História Convivendo Com Um Vampiro Estrangeiro - Decendants Vol. 1 - Capítulo 30


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Comedia, Humor, Romance, Sexo, Vampiro
Exibições 195
Palavras 4.960
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ecchi, Ficção, Hentai, Luta, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


LET'S RAISE A GLASS OR TWO
TO ALL THE THINGS I LOST ON YOU

Pessoaaaaar T.T que saudade. Passei um perreeeeeengue. Tive 2 semanas de trabalho da faculdade diretão e depois prova T.T meu olho até ficou bichado por estresse. Me desculpem, mil perdões de verdade, mas além disso tudo ainda tive bloqueio criativo. Assisti anime, vi filme pra ver se ativava minha imaginação mas eu empaquei mesmo, sem previsão de retorno, porém, como uma dádiva dos ninjas, Moisés abriu o mar da criatividade e falou "passa, minha filha", agora tô aqui. Obrigada por esperarem, e que isso? Quase 200 favs, é isso mesmo? Vou chorar. Obrigadão a todos vocês, e, avisando novamente, por mais que eu demore não vou excluir; eu vou terminar com um final decente.
Enfim, agora vão ler kk espero que gostem, lutei muito pra fazer esse cap kk bjs
AH! Se algo sair "errado" tipo, não fizer sentido com o que já passou da história, me perdoe porque fiquei tanto tempo sem escrever que já não sei mais o que escrevi kk principalmente em relação ao final do cap

Capítulo 30 - De camaleão para Smurf


As vezes eu me pergunto como nosso namoro conseguiu durar por quatro fucking meses. Na verdade verdade mesmo, me pegunto como é que eu consigo lidar com essa coisa sugadora de sangue, viciado em sexo a qual vulgarmente chamo de namorado. Sério. Quando eu paro pra pensar eu me sinto uma domadora. Mas meio que uma domadora honrosa, já que, aparentemente, eu fui a única que conseguiu domar esse mosquito disfarçado de vampiro lindo.

Domadora de paciência também, né; porque oooolha, vou te contar. Haja, MAS HAJA, paciência e calma para conviver com esse vampiro estrangeiro. Nunca me senti tão forte ao ter noção que com ele eu consigo me manter na linha. Pelo menos tento. Olha, se eu bebesse, a essa altura do campeonato eu teria virado alcoólatra. Não sei como sobrevivemos até Dezembro juntos, realmente não sei.

Mas aqui estamos, perto do natal… nosso primeiro natal juntos, estou ansiosa! Já imagino tanta coisa romântica e fofa! Minha família reunida na mesa, ceando, com castiçais acesos, comida farta – o que eu realmente espero que tenha, porque quero comer que nem um elefante africano fêmea! Uma pequena e bela elefanta. - risos, sorrisos, conversando sobre o casamento do Igor e da Fê, planos de filhos, perguntas sobre quando iria ser a minha vez, daí o Zaph olharia nos meus olhos intensamente e falaria algo lindo… é, não vai acontecer. O que? Minha família cear decentemente? Pff. Com o Zaph então, HA, não me faça rir. Me faça rolar na lama, mas não em faça rir.

Pensando nisso, essa expressão não faz sentido. Por que não fazer rir? Rir é bom. Melhor que rolar na lama.

