História Crepúsculo - Norminah - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony, Zendaya
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren, Norminah, Trolly, Zendaya G!p
Visualizações 439
Palavras 3.255
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Crossover, Ficção Científica, Romance e Novela, Saga, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Era pra ter sido postado ontem, culpem Grey's Anatomy que não me deixou postar!!!!

Enfim,

BOA LEITURA, E SEGUREM OS FORNINHOS!

Capítulo 17 - Crepúsculo - Confissões


Dinah na luz do sol era chocante. Eu não conseguia me acostumar com isso, mesmo tendo passado a tarde inteira olhando pra ela. A pele dela tinha um certo avermelhado, pela caçada de ontem, e ela estava literalmente brilhando, como se milhões de pequenos diamantes estivessem cravados em sua superfície. Ela ficou completamente rígida na grama, sua camisa aberta deixava seu sutiã amostra.

De vez em quando, seus lábios se moviam tão rápido que pareciam que estavam tremendo. Mas quando eu perguntei, ela disse que estava cantando pra si mesmo, era baixo demais pra que eu ouvisse.

Eu aproveitei o sol, também, apesar do ar não estar seco o suficiente para o meu gosto. Eu teria gostado de me deitar, como ela, e deixar o sol esquentar meu rosto. Mas eu fiquei enrolada, com o queixo nos meus joelhos, sem querer tirar os olhos dela. O vento estava calmo, ele assoprou meu rosto e balançou a grama embaixo da sua forma imóvel.

Hesitantemente, sempre com medo, mesmo agora, que ela desaparecesse como uma miragem, bonita demais pra ser real... Hesitantemente, eu levantei um dedo e alisei as costas da sua mão brilhante, até onde deu pra alcançar. De novo, eu fiquei maravilhada com a textura perfeita, macia como seda, fria como pedra. Quando eu olhei pra cima, seus olhos estavam abertos, me observando. Seus olhos estavam da cor de uísque hoje, mais claros, mais amenos por causa da caçada. Seu rápido sorriso curvou os cantos dos seus lábios perfeitos.

— Eu não te assusto? — Ela perguntou de brincadeira, mas eu ouvia a curiosidade por trás da sua voz suave.

— Não mais que o normal.

Seu sorriso cresceu, e seus dentes brilharam ao sol.

Eu cheguei mais perto, abrindo minha mão pra tocar os contornos do seu braço com as pontas dos meus dedos. Eu vi que meus dedos tremeram, e eu sabia que ela não deixaria de notar.

— Você se incomoda? — Perguntei já que ela havia fechado os olhos de novo.

— Não. — Ela disse sem abrir os olhos. — Você não pode imaginar o que isso me faz sentir.

Ela suspirou.

Eu passei minha mão suavemente no seu braço, trilhando até perto de seus seios. Com minha outra mão, eu virei a mão dela. Se dando conta do que eu queria, ela levantou sua mão em um daqueles movimentos rápidos e desconcertantes. Isso me assustou, meus dedos congelaram no braço dela por um breve segundo.

— Me desculpe. — Ela murmurou. Eu olhei pra cima pra ver seus olhos claros se fechando de novo. — É fácil demais ser eu mesmo quando eu estou com você.

Eu levantei a mão dela, virando ela pra cima e pra baixo enquanto eu observava o brilho do sol cintilar na sua palma. Eu a segurei mais próxima do meu rosto, tentando ver os detalhes escondidos da pele dela.

— Me diga o que você está pensando. —Ela sussurrou.

Eu olhei pra cima pra ver seus olhos me observando, repentinamente atentos.

— Ainda é estranho pra mim, não saber.

— Sabe, o resto de nós se sente assim o tempo inteiro.

— É uma vida injusta. — Será que eu imaginei a pontada de arrependimento na voz dela? — Mas você ainda não me disse.

— Eu estava desejando saber o que você estava pensando... — Hesitei.

— E...?

— Estava desejando poder acreditar que você é real. E desejando não ter medo.

— Eu não quero que você sinta medo. — A voz dela era um leve murmúrio.

Eu ouvi o que ela queria ter dito na verdade, que eu não precisava ter medo, que não havia nada a temer.

— Bem, não é exatamente desse medo que eu estou falando, apesar de que isso realmente é algo em que eu devia estar pensando.

