História Corvos não choram - Capítulo 29


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Androginia, Depressão, Drama, Yaoi
Exibições 229
Palavras 1.971
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Musical (Songfic), Romance e Novela, Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Olá!!!
Me desculpem se eu tiver demorado...
A gente se ver nas notas finais ^.
Boa leitura!!!

Capítulo 29 - Capítulo 27: I Will Follow You into the Dark


Fanfic / Fanfiction Corvos não choram - Capítulo 29 - Capítulo 27: I Will Follow You into the Dark

Você tem aquele tipo de olhar nos seus olhos

Como se ninguém soubesse nada além de nós

Caso esta seja a última coisa que eu vejo

Quero que saiba que é o suficiente para mim

Porque tudo o que você é, é tudo que sempre precisarei.

 

            Era uma quinta-feira ensolarada e quente. Maioria dos jovens estavam espalhados pelas ruas de Duluth, aproveitando o sol para passar o dia no parque, em frente a algum rio ou, simplesmente escondidos dentro de uma soverteria. No caso de Julie e Edgar, ambos estavam escondidos na considerava melhor soverteria de Minnesota.

Stars era uma sorveteria aconchegante, com janelas largas e paredes pintadas de vermelho. Quadros de estrelas tanto do cinema quando da música estavam espalhados por toda a parte, dando um ar ainda mais acolhedor e sofisticado ao ambiente. Edgar estava sentado embaixo de um quatro de uma Marilyn Monroe sorridente e glamorosa, ele vestia um moletom de tricô preto e seus cabelos estavam presos em um coque. Julie observava maravilhada os gestos sutis de Edgar, desde do colocar dos fios escuros atrás da sua orelha, a, mania dele de morder seu lábio inferior, enquanto vasculhava o cardápio atrás de um sabor de sorvete para seu pedido.

            Julie poderia ficar a tarde e a noite inteira, se precisasse sua vida toda, sentada naquela cadeira, olhando para o depressivo em sua frente. Nunca se cansaria daqueles olhos azuis e sua voz aveludada. Ela só gostaria de ser corajosa como Peter, de se perder naquelas íris cristalinas e lhe dizer tudo o que estava emperrado em seu peito. Porém, quando abria a boca para falar, ela travava, sentia suas mãos suarem e o ar faltar em seus pulmões. Então, vinha à desculpa, assuntos que nem chegavam perto do real motivo do seu nervosismo.

Julie se sentia tão fraca... Se pelo uma vez ele a olhasse de uma forma diferente, se pelo menos uma vez, ele a encarasse com aqueles olhos de coruja brilhantes. Se pelo menos uma vez ele se apaixonasse por ela...

— Já posso anotar seus pedidos? — A voz rouca e até mesmo sonolenta tirou Julie dos seus devaneios, fazendo com que assim, a moça ajeitasse sua postura na cadeira, completamente assustada e constrangida.

O dono da voz olhou para Julie segurando o riso, arqueando uma sobrancelha. Como Edgar, ele possuía sardas espelhadas por sua face e seus olhos eram azuis. Seus cabelos eram ruivos, de um tom avermelhado bem escuro mesclado por um castanho claro e estavam presos em um coque bem feito. Seu olhar revidava entre Julie e Edgar, como se ele estivesse se perguntando: “quem é o homem e quem é a mulher?”.

— Está tudo bem? — Edgar perguntou para Julie, pois, a mesma estava tão vermelha quanto os fios ruivos do garçom.

— Sim. — Julie respondeu o mais confiante que conseguia naquele momento, colocando suas mãos sobre a mesa. — Gostaria de um milk-shake de morango. — Continuou, fitando o ruivo em seguida.

— Ok. — O rapaz disse, anotando o pedido dela em um bloquinho. — E você... — Ele olhou para Edgar, pensou em dizer “senhorita”, porém, achou mais sensato não dizer algo que não tinha certeza. — Já sabe o que pedir?

— Sim — Edgar respondeu com um sorriso tímido. — Um milk-shake de manga.

— Ok... — Ele anotou o pedido do moreno, olhou brevemente para Julie novamente, como se tivesse finalmente entendido que ela era realmente “ela” e depois se retirou para buscar os pedidos.

— Parece que o deixamos confuso. — Edgar sussurrou, rindo em seguida.

— Já estou acostumada com isso... — Julie sussurrou de volta, rindo também.

Não demorou muito para o ruivo voltar com os pedidos deles, com um sorriso agradável nos lábios.

— Bom apetite! — Disse, afastando-se novamente em seguida.

