História Coven - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bruxas, Charlotte, Clã, Londres, Originais, Suprema
Exibições 8
Palavras 2.668
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Magia, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Eins


CAPÍTULO 1 – UM

Nova Iorque, Estados Unidos da América, 2016.

Talvez fosse mais uma incerteza da vida. Talvez me fosse apenas mais um momento de delírio, daqueles que você deseja acordar á todo custo, mas não consegue, não há uma explicação. O lugar era escuro, com apenas uma única luz acessa, uma luz pequena, que eu não sabia distinguir se era uma vela ou uma lâmpada. Era difícil de pensar, difícil de agir. Suspirei uma, duas, três vezes antes de tentar me levantar. Nada, eu simplesmente não tinha controle do meu corpo. Tentei novamente... Nada, nem um mínimo movimento com os meus dedos dos pés.

Escutei um grito ecoar pela sala e depois mais outro, um grito de dor. Revirei os olhos na tentativa de desembaçar a visão, tentar enxergar, pelo menos um pouco do que estava acontecendo. Meus olhos foram para baixo e uma mancha de sangue dominou minha visão, era muito, espalhado por todos os cantos. Era uma poça de sangue e eu era o centro dela, como o centro de um lago.

Abri a boca procurando ar, minhas narinas abriram-se e eu quis gritar por ajuda. Minha voz não saia, as cordas vocais pareciam ter sido arrancadas, minha varinha não estava comigo, a magia já não corria mais entre minhas veias e, pela primeira vez desde que minha família foi morta, lágrimas caíram de meu rosto.

Parecia que horas, dias, semanas tinham se quando Finalmente um movimento de meu corpo, os braços voltaram a funcionar e retomei á minha consciência. Magicamente, minha visão voltou e consegui sentir o mundo ao redor de mim. A mancha de sangue era gosmenta e, pela primeira vez, percebi o corte em minha costela, a blusa prateada de paetê que eu usava agora estava vermelha. Porém, a dor não vinha, era só o delírio, o clássico delírio.

Uma porta foi aberta e logo bateu forte, em um estrondo. Tapei meus ouvidos em um movimento rápido, doía, ardia, era estridente. A luz foi acessa e eu pude, enfim, ver onde eu estava. Era uma sala pequena, quadrada e parecia ser fechada de ferro. Eu estava num dos cantos, nos outros estavam Lizzie, Colin e Matthew. Uma lágrima caiu de meus olhos, depois outra e mais outras, comecei a chorar sem parar, não poderia estar acontecendo, não poderia ser real, não era possível todos estarem mortos.

Não, não, não...

O que eu tinha feito?

Onde estava Taylor?

A pessoa que entrara segurou meus braços e puxou-me para uma cadeira recém-colocada no cômodo, prendendo minhas mãos com algemas, a melhor coisa para se bloquear a magia. Suspirei e o encarei, era negro, alto e com cabelos grisalhos.

— Senhorita Waxweiler — Falou ele em alto e bom tom. Eu conhecia aquela voz — De acordo com o relatório final do bruxo Maximilliam Snorff, a senhorita veio a quebrar inúmeros códigos da constituição da magia, sendo assim, tudo o que disser neste interrogatório está e continuará sendo utilizado até o dia de sua execução.

Não respondi.

— Estamos de acordo? — Ele questionou ligando o gravador. Fiz que sim com a cabeça — Ótimo.

 

Londres, Inglaterra, 2014

A noite tinha chegado e as estrelas brilhavam no céu. Já se passava das duas da manhã quando virei a esquina na rua principal e avistei alguns dos Elfos de Amadaangora correndo para o beco negro junto com algumas fadas, algo estava á solta, nada assustava aquelas elfos, nem mesmo a sombra de uma bruxa no meio da madrugada.

Meus pés doíam, latejavam e provavelmente teriam muitos calos na manhã seguinte. Suspirei quando percebi o vestido rasgado sobre meu corpo, o decote – que antes já era demasiadamente grande – agora estava triplamente maior, uma das alças estava quase soltando e a fenda em minha perna fazia com que todos os cortes aparecessem. Eu realmente odiava aqueles homens do ministério da magia, só sabiam seguir a constituição e, desde que fugi do mundo mágico antes de ser condenada a perder todos os meus poderes, ficavam atrás de mim dia após dia, noite após noite.

