História Correnteza. - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Tags Drama, Naruhina, Naruto, Romance
Exibições 134
Palavras 1.858
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Supermarket.


Encarei Kiba por cima do caderno em minhas mãos, vendo-o sorrir em minha direção. Mordi o lábio inferior, lançando uma das inúmeras bolinhas de papel que estavam em cima da mesa — estas que basicamente consistiam em propostas que não eram boas o suficiente, na opinião do grupo — em sua direção, acertando sua testa. Ele não revidou, tampouco achou ruim, apenas gargalhou enquanto eu o acompanhava. 

— Vocês tem que parar de brincar. Não vamos acabar isso nunca! — Shino reclamou do outro lado da mesa, frustrado por não ter conseguido um bom progresso no trabalho.  

— Nós não vamos acabar isso hoje, de qualquer forma — Kiba suspirou ao meu lado, organizando parte da bagunça que havíamos feito na mesa, no laboratório da faculdade. — Essa proposta ainda é para semana que vem, temos tempo. 

— Eu sou profissional na arte de deixar trabalhos para a última hora — Revirei os olhos. — E eu não recomendo que esperemos ainda mais para terminar isso. Nem é tão difícil, só estamos procrastinando. 

— Vamos fazer o seguinte: eu dividirei o trabalho em três partes e cada um de nós irá terminar em casa. Não há necessidade de fazermos tudo juntos, então não teremos problemas. 

— O que seria de nós sem você, Shino?! —  Dramatizei, vendo-o rir da minha péssima atuação. 

— Hinata, Lee perdeu uma camiseta igual a sua semana passada... Na verdade, é bem parecida mesmo... — Kiba aproximou-se para poder analisar a camiseta, fazendo com que eu me afastasse automaticamente.    

 — Eu devolverei para ele assim que puder. Um imbecil derrubou café em mim hoje de manhã, antes das aulas, e como minha blusa sujou, Shizune me emprestou essa daqui. — Expliquei, dando de ombros. 

 — Como não enxergar você, Hinatinha? Você é tão alta... — Shino ironizou, e eu mordi os lábios para conter o riso. — A pessoa teria de ser realmente tapada. 

 — Foi o Naruto. Sabe, o Uzumaki? 

— Mas ele fez isso propositalmente?    

— Não, Shino. Pra ser sincera, ele foi gentil. Me levou até a enfermaria e ficou por lá até se certificar de que eu estava bem. 

— Eu estou tentando entender o motivo pelo qual você não deu uns bons socos nele. Você sabe como ele é, provavelmente fez isso para se exibir ou te humilhar. — Kiba estalou a língua, cruzando os braços logo em seguida.    

— Ele não fez, Kiba. Nem motivos ele teria para fazer isso... — Respondi, distraída, brincando com as orelhas dos papéis amassados em minha frente. 

— Vingança por você ter chutado as bolas dele na frente de todo mundo, e numa das maiores festas do ano?

— Oras, isso não faz diferença. Tenho coisas mais importantes para me preocupar. 

— Falando nisso, Sasuke procurou você? — Shino atraiu minha atenção, fazendo-me encará-lo por baixo dos cílios. — Ele me mandou uma mensagem hoje de manhã. Disse que estava preocupado com você, e que não te via há mais de uma semana. Você está ignorando ele? 

— De forma alguma. Eu só não me vejo na obrigação de falar, ou sair com ele, todos os dias. Como Sasuke mesmo alegou, somos apenas amigos. 

 — Amigos conversam com frequência, Hinata. E saem bastante, também. Veja, somos seus exemplos mais próximos.

 — Eu não sou e nunca vou ser melhor amiga de Sasuke Uchiha, entendeu? — Rosnei, irritada por Shino continuar tentando me aproximar do que eu diria ser um ex-crush. Que antes era, de fato, um amigo. Ou um alguém bem próximo. 

 — Se você se apaixonasse por um de nós e nós não pudéssemos te corresponder, você nos trataria dessa forma também? Simplesmente resolveria esquecer da nossa existência?

— Mas o que há com você hoje, Shino? Eu só preciso de um tempo pra mim, longe de algo que me machuca. Você tem que concordar que eu já tenho problemas o suficiente.   

