História Coven - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bruxas, Charlotte, Clã, Londres, Originais, Suprema
Exibições 5
Palavras 3.358
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Magia, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Zwei


Fleinhausen, Alemanha. 1996.

Uma das mais ricas famílias de toda a vila de Fleinhausen, a Waxweiler. Moravam próximo ao lago, em uma casa alta, de dois andares; com pisos de madeiras e janelas desenhadas pelo vidro. Durante ás gloriosas noites da vila, luzes acendiam-se ao redor da construção. Era como se vivesse ali uma grande intensidade de beleza e magia, coisa que ninguém sabia de onde vinha, coisa que ninguém sabia como controlar. A varanda estava sempre ocupada pelos vários filhos do casal, o Sr. Nicholas Waxweiler e sua esposa a Sra. Alena Waxweiler. Tinha cinco filhos, belas e educadas crianças, os rapazes como o pai e as garotas como a mãe.

Porém, a família Waxweiler sempre fora solitária, com poucos amigos e conhecidos nos arredores de onde viviam. Na parte mais urbana do vilarejo costumava-se dizer que Nicholas Waxweiler tinha negócios com a máfia italiana e, que além, absolutamente todos os seus bens eram roubados. Outros passavam a fofoca de que Nicholas negociava para além de todas as fronteiras, como um negócio internacional, só que apenas dentro de uma casa.

As educadas crianças, diz-se, que eram proibidas de falar com todos do lado de fora e que todas as noites elas eram trancadas em compartimentos da casa. A dupla de gêmeas no sótão e os três esbeltos rapazinhos no porão.

As conversas que corriam nunca preocuparam de fato o casal, muito menos a família por inteiro, pois eles viviam felizes e ricos onde estavam e os pais orgulhavam-se de poder dar as crianças tudo o que desejavam.

Numa das muitas noites tempestuosas, o casal saiu de casa e buscou as malas que guardava no abrigo para tempestades do quintal. A mãe foi até os filhos e lhes disse: “Guardem tudo que mais gostam aqui, mas encham pelo menos duas com roupas, vamos passar um tempo longe”. Aos poucos os irmãos foram recolher as malas: Abel – o mais velho com seus 15 anos de vida –, Robert – 14 anos – e o último dos meninos, John – 12 anos. As gêmeas, Kathleen e Charlotte, ambas de apenas 10 anos de idade, foram ás últimas á receber as malas.

 — Charlotte! Espere! — A mãe exclamou antes de entregar á mala. Kathleen já tinha subido ao quarto e agora estavam apenas mãe e filha na sala — Não quero que se apavore, mas não ganhará uma destas malas.

Charlote não respondeu. Tinha aprendido á se defender e a melhor forma sempre fora o silêncio absoluto, o silêncio, para o seu pai, era dos inocentes. Hoje, amanhã e sempre.

— Irás com dein Vater. Ele te levará para o portal — Afagou a cabeça da menina.

— das Portal? — A mãe confirmou com a cabeça — Wo fica este portal, Mama?

— No porão — Apontou para baixo, Charlotte olhou para baixo — Lembra-se de tua Zauberstab? — Loira e com os olhos verdes reluzentes, a pequenina da família apenas fez que sim — Pegue-a, vais precisar dela.

— OK, Mama. — Murmurou correndo em direção ás escadas.

— E lembre-se, Klein Charlie — Apelidou-a carinhosamente — Não use mais o alemão ao chegar lá. Ninguém a responderá, ninguém a ajudará. As pessoas do seu mundo são cruéis.

A menina apenas subiu as escadas e entrou no quarto, assustando levemente a irmã que colocava tudo na mala. Por longos segundos as duas se olharam, sem reação; Charlie estava sem sua mala e Kath estranhava aquilo muito.

Charlotte era a única, depois de seu pai, em meio aquela família de 7 pessoas á possuir alguma magia, a sentir-se a mais diferente. Não podia comer na mesa, pois a mãe preocupava-se que ela envenenasse, mesmo que sem querer, a comida dos outros; era proibida de brincar com as belas bonecas de porcelana que possuía porque a mãe achava que ela, apenas com seu toque, quebraria tudo e despedaçaria perto dos irmãos; Charlotte, inclusive, dormia no canto mais isolado do último andar, era uma portinha que dava para uma coisa que deveria ser um closet, mas que lá dentro foram colocadas janelas e uma cama especial, feita de ferro, não de madeira.