Falando em lama! “Minina”, não é que eu dei uma de leitoa e fui me enlamear? Pois é, abriu um spa aqui perto, novo, bonitinho. Bonitinho demais até pro padrão de pobreza desse meu bairro. Entre ruas esburacadas e muros pichados, eis que brota a fachada de um spa digno de classe média alta, ou seja, digno de mim. A não ser que eu seja de classe média baixa e minha mãe me iludiu todo esse tempo. O que não seria nenhuma surpresa considerando o histórico dela, né. Enfim, ajeitando o foco da lente – Ish, gente, tô cheia das expressões metafóricas, ninguém me segura. HOJE EU TÔ SEM FREIO! Ai, esse funk que infecta até a mais pura das criaturas… jesus, já estou perdendo o fio da meada de novo! -, lá fui eu no spa... Pra. Quê? É incrível, onde tem Alice, tem desastre. Eris gooooosta de brincar comigo. Ela deve ter apontado pra mim quando nasci e dito “Essa, é essa que eu vou foder.” Ou então minha habilidade em ter desabilidade é fruto de uma puta macumba, de um trabalho muito do bem feito e de uma inveja filha da puta. De qualquer fooorma, aqui está meu relato: - finalmente - foi eu e minha mãe, óbvio que a guria não ia querer ficar de fora… e também foi ela quem pagou, sem ela eu não teria como ir, enfim, eu estava totalmente encantada com o lugar. Parecia que eu tinha entrado em outra realidade Saí de um ar poluído e fedorento para um ar com cheiro de framboesa, rosas e fresco. E mais, agora que o verão voltou – não que ele tenha ido embora, sabe como é o clima do Brasil. - eu fiquei por volta de uma hora debaixo daquele ventilador split de porta. Aaarh, saudade daquele ventilador. Só saí dali de baixo quando minha mãe me mandou aquele olhar “quer morrer, menina?!”, daí corri até o balcão que era onde ela estava.

Ela conversou com a atendente tão, mas tão… radiante que doía meus olhos. Loirassa, olhos azuisassos, magrassa, de dentes brancassos, e ela mesmo era brancassa, nem parecia brasileira. Ha, falou a menina que não é ruiva e tem olhos verdes. De qualquer jeito, ela era radiante demais pra mim. Parecia feliz demais pro meu gosto. Também, se meu trabalho me oferecesse um bom desconto na massagem eu também sorriria de orelha a orelha. Ela nos atendeu e falou os preços e como as coisas funcionavam lá com muita animação… eu acho que na verdade era devido ao fato de que fomos uma das primeiras clientes. Mas ok, voltando: quando ela disse o preço da massagem e do banho de lama eu juro que tentei disfarçar minha surpresa por levar uma canivetada na vesícula, mas não deu, notei porque o sorriso dela vacilou, mesmo que por um milésimo, e minha mãe me olhou de soslaio como se queimasse minha cabeça com lasers. Dei uma encolhida de “desculpa” e então meus ouvidos captaram as palavras mágicas: pacote e desconto.

Tcharam! E assim minha mãe foi convencida a pagar um dia relaxante para nós. Nada menos que o merecido depois de tantos acontecimentos conflitantes.

Primeiro recebemos a massagem, me senti mega chique além de mega zen. Tão zen que acho que dei uma cochilada. Ao menos quando reabri os olhos, escorria um filete de saliva da minha boca. Mulher, tu tem mãos abençoadas! Existe algum deus da massagem? Não? Que haja agora então a Santa Lucíola da Massagem. O nome da minha massagista era Lucíola, ela disse toda a lá Gandhi quando entrou na cabina. Gostei dela. Menos radiante que a atendente – a qual não me dei o trabalho de gravar o nome. Suspeito de pessoas sorridentes demais… elas têm um quê de psicopatas...

Depois, quando saí da saleta mais relaxante da minha vida, ajeitando a toalha, acabei encontrando minha mãe saindo da porta fosca ao lado. Seguimos uma outra mulher por um corredorzinho, rindo e contando nossas experiências, até que chegamos a um ambiente retangular aromatizado e espaçoso onde tinha, na lateral esquerda de quem entra, um vidro fosco dividindo algo que devesse ser o vestiário ou algo assim, e no resto do local, algumas banheiras enfileiradas, mas só as duas centrais continham um líquido viscoso marrom esverdeado… de primeira eu pensei em mudar de ideia, parecia o vômito de um porco. Espantei o pensamento e caminhei até um biombo que tinha posicionado ao lado de uma das banheiras, que assim acompanhava padronizada todas as outras. Atrás do biombo havia um cabideiro, onde pendurei a toalha e vesti um biquíni bege que ali dispunha. Quando saí, minha mãe já mergulhava uma das pernas na banheira com bordas de madeira e eu fiquei vendo a cena para ver se ela aprovava, então eu saberia que é seguro. Ok, minha mãe fez uma careta mas entrou até o pescoço na banheira. Nada aconteceu, ela não ficou com escamas nem guelras, chifres ou asas, então tudo bem, é seguro.

