História Craques do Zodíaco - Capítulo 3


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Categorias Adam Lallana, Cristiano Ronaldo, Diego Ribas da Cunha, Gareth Bale, Karim Benzema, Marco Reus, Paolo Guerrero, Paulo Dybala, Ricardo Quaresma, Robert Lewandowski, Sergio Ramos, Zlatan Ibrahimovic
Personagens Adam Lallana, Cristiano Ronaldo, Diego Ribas da Cunha, Gareth Bale, Karim Benzema, Marco Reus, Paolo Guerrero, Paulo Dybala, Personagens Originais, Ricardo Quaresma, Robert Lewandowski, Sergio Ramos, Zlatan Ibrahimović
Tags Astrologia, Bayern, Benzema, Bvb, Contos, Cr7, Drama, Dybala, Flamengo, Futebol!, Hentai, Ibrahimovic, João Bidu, Jogadores, Lewandowski, Liverpool, Real Madrid, Reus, Romance, Signos, Tragedia, Zodíaco
Visualizações 203
Palavras 4.068
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi gente, linda! Como estão?

Gostaria de pedir desculpas pela demora, e agradecer aos comentários e favoritos. Espero que gostem dessa capítulo, que tem como protagonista o geminilouco que eu nunca sei se acho lindo ou feio, ou arrumadinho: Marco Reus.

Tenho três casas em gêmeos, e sei que às vezes minha cabeça é uma bagunça só, então quis focar nisso. Peço desculpas desde já, mas esse capítulo ficou bem doido. kkkk

Boa leitura. :D

Capítulo 3 - O Geminiano


Fanfic / Fanfiction Craques do Zodíaco - Capítulo 3 - O Geminiano

[ 3 ]

O Geminiano

 

Marco Reus – Nascido em 31 de maio de 1989

 

“Gêmeos é um signo dual e por isso geminianos são seres imprevisíveis. Inteligentes, divertidos, carismáticos, articuladores, têm o dom de colecionar colegas por onde passam, e não abrem mão de uma conversa fiada, um papo cabeça, uma prosa casual. Não importa a razão ou motivo, o que querem é falar. São do tipo que adoram textões, debates e um pouco de álcool para esquecer momentaneamente os problemas.  Apesar de muito sociáveis, conseguem detectar muito bem quem são seus amigos de verdade, possuem uma intuição aguçada, e geralmente são observadores.  Alguns dizem que são duas caras, mas preferem se intitular como versáteis e multiusos. Dedicam-se de corpo e alma às tarefas pelas quais nutrem amor, contudo, tendem a ficar facilmente entediados quando não enxergam – na empreitada ou indivíduo -, alguma utilidade, finalidade ou benefício.  Indecisos? Não! Apenas pensam que é melhor terem duas opções do que se verem sem saída, mesmo que às vezes, esse tipo de atitude acarrete confusões.”

 

Marco abriu os olhos desejando não fazer isso. Sabia que as próximas horas seriam maçantes e enfadonhas, repletas de decisões de exímia importância.

Se havia algo que odiava imensamente era se ver diante de várias opções – muito além de duas -, porque geralmente ao optar por uma escolha, imediatamente ponderava se havia seguido o rumo correto e acabava por voltar atrás, agarrando-se a outro viés. Embora continuasse com uma dose de incerteza, já que nunca estava plenamente satisfeito.

Quente ou frio? Quente. Não, frio!

Doce ou salgado? Doce. Não, salgado!

Noite ou dia? Noite. Oh, não, dia! Com certeza dia! Não, espera. Noite! Isso mesmo, noite! Ah, mas o dia também é legal, né?

Era o mesmo dilema desde que aprendera a pronunciar as primeiras palavras, ainda bebê. A indecisão vinha de longa data, e fora tamanha ao ponto de murmurar, aos onze meses, “mamai” e logo em seguida “papãe”, um claro misto de mamãe e papai, e papai e mamãe. O que deixara sua família muito surpresa com o episódio incomum. Bom, ali estava um sintoma genuíno: muitas vezes, Marco, ao invés de decidir um caminho, se agarrava a dois, e deixava as coisas fluírem porque assim se julgava menos entediado. E valha-me Deus! Marco se entediava com muita frequência – e facilidade.  

