História Crepúsculo ( Adaptação Camren G!p) - Capítulo 16


Escrita por: ~

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Categorias Camila Cabello, Fifth Harmony, Shawn Mendes
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais, Shawn Mendes
Tags Camila Cabello, Camren, Camreng!p, Fifth Harmony, Shawn Mendes
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Palavras 5.142
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção Científica, Luta, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


...

Capítulo 16 - Os Cullens


A luz de outro dia nebuloso eventualmente me acordou. Eu deitei com o braço na frente dos olhos, grogue e ofuscada. Alguma coisa, um sonho tentando ser lembrado, estava lutando pra alcançar minha consciência. Eu bocejei e rolei pra o lado, esperando que mais sono viesse. E então o dia anterior flutuou na minha consciência.

— Oh!

Levantei tão rápido que minha cabeça ficou rodando.

— O seu cabelo parece um monte de palha... Mas eu gosto. — Sua voz tranquila veio da cadeira de balanço no canto do quarto.

— Lauren! Você ficou. — Vibrei, e sem pensar atravessei o quarto me jogando no colo dela. No instante que minha mente se deu conta das minhas ações, eu congelei, chocada com o meu entusiasmo descontrolado.

Olhei pra ela, com medo de ter ultrapassado os limites. Mas ela riu.

— É claro. —Respondeu assustada, mas feliz com a minha reação.

Suas mãos esfregaram minhas costas.

Eu coloquei minha cabeça cuidadosamente no ombro dela, sentindo o cheiro da sua pele.

— Eu tinha certeza de que tinha sido um sonho.

— Você não é tão criativa. — Ela zombou.

— Alejandro! — Dei um pulo sem pensar, correndo para a porta.

— Ele foi embora há uma hora, depois de reconectar os cabos da sua bateria, eu devo dizer. Eu tenho que admitir que fiquei decepcionada. Será que só isso seria necessário pra te parar, se você quisesse sair?

Eu fiquei onde estava, querendo responder de forma mal-educada, mas eu estava com medo de ter mal hálito matinal.

— Você geralmente não fica tão confusa de manhã. — Ela reparou.

Abriu seus braços pra me receber de novo. Um convite quase irresistível.

— Eu preciso de outro minuto humano. —Admiti.

— Vou esperar.

Eu fui para o banheiro, minhas emoções eram irreconhecíveis. Eu não me reconhecia, por dentro ou por fora. O rosto no espelho era praticamente irreconhecível, olhos brilhantes demais, pontinhos vermelhos nas maçãs do meu rosto. Depois de escovar meus dentes, eu tentei dar um jeito no caos emaranhado que estava o meu cabelo. Joguei água gelada no meu rosto e tentei respirar normalmente, mas sem muito sucesso. Eu dei uma corridinha de volta para o meu quarto.
Parecia um milagre que ela estava lá, com os braços abertos ainda esperando por mim. Ela veio me pegar, meu coração batendo erraticamente.

— Bem vinda de volta. — Ela cochichou, me pegando nos braços.

Ela me embalou por algum tempo, até que eu reparei que as suas roupas estavam trocadas, seu cabelo estava macio.

—Você foi embora? — Acusei, tocando o colarinho da sua camisa nova.

— Eu não podia sair daqui com as mesmas roupas que cheguei, o que os vizinhos iam pensar?

Eu fiz biquinho.

— Você estava profundamente adormecida, não perdi nenhum detalhe. —Seus olhos me vislumbraram. — Você só começou a falar hoje cedo.

Eu gemi.

— O que você ouviu?

Seus olhos verdes ficaram suaves.

— Você disse que me amava.

— Você já sabia disso. — Abaixei a cabeça.

— Foi bom ouvir, do mesmo jeito.

Eu escondi minha cabeça no ombro dela.

— Eu amo você. — Sussurrei.

— Você é minha vida agora. — Ela respondeu simplesmente.

Não havia mais nada a dizer no momento. Ela nos balançou pra frente e pra trás enquanto o quarto ficava mais claro.

— Hora do café da manhã. — Ela disse finalmente, casualmente, pra provar, eu tenho certeza, que ela se lembrava das minhas fraquezas humanas.

Então eu tapei o meu pescoço com as duas mãos e olhei pra ela com os olhos arregalados. O rosto dela ficou chocado.