Pus um dos pés, lentamente, primeiro com o dedão e um frio percorreu toda extensão do meu corpo, de Oiapoque ao Chuí. Hehe, adoro essa expressão. Pior que conforme eu ia afundando minha perna, mais nervoso sentia por causa do geladinho estranho. Eles não tinham uma lama quentinha? Tanta lama pegando sol aí. Elas devem estar mais morenas que eu.

Óbvio. Acho que qualquer um é mais moreno que eu.

Menos o Zaph.

E provavelmente muitos outros vampiros.

O problema começou quando eu estava finalmente deitada, mergulhada debaixo de litros de lama, relaxei a nuca na almofada na borda da banheira e fechei os olhos. Quase que perguntei pra menina se não tinha pepinos, mas pra quê? Odeio pepinos, sem dizer que provavelmente ele ia cair na lama, então, deixei pra lá.

Entre pensamentos, acabei por relaxar e quase cochilei de novo. Só dei uma tremida quando alguma coisa fina e pequena tocou minha panturrilha, mas deva ter sido uma folha – lama né – então também relevei. Mas uma coisa eu não pude relevar…. Uma mão.

Senti uma mão envolver meu tornozelo, e, antes, na verdade quando eu estava prestes a abrir os olhos, puxaram meu tornozelo para cima e minha cabeça afundou na lama.

Quem quer que fosse, continuava segurando meu tornozelo no alto, então eu não conseguia levantar e retirar minha cabeça, ou ao menos meu nariz da lama. Eu estava sufocando.

Debati-me para todos os lados, parecendo uma pata que não sabe voar.

Tentei apoiar-me na borda da banheira, mas a lama escorregava. Meu fôlego estava acabando.

Meu tórax ardia, ardia, ardia. Mais do que se eu tivesse ficado sob o sol da Toscana por dois dias.

Meus movimentos foram ficando letárgicos, estava já sem coordenação motora e mal conseguia pensar em alguma coisa além de “preciso continuar vivendo”. Eu me recusava a morrer na lama. Sério, que morte mais tosca. Imagina chega lá no céuzinho e perguntam “Ah, como você morreu?”, e eu respondo lindamente “Afogada na lama”. Faça-me o favor! Nem ferrando que passo por isso!

Quando senti que meu limite chegando e que meu pulmão ia pras cucuias junto com a minha vida, eis que sinto a pressão da mão no meu tornozelo simplesmente, PUFF, sumir. Parecia que o ser abençoado pelo Satanás que estava segurando meu pé, se teletransportou ou algo assim, porque o apertão desapareceu de uma hora para outra. Porééém, isso me deu a possibilidade de emergir.

Ergui minha cabeça para a superfície tomando uma golfada de ar. Logo um acesso irritante de tosse me acomete. Tosse, lama na boca, nos olhos, no cabelo. Eu estava um espetáculo!

Sentia minha cabeça pesar de tanta lama emplastada que tinha, conseguia nem enxergar um palmo à minha frente porque o cabelo estava tampando. Então dividi o cabelo enlameado um dia ruivo, como uma cortina e limpei os olhos com os dedos.

Enxergando novamente – mais ou menos perfeitamente -, o ambiente estava simplesmente – Jesus, quanto sufixo “mente”! - silencioso. Olhei para os lados e não via nada a não ser as banheiras e nem sequer minha mãe estava a vista na banheira ao lado.

Um pensamento preocupante me veio: e se tivessem pego ela? Meu coração deu um único e forte pulo.

Chamei por ela me virando na banheira, observando todo o lugar quando notei um único vestigio de que tinha alguém a mais ali: Rastros de lama no piso. Pingos perto da minha banheira, que iam seguindo e diminuindo conforme se afastava em direção à parede de vidro embaçado de um dos lados, e o pior, havia sangue misturado à lama. Desta vez meu coração nem pulou; ele simplesmente travou.

Quando chamei por minha mãe novamente, minha voz estava trêmula, mas fiquei um pouco aliviada quando vi uma silhueta através do vidro caminhando. Porééém, quando a silhueta se revelou ao passar pela porta, eu fiquei mais espantada do que temerosa.