 “Aonde você vai?” Escutou Kathleen perguntar calmamente, sempre fora a menos estressada de todos os irmãos.

— Mama me mandou não arrumar as minhas coisas — Respondeu virando-se para Kath. Mesmo sendo os opostos umas da outra, as duas eram amigas inseparáveis — Apenas disse para que eu pegasse a Zauberstab que ganhei no natal passado — Suspirou.

— Die Zeit ist gekommen? — Charlotte apenas fez que sim com a cabeça — Sentirei sua falta.

— Voltares á nos ver, eu prometo — Sorriu e correu para pegar a varinha que tanto á esperava.

 

Londres, Inglaterra. 2014.

Não poderia ser. Não era possível que tivessem me descoberto.

Parecia-me uma teoria tão maluca, uma daquelas que somente os milhares de fãs da internet conseguem criar. Era tanta maluquice. Afinal, teriam outras possibilidades, certo? Como eles apenas terem encontrado nossa sede ou terem detectado magia naquele lugar. Mas poderia ser alguma das merdas que Elizabeth e Scarlett sempre faziam.

Não, não poderia ser mais uma destas merdas, todos já estavam cientes daquilo.

Eu ainda usava aquele vestido, que era mais do que desconfortável, ainda estava sentindo-me machucada por dentro e toda aquela cena lembrava-me profundamente do dia em que fui expulsa pelo ministério da magia do mundo mágico onde vivi por mais de 10 anos.

A vida, em minha completa concepção, era só mais uma mera encenação, onde atores faziam por fora quem gostariam de ser e por dentro não eram nada mais do que scripts prontos, onde estariam o seu destino e o de todas as coisas vivas ao seu redor. Nossa vida é pré-moldada por impostores, por alguém que diz: será assim. E assim será feito, nada de escolhas. Apenas a realidade.

Encarei ao meu redor. Rostos preocupados, Greg roía as unhas, Matt encarava a janela pensativo, com os grandes olhos azuis como o mar encarando a madrugada de Londres, Lizzie, Scarlett e Cobie tentavam puxar assunto comigo, mas eu só ouvia sussurros, nada de vozes. Sentia-me completamente analfabeta.

— Charlie! Hey! — Lizzie passou a mão pela frente de meu rosto, tentando acordar-me do transe em que me encontrava — Está aqui ainda ou o que?

— Me desculpe — Respondi com uma expressão séria — Acho melhor começarmos logo essa reunião.

Todos sentaram em suas devidas cadeiras e enquanto eu procurava palavras em minha mente para descrever o que estava acontecendo. Algo tão simples agora era tão complicado.

— Estamos sendo perseguidos... Quer dizer, eu — Falei rápida — Mas como estou na mira, acredito que vocês também estarão em bem pouco tempo. Os caçadores são rápidos, letais, acabam conosco sem pensar duas vezes. É uma questão de tempo até nossa raça estar destruída. É uma questão de fogo e estaca, entendem? — Todos fizeram que sim com a cabeça — Por isso temos que tomar algumas medidas mais drásticas.

— Certo — Escutei Matt começar a dizer — Mas que medidas seriam estas, Senhorita Waxweiler?

— Antes de responder a pergunta do Matt — Ironizei — Queria apresentar Cobie á vocês, ela veio do Canadá. Agora voltando á pergunta do nosso querido amigo, eu não consegui pensar em absolutamente nada até agora.

— Eu acho que tenho uma ideia —Scarlett disse — A Lizzie estava me contando num dia desses que todos nós deveríamos parar de usar telefones.

— Elizabeth Vogel, a pessoa que mais ama selfies em todo o clã, sugerindo tirar o telefone? — Todos riram da minha brincadeira — Nós já não temos telefones fixos e não temos como ficar sem celular, vão achar que somos malucos.

— E tem mais — Greg levantou a mão e, em seguida, falou calmamente — Não sei se alguém lembra, mas tem MUITA gente trabalhando para nós, pessoas mortais, que não tem a capacidade necessária para entender o fato de ninguém aqui ter um telefone — Fez uma pausa. Todos pareceram concordar com o que dizia — Sinceramente, acho que deveríamos todos ir para casa, esfriar a cabeça e esquecer um pouco das coisas.