— Brincadeirinha. — Ri silenciosamente. — E você disse que eu não sabia atuar.

Ela fez uma careta de desgosto.

— Isso não é engraçado.

— Foi muito engraçado, e você sabe disso.

Mas eu examinei cuidadosamente os seus olhos dourados pra ter certeza de que estava perdoada. Aparentemente eu estava.

— Será que eu devo repetir? — Ela perguntou. — Está na hora do café da manhã para os humanos.

— Oh, tudo bem.

Ela me jogou sobre o seu ombro de pedra gentilmente, mas com uma rapidez que me deixou sem fôlego. Eu protestei enquanto ela me carregava facilmente pelas escadas, mas ela me ignorou.

Colocou-me sentada numa cadeira.

A cozinha estava brilhante, feliz, parecendo que absorvia o meu humor.

— O que tem pra o café da manhã? — Perguntei prazerosamente.

Isso o fez pensar um instante.

— Er, eu não tenho certeza. O que você quer?

Sua sobrancelha de mármore se ergueu.

Eu sorri, ficando de pé.

— Está tudo bem, eu sei me cuidar sozinha. Observe-me caçar.

Encontrei uma tigela e uma caixa de cereais. Eu podia sentir seus olhos em mim enquanto pegava o leite e encontrava uma colher. Coloquei a comida na mesa, e então parei.

— Eu posso pegar alguma coisa pra você? — Perguntei, sem querer ser rude.

Ela só rolou os olhos.

— Só coma, Mila.

Eu sentei-me à mesa, o observando enquanto comia um pouco. Ela estava me encarando, estudando todos os meus movimentos. Fiquei envergonhada. Limpei minha garganta pra falar, pra distraí-la.

— O que está na agenda pra hoje? —Perguntei.

— Hum.

Eu podia ver que ela estava tentando moldar sua resposta cuidadosamente.

— O que você diria de conhecer minha família?

Engoli seco.

— Você está com medo agora? — Ela parecia esperançosa.

— Sim. – Admiti, eu não podia esconder isso, ela podia ver nos meus olhos.

— Não se preocupe. — Ela sorriu. — Eu vou te proteger.

— Não estou com medo deles. — Expliquei. — Eu estou com medo que eles... Não gostem de mim. Eles não vão ficar bem, surpresos por você levar alguém... Como eu... Pra casa pra conhecê-los? Eles sabem que eu sei deles?

— Oh, eles já sabem de tudo. Fizeram apostas ontem, sabia? — Ela sorriu, mas sua voz estava áspera — Eles apostaram se eu ia te trazer do volta ou não, apesar de eu não ter ideia do porque eles apostaram contra Allysson. Sob qualquer perspectiva, nós não temos segredos na minha família. Não é nem possível, já que eu leio mentes e Allysson vê o futuro e tudo mais.

— E Troy fazendo você ficar mais calmo quando esta com vontade de botar tudo pra fora, não se esqueça disso.

— Você estava prestando atenção. — Ela sorriu com aprovação.

— Eu aprendi a fazer isso de vez em quando. — Brinquei. — Então Allysson me viu voltando?

Sua reação foi estranha.

— Algo assim. — Ela disse desconfortavelmente, se virando pra que eu não pudesse ver seus olhos.

Eu a encarei, cheia de curiosidade.

— Isso ai é bom? — Ela perguntou, se virando abruptamente pra olhar pra o meu café da manhã com uma cara de brincalhão. — Honestamente, não parece muito apetitoso.

— Bom, não é um leão de montanha... — Ignorando ela quando fez uma careta.

Eu ainda estava me perguntando por que ela havia respondido aquilo quando eu mencionei Allysson. Olhei para o meu cereal, fazendo especulações.

Ela ficou parado no meio da cozinha, uma estátua de Adônis de novo, olhando pra fora pelas janelas de trás. Então seus olhos voltaram pra mim, ela sorriu com um sorriso de tirar o fôlego.

— E eu acho que você devia me apresentar ao seu pai também, eu acho.

— Ele já te conhece. — Eu a lembrei.

— Eu quero dizer, como sua namorada.

Eu a encarei com um olhar suspeito.

— Por quê?

— Não é esse o costume? — Ela perguntou inocentemente.

— Eu não sei. — Admiti.

Minha vida amorosa não havia me dado muitas referências. Não que as regras de um namoro normal se aplicassem aqui.