Tão rápido que eu perdi o movimento, ela estava meia sentada, apoiada no braço direito, sua palma esquerda ainda na minha mão.

Seu rosto angelical estava a apenas alguns centímetros do meu. Eu devo ter, posso ter, me afastado alguns centímetros, assustada com a súbita aproximação, mas eu não consegui me mexer. Seus olhos dourados me hipnotizaram.

— Do que você está com medo, então? — Ela sussurrou atentamente.

Mas eu não consegui responder. Como eu já tinha feito antes, senti a sua respiração gelada no meu rosto. Doce, delicioso, o cheiro fez a minha boca encher de água. Não havia nada parecido. Instintivamente, sem pensar, eu me inclinei pra frente para inalar o cheiro.

E ela desapareceu, sua mão sumiu da minha. Quando os meus olhos finalmente ficaram focados, eu percebi que ela estava a uns três metros de distância, de pé na beira da clareira, na sombra de uma enorme árvore. Ela me encarou, seus olhos escuros nas sombras, sua expressão ilegível.

Eu podia sentir a dor e o choque no meu rosto. Minhas mãos vazias tremeram.

— Me... Desculpe Dinah. — Sussurrei. Eu sabia que ela podia ouvir.

— Me dê um momento. — Ela respondeu alto o suficiente apenas para eu ouvir.

Sentei muito rígida.

Depois de dez segundos incrivelmente longos, ela voltou, devagar demais pra ela. Ela parou ainda a vários passos de distância e se sentou graciosamente no chão, cruzando as pernas. Seus olhos não se desgrudavam dos meus. Ela respirou fundo duas vezes, e então sorriu se desculpando.

— Eu sinto muito. — Ela hesitou. — Você entenderia se eu dissesse que sou apenas humana?

Eu afirmei com a cabeça uma vez, sem conseguir rir da piada dela. A adrenalina pulsou nas minhas veias quando eu me dei conta do verdadeiro perigo. Ela conseguia sentir isso não importava onde ela se sentasse. Seu sorriso se tornou zombeteiro.

— Eu sou a melhor predadora do mundo, não sou? Tudo em mim é convidativo pra você, minha voz, meu rosto e até meu cheiro. Como se eu precisasse disso! — Inesperadamente, ela estava de pé, andando pra longe, instantemente fora de vista, só pra depois aparecer atrás daquela mesma árvore de antes, ela circulou a clareira em meio segundo.

— Como se você pudesse fugir de mim. — Ela sorriu amargamente.

Ela levantou uma mão e, com um crack alto, ela arrancou uma árvore de dois metros de altura com raiz e tudo, sem esforço. Ela a segurou com uma mão por um momento, e então jogou ela pra longe com uma rapidez impressionante, fazendo com que ela se chocasse contra outra árvore enorme, ela caiu no chão com um barulho incrível fazendo o chão tremer.

E lá estava ela na minha frente de novo, a dois passos de distância, ainda como uma pedra.

— Como se você pudesse me vencer. — Ela disse gentilmente.

Eu me sentei imóvel, com mais medo dela do que eu jamais senti. Nunca tinha visto ela fora daquela fachada cuidadosamente cultivada. Ela nunca esteve menos humana... Ou mais bonita..

Seus olhos adoráveis pareciam brilhar com a excitação. Então, quando os segundos passaram, eles foram escurecendo. Sua expressão lentamente foi se transformando numa máscara de tristeza.

— Não tenha medo. — Ela murmurou, sua voz sedosa era muito atraente mesmo sem essa intenção. — Eu prometo... — Ela hesitou. — Eu juro que não vou te machucar.

Ela parecia estar mais preocupada em se convencer disso do que a mim.

— Não tenha medo. — Ela sussurrou de novo, enquanto dava um passo à frente, com uma lentidão exagerada.

Ela se sentou sinuosamente, com movimentos deliberadamente lentos, até que os nossos rostos estavam na mesma altura, a apenas uns centímetros de distância.

— Por favor, me perdoe. — Ela disse formalmente. — Eu posso me controlar. Você me pegou de surpresa. Mas eu estou com o meu melhor comportamento agora.

Ela esperou, mas eu não conseguia falar.

