História Corações Aprisionados * Malec * - Capítulo 3


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Categorias As Crônicas de Bane, As Peças Infernais, Os Instrumentos Mortais, Shadowhunters
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Asmodeus, Camille Belcourt, Catarina Loss, Clary Fairchild (Clary Fray), Henry Branwell, Hodge Starkweather, Isabelle Lightwood, Jace Herondale (Jace Wayland), James "Jem" Carstairs, Jem Carstairs, Lady Camille Belcourt, Luke Graymark, Magnus Bane, Magnus Bane, Maia Roberts, Meliorn, Personagens Originais, Ragnor Fell, Raphael Santiago, Simon Lewis, Tessa Gray, Tessa Gray, Will Herondale, Woolsey Scott
Tags Clace, Jessa, Malec, Mayon, Rizzy
Visualizações 74
Palavras 2.111
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Homossexualidade, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Capítulo 3


Fanfic / Fanfiction Corações Aprisionados * Malec * - Capítulo 3 - Capítulo 3

Alec POA 


Flashback On


 Eu não aguentaria por muito tempo. Estava no limite, e minha força de vontade já se encontrava no final. E a voz de Jace em meus ouvidos não ajudava nem um pouco.

 - Alec, está me ouvindo? - Perguntou, acho que pela quarta vez.

 - Como sempre, Jace. Diga-me, o que há de tão importante? Clary te deu um fora, ou tem goteira no seu quarto?

 - Que estresse, hein? Não posso mais querer conversar com o meu parabatai favorito?

 - Sou seu único parabatai - Respondi seco - E caso não tenha notado, estamos em guerra, e um prisioneiro logo chegará.

 - Pois é sobre isso mesmo que quero falar - Continuou, se aproximando, até estar tão perto ao ponto de eu conseguir sentir sua respiração - Isabelle conseguiu os convites para aquela festa. Precisamos apenas de um plano de ataque.

 - Eu cuido disso - Assegurei em baixa voz.

 - Há apenas uma coisa que eu não entendi... - Disse Jace.

 Antes que eu pudesse acabar com a dúvida de meu amigo, um estrondo nos portões da frente chamou a atenção de todos, impedindo-nos de continuar nossa tão sigilosa conversa. Um homem robusto e de meia-idade entrou no salão do Instituto, e seguiu até os telões de pesquisa, onde estávamos Jace e eu.

 - Alexander Lightwood e Jonathan Herondale? - Perguntou a nós.

 - Somos nós - Respondeu Jace, sempre confiante...

 - Estão encarregados do relatório da missão K900.

 - Relatório... - Comecei, confuso

 - Missão de confronto a um grupo de seres do Submundo que planejavam um ataque a Clave e a todos os Caçadores de Sombras.

 Fantástico, ele havia decorado muito bem as frases ditas pelo Capitão. O soldado me entregou uma carta feita com papel cartão. Tinha o selo da Clave, do exército e da F.E.C.D.S, Força Especial de Combate Direto a Seres do Submundo. Ao abri-la, me deparei com dezenas de linhas escritas a mão com uma letra imediatamente familiar, a de meu pai.

 Depois de lê-la, tive de me segurar para não respirar fundo, pois não havia tido nenhum morto. Nem Caçadores e nem Submundanos. O militar nos guiou até às portas de entrada e saída de prisioneiros, uma área mais isolada que levava direto aos calabouços do porão. Assim que chegamos perto de um grupo de soldados que pareciam cansados e machucados, Jace reconheceu alguém e partiu em seu encalço, me deixando sozinho com um soldado mal encarado e um prisioneiro.

 O homem detido, assim que foi tirado do caminhão, me surpreendeu com sua aparência tão inativa do momento. Ele não era alto e forte, pelo contrário, não era mais alto que eu, e o manto que usava fazia com que seus braços parecessem braços de criança. Talvez ele não fosse mais velho do que eu. Alguém com o físico assim você costuma ver em colégios e festas, não em carros blindados com quase dez homens segurando para que não fuja.

 Porém, o que mais me chamou atenção foi em seu peito. Sangrava muito, e parecia não estar assim a pouco tempo. Havia sangue seco em suas roupas pretas, e um capuz da mesma cor cobria seu rosto. Seria ele um vampiro? Naquele momento senti uma extrema vontade de afastar todos aqueles militares e ajudá-lo a andar de forma decente. Era tão errado ver aquilo e não poder fazer nada...Ah, mas eu faria. A Clave que me aguarde, não deixaria tratarem assim um submundano que talvez fosse inocente, eles iriam ver...