— Isso não é necessário, sabe. Eu não espero que você... Finja por minha causa.

Seu sorriso estava paciente.

— Eu não estou fingindo.

Empurrei os restos do meu cereal nas bordas da tigela, mordendo meu lábio.

— Você vai dizer pra Alejandro que eu sou sua namorada ou não? — Ela perguntou.

— É isso que você é?

Eu suprimi a alegria que tomava conta de mim por pensar em Lauren e Alejandro e a palavra namorada, juntos no mesmo lugar.

— Eu tenho que admitir que já não sou apenas mais uma garota.

— Na verdade, eu tinha a impressão de que você era algo mais. —Confessei, olhando para a mesa.

— Bem, nós não temos que massacrá-lo com todos os detalhes agora. — Ela se inclinou na mesa para levantar o meu queixo com um dedo frio, gentil. —Mas ele precisa de alguma explicação pra o motivo que eu fico aqui tanto tempo. Eu não quero que o Chefe Cabello me dê uma ordem de prisão.

— Você vai ficar? — Perguntei. — Você vai ficar aqui mesmo?

— Até quando você me quiser. — Ela me assegurou.

— Eu sempre vou querer você. — Avisei. — Pra sempre.

Ela deu a volta na mesa vagarosamente, parando a alguns passos de distância, se inclinou para tocar a minha bochecha com a ponta dos seus dedos. Sua expressão estava insondável.

— Isso te deixa triste? — Perguntei.

Ela não respondeu. Olhou-me nos olhos por um imensurável período de tempo.

— Você já acabou? — Ela finalmente perguntou.

Levantei-me num pulo.

— Sim.

— Vá se vestir, eu vou esperar aqui.

Foi difícil decidir o que vestir. Eu duvidava que houvesse algum livro de etiqueta que te dissesse o que vestir quando sua namorada vampira te leva pra conhecer a família de vampiros dela. Era um alívio pensar na palavra sozinha. Eu sabia que eu a afastava dos meus pensamentos intencionalmente por timidez.

Eu acabei colocando a minha única saia longa, cor de caqui, mas casual. E minha blusa azul que ela tinha elogiado. Uma rápida olhada no espelho me disse que meu cabelo estava impossível, então eu fiz um rabo de cavalo.

— Tudo bem. —Desci as escadas. — Eu estou decente.

Ela estava me esperando no pé da escada, mais próximo do que eu imaginava, e eu acabei me chocando com ela. Ela me equilibrou, me segurando cuidadosamente longe do seu corpo por alguns segundos antes de me trazer pra mais perto rapidamente.

— Errada de novo. —Ela murmurou no meu ouvido. — Você está muito indecente, ninguém devia ser tentadora assim, não é justo.

— Tentadora como? — Perguntei. — Eu posso me trocar...

Ela suspirou, balançando a cabeça.

—Você é tão absurda.

Ela pressionou seus lábios frios delicadamente na minha testa e a sala rodou. O cheiro do seu hálito tornou impossível pensar.

— Será que eu devo explicar como você é tentadora pra mim? — Ela disse.

Claramente era uma pergunta retórica. Ela passou seus dedos vagarosamente pela minha coluna, sua respiração estava vindo mais rápido na minha pele. Minhas mãos estavam espalmadas no seu peito, e eu senti a minha cabeça leve de novo. Ela abaixou sua cabeça devagar e encostou levemente seus lábios frios nos meus por um segundo, muito cuidadosamente, fazendo eles se abrirem.
         Então eu desmoronei.

— Mila? — Sua voz estava alarmada enquanto me pegava e me mantinha de pé.

— Você... Me... Deixou... Tonta. — Acusei atordoada.

— O que é que eu faço com você? — Ela gemeu exasperada. — Eu te beijei ontem e você me atacou! Hoje você desmaia nos meus braços!

Sorri fracamente, deixando os braços dela me segurarem, enquanto minha cabeça rodava.

— É isso que eu ganho por ser boa em tudo. — Ela suspirou.

— Esse é o problema. — Ainda estava atordoada. — Você é boa demais. Muito, muito boa.

— Você está passando mal? — Ela perguntou, já havia me visto assim antes.

— Não, não é o mesmo tipo de tontura. Eu não sei o que aconteceu. — Eu balancei a cabeça pedindo desculpas. — Acho que me esqueci de respirar.

