História Corações Feridos - Capítulo 40


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens August Wayne Booth (Pinóquio), Capitão Killian "Gancho" Jones, Cora (Mills), Emma Swan, Hades, Henry Mills, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Neal Cassidy (Baelfire), Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Roland, Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Once Upon A Time, Outlawqueen
Exibições 462
Palavras 8.901
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Bom gurias, sinceramente... eu não sei exatamente como começar essas notas. Estou emocionada, e quando estou assim, sempre acabo me esquecendo de algumas coisas...
Gostaria de agradecer a todas pela compreensão que tiveram comigo por conta dos meus problemas. Obrigada pelo apoio, os comentários de vocês me comoveram muito. ♥
Escrever esse capítulo foi mais difícil do que eu previa, me emocionei em várias cenas, umas tão simples... Me apeguei mais do que pensava. Na verdade Corações Feridos, foi uma grande surpresa para mim. Eu não imaginava que tantas pessoas leriam e gostariam da fic... Quando ela estava no começo, o Robin morreu na série, e eu recebia até algumas semanas atrás mensagens de pessoas dizendo que CF manteve o shippe vivo, isso me emocionou muito.
Eu não sou uma pessoa que gosto de me vangloriar, e não suporto pessoas metidas, mas nesse caso preciso me sentir só um pouquinho, porque CF foi um SUCESSO! E tudo isso foi conseguido por todas nós, embora eu escreva são vocês que a acompanharam nesses meses, divulgando a história para suas amigas. Me apoiando quando eu precisei, me ajudando quando necessário, todas tem mérito.
Agradeço a todo mundo que leu, acompanhou, comentou, recomendou, curtiu a página, se inscreveu no canal do youtube...
Hoje a fic já ultrapassa mais de 200 favoritos no Spirit (16 mil acessos.) e 45 no Nyah (19 mil acessos). Juntando os comentários desses sites, e da página eu estava contando passou de 1000 comentários! Eu vibrei, amanhã divulgo melhor os números lá na página...
Recebi algumas mensagens de pessoas me perguntando se poderiam imprimir a fic, é claro que sim! Eu só peço que esperem uma semana para que eu posso corrigir uns erros dos primeiros capítulos...
Por falar nisso, gostaria de agradecer a Natasha por ter betado a fic. ♥
Fico feliz que tantas leitoras me dizem o quanto CF merece virar um livro, outras dizem que poderia ser novela, ou filme. Vocês não sabem o quanto isso me deixa feliz. ;)
Vou continuar nas notas finais, sei o quanto estão ansiosas.

Link da Chamada: https://www.facebook.com/Minhasfanfics/videos/2117693605123285/

Boa leitura! ♥

Capítulo 40 - Em Família


Fanfic / Fanfiction Corações Feridos - Capítulo 40 - Em Família

  “ Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garante que nem todas, só as de verão.

No fundo, isto não tem importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os          sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.”

 

-William Shakespeare

Sonhos de uma noite de verão.

 

  Regina, apesar de cansada, escutava com atenção o seu marido. Ambos sentados no sofá da sala. Uma coberta cobria suas pernas por conta do frio.

Seu corpo estava aninhado ao dele, sua cabeça recostada ao peito de Robin. Sendo possível escutar as pulsações do coração deste.

  Já ele, sentia a respiração suave dela. Sentia-se feliz, por transmitir tranquilidade a sua esposa. Regina havia completado quatro meses de gestação recentemente.

Sua barriga já havia adquirido uma saliência perceptível. O que agradava seu marido. Este, fazia questão de acaricia-la todas as vezes que estavam juntos.

Percebendo que a esposa fechou os olhos, perguntou, interrompendo a leitura.

-Regina? Você está acordada?

-Sim.

Respondeu, sonolenta.

-É melhor você ir se deitar, eu espero a Valerie.

Disse, fitando seu relógio de pulso. Este marcava dez horas da noite.

Suspirou.

-Daqui a pouco ela chega. (Regina murmurou.) –Vamos conversar?

-Sobre o que, exatamente?

-Sobre o nosso bebê. Eu gostaria que ele, ou ela, possuísse os seus olhos. Esses oceanos azuis, quais eu me perco com tanta facilidade.

-É mesmo? (Pergunta, incrédulo.) –Eu não imaginava que eles causavam esse efeito em você.

-Seus olhos são inesquecíveis para mim, Robin. (Confidenciou, em um sussurro.) -Desde que nos conhecemos.

-Ainda não consigo entender.

-Me refiro a essa sensação, como efeito, Locksley. (Sorriu.) –Consigo decifrar você através do que eles expressam. Eu sei que está me escondendo algo. (Sentiu o nervosismo que seu marido aparentava.) –Mas, também sei que é algo bom.

Finalizou. Sentindo a tensão do corpo de seu marido diminuir.

-Você não sabe o quanto.

Ele respondeu.

-Não vai me dizer?

Perguntou, curiosa.

-O real sentido das surpresas, é que elas não devem ser reveladas.

-Seu bobo.

Proferiu, em tom debochado.

Na tentativa de mudar de assunto, retorna ao argumento anterior...

-Então... Você gostaria de decifrar o nosso bebê através dos olhos, que ele, ou ela, possuir? E que de preferência sejam semelhante aos meus?

-Sim.

-Pois, eu prezo para que este bebê possua todas as suas feições. Certamente, mais belas do que as minhas.

Aquele comentário causou gargalhadas em sua esposa.

-Eu não acredito que você disse isso... Além de bondoso, é bonito, sim!

-Bondoso sim, bonito não.

-Deixe de ser um imbecil, Robin...

-Não posso acreditar que a senhora Regina Mills Locksley acabou de me ofender.

Ambos, sorriram.

-Essa ofensa é pelas palavras que você disse. Porque eu não vejo nada que não me agrade em você.

Murmurou.

-Comecei a gostar do rumo dessa conversa... O que te agrada em mim, senhora Locksley?

Regina esboça um sorriso travesso.

Encantado pela expressão da esposa. Robin pôs o livro sobre a mesa de centro. Com cuidado, coloca Regina em seu colo. Aproximando seus rostos, fazendo com que o contato visual prevalecesse. Estava prestes a beija-la, até esta sussurrar em seus ouvidos:

-Seu peito sadio, seus braços musculosos, seu lábio, principalmente quando eles se encontram aos meus...

Seu tom de voz era provocativo e atraente.

 Robin sequer esperou que ela terminasse de proferir suas palavras e a beijou com veemência. Suas mãos mergulharam no cabelo dela, se entregavam a um beijo descomedido que suas bocas selavam. Suas línguas mantinham um beijo custoso e cálido.

 Entretanto, são interrompidos pela porta da entrada sendo aberta. Regina retornou rapidamente ao lugar em que estava.

 Valerie e Greg adentraram o cômodo.

-Mãe? Pai? O que estão fazendo aqui?

Questionou.

-Estávamos esperando por você, que aliás, está com quinze minutos de atraso...

Respondeu Robin.

-Desculpe, senhor, o pneu do carro furou, foi impossível chegar antes.

Greg explicou, nervoso.

Regina intervém:

-Tudo bem, Greg, não se preocupe, apenas liguem para nos avisar da próxima vez.

Concluiu, encarando o marido, insinuando que ele devia ficar calado, assim o fez.

-Você tem quinze minutos para se despedir do Greg, eu e o seu pai vamos subir, a consulta de amanhã é cedo.

Proferiu, sorridente. Acariciando sua barriga.

-A Valerie comentou comigo que vocês vão escutar o coração do bebê, e se possível descobrir o sexo.

O jovem disse.

-Sim, aguardo muito por isso.

Regina respondeu.

-Se for menino, que seja tão doce quanto Roland, e se for menina que possua uma beleza tão radiante quanto a mãe e a irmã.

Aquele elogio fez ambas sorrirem. Já Robin, revirou os olhos.

-Sempre tão galanteador, não é, Greg?

Regina concluiu.

Foi a vez do jovem sorrir.

-Boa noite, e se comportem.