Aos poucos ele foi saindo da sala. Os outros começaram a se levantar.

Tenho que agira rápido.

— NÃO TEM COMO ESQUECER! — Gritei alto e bati na mesa forte o suficiente para muitos dos que estavam na sala darem um pulo com o susto — NÓS TEMOS que nos proteger! Não é uma escolha!

— Você só não quer cair, Charlotte — Meu amante, amigo, amigo com benefícios, não conversávamos muito sobre nossos status de relacionamento, voltou-se novamente para mim — Sabe que, se não te ajudarmos, você vai cair e vai cair de bem alto, mais alto talvez do que as fadas conseguem voar.

— Para o Senhor é Senhorita Waxweiler — Meu indicador moveu-se em sua direção — E, se eu cair, todo mundo caí junto. Eu posso ter feito coisas horríveis, Garwin, coisas muito horríveis, talvez piores do que todos aqui já fizeram juntos, mas... Não se esqueçam de que, se eu cair de tão alto assim, todo mundo vai junto, todo mundo aqui é criminoso por aceitar que uma criminosa controle o clã livre das bruxas. TODO MUNDO, inclusive a Cobie, todos aqui foram coniventes o suficiente, então: ou você senta essa bundinha mimada na cadeira AGORA ou eu mesma me entrego e geral aqui morre.

Todos eles voltaram assustados para as cadeiras, exceto Greg, que se emburrou e ficou encostado num canto qualquer da parede. Senti alguém adentrar em minha mente para mandar um recado telepático.

“Não pense que me intimidou, Waxweiler” a voz de Greg soou no interior de meu subconsciente.

“Não pense que farei o que você manda, Dell’Fontaine” Respondi e cortei a conexão que havia entre nossas mentes.

Pensei rapidamente em ordens que poderia dar á eles para nossa segurança. Eram tantos problemas á serem resolvidos que me parecia simplesmente impossível arranjar respostas que pudessem arrumá-los.

Examinei cada um deles mais uma vez: Lizzie vivia entrando em casas por sua invisibilidade, isso nos causava problemas, porque, caso ela fosse vista ou sentida como presença humana no local, chamavam o departamento de artes sobrenaturais da cidade — Sim, esse departamento existia e ficava em uma universidade —; Scarlett era a mais problemática, arranjava brigas em tudo e não podia ser questionada sobre nada que começava a gritar. Isso deveria ser trabalhado; Greg e Matt brigavam entre si nas clássicas guerras de varinhas mágicas; Cobie eu ainda não sabia o bastante para julgar definitivamente, a única informação que eu possuía era que ela é do Canadá e que foi expulsa do mundo mágico de lá, não sei como, não sei por que.

— Lizzie você tem que parar de entrar nas casas das pessoas, use o dom de se teletransportar e vai para um shopping ou qualquer coisa do tipo, não precisa ficar invisível e invadir casas alheias. Esta dispensada — Fiz um gesto para que Lizzie saísse. Ela assentiu e foi embora — Greg e Matt, vocês dois tem que parar com as brigas de varinhas, sabem que os caçadores detectam mais facilmente quando acontece algo fora dos nossos apartamentos.

— Então combate dentro de casa esta liberado? — Matt questionou. Sorri para ele e dai uma risada leve.

— Se vocês estiverem dispostos á quebrar o apartamento de vocês, que fiquem á vontade — Murmurei e eles bateram as mãos, ás vezes aquele me parecia o único ato de companheirismo deles. Os dois foram embora, assim como Lizzie tinha ido — Scarlett — Voltei-me em direção á ela — Deu de brigas desnecessárias, brigue somente se alguém REALMENTE tentar algum contato físico com você. Certo? — Minha amiga fez que sim — Ótimo. Saia e leve Cobie com você, até segunda ordem ela ficará no quarto ao lado do seu.

— Sim senhora — As duas assentiram novamente e foram para fora da sala.

Pronto, agora eu estava sozinha.

...

Vamos.

Morra.

Use esse seu poder para algo bom, você não era nem para estar viva.

Seus pais foram malucos ao te fazer viver.

Você não presta.

Seus poderes não são reais;

Como presidente do conselho, ninguém iria te respeitar, ninguém iria dizer que é justa, que é apta para estar ali.

