História Cretina Irresistível - Camren (Lauren G!P) - Capítulo 76


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camila Cabello, Camreng!p, Fifth Harmony, Lauren Jauregui, Laureng!p
Visualizações 754
Palavras 4.299
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 76 - Vai ser hilário


POV. Lauren

Estávamos em San Diego há exatas duas horas e eu já estava arrependida de não ter aceitado a proposta de Camila de fugirmos para Las Vegas.

Como se pudesse ouvir meus pensamentos, essa mesma mulher se virou no assento ao meu lado.

Eu podia sentir sua atenção, a pressão de seu olhar enquanto me observava e tentava dissecar todos os meus grunhidos de insatisfação.

– Por que você está nervosa? – ela finalmente perguntou.

– Estou bem – eu respondi, tentando parecer desinteressada, mas falhando miseravelmente.

– Não é o que parece, considerando a força com que você está segurando o volante.

Franzi ainda mais o rosto e imediatamente parei de segurar a direção com tanta força. Estávamos a caminho do jantar em que a maior parte de nossas famílias iria se encontrar pela primeira vez. Parentes vieram de toda parte: Michigan, Flórida, Nova Jersey, Washington, até mesmo do Canadá. Muitos deles eu não via há mais de vinte anos. Ao todo, mais de trezentas e cinquenta pessoas chegariam nos próximos dias. Só Deus sabia o que teríamos pela frente. Num bom dia, eu odiava conversa fiada. Na semana anterior ao maior evento da minha vida, eu estava morrendo de medo de me comportar como a maior cretina do mundo e fazer todo mundo ir embora antes mesmo da cerimônia.

Inclinando-se para frente para que eu olhasse para ela, Camila perguntou:

– Você não está entusiasmada para essa semana?

– Sim, é claro. Estou apenas com medo de hoje à noite. Não sei como vou lidar com ter que fazer todo o social.

– Meu palpite é que você não vai lidar muito bem – ela disse, dando um soquinho em meu ombro.

Eu ri um pouco e lancei um olhar de desdém.

– Valeu, ajudou muito.

– Olha, apenas espere até você conhecer minhas tias – ela disse, beijando meu ombro no mesmo lugar onde havia dado o soco. – Vai ser a distração de que você precisa.

O pai de Camila havia viajado da Dakota do Norte com suas duas irmãs excêntricas. As duas haviam recentemente passado por divórcios, e Camila prometera que elas tinham o potencial para ser o maior desastre da semana. Eu achava que era cedo para entregar esse troféu: Camila ainda não conhecia meu primo Bull.

– Você vai se esquecer de tudo e só se preocupar com o que elas vão aprontar em seguida, e de quanto dinheiro você vai precisar para pagar a fiança – Camila começou a mexer no rádio, parando numa musica pop estridente. Virei para ela, concentrando uma vida inteira de ódio à música pop em meu olhar.

Satisfeita por me deixar irritada o bastante, ela se recostou no banco.

– Então, o que mais está irritando você? Você não está tendo dúvidas sobre se casar comigo, não é?

Respondi com outro olhar que dizia Você está maluca?

– Certo – ela riu. – Então, fale comigo. Diga o que está se passando nessa sua cabecinha.

Peguei sua mão e entrelacei nossos dedos.

– Só estou preocupada com o caos que se anuncia – eu disse, encolhendo os ombros. – Este casamento se tornou uma coisa tão enorme. Você sabia que minha mãe enviou quatorze mensagens de texto desde que entramos no avião? Quatorze. Com coisas tipo onde podemos tomar café em San Diego, até será que o Bull pode depilar as costas no hotel? Como se eu soubesse! Você disse isso ontem: o casamento se tornou uma entidade. Não acredito que estou falando isso, mas agora estou pensando se você estava certa quando sugeriu que fôssemos para Las Vegas.

Ela me respondeu com seu clássico sorrisinho de satisfação.

– Na verdade, acho que eu disse "correr" para Las Vegas. Tipo, fugir mesmo.

– Certo.

– Sabe, não estamos tão longe do aeroporto – ela lembrou, fazendo um gesto para a janela por onde ainda podíamos ver aviões decolando e pousando. – Não é tarde demais para escapar.

– Não me tente – eu disse, pois por mais que suspeitasse estarmos indo em direção a um desastre, eu não queria ir embora de verdade. San Diego sempre foi especial para nós: foi onde eu parei de ser uma idiota e finalmente me permiti amar Camila. Foi onde a Camila finalmente me deixou amá-la. E, meu Deus, já tinham realmente se passado dois anos? Como isso era possível? Parecia que ontem mesmo eu estava discretamente checando a bunda da Srta. Cabello no escritório.