Rolou pela cama até se posicionar de bruços, do lado oposto onde adormecera. Aquela era sua posição favorita: a barriga comprimindo o colchão, as mãos debaixo do travesseiro, as pernas despojadas, a cara afundada no travesseiro; se bem que também nutria grande apreço por dormir de barriga para cima, com as mãos cruzadas sobre o abdômen, os olhos encarando o teto quando decidia refletir sobre que diabos estava fazendo com a própria vida.

Essa era a dúvida que mais rondava sua mente nos últimos meses e começara a lhe assombrar após ter enfiado um anel de brilhantes no dedo de Charlotte, uma famosa influenciadora digital alemã, ao pedi-la em casamento.  Não tinha mais a convicção de ter feito a melhor escolha. Ao menos melhor para si, porque a bela loira manteve-se radiante desde o momento em que lhe propusera o compromisso eterno.

Eternidade, outro vocábulo que lhe causava assombro. Por ser inconstante gostava de versatilidade, e cria, bem no fundo, que os matrimônios nunca eram versáteis.

O rádio relógio despertou sobre o criado-mudo, e Marco esticou o braço esquerdo estapeando o objeto ao ponto de o silêncio retornar quando o danado caiu no chão. “Ótimo”, pensou. “Agora posso dormir mais um pouco.”

Todavia, o descanso que cogitara estraçalhou-se quando o infeliz voltou a apitar de forma tão irritante que Marco elevou-se, de súbito, e chutou-o para longe como se simulasse uma cobrança de falta, de fora da área. Obviamente, o rádio relógio partiu-se em inúmeros pedaços ao atingir a parede que dividia o quarto do closet, mas de nada adiantou, já que Marco broxara ao ponto de não querer voltar para a cama.

O banho que tomou foi rápido, e o café da manhã que engoliu, mais rápido ainda. No trânsito, ziguezagueou de um lado a outro, e numa empreitada quase louca, chegou ao centro de treinamentos do Borussia Dortmund, clube que defendia, clube que amava. A equipe era a única constância que permanecia em sua vida, já que recusara a proposta de todas as outras que tentaram tirá-lo dali.

- Atrasado como sempre – Iuri, o preparador físico, ilustrou quando ele entrou na academia e sentou na bicicleta ergométrica, dedicando-se ao exercício. Se chegasse à exaustão imaginava que conseguiria calar os próprios pensamentos que gritavam, com vozes de vários timbres: semana que vem você será um homem casado. Casório, casório, você está ferrado!

- Dormi muito mal, tenho tido pesadelos – respondeu, e limpou a gota de suor que brotava em sua testa.

- Por causa do casamento? – o outro sugeriu, e Marco deu um sorriso tão amarelado quanto o uniforme do time alemão. Iuri soube que aquilo significava concordância. – Pretende desistir?

Marco ficou calado por alguns minutos, remoendo, mastigando, dilacerando o raciocínio. Droga! Já sentia os sinais de uma grande dor de cabeça. Já sorvia a monotonia do casamento. Era tão bom namorar, por que resolvera oficializar aquela relação? Não que não amasse Charlotte, ela a amava.

Não amava?

- Sim – proferiu, e Iuri arregalou os olhos, um tanto surpreso. – Quer dizer, não – reparou, vendo o semblante do profissional esmorecer. – Ah, porra, Iuri, eu não sei. Por que você apenas não me dá ordens? Me castigue nos treinos, em vez de fazer tantas perguntas. Mas que caralho! – xingou, e aumentou por conta própria as pedaladas, sonhando que o aparelho alçasse voo e o fizesse cruzar o céu, exatamente como acontecera com o extraterrestre no filme (adivinha!), ET. – Não quero conversar.

- Logo você, que fala tanto? – Iuri o interrogou, achando graça da reação dele.

- Pois é, mas hoje eu não estou com disposição. Resolvi ouvir o conselho que vocês rotineiramente me dão, e fechar a matraca. Você deveria fazer o mesmo.