Flashback off


 - Alec! - Uma voz feminina me chamava por trás. Virei-me a tempo de sentir o corpo de Izzy bater contra o meu e perceber que aquela era a última vez que veria minha irmãzinha. Não para sempre, é claro. Os Caçadores de Sombras deixavam os Institutos de poucos em poucos, partiam para Idris. Sabia que aquilo era o melhor para ela é para meus amigos, mas ficar sozinho naquele lugar tão imenso me deixava tenso. Resolvi aproveitar o momento do abraço, e quando Isabelle finalmente me soltou, me peguei olhando para ela com a saudade estampada nos olhos. Do jeitinho que ela dissera para eu não fazer.

 - Como vai ficar meu querido irmão? - Perguntou ela mexendo de leve a cabeça, fazendo seus cachos negros caírem por sobre seu rosto.

 - Não precisa disso, Izzy - Anunciei afastando o cabelo de seus olhos - Sei muito bem que ficará feliz sem mim para pegar no seu pé...

 - Eu ficarei bem, com certeza - Enfatizou o "Eu" - Mas e quanto a você? Não é sempre que se fica sozinho em lugar cheio de gente estranha, e ainda por cima sem sua irmã ou seu parabatai.

 - Tem razão... - Concordei - Aceitaria até mesmo Clary para me fazer companhia...

 - Não fale assim dela... talvez eu a convide para ser minha parabatai...

 - Isabelle Sophia Lightwood - Grunhi - Você não faria isso...

 - Não mesmo?  

 Nos encaramos por cerca de trinta segundos, até que minha irmã começasse a cair na gargalhada. Eu sentiria falta dela...

 - Logo estaremos juntos para continuar com nosso pequeno esquema...

 - Pode apostar que sim - Concordei em voz baixa.

 Izzy me levou até a sala de onde partiriam, e lá pude me despedir de Jace e Clary. Nada disso parecia real, até que eu finalmente avistei os últimos fios de cabelo de meus amigos desaparecendo. E com isso, o portal se fechou, me deixando sozinho naquela sala escura.

 As horas seguintes se arrastaram de tal forma, que eu não aguentava mais olhar para o relógio e ver como os ponteiros se mexiam tão lentamente. Dei graças aos céus quando finalmente pude abandonar meu trabalho e ir para o quarto. Finalmente, quando faltava apenas quinze minutos para às duas da manhã, resolvi que já era a hora de fazer o que pensei o dia todo em como poderia ser feito. Fui ver Magnus. Em última hora, alcancei meu celular em cima de minha cama, com uma ideia intrometida invadindo minha mente.

 As escadas até o porão pareciam infinitas, e o ar estava pesado, porém frio, o que era acolhedor. Meus passos estalavam no piso de granito, e a pedra enfeitiçada brilhava por entre meus dedos, dando a mim toda a luz necessária para continuar. Meu coração parecia tentar escapar pela boca, e eu não entendia o por quê daquilo. A minha vida toda havia sido criado para ser um soldado, aprendi a matar e a prender submundanos. E agora, lá estava eu, ansioso por estar indo me encontrar com um deles. Era tão contraditório, e estranho, mas ao mesmo tempo incrível a sensação de encontrar alguém que me cativasse, exatamente como Izzy disse que seria quando acontecesse.

 Assim que as celas entraram em meu campo de visão e nos limites da claridade emitida pela pedra, passei os olhos pelos prisioneiros. Primeiro por Vicent, que dormia de lado, envolto em um cobertor que o cobria dos pés à cabeça. E depois, por Magnus. Ele dormia também, mas estava de frente, seus braços repousavam em cima do tórax e do abdomên enquanto as pernas entrelaçadas eram mal cobertas pelo cobertor. 

 Comecei a dar meia volta, a decepção me invadindo completamente enquanto começava a subir os degraus da escada.

 - Alec - Disse uma voz rouca, ele.

 Imediatamente dei a volta e me aproximei devagar, até que finalmente pudesse enchergá-lo de novo. Estava sentado, e não protegia os olhos da luz enfeitiçada, pois o tecido fazia isso por ele. Aquela amarra cobria seus olhos, as sobrancelhas e ainda uma parte de seu nariz. Eu tinha uma imensa curiosidade de tirá-la, para ver seu rosto por inteiro. Me perguntava se ele não tinha curiosidade em me ver também.

 - Pode ficar se quiser... - Pediu um tanto hesitantemente.

 - Lamento por ter lhe acordado - Me desculpei envergonhado.

 - Eu não estava dormindo. É bom ter alguém vivo para conversar, só para variar... - Completou olhando para Vicent

 Não pude deixar de rir. Magnus não era como os outros submundanos com quem eu havia "conversado" anteriormente. Ele não parecia ter medo de mim, ou nem mesmo raiva. Era como se não estivesse a par do que aconteceu nos últimos cem anos.

 - Acho que te entendo - Disse - Afinal, também não tenho com quem conversar...

 - Sem amigos? Isso não é muito normal para um Nephilim, sabe, andar sozinho...

