História Coração Clandestino - OTAMV - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias BEAST (B2ST), SHINee, U-KISS
Exibições 20
Palavras 4.719
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi queridas, desculpe demorar com a atualização. Estou em semana de provas ainda, então dei um tempinho pra passar sem ficar de REC. Nesse cap. temos a inserção de dois personagens amados na história <3
Beijoooos <3

Capítulo 3 - Capítulo 2


Capítulo 2.

   Quando abri os olhos o rosto preocupado de Soonhyun foi a primeira coisa que vi, suas mãos macias acariciando-me o braço enquanto eu despertava de um sonho confuso e agitado. Seu olhar transbordava amor, abriu um sorriso generoso enquanto eu me sentava, erguendo os braços para cima para me espreguiçar.

— Bom dia! Sinto muito te acordar desse sono gostoso, mas hoje é seu primeiro dia de aula. – ela disse baixinho, meus olhos iam se acostumando com a claridade que invadia o quarto enquanto ela abria as cortinas. – Kiseop me contou do seu desmaio, Ana você precisa se alimentar melhor!

— O desmaio? Ele... Ele disse é? – perguntei constrangida, lembrando-me da cena.

— Sim, ele contou que você estava pálida e desmaiou de fome. Parecia tão preocupado e inquieto.

— Ah! Sim, certo... – murmurei aliviada. – Me desculpe, acho que até me esqueci de comer – confessei, lembrando-me mais detalhadamente dos acontecimentos da noite passada.

   Depois que omma saiu eu tomei um banho rápido, fazia muito frio naquela manhã, de modo que me apressei em vestir o uniforme, as meias e uma bota de couro preto quentinha. Quando abri a porta para o corredor, Kiseop passou por mim olhando-me brevemente, mas foi o suficiente para esboçar um risinho cínico no canto dos lábios. Estava mortificada de vergonha, então apenas abaixei a cabeça e esperei que ele passasse por mim, ajeitando a blusa de frio sobre os ombros.

   Quando descemos as escadas, Soonhyun nos esperava na sala de jantar portando uma câmera fotográfica em mãos, os olhos emocionados enquanto nos inspecionava milimetricamente. O senhor Jaeseop logo apareceu segurando duas xícaras de leite com café, seu olhar simples me deixava acanhada, mas o adolescente rebelde ao meu lado logo fez questão de azedar o clima com seu comportamento infantil.

— É apenas uma fotografia, Kiseop. Por favor filho! – ela brincou, empurrando-o para que ele ficasse ao meu lado. – Ana, você também... Chegue mais perto dele! – ela sorriu, e eu apenas obedeci automaticamente, como um robô seguindo instruções sem raciocinar.

   A foto ficou péssima. Kiseop portava sua melhor cara de nada enquanto eu, completamente distraída, contemplava o chão assistindo a um besouro atravessar o cômodo. Ela bateu palminhas, cheia de uma animação que eu gostaria de sentir também, e enquanto íamos até a cozinha ela transferia digitalmente a foto da câmera para a impressora do escritório. Lee Jaeseop entregou as xícaras quentinhas para Kiseop e eu enquanto nos sentávamos a mesa do café da manhã.

   Segundo o senhor Lee, omma sempre quis ter dois filhos, um casal na verdade. Mas devido a complicações no parto de Kiseop ela não pode mais engravidar. Enquanto contava isso, vasculhei rapidamente a expressão do garoto sentado a minha frente, flagrando certo desconforto com o assunto. Mas ao contrário do que pensei, Soonhyun parecia confortável com o rumo de nossa conversa, sorrindo sempre que meus olhos alcançável os seus.

   Comi desesperadamente naquela manhã, salada de frutas, cereais, tortilhas, sucos e panquecas. Tinha a leve impressão de que mais um pouco o botão do meu uniforme iria estourar e voar em direção ao nariz de Kiseop. Todos na mesa estavam espantados com o tamanho da minha fome e com a forma que eu comia, que era – como disse Kiseop uma vez, logo quando cheguei a Coreia – como se eu tivesse acabado de fugir da prisão.