Regina disse, entrelaçando sua mão com a de seu marido. Se encaminhavam até a escada.

-Boa noite, senhor e senhora Locksley.

Robin se manifesta, fitando o casal jovem que já havia sentado no sofá:

-Eu tenho uma audição maravilhosa, não façam nada que seja possível eu escutar. Desço dentro de quinze minutos para me certificar de que tudo está em ordem.

Regina discordava com a cabeça, sorridente. Chegava a ser engraçado o ciúme que ele mantinha pela filha.

Greg havia ficado ruborizado.

  Os quinze minutos passaram rapidamente. Valerie e Greg concluíam mais um de seus inúmeros beijos apaixonados que foram trocados naquele período de tempo.

-É melhor eu ir, antes que o seu pai desça.

Murmurou.

-Fique mais um pouco. (Sorriu.) –Minha mãe deve estar mantendo o meu pai distraído o suficiente.

 

                                                                            ***

 

  No quarto, Robin tirava o casaco da esposa, logo em seguida, desabotoava seu vestido preto de alta costura. Desde que subiram, haviam trocado carícias e beijos duradouros, até chegarem aquele momento.

Logo, a veste da esposa percorreu seu corpo, este, que ele considerava esculpido a mão. Revelando o sutiã vermelho que cobria os seios da esposa que estavam cada vez mais fartos por conta da gestação.

-A mamãe está ousada essa noite...

Sussurrou, sorridente, enquanto acariciava a barriga de Regina. Mantendo o contato visual com ela, que esboçava o mesmo sorriso que ele.

Robin depositou beijos na nuca da esposa, chegando aos seus ouvidos, murmurou:

-Que o nosso bebê possua um sorriso tão elusivo quanto o seu.

Regina sorriu, diante do comentário do marido.

 Este a deitou sob a cama, com cautela. Deslizava sua mão na pele suave de sua esposa. Explorando cada traço do corpo dela. Ambos nus, unificaram seus corpos.

Robin procurava tomar todo cuidado necessário para não machucar a esposa, e lhe causar prazer. Começou com estocadas leves.

Regina apreciava a preocupação que Robin mantinha em todas as vezes que faziam amor. Sempre tão sutil, e atencioso.

-Eu te amo, Regina.

Proferiu, selando seus lábios em um beijo lento.

-Eu te amo, Robin.

Declarou.

Fitaram um ao outro, sorrindo. Deliciando-se com aquele momento. Volúpia e amor contrastavam em seus olhos.

-Você não está nos machucando, pode continuar mais rápido.

Comentou, acariciando o rosto do marido.

-Tem certeza?

-Aham...

Os olhos desta resplandeciam desejo.

Robin aumentou a velocidade de seus movimentos. Sua esposa se contorcia de baixo dele. Diante das estocadas aceleradas, suas mãos seguravam o lençol francês com firmeza.

O som dos seus gemidos aumentavam. Sua respiração tornava-se intensa a cada estocada.

Seu peito subia e descia, de acordo com os movimentos de Robin. Apesar do frio, seus corpos adquiriam suor, este que contrastava um brilho radiante em suas peles.

“Mamãe e papai estão fazendo aqueles movimentos estranhos de novo... Mas, eles estão felizes.”

-Ah, Robin!

Logo, este sentiu que a esposa estava molhada, juntos, alcançavam o ápice. O orgasmo havia os arrebatado.

Regina estava completamente desfalecida. Ainda suspirava.

-Regina? Você está bem?

Preguntou, preocupado.

-Estou maravilhada! (Exclamou, sorridente.) –Obrigada por me amar com tanto carinho.

 Agradeceu, enquanto o marido a envolvia junto de seu corpo. Regina recostou a cabeça no peito despido de seu marido, logo cobriram-se com o lençol.

Robin beijou a testa dela, ao responder:

-Eu que agradeço por me permitir fazer parte da sua vida.

A apertou ainda mais contra seu corpo, depositando sua mão na barriga de sua esposa, ao perguntar:

-Será que vamos conseguir escutar o pequeno coraçãozinho do nosso bebê?

Regina sorri, colocando sua mão sob a dele.

-Espero que sim.

-Será que também vamos descobrir o sexo?

Perguntou, curioso.

-Não sei... Será que teremos uma mini Regina? Ou um mini Robin? Correndo pela casa...

Robin gargalhou. Em seguida, proferiu seus pensamentos:

-Uma teimosa? Ou um turrão?

Regina levanta a cabeça para encara-lo.

-Eu não sou teimosa...

-É sim, Regina, até seus pais admitem isso.

Ela suspira.

-Talvez eu seja só um pouco teimosa.

-A teimosa mais perfeita que existe!

Ele afirma, beijando o ombro da esposa.

-Eu ainda continuo achando que você é um turrão mesmo, homem das cavernas! O que você faz com Valerie e Greg não está certo. Eu tenho pena daquele rapaz...

-Você acha que devo pegar mais leve com eles?

-Acho.

-Tudo bem. (Bufou.) –Mas, voltando ao assunto anterior, seja menina, ou menino, será criado em um ambiente repleto de amor.

“Vou fazer o possível para que meus pais descubram mais sobre mim.”

 

 

                                                                           ***

 

    Todos presente, permaneciam em silêncio no consultório. Ambos aguardavam pelas batidas do coração do bebê. Regina estava ligada a alguns aparelhos, entre eles o de ultrassonografia.

Uma de suas mãos estava entrelaçada a de seu marido. Os dois exalavam nervosismo, embora Robin tentasse demonstrar tranquilidade para que sua esposa não percebesse. Afinal, o processo parecia estar demorando mais do que o habitual.

 Um pouco mais afastados, estavam Roland e Valerie. A jovem, que até então estava calma, começava a se preocupar.

Apreensiva, Regina pergunta:

-Doutor, o que está acontecendo? Tem algo errado?

-Não se desesperem, ás vezes demora um pouco.

Whale respondeu, tentando acalma-los.

Os olhos de Regina procuraram pelos seus oceanos azuis, identificando o medo que eles continham assim como os dela. Logo, lacrimejaram, sentiu o marido apertar sua mão firme.

-Robin... (Murmurou.) –E se...

 Antes que concluísse, o som das batidas de um coração se propaga no ambiente. Ressoando um efeito sonoro, leve.

Um grandioso sorriso se formou no rosto de cada um. As lágrimas de Regina, que antes eram de apreensão, agora transpareciam felicidade.

Logo, a figura do bebê surgiu no visor.

-É uma menina!

Exclamou Whale.

-Essa é a minha irmãzinha?

Roland perguntou, sorridente, se aproximando do aparelho de ultrassonografia

-É sim, Roland, a nossa irmã!

Respondeu Valerie tão eufórica quanto o irmão.

 Robin sentia uma mistura de sentimentos, se alegrava com a alegria de seus filhos, se comovia com a reação de sua esposa. E além de tudo, obviamente, amava a pequena figura que estava ali presente, sendo possível observa-la.

 Gostaria de gritar para o mundo o que estava sentindo. Por outro lado, sabia que ninguém jamais usufruiria do mesmo sentimento que ele.

-Vamos ter uma mini Regina.

Disse por fim, em um sussurro encarando a esposa. Esta, exalava um sorriso satisfatória em sua face.

Robin, assim como seus filhos, se aproximou do aparelho. Apontava para o que vislumbrava, identificando as partes do corpo da filha.

Regina idolatrava cada movimento de sua pequena, mesmo que fosse somente pelo aparelho, prezava que logo fosse capaz de senti-los.

“Minha família está feliz comigo. Não vejo a hora de poder conhece-los... Como será a vida depois de sair daqui?”

 

                                                                      ***

 

  Regina estava em seu quarto. Após a consulta, preferiu voltar para casa junto com Roland. O menino brincava no jardim, acompanhado de Henry.

 Robin precisava finalizar uma defesa, sendo assim, relutante, retornou para o escritório. Contudo, deixou claro que voltaria antes do horário habitual.

A filha informou que faria uma visita a Granny.

Sentada na cama, Regina afagava a barriga, sorridente.