 

 

[ ... ]

 

- Marco, qual gravata você prefere? – Camila, a irmã mais nova de Charlotte perguntou, balançando o ‘acessório’ frente aos orbes dispersos.

- O quê? – respondeu, recobrando o foco.

- Perguntei qual gravata você prefere? – repetiu, fazendo uma careta porque ele simplesmente não conseguia se concentrar em escolher algo tão importante. – A azul esverdeada, ou a verde azulada? Ou a azul claro com detalhes em verde escuro, ou a azul escura com detalhes em verde claro? Ou ainda a marfim com listras verdes e azuis?  – apontou para todas, que se exibiam numa imponente caixa de vidro.

- Elas me parecem todas iguais – Marco pontuou. – E são igualmente horrorosas. Não tem outra tonalidade? – inquiriu, fitando vendedora que se viu obrigada a prender o riso, para não perder os ares profissionais.

- Minha irmã decidiu por esses matizes, pois seguirá esse padrão de coloração no buquê e nos arranjos que irão compor a festa.

- Creio em Deus pai – suspirou, alto, em discordância. Deixara tudo nas mãos de Charlotte, porque acreditava que ela estava apta a acertar os detalhes com bom gosto e classe, contudo, agora, se via profundamente arrependido.

- Não banque o idiota – Camila rebateu. – Essas gravatas são lindas! Apenas escolha uma. Você ainda precisa provar o terno.

- Ok, eu quero uma gravata preta – proferiu, sem ânimo. – Pode me mostrar alguma? – perquiriu à funcionária que lhe deu uma piscadela.

- Sim, sim, temos algumas com tecidos maravilhosos – disse, e adiantou-se para ir buscá-las.

- Você não pode simplesmente usar uma gravata preta no dia do seu casamento. O terno que Charlotte e eu separamos também é preto, bem como a calça e os sapatos. Os convidados vão pensar que você está indo para um velório, Marco!

- Mas não é isso o que acontecerá? – provocou, e viu o rosto da cunhada enrubescer, o que lhe fez lembrar que também gostava de vermelho.

- Aqui estão! – a atendente depositou as gravatas à sua frente. – Toque, sinta a maciez do tecido – incitou. – Veja o acabamento, senhor Reus – pediu, e ele tocou nas gravatas, sem captar a diferença entre elas. Até o tato estava falho, bem como a vontade de continuar vivendo.

- Tem alguma gravata carmesim? – pesquisou e a mulher anuiu; tão breve foi sua competência, que Marco segurou, em questão de segundos, a peça entre os dedos. – Pensando bem, eu gostaria de usar uma gravata amarela. Amarelo é a minha cor. Posso lidar com isso – disse, coçando o queixo, e Camila murmurou um ‘não acredito nisso’, após escutá-lo.

- Charlotte vai te matar! – a cunhada ilustrou, nada satisfeita com a incapacidade de Marco de seguir o planejamento que fizera, junto à irmã.

- Bom, então acho que teremos mesmo um velório – Marco respondeu, e colocou a gravata amarela, por cima do casaco de moletom, admirando-se no espelho. – Viu, cunhadinha?  Amarelo ressalta os meus olhos.

- Quer usar um terno amarelo também? – Charlotte espezinhou, desgostosa.

- Não seria uma má ideia – ele brincou, adorando vê-la perder a compostura.

- Mas que absurdo, Marco! Você ficará parecendo um pintinho! – bateu os pés e caminhou para fora da loja, fazendo com que ele soltasse uma gargalhada sonora.

- Casamentos são complicados – a vendedora sibilou, quando ficaram a sós. – Me divorciei duas vezes, e já não quero mais pensar em compromisso.

- Você acha que minha noiva ficará chateada se eu não aparecer no altar? – torceu a fisionomia, rezando para que ela dissesse um gigantesco e cintilante não.

- Bom, é provável que ela lhe cozinhe vivo – a funcionária alegou, sincera.

- Então, se eu usar o terno amarelo, serei transformado em caldo de pinto? – sugeriu, e constatando a confusão no semblante da atendente, deu um riso alargado, querendo na verdade, ocultar a própria apreensão. – Eu brincando, não seria honrado da minha parte desistir de tudo tão em cima da hora. Embrulhe a gravata azul com verde, ou vice-versa. A que você achar menos feia, pois é essa que iriei levar.