   Eu mastigava o ultimo pedaço de panqueca, com a boca cheia, quando aquela tortura silenciosa finalmente acabou. Appa levantou-se da mesa e carinhosamente depositou uma maçã dentro de minha mochila, ato que desencadeou em Kiseop um ataque de risos e deixou seus pais confusos, mas eu havia entendido. Para ele aquilo era engraçado porque era como se eu precisasse levar uma frutinha para o caso de morrer de fome antes do almoço.

   Nós fomos para o carro em silêncio - omma nos levaria no primeiro dia, estávamos atrasados e eu morria de ansiedade. Cheguei na cidade há dois meses para me adaptar antes das aulas começarem, mas seria minha primeira vez em uma escola coreana, e principalmente se tratando da Korean School For Gifted, uma instituição que carregava o nome de melhor e mais bem sucedido colégio coreano.

   Logo que me sentei no estofado macio de couro branco ouvi o celular vibrando dentro da mochila. Quando finalmente consegui encontra-lo, vinte e cinco novas mensagens aguardavam visualização, e eram todas de Bonnie. As mensagens variavam bastante entre repetições de letras maiúsculas como “AAAAAAAAAAOAISJAÇK” ou nomes como “Doojooniajsspaks” ou “cnbluekkkkk”, e quando eu estava prestes a responder bem confusa, o aparelho vibra em minha mão com uma nova chamada.

   “Bom dia, Bonnie” eu disse, mas minha voz foi abafada por um grito do outro lado da linha. “Meu Deus Bonnie, o que foi isso?” tentava dizer o mais baixo possível para não incomodar Kiseop sentado na minha frente.

   “Você não vai acreditar, eu cheguei aqui e de repente... MEU DEUS!” sua voz estava afobada e estridente. “Meu Deus, meu Deus, meu Deus o Doo Fucking Joon estuda aqui, se você não chegar depressa vou ter um colapso!”

   “Bonnie calma, quem é DooJoon?” perguntei e ouvi Kiseop bufando no banco da frente. Aguardava sua resposta quando ela começou a surtar novamente, a respiração acelerada do outro lado da linha. “Bonnie? Ei... Você está correndo?”

   “Essa escola... Menina! Essa escola é maravilhosa eu perdi a conta de quantos ídolos da música coreana chegaram aqui depois de mim.” Ah ok, ok. Entendi.

   “Não acredito nisso, essa gritaria toda é por causa daqueles cantores que você gosta?” debochei só para provoca-la, mas ela pareceu não se incomodar com minha alfinetada, uma vez que estava gritando novamente e chorando (?)

   Não conseguia entender nada do que ela dizia, e logo depois de um barulho estrondoso, que parecia ser o grito de várias garotas em uníssono, ela encerrou a chamada. Repousei a cabeça no encosto do banco, um pouco preocupada com o fato de ídolos coreanos estudarem na KSFG também. Eu não estava muito afim de tumulto, então tinha como meta ser uma pessoa invisível durante aquele ano.

   Permaneci em silêncio por todo o trajeto até o colégio, apenas apreciando o caminho e prestando atenção em cada detalhe que compunha aquela cidade majestosa. O frio entrando pela janela me lembrava do calor contrastante do Brasil, os pedestres atravessando a rua me lembravam dos banhistas da prainha na frente de casa.

— Porque estão tão quietos? – a senhora Lee perguntou, mirando-me pelo retrovisor. – Esse silêncio está chatão. – brincou.

— Estava pensando no verão. – assumi, preferindo não falar sobre o Brasil e talvez causar nela a sensação de que não estava fazendo eu me sentir à vontade em sua casa.

— Você deve estar sofrendo com esse frio. – comentou.