— Eu não posso te levar a lugar nenhum desse jeito.

— Eu estou bem. — Insisti. — Sua família vai pensar que eu sou louca do mesmo jeito, qual é a diferença?

Ela mediu minha expressão por um instante.

— Eu gosto muito do tom da sua pele. — Ela disse inesperadamente.

Corei de prazer, e desviei o olhar.

— Olha, eu estou dando muito duro pra não pensar no que eu estou fazendo, então será que já podemos ir? — Perguntei.

— Então você está com medo não porque vai pra uma casa cheia de vampiros, mas porque você tem medo que esses vampiros não aprovem você, correto?

— É isso mesmo. — Disse imediatamente, surpresa com o tom casual que usou ao dizer essas palavras.

Ela balançou a cabeça.

— Você é incrível.

Eu me dei conta, enquanto ela dirigia minha caminhonete até a parte central da cidade, que eu não fazia ideia de onde ela morava. Nós passamos sobre a ponta do rio Calawah, pegando a estrada que ia para o norte, as casas passando por nós, estavam ficando maiores. Então passamos por outras casas coladas umas nas outras, dirigindo na direção da vasta floresta. Eu estava pensando se seria melhor perguntar ou ser paciente quando ela virou numa estrada sem pavimento. Não havia sinalização, ela era praticamente invisível entre as árvores. A floresta se estendia pelos dois lados, deixando a estrada á frente visível, discernível apenas por causa de umas curvas em formato de serpente ao redor das árvores antigas.

E então, alguns quilômetros mais á frente, havia algo brilhando por entre as árvores, e de repente apareceu uma pequena clareira. Ou será que era um quintal? O brilho da floresta, no entanto, não desapareceu, pois haviam seis árvores enormes que circundavam o lugar em todas as suas arestas. As sombras mantinham as sombras da casa segura sobre as paredes que se erguia por entre elas, tornando obsoletas as minhas primeiras explicações.

Eu não sabia o que esperar, mas definitivamente não era isso. A casa era antiga, graciosa, e tinha provavelmente uns cem anos. Era pintada de um branco suave, fraquinho, tinha três andares, era retangular e bem proporcionada. As janelas e portas faziam parte da estrutura original ou de uma restauração muito bem feita. Minha caminhonete era o único carro á vista. Eu podia ouvir um rio por perto, escondido pela obscuridade da floresta.

— Uau.

— Você gostou? — Ela sorriu.

— Tem... Certo charme.

Ela deu um puxãozinho na ponta do meu rabo de cavalo e deu uma gargalhada.

— Pronta? —Ela perguntou, abrindo a porta.

— Nem um pouquinho, mas vamos lá.

Eu tentei sorrir, mas parece que minha garganta estava presa. Passei a mão no cabelo nervosamente.

— Você está adorável. — Ela pegou minha mão calmamente, sem pensar.

Nós caminhamos pelo longo portal de entrada. Eu sabia que ela podia sentir minha tensão, seu polegar fazia círculos nas costas da minha mão.

Ela abriu a porta pra mim.

Por dentro era ainda mais surpreendente, menos previsível, do que do lado de fora.

Era muito clara, muito aberta, e muito grande. Isso originalmente devem ter sido vários quartos, mas as paredes foram removidas em muitas partes pra criar um espaço maior. O fundo, virado para o sul foi inteiramente substituído por vidros, e, além da sombra das árvores, o quintal terminava num rio enorme, uma escada gigantesca dominava o lado oeste da sala. As paredes, o teto baixo, o chão de madeira, e os finos tapetes, eram todos de tons variantes de branco.
Esperando por nós, em pé no lado esquerdo da porta, num lado da sala que continha um piano enorme e espetacular, estavam os pais de Lauren.

Eu vi o Dr. Cullen primeiro, é claro, ainda não podia deixar de me chocar com a sua juventude e perfeição ultrajante. Ao lado dele estava Esme, eu presumi a única da família que eu ainda não conhecia. Ela tinha o mesmo rosto pálido, lindo que os outros tinham. Alguma coisa no formato de coração do seu rosto, seus cachos macios, de uma cor caramelada, me fez lembrar filmes épicos. Ela era pequena, mais esbelta, mais angular, mais cheinha que os outros. Eles dois estavam vestidos casualmente, com roupas claras que combinavam com o interior da casa. Deram um sorriso de boas vindas, mas não fizeram nenhum movimento para se aproximar. Imaginei que eles estavam tentando não me assustar.