- Zaph?

Pois é. Tinha que ser. Só que eu nem imaginava o porque de ele estar lá. Depois que me toquei que ele estava com os olhos vermelhos e limpando um pouco de sangue da boca.

A primeira coisa que perguntei enquanto ele continuava caminhando em minha direção, com a musculatura toda tensa, era onde estava minha mãe. Ele não me respondeu até se aproximar, e sentar na madeira que circundava minha banheira.

Eu estava com uma cara, ou imaginava estar com uma cara de “que porra é essa?” mas nada saía da minha boca. Só esperei ele levantar os olhos alaranjados pra mim, ainda com um resquício de raiva que quase me arrepiou, e a bomba veio:

- Vampiro.

Zaph tinha dito que um vampiro havia invadido o spa, me achado e pretendia me matar. Eu perguntei como isso tinha acontecido e ele farejou o ar. Disse que eu estava exalando cheiro de sangue antigo. Desculpa, mas me senti ofendida ao ser comparada a um saco de sangue velho.

Mas ele explicou que, conforme a idade de maturação vampírica ia se aproximando, sinais de uma possível transformação ia surgindo aos poucos. Tato, paladar, ofato e visão, respectivamente. Isso fez sentido quando meses antes me tinha ocorrido coisas estranhas, tipo, eu me sentia supersensível, em contraposição, quebrei a maçaneta do meu quarto. Ela tá lá, remendada e caída até meus pais comprarem uma nova. Também derrubei uma estante quando me apoiei nela pra pegar um livro, trinquei o vidro da mesa quando bati nela com raiva, estraguei o controle da TV, quebrei a pia do banheiro da escola. Se bem que aquilo lá já devia estar ruim antes de eu chegar.

Por isso até que ele parou de me morder, com medo de ativar minha transformação.

E além disso, vocês aí se preocupam com a oleosidade da pele tente lidar com uma cobertura de Amoeba! Até pouco tempo atrás, eu estava com a pele estranhamente pegajosa. Eca. Me sentia um sapo caramelizado. Alguém já viu O Castelo Animado? Pois então, acho que se você já assistiu já deve ter associado as coisas...

Não muito tempo depois, comecei a sentir mais os gostos. Tudo ficou mais… forte. Nem consiguia comer nada acompanhado do meu amado katshup sem minha língua arder em chamas. Ou então uma gota de limão já era o suficiente para eu ter uma convulsão. Sem dizer, claro, que minha língua mudava de cor.

Sim, virei um camaleão.

Óbvio que não mudaaaava tão radicalmente, era tipo, lances de cor, sombreados… no primeiro dia foi rosa, por isso nem notei, só comecei a notar quando depois do vermelho veio o laranja, e no outro dia acordei e vi minha língua verde. Ok, aí eu assumi que algo estava muito errado.

Na escola a Ju me pediu pirulito daí eu perguntei se ela estava louca porque eu não tinha nenhum ali comigo e ela me perguntou “então como explica essa sua língua azul?” AZUL! Dá pra acreditar? De camaleão para Smurf. Quando olhei no espelho de maquiagem que ela carregava na bolsa, parecia que minha língua pertencia a um cadáver. E o que eu disse para elas? A verdade, oras, que não sabia de onde aquilo tinha vindo. Ju arrastou a cadeira pra frente dizendo para eu me manter distante.

No mês seguinte e mais recentemente, não senti nenhuma mudança. Meu paladar e minha língua tinham voltado ao normal – ou pelo menos eu havia me acostumado –, minha pele também não deixava mais fios de gosmas onde quer que eu tocasse, mas aparentemente Zaph e os outros vampiros perceberam: meu cheiro.

Eu não senti nada diferente, para mim meu olfato estava como sempre, mas depois desse episódio do spa, eu meio que senti meu nariz entupido e depois com muita, mas muita coriza. Era como se toda a gosma que tinha sobre minha pele tinha ido para minhas narinas. E-qui-nha.

Ah, claro, transamos no spa. Não podíamos desperdiçar a chance de realizar um fetiche de filme pornô e trepar na sala de massagem.