            Julie tomou um gole do seu milk-shake, lembrando-se do motivo que a maioria das pessoas considerava o sorvete daquele lugar a oitava maravilha moderna. Era simplesmente delicioso demais para ser descrito em palavras, quem ou quais pessoas que fabricavam aqueles sorvetes, possuíam mãos de fadas.

Julie sorriu ao ver a expressão de surpresa e adoração de Edgar, quando ele tomou um pouco do seu milk-shake. A testa franzida, os olhos levemente arregalados, seguido de um sorriso enorme, com direito a covinhas e ruginhas no canto dos lábios.

— É simplesmente maravilhoso! — Edgar exclamou maravilhado, voltando a colocar o canudinho nos lábios em seguida.

Você que é maravilhoso. Julie pensou, soltando um suspiro frustrado ao perceber o quanto era covarde por não o falar sobre seus sentimentos.

Então de repente, Julie teve sua visão interrompida por duas mãos. O cheiro amadeirado logo chegou e suas narinas e um sorriso formou-se em seus lábios.

— Adivinha quem é? — A voz rouca falou em seguida, acompanhada por uma gargalhada muito bem conhecida por Julie.

— Peter! — Julie respondeu animadamente, colocando suas mãos sobre as do irmão.

O loiro deixou um beijo na bochecha direita da irmã, colocando um pirulito super colorido em sua frente.

— Cheguei muito tarde? — Peter perguntou sentando-se em uma cadeira em meio aos outros, tendo uma visão ampla da sorveteria e das pessoas ali presente. Ele entregou um pirulito azul para Edgar, que sorriu animadamente pela guloseima.

 — Não — Julie respondeu — como foi na loja de doces?

— Miranda estava desesperada, mas, conseguimos arrumar todos os pirulitos e doces antes da mãe dela chegar.

A mãe de Mirada era dona de uma modesta loja de doces no centro, e como Miranda havia se formado no colégio e não queria ir para a faculdade, à mesma ficava responsável por abrir a loja e tomar conta dela, enquanto Suzana ajudava o marido advogado em seu escritório. Porém, havia muitas festas para ir e garotos para encontrar e isso, acabava com trabalho acumulado e uma Suzana furiosa.  No final, sobrava para Peter e James ajudar a amiga a se livrar dos gritos histéricos de Suzana e um mês de castigo.

— Ela é maluca! — Edgar disse, rindo em seguida.

            Peter pediu um sorvete de flocos para um dos garçons e embarcou na conversa animada entre Edgar e Julie. Momento algum, seus olhos se desviaram do moreno ao seu lado, que naquele tarde em especial, estava radiante. Nem parecia com o Edgar marrento e desanimado de sempre.

Peter se surpreendia cada vez mais com instabilidade do humor do mais novo. Edgar conseguia ir de feliz a triste há minutos e essa alteração tão drástica, nem era tão perceptível pelo mesmo. Ao mesmo tempo em que era algo “impressionante” era o motivo de preocupações para ambos os irmãos Holmes. Afinal, Edgar Weber é imprevisível, como uma tempestade repentina de verão.

— The Head and the Heart é simplesmente incrível — Julie disse, deixando o copo agora vazio de lado.

— Você já ouviu Ages and Ages? — Edgar perguntou entusiasmado. — É maravilhoso!

— Prefiro The Black Keys... — Peter deu uma colherada em seu sorvete, olhando para Julie em seguida. — Esses caras são mitos!

Arcade Fire — Julie desafiou o irmão.

Arctic Monkeys. — Peter disse.

— Isso não vale!

— Xeque-mate! — Edgar falou, rindo em seguida.

            As gargalhadas dos três ecoavam pela sorveteria, estavam tão leves, os problemas que cada um tinha que enfrentar pareciam tão pequenos e insignificantes.  Momentos como aqueles que Edgar sentia uma pontada de felicidade de se está vivo...

Então os olhos tempestuosos de Peter vagaram brevemente pela sorveteria e acabaram encontrando algo, ou melhor, alguém indesejável.

Peter encontrou ele.

Seus cabelos castanhos escuros estavam escondidos por uma touca preta, seus olhos azuis — tão diferentes dos de Edgar — eram tão misteriosos e traiçoeiros quanto de um felino; Os lábios finos descansavam um sorriso enigmático.

Há um mês antes, Peter iria começar a tremer e até mesmo tentaria se aproximar do rapaz. Sentiria seu coração acelerar e uma magoa apropriar-se do seu ser.  Porém, quando o viu sentado sozinho em uma das mesas fitando-o intensamente, não sentiu sentimento nenhum além de um amargo rancor.