— Carlisle, Esme. — A voz de Lauren quebrou o curto silêncio. — Esta é Mila.

— Seja bem vinda, Mila. — Os passos de Carlisle eram medidos, cuidadosos enquanto ele se aproximava.

Ele ergueu sua mão tentadoramente. Eu dei um passo á frente para balançar a mão dele.

— É bom vê-lo de novo, Dr. Cullen.

— Por favor, me chame de Carlisle.

— Carlisle. — Sorri pra ele, minha súbita confiança me surpreendeu.

Eu podia sentir o alívio de Lauren á meu lado.

Esme sorriu e também deu um passo á frente, vindo à direção da minha mão. O seu aperto frio e forte foi exatamente como eu esperava.

— É muito bom conhecer você. — Ela disse sinceramente.

— Obrigada. É bom conhecer você também.

E era mesmo. Era como conhecer uma fada de contos, ou Branca de Neve, pela cor.

— Onde estão Allysson e Troy? — Lauren perguntou, mas ninguém respondeu, já que eles apareceram no topo da escada.

— Ei, Lauren. — Allysson chamou entusiasmada.

Ela correu escada abaixo, uma mistura de cabelos pretos e pele branca, parando graciosamente na minha frente. Carlisle e Esme olharam para ela com olhos cheios de avisos, mas eu gostei. Era natural, pra ela, pelo menos.

— Oi, Mila. — Ela disse e se inclinou para me dar um beijo na bochecha.

Se Carlisle e Esme pareciam assustados antes, agora eles estavam alarmados. Havia choque nos meus olhos também, mas eu estava feliz por ela parecer me aceitar tão inteiramente. Eu estava surpresa por sentir Lauren tão rígido ao meu lado. Olhei para o rosto dela, mas a sua expressão não me disse nada.

— Você realmente cheira bem, eu não tinha reparado antes. — Ela comentou, me deixando totalmente envergonhada.

Ninguém mais parecia saber exatamente o que dizer, e então Troy estava lá – alto e leonino. Um sentimento de paz passou pelo meu corpo, e de repente eu estava totalmente a vontade a despeito de onde eu estava. Lauren olhou pra Troy, levantando uma sobrancelha, e então eu me lembrei do que Troy podia fazer.

— Olá, Mila. — Troy disse.

Ele manteve a distância, sem me oferecer um aperto de mão. Mas era impossível se sentir mal perto dele.

— Olá, Troy. —Respondi timidamente pra ele, e depois para os outros. —Vocês têm uma casa linda. — Comentei convenientemente.

— Obrigada. —Esme disse. — Estamos muito felizes por você ter vindo.

Ela falou cheia de sentimento, e então eu percebi que ela estava me achando corajosa.

Dei-me conta de que Rosalie, Emmett, Louis e Harry não estavam em lugar algum, então me lembrei da resposta muito inocente de Lauren  quando eu perguntei se eles não gostavam de mim.

A expressão de Carlisle me tirou dessa linha de pensamento, ele estava olhando para Lauren com uma expressão intensa. Pelo canto dos meus olhos, eu vi Lauren afirmar com a cabeça uma vez.

Virei o olhar, tentando ser educada. Meus olhos foram parar de novo no lindo instrumento que havia na sala. De repente eu me lembrei da minha fantasia de infância que, se um dia eu ganhasse na loteria, eu compraria um piano bem grande pra minha mãe. Ela não era muito boa, só tocava pra si mesma no nosso teclado de segunda mão, mas eu adorava vê-la tocar. Ela ficava feliz, absorvida – nessas horas, parecia ser um ser novo, misterioso pra mim, alguém que não era a mãe que eu conhecia. Ela tentou me dar aulas, é claro, mas como toda criança, eu reclamei até que ela me deixou em paz.

Esme notou minha preocupação.

— Você toca? — Ela me perguntou, inclinando a cabeça na direção do piano.

Eu balancei minha cabeça.

— Nem um pouco. Mas é lindo. É seu?

— Não. — Ela riu. — Lauren não te contou que é uma música?

— Não. — Eu olhei para a expressão inocente dela com os olhos revirados. — Mas eu já devia saber, acho.

Esme ergueu suas sobrancelhas delicadas, confusa.