Tu mataste, torturou tua irmã, pessoa com quem dividiste a barriga.

Tu és um monstro do pior tipo.

A sua própria ruína.

A magia negra é mais poderosa que você, Charlotte.

Já foram todos os Waxweiler, ninguém mais está vivo! Liberte a magia negra e mate-se, vá vê-los novamente.

Sua mãe, seu pai, sua irmã e seus amados irmãos.

Deixe-a sair daí.

Liberte-a de dentro de você.

Apenas deixe Charlotte.

Deixe.

Acordei com um grito, suando, contorcendo-me, chorando... Eu estava deitada sobre um enorme monte de papéis que estavam na mesa de meu escritório. Eram muitos, tantos que eu não conseguia nem ao menos ver o lindo objeto de madeira maciça e cara. Tinham formulários, contratos para serem lidos e cheques que aguardavam animadamente para serem assinados. Além, disto tudo e dos problemas com um clã de bruxas e bruxos, eu ainda tinha que revisar as fotos para a nova coleção de roupas, que solicitaram uma divulgação rápida em minha revista.

Estranhei rapidamente o fato de ter dormido em minha sala, considerando que estive dentro da sala de reuniões por muito tempo.

Suspirei e me levantei da cadeira, ajeitando o mesmo vestido rasgado sobre meu corpo. Andei até a cafeteira que ficava no balcão próximo á mesa e preparei um café simples, apenas para me acordar um pouco, e procurei por minha varinha na bolsa, tão bonita, era a coisa mais perfeita que eu tinha perto de mim e era ás vezes, minha única salvação. Pensei por alguns rápidos segundos antes de usá-la em meu corpo.

Os caçadores estavam á solta e usar a varinha, definitivamente não era a melhor opção para me arrumar para o meu dia de trabalho, mas era a mais rápida de todas as que eu tinha no momento.

Apontei o objeto para o topo de minha cabeça e pensei na roupa que desejava usar após um banho. Torci para que ninguém entrasse na sala rapidamente e sem permissão e proferi as palavras:

Aequaliter Nubila corpus. Pectentes capillos. Novum vestimenta.

Um brilho saiu da varinha, o mais prateado dos brilhos, o da magia branca. Isso significava que o lado negro de minha magia estava controlado, graças aos muitos anos de tentativas, a magia parecia, enfim estar controlada.

Fechei meus olhos verdes e esperei que tudo começasse a acontecer. Senti a sensação de estar dentro d’água me invadir e depois de um vento forte me soprar e, quando os abri novamente, a roupa estava colocada e eu cheirava á perfumes caros. Eu me olhei no reflexo da janela e a roupa parecia-me ok: um vestido tubinho preto até um pouco acima dos joelhos, um sobre tudo vermelho vinho, saltos pretos e os cabelos loiros claros soltos em cascatas, indo até quase meus seios.

Voltei para a mesa e encarei sua bagunça.

Organize omnia — Falei seriamente, apontando a mão e fazendo um movimento circular com os dedos. Segundos depois tudo estava organizado em pilhas sobre minha mesa, inclusive agora dava para ver o telefone e o teclado do enorme computador que eu tinha ali.

Sentei na cadeira e apertei o botão do telefone, pedindo em seguida para que Matt viesse até minha sala, depois liguei para Lizzie e Scarlett, que estavam com as modelos, era suposto as duas produzirem uma sessão de fotos com as roupas da coleção da estação pré-outono, só que com uma ideologia diferente, eu queria algo mais rústico, então elas estavam na floresta. Elizabeth detestava mato, então segundos depois de eu ter desligado a ligação, chegou uma mensagem dela no canto da tela de meu computador.

“Eu te odeio sua ridícula” Gargalhei alto com a mensagem, logo chegou outra “Não acredito que me fez vir para cá!”.

Respondi: “Amor da minha vida, Mãe de dragões. Senhora dos sete reinos... Você sabe que eu te amo, não sabe?”.

Logo chegou outra dela: “Há. Há. Há. Como a senhorita Charlotte acordou engraçadinha hoje, hein? Vai ter volta... Só me aguarde. P.S.: Quem tem dragão e coisas com fogo aqui é você”.

“Vai trabalhar vai, precisamos dessa sessão de fotos até no máximo final de semana” — Mandei de volta ainda rindo.

“Otária”.