— Eu não estou com sede hoje, de verdade. — Ela piscou pra mim.

Com essa eu tive que rir apesar do som estar tremendo e sem fôlego.

— Você está bem? — Ela perguntou delicadamente, levantando a mão lentamente, cuidadosamente, pra colocá-la de volta na minha.

Eu olhei para a sua mão suave, fria, e então para seus olhos.

Eles estavam suaves, arrependidos. Eu olhei de volta para as suas mãos, e então deliberadamente recomecei a tatear a sua mão com as pontas dos meus dedos. Eu olhei pra cima e sorri timidamente.

O sorriso dela era deslumbrante.

— Então onde é que nós estávamos antes de eu me comportar tão rudemente? — perguntou com as tendências gentis do início do século.

— Eu honestamente não me lembro.

Ela sorriu, mas o seu rosto estava envergonhado.

— Nós estávamos falando sobre porque você estava com medo, sem contar as razões óbvias.

— Ah certo.

— Então?

Eu olhei para as mãos dela e tateei á toa na sua palma macia. Os segundos passaram.

— Como eu fico frustrada facilmente. — Ela suspirou.

Olhei para os olhos dela, me dando conta abruptamente que isso era tão novo pra ela quanto era pra mim. Assim como muito anos de experiências insondáveis que ela teve, isso era difícil também. Eu me encorajei com esse pensamento.

— Eu estava com medo... Porque, bem, por razões óbvias, eu não posso ficar com você. E eu tenho medo de querer ficar com você, mais até do que eu devia. — Eu olhei pra baixo para as mãos dela enquanto falava.

Era difícil dizer isso em voz alta.

— Sim. —Ela concordou lentamente. — Isso é algo pra se temer, realmente. Querer ficar comigo. Esse realmente não é o seu melhor interesse.

Eu fiz uma careta.

— Eu já devia ter ido embora a muito tempo. — Ela suspirou. — Eu devia ir embora agora. Mas eu não sei se consigo.

— Eu não quero que você vá embora. — Murmurei pacientemente, olhando pra baixo de novo.

— E é exatamente por isso que eu devia ir. Mas não se preocupe. Eu sou uma pessoa essencialmente egoísta. Eu necessito demais da sua companhia para fazer o que eu devia.

— Eu fico alegre.

— Não fique! — Ela retirou a sua mão, mais gentilmente dessa vez, sua voz estava mais grossa que de costume, ainda mais bonita do que qualquer voz humana.

Era difícil acompanhar – as mudanças súbitas do seu humor, sempre me deixavam pra trás, confusa.

— Não é apenas da sua companhia que eu necessito! Nunca se esqueça disso. Nunca se esqueça de que eu sou muito mais perigosa pra você do que pra qualquer outra pessoa. — Ela parou e eu olhei pra ela pra ver que ela estava olhando a floresta sem ver nada.

Eu pensei por um momento.

— Eu acho que não entendo o que você quis dizer, sobre a última parte. —Eu disse.

Ela olhou pra mim e sorriu seu humor mudando de novo.

— Como eu vou explicar? — Ela zombou. — E sem assustar você... Hm.

Sem parecer pensar em nada, ela colocou sua mão de volta na minha, eu apertei a mão dela com as minhas duas. Ela olhou para as nossas mãos.

— Isso é incrivelmente prazeroso. O calor. —Ela suspirou.

Um momento se passou enquanto ela assemelhava seus pensamentos.

— Você sabe como as pessoas gostam de diferentes sabores? — Ela começou. — Como alguns gostam de sorvete de chocolate, outros preferem morango?

Eu afirmei com a cabeça.

— Me desculpe pela analogia a comida, eu não conseguia pensar em outra forma de explicar.

Sorri. Eae sorriu de volta sem graça.

— Entenda cada pessoa cheira diferente, tem uma essência diferente. Se você colocasse uma pessoa alcoólatra numa sala cheia de cerveja, ela beberia feliz. Mas ela poderia resistir, se ela quisesse, se ela fosse uma alcoólica em reabilitação. Agora digamos que você coloca nessa sala uma garrafa de conhaque de cem anos, o conhaque mais raro, mais fino, que enche a sala com o seu aroma, como você acha que ela reagiria?

Nós sentamos em silêncio, olhando para os olhos um do outro — tentando ler os pensamentos um do outro.