— Lauren consegue fazer tudo, não é? —Expliquei.

Troy riu silenciosamente e Esme deu a Lauren uma olhada de reprovação.

— Eu espero que você não tenha ficado se mostrando, é rude. — Ela repreendeu.

— Só um pouquinho. — Ela sorriu livremente.

O rosto dela se suavizou com o som, e eles trocaram um olhar que eu não entendi, apesar de Esme ter parecido quase presumida.

— Na verdade, ela foi modesta demais. — Corrigi.

— Bem, toque pra ela. — Esme encorajou.

— Você acabou de dizer que ficar me mostrando era rude. — Ela disse.

— Pra toda regra há uma exceção. — Ela replicou.

— Eu gostaria de te ouvir tocar. — Ajudei.

— Está resolvido, então. — Esme a empurrou na direção do piano.

Ela me puxou com ela, fazendo com que eu me sentasse ao seu lado no banco.
Me deu um olhar longo, exasperado antes de virar as chaves.

E então seus dedos flutuaram rapidamente nas teclas, e a sala foi ocupada por uma composição tão complexa, tão luxuriosa, que era difícil acreditar que era tocada apenas por um par de mãos. Eu senti meu queixo cair, minha boca ficou aberta de pasmo, e eu ouvi gargalhadas atrás de mim por causa da minha reação.

Lauren olhou pra mim casualmente, a melodia ainda soava ao nosso redor sem intervalos, eu pisquei.

—Você gosta?

—Você compôs isso? — Gaguejei, entendendo tudo.

Ela afirmou com a cabeça.

— É a favorita de Esme.

Fechei meus olhos, balançando a cabeça.

— Qual é o problema?

— Eu estou me sentindo extremamente insignificante.

A música ficou mais devagar, se transformando em outra mais leve, e para a minha surpresa eu reconheci a melodia da sua canção saindo da profusão das notas.

— Essa é inspirada em você. — Ela disse suavemente.

A música ficou insuportavelmente doce. Eu não conseguia falar.

— Eles gostam de você, sabe. — Ela disse convencionalmente. —Especialmente Esme.

Olhei pra trás, a sala enorme estava vazia agora.

— Onde eles foram?

— Estão tentando nos dar privacidade, eu acho.

Eu suspirei.

— Eles gostam de mim. Mas Rosalie e os outros... —Parei, sem ter certeza de como expressar minhas dúvidas.

Ela fez uma careta.

— Não se preocupe com Rosalie. —Ela disse, seus olhos estavam grandes e persuasivos. — Ela vai aparecer.

Meus lábios se contorceram ceticamente.

— E os outros?

— Bem, eles acham que eu sou uma lunática, e é verdade, mas eles não tem nada contra você. Só estão tentando apoiar Rosalie.

— Porque é que isso aborrece tanto ela? — Eu não tinha certeza de que queria saber a resposta.

Ela deu um suspiro longo.

— Rosalie tem mais problemas com... Com o que você é. Pra ela é difícil ter alguém de fora sabendo da verdade. Está com um pouco de inveja.

— Rosalie tem inveja de mim? — Perguntei incrédula.

Eu imaginei um universo onde a Rosalie de tirar o fôlego, teria motivos pra ter inveja de mim.

— Você é humana, — ela ergueu os ombros — ela também queria ser.

—Oh. —Murmurei ainda aturdida. —Mas até Troy...

— Na verdade aquilo foi culpa minha. — Ela disse. — Eu te disse que ele foi o último de nós a tentar se adaptar ao nosso meio de vida. Pedi que ele mantivesse distância.

Eu pensei na razão pela qual ele faria isso, e tremi.

— Carlisle e Esme? — Continuei rapidamente pra não o deixar reparar.

— Eles estão felizes por me ver feliz. Na verdade, Esme não se importaria se você tivesse três olhos e pés gigantes. Durante todo esse tempo, ela temeu por mim, achando que eu estava perdendo algo essencial por conta da transformação, que eu era jovem demais quando Carlisle me transformou... ela está radiante. Toda vez que eu te toco ela fica prestes a explodir de alegria.

— Allysson parece muito... entusiasmada.

— Allysson tem a sua própria forma de enxergar as coisas. — Ela disse com os lábios apertados.

— Você não vai me explicar isso, vai?