  Agradecia todos os dias por ter sido abençoada novamente. Carregava uma dadiva consigo, algo que acreditou ser impossível, tornava-se realidade. Felicidade era tudo que sentia. Não somente pela sua gravidez, o que considerava um milagre, mas pelo fato de ter constituído uma família ao lado de Robin. Se considerava uma mulher realizada, em todos os aspectos.

 Seus devaneios foram interrompidos pela chegada de Cora e Valerie. Ambas aparentavam animação.

-Vocês duas?

Perguntou, curiosa. Sentimento que se intensificou ainda mais, percebendo o embrulho que constava na mão de sua mãe.

-O que vocês estavam aprontando?

Valerie sorriu, enquanto encarava a avó, esta, logo retribuiu, o que não passou despercebido por Regina. Não imaginava presenciar uma cena tão significativa entre sua mãe e sua filha. Logo, as mesmas estavam sentadas ao seu lado na cama.

-Escolhemos um presente para o bebê.

Disse Cora, entregando o embrulho. Regina desamarrava a fita que constava no presente.

  Cora e Valeri, apreciavam o sorriso genuíno que ela exalava. Entretanto, logo ele fora substituído por lágrimas. Seus olhos marejaram ainda mais, à medida que percorriam o pequeno sapato vermelho. Não havia nada de extravagante nele, o único enfeite era um laço da mesma cor, porém, aquele presente significava uma memória do passado.

-Mãe, você está bem?

Perguntou a jovem, preocupada.

Regina permanecia estagnada fitando o presente.

-Regina?

Cora pergunta.

Em um sussurro profere:

-Estou bem, é que... (Encarou a filha.)-Me lembrou algo do passado... (Após uma pausa, continua.)-Um sapato vermelho, semelhante a esse inclusive, foi a primeira coisa que comprei assim que descobri que estava grávida de você. (Sorriu, em meio as lágrimas. Fitou sua mãe.) –Menti que precisava de um livro para a universidade.

Avó e neta se comoveram diante daquela revelação.

Regina coloca o par de sapatos sob sua barriga.

-Você acabou de ganhar seu primeiro presente. Espero que tenha gostado.

Sorriu, enquanto uma lágrima escorreu pelo seu rosto.

As três entrelaçaram suas mãos, emocionadas.

 

 Mais tarde...

 

    Roland encontrava-se sentado sob o tapete. Seus materiais de pintura estavam espalhados sob a mesa de centro. Finalizava seu desenho. Era observado por Regina, que o contemplava.

Logo, o menino se senta ao seu lado.

-Mamãe, eu fiz para você!

Exclamou animado, entregando o papel para Regina.

 Apesar de escutar ele chama-la de mãe com frequência, era inevitável não se emocionar. Ainda mais quando fitava aquele par de olhos doces e inocente que ele possuía. O amava como se fosse seu próprio filho, lamentava tanto que, apesar da pouca idade, já tinha uma história de vida lamentável.

Beijou a testa do menino, por fim, fitou o desenho. Neste constava a figura de Robin, Valerie, e a própria. Sorriu. No rabisco, estava com uma barriga maior do que a sua, mas não foi isso que a encantou, e sim o fato de Roland ter desenhado a figura de sua irmã dentro de sua barriga.

-É lindo, filho!

-Obrigado, mamãe.

Roland abraçou Regina.

-Eu te amo, viu?

Ela proferiu, levando seu dedo indicador até o nariz do menino. Este sorriu.

-Eu também te amo, mamãe.

 Naquele momento, Robin adentrou a sala. Carregava consigo um buque de rosas vermelhas.

Regina se levantou do sofá, sorridente. Decifrava exatamente o que seus oceanos azuis exalavam enquanto a fitava. Beijaram-se rapidamente, por conta da presença do filho.

O aroma das rosas perfumadas se propagou pelo ambiente.

-Obrigada!

 Ela agradeceu, seus olhos percorriam cada rosa. Robin permanecia estagnado encarando a esposa, seu sorriso só aumentava. O que fez Regina ficar sem graça, mas contente. Afinal, a felicidade era visível na expressão do marido.

São despertos por Roland.

-E eu, papai? Não vou ganhar um beijo?

Perguntou, puxando o terno do pai.

Robin olha para baixo, encarando seu pequeno filho. Sorriu. O segurou no colo, depositando beijos pelo rosto do menino, fazendo cócegas em seguida.

 As gargalhadas de Roland contagiavam o ambiente, o que certamente agradava Regina. A casa, que tantas vezes fora silenciosa, agora era repleta de alegria.

Assim que colocou o menino no chão, pediu:

-Vá chamar a sua irmã! Vamos fazer algo importante agora, ela já sabe o que é.

Roland subiu as escadas correndo.

-Roland, não corra, você pode cair! (Reprendeu Regina.) –Do que você está falando?

Perguntou, sentando no sofá novamente. Robin faz o mesmo, entrelaça sua mão com a de sua esposa ao responder:

-Você já vai saber.

Logo, seus filhos adentram o cômodo de mãos dadas. Sentando no sofá a frente. Percebendo a troca de olhares entre os filhos e o marido, Regina pergunta:

-O que vocês três estão aprontando?

Robin reponde:

-Bom, como já descobrimos que a nova integrante da família será uma menina, nos reunimos aqui para que seja escolhido o nome da nossa filha.

Regina sorri.

-É uma ótima ideia escolhermos o nome dela juntos.

-Estamos aqui, mas nós três decidimos que você vai escolher o nome dela.

-Eu?

-Sim. Você já foi privada de fazer isso uma vez... (Acariciou o rosto de Regina.) –Nada mais justo que tenha a oportunidade de escolher agora.

Os olhos de Regina lacrimejaram, e então fitou o marido, logo depois, encarou os filhos.

-Eu não sei o que dizer...

Sorriu.

Robin, beijou a mão dela.

-Se você quiser um tempo para pensar...

-Na verdade, eu já tenho uma escolha. (Todos a encaram curiosos.) –Eu quero homenagear alguém... Nossa filha vai se chamar Elizabeth. (Foi a vez de Robin se emocionar.) –Em homenagem a sua mãe.

Acariciou o rosto do marido.

Um sorriso radiante surgiu no rosto de Robin.

-Tem certeza?

Perguntou.

-Sim! É uma forma de mantermos ela presente conosco.

 

                                                                                            

                                                                                        ***

   Em uma tarde de Domingo, meados de Janeiro estavam na praça de Wall Street, a que constava em frente ao escritório. A mesma que Regina idolatrou e invejou algumas mulheres durante anos... No entanto, nesse momento, ela era como qualquer mulher que a frequentava.

Uma mãe, cujo objetivo era levar seus filhos para se divertirem. Assim como Roland, que corria animado, em dúvida de qual brinquedo iria escolher. Ou até mesmo Valerie e Greg, que assim como alguns casais, caminhavam de mãos dadas. Resolveram, parar diante do pequeno lago que constava, este, habitado por alguns gansos e tartarugas.

-Fico feliz que seu pai tenha deixado você me convidar.

Greg comentou.

-Meu pai é meio rude as vezes, mas ele gosta de você.

-Você não sabe o quanto eu espero por isso.

Sorriu.

Ambos fitam Regina e Robin, mais afastados.

-Eu admiro tanto os seus pais. Consigo enxergar amor todas as vezes que eles se olham. Quando eu me casar, quero que seja assim.

-Eu também.

Concordou, esboçando um sorriso radiante. O que seu namorado tanto venerava.

-Você é tão linda!

Afirmou, enquanto levou sua mão até o rosto da jovem. Valerie ruborizou, Greg conseguia deixa-la assim cada vez que a elogiava.

-Corada, mais ainda! Só não te beijo agora, porque seu pai está nos olhando.

-Robin!

Regina o repreendeu, percebendo que o marido espreitava Valerie e Greg.

Caminhavam com as mãos entrelaçadas.

-Deixa eles namorarem um pouco. Já basta a cena patética que você fez nossa filha passar colocando Roland entre eles no carro.

-Não devia ter feito isso.

