História Correntes Injustas ( HIATUS) - Capítulo 24


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Drama, Igreja, Mistério, Romance
Visualizações 20
Palavras 1.918
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


FOTO: Brenzes/Deborah

Capítulo 24 - Insônia...


Fanfic / Fanfiction Correntes Injustas ( HIATUS) - Capítulo 24 - Insônia...

*Passado*

 

Narradora

- Bu! – Sorriu após assustar a pobre Emily imóvel a sua frente. – Te assustei? – Perguntou cínico.

O rosto de Emily ficou confuso. Ele estaria brincando com ela? Ou suas palavras tinham sido verdadeiras? Ela não soube como reagir, não sabia se ficava mais aliviada ou se devia apenas absorver aquilo como uma ameaça.

- É, parece que sim, olha a sua cara – zombou apontando o dedo pra ela. Emily se levantou em um movimento rápido.

- Eu preciso voltar, com licença – se despediu  o dando as costas.

- Ei – ele a chamou. Um simples “Ei” a fez sentir um calafrio percorrer o seu corpo. – Seu zíper esta aberto Mais Bela. – Ela tocou as costas com uma das mãos e logo a mesma foi segurada por ele. Seu corpo pareceu levar um choque pelo toque do rapaz. Luí sabia o estado em que a garota estava, sabia que seu jeito de falar com ela a tinha atingido.

- Devia ser mais cuidadosa não acha?- Sussurrou fazendo questão em esfregar a ponta de seu nariz na orelha da mesma que continuou petrificada no chão. – Eu cuido disso pra você – sussurrou outra vez. Fechou o pequeno espaço do zíper que ficou aberto. – Assim está melhor.- ele agora segurava seus ombros ainda atrás do corpo dela.

- Obriga-da – ela conseguiu dizer, mas sua palavra quase saiu como um gaguejo já que saiu tremula. Ela começou a caminhar e respirou fundo quando conseguiu sair do camarim.

Luí observando a cena colocou suas mãos nos bolsos da calça e sorriu de lado.

 

***

Como já não bastasse tudo o que Emily já estava passando, ainda lhe aparece mais um que tem escrito “encrenca” na testa.

Após aquela “noite” acabar, que pra Emily durou mais do que o normal, Leonel convocou as meninas para uma pequena reunião em uma sala vazia, onde a única cadeira que havia era a dele. Phablo também estava presente e também não podia faltar Luí que estava escorado na parede mais atrás enquanto Phablo permanecia de braços cruzados escorado em uma coluna não tão longe do Pai.

Não havia nada além do medo nos olhares daquelas meninas, 16 no total, que ficaram em uma linha reta esperando qualquer que fosse a noticia boa ou ruim que sairia da boca do Sr.Leonel.

 

- Vejamos – Leonel estava fumando o seu velho amigo charuto. – Ultimamente não estamos tendo muitos deslizes aqui, graças é claro ao meu filho – nessa hora Emily olhou de relance para Phablo que estava de cabeça baixa apenas ouvindo. - mas, é uma “pena” que não tenham aproveitado tal chance que eu deixei. Acreditem, eu não sou assim tão má. Todas as 16 são magnificas, porém, 16 são demais. Então facilitei pra vocês.- As meninas começaram a ficarem confusa com toda aquela historia que no momento não estava fazendo sentido nenhum - Quantas vezes não viram as portas de saída de emergência abertas? Quantas vezes foram pedido a vocês que jogassem o lixo fora sozinhas? Hun? -  as meninas começaram a se entreolharem não entendendo nada.

 - Só vocês não conseguiram enxergar. Phablo fez tudo isso e nenhuma nem sequer tentou a sorte. Eu deixaria que 3 fossem embora, mas foram burras demais pra ver – Leonel gargalhou alto, enquanto algumas meninas começaram a chorar. Outras colocaram a mão na boca para tentar calar o choro que vinha como uma onda. Mas Emily só conseguia olhar pra um lugar, pra ele. Ela estava sem palavras, inconformada enquanto uma lagrima grossa escorreu pelo seu rosto, lagrima essa de indignação. Sentiu uma fisgada dentro de si, sua respiração quase parou pelo baque. Phablo levantou o olhar pra ela que ainda o fitava com magoa. Ele havia brincado com ela, com todas elas.