 

 

[ ... ]

 

Deu uma baforada na mão e cheirou o próprio hálito. Comprovando que ninguém perceberia o que tinha feito, ligou o carro e dirigiu até a igreja.

As mãos suavam, excessivamente. Quase não conseguiu fazer os votos. Quando o padre lhe perguntou se aceitava Charlotte como sua esposa na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza, até que a morte os separassem, ponderou qual dos dois – ele ou sua esposa -, se mataria primeiro, porque supôs que o suicídio soaria com um alívio quando, após anos de casamento, precisasse concorrer em uma licitação para transar com ela, uma, duas ou três vezes por ano. Não queria que aquele pacto extinguisse a libido e a química que os dois tinham na cama, mas sabia que depois que os filhos nascessem ela priorizaria as crianças, deixando-o de lado.

Poderia culpá-la?

Não mesmo, porque tinha a ciência de que, aquém dos defeitos, Charlotte seria uma excelente mãe. E quem sabe ele também não seria um ótimo pai?

Casamento, posteriormente paternidade... As coisas estavam indo na velocidade da luz, e sua fértil imaginação lhe imprimia uma dolorosa tortura.

- Discurso! Discurso! Discurso! – os trezentos convidados, acomodados no altivo salão, gritam uníssonos, usurpando-o do próprio devaneio.

- Sua vez de falar, meu amor – Charlotte murmurou próximo do seu ouvido, e Marco se levantou da cadeira na qual sentava, do lado da dela. Ambos colocados atrás de uma mesa de maior destaque.

Retirou do bolso algumas folhas de papel, onde escrevera o que lhe viera à mente, na manhã do grande dia, assim que se posicionou numa pequena elevação de mármore. Os refletores quase lhe cegaram as vistas, e deu dois tapinhas no microfone para testar a acústica.

- Primeiramente eu gostaria de agradecer a todos vocês pela presença – começou o pronunciamento, um tanto tímido. A maldita gravata horrorosa apertando o pescoço. Afrouxou-a, sem receio, antes de prosseguir. – Hoje é uma data de suma importância para mim, e para minha esposa, Charlotte Reus. Confesso que tive muito medo de tomar essa decisão, porque bom, nós todos temos receios, dúvidas quanto as nossas escolhas – cessou, lendo as folhas que segurava. Virou a cabeça para encarar a mulher que reluzia dentro de vestido cravejado de cristais, e abdicou da leitura, deixando somente que as sensações que experimentava escorresse por seus finos lábios. – Mas ao contemplar um sorriso desses e ver essa alegria irradiar da mulher que amo, percebo que tudo valeu a pena. Tenho total certeza que segui o melhor caminho... – prosseguiu por longos e arrastados minutos, falando e falando, e falando tanto que os convidados já não aguentavam mais.  Só parou quando Charlotte arrancou o microfone de suas mãos, e dizendo-lhe que já estava bom, o que fomentou em risos generalizados.

Encabulado, Marco cessou o discurso.

Entupiu-se de canapés quando um garçom passou com uma bandeja na sua frente. Empanturrou-se, porque adorava comer. Depois, gastou as calorias adquiridas na pista de dança, entre uma taça e outra de champanhe, até se dar conta de que já estava na hora de se encaminhar ao hotel, para a noite de núpcias.

Embriagado, foi arrastado por Charlotte para a limusine e ansioso para a cópula, lançou-se para cima dela, espremendo-a entre o corpo torneado e o banco acolchoado. Apalpou-a e beijou-a de todas as maneiras possíveis, até deixa-la sem fôlego. Não disfarçava a ereção que pulsava alarmada no meio de suas pernas, sonhando com o local quente e receptivo.

- Os pombinhos não preferem esperar até que cheguem ao hotel? – o motorista sugeriu, provocativo, espiando-os pelo pequeno espelho situado no teto do veículo, ao contemplar descaradamente, os ‘amassos’ que ocorriam no banco detrás.