Peguei minha mochila em cima da mesa, saindo do laboratório em passos rápidos e pesados. Estou cercada por idiotas!

 

...

 

Agarrei ambas quatro sacolas com minhas mãos, começando a andar para fora do mercado após ter agradecido a atendente. Eu estava oficialmente sem dinheiro, e orava mentalmente para não precisar consumir mais álcool do que eu havia consumido na última semana. 

Eu nunca havia sido fã de bebidas alcoólicas, ou de qualquer outro tipo de droga lícita no meu país. Não que em minha adolescência eu tenha sido o tipo perfeito de pessoa, essa qual não bebia e não errava, ou que não fazia algumas merdas de vez em quando. Eu me considerava uma pessoa normal, um ser humano como qualquer outro. Imperfeito, errante. 

Havia terminado o ensino médio e completado ele com as melhores notas imagináveis. Não me cortava, não era dependente química, não fazia bullying com os amiguinhos etc. Nunca havia dado um trabalho absurdo aos meus pais, fora os quais eles não podiam fugir. E havia conseguido bolsa integral em uma das melhores faculdades do pais. 

Contudo, eu também saía escondido com as amiguinhas. Já menti para minha mãe dizendo que ia na casa de algum amigo quando eu iria para uma festa, ou qualquer coisa parecida. Já bebi tanto que cheguei à vomitar e não lembrar de nada do que havia acontecido no dia, e já me envolvi muitas vezes com as pessoas erradas. No entanto, nada disso me fazia ser uma pessoa ruim, mesmo que minha família me considerasse uma ovelha negra. 

Afinal, o meu objetivo eu havia alcançado. Eu havia entrado na faculdade — fora que eu nunca havia matado alguém, diga-se de passagem. Isso também era algo pelo qual minha família deveria se orgulhar, uma vez que pensam tão mal de mim — mesmo que eu tenha dado mais de mim do que eu podia. 

Eu deveria estar feliz agora. Ter meu futuro garantido sempre foi minha ideologia de vida perfeita e, mesmo que estivesse tendo algo como aquilo agora, me sentia perdida. Gostaria de poder conversar com Hanabi, pedir alguma orientação. Triste o fato dela ter quebrado o celular em um momento de raiva. Hiashi atenderia o telefone de casa, e eu não falaria com ele. 

Eu deveria estar feliz agora, mesmo não tendo para onde ir no Natal. Eu queria sair de casa há muito tempo, de qualquer forma. 

Ergui a cabeça para cima, pensando repentinamente em evitar o incidente de hoje mais cedo. Não queria que alguém derrubasse algo em mim de novo. 

Arqueei a sobrancelha ao ver Naruto sair de um carro preto, com óculos escuros e uma das mãos no bolso. Um sorriso de orelha á orelha estampou seus lábios quando ele virou em minha direção, e após eu ter virado para trás para certificar-me de que não havia ninguém ali, lancei-lhe um sorriso ladeiro, voltando a concentrar-me em meu caminho. 

— Hinata! — Parei no lugar onde estava, há alguns passos de distância da enorme porta de saída e entrada do supermercado, virando-me para trás lentamente. 

Julguei que ele havia tomado banho recentemente pelos cabelos molhados e pelo jeito despojado com o qual ele se vestia, usando uma camiseta preta e um moletom cinza. 

— Oi. 

— Está tudo bem? — Perguntou, olhando para abaixo de meu pescoço, provavelmente querendo saber sobre o machucado.

— Eu já estou bem melhor. Não vão sobrar cicatrizes para contar história... — Sorri, colocando o peso do meu corpo na perna esquerda. 

— Me sinto aliviado. Você realmente acreditou em mim, certo? — Arqueou a sobrancelha. 

— Se você continuar me perguntando assim, vou começar a duvidar.   

 — Ok, ok  — Sorriu mais uma vez, encarando-me fixamente. O azul cintilante de seus olhos era destacado pela luz do supermercado ao nosso lado, e por um momento, me vi contando os tons da cor que identificava por ali. — Você está voltando da faculdade agora? — Apontou para as roupas que eu usava, tirando-me de meu devaneio repentino. 