-Não devia mesmo. (Suspirou.) –Falta muito para chegarmos onde você quer me levar?

-Por que? Você está cansada? Se quiser, podemos nos sentar...

-Não é isso. Só não aguento tanto suspense.

-Estamos quase chegando.

 Caminharam mais um pouco, alguns ciclistas passavam por eles, ou pessoas acompanhadas pelos seus cachorros.

Por fim, chegaram até onde Robin queria leva-la.

-Por que você me trouxe aqui? Não vejo nada de diferente.

Comentou, descontente.

-Observe Regina.

Esta, percorreu os olhos pela praça, não percebeu nada de diferente.

Robin apontou para o ambiente de trabalho.

-O escritório?

-Sim, mas não é somente dele que estou falando. (Regina franziu o cenho.) –Exatamente desse lugar é possível enxergar perfeitamente sua sala. (O homem sorriu.) –Eu costumava vir aqui quando estávamos separados. Para cuidar de você.

Regina o observava, emocionada.

Robin continuou: -Durante a noite era mais visível, por conta das luzes. (Acariciou o rosto da esposa.) –Foi a forma que eu encontrei de ficar mais perto de você, mesmo que não soubesse.

-Robin... (Murmurou, com a voz embargada.)

Roçaram seus lábios, em um beijo longo. Foram interrompidos por Roland, que puxou o casaco da mãe, como de costume.

-Eu quero um algodão doce, por favorzinho!

Pediu.

-Hum, vejamos...

Disse ela, sorridente.

-Tudo bem, mas você deve colocar seu casaco, querido. Está ficando mais frio.

-Eu coloco sim!

Afirmou, animado.

-Eu vou buscar, deixei no carro.

Comenta Robin.

 O mesmo se encaminhou até o veículo, pegou o casaco do filho e uma câmera fotográfica. Enquanto voltava até o lugar onde havia deixado a esposa e seu filho, vislumbrava com agrado sua família. Valerie e Greg também haviam se aproximado deles, ambos sorriam. No caminho, comprou algodão doce para todos.

Roland correu até o pai, ao perceber que o mais velho carregava consigo uma quantidade exorbitante de algodão doce, eram apenas cinco, mas para o menino, era considerado uma fartura.

-Espere, filho, antes gostaria de sugerir algo...

-O que pai?

-Vamos tirar uma foto em família...

Todos concordaram de imediato. Greg se ofereceu para fazê-lo.

Todos com um sorriso reluzente. A felicidade resplandecia no olhar de cada um.

-Venha tirar um retrato conosco, jovem.

Robin sugeriu, o que certamente surpreendeu a todos.

-Eu, senhor?

Perguntou, incrédulo.

-Sim, afinal, você faz parte da família, não faz?

Regina fitou o marido com orgulho. Este pediu para um homem de meia idade tirar o retrato de sua família.

 Logo em seguida, todos saboreavam o doce. Conversavam sobre assuntos diversos. Regina repreendia Roland, para que o menino não andasse muito rápido no balanço. Já Robin, orientava que Valerie e Greg não se afastassem.

 Terminada a guloseima, se dispersaram. Roland voltou a brincar. Regina e Robin, sentaram-se em um banco, observando o pequeno menino. O casal jovem retornou ao lugar que estavam anteriormente.

 De longe, Valerie contemplava a interação entre seus pais. Ambos sorriam, se beijavam, conversavam animados. Assim como eles, Roland também emitia felicidade. Fez amizade rapidamente com algumas crianças, brincando entre si.

 A jovem sorriu, porque sabia o quanto todos eles haviam sofrido para possuir tal felicidade. Juntos, que realizavam seus sonhos, afinal, uma família era tudo que cada um deles almejava, desejo esse, que se persuadiu durante um vasto tempo. Mas, que agora, tornava-se realidade.

Estavam em família.

 

 

                                                                          ***

Dois meses depois...

 

  Regina exibia sua barriga de seis meses. Esta crescia a cada dia que passava. Junto com ela, aumentava seus desejos pelo consumo de alimentos. Certa madrugada, havia sentido uma vontade imensa de comer maçã com maionese. O que causou gargalhadas em seu marido, que a acompanhava na cozinha, este, saboreava um sanduíche.

Contudo, seu principal objetivo era acompanha-la, e vislumbra-la saciando suas vontades. Não havia nada mais prazeroso.

 A curiosidade prevalecia em Regina conforme os dias passavam, afinal, Robin ainda se mantinha misterioso quanto a sua surpresa...

 Nesse período de tempo, foi realizada a cerimônia exuberante de casamento entre Emma e Killian. Esta, comentada com satisfação por todos.

 O quarto da pequena Elizabeth já estava mobiliado. Cada detalhe foi escolhido pela família Mills Locksley.

A tonalidade das paredes eram em um tom de pêssego e o teto branco, neste constava um lustre pequeno e delicado. O berço também era branco, coberto por almofadas cor de rosa e lilás.

Do seu lado esquerdo, havia um sofá rosa. Próximo a esse, um criado mudo, antigo. Em cima dele, havia um abajur da mesma cor do sofá, em seu lado, uma miniatura de carrinho de bebê.

Na parede constava três quadros, o do meio preenchido pela figura de flores. Os outros dois estavam vazios, aguardando a chegada de Elizabeth, para que fossem colocadas fotos da menina. Aquele se tornará um dos ambientes mais frequentados por Regina.

  Valerie havia chegado mais cedo naquela tarde. Caminhava pelo corredor onde ficavam os quartos, a procura de sua mãe. O que não foi nada dificultoso, afinal, a mesma emitia um tom de voz adorável, enquanto proferia a canção que costumava cantar para Roland, na intenção de fazê-lo dormir, e que segundo a própria, causava o mesmo efeito na criança em sua barriga.

 “Em algum lugar, além do arco-íris

Bem lá no alto

Tem uma terra que eu ouvi falar

Um dia, numa canção de ninar

                   

Em algum lugar, além do arco-íris

Os céus são azuis

E os sonhos que você ousa sonhar

Realmente se realizam

 

Um dia vou fazer um pedido pra uma estrela

E acordar bem além das nuvens

Onde problemas derretem como gotas de limão

Acima das chaminés

É lá que você vai me encontrar...”

 

  A porta estava entreaberta, a jovem se aproximou devagar. 

-Eu adoro quando você canta essa música.

Confidenciou, chamando a atenção de Regina.

-Filha...

Proferiu, interrompendo a canção. Esboçando um sorriso encantador.

-Estou interagindo com a sua irmã, o Dr. Whale disse que a partir dos seis meses os bebês começam a nos escutar, e que é bom falarmos com eles... Isso pode facilitar que o bebê retribua, se movimentando mais agitado, sendo possível senti-lo. (Suspirou.) –Mas, parece que a sua irmã não está interessada em manter contato comigo.

 Valerie percebeu o descontentamento no rosto de sua mãe. Sabia o quanto ela aguardava esse momento, assim como seu pai e seu irmão. Certa noite, começaram a narrar histórias infantis, mas a menina não se mexeu com precisão o suficiente para que pudessem senti-la.

 Na tentativa de confortar a mãe, depositou sua mão sob a dela. E a outra sobre sua barriga.

-Como você me diz, as coisas vão acontecer no seu tempo.

Ambas sorriram.

-Você está certa.

Um silêncio se persuadiu, enquanto a jovem acariciava a barriga da mãe, que contemplava aquela cena, sensibilizada.

-Mãe?

-Sim?

-Você demorou a sentir meus movimentos também?

Perguntou, espontânea, surpreendendo Regina. Jamais haviam compartilhado uma conversa sobre determinado assunto. Aquele era um dos poucos momentos que podia dividir com a filha. Afinal, o período de gestação foi o tempo em que ficaram juntas. Até o ano anterior...

-Digamos que com você, as coisas foram um pouco diferentes. (Sorriu.) –Pude senti-la quando possuía vinte semanas de gestação...

-Você ainda lembra?

Indagou, espantada.

-Como eu poderia esquecer?