 

- Parece que vamos ter que ficar com as 16 agora, e eu não consigo me sentir mal por isso – Leonel cortou o sorriso e se levantou passando entre elas. Chegou até Carla. – Carla, minha Joy, eu achei que fosse perder você  – ele acariciou seus cabelos enquanto a mesma o olhava nos olhos com repulsa. Depois ele continuou o seu caminho. – Brenzes – a menor tentava conter os soluços – Por que não se acalma Hun? O que seria de mim sem seus olhos? – segurou o rosto da menina olhando em seus olhos – Até chorando você permanece uma deusa – a menina a sua frente parecia estar presa em algum outro lugar, seus olhos estavam sem vida e ela permanecia perdida em meio a confusão dentro de si. Ele a soltou e foi onde Emily estava. – Lie minha pequena – ele curvou seus lábios em um sorriso – Onde esteve a sua garra quando aquelas portas estiveram abertas? – a provocou – Ele deixou que fosse embora – apontou para o filho ainda olhando pra ela – Onde esteve o seu foco? – sussurrou próximo ao seu ouvido enquanto tocava o seu rosto com uma das mãos.  Emily trincou os dentes, ela não queria chorar na frente daquele homem, embora os seus olhos estivessem inundados por sua revolta. Ele deu uma leve batidinha no seu rosto e se distanciou voltando para o seu lugar de inicio. Emily voltou seu olhar para Phablo que a olhava serio observando a sua feição.

- Já que não quiseram me deixar, vamos continuar a nossa rotina. Vocês estão me dão muito orgulho, são preciosas e por serem tão valiosas eu vou cuidar bem de vocês. Amanhã irão a uma clinica fazer aqueles exames diários que fazem a cada 3 meses. Estejam prontas para mim, eu virei buscar vocês. Por hora vão para as suas casas e descansem pra amanhã. É melhor não tentarem nada, porque a chance eu já dei, ela não vai mais se repetir. Se tentarem fugirem, é melhor lembrarem que eu pegarei vocês – ele levantou a mão apontando pras meninas simbolizando uma arma e atirou. Elas permaneceram em silencio, nenhuma palavra mudaria a decisão daquele homem. Elas sabiam que ele era capaz de tudo. – Vão embora, nós iremos fechar – Leonel colocou o charuto na boca novamente inalando aquela fumaça e saiu da sala acompanhado pelo filho Luí. Algumas meninas caíram no chão tentando chorarem em silencio.

Phablo saiu da coluna e segurou a porta para que as mesmas saíssem. Sem nem precisar dizer uma palavra, elas se levantaram e aos poucos começaram a sair. Destruídas, abaladas demais. Emily foi a ultima delas. Se aproximou da porta e seus pés pararam quase que de frente a ele enquanto seu corpo permanecia de lado. Ela virou a cabeça e o encarou. Ele tentou não olhar pra ela, mas suas palavras o fizeram olhar.

- Eu me enganei – sua voz saiu tão embargada e fria, ela até mesmo forçou um sorriso. Phablo nada disse, ela então passou pela a porta.

 

***

Já na mansão enquanto Phablo permanecia em seu quarto com uma xícara de café nas mãos, ele observava a madrugada da janela. Os seus pensamentos se encontravam em apenas um lugar. Naquela sala. No olhar dela, no olhar de reprovação e decepção. Havia mais meninas ali, mas só o dela incomodou tanto o seu coração frio.

Leonel tinha dado tal ideia para o filho, logo após o comentário do mesmo sobre a quantidade das meninas. Ele concordou com esse plano e agiu abertamente.

Baixava a guarda, as deixavam sozinhas, as mandava fazer coisas lá fora sem nenhuma supervisão. E quase todas as vezes que era pra fazer com ela, ele colocava outra em seu lugar. Ele queria que ela fosse embora, queria muito. Tanto que um dia pediu ao taxista dela para não vir, a deixaria ir sozinha, a deixaria livre para ir, mas ele perdeu a cabeça por um momento e quando viu já estava com o seu carro a esperando pra leva-la.