Então agora só falta a visão. Fiquei imaginando como seria. Se eu teria visão raio-x, visão biônica, poderia mudar os filtros… ativar um byakugan, sharingan, sei lá. Mas pelo que Zaph me disse, não. Até onde ele sabia iria só mudar um pouco a coloração da minha íris. Uuul, ainda assim é show.

Nos outros dias que se seguiram, não teve muita novidade… tirando o enxame de vampiros no meu encalço!

Eu pensei que ia adorar encontrar outros da espécie, mas não assim, Deus! Sabe aquele lance de “cuidado com o que deseja”? Então.

Teve uma vez em que eu estava voltando da escola e um surgiu do bueiro! DA PORRA DE UM BUEIRO! Eu pensei que fosse um zumbi! Até pensei “pronto, começou o apocalipse e eu nem tenho minha dispensa cheia pra sobreviver”. Mas eis que então o Super Zaph chega e dá uma voadora no cara. Desculpa, mas eu ri. Sem dar brecha pra ele levantar, Zaph foi e quebrou o pescoço.

Eu fiquei um pouco… espantada, pra dizer o mínimo. Quer dizer, não é todo dia que um vampiro quebra o pescoço de outro na sua frente. De qualquer madeira não é muito comum ver alguém quebrando o pescoço.

Eu espero né.

Depois veio um moreno sensual, ui, deu até uns arrepiozinhos, maaas… era sádico. Ser vampiro já não bastava, tinha que ser sádico. Ele estava mexendo no celular escorado na parede quando eu passei pra ir na padaria comprar pão, daí farejou o ar como um cão e veio quase que babando atrás de mim. Quando eu olhei pra trás sentindo uma presença estranha, eu o vi me seguindo com um olhar lunático e literalmente babando! Daí eu apressei o passo mas parecia que quanto mais eu andasse rápido mais próximo de mim ele ficava, daí eu surtei quando vi as presas dele e danei a correr. Joguei tudo pro ar, foi saco com pão, foi chinelo… até que vejo uma sombra acima de mim e pensei que ele tinha se jogado pra cima de mim e me encolhi na calçada. Quando abri os olhos, não vi nada.

Quer dizer, sim, eu vi, a rua, as pessoas me olhando estranho… o que eu não vi foi meu corpo morto, derrubado no chão e destroçado por um vampiro. Ao invés disso, eu vi o corpo dele morto, derrubado no chão e destroçado por um vampiro.

Zaph teve que ficar segurando meu cabelo enquanto eu vomitava.

Chegando em casa, eu conto a minha aventura para minha mãe e o que ela faz? Em vez de ficar agradecida que sobrevivi mais um dia pra contar a história, ela quase come meu rabo com ovo mexido quando eu disse que joguei o pão pro ar e perdi meu chinelo. Minha mãe sendo minha mãe. Acho que velhos hábitos nunca mudam.

Zaph tem me vigiado constantemente, agora mesmo ele está prostrado na minha janela como uma gárgula. Uma gárgula bonita.

Eu nunca entendi. Dizem que as gárgulas foram feitas para manterem os maus espíritos, demônios, distantes, mas então porquê elas se parecem com demônios?

Hm, nisso de espantar os demônios, será que há magia nelas?

Olhei para Zaph à minha esquerda de onde estou na cama, deitada mexendo no celular.

- Ei, vampiro, gárgulas são mágicas?

Ele olhou pra mim com cenho franzido.

- Quê? De onde tirou isso?

Parando para pensar, ele também está parecendo o Ynuiasha. Hehehe, meu cãozinho de outra era. Não era, outra terra. SENTA!

- Sei lá, estava aqui pensando…

- Que bom que estava pensando, é bom variar as vezes.

- He-he, que engraçado. - Ele sorri e eu derreto. - Mas sério, é que eu estava pensando se, sei lá, elas são feitas para manter os maus espíritos longe, se não tem magia nelas pra isso.

Zaph pisca para mim, olha para fora, depois decide saltar da janela e sentar na cama ao meu lado, com as pernas para fora.