   Nós conversamos um pouco e enquanto isso Kiseop caia no sono, seus fones de ouvido e olhos fechados o isolavam do mundo exterior. Não demorou muito mais para que chegássemos na porta da escola, os alunos animados em reverem os amigos depois das férias. Meninas aparentemente meigas caminhavam cobrindo o sorriso, os garotos socando uns aos outros e gargalhando audivelmente. Kiseop irrompeu pela porta do carro e seguiu colégio a dentro sem se despedir. A decepção atravessou o rosto de Soonhyun, mas logo seu sorriso sincero se abriu, glorioso, e seus braços me embalaram num abraço quentinho e materno.

— Boa aula, querida. Aproveite seu dia e faça vários amigos! – ela disse, entrando no carro e fechando a porta.

   Meu coração batia apertado no peito enquanto passava pelos portões, KSFG era ainda maior do que eu imaginava, e do que eu havia visto por foto. A direita via-se um enorme pátio gramado, bancos de madeira espalhados para todos os cantos, alunos reunidos em rodinhas, alguns garotos tocando violão rodeados por amigos. Do outro lado o prédio grandioso com cinco andares fazia uma sombra majestosa, protegendo as alunas do sol tímido no céu – eu tirei o agasalho imediatamente, tentando receber o calor daqueles raios acanhados. Andava por ali totalmente boquiaberta, vendo vários outros prédios distribuídos ao redor do campus, não tão grandes quanto o principal, mas de igual imponência. Os alunos espalhados por todos os cantos, distraídos em seu próprio mundinho e alheios a minha presença, exatamente como eu desejava.

   Porém, inesperadamente, pude perceber que de uma hora para outra alguns alunos estavam olhando para mim. Não só isso, eles estavam reparando em mim, e rindo. Pude ver Kiseop mais adiante, ele também me encarava, sorrindo como os outros. O grupo de amigos dele também ria, um deles gargalhava, mas um rosto no meio de todas aquelas pessoas novas me era familiar. Era Kevin Woo, ele não sorria – pelo contrário – seu rosto estava sério, e ele estava prestes a seguir em minha direção quando Kiseop segurou em seu braço, o impedindo de se aproximar.

   Estava cada vez mais desconfortável, passava as mãos pelos cabelos, tentando organiza-los, mas as pessoas não paravam de olhar. Fugi dos olhares o mais rápido que pude, andar por aquela área imensa estava me deixando tonta. Apressei o passo em direção ao banheiro completamente em pânico, onde estava Bonnie, afinal? O que estava acontecendo? Porque tanta gente olhando para mim e rindo?

   Quando estava prestes a entrar no banheiro e morrer, meu corpo se chocou contra um bem mais alto e forte, de modo que quase cai para trás com o impacto. Me surpreendi com a altura da garota, os cabelos ondulados na altura do queixo estavam cobrindo seu rosto.

— Ai! – eu disse confusa.

— Me desculpe! – curvou-se em minha direção e seguiu seu caminho, a voz era estranha. Tudo naquela garota era estranho, brusco.

   Também segui meu caminho em direção a porta do banheiro, e quando ia finalmente entrar uma voz me interrompeu. A mesma voz de antes, da garota.

— Ei, você vai mesmo entrar aí? – ok, certo. Não era uma garota. O garoto fez uma cara estranha de repente, talvez em resposta a minha expressão de compreensão.

— Como assim? – estava confusa.

— Você é nova aqui, certo? – perguntou.

— Sou. – respondi breve, um pouco assustada com seu interesse repentino.

— Desculpe. É estranho dizer isso, acho que nunca disse antes na verdade. – ele parecia envergonhado, e meu olhar intrigado não o deixava mais confortável com a situação. – Bom, geralmente alunas coreanas não entram no banheiro masculino, e nem usam o uniforme do avesso. – terminou abrindo um sorriso enorme. Wow. Aquele sim era o sorriso mais lindo do mundo

   Estava enfeitiçada por aquelas covinhas lindas e... Um momento.

— Do avesso? – cuspi tais palavras em total desespero – Ai não, não, não! Não! Droga. – minhas mãos  cobriam meu rosto, totalmente envergonhada – Porcaria de menina burra e desastrada, na porcaria dessa escola e porcaria de Kiseop idiota que estava rindo disso o tempo todo! – eu disse em português, o garoto na minha frente com os olhos arregalados, constrangendo-me pois eu havia me esquecido de sua presença.