Valerie não imaginava que o sorriso de sua mãe poderia se propagar ainda mais em sua face. Enxergava o amor que os olhos de Regina exalavam.

Tímida, a jovem proferiu:

-Me desculpe se ás vezes não demonstro o que sinto.

-Como?

-Gostaria de dizer mais vezes que eu te amo...

Os olhos de Regina marejaram.

-Não precisa se desculpar, eu sei que você me ama.

Disse, enquanto acariciava o rosto da filha.

-Mas, você ainda pensa que eu prefiro o meu pai.

-Eu tenho consciência do relacionamento que vocês constituíram juntos, Robin esteve presentes em momentos da sua vida que eu não pude estar... Você não precisa se justificar.

-Você não está me entendendo... Eu não posso escolher, os dois me completam. Não há preferência! O meu amor pelos dois é igual, nós fomos privadas de viver muitas coisas juntas... Mas, em tão pouco tempo, você conquistou um espaço aqui... (Coloca a mão sob o coração.) –Impossível de explicar, uma parte de mim vibra intensamente, a outra sente medo.

-Medo?

Regina perguntou, fungando. As lágrimas já inundavam seu rosto.

Em um sussurro, a jovem responde:

-Medo de te perder de novo.

-Você não vai me perder, eu prometo!

Afirmou Regina, esboçando um pequeno sorriso em meio à comoção que havia se formado.

Valerie que também chorava, respondeu:

 -É assim que sempre me senti, eu só não sabia como dizer isso.

 -Eu amo você, querida.

Regina proferiu, enquanto seus dedos limpavam as lágrimas que escorriam no rosto da filha. Esta faz o mesmo gesto com a mãe.

-Eu amo você!

 

 Mais tarde...

 

    Robin e Regina estavam sentados no sofá de três lugares, acompanhados pelo filho. Este, parecia estar distraído assistindo desenho animado. Valerie sorria estagnada, encarando a tela de seu celular, seu pai deduziu que a filha trocava mensagens carinhosas com Greg.

Robin percebeu a mudança no semblante da esposa. Regina emitia em seu olhar uma mistura de dor e contentamento.

-Você está bem?

Perguntou, preocupado. Chamando a atenção de seus filhos. 

-Estou sentindo ela!

Afirmou, eufórica. Exalando um sorriso que aos olhos do marido a deixava estonteante. Logo, este depositou sua mão sob a barriga da esposa. Regina a posicionou onde sentia os movimentos da pequena Elizabeth.

-Consegue sentir?

Perguntou, animada.

Logo os filhos, já estavam com as mãos no local especificado pela mãe.

-Sim!

Robin afirmou, um sorriso grandioso havia se formado em seu rosto. Lágrimas também se fizeram presentes. Regina percebeu a emoção do marido.

 O mesmo sempre fora um homem de palavras abundantes. Todavia, nos últimos meses, não conseguia encontra-las para definir o tamanho estupendo de sua felicidade. Sua família lhe proporcionava uma força que ele desconhecia, até o dia em que pisou naquela casa. Apreciava cada momento vivenciado com eles, até mesmos as pequenas discussões, isso não admitira, obviamente... Finalmente, havia encontrado em sua vida o real sentido da felicidade, a que não podia ser comprada, e sim vivida.

 A primeira manifestação de Elizabeth só servia para enaltecer ainda mais seus sentimentos. A vida que muitas vezes fora árdua, agora, o recompensava com grande proporção de felicidade, esta que não podia ser medida, e sim sentida. Durante toda a sua vida, soube que só havia uma coisa que fortalecia um homem: sua família. Naquele momento, ele era a prova disso.

-Estou sentindo ela, mamãe!

Afirmou Roland, animado, enquanto suas pequenas mãozinhas percorriam a barriga de Regina.

 

 

                                                                                 ***

 

    Regina possuía trinta e quatro semanas de gestação. O equivalente a oito meses. Sua barriga havia crescido em grande proporção nas últimas semanas, assim como o seu amor pelo bebê que gerava. Entretanto, o medo também aumentava.

 Na semana anterior, Whale havia sido específico que havia grandes chances do bebê nascer prematuro. E mesmo que tomasse alguns os medicamentos, estes não seriam suficientes. Tentou tranquiliza-la, dizendo que se aguentasse até as trinta e cinco semanas, o seu bebê nasceria saudável, sem chances de muito risco.

Sabia que Robin estava tão preocupado quanto ele. Porém, tentava manter o equilíbrio para que ela não percebesse. Admirava a atenção que seu marido exercia sobre ela, sempre atencioso... Desde o dia em que se casaram, não houve uma manhã da qual ela não recebeu uma rosa vermelha. Além disso, todas as noites, Robin lia capítulos dos livros que acompanhavam no momento. Até que ela adormecesse.

   Uma tempestade despencava sob Nova York naquela noite. O que, por consequência, assustava Roland, o menino possuía medo de chuvas fortes como aquela. No quarto da criança, deitada ao seu lado, Regina tentava acalmar o menino. Este, permanecia encolhido nos braços da mãe.

-Eu não vou conseguir dormir, mamãe...

-Vai sim, querido. (Sussurrou.) –É apenas uma chuva.

Comentou, enquanto afagava o cabelo castanho do menino.

Naquele momento, Robin bate na porta. O que certamente surpreendeu sua mulher.

-Posso entrar?

 Perguntou, receoso. Percebeu o olhar fuzilante de Regina, esta sequer havia lhe dirigido a palavra desde que chegara. Não a culpava, havia chegado tarde em casa, tecnicamente ele já estava lá, mas Regina não sabia, afinal não tinha ideia que a surpresa foi realizada em sua própria casa, o tempo todo...

Recebeu um sim animado de seu filho como resposta. Como a esposa não havia contestado, entrou. Sentando-se ao lado do filho, este se encontrava em meio ao casal.

-Vocês dois poderiam me contar uma história para mim e Elizabeth, assim posso sentir ela.

-Acho difícil... (Regina, suspirou.) –Ela não se mexeu hoje.

Estava preocupada, afinal desde que começara a se movimentar, Elizabeth chutava e realizava movimentos com frequência...

Naquele momento, Robin soube que não era somente seu atraso que incomodava Regina.

-Ela deve estar dormindo, mamãe.

Regina sorriu, diante da ingenuidade de seu filho.

-Eu não havia pensado nisso...

Roland esboçou um sorriso genuíno em seu rosto.

-Vocês vão me contar uma história ou não?

 Robin se prontificou.

-Se você me permitir...

Regina consentiu, estava prestes a se levantar...

-Fica.

Os dois pediram, em uníssono.

-Já que vocês insistem.

Sorriu. Voltando a posição que estava antes.

-Começa com a historinha, papai!

O menino pediu, animado.

-Vou contar a história de um homem nobre e gentil, cuja principal virtude era enxergar o bem nas pessoas... Ele tinha dois filhos maravilhosos, os amava com intensidade o suficiente para conquistar o mundo! (Gestículou.) –Mesmo assim, sentia que faltava algo, uma parte sua estava incompleta...

Robin encarou Regina. Esta já havia percebido que ele narrava sua própria história, questionava-se até onde ele pretendia chegar com tudo aquilo...

-Continua, papai.

-Certa manhã, ele conheceu a mulher que mudaria sua vida. (Vislumbrou o sorriso que se formava no rosto da esposa.) –No começo, eles não se suportavam, mas, com o tempo, uma amizade floresceu, rapidamente sendo substituída pelo amor.

-Papai, eu acho que essa é uma história para adultos...

-Você está certo... (Sorriu.) –Mas, eu preciso que escute mais um pouco, é única forma de sua mãe me desculpar, você quer me ajudar ou não?

Murmurou, enquanto piscava para o filho. Este realmente acreditava que a mãe não havia escutado.

-Eu vou te ajudar, papai.

Disse, ainda mais baixo, sorridente. Elevando o tom de voz, proferiu:  

-Continua, papai, estou adorando!

Afirmou animado.

Regina negava com a cabeça, o sorriso presente. Voltou sua atenção ao marido, que continuou...