- Assim, até onde eu saiba, as gárgulas são criaturas da noite. - Oi? Ele deve ter entendido minha expressão porque suspirou cansado. - Tipo, vou te explicar. - Ele puxa uma perna para cruzá-la sobre a outra. - Sabe, não existe só vampiros por aí, te disse isso, não? Gárgulas são criaturas vivas, porém do nascer do sol até o pôr dele, elas se mantêm escondidas nas sombras, nas penumbras da cidade, geralmente mais no subsolo mesmo. Pois é, draga mea, - tá me chamando de draga ou de dragão? - abaixo dos seus pés há uma cidade e um mercado todo e completamente atípico. - Meus olhos se arregalaram.

- Uma cidade de criaturas?! Meu Deus, Zaph! Preciso ir…!

- Não pode. Mesmo que eu quisesse te levar, você seria pulverizada entre uma entrada e outra do portal. Só entra quem tem magia no sangue. Se bem que na sua veia também corre o sangue do tio Drac… hm...

JE-SUS.

Estou mesmo ouvindo isso? Parece tão… Meu Rá, quando foi que minha vida se tornou tão sobrenatural?

- Enfim, sobre as gárgulas. Elas fazem parte do que chamamos de Criaturas da Noite, assim como os vampiros e mais dezenas de outras raças, elas sim viram pedra quando expostas à luz solar. Geralmente é por causa dos Guardiões da Noite, que pegam eles quando infringem alguma lei e tal, e então essas são postas na igreja. Mas a princípio, sim, elas são criaturas mágicas, mas não sei como surgiram, se foram iguais a nós, ou se continuam com magia após serem petrificadas. Duvido muito.

Eu tô é pasma.

Criaturas da Noite? Uma cidade só delas sob a nossa? Portais? Guardiões da Noite?

É muita informação pra tão pouco tempo. Ainda tô me acostumando com a novidade de ser descendente do Drácula. Na verdade, do… qual o nome do bicho mesmo? Petar alguma-coisa.

Depois dessa descoberta 'maravilinda' – 'maravilinda' até alguma dessas criaturas me atacar -, para onde quer que eu olhe eu busco novas criaturas, tô quase saindo perguntando. Até mesmo quando passo por um beco fico olhando pro escuro vendo se consigo achar uma gárgula. Mas Zaph também me disse que há as Criaturas do Dia, assim há um Guardião para cada tipo. E além deles, tinham os Vigilantes – que cuidam de coisas divinas – e os Exorcistas – que, como dá pra imaginar, detém os demônios e espíritos.

Sendo assim, Zaph seria uma Criatura da Noite, mas e os lobisomens e magos? Aí ele deu piti porque era um assunto extenso e complexo para gastar o tempo explicando para uma reles mortal. Quase dei na cara dele! Reles mortal teu rabo! Mas, infelizmente, não pude discordar. AINDA. Porque, por mais que eu fosse tatara-tatara-tatara-tatara-tatara-tatara… neta do Drácula ou do Petar, eu ainda era-barra-sou humana. Affs.

Enfim, ele apenas disse que quanto a isso, existem criaturas que se confundem por suas características, mas Lobisomens também seria da noite por se transformarem com a lua e ele falou que nós confundimos muito magos, feiticeiros, bruxos, alquimistas e etc, de acordo com Zaph – e eu confio nele já que parece uma enciclopédia sobrenatural ambulante -, todos se diferenciam.

Daí, eu já tive minha cota de ridicularização por hoje. Paguei um leve mico na escola quando a professora de Literatura estava falando sobre José Saramago e a ironia com a magia e tal, feitiços, bruxaria, então dei uma de “gênia” e falei que há uma diferença entre magos e feiticeiros e bruxos: os magos mexem com magia de criação, bruxos com magia de alteração e feiticeiros com magia de sustentação. Creatura, Recensere e Levate, respectivamente. A de criação, o nome já diz, eles criam coisas a partir do zero; a de alteração junta, acopla, precisa de matéria-prima e a transforma; a de sustentação é uma complementação, suporte, sustenta a irrealidade de forma a apoiá-la… Um genjustu, hehe. Então eis que a professora cruzou os braços e levantou uma sobrancelha me mandando dizer qual era a magia usada no livro Jangada de Pedra que ela pedira no início do ano.