— Se acalme. – ele disse, finalmente rindo do meu desespero. – Não ficou tão ruim assim.

— Ah, droga. – murmurei – Era disso que ele estava rindo o tempo todo!

— Quem estava rindo disso? – ele perguntou confuso.

   Meu olhar estava cheio de constrangimento, marejados de vergonha. Quando aquele lindo estranho, de repente, começou a tirar seu colete de uniforme, me fazendo parar de andar de um lado para o outro para encara-lo. Mesmo percebendo  meu olhar curioso em sua direção, ele continuou seguro do que fazia, e quando eu percebi suas reais intenções, foi inevitável não sorrir.  Mesmo que apenas um sorriso não fosse o bastante.

— Você é louco! – afirmei.

— Eu gosto de ser. Mas sinceramente, achei assim bem mais legal. Acho que todos podem usar do avesso a partir de agora. – ele foi andando em direção ao pátio gramado.

— Vão rir de você também. – eu disse, agora preocupada.

— Não vão. – piscou pra mim, dando as costas.

   Quem era esse cara? Tão seguro e gentil, tão lindo e encantador com o sorriso ensolarado. Sei que é preciso ter foco, me senti como a Bonnie por um momento, cheia de euforia, mas era inevitável não perder a concentração com tamanha beleza diante de mim. Eu o segui com o olhar, ainda duvidosa de sua segurança. As meninas o seguiam com o olhar e iam atrás dele aos gritos. Dei um toque no celular de Bonnie, e antes mesmo da primeira chamada ela me abraçou por trás.

   Fomos ao banheiro – feminino – juntas e eu arrumei o uniforme, contei o que havia acontecido pra ela, que gargalhou e prometeu me ajudar a descobrir o nome do garoto bonito. Não demorou muito para que ela começasse a me contar sobre os alunos famosos que ela havia encontrado, entre eles estava Doo Joon, seu ídolo e “muso” inspirador.

— Você sabe em que sala ele está? – perguntei a ela.

— Ainda não. Mas ele deve estar em uma sala selecionada, com alunos muito ricos ou famosos. Eles não deixariam esse deus da beleza estudar com meros mortais.

   Quando saímos do banheiro um flash daquele sorriso surgiu novamente em minha mente, eu olhei ao redor procurando por ele, mas não o encontrei. Pedi a Bonnie que me ajudasse a encontra-lo, disse algumas características marcantes ainda frescas em minha memória, como a cor do cabelo, o sorriso, a altura e o formato engraçadinho do seu nariz, parecido com um pimentão. Ela não se lembrava de ninguém assim.

   Andávamos pelo pátio, a grama verde e cheirosa abaixo de nós, um grupo de meninas escandalosas chamando nossa atenção e desviando nosso assunto para o tumulto em volta de alguns rapazes. Foi quando ele apareceu no meio daquela multidão de garotas, meu coração respondeu imediatamente a sua imagem, com uma euforia inexplicável. Coloquei a mão no peito como quem diz “calma lá” e reparei em outros dois garotos ao seu lado. Percebendo minha atenção, Bonnie se prontificou a dizer.

— Aqueles são os meninos do SHINee, é um grupo musical também. Ano passado muitos deles não estudavam aqui, na verdade estou surpresa com a transferência de tantos ídolos para cá.

— É ele. – suspirei.

— Ele quem? Do que você está falando?

   Então ela seguiu meu olhar na direção do Sorriso Ensolarado, muito provavelmente notou sua roupa do avesso e o associou a minha história. Ela passou seu braço pelos meus ombros, entendendo o que eu estava sentindo naquele momento.

— O nome dele é Onew. – ela contou sucinta, com o tom meigo.