Os saltos em meu pé estalavam contra o asfalto da rua, alguns homens me encaravam á cada passo que eu dava. Minha varinha estava presa em minha perna, era minha arma, a única coisa que poderia me fazer sair viva de uma briga com o ministério da magia.

A Inglaterra estava em seu surto casual de bruxas, que acontecia á cada dois anos e meio. Começava simples, com um dos nossos mais burros fazendo magica em público, como se fosse brinquedo; alguém presenciava e dava queixa á polícia, como aqui eles são eficientes até demais – como costumo dizer – relatam para os jornais e até para os caçadores de bruxas, que já admitiram existir em uma entrevista privada ao jornal da noite. Era sempre a mesma coisa.

Por estes motivos as bruxas expulsas ou fugitivas do mundo mágico superior tomavam medidas extremas. Como não praticar magia com a varinha, pois poderíamos facilmente ser localizadas pelos caçadores da região. Eu não tinha telefone fixo em casa, nem ao menos meu celular era fixo por muito tempo; a cada três meses eu o mudava, tanto de aparelho quanto de plano. Eu não queria ser pega, não poderia, caso contrário, aquilo resultaria em minha execução. Sem mais nem menos.

Uma dor invadiu meu corpo, o corte transferido em minha perna sangrava mais do que nunca, tanto que um rastro de sangue começou á ser deixado por toda a cidade. Caminhei até o primeiro beco que encontrei e me joguei no chão, doía demais; olhei ao meu redor e eu, enfim, estava totalmente sozinha, em corpo e alma. Coloquei as duas mãos sobre o corte e contei até três tentando me lembrar de algum feitiço para aquilo.

Minha mente foi para minha infância junto da presidente do ministério da magia, ela criara a mim e aos meus irmãos depois da morte de nossos pais, pensei nos milhares de livros que li, calculei poções, ideias de outro mundo estavam ali agora para me ajudar. Encarei as estrelas e pensei num dos magos que conheci quando muito pequena “As estrelas são as respostas para tudo. Lembre-se do brilho e pense em uma lâmpada com poder multiplicado, suas ideias florescem do brilho estelar. Tudo como uma única matéria, uma única crença, uma única pessoa de você mesma em sua mente”.

— TORPOR, remotionem, curatio — Murmurei baixo e com a voz mais firme que consegui proferir com o frio que tinha se espalhado pelo meu corpo junto com a dor.

Minhas mãos brilharam num tom de vermelho. Magia vermelha. Sorri e removi a mão do machucado, nada, apenas uma perna lisa e sem cicatriz. Levantei-me do chão e corri até a parte sangrenta do asfalto. “Illum emundant” murmurei e o sangue desapareceu.

— Muito bonito para Senhorita, Waxweiler — Escutei palmas atrás de mim. Não virei-me para a pessoa, naquela hora da noite poderia ser qualquer coisa. Um dos lavadores e almas, talvez — Não esperava encontra-la aqui esta noite — A voz repetiu. Foi quando percebi que era uma mulher, a voz de uma mulher — Estive te procurando por muito tempo — Eu me virei para ela, porém nada respondi, não estava neste ponto de insanidade ainda — Você é bastante famosa entre os nossos — A mulher tinha os cabelos castanhos cortados nos ombros e os olhos azuis brilhantes, capazes de ser avistados á longas distancias — Tenho te procurado bastante por essa cidade.

Achei melhor responder.

— Quem seria você? — Questionei descruzando meus braços e segurando na varinha que guardava no lado coberto de minha perna. Ela tentou dar um passo para frente — Não se mova — Num movimento rápido retirei o objeto de minha perna e apontei para ela.

— Acha mesmo que vou me afastar, Waxweiler? — A mulher perguntou se aproximando cada vez mais. A cada passo dela para frente, eu transferia um passo meu para trás — Ok, você é bem mais forte que eu, com e sem varinha, afinal, alguém expulsa do mundo mágico por magia negra tem que ser bastante forte, correto?

— Como sabe disso? — Abaixei minha varinha — Pouca gente sabe disso, pelo menos da última vez que conferi era bem pouca gente tinha conhecimento.