Um momento de comunicação sem palavras passou por nós. Ela se deu conta de que eu sabia que ela estava me escondendo alguma coisa. Eu me dei conta de que ela não ia me contar nada. Ainda não.

— Então o que Carlisle estava te dizendo mais cedo?

Suas sobrancelhas se juntaram.

— Você percebeu, não foi.

Eu levantei os ombros.

— É claro.

Ela me olhou pensativa por alguns segundos antes de responder.

— Ele queria me contar uma novidade, não sabia se era algo que devia compartilhar com você.

— Você vai?

— Eu tenho, porque eu vou ficar um pouco... Insuportavelmente super protetora nos próximos dias, ou semanas, e eu não quero que você pense que eu sou naturalmente insuportável.

— O que há de errado?

— Nada errado, necessariamente. Allysson viu alguns visitantes se aproximando. Eles sabem que estamos aqui, e estão curiosos.

— Visitantes?

— Sim, bem... Eles não são como nós, claro, nos seus hábitos alimentares, eu quero dizer. Eles provavelmente nem vão aparecer na cidade, mas eu certamente não vou tirar os olhos de você de jeito nenhum, até que eles tenham ido embora.

Eu me arrepiei.

— Finalmente uma resposta racional! — Ela murmurou. — Eu já estava começando a acreditar que você não tinha o menor senso de auto preservação.

Eu deixei essa passar, olhando ao redor, meus olhos admirando de novo a sala espaçosa.

Ela seguiu meu olhar.

— Não é o que você esperava, não é? — Ela perguntou com uma voz presumida.

— Não. — Admiti.

— Sem caixões, sem caveiras empilhadas nos cantos, eu nem acho que temos teias de aranha... Que decepção isso deve ser pra você. — Ela continuou zombando.

Eu ignorei suas brincadeiras.

— É tão clara... Tão aberta.

Ela estava mais sério quando respondeu.

— É o único lugar onde não precisamos nos esconder.

A música que ela ainda estava tocando, a minha música, foi chagando ao fim, as notas finais mudando para um tom mais melódico. A última nota ecoou no silêncio.

— Obrigada. — Murmurei.

Me dei conta de que estava com lágrimas nos olhos. Eu enxuguei elas, envergonhada.

Ela tocou o canto dos meus olhos, enxugando uma que eu havia deixado escapar. Ela levantou o dedo, analisando significantemente a umidade da gota. Então, tão rapidamente que eu mal pude reparar, ela colocou o dedo na boca para experimentá-la.
Eu olhei pra ela questionando, e ela olhou pra mim por um momento até que ela finalmente sorriu.

— Você quer ver o resto da casa?

— Não tem caixões? — Verifiquei, o sarcasmo na minha voz estava escondendo a verdadeira ansiedade que eu sentia.

Ela sorriu, pegando minha mão, me levando pra longe do piano.

— Sem caixões. — Ela prometeu.

Nós subimos a enorme escadaria, minha mão passando pela superfície delicada do corrimão. O longo corredor que se seguia ás escadas era revestido com uma madeira cor de mel, a mesma das madeiras do chão.

— O quarto de Rosalie e Emmett... O escritório de Carlisle... O quarto de Allysson. — Ela fazia gestos enquanto passávamos pelas portas.

Nós teríamos continuado, mas eu parei no fim do corredor, olhando incrédula para o ornamento pendurado na parede acima da minha cabeça. Lauren deu uma gargalhada por causa da minha expressão.

— Você pode sorrir. — Ela disse. — É mesmo um pouco irônico.

Eu não ri, minha mão levantou automaticamente com um dedo erguido para tocar a grande cruz de madeira. A sua madeira escura contrastava com o tom claro das paredes. Eu não toquei, apesar de estar muito curiosa pra saber se ela era tão suave ao toque quanto parecia ser aos olhos.

— Deve ser muito antiga. — Adivinhei.

Ela ergueu os ombros.

— Do início da década de 1630, mais ou menos.

Eu desviei o olhar da cruz pra olhar pra ela.

— Porque vocês mantêm isso aqui? —Perguntei.

— Nostalgia. Pertenceu ao pai de Carlisle.

— Ele colecionava antiguidades? —Perguntei em dúvida.

— Não. Ele mesmo a fez. Costumava ficar na parede sobre o altar da sacristia onde ele pregava.