 -Eles se amaram profundamente... Como toda história, tiveram problemas, e ficaram um tempo separados. Com o tempo, as coisas se resolveram entre eles. Casaram-se e constituíram sua própria família. O homem jamais se sentiu incompleto, pelo contrário. Sendo assim, resolveu provar ao seu grande amor, o quanto ela é importante em sua vida. Resolvendo então lhe preparar uma surpresa. A executou durante oito meses...

-Qual era essa surpresa, papai?

Roland perguntou, sonolento.

-O resto dessa história será revelada amanhã de tarde...

Regina fitou o marido, sabia que ele não estava falando da história... Robin sorriu, diante da reação da esposa.

Perceberam que Roland havia adormecido.

-Será que estou desculpado pelo meu atraso?

-Somente se a surpresa valer a pena, nunca vi algo demorar tanto.

-Você vai entender amanhã.

Sorriu, satisfeito.

Pela primeira vez, Regina percebeu a expressão de cansaço que o marido exalava. É desperta pelas palavras do próprio.

-Será que vamos dormir brigados?

-Não estamos brigados, Robin.

-Não? Então... Eu posso te beijar?

                                                                        ***

   Regina havia passado uma noite dificultosa, mudava de posições a todo momento. O que preocupou seu marido. Este, a questionara diversas vezes como se sentia. A esposa negou sentir dores, dizia que tentava encontrar a melhor posição para dormir, que a barriga lhe causava desconforto...

De qualquer forma, ambos permaneceram a noite acordados.

  O dia havia amanhecido tão chuvoso quanto a noite anterior... Assim que desceu, Robin encontrou a filha e Theresa organizando a mesa do café da manhã.

-Não vai trabalhar hoje, pai? Já passa das nove horas...

-Eu vou ficar em casa hoje, apesar de sua mãe não admitir, acho que ela não está bem...

 No quarto, ao perceber que o marido havia descido, Regina se encaminhou com dificuldade até o banheiro. Sentia contrações fortes e repetitivas, o que a assustava. As dores se intensificavam ainda mais.

-Você precisa ser forte, meu amor. (Disse, com a voz embargada.)-Não está na hora ainda, nós duas temos que aguentar mais uma semana.

Suplicou, em meio as lágrimas que escorriam.

 Em seu ventre, Elizabeth executava movimentos rápidos.

“Sinto muito, mamãe, mas eu não posso esperar mais...”

O bebê se movimentava bruscamente, causando dores em Regina. Logo, rompeu o líquido amniótico.

-AI!

Gritou, sua voz carregada de padecimento. Foi atingida por mais uma contração, esta porém mais forte de todas. Fraca, procurou se segurar com firmeza na pia. Encarava o chão.

 Sentiu um líquido escorrer dentre suas pernas, semelhante a uma água morna.

  Ao escutar o grito da esposa, Robin subiu as escadas rapidamente. Adentrou o quarto, percebendo que a luz do banheiro estava acesa, se encaminhou até o cômodo, apressado.

-Regina!

Afirmou aturdido, a vislumbrando.

-Robin...

Murmurou com a voz embaraçada. O marido percebeu as lágrimas que escorriam na face da mulher, seus olhos exalavam medo.

Correu até a mesma, a segurando em seus braços. Somente nesse momento, Regina se sentiu segura, nos braços do homem que amava.

-Eu sabia que havia alguma coisa errada, por que você não me disse?

Questionou, percebendo que ela suava frio, sua pele estava mais pálida.

Saíram do quarto às pressas. No corredor, passaram pelo filho, que havia se acordado com o grito da mãe. Este se assustou ao ver sua mãe chorando nos braços de seu pai.

Enquanto desciam as escadas, em meio ao pranto descomedido, Regina proferia:

-Isso não devia estar acontecendo... Eu precisava ter aguentado mais, Robin, eu sinto muito. (Fungou.) –As coisas estão se repetindo, sou uma fraca.

Descido as escadas, se encaminhava com a esposa até a porta.

Valerie estagnou. Sentia o sofrimento da mãe em cada palavra. Fora desperta por seu pai.

-Ligue para seus tios e avós, diga para nos encontrarem no hospital.

Dito isso, saíram pela porta.

 Na garagem, colocou a esposa com cuidado dentro do carro. Regina acariciava a barriga, e respirava profundamente.

Robin dirigia mais rápido que de costume. No entanto, a forte chuva dificultava um pouco. Na tentativa de acalmar Regina, disse:

-Vai ficar tudo bem, você é a pessoa mais forte que eu conheço.

A encarou. Esboçando um pequeno sorriso, tentava disfarçar o medo que se persuadia dentro de si mesmo.

O restante do caminho fora feito em silêncio. As contrações aumentavam cada vez mais.

 Enfim, chegaram ao hospital. Whale a atendeu rapidamente. Percebendo a dilatação de Regina, sabia que a hora havia chegado... Optou por realizar uma cesárea, afinal, Regina já possuía uma certa idade, e seu primeiro parto havia a prejudicado, seu estado era delicado.

Explicou a Robin todo o procedimento que seria realizado.

 Robin concordou de imediato. Não queria que nada prejudicasse sua esposa, estava nervoso. Sabia que ela não estava bem.

 Logo a maca em que Regina estava, percorria o corredor em direção a sala em que seria realizada a cesárea. As mãos de Robin e Regina se entrelaçaram. Tendo como objetivo, transmitirem força um ao outro, juntos.

 Já na sala, anestesiaram Regina. Na sua região lombar e entre suas vértebras da coluna. Aplicando apenas para que não sentisse dor, mantendo-a acordada.

 Assustada, Regina procurava pelo olhar do marido com frequência, este lhe emitia paz, seus oceanos azuis eram capazes de reconforta-la.

 Assim que a anestesia fez efeito, Whale realizou uma incisão transversal. Cortando seu abdômen e seu útero, e algumas camadas de tecido no caminho. Rompendo a parede uterina, e a bolsa das águas, o doutor estava tendo acesso ao bebê.

 Robin passava um lenço no rosto da esposa, secando seu suor. Regina estava nervosa, e insegura, isso a deixava ainda mais frágil... Suas mãos permaneciam unidas.

-Vai dar tudo certo...

Sussurrou, passando o pano na testa dela.

  Elizabeth sentia que estava sendo puxada...

“Mamãe? O que está acontecendo? O ar está mudando, estão me tirando de você... Mamãe?”

 A criança chorava em desespero, a partir daquele momento, Elizabeth estava propensa ao mundo. Seu choro estridente se propagou pela sala. Emitindo um efeito sonoro que fora agraciado exorbitantemente pelos pais, os causando um sorriso reluzente em seus rostos. Lágrimas de comoção se formavam em seus olhos.

O médico a avaliou, verificou sua oxigenação. Logo em seguida, cortou o cordão umbilical. Entregou a menina para uma avaliação mais completa, apesar de ser um bebê prematuro, era saudável.

 A menina foi entregue ao pai, que pela primeira vez soltou a mão da esposa. Segurar a filha tão pequenina em seus braços fora fascinante. Sorria, suas íris azuis se encontraram com as da filha.

-Me deixe vê-la.

Regina pediu. Sua voz soou baixa, mas em uma altura audível para que ele se aproximasse.

A entregou para esposa, esta esboçou um sorriso elusivo. Colocando a menina sob seu peito.

 Naquele momento, Regina teve absoluta certeza de que ganharia muito mais do que apenas o choro de seu bebê, a sentia. Seu corpo pequeno colado ao seu, sua respiração suave, suas pequenas mãozinhas... Havia perdido seus medos, tudo era diferente agora.

-Seja bem-vinda!

Afirmou, contente.

Acariciando a cabeça pequena da filha.

“Finalmente posso sentir minha mamãe mais próxima de mim. E o meu papai também. Se é assim a vida após o parto, desejo que ela não acabe nunca!” 

-Eu sabia que você iria conseguir...

Disse Robin, deslizando sua mão pelas costas da filha, enquanto fitava sua esposa.

-Nós conseguimos!

 

Mais tarde...