...Eu não tinha lido o livro. Desculpa sociedade, não sou uma aluna tão exemplar assim. Então, deste modo, foi levemente humilhante.

Suspiro revivendo a cena na minha cabeça.

- Relaxa, - Ju, ao meu lado direito do banco, dá uma mordida no hambúrguer de forno, de olhos fechados, degustando o sabor. - Você não foi a única que não leu. Eu tentei, mas cansei na segunda linha.

- Mas eu podia ter ficado de boa calada, não podia? Podia sim. - Suspiro mais uma vez. - Capaz dela tirar ponto por isso.

- Fica tranquila, - ela estica o hambúrguer para mim e eu tiro uma mordida. - você sempre vai bem em prova de literatura. Já eu, pff, não quero nem tocar no assunto. É escadinha, Melissa tira a nota mais alta, você a mediana, e eu a mais baixa. Nem vem me consolar, que é verdade. - Ela morde mais um pedaço. - Só não é escadinha em tamanho, aí você é a mais baixinha.

- Abusada.

- Te amo.

- Se me ama vai me dar mais um pedaço do seu hambúrguer. - Inclino-me na sua direção e ela fasta o lanche de mim.

- Pede à Melissa, ela também te ama. Além disso veja os pontos positivos: irá variar no sabor, o dela estará mais fresco, mais quentinho… além disso, cadê o dinheiro da senhorita?

- Sou uma pobre menina. Agora me dê esse hambúrguer! - Estico-me para tentar pegar o hambúrguer da mão dela, mas ela só o afastou mais de mim, rindo, enquanto eu quase que subo em cima dela pra tentar pegar. - Por favor, moça! Tô passando fome!

Foda-se, subi em cima dela mesmo. Ju solta um gritinho junto a um riso quando eu prendo o pulso dela, mas ela ainda tenta… ah, viada! Ela me arranhou! Ah é? Só por isso…

- Gente, o que é isso?

Ouvimos a voz da Melissa atrás de mim.

- Ela quer roubar meu lanche! - Julia grita enquanto que eu… ai… que menina forte! Cadê aquela minha força estranha quando eu preciso dela?!

- Alice, por que você não…

- Sem dinheiro. - Respondo sem olhá-la, tentando ainda… ai, tô quase conseguindo!

- Ah. Quer um pedaço do meu?

- É hambúrguer?

- De frango. - Solto Julia de imediato e quando viro para Melissa…

- Aceito. - Ouço um gritinho de Julia atrás de mim. Acho que ela caiu do banco quando a soltei. Bem feito, não quis ser uma boa amiga.

Tiro uma mordida do lanche de Mel e mostro um sinal de positivo. Ela estica os lados os lábios meigamente, mas logo some com o sorriso e, opa, inclina o rosto na minha direção. Espero pacientemente sua análise enquanto mastigo e então suas sobrancelhas se erguem.

- Seus olhos…

- O que tem eles? São lindos, eu sei.

- Não, eles estão…

- Inchados?

- Coloridos.

- Colorido? Do que você-OOOOH!

JESUS, JESUS! Aconteceu! Minha visão começou a mudar!

Corro em direção ao banheiro e, argh, esqueci que nesses espelho sujo dá pra enxergar nada. Mas mesmo assim, vasculho e acho um canto menos pior na lateral, e aproximo-me bem. Esbugalho os olhos tentando encontrAAAAH! Gente! Meu olho… ai que lindo!

Partindo da pupila, há uma nova pigmentação vermelho acobreado, mas tipo, tá muito pouco, bem pouco. Isso deve se expandi pra toda íris né? O que que faço? Quer dizer, as pessoas vão perceber. Por enquanto só Melissa e Zaph perceberam os sintomas mas só o do cheiro e da gosma. Quando fiquei pegajosa, me limpava toda hora, acho que eu nunca tomei tanto banho em toda minha vida quanto eu tomei nos últimos meses, mas daí eu disse à Ju, quando ela me pegava limpando a mão que vira e mexe deixava algo melado, que era suor. Do nariz foi resfriado, mas e agora do olho? Vai ser o que? Que doença muda a cor dos olhos?