— Faz quantos anos que não conversa com algum bruxo — Suspirei. Fazia muito tempo, muito tempo mesmo, talvez á última vez em que eu conversara com um bruxo tenha sido o dia em que meus poderes foram quase retirados — Bom, pela sua cara faz um tempinho já, correto? — Encarei-a. Os olhos azuis contratavam com a pele bem branca e pude ver por sua postura e roupas que não era uma caçadora de bruxas, pelo menos isso. Apesar disso, ela ainda não me era confiável, poderia ser uma bruxo como eu, expulsa do mundo mágico, ou poderia ser do ministério da magia — Eles falam de você todos os dias nas escolas do mundo mágico.

—Deixe-me adivinhar – Ri para mim mesma — Sou o mau exemplo, a pessoa que não deve ter o nome proferido ou algo do gênero correto?

— Mais correto impossível — A mulher riu rapidamente — Os caras do ministério da magia te odeiam.

— Não esperava menos — Sorri irônica — Quebrei no mínimo toda a constituição da magia e ainda saí com meus poderes, acha mesmo que eles deveriam gostar de mim?

— Prazer, meu nome é Cobie Swindlehurst — Estendeu a mão, mesmo estando á mais de quatro metros de distância de mim. Olhei ao redor e me teletransportei para ela, segurando sua mão.

— Prazer, Charlotte Waxweiler, mas acho que já sabe quem eu sou — Fiz uma pausa para encará-la — Você tem cara de Cobie.

— E você de Charlotte.

— Todo mundo me chama de Charlie — Ela confirmou com a cabeça — Por que estava me procurando?

— Preciso de ajuda — Começou suspirando e me encarando. Só então percebi que ela carregava uma mochila — Fui expulsa daquele mundo mágico semana passada, peguei um avião e vim para a Inglaterra, falaram que você poderia me ajudar. Preciso de um lugar para morar e um emprego por tempo limitado, só até eu conseguir encontrar um novo, eu não posso ser vista pelos mortais usando magia e não sei viver sem ela.

— Você não é Inglesa — Falei mais para mim mesma. Como assim eu estava com fama até em outros países? Ok, a merda que eu tinha feito era bem grande, mas não a ponto de ser procurada em todos os cantos do mundo.

— Canadense — Murmurou em resposta — Achei que você lesse mentes.

— Daí pensou que eu teria um relatório da sua vida? — Soltei uma risada gostosa — Ler as mentes dói á cabeça. Mas sobre o emprego, acho que posso te ajudar em algumas coisas. Eu sou dona de uma revista, temos uma sede bem grande lá, então acho que posso te ajudar em algumas coisas — Tirei meu celular do bolso — Só preciso fazer uma ligação.

Mesmo tentando ser o mais casual possível em tudo o que fazia, eu ainda precisava trabalhar. Aquela era a única coisa que a magia não dava e nem poderia dar,

Ela assentiu. Disquei um número rapidamente em meu telefone esperei que a ligação funcionasse.

“Garwin Dell’Fontaine. Quem seria?” A voz masculina exclamou do outro lado da linha.

— Greg! Preciso de um favor seu — Eu disse assim que ele me cumprimentou.

...

O prédio da empresa era simplesmente enorme. Todos que passassem por ela achariam maravilhosa a forma como os vidros se encontravam com as paredes brancas e as bordas que ficavam quase que holográficas no sol gelado de inverno. Minha sala era no último andar, assim como a de todos os meus colegas mais importantes; eram longos cômodos, com um sofá e uma mesa de reuniões, onde eu costumava ficar olhando os antigos livros de feitiço que armazenávamos. As reuniões mais importantes – que não tratavam da revista, mas sim do clã das bruxas – eram feitas na alta madrugada, isso significava que todos, ou pelo menos uma parte deles, estaria lá para nos receber.

Quando eu e Cobie chegamos ao edifício eu cumprimentei o porteiro, que, na realidade, era um elfo doméstico, o qual eu tinha disfarçado de porteiro, apenas por garantia. Eu ainda guardava uma, pouca, suspeita de Cobie, por isso ela e eu esperaríamos no penúltimo andar. Muitos dos funcionários dormiam na empresa, principalmente os elfos e as eventuais fadas, mas eu, Garwin, Lizzie, entre outros, vivíamos em apartamentos espalhados pela cidade, nunca mais de uma bruxa ficava no mesmo quarteirão, pois poderia atrair um caçador.