   Um ídolo coreano. Bonnie sabia dos meus sentimentos, sabia da minha história, do que eu pensava sobre o amor e me apaixonar. Desde que minha vida deu muito errado com o Victor, meu ex namorado brasileiro, eu nunca pensei em algo como relacionamentos e também não estava pronta, mas o Sorriso Ensolarado, que se chamava Onew, foi tão gentil e acolhedor nesse país frio de pessoas frias, mesmo sem precisar ou me conhecer, que – admito – isso mexeu um pouquinho comigo.

   No entanto, quanto antes eu soubesse seu nome e quem ele era, melhor. Melhor que eu não estivesse nutrindo sentimentos floridos sem saber que ele era um garoto famoso e cheio de fãs loucas.

— Seus olhos brilharam enquanto você me falava sobre ele no banheiro. Torci pra que a gente encontrasse o cara e que isso nos rendesse pelo menos um encontro. Ninguém merece passar tanto tempo sem uns beijinhos. Mas amiga, ele é impossível.

— Eu sei. – suspirei – Está tudo bem amiga, mesmo. Durou por uns 40 minutos, e eu me senti muito bem. Fico aliviada que tenhamos encontrado ele logo.

   Quando eu o olhei uma ultima vez para me despedir nossos olhos se cruzaram e eu congelei, tentei seguir adiante, um passo após o outro, mas não conseguia. Ele sorriu novamente, autografando o caderninho de uma de suas fãs e vindo em minha direção. Vê-lo percorrer a curta distância que me separava dele foi como o combustível que eu precisava, segurei Bonnie pelo braço e juntas nós seguimos para o terceiro bloco, onde teríamos a primeira aula, deixando Onew Sorriso Ensolarado para trás.

— Você é estranha. – ela concluiu.

— Estranho é um coreano chamado Onew, que nome é esse? – zombei, fazendo-a gargalhar.

— Ele se chama Lee Jin Ki, só para efeito de registro.

— Ótimo, além da fama, mais um ponto negativo. Sobrenome Lee. E falando no diabo. – Kiseop estava logo a nossa frente, o ódio que eu sentia dele fervendo a todo vapor dentro de mim agora que eu o vira. Queria me vingar pela falta de compaixão em me avisar sobre o uniforme do avesso.

— Onde você vai? – ela perguntou, tentando me deter.

— Não sei o que fazer, mas preciso ir até lá Bonnie. – então ela soltou meu braço, dando dois passos para trás com o olhar temeroso.

   Eu segui adiante, despedindo-me dela com uma piscadela. Encarei Lee Kiseop com fúria, e ele finalmente me notou. Estava ficando inquieto com minha aproximação, coçava a nuca, trocava o peso dos pés, mordia os lábios; Eu tentava parecer o mais tranquila possível, e enquanto isso Kevin me olhava entusiasmado, o sorriso de orelha a orelha esboçando sua felicidade, os outros amigos confusos, desviando o olhar de Kiseop para Kevin e de Kevin para mim.

— Vejam só, se não é a garota do uniforme do avesso. – ele disse em tom radiante, provocando surpresa nos outros amigos. Um deles eu conhecia, Eli. Ele estava na casa de Kiseop no dia anterior, parecia mais amistoso agora.

— Oi. – cumprimentei-o. – Olá, eu sou Ah Na. – disse a todos os outros.

— Gente, a Ana mora junto com o Kis – Kiseop olhou mortalmente para o amigo, que se intimidou por apenas um segundo – Kiseop. O senhor e a senhora Lee adotaram ela durante o intercâmbio então ela é a nossa irmãzinha mais nova. – ele brincou, me matando de vergonha.

   Todos eles foram extremamente simpáticos, depois de me apresentar a todos como integrantes do UKISS, a conversa fluiu naturalmente, com exceção de Kiseop que permaneceu emburrado, encostado na parede. Kevin insistia em dizer que eu era fofa e recebia a aprovação de seus amigos, SooHyun era muito engraçado, o mais velho de todos e também o líder de seu grupo. Eles eram adoráveis, sorridentes, e faziam um enorme contraste com o garoto que fuzilava-me com o olhar.