 — Sim. Eu tinha que mandar algumas propostas para o email de um dos meus professores, e embora não tenha dado certo, fizemos algum progresso... — Suspirei. 

 — Entendo. Você faz arquitetura, certo? 

Arqueei a sobrancelha. Que inusitado! Naruto Uzumaki prestou atenção em mim o suficiente para saber que eu faço arquitetura!   

 — Faço, sim. 

— Eu faço engenharia civil. Nossas cadeiras são bem próximas, e eu sempre te vejo saindo das aulas. 

— Jura? Eu nunca te vi saindo de uma aula. Até cheguei a pensar que você era do outro prédio e que era por isso que eu te via tão recorrentemente. 

— Bem, você costuma sair rápido, embora eu não tenha te visto muito essa semana... 

— Eu estou com alguns problemas pessoais. Não me senti apta à ir até a faculdade, então... — Dei de ombros, sentindo um incômodo por estar segurando aquelas sacolas relativamente pesadas por tanto tempo começar a surgir.    

  — Você quer uma carona? — Perguntou repentinamente, empolgado, fazendo-me olhá-lo como se ele fosse um alienígena. Acho que ele percebeu isso, pois repetiu o ato que havia feito mais cedo, coçando a nunca presunçosamente. 

  — Não precisa. O meu ônibus vai passar daqui há uns minutos e depois é só pegar o metrô. 

— Bem, eu... 

— Eu já vou indo, Naruto. Obrigada por se oferecer á me levar. — Acenei, virando-me de costas antes que ele pudesse me responder.  

...

 

O apartamento estava vazio quando cheguei. Liguei as luzes pacientemente, direcionando-me para cozinha americana que ficava ao lado da sala. Guardei todos os mantimentos sólidos dentro do meu lado do armário, e os legumes dentro da geladeira. Neji não costumava comer em casa, tampouco comprava coisas para preparar, mas preferia não arranjar confusão em relação aos espaços e blá. 

Caminhei até o meu quarto, pegando a toalha e o pijama que costumeiramente usava, indo até o banheiro, tomando um banho rápido. Amarrei meus longos cabelos negros em um rabo de cavalo, empolgada para cozinhar depois de tanto tempo. 

 — Vejamos... — Pensei alto, encarando os móveis fechados da cozinha. 

Optei por cozinhar um guisado de proteína de soja, arroz e salada para acompanhar. Poderia guardar para comer no almoço de amanhã, e ainda sobraria um pouco para o jantar. O ruim de ser vegetariana é que você não pode ter uma refeição realmente abrangente em qualquer lugar, e geralmente tem que levar consigo comida de casa. 

Revirei os olhos ao deslizar o botão de ''atender' da tela do meu celular, sem realmente prestar atenção por estar ocupada cortando as paradas. 

  — Hinata?! 

Mordi meu lábio inferior com mais força do que o necessário, tirando meu dedo da direção da faca antes que ela conseguisse o atingir. 

 — O que você quer, Sasuke?! Que saco.  

 — Mas o que é que você tem?! Eu estou tentando falar com você há dias! 

— Céus, que milagre! A Sakura deixou você arranjar tempo para lembrar dos amigos? Eu estou chocada — Joguei a faca para o lado, apoiando-me no mármore da pia. — Quero dizer, você arranjou tempo durante essa tua jornada de conquista com ela?  

 — Eu quero conversar com você, Hinata. Como conversávamos antes, sem tantas cobranças. Eu quero conversar com você como seu amigo, como...

— Você e eu sabemos bem que, de inicio, o que você menos queria era ser meu amigo. E você sabe bem que está em débito comigo. 

— Mas o que é que você quer que eu faça? Será que você não entende que eu não dou a mínima pra você?! 

Eu não vou mentir, aquilo doeu. Doeu tanto que meus olhos marejaram absurdamente rápido, soltando as lágrimas em seguida. 

  — Eu queria que você não tivesse mentido para mim.  


Notas Finais


Obrigada pelos comentários no capítulo passado!
Mereço reviews?
Beijão achocolatado~


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