Eu não tinha certeza se o meu rosto demonstrava o meu choque, mas só na duvida, eu me virei para olhar para a velha cruz novamente. Eu fiz as contas rapidamente na cabeça; a cruz já tinha mais de trezentos e setenta anos de idade. O silêncio perdurou enquanto eu lutava pra entender o conceito de todos esses anos.

— Você está bem? — Ela parecia preocupado.

— Quantos anos Carlisle têm? — Perguntei baixinho, ignorando sua pergunta, ainda olhando pra cima.

— Ele acabou de celebrar seu aniversário de trezentos e sessenta e dois anos. — Lauren disse.

Eu olhei pra ela, um milhão de perguntas estavam nos meus olhos.
Ela me olhava cuidadosamente enquanto falava.

— Carlisle nasceu na Inglaterra, na década de 1640, ele acha. Naquela época o tempo não era tão contado quanto hoje, pelos menos não pelas pessoas comuns. No entanto, foi logo antes da lei de Cromwell.
Eu mantive meu rosto composto, consciente de que ela estava me estudando enquanto eu ouvia. Era mais fácil se eu tentasse não acreditar no que ouvia.

— Ele era filho de um pastor Anglicano. A mãe dele morreu no parto. Seu pai era um homem intolerante. Quando os protestantes chegaram ao poder, ele foi a favor da perseguição dos católicos romanos e de outras religiões, também acreditava muito fortemente no poder do mal. Ele comandou caçadas por bruxas, lobisomens... e vampiros. — Fiquei muito rígida quando ouvi a palavra.

Tenho certeza de que ela reparou, mas ela continuou sem parar.

— Eles queimaram muitas pessoas inocentes, é claro que as criaturas que eles estavam procurando não eram tão fáceis de pegar. Quando o pastor ficou velho, ele ordenou que seu filho obediente ficasse em seu lugar. No começo, Carlisle foi uma decepção, ele não via ninguém pra acusar tão rapidamente, não via demônios que não existiam. Mas ele era insistente e mais inteligente que o seu pai. Realmente descobriu um covil de vampiros de verdade que viviam se escondendo nos esgotos da cidade, só saindo durante a noite, pra caçar. Naqueles tempos, quando essas criaturas não eram só lendas e mitos, era assim que eles viviam. As pessoas pegaram suas tochas e lanças, é claro, — seu breve sorriso estava sombrio agora — e esperaram onde Carlisle havia visto um deles saindo para a rua. Finalmente, um deles saiu. — Sua voz estava muito baixa; eu tive que dar duro pra ouvir. — Ele devia estar muito velho, fraco e com fome. Carlisle ouviu ele chamando os outros em Latin quando sentiu o cheiro das pessoas. Ele correu pelas ruas, e Carlisle, que tinha vinte e dois anos e era muito rápido, estava liderando a perseguição. A criatura poderia facilmente despistá-los, mas Carlisle acha que ele estava com muita fome, então ele se virou e atacou. Pulou em Carlisle primeiro, mas os outros estavam logo atrás, virou pra se defender. Ele matou outros dois homens, se alimentou de um terceiro e deixou Carlisle sangrando na rua.

Lauren  parou. Eu podia ver que ela estava tentando esconder alguma parte da história, escondendo alguma coisa de mim.

— Carlisle sabia o que seu pai ia fazer. Os corpos seriam queimados, tudo que havia sido infectado pelo monstro tinha que ser destruído. Então agiu instintivamente pra salvar sua vida. Saiu da rua rastejando enquanto o resto do bando corria atrás do demônio. Ele se escondeu numa plantação de batatas por três dias, foi um milagre que ele tenha conseguido se manter em silêncio, permanecer em segredo sem ser descoberto.

— Então tudo acabou e ele descobriu no que havia se transformado.

Eu não tenho certeza do que a minha expressão estava dizendo, mas de repente ela parou.

— Como você está se sentindo? — Ela perguntou.

— Eu estou bem. — Assegurei.

E de repente eu mordi meu lábio com hesitação, ela deve ter visto a curiosidade queimando nos meus olhos.

Ela sorriu.

— Eu espero que você tenha mais perguntas pra mim.

— Algumas.

Seu sorriso cresceu mostrando seus dentes brilhantes. Ela começou a andar pelo corredor, me puxando pela mão.

— Venha, então. — Ela me encorajou. — Eu vou te mostrar uma coisa


Notas Finais


Demorei , maaaas


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