   Um deles, cujo apelido era AJ, perguntou-me se eu por acaso estaria na mesma sala de algum deles, e isso pareceu ser a gota d’água para Kiseop, que me puxou pelo braço e tentou me afastar dos meninos.

— Isso é ridículo, cai fora daqui! – ele rosnou.

— Ei, me solta! – pedi, ele estava apertando meu braço.

— Eu pedi pra você ficar longe de mim, e fingir que não me conhecia! – a essa altura todos os alunos no corredor já estavam olhando para a cena. Kevin tentava discutir com o amigo mas ele estava completamente irracional.

— Sei que você não é inteligente o suficiente, mas não considerei que você fosse tão burro pra não perceber que em nenhum momento eu me dirigi a você. – rosnei de volta, completamente irada pelo fato de ele não me soltar. – Você está me machucando seu bastardo. – xinguei.

— Você é completamente ridícula. – ele gritou irado – Bastarda é você, sua mestiça nojenta!

— Kiseop! – Kevin gritou, empurrando-o para longe de mim, mas não antes que Kiseop soltasse meu braço e me empurrasse com força para que eu caísse no chão.

— O que há com você, Hyung? – DongHo, o mais novinho, perguntou. O garoto de pele morena e cabelos sedosos e escuros abaixou-se diante de mim, estendendo sua mão, enquanto Kevin amparava meus ombros.

   Estava tentando conter o choro, e teria conseguido se Kiseop não tivesse cuspido em mim antes de sair raivoso pelo corredor a fora. Limpei o cuspe em minha bochecha, mortificada. Alguns dos meninos ficaram em volta de mim, mas eu estava completamente envergonhada, de modo que não conseguia encara-los.

— Sinto muito. – disse a Kevin, com a cabeça baixa. Ele acariciou o topo de minha cabeça, abraçando-me carinhosamente enquanto algumas lágrimas fugiam de meu controle.

— Não se preocupe. Nós conhecemos o temperamento de Kiseop, eu quem peço desculpas por não ter protegido você. – ele disse com um sorriso triste.

   Haviam pessoas boas ali. Não digo isso porque Kevin estava me defendendo, mas sim porque ele conseguia ser bom mesmo com quem não conhecia direito. Como se ele tivesse me visto e de repente soubesse de todo o meu passado, ou da minha essência.

   Precisava correr dali, o grupo de pessoas em volta da confusão estava se dissipando. Algumas garotas me olhavam torto, murmurando gírias coreanas que eu não podia entender. A humilhação que eu sentia queimava em minha garganta, impedindo o choro de sair como deveria. As palavras usadas por Kiseop para me ofender não eram nada novas, mas nem por isso deixavam de ser doloridas e maldosas.

   Conforme eu corria sem rumo, passava pelos corredores perdendo-me cada vez mais naquele prédio sem fim. Quando avistei uma porta grande e azul, abrindo-a sem que fizesse barulho – ou evitando o máximo de barulho que conseguia – entrei rapidamente para que ninguém pudesse me ver.

   Não me preocupei muito com o horário das aulas, já não estava mais tão animada. Após uns quinze minutos chorando sem cessar, sentada no chão com a cabeça enterrada nos joelhos, achei que precisava me conter. Na verdade, tive curiosidade em saber como era o lugar em que eu estava, começando pelo teto. Era uma grande estrutura, luzes fortes no teto, mesmo que nem todas estivessem acesas. Era uma quadra de esportes, o piso de madeira brilhante, as arquibancadas repletas de assentos vermelhos.

   Olhei ao redor, gravando o tamanho daquele lugar que ecoara meu choro e agora ecoava meus passos, quando ali, a minha direita, lá em cima no meio das arquibancadas, alguém se sentou bruscamente. Um garoto, pelo que parecia. Provavelmente estava ali há algum tempo - pude notar sua expressão emburrada, e ouvira toda a minha ladainha. Merda.

   Tentei levantar a mão e acenar como sinal de educação, mas estava chocada demais para me mexer.

— Me desculpe por incomodar. – eu disse, seguindo até a porta constrangida.

   Nenhuma resposta.