Desde quanto seu coração começou a bater de uma maneira diferente por Edgar, ele sumirá aos poucos dos seus pensamentos. Tanto lembranças boas quanto as ruins se transformavam cada vez mais em cinzas.  Sendo assim, ele tornou-se apenas uma parte de sua vida a qual, o loiro queria se esquecer. E quando o loiro olhou para o lado, encontrando o sorriso de Edgar que por sua vez conversava animadamente com Julie, teve certeza disso.

Ele não era mais do que alguém que Peter mandara embora do seu coração com um passe apenas de ida.

            Peter não era mais o “destruidor de corações” sendo que o seu próprio, havia sido finalmente “colado” por Edgar.

— Por favor... — Disse levantando sua mão direita — garçom!

— O que estar fazendo? — Julie perguntou confusa.

— Pedindo a conta — Peter respondeu.

— Por quê? — Edgar disse.

— Temos um show para ir. — O loiro respondeu olhando para o mais novo, sorrindo em seguida. — James vai cantar hoje e vai nos matar se não formos...

(...)

            James tirou o cigarro dos lábios, colocando-o em um cinzeiro no chão.

— Está música é para todos os apaixonados que estão aqui nesta linda noite. — Ele disse, ajeitando o violão em seu colo. Logo, sua voz melódica começou a ecoar pelo bar, junto com a melodia suave vinda do violão.

Meu amor um dia você irá morrer
Mas eu vou estar logo atrás
Eu vou seguir você até a escuridão”

Edgar estava sentado em um banco simples de madeira, perto do balcão, onde, um barman simpático atendia os fregueses. Julie estava sentada ao seu lado, conversando com Miranda. Para a surpresa do moreno, a andrógena acompanhava a mais velha, tomando cada uma, um copo grande de uma bebida rubra. 

— Se eu fosse você Julie, iria com calma nesta bebida... — Peter avisou, sentando-se no espaço vazio ao lado de Edgar.

— Ok... — Julie disse “alegre” demais, tomando mais um gole da bebida em seguida.

            Peter sorriu colocando seu cotovelo sobre a superfície gelada do balcão, apoiando seu queixo em sua mão em seguida. Julie e Miranda estavam submesas em sua conversa que Peter sinceramente não tinha interesse nenhum em saber sobre o que se tratava. Havia um par de olhos azulados e lábios avermelhado que eram bem mais interessantes naquele momento.

— O que foi? — Edgar perguntou, ao sentir o olhar intenso do loiro sobre si.

— Nada — Peter respondeu sorrindo.

Edgar riu, o loiro continuava o fitar.

— Peter!

— O.K — Peter abaixou seu braço sobre o balcão. — É que você é bonito demais, e eu não consigo prestar atenção em mais nada enquanto você está ao meu lado. Juro que já tentei, mas... seus olhos não deixam!

As bochechas de Edgar foram tomadas por uma coloração avermelhada e um sorriso tímido e singelo enfeitaram seus lábios. Se não tivessem verdades para serem ditas a Julie, Peter poderia beija-lo naquele momento. Edgar nunca esteve tão agradável.

— Você é um bobo sabia? — Edgar perguntou, fitando o balcão em seguida.

— O que eu posso fazer?! Se você que me deixa assim? — Peter não resistiu, queria ver apenas as bochechas e o nariz de Edgar ficarem vermelhas. E conseguiu.

E eu botei a língua enquanto ela me dizia:

"Filho, o medo é o coração do amor"

            Os dois olhavam novamente para James, que cantava a música com tanta devoção, não era mentira quando ele falava que aquela canção era a sua favorita. Sutilmente, Peter encostou sua perna direita na de Edgar, sorrindo para o moreno. Bem, naquele momento, era o mais próximo que poderiam se tocar sem chamar atenção.

Edgar balançou levemente a cabeça para os lados, apoiando seu cotovelo sobre o balcão em seguida.

A noite seguia tranquila, até o loiro sentir algo vibrar em seu bolso esquerdo. Irritado, ele tirou seu celular do mesmo, sentindo seu coração gelar ao ler a mensagem que havia chegado.

“Precisamos conversar. Se poder, venha no meu apartamento amanhã ás 17:00.”

As mãos de Peter tremeram levemente e sua garganta ficou seca de repente.

Ele queria o ver.

Se o céu e o inferno decidirem
Que eles dois estão satisfeitos
Iluminem os nãos em suas placas de há vagas

 


Notas Finais


Aparecem duas músicas no capítulo: a primeira é Tenerife Sea do fofo do Ed Sheeran. A segunda, é I Will Follow You into the Dark da banda Death Cab for Cutie ( que aliás, é o nome do capítulo *-* a música é um amor e como a do Ed, eu super recomendo <33)

Espero que tenham gostado!!!

O próximo capítulo promete...

Beijos pessoal!! Até o próximo!!


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