Ela quebrou o silêncio primeiro.

— Talvez essa não seja a comparação certa. Talvez fosse fácil demais recusar o conhaque. Talvez o nosso alcoólico devesse ser um viciado em heroína.

       — Então, o que você está dizendo é que eu sou seu tipo preferido de heroína? —Brinquei, tentando melhorar o clima.

Ela sorriu brevemente, parecendo apreciar meu esforço.

—Você é exatamente meu tipo preferido de heroína.

— Isso acontece sempre? — Perguntei.

Ela olhou para o topo das árvores enquanto pensava na resposta.

— Eu falei com os meus irmãos sobre isso. — Ela ainda olhava pra longe. — Pra Troy, todos vocês são praticamente iguais. Ele foi o que se juntou à família mais recentemente. A abstinência já é difícil pra ele por si só. Ele ainda não teve tempo pra desenvolver o olfato, as diferenças do cheiro, no sabor.

Ela olhou rapidamente pra mim, se desculpando.

— Eu não me importo. Por favor, não tenha medo de me ofender, ou me assustar, ou o que quer que seja. É assim que você pensa. Eu posso entender, ou pelo menos tentar. Explique-me como puder.

Ela respirou fundo e olhou para o céu de novo.

— Então Troy não tinha certeza se já tinha cruzado com alguém tão... — ela hesitou, procurando pela palavra certa — Atraente como você é pra mim. O que me faz acreditar que não. Lauren já está nessa a mais tempo, por assim dizer, e ela entendeu o que eu quis dizer. Ela disse que já aconteceu com ela duas vezes, para ela, uma vez foi mais difícil que a outra.

— E com você?

— Nunca.

A palavra ficou pendurada durante um momento na brisa morna.

— O que Lauren fez? — Perguntei pra quebrar o silêncio.

Foi a coisa errada pra perguntar. Seu rosto obscureceu, a mão dela se apertou no punho dentro da minha. Ela desviou o olhar. Eu esperei, mas ela não ia responder.

— Eu acho que já sei. — Finalmente disse.

Ela levantou os olhos, sua expressão tristonha, implorativa.

— Até o mais forte de nós comete erros, não é?

— Você está pedindo o que? Minha permissão? — Minha voz estava mais cortante do que eu pretendia. Eu tentei deixar o meu tom mais suave, eu podia imaginar o que a sua honestidade estaria custando pra ele. — Eu quero dizer, não existem esperanças, então?

Como eu podia discutir a minha morte tão calmamente!

— Não, não. — Ela estava instantaneamente arrependida. — É claro que há esperança! Digo, é claro que eu não vou... — Ela não terminou a frase.

Seus olhos queimavam nos meus.

— É diferente com a gente. Lauren... Aqueles eram estranhos que cruzaram o nosso caminho. Foi há muito tempo e ela não tinha tanta... Prática e cuidado que tem hoje.

Ela ficou em silêncio me observando atentamente enquanto eu pensava nisso.

— Então... Se tivéssemos nos conhecido num beco escuro ou alguma coisa assim... — Minha voz falhou.

— Eu fiz tudo o que podia pra não pular em você no meio de uma sala cheia de crianças e, — ela parou abruptamente, desviando o olhar — quando você passou por mim, eu podia ter arruinado tudo o que Carlisle construiu pra nós, lá mesmo. Se eu não tivesse renegado a minha sede pelos últimos, bem, muitos anos, eu não teria sido capaz de me refrear.

Ela parou, olhando para as árvores.

Ela olhou pra mim severamente, nós dois lembrando.

— Você deve ter pensado que eu estava possuída.

— Eu não conseguia entender por que. Como você poderia me odiar tão rapidamente...

— Pra mim, era como se você fosse uma espécie de demônio, reunindo forças do meu próprio inferno pra me destruir. A fragrância que saia da sua pele... Eu pensei que ia acabar comigo naquele primeiro dia. Naquela uma hora, eu pensei em milhões de formas de te tirar da sala comigo, pra que ficássemos sozinhos. E eu lutei com esses pensamentos, pensando na minha família, o que eu podia causar pra eles. Eu tive que sair correndo, pra sair de perto de você antes de te dizer as palavras que faria você me seguir...