   Estava me aproximando da porta azul, pensando em como havia causado várias más impressões em um só dia. Primeiro com Onew e o lance bizarro do uniforme/banheiro masculino, depois com os amigos de Kiseop e os alunos do terceiro andar. E agora isso.

— Não se preocupe, ele é mesmo um idiota. – o estranho finalmente disse.

— Hmm? – murmurei confusa.

— Você... Estava chorando alto. Aliás, chore mais baixo da próxima vez, ou escolha outro lugar para se fazer de vítima. Eu estava dormindo e você me acordou.

   Uau, muitos coreanos de língua afiada. Além do ar de superioridade que a maioria deles portava, assim como esse garoto diante de mim.

— Certo, desculpe. – disse por fim, com a mão na maçaneta.

— Espere. – ele disse, ficando de pé. – O que você realmente é do Kiseop? – perguntou por fim, intrigando-me. Agora ele descia as arquibancadas em minha direção.

— Na verdade eu moro... – dizia lentamente, tentando entender o motivo de sua pergunta – Por que quer saber?

— Não vai responder? – ele desafiou, uma das sobrancelhas erguidas.

   Eu sinceramente não estava afim de brigar novamente, principalmente com um desconhecido, então simplesmente dei as costas para ir embora. Ele, por sua vez, segurou meu braço com força, me arrastando em direção aos assentos.

— Ya! Me sol... Me solta! – gritei surpresa.

   Chegando longe o suficiente da porta ele pressionou meus ombros para baixo, me fazendo sentar, fazendo o mesmo logo em seguida.

— O QUE VOCÊ...

— Primeiro, você tem que parar de gritar! – ele disse irritado. – Meu Deus, você é realmente do tipo escandalosa! – ele estava indignado, olhando-me fixamente.

   Calei-me. Iria esperar pelo que quer que fosse. Ele era expressivo e misterioso, isso aguçava minha curiosidade.

— Qual seu nome? – perguntei após um longo silêncio.

— Você está brincando? – ele disse debochado. Eu apenas encarei-o séria, esperando pela sua resposta. – Francamente! Meu nome... – disse pausadamente – É Jun Hyung. Isso deve te lembrar alguma coisa. – murmurou impaciente.

— Deveria me lembrar? – algo em minha pergunta fez com que ele risse alto.

— Você é mesmo surpreendente. – ele dizia rindo enquanto continuei calada – Primeiro você entra aqui chorando, me acorda, me deixa falando sozinho e agora diz não saber quem eu sou. É sério?

   Olhei para o chão ainda tímida, embora desaforada. Eu realmente deveria saber seu nome? Ele era filho do presidente ou algo do tipo? Por via das dúvidas continuei calada, olhando-o de soslaio.

— Não vai mesmo me dizer o que é do Kiseop? – insistiu.

— Porque quer tanto saber?

— Ouvi você reclamando sobre ele, logo entendi que ele era o motivo do choro. Quero saber o que vocês são um do outro, para que eu entenda. Você parecia completamente fora de controle, fiquei um pouco assustado e fingi não estar aqui até você parecer mais calma.

— Então me pergunte o motivo de estar triste, ao invés de me deixar pior me dizendo o nome dele.

   Ele riu.

— Você é complicada. – ele observou, me questionando com os olhos. – Você é nova aqui, não é? – era uma pergunta retórica, ele podia concluir isso sozinho. – Não queria ter que tocar nesse assunto, mas eu vi você chegando hoje de manhã. Estava com o uniforme do avesso, não é?

— Tsc, exibiram isso em rede nacional? – ironizei.

— Acho que não, mas talvez você esteja no blog do colégio.

— O q... – respirei fundo – Como... – fechei os olhos contando até dez. – Ok, o que você quer saber? – desviei o assunto para não surtar.

— Vi você chegando com o uniforme do avesso. E agora te ouvi chorando por mais de dez minutos, presumi que não tenha tido um bom dia hoje. Já que acompanhei de perto as catástrofes do seu dia, acho que mereço saber o que está havendo. Estou preocupado.