 

[ ... ]

 

Marco acordou, nu, sobre o tapete da suíte. A cabeça doía e o corpo parecia ter sido atropelado por um caminhão. Levantou, um tanto zonzo, apoiando-se no pé da cama, conferindo que a mesma estava vazia.

Manter-se em equilíbrio era uma dificultosa tarefa.

Deu passos calmos até o banheiro, seguindo o barulho que saía de lá. Com esforço, escorou-se na entrada e observou Charlotte tomar banho, esfregando um sabonete líquido de odor floral pelo corpo despido. As espumas envolviam-na como se fosse abraçada por felpudas nuvens.

- Bom dia, meu amor – ela falou, desembaçando o vidro para observá-lo melhor. – Foi uma noite maravilhosa. Tudo estava tão lindo.

Marco ingerira tanta bebida que pouco se recordava do que tinha feito. Não confessara para ninguém, porque receberia uma reprimenda, entretanto, colocara no bolso interno de seu traje de noivo, um cantil com uísque, que sorvera generosamente antes de subir ao altar. Tomou ao menos o cuidado de mascar um chiclete de menta, antecedendo a chegada de Charlotte à igreja, para que ela não percebesse que ele se valia do teor alcóolico objetivando superar aquilo. E aquilo era o casório. O jogador só queria uma dose de coragem, porque a missão lhe soava mais cabulosa do que final de Champions League.

Marco aprendera a se adaptar às mais diversas situações, e explorava todos os recursos imagináveis quando se via diante de qualquer tipo de circunstância que lhe gelava o sangue das veias, e casar petrificara sua aorta.

- Que noite? – inquiriu, soando um tanto insensível, mas realmente não se lembrava.

- A noite do nosso casamento, oras! – Charlotte externou, pensando que ele tecia algum tipo de brincadeira matinal para tirá-la do sério, como habitualmente fazia, apenas por diversão.

“Casamento?”, Marco pensou e fitou a aliança enfiada no dedo anelar da mão esquerda. “Mas não era amanhã?”, divagou. “Deus, quanto uísque eu bebi? Quanto champanhe eu bebi?”, retornou ao quarto e viu o vestido de noiva jogado numa poltrona, perto da entrada. “Eu deveria ter fugido. Como pude ficar bêbado? Como pude me esquecer de escapar?”

Constar que era oficialmente um homem casado, incitou o remexer do próprio estômago, e como um reflexo Marco expeliu tudo o que ingerira sobre o tapete persa que forrava piso.  O vômito vazou por sua boca, e a sensação nauseante lhe acometeu, como se acabasse de ser colocado dentro de um furacão. O desconforto não era somente físico, sobretudo emocional, e por isso as lágrimas se misturaram ao líquido que impregnava os próprios pés.

Uma nojeira só.

- Marco, está tudo bem? – Charlotte surgiu, enrolada numa toalha branca. Para Marco, ela era um verdadeiro fantasma.

- Não, não está não – proferiu, ajoelhado. Limpou a boca com as costas das mãos, e checou o vômito. O odor lhe impregnando as narinas. Será que seu corpo se fragmentaria em mil pedaços caso se jogasse pela janela? – Não está nada bem.

- Por que? – Charlotte sondou, ficando próximo dele. Suplantou-lhe um cafuné, alisando os fios que nasciam perto do pescoço.

- Promete não me esquartejar se eu disser? – inquiriu, sabendo que estava prestes a estragar tudo. Talvez nem saísse vivo dali.

- Prometo – Charlotte respondeu, ingenuamente.

- Só por favor, entenda, ok? – Marco suplicou. – Prometa-me que vai me entender.

- Diga logo, Marco, você está me assustando – ela exigiu, perdendo a paciência.

- Charlotte, eu te amo – proferiu, embaralhado, aturdido, porém totalmente honesto. – Eu te amo muito.

- Eu também te amo muito, Marco.

- Só que... – cessou, e ela comprimiu os beiços, expectante.

- Só que o quê?

- Eu quero anulação do casamento – sentenciou, e recebeu um tapa na cara tão forte que o estalo ressonou pela suíte, o que lhe fez pensar que vomitaria outra vez. A face queimou como fogo.