Vou dar uma pesquisada rápida no celu… ah, não acredito. Sem crédito. Aff.

Voltei para o pátio e andei correndo… nossa “andar correndo” é levemente contraditório, Alice, fale direito, mulher, eueim. Enfim andei APRESSADAMENTE até elas que estavam sentadas no banco.

- Mel, me empresta o seu celular? - Melissa apenas o estendeu para mim enquanto sugava um guaracamp pelo canudo. Como ela consegue disfarçar que gosta daquilo? - Tá com crédito? - Ela anuiu.

La la la… Google cadê você… ah, aqui. Hm, doença que muda a cor dos… ah, tá aqui já. Olha, existe. É… quê? Heterocrômia. Ok, ok, vou ter isso de agora em diante para as pessoas.

- Valeu. - Devolvo o celular dela e, apesar de ter que dizer que eu estou com uma doença ocular e aparentemente genética, eu estou até que feliz. Quer dizer, meu olho vai mudar de cor!

Ah, mas não deve durar muito, assim como os outros sintomas.

Sintomas… idade de maturação…. O que me lembra:

- Melissa, posso dar uma palavrinha com você um instantinho?

- Que isso? - Julia se sobressalta - Panelinha? Segredinho? Que absurdo! Espero que seja para falar de uma festa surpresa pra mim.

Eu e Melissa sorrimos e nos afastamos. Não ficamos tão distantes, apenas nos escoramos numa pilastra próxima dali, para a Julia não pensar que estávamos excluindo ela… se bem que era isso mesmo.

- Ehr, eu queria te perguntar algo.

- O que foi Alice?

Os olhos dela refletem preocupação.

- Nada de mais, só...você me transformaria numa vampira se eu te pedisse?

Encolhi-me com medo da resposta, e Melissa apenas arregalou seus olhos claros de cílios escuros.

- Alice, eu… por que isso? - Dei de ombros.

- Esses sintomas demonstram minha maturação, Zaph não tem sugado meu sangue desde que começou porque…

- Ele sugava seu sangue com frequência?!

- Bem, ehr, talvez um pouco.

- Alice!

- Ok, esquece isso! Foca no que eu te perguntei!

- Alice, não posso…!

- Shiu! Me ouve! - Interrompi-a. - Ele não toca mais suas presas em mim com medo de se não aguentar e acabar me perfurando, e se me perfurar agora é provável que eu vire uma vampira. Ele não quer, ele se nega totalmente a me transformar.

- Alice… - Mel se mostra aflita.

- Mas eu quero! É tudo o que eu sempre quis, Mel! - Pego a mão dela com as minhas. - Por favor, e desse jeito, eu vou poder ficar para sempre com ele!

- Alice, você sabe que não sou a favor desse seu caso com ele.

- Não é um caso! Ele me ama e vampiros amam…

- Para a eternidade, eu sei. Mas ele pode estar mentindo, Alice!

- Lá vem você de novo com isso. - Revirei os olhos e troquei a perna de apoio. - Pensei que já tínhamos passado por isso.

Ela fica um momento em silêncio… um silêncio que me agonia! Ela me olha com olhos apreensivos, cautelosos.

- Mel, por favor. - Aperto a mão dela.

- Seus pais, seu irmão… a Julia.

- Eu sei, eu sei, mas… eu…

- Não haja por impulso, Alice.

- Eu já pensei bastante sobre isso, Mel. E Então: me transforma ou não?


Notas Finais


Chega, eu tava esperando para postar a soundtrack quando acabasse, mas desisto, pra quê né?
Olha, não tá completa mas o tema do Zaph seria "I'll Be Good" do James Young, o tema da Alice seria "Control" da diva Halsey, o tema dos dois seria "Suffer" do Troye Sivan, e da história em geral seria "South" do Sleeping At Last. AInda não decidi nem da Mel nem da Ju. E depois eu posto a playlist. Sim, tem uma diferença entre playlist e soundtrack kk - pelo menos para mim. u.u


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