 - Ah, não - Contornei - Eu tenho. É só que, eles partiram para Idris hoje de manhã.

 Magnus apenas concordou com um ruído na garganta. Ficamos alguns segundos em silêncio, até que ele resolvesse quebrá-lo.

 - Então é isso? Somos amigos?

 - O quê? - Indaguei surpreso, e imediatamente me amaldiçoei por ter dado uma idiota de primeira - O quê quer dizer?

 - Ah, você sabe... - Se não fosse pela luz azulada do recinto, juraria que Magnus havia enrubrescido - Somos os únicos com quem o outro pode conversar. Acho que isso nos torna pelo menos colegas...

 - Aonde quer chegar? - Indaguei, rindo pela lógica estusiasta de meu...amigo.

 - Esqueça! Deixe para lá...

 - Magnus... - Comecei

 - Só respondo se não tiver nada a ver com isso! - Cruzou os braços, de jeito teimoso.

 - Na verdade... Eu queria saber uma coisa.

 Me aproximei das grades..

 - Como é o mundo, lá fora? - Perguntei

 Magnus pareceu surpreso. Apoiou uma das mãos no chão e passou a outra nos cabelos, do jeito que muitos fazem quando ficam nervosos. Por quê estaria assim?

 - Você nunca saiu?  

 - Nunca fui para outro lugar que não fosse Idris e o Instituto. Casa e trabalho.

 - Por quê? - Ele parecia horrorizado.

 - Não deixam a maioria de nós sair. Dizem que é perigoso, ainda mais se formos quem somos.

 - E quem você é? - Perguntou

Hesitei. Ele recuaria se soubesse quem eram meus pais? Ou se soubesse meu sobrenome? Magnus continuava me olhando, esperando uma resposta.

 - Alec Lightwood...

Magnus ficou com a boca entreaberta.

- Lightwood? Você é um Lightwood?

- Sim, eu tenho esse sobrenome... - Minhas tentativas de contornar a situação não pareciam fazer diferença - Conheceu algum de meus parentes?

- Na realidade não... Mas sempre nos falavam sobre vocês, os monstros de olhos verdes.

- Isso é uma boa notícia, afinal! - Exclamei

- Devo perguntar?

- Meus olhos são azuis, okay? Vamos parar com a discriminação...

Ele sorriu. E pelo Anjo, ele era tão lindo sorrindo quanto era quando me ignorava.

- Certo, Senhor Lightwood. Minha vez de perguntar... Vejamos, quantos anos você tem?

- Dezoito - Respondi hesitante. Torcia para que ele não me tratasse diferente depois disso...

- Eu tenho dezessete. Geralmente deixam maiores de idade lutarem, não? 

 - Acho que sim, por isso mesmo que não me deixaram ir para Idris com os outros. Mas e vocês? Com quantos anos deixam se alistar?

 Ele permaneceu em silêncio por alguns segundos, mas depois, deu uma risada fraca e sarcástica que me deixou levemente receioso.

 - Me alistei com doze.

 Arregalei os olhos, surpreso. Ele percebeu e começou a rir.

 - Eles não se importam muito - Explicou - Quem quiser entrar, entra. A maioria de nós não tem os pais para impedir - Fez-se uma pausa - E alguns entram por esse motivo...

 - Como você? - Perguntei. Não queria obrigá-lo a falar nada, mas eu precisava saber.

 - Houve uma época em que eu odiava Caçadores de Sombras mais do que tudo. Os culpava pela morte de minha mãe, mas conforme eu ia crescendo, e também com a ajuda de meu amigo consegui enterrar esse ódio.

  - Entendo...

  - Mas respondendo a sua pergunta - Animou-se - É incrível! A água, as florestas, tudo! Nem sei como explicar... 

 - Só pela sua expressão já posso imaginar o quão incrível deve ser - Falei - Mas, mudando de assunto... você disse que a maioria não tem pais, portanto, não carregam seus sobrenomes... - Comecei

 - Depende, lobisomens e vampiros possuem os sobrenomes dos pais. Mas nós, feiticeiros, bem, podemos escolher...

  -  Qual é o seu?

  - Meu... - Ele pareceu hesitante no começo, mas logo mais, seu rosto iluminou-se - Bane.

  - Bane - Repeti - Magnus Bane...


                                    ∆∆∆


 Com o final daquelas histórias, percebi que as horas haviam se passado tão rápido que nem havíamos notado. Ao me levantar para sair, percebi que Magnus se chateara um pouco. Ou será impressão? De qualquer forma, nos despedimos, e segui até as escadas, subindo em direção ao mundo real. Onde nós e os submundanos estão em guerra, nossos povos são inimigos, e eu e Magnus nunca poderíamos ser amigos, ou algo mais...


 



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