História Covardia? - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama Sucidio
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Palavras 1.012
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia)
Avisos: Mutilação, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


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Capítulo 1 - Capítulo Unico.


Fanfic / Fanfiction Covardia? - Capítulo 1 - Capítulo Unico.

    Era noite, noite de uma maldosa escuridão em que a lua pouco brilhava entre as carregadas nuvens. Os tristes tons que passavam pelos meus olhos ao olhar a janela do ônibus e a melodia da chuva, calma porém forte, no que seria provavelmente o meu último dia de trabalho, pareciam o universo a dizer para mim “faça! Você não está vendo? Acabou.”

Leitor, apenas com um parágrafo, talvez a única coisa que você esteja pensando seja: covarde. Não discordo, é preciso muita coragem, ou ignorância, para observar tanta maldade no ser humano e viver de sorriso no rosto. No meu caso o que mais me ajudou foi a ignorância.

Decidi escrever esse texto, ou carta se preferir, para tentar te convencer de que eu não seja tão covarde. E acho que a melhor forma para isso é mostrando o que me levou a tal decisão, talvez assim eu até mude de ideia. A única coisa que você tem de fazer ao ler é tentar se colocar em meu lugar.

Minha vida toda foi algo que se possa avaliar como normal, não tive nenhum trauma de infância, sempre tive com quem brincar, a relação dos meus pais era estável e financeiramente a minha família não havia problemas. Hoje em dia moro no mesmo bairro em que quando era criança, nunca consegui abandonar as boas memórias que tive aqui.

Os problemas começaram a acontecer nos últimos anos. Eu nunca precisei trabalhar, a empresa de meus pais era uma das mais ricas de meu estado, logo a única coisa que fiz em minha existência foi ir em festas, fazer muitas viagens, comprar muitas coisas e as vezes estudar. Por ser filho único, eu acabei herdando a empresa quando meus pais morreram. Mas mesmo assim não precisei trabalhar, falei com um amigo de confiança do meu pai e deixei a empresa nas mãos dele. No entanto, com a crise que o país está vivendo, o lucro da empresa foi diminuindo até que ano passado faliu.

Não vou dar detalhes do meu estado emocional nessa época, até porque foi tudo momentâneo, acredite, dinheiro não traz o que as pessoas chamam de felicidade, apenas uma ilusão da mesma. Fiquei quase um ano inteiro procurando emprego, pois não tinha diploma em nada. Até que semana passada uma organização que administra um site de hospedagem de vídeos me chamou para entrevista. Basicamente o que eu tinha que fazer no trabalho era selecionar os vídeos que podiam entrar no site sem que houvesse conteúdo hostil. Não pensei duas vezes e logo aceitei a proposta.

Hoje foi meu primeiro dia na empresa, já de começo recebi um sermão de minha chefe por não estar vestido de social. Chegando no meu escritório ela me ensinou como seriam as coisas, onde estavam os vídeos que as pessoas mandavam e onde colocar os que podem entrar no site e também os que não podem. Me falou com quem falar caso algum vídeo estivesse corrompido e logo depois saiu.

Eram vários os vídeos, e de  todos os tipos diferentes. Havia gatos brigando com cachorro, cobras engolindo aranhas, pessoas caindo, pegadinhas, tinha tudo que você possa imaginar. No começo a maioria dos vídeos podiam entrar no site, tirando um ou outro que haviam conteúdo sexual, mas nada extravagante. Fui almoçar e quando voltei continuei a ver os vídeos, dei muitas risadas em alguns, fiquei com nojo em outros e um quase curta-metragem quase chorei. Estava tudo indo tudo muito bem, até que abro um vídeo em que o título já me incomodava “crianças são demônios disfarçados”, até ri de começo, mas a imagem de apresentação que era uma criança chorando me fez estremecer.

O conteúdo do vídeo era algo que eu nunca tinha visto na vida, nem em filmes, nem em séries e muito menos imaginado. Havia um casal não muito velho, aparentavam ter mais ou menos 25 anos, e uma criança de talvez 5 anos. No começo do vídeo o casal olha para câmera apontando uma faca para a criança, que está chorando, e dizem “olhem espectadores, vocês vêem esse pequeno ser? Ele não passa de um demônio disfarçado, ontem mesmo começou a se contorcer em meio a madrugada”, logo após enquanto a mulher segurava a criança, o homem começou a desenhar uma cruz na testa dela. Havia mais uns 2 minutos de vídeo para ver, mas depois de ver essa cena fechei o software e chamei minha chefe. Quando ela chegou mostrei somente a parte que vi do vídeo que eu vi. Ela começou a dar fortes risadas, não entendi o que estava acontecendo, tinha imaginado até ser uma pegadinha daquelas apresentadas por programas de tv aberta. Foi quando ela falou “vai se acostumando, isso não é nem metade da brutalidade do conteúdo dos vídeos que chegam”.

Assustado, fui ao banheiro, lavei o rosto e decidi mentir para minha chefe de que havia algo importante para fazer e voltar para casa. Minha sorte foi que ela nem falou nada. O meu trabalho é longe de casa, então no caminho deu tempo de pensar o que eu tinha visto e parece que as coisas começaram a fazer sentido. O ser humano é a coisa mais horrorosa criada, ele é capaz de coisas absurdas, e que eu não sou capaz de viver nesse mundo olhando para as pessoas e pensando que elas podem fazer a mesma coisa que vi no vídeo, ou até coisas piores. Decidi então que a melhor forma de não pensar nessas coisas é não pensando em si, ou seja, me matando. Como faltava tempo ainda para chegar em casa, decidi escrever esse texto para tentar não voltar atrás.

Agora estou em meu quarto, olhando para a corda em que quando criança pulava para passar o tempo. Espero que você leitor tenha mudado a opinião que tinha sobre mim, e que eu não tenha mudado a sua sobre o mundo, há sim pessoas que cuidam das outras e que amam umas as outras, eu só não mais as consigo enxergar de tal forma ou então não encontrei tais pessoas. Uma boa vida pra você.

 


Notas Finais


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