 

 No berçário, Valerie e Roland observavam os bebês. Acompanhados de Granny.

-Qual é a nossa irmãzinha?

Roland perguntou.

-É a do meio.

Valerie respondeu, admirada enquanto encarava Elizabeth. Seus olhos emitiam adoração.

  Depois de insistir muito, Granny teve autorização para segurar a menina em seus braços.

 Roland ficou eufórico, pulando. Pedia para que a avó se abaixasse para que pudesse tocar na irmã.

A mais velha consentiu, sendo assim o menino beijou a testa de sua irmã.

A mais velha proferiu:

-Você será o irmão mais velho agora, deve cuidar dela.

O menino concordou.

Valerie sorriu.

 

 

 

  Robin aguardava que a esposa acordasse. Afinal, depois do rápido contato com a filha, Regina concluir o restante dos procedimentos. Logo em seguida havia adormecido.

O que já fazia algumas horas, em breve despertaria.

-Robin...

Regina o chamou, docilmente, o fazendo levantar do sofá rapidamente. Foi até a cama com um sorriso em seus lábios, percebendo que a esposa já aparentava estar melhor.

Mesmo assim, perguntou:

-Como você está?

Seu tom de voz saiu mais apreensivo do que pensava.

Regina sorriu, diante da preocupação do marido. Gostava de se sentir amparada.

-Estou bem, não precisa se preocupar.

Respondeu, depositando sua mão sob a dele. Este já havia sentado na cama, ao seu lado.

Levou a mão que sobrara até o rosto da esposa, o afagando com ternura.

-Você me assustou...Fiquei com tanto medo de te perder.

-Me desculpe, eu estava assustada. (Robin consente.) –Como ela está?

-Está ótima! (Sorriu.) –Apesar de prematura, os médicos disseram que ela é uma menina forte e saudável. Nossa família está babando por ela. Todos querem ver você, mas tem dois visitantes em especial que ainda estão inquietos.

Robin se dirigiu até a porta. Ao abri-la, fez um gesto para que entrassem.

 Roland e Valerie adentraram o quarto de mãos dadas. Até o mais novo sair correndo, e subir na cama, abraçando Regina.

-Mamãe!

Beijou o rosto de Regina. Esta, retribuiu o abraço com intensidade, enquanto afagava os cabelos castanhos da criança.

-Hey, meu pequeno homem. (Levou o dedo indicador até o nariz do filho.) –Como você está?

-Eu fiquei preocupado, mamãe, você saiu chorando.

Regina emocionada, esboçou um pequeno sorriso, constrangida. Havia assustado seu filho. Logo, respondeu:

-Me desculpe, querido, mamãe estava com medo...

-Assim como eu tenho medo de tempestades?

-Exatamente.

Sorriu, acariciando o rosto de Roland. Este, estava sentado ao seu lado na cama.

Pela primeira vez, os olhos de Regina se encontraram com os de sua filha. A mais jovem deixava uma lágrima escorrer em sua face.

-Valerie o que houve?

Perguntou, erguendo sua mão em direção a filha. Esta, depositou sua mão sob a de sua mãe e se aproximou.

Regina fez um gesto para que a mais jovem se sentasse ao seu lado, como seu irmão. Assim a jovem o fez.

A mãe secou a lágrima da filha.

-Não se preocupe, já estou bem.

-Claro que devo me preocupar, o que foi?

-Nós ficamos com tanto medo... você sabe o quanto te perder me deixava apavorada.

-Me desculpe, eu estava tão assustada quanto vocês. O seu parto foi complicado, eu fiquei com medo que a história se repetisse, minha vida é diferente agora... Eu tenho você, o seu irmão, o seu pai.

Respondeu enquanto encarava ambos.

Robin, que até então, estava mais afastado contemplando a esposa e os filhos, se aproxima.

-Estamos juntos agora, todos nós participamos do nascimento de Elizabeth. Vamos poder contar essa história para ela.

Robin disse.

Todos sorriram.

Regina foi surpreendida pelo beijo repentino de seus filhos, cada um de um lado de seu rosto.

-Eu amo vocês.

Ela proferiu, felicidade exalava em seus olhos.

   Tanto Valerie quanto Roland estavam exaustos. Senhor Henry e Cora os levaram para casa.

   Após a saída dos filhos, Regina dormiu mais um pouco. Quando acordou, vislumbrou uma cena fascinante. Sua pequena Elizabeth nos braços do pai, Robin a ninava sutilmente de um lado para o outro, sorridente. A menina estava tranquila nos braços do pai.

-Você fica tão bonito assim, cuidando dela... (Murmurou. Chamando a atenção do marido.)-Me deixe vê-la de novo.

Pediu, enquanto se sentava.

Robin se encaminhou até a cama. Entregando a filha para a mãe.

 O sorriso de Regina, era tão radiante quanto o seu. Amor era tudo que seus olhos exalavam enquanto observava a filha.

-Cante para ela, como costumava fazer. (Robin pediu.) –Eu vou adorar participar desse momento.

  Seguindo a orientação do marido, Regina o fez. Fazendo com que a filha adormecesse em seus braços pela primeira vez.

 

 

                                                                       ***

 

  Cinco dias depois do nascimento de Elizabeth. Regina pode retornar para casa.

No quarto da filha, Robin tinha a esposa envolvida em seus braços. Ambos, observavam sua pequena criança dormindo em seu berço. O sorriso estavam estampado em seus rostos.

-Eu fico feliz que ela tenha os seus olhos.

Regina comentou.

-E eu agradeço que o restante dos traços dela sejam semelhantes aos seus e aos de Valerie.

Murmurou.

Robin a virou, seus olhares se encontraram por alguns segundos.

-Eu te amo.

Ele sussurrou, a beijando logo em seguida.

-Eca...

Afirmou Roland, adentrando o quarto da irmã. Seus pais sorriram diante da reação do menino.

-Roland, fale um pouco mais baixo, Elizabeth está dormindo.

Robin, disse.

-Me desculpe.

Pediu, em um sussurro. Se aproximou do berço, enquanto a fitava, proferiu:

-Eu gosto da ideia de ser o irmão mais velho. Já sou um mocinho, e vou proteger minha irmãzinha.

 Regina e Robin encaravam o filho com orgulho. Antes de que fosse possível elogia-lo, uma alteração de vozes vindas do corredor os chamou a atenção. Seguiram até a porta.

Valerie e Greg discutiam.

-O que está acontecendo aqui?

Regina perguntou.

-O Greg, mãe, disse que esse vestido está curto.

-Pois ele está certo!

Robin se manifestou.

-Pai!

-Obrigado, senhor Locksley.

-Um palmo acima do joelho e vocês acham curto?

Perguntou Regina.

Robin suspirou:

-Eu acho melhor deixar que eles se resolvam. Nós temos algo para fazer agora.

-Temos?

Regina franziu o cenho.

-Sim.

Ele sorriu.

Roland interveio na discussão da irmã.

-A Val está bonita com essa roupa.

Greg sorriu, diante da atitude de seu pequeno cunhado.

-Espere até você estar apaixonado por alguém.

Valerie interfere:

-Ele já está!

 Afirma a jovem sorridente.

-Val!

O menino proferiu, bravo. Cruzando seus braços.

Robin e Regina se entreolharam. A mesma encara o filho, com um sorriso ameno, perguntou:

-Você está apaixonado, Roland? Não acha que é muito novo para isso?

 

 

                                                                         ***

 

    Por conta da brisa suave daquela tarde de verão, Regina deduziu que estivesse no quintal de sua casa. A mesma estava vendada, sendo guiada por Robin.

-Por que estamos no quintal?

Perguntou, curiosa.

-A surpresa está aqui Regina. Sempre esteve, na sua própria casa, todo esse tempo. Você possui riquezas que desconhece.

Comentou, em meio ao riso.

  Prosseguiram em passos lentos, escutavam o canto de alguns passarinhos, o que era comum naquela época do ano.

-Chegamos.

Robin disse.

-Já posso tirar a...

-Ainda não.

Ele respondeu, se afastando.