— Você é um curioso, isso sim. – murmurei. – Hoje está realmente sendo um péssimo dia. Eu realmente não sou daqui, nasci no Brasil. Meu pai é coreano mas se casou com uma argentina, e isso faz de mim uma mestiça. – esperava uma reação negativa vinda do rapaz, mas nada aconteceu. – Ganhei uma bolsa de estudos aqui, então vim fazer um intercâmbio. Os pais de Kiseop me adotaram temporariamente e agora moro com eles. Porém, Kiseop e eu não nos damos bem desde o primeiro dia, por alguma razão que eu desconheço. Essa é toda a história. – resumi.

— E hoje Kiseop humilhou você na frente de todos? – ele perguntou, quase concluindo sozinho a parte que eu omiti. – Você resmungou isso depois de engasgar. – ele respondeu minha pergunta implícita, rindo ao provavelmente se lembrar da cena.

— Desculpe perturbar você.

— Não deve estar sendo fácil. – disse ele, colocando sua mão grande e quente sobre as minhas costas.

   Paralisei, depois da surpresa me acostumei com o contato. Ele era uma pessoa aconchegante.

— Qual seu nome? – ele perguntou após um tempo.

— Ah Na. – respondi. – No Brasil é Ana, escrevemos primeiro o nome e depois o sobrenome. – expliquei calmamente a ele. Na verdade, expliquei isso pela primeira vez a alguém.

— Então como é seu nome inteiro?

— Ana Choi Buttieri. Aqui é apenas Choi Ah Na.

— Buttieri. – ele repetiu de maneira engraçada, rindo quando eu achei graça do seu sotaque exageradamente espanhol.

— Obrigada. – eu disse, encostando a cabeça instintivamente em seu ombro.

   Ele olhou para mim surpreso, e depois simplesmente continuou olhando para frente. Pude notar que seu fone de ouvido tocava alto uma música muito familiar.

— Que música é essa?

— Ah, claro. Você nem sequer conhece essa música. – ele brincou me emprestando um dos fones.

— Na verdade ela é familiar.

   Ele pareceu estranhamente desconfortável com o rumo que a conversa estava tomando, então eu apenas me calei, ouvindo a música com atenção sem encara-lo nos olhos.

— Você tem que voltar para a aula. – ele disse.

— Não quero. Hoje não. – confessei. – O que você esta fazendo aqui?

— Digamos que tenho muitas coisas para fazer, muitos planos para executar em pouco tempo. E eu ainda tenho que vir aqui todas as manhãs, passar meu tempo com tantas pessoas fúteis e desnecessárias.

— Parece que você está pensando nisso há algum tempo... – comentei.

— Sim, já estou farto há algum tempo mas não posso fazer nada. Apenas não se deixe levar pelo título desse colégio.

   Foi o bastante para mim, voltei a encostar-me em seu ombro, provocando-o a fazer uma piadinha sobre ele ser o meu travesseiro e eu estar precisando de um ombro amigo. Nós dividimos o fone de ouvido, e pude ouvir umas três músicas antes de adormecer completamente. Junhyung tinha cheiro de alfazema – talvez fosse o sabão em pó usado para lavar suas roupas – misturado com baunilha.

   Nesse dia conturbado eu conheci o Sorriso Ensolarado e o Senhor Curioso, então não posso considera-lo totalmente ruim.


Notas Finais


É isso meninas, tentei corrigir então peço desculpas caso tenha ficado algum errinho para trás. Eu estudo a noite e trabalho de manhã, então as vezes quando o dia está muito agitado aqui no trabalho (não acontece sempre, mas fim de ano sempre da tumulto) eu não consigo nem ler direito.

Esse aqui é o Link do blog Azulando, pra quem ainda não viu: http://kriseop.blogspot.com.br/ Nele eu vou postar todos os Caps de OTAMV e dois capítulos inéditos de fim de ano. Vou sempre colocar o endereço lá no grupo, mas não custa informar.
Beijos no coração e obrigada <3


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