Então ela olhou pra cima para a minha expressão vacilante enquanto eu tentava absorver memórias amargas. Seus olhos dourados me observavam por baixo dos cílios, hipnóticos e mortais.

—Você teria vindo. — Ela garantiu.

Eu tentei falar calmamente.

— Sem dúvida.

Ela olhou pra baixo para as minhas mãos, me libertando da força do seu olhar.

— E então, enquanto eu tentava refazer o meu horário numa tentativa inútil de te evitar, você estava lá, naquela sala pequena, quente, o seu cheiro era enlouquecedor. E então eu quase te ataquei lá. Só havia outra frágil humana lá, fácil de lidar.

Eu me arrepiei no sol quente, vendo minhas memórias através dos olhos dele, só agora me dando conta do perigo.

— Mas eu resisti. Eu não sei como. Eu me forcei a não te esperar, a não seguir você depois da escola. Foi mais fácil do lado de fora, quando eu não conseguia mais sentir o seu cheiro, eu consegui pensar claramente, tomar a decisão correta. Eu deixei os outros perto de casa, estava envergonhada demais pra contar pra eles o quanto eu era fraca, eles só sabiam que algo estava muito errado, fui direto até Carlisle, no hospital, pra dizer pra ele que estava indo embora.

Eu a encarei surpresa.

— Eu troquei de carro com ele, o dele estava com o tanque cheio e eu não queria parar. Não queria ir pra casa, para enfrentar Esme. Ela não me deixaria ir sem fazer uma cena. Ela teria tentado me convencer de que não era necessário... Na manhã seguinte eu já estava no Alaska. — Ela parecia envergonhada, como se estivesse admitindo uma grande covardia. — Eu fiquei lá dois dias, com alguns conhecidos... Mas fiquei com saudades de casa. Eu detestava saber que estava machucando Esme, e o resto deles, minha família adotiva. No ar puro das montanhas era difícil de acreditar que você fosse tão irresistível. Eu me convenci de que era uma fraca por ter fugido. Lidei com a tentação antes, não nessas proporções, nem perto disso, mas eu era forte. Quem era você? Uma garotinha insignificante, — ela sorriu de repente — pra me afastar do lugar onde eu queria estar? Então eu voltei...

Ela parou.

Eu não conseguia falar.

— Eu tomei precauções, caçando, comendo mais do que o normal antes de ver você de novo. Eu tinha certeza de que era forte o suficiente pra te tratar como qualquer outra humana. Eu estava sendo arrogante. Era inquestionavelmente uma complicação não poder simplesmente ler a sua mente pra saber o que você pensava de mim. Eu não estava acostumada a ser tão indireta, escutando as suas palavras pelos pensamentos de Jéssica... A mente dela não é muito original, e era irritante ter que me manter preso àquilo. E depois eu não sabia se você realmente estava pensando as coisas que estava dizendo. Tudo era extremamente irritante. — Ela fez uma careta pela memória. — Eu queria que você esquecesse o meu comportamento no primeiro dia se possível, então eu tentei falar com você como eu falaria com qualquer pessoa. Eu estava ansiosa na verdade, esperando decifrar os seus pensamentos. Mas você era interessante demais, eu me vi vidrado nas suas expressões... E de vez em quando você esporeava o ar com o cabelo ou com as mãos, e o cheiro me pegava de novo... É claro, depois você foi quase espremida até a morte diante dos meus olhos. Depois, eu pensei na desculpa perfeita pra ter feito o que eu fiz naquele momento, porque se eu não tivesse te salvado, seu sangue teria se esparramado bem na minha frente, eu não acho que teria conseguido evitar e teria exposto a nós todos. Mas eu só pensei nessa desculpa depois. Naquela hora, tudo o que eu conseguia pensar era 'ela não'.

Ela fechou os olhos, perdida em sua confissão agonizante. Eu escutei mais ansiosa do que era racional. Meu senso comum devia me dizer pra ficar assustada. Mas ao invés disso, eu estava aliviada por finalmente entender. Eu estava cheia de compaixão pelo seu sofrimento, mesmo agora, enquanto ela confessava que queria tirar minha vida.

 

 


Notas Finais


Então foi isso, até domingo amores. BEIJOOOOS

AAAA, E COMENTEMMMMM!


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