforçava para manter as pessoas com quem eu me importava em segurança, e funcionava, de um jeito torto mas ainda sim funcionava.

- Eu sei o que estou fazendo. – disse apenas.

- Não, não sabe. Não sabe porque não me parece tão importante o que aconteça com você. – Ah qual é! Não era como se eu quisesse morrer também – Você pode não se importar com um acidente ou outro, mas isso não significa que pode colocar sua vida em risco sem levar em consideração os sentimentos de quem te ama Justin, são essas pessoas quem sofre. É na Alana que dói, e mais pra frente, será no Chase que irá doer. Porque eles precisam de você. Então, se você ao menos se importa com eles – ela frisou a última palavra – pense até quando eles podem suportar essa vida.

- Eu estava tentando protege-la! – ralhei.

- Claro que estava! – retrucou minha mãe – Também estava tentando protege-la quando a abandonou e saiu correndo atrás de um cara armado?

Eu tentei responder, mas não havia uma resposta para aquilo. Eu me senti cego pela raiva quando a vi sob a mira de uma arma, mais furioso ainda por saber que se eu não tivesse entrado em sua frente a tempo, era nela que o tiro teria pegado, e suportar a ideia daquele acontecimento foi o suficiente para me fazer correr atrás do desgraçado que queria matá-la. Simplesmente não houve espaço para parar e pensar no que eu estava fazendo.

Pattie percebeu que eu não responderia e se levantou da poltrona, se despedindo e saindo do quarto em seguida. Já fazia algum tempo, ou melhor, anos que minha mãe não me jogava a realidade na cara daquele jeito, mas dessa vez tinha sido diferente, pude sentir a amargura em suas palavras, a forma distante que falou comigo. E eu não podia culpa-la por ter se afastado. Não quando dei motivos o suficiente para que ela assim fizesse.

Droga.

Eu não precisava de uma reflexão naquele momento, querendo ou não as palavras de Pattie latejavam em minha cabeça, assim como os pontos em meu braço. Eu precisava ir para casa. Ir para casa e beber, beber até sentir uma única ardência, o álcool em minha garganta.

Durante o caminho para casa, Alana fazia um comentário ou outro sobre Pattie, e eu precisei reprimir a vontade de proibi-la de ligar para minha mãe a cada vez que me metia em uma ruim. Mas para a minha incrível sorte, junto a esse pensamento me vinha a voz de Pattie “é na Alana que dói”, e estava ali outra pessoa que eu não podia julgar. Não podia culpa-la por ter procurado socorro em Pattie, não podia querer que aguentasse a barra sozinha a todo instante. E pela segunda vez no dia, me pegava me colocando no lugar do outro.

Nunca havia feito isso antes, e se tivesse, garanto que foram bem poucas. Era difícil lidar, no entanto com a sensação, era difícil aceitar.

Eu precisava beber. Não porque eu queria me esconder atrás da bebida como tantas outras pessoas faziam, e sim porque era no álcool em que depositei meu verdadeiro eu, o eu que não me julgava por sentir, por me importar, o eu que me deixaria pensar com mais clareza em tudo que Pattie havia dito.

Me senti aliviado quando finalmente pude me trancar no escritório e ir enchendo o copo em doses cada vez mais altas, até que fosse irrelevante usá-lo, bebia diretamente da garrafa.

Não fazia a menor ideia de que horas eram, ou de quanto tempo eu me mantinha ali. Mas uma coisa era certa, eu não conseguiria dormir naquela noite. Não que isso fizesse diferença para mim, porém as palavras de Pattie insistiam em não me deixar em paz. E acabava que eu inevitavelmente me pegava pensando no possível sofrimento que minha morte causaria em algumas pessoas. Não que eu estivesse pensando em morrer ou que deixaria que isso acontecesse facilmente, mas eu sabia que aquele caminho era de guerra. Que meus dias estavam sentenciados entre o ódio e a sobrevivência, afinal, aquele era quem eu era, certo?

Sequer me lembrava como era dormir e acordar sem precisar olhar no espelho como se fosse meu último dia... Como era mesmo aquela frase? “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. E dessa vez eu tinha cativado algo muito além de inimigos, eu tinha cativado uma pessoa a quem eu unicamente me importava, alguém que não merecia passar a vida inteira fugindo da morte, alguém que não merecia pagar esse preço para estar do meu lado. Eu me levantei decidido a mudar aquilo, caminhei para fora do escritório enquanto mandava uma mensagem para Chaz e Ryan, não queria perder tempo.

De fato já havia amanhecido, porém pela fraca claridade deduzi que ainda era bem cedo. Subi os degraus para o andar superior agradecendo por já não estar sob o efeito da bebida, do contrário correria sérios riscos de topar os pés – senão a cara – em todos os degraus.

Adentrei o quarto da forma mais silenciosa que podia, Alana ainda dormia e eu evitei observa-la por muito tempo. Vê-la dormir era uma espécie de oásis para mim, e naquele momento eu não podia me deixar distrair. Peguei uma mochila que estava em um canto do closet e alguns objetos que estavam trancados em uma gaveta que só eu tinha a chave. Caminhei de volta para o quarto me esquecendo completamente que deveria fazer silêncio, e joguei a chave sobre uma mesinha de vidro. Levei a mão a testa ao perceber Alana abrir os olhos e foca-los em mim.

- O que está fazendo? – disse ela enquanto esfregava os olhos, ainda sonolenta.

- Ainda é cedo, volte a dormir – respondi caminhando pelo quarto.

- Justin – chamou, me fazendo parar e encara-la. Suspirei, ficava tão linda daquela maneira, de pijama e com o rosto marcado de sono. – Você vai sair?

- Tenho umas coisas pra resolver. – tentei ser breve.

Alana movimentou o corpo até se sentar na borda da cama, já não aparentando estar com sono, suas mãos enlaçaram seus fios de cabelo até ajeitarem em um coque no topo da cabeça.

- Você sempre tem coisas para resolver, Justin. Por que não fica em casa hoje? Não sei se quero ficar sozinha.

- Lucy e Kenna estão em casa pelo o que eu bem me lembro, sem contar a centena de seguranças que estão lá fora. Você não está sozinha Alana.

- Você tem mesmo que ir? – disse ao se levantar, parando seu corpo de frente ao meu – Depois de ontem eu... Eu fiquei com medo, ok? Não quero que aconteça de novo. – suas mãos seguraram meu rosto, me permitindo sentir a maciez e o perfume que sua pele trazia.

- Lana, eu sei me cuidar. E é justamente para que não aconteça de novo que eu preciso ir – afastei suas mãos do meu rosto, segurando-a pelos pulsos.

- Por favor – pediu em suplica – esqueça isso, nós estamos tão perto de destruir os arquivos do FBI e conseguir sua liberdade. Pra que ir atrás do Spider? Pra que insistir nessa vingança idiota?

Às vezes era difícil fazer a coisa certa, e muito mais difícil explicar. Então eu lhe dei as costas e caminhei em direção a porta. Não sem antes ouvir seu aviso.

- Se você passar por essa porta, estará escolhendo sua vingança, não sua família.

Pude sentir a frieza em suas palavras, embora a voz tivesse soado um pouco trêmula devido ao nó que provavelmente tinha se formado em sua garganta. Permaneci onde estava por alguns segundos, e então sem olhar para trás, eu sai.


Notas Finais


Spoiler com algumas "cenas" do que virá nos últimos capítulos: https://www.youtube.com/watch?v=OZtzuNRUusQ


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