Anunciei nossa chegada pelos autofalantes e, bem mais rápido que o normal, Garwin desceu, vestindo uma calça jeans preta, uma blusa social e uma jaqueta. Sorri ao vê-lo. Andei até ele e o abracei. Garwin segurou minha cintura e beijou o canto de minha boca. Ri com seu gesto e, assim que virei para trás, vi Cobie um pouco desconfortável com a situação.

— Isso é bastante normal — Greg consolou-a — Charlie é a pessoa mais desejada dessa empresa.

— Só porque eu sou a chefe — Brinquei e ele riu, sem soltar minha cintura — Mas agora prestando atenção no assunto principal... Preciso da sua ajuda em um negócio.

— Foi por isso que ligamos — Cobie disse rápida, ainda com vergonha.

— Cobie é uma de nós — Falei e Greg sussurrou em meu ouvido: “Você não é de trazer ninguém para a empresa assim, Charlotte”. Ignorei — Ela foi expulsa e pediu um lugar para ficar e trabalhar.

— Acho que temos algo — Meu companheiro sorriu pegando o celular do bolso e checando se algum dos quartos do último estava livre — Ela pode dividir a parede com a Dreschner.

— Isso! — Lembrei-me do quarto vazio — Scarlett com toda certeza não irá se importar — Ao exato momento em que fui estender minha mão para chamar Cobie para conhecer o lugar, um som alto começou a ecoar por todo o prédio.

Me soltei de Greg e corri até a janela para ver o que acontecia direito.

O alarme havia disparado, piscava incansavelmente por todos os lugares, vermelho e sem parar. Pensei no que poderia ser e contei os bipes. Um, dois, três, quatro. Existiam cinco tipos diferentes. Um: problemas no encanamento. Ok, não era este. Dois: Alguém fez merda com a varinha, ou quebrou ou fez um feitiço que não deveria e está encrencado. Três: Intimação do ministério da magia á alguém do clã. O último deles, o número cinco, era para quando alguém fosse morto e o quatro, que era o que tocava, queria dizer que alguém do clã ficou cara á cara com um caçador.

— Greg! — Gritei seu nome, queria saber de quem estava vindo o alarme. Olhei para fora da janela e vi Lizzie e Scarlett correndo até o prédio da revista, elas quase voavam de tão rápido — CHECA ISSO LOGO GARWIN!

— Foi a Lizzie! — Ele gritou de volta — Ela viu um na terceira rua depois da principal, a que fica perto do emprego da Scarlett! — Fixei meus olhos verdes nele e percebi o desespero em seu olhar — Mas o alarme foi acionado apenas quando entraram nessa rua que estamos agora.

— Talvez elas tenham despistado eles só agora — Cobie sugeriu também olhando pela janela. Encarei-a como quem diz: não foi isso — Ok, talvez elas só tenham tido coragem de acionar agora, vai que eles captam algum sinal do alarme e descobrem vocês.

— Chame o Matt, Greg, por favor — Pedi encostando o corpo numa das muitas mesas do andar escuro, iluminado apenas pela luz da rua. Greg fez uma cara feia — Nem vem reclamar, ele é um de nós.

— Não gosto dele. —Falou relutante, tirando os olhos do celular.

— Chama logo ele, puta que pariu! — Exclamei e Greg deu-se por vencido. Essa rixa dos dois era idiota, tinha que acabar sozinha antes que eu mesma acabasse. Ou eles se resolviam de vez ou eu matava um deles numa explosão — Eu acho que sei o que aconteceu para elas só terem acionado nessa rua.

— O que? — Cobie e Greg perguntaram em uníssono.

— O Ministério da Magia deve ter rastreado a área.

— Esta dizendo que...? — Garwin arriscou um palpite enquanto mexia nos cabelos quase platinados.

— Não pode ser — A morena junto de nós entendeu.

— Me encontraram. Eles, os caçadores, todo mundo. Estou no alvo novamente.

Agora eu estava fodida.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...