Ele queria tanto que ela sumisse da sua vida, mas ao mesmo tempo queria que ficasse. Por algum motivo, por alguma razão.

Da sua janela ele se perguntava o porquê de ser tão difícil abrir mão dela. O seu tempo estava acabando ali, assim como as chances de vê-la. E agora com toda certeza ela o odiava. Logo quando pensou em que as coisas estavam mais ‘’calmas’’ entre os dois. A tempestade voltou trazendo consigo um furacão que a levou pra longe dele outra vez.

Ele não disse nada, ele podia ter falado, mas não conseguiu. Ele desejou não sentir culpa no peito, mas não conseguiu evitar não sentir ao ouvir tais palavras soarem.

 

“ – Eu me enganei”

 

Choveu novamente.

 

***

Do outro lado da cidade, em sua janela, ela acompanhava a chuva com suas lágrimas de solidão e tristeza. E ela sabia que não estava chorando só por que sua liberdade foi colocada em jogo outra vez, mas por ele. A cada dia que se passava ali, ela ficava ainda mais curiosa por ele, por descobrir sobre ele, mas agora, tudo o que queria era não ter tido tal pensamento, pois estava descobrindo o que não queria. Não queria que fosse verdade tudo isso, mas agora parecia tudo mais real. Tudo não passava de um jogo pra eles, onde elas eram as peças e eles quem comodava os passos, passos esses que a cada vez dado, as mergulhavam em um pesadelo de angustia sem fim.

E cada uma das meninas naquela noite chegou as suas casas, tão abatidas e perdidas. Haviam perdido uma chance que foi tão invisível aos seus olhos por parecer tão impossível, mas que agora parecia ter tirado o calor do coração. Não aguentavam mais.

Carla se sentou no chão gelado do banheiro em meio ao banho, abraçando seus próprios joelhos, amargurada enquanto a maquiagem escorria por seu rosto e seus cabelos molhavam. Estava desolada.

 

Brenzes, que tinha apenas 18 anos, e já teve que passar diversas coisas horríveis durante um ano naquele lugar. Brenzes que se chamava Deborah, sofreu abusos desde a sua infância e foi vendida pelo o padrasto assim que completou 17 anos ao Sr.Leonel. Esse que foi protagonista do seu filme de terror e medo.

Agora ela caminhava pela ponte com os pés descalços segurando as sandálias com uma mão. Enxugava as lagrimas borrando a sua maquiagem. Alguns carros buzinavam, outros passavam devagar e uns caras a convidava pra entrar. Aquelas palavras sangravam seu ouvido. Ela se permitiu correr bem rápido até ficar longe o suficiente dali fazendo com que os mesmos desistissem e dessem partida com o carro indo embora. De tanto ela correr, caiu arranhando os seus joelhos. Ela chorava alto, mas não pela queda, mas por se culpar. Por se culpar por não ter enxergado os sinais quando Phablo a deixava sair lá fora sozinha.

Olhou de lado enquanto o vento balançava os seus cabelos. Levantou-se indo até as bordas de ferro da ponte, soltando suas sandálias no chão, segurou o ferro a sua frente, observando a imensidão do rio e também altura da ponte até ele. Ela já não aguentava mais, não havia ninguém a esperando em casa, ninguém que se importasse, não havia nada que a fizesse se afastar daquele pensamento. Ela apoiou seus pés lá subindo e passando por cima. Tudo o que a segurava era seus braços e seus pés descalços no pequeno espaço que havia sobrado. Encarou o rio. Olhou uma ultima vez pra trás, observando os carros irem e virem, esperando que alguém se importasse e a parasse, mas não veio ninguém. Voltou seu olhar pra frente, aqueles olhos azuis tão radiantes, que agora estavam apagados como cinza. Os fechou e deixou o seu corpo cair.

 

“Que as águas desse rio me curem, e pare o meu sofrer“  - Deborah

 

Continua...


Notas Finais


Vou por a fic em REVISÃO em breve, e vou dar uma longa pausa nos caps por isso.
Estão acompanhando? Contem pra mim o que estão achando da fic, isso me anima muito <3

Bye


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