- O que você está dizendo? – ela gritou como uma gralha, afastando-se de Marco como se ele fosse uma lepra. – Você só pode estar brincando, isso não faz sentido algum.

- Sei que é difícil para você, mas estou falando sério – pontuou, lutando para manter um pouco de normalidade. Queria não mudar tanto de ideia, contudo não conseguia não mudar.

- Por que você me pediu em casamento? Por que não desistiu de tudo antes de me fazer te dizer sim como uma tonta? – Charlotte perguntou, andando de um lado a outro tal qual um boneco de corda. A raiva sobrevoando a anatomia colérica. – Por que, seu imbecil?

- Desculpe, Charlotte, eu só me arrependi. Podemos continuar namorando se você quiser, mas casamento é algo no qual não me encaixo – justificou-se.

- Como pode ter a cara de pau de dizer que ama e pedir a anulação do casamento, Marco? – bradou, alto, e ele se encolheu, temeroso. A loira estava uma fera, provavelmente o estrangularia. – Como pede querer prosseguir com um namoro? Namoro, Marco?  Como pode fazer isso? Você quer me deixar louca?! – interpelou. – Você está me deixando louca! Que raiva de você, Marco! Isso não pode ser verdade!

- Me desculpa, Charlotte, mas se tivermos calma poderemos dar um jeito nisso, você não precisa ficar tão nervosa.

Dizer aquilo foi uma insanidade que o colocou na mira do rifle.

 Charlotte o encarou-o, bufando, como um touro bravo.  Partiu para cima dele, a fim de esvair toda a sua ira numa torrente de socos e chutes. Marco se esquivava como podia, protegendo-se com os braços, conforme zanzava pelo quarto, em busca de alguma espécie de refúgio. Percebendo que ela cansara, adiantou-se e se escondeu atrás de uma pilastra esculpida em gesso.

- Eu sinto muito, Charlotte – falou, esticando o pescoço para espiar a mulher que chorava copiosamente, esparramada no chão. – Eu sinto muito. Mesmo. - Ela o fuzilou com olhar mortal. Inúmeras foram as emoções que escaparam dos seus olhos, ao ponto que Marco se compadeceu, mesmo sabendo que nada podia fazer para reparar o engano, porque em seu íntimo realmente desejava a anulação.

Verificando se era seguro se aproximar dela, deu um passo para frente, contudo novamente recorreu ao abrigo da pilastra quando ela fez menção de se levantar.

- Sabe o que eu mais odeio nisso tudo? – Charlotte perguntou, a voz vazia, o timbre plácido. Quiçá estivesse esgotada.

- O que? – ele perguntou, ainda em seu esconderijo improvisado.

- O fato de que no fundo eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, você enjoaria de mim e mudaria de ideia – explicou, alisando a bagunça que virara o cabelo. – Você enjoa de tudo.

- Eu não enjoei de você, Charlotte – Marco explicitou. – Não precisamos estar casados para estarmos juntos, não quero que nos separemos, só não quero uma responsabilidade dessas.  Por que você não entende? Isso é tão simples.

- Simples para você, Marco. Simples para você – repetiu. – Você tem medo que eu fique com uma parte do seu patrimônio, no futuro, caso haja um divórcio? Ou quer passar os restos dos dias, farreando, como é comum que um jogador de futebol faça?

- Não! – Marco adiantou-se em esclarecer. – Claro que não, Charlotte. Eu só não quero estar casado.

- Se tinha tanto medo do casório por que me propôs isso, Marco? Por que me fez sonhar em ser a senhora Reus? Por que me permitiu ser a senhora Reus?

- Sei lá... – Marco disse, um tanto estabanado. Procurando uma justificativa que talvez nem ele conhecesse. – Talvez porque eu sou... – calou-se. Será que ela ficaria mais furiosa com aquela resposta?

Estava tão fodido que resolveu arriscar.

- Você é o que, Marco? – Charlotte indagou, ansiando um argumento no mínimo convincente, apesar de saber que nada que ele dissesse repararia agonizante flagelo.

- Geminiano? – Marco proferiu, encabulado.