  Regina ouviu o barulho de uma porta sendo aberta. Estranhou, afinal, não havia nenhuma peça, mesmo que pequena, construída no seu quintal.

Logo, sentiu o calor do corpo do seu marido próximo ao seu. Este, murmurou em seu ouvido.

-Pense na primeira rosa que te presentei naquele baile, relembre o significado que elas possuem. Depois disso, abra os olhos.

Orientou o marido, que enquanto proferia tais palavras, tirava a venda da esposa.

Feito o que lhe foi determinado, abriu os olhos. Estagnou, sua boca abriu, seu coração acelerou descompassado. Sua emoção era tanta que nada conseguiu dizer, sequer passos era capaz de dar.

 Seus olhos lacrimejados, fitavam as flores. Seu marido havia construído uma estufa com vastas espécies de rosas.

-Você não vai entrar?

Ele perguntou, sorridente, percebia o impacto que sua surpresa havia causado em sua mulher. Esta, sorriu em meio ao pranto. Adentrou o local, logo fora inebriada pelo aroma que as flores possuíam.

   O teto era feito de um vidro sólido, propriamente elaborado para ambientes como aquele. As rosas precisariam de claridade para serem cultivadas, o sol daquela tarde contrastava com as flores. Tornando tudo ainda mais exuberante.

 Com exceção da parte dianteira, as laterais e o fundo também eram envidraçados. Envolta das laterais, havia uma bancada, esta coberta por vastas quantidade de roseiras, plantadas dentro de vasos de cerâmica. No meio, uma mesa arredondada, sua superfície também era envidraçada. Seus pés, adornados em ouro.

Sob ela, constava unicamente um vaso em qual havia a muda de rosas vermelhas. Afagou elas com ternura.

-Robin...

Murmurou, emocionada.

-Você gostou?

Ele perguntou. Enquanto decifrava os sentimentos que a mesma exalava. Embora, já soubesse a resposta, resolveu argumentar. Afinal, não havia nada mais agradável do que escutar a voz de sua esposa.

-Eu amei! Estou encantada, esse lugar é perfeito!

Afirmava, atônita, recebendo um sorriso radiante do marido como resposta. Seus oceanos azuis transpareciam contentamento. Poderia facilmente os fitar o restante da tarde, no entanto, uma carta que estava sob a mesa lhe chamou a atenção.

-Escrevi para você.

 Robin disse, percebendo a curiosidade que sobressaltava na expressão facial de Regina. A mesma a abriu, logo em seguida. Seus olhos percorreram as primeiras palavras escritas...

 

“  Meu amor, espero que tenha gostado dessa pequena surpresa. Resolvi construir uma estufa para que nós dois possamos cultivar nossas próprias rosas, assim como fazemos com o nosso amor.

Essa surpresa não é nada mais do que um simples gesto para provar o que sinto... Desde que nos reconciliamos, você tem me proporcionado uma felicidade imensa que nenhuma palavra proferida será capaz de mensurar.

 A nossa família constituiu laços indestrutíveis. Juntos, completamos um ao outro. Dizer neste momento, que me considero o homem mais feliz, ou o mais sortudo desse mundo, é pouco.

Você apareceu repentinamente em minha vida. Éramos dois corações humanos, e ainda por cima, feridos, cuja vida havia aturdido em diferentes circunstâncias... Até encontrarmos um no outro, uma possibilidade de sermos felizes; uma segunda chance.

 Jamais esquecerei do gosto do seu lábio junto ao meu, ou das nossas noites de amor...

Nunca irei olvidar a imagem de te observar narrar uma história para Roland, ou ajudar Valerie com algum trabalho exaustivo da universidade. Aprecio a forma que você consegue acalmar Elizabeth rapidamente. Você tem o toque de uma mãe, eu sempre percebi isso, antes mesmo de entregar seu coração para mim.

 Será impossível de esquecer a forma elegante que saboreia sua refeição, e escova seus belos cabelos negros. Ou até mesmo desabotoando suas blusas refinadas de algodão.

 Escrevo essa carta com o intuito de enaltecer como me sinto diante de você e dos nossos filhos. Espero que desculpe meus atrasos, as músicas altas que eu pedia para Valerie colocar quando eu precisava. Me perdoe, sei o quanto essas coisas te incomodavam às vezes.

 Enfim, acredito que toda grande história vivida entre um homem e uma mulher merece uma carta de amor. Agradeço a você por mudar a minha vida.

Eu te amo!

R.L ”

 

  Lágrimas inundavam o rosto de Regina, a mesma fungava.

-Robin... Eu não sei o que dizer.

-Tudo bem, nem sempre as palavras bastam.

Respondeu, se aproximando e secando as lágrimas de sua mulher.

Regina depositou sua mão macia no rosto dele, seus olhos castanhos intensos fitaram seus oceanos azuis.

-Mudamos um ao outro. Eu amo você!

Sussurrou.

 Selou seu lábio no dele, um beijo de carinho e adoração. Suas línguas dançavam entre si. Robin, a segurou pela cintura com firmeza. O beijo fora prolongado, embora precisassem de ar, suas bocas não queriam se desvencilhar. Sentiam necessidade de ter um ao outro.

-Eu te amo, Regina.

-Eu te amo, Robin.

-Você realmente me observa enquanto estou comendo?

Perguntou, tímida.

-Mas é claro! Você fica tão linda!

Afirmou, arrancando um sorriso de sua esposa.

-Eu me esqueci de escrever o quanto você fica sexy enquanto lê. E também não me desculpei por todas as vezes que não bati na porta.

Ambos sorriram.

-Devo admitir que eu gostava da maneira que você me enfrentava.

  Durante os minutos que se sucederam, trocaram beijos e carícias. Todavia, nesse momento, Robin explicava a Regina o significado das flores escolhidas por ele.

 O casal estava parado diante da roseira cor de rosa.

-Elas representam o amor e carinho que sentimos um pelo outro. (Acariciou a face da esposa, um passo e já se encontravam diante das rosas champanhe.)-Essas representam a fidelidade entre o casal. As brancas simbolizam a inocência e pureza dos nossos filhos. As azuis significam o amor eterno. (Sorriu.) –Como o nosso.

Regina se manifesta:

-Eu não sabia... Elas também me lembram os seus olhos.

Comentou, enquanto afagava uma delas.

 Robin guiou Regina até as rosas amarelas.

-Essas remetem a felicidade da nossa família!

 Apesar de conviver a mais de um ano com Robin, ela ainda se encantava com a sensibilidade de seu marido. Este associava as rosas de acordo com seu relacionamento... O encarou, comovida.

-Você cuidou de tantos detalhes... (Fitou o ambiente, extasiada.) –Vou agradecer todos os dias pelo destino ter colocado você no meu caminho.

Amor reluzia nos olhos dela.

A mesma seguiu até a mesa central

-Diga o significado delas para nós dois...

Murmurou. Sentindo o marido abraça-la, depositando beijos em sua nuca. Sua barba por fazer a eriçou, o que a fez sorrir.

-Você já sabe... (Respondeu em mesmo tom.) –Elas fazem parte da nossa história.

 

 

                                                                                          

                                                                                                                Fim.


Notas Finais


E aí o que acharam?
O último capítulo superou as expectativas? Grande não é?
Leitoras que nunca comentaram ou se prontificaram, deixem seus pensamentos aqui, compartilhem comigo o que sentiram ao longo desses meses... Não custa nada. :) ♥
Sobre as possibilidades de uma possível 2 temporada para CF, eu não nego... mas, também não prometo.
Em relação a Quatro Estações, eu postei a data de estréia na página, mas por conta dos meus problemas eu não sei se vou manter os meus planos. De qualquer forma, estarei sempre atualizando na minha página, não vou sumir não. Sentirei saudades, serei eternamente grata pelas amizades que CF e esse universo OQ ♥ vem me proporcionando...
Vocês já devem estar cansadas rsrsrs se precisarem de algo sabem onde me encontrar, no TT, na página, ou no meu próprio FB. :) ♥
Beijos, até logo!


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