Batidas na porta. Ignorei a mensagem — depois de rir um pouco dela, tenho que admitir — e gritei um “Entre!” para Matt. Levantei-me da cadeira e fui até ele assim que o moreno entrou na sala e fechou a porta.

Matt, rapidamente, me pegou no colo e jogou meu corpo contra a grande parede branca do escritório, fazendo um barulho que provavelmente tinha sido transmitido para o resto de todo o prédio. Suas mãos foram até a minha bunda e suspirei quando senti seus lábios contra meu pescoço.

— Senti sua falta, Waxweiler — Murmurou passando os beijos para a minha boca e apertando mais forte meu corpo.

— Sentiu falta de que jeito, Holt? — Questionei abraçando-o pelo pescoço. Ele riu sem parar de me beijar — Sabe que se a Susan descobrir isso ela simplesmente te mata, não é?

— Susan e eu terminamos — Holt beijou minha boca intensamente, brigando por espaço, tempo e ar comigo — Agora estou com a Érica.

— Sério Matthew? — Mexi as mãos e com uma leve magia o lancei para longe mim — Você é muito canalha e eu acho que já te disse isso. Susan é uma garota legal.

— Você diz que eu sou o canalha, mas me deixa te beijar sempre que eu quero. Inclusive a senhorita que me chamou aqui, lembra? — Questionou.

O encarei com as mãos na cintura. Ok era verdade, era incrivelmente hipócrita de minha parte dizer que ele estava errado quando eu condizia com aquilo. Pensei por alguns segundos e olhei para cima, suspirando e olhando para a janela.

— Só não quero participar do próximo coração que você partir, Holt — O ajudei a levantar — Eu já vivenciei o quanto dói um coração partido e posso garantir: não é nada bom.

— Como recompensa você acaba com vários corações hoje em dia — Brincou e o encarei, aquele não era muito bem um assunto que eu gostasse de falar.

Matthew sabia disso.

Greg sabia.

Scarlett e Elizabeth sabiam e um dia Cobie saberia também.

Não era segredo algum meu desconforto.

Fui até minha mesa, coloquei meu notebook dentro da bolsa sem fundo — que tinha sido encantada por desde o dia em que foi comprada, para que coubessem mais coisas — e mantive a varinha ali dentro. Pus meu celular em mãos e encarei mais uma vez Matthew: estava atônito. Parado. Parecia não saber o motivo de sua existência dentro daquela sala.

— Preciso que termine todo esse trabalho para mim, metade aqui é do seu setor, assino os contratos quando voltar. Os cheques ficam com você e procure a Alexandra para a edição das fotos, é importante.

— Aonde vai, Senhorita Waxweiler?

Beber.

Saí da sala mandando um beijo no ar para ele, que riu tristemente. Não sei se por não ter achado graça, por ter levado um “fora” ou por ter tanto trabalho que era até desanimador.

Entrei no elevador e cumprimentei alguns dos funcionários, assim como dei um “olá” para o grupo de recepcionistas do andar térreo. Para fora da porta entrei pela garagem reservada apenas para o clã das bruxas, uma que tinha acesso apenas pelo lado de fora, lá eu guardava um dos meus carros, para não ter que vir com o outro para o trabalho. Era uma Ferrari preta caríssima.

A garagem estava mais escura que o normal, apenas com as poucas luzes que eram emitidas das janelas e o ponto de luz vermelho que saia das câmeras de segurança. Ótimo, monitoramento, isso era importante para que nenhum caçador entrasse naquele lugar. Procurei pelo meu carro e abri a porta, entrando e ligando o rádio, tocava Perfect Illusion – Lady Gaga. Sorri e liguei a máquina.

Dirigi pelas ruas de Londres um pouco receosa com os caçadores de bruxas que supostamente andavam por ali e também com o ministério da magia que vivia atrás de mim. Sempre fui perseguida, caçada por todas aquelas pessoas e, por muito tempo, eu me senti revigorada, com aventura, diferente, coisa que eu sempre quis ser. Mas agora, talvez depois de tantos anos fugindo, tudo já tinha perdido a magia — se assim posso dizer — eu estava com medo. Apavorada. Se me capturassem era para valer, eu não conseguiria mais fugir, não teria julgamento, seríamos eu, o conselho e todos os mundos mágicos unidos para ver minha morte, minha execução.



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