Percebeu que deveria ter permanecido quieto quando o chinelo que Charlotte calçava lhe atingiu, bem no meio da testa.

- Agora você vai colocar a desculpa de você ser um tremendo babaca no seu signo, Marco? – ela gritou, e ergueu-se ligeira, partindo na direção dele a fim de lhe arrancar a pele do corpo. – Eu vou acabar com você, seu idiota!

Sem escapatórias, Marco abriu a porta da suíte, afoito, e saiu correndo pelos corredores do hotel, esquecendo totalmente que estava completamente despido. Alguns hóspedes abandonaram seus quartos e foram espiar a algazarra, parando na porta das acomodações em que estavam. Totalmente incrédulos.

 Marco fingiu que não virara o centro das atenções, porque tinha como prioridade escapar do alcance da mulher que permanecia em seu enlace. Achou que estava seguro ao começara a descer freneticamente as escadas pois não mais conseguia vê-la em seu rastro. Todavia, percebeu-se equivocado, ao ouvir Charlotte gritar a plenos pulmões, provavelmente a poucos metros de si:

- Volte aqui, Marco! – seu coração acelerou. – Volte aqui, porque eu vou te matar! – ameaçou. Eu vou te matar, geminiano filho da puta!  - De súbito, colocou as mãos na região pélvica para encobrir a nudez, e desceu os lances de escadas o mais ligeiro que conseguiu. Pulando os degraus, com destreza o bastante para não ganhar uma queda. Charlotte adoraria se ele quebrasse o pescoço.

Prometeu a si mesmo que nunca mais voltaria atrás em decisão alguma, se porventura saísse ileso daquele tormento.

 

[ ... ]

 

A fome era tanta que se contorcia no sofá, à espera do entregador de pizza. Saltou, como uma criança travessa, e correu até a porta da casa dos pais quando a campainha tocou. Refugiara-se ali para não sofrer nas garras de Charlotte no período em que seus advogados tentavam persuadia-la a concordar com a anulação do casório.

- Aqui está! – o motoboy falou, entregando-lhe as duas caixas. O odor do alimento causou lhe imensa satisfação. Passou o cartão de crédito na maquininha portátil que o homem carregava, e agradeceu, fechando a porta quando a transação fora concluída.

- Que belezura! – enalteceu.  Marco retirou a tampa, e observou as maravilhas que depositou na mesa de centro da sala de estar. – Meus sabores favoritos – proferiu, sozinho, ao vislumbrar a pizza Portuguesa e a de Quatro Queijos. Todavia, se viu enclausurado quando se deu conta de que deveria escolher qual delas comeria primeiro. – E agora, o que eu faço? – indagou a si mesmo. – Já sei, vou comer a Portuguesa! – exclamou e mordeu uma fatia, deliciando-se com o sabor.

Sua mãe saíra de cozinha e se acomodara ao seu lado, surrupiando um pedaço daquela que ele, momentaneamente, abdicara.

- Hum, que delícia – ela comentou. – Essa é a melhor pizza que eu já comi, meu filho. É daquela pizzaria que seu primo sempre frequenta?

- É sim, mãe – confirmou, os olhos vazios observando ela se deliciar, em êxtase. Olhou para a fatia que segurava, perdendo totalmente o interesse.

“Mas que merda, eu deveria ter começado pela de Quatro Queijos”, pensou, e adiantou-se, sem remorso, em degustar o sabor que levara deleite ao rosto da mãe.

- Pensando bem, mãe – formulou, desfazendo a troca. – Acho que a Portuguesa é mais gostosa. Por que a senhora não experimenta?

 

 

 

 


Notas Finais


Algum geminiano se identificou com a maluquice e mudança de ideia do Reus? Ai gente, às vezes eu quero duas coisas ao mesmo tempo, ou quero uma e depois quero outra kkkk Nem eu dou conta de mim mesma, e olha que em gêmeos tenho o ascendente, lua e marte, porque meu sol é em Áries.

E então, o que acharam? Vamos prosear porque conversar eu gosto é muito.
Beijos, amores!
PS: A gente fala de taurino mas geminiano também come a beça.


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