Nós tínhamos estado aqui mais uma vez, claro, para escolher o local da cerimônia. E aquela viagem tinha sido tão atrapalhada, mas desta vez o peso era muito maior. Estávamos ali para nosso casamento. Apesar de sua invasão à minha despedida de solteira, apesar de termos comprado um apartamento juntas em Manhattan, e apesar do anel no dedo de Camila, foi só naquele estranho momento de nervosismo que a ficha começou a cair. Estávamos nos casando. Quando eu fosse embora dali de novo, Camila seria minha esposa.

Puta merda.

Passei minha mão trêmula em minha testa suada.

– Você está quieta demais. Por acaso esse silêncio significa que você está mesmo considerando fugir? – Camila perguntou.

Eu sacudi a cabeça.

– Claro que não – disse, apertando sua mão. – Estamos aqui. E não existe chance alguma de você não andar até o altar. Eu lutei demais por você.

– Pare com isso, Lauren. É muito mais fácil lidar com você quando está se comportando como uma cretina.

– E eu já aguentei você demais – eu acrescentei, sorrindo quando senti seu punho acertando meu ombro mais uma vez. – Mas sinto que deveria avisar você de novo. Alguns membros da minha família são um pouco...

– Malucos? Do tipo que constroem uma fábrica de vitaminas na garagem? Do tipo que pagam milhares de dólares para anunciar em revistas de geriatria?

Franzi o rosto.

– Como é? Quem fez isso?

– Seu primo Bull – ela respondeu. – Chris me contou algumas histórias no telefone. Aparentemente é sua nova empreitada. Ele vai tentar encontrar investidores oferecendo o negócio para o Will e a Mani.

– Por que eu estou surpresa?

Ela deu de ombros.

– Famílias são sempre um problema, Lauren. Se não fosse assim, ninguém nunca sairia de casa. E os meus familiares não são lá muito normais também. Você sabe que minhas tias são um pouco... Vamos apenas dizer que elas realmente vão se dar bem com os Jauregui. Espero que você tenha trazido seu tênis de corrida.

– Bom... – eu comecei a dizer, mas parei quando ela cruzou as pernas. – Camila?

Ela mexia na perna, arrumando uma meia que não existia.

– Humm?

– Que diabos você está usando?

– Gostou? – ela disse, erguendo o pé e o movendo de um lado a outro. Seus sapatos pareciam realmente perigosos. Saltos muito altos e couro muito azul-escuro.

– Você estava usando isso quando saímos do hotel?

– Sim. Você estava ao telefone com seu irmão.

Nunca fui de prestar muita atenção no que Camila vestia, mas a movimentação dentro da minha calça me dizia que eu definitivamente já tinha visto esses sapatos antes – sobre meus ombros, se eu não estava enganada.

– Onde eu já vi esses sapatos?

– Ah, sei lá – maldita mentirosa. – Em casa?

Em casa, em nosso quarto.

Com a caixa que guardávamos debaixo da cama. E as coisas que fazíamos quando tirávamos a caixa de lá.

Lembrei da noite em que ela tinha usado esses sapatos, quase dois meses antes. Nós não nos víamos há semanas e eu não conseguia tirar as mãos dela. Ela apanhara os sapatos junto a algo novo que queria tentar: um frasco de cera quente. Eu ainda podia sentir o calor de quando ela despejara a cera sobre a minha pele e os arrepios que irradiaram pelo meu corpo quando a cera se acumulava num ponto. Ela me provocou por tanto tempo que eu cheguei a prometer que lhe daria café da manhã na boca de joelhos no dia seguinte. Gozei tão forte que quase apaguei naquela noite.

– Você está fazendo isso para me ferrar, não é? Por causa da abstinência até o casamento, certo?

– Com certeza.

Encontramos uma vaga para estacionar a apenas um quarteirão do restaurante Barbarella, no bairro de La Jolla, e desci do carro para abrir a porta para Camila. Tomei sua mão e fiquei olhando enquanto ela saía, com suas pernas bronzeadas que não acabavam mais e os sapatos que poderiam facilmente empalar uma pessoa.

– Você é diabólica – eu disse. – Eu me sinto como uma noiva defendendo minha virgindade antes do casamento.

– Bom, então sinta-se à vontade para desistir dessa ideia – ela disse, me beijando.

Eu gemi, mas de algum jeito consegui me afastar. Então, nós duas olhamos na direção do restaurante.

– Aqui vamos nós...

********

Antes de chegarmos nós já podíamos ouvir nossos pais conversando em uma mesa no pátio do restaurante.

– Você precisa se certificar de que elas vão sentar juntas – dizia o pai de Camila.

– Besteira, Alejandro, elas vão ficar bem – meu pai, sempre o diplomata. – Clara pensou bastante sobre a disposição dos lugares e ela sabe o que está fazendo. Tenho certeza de que suas irmãs são encantadoras. Vamos deixar que os outros tenham uma chance de conhecê-las.

– Você quer que elas fiquem sozinhas com outras pessoas? Acho que você não entendeu bem a situação, Michael. Minhas irmãs são malucas. As duas acabaram de se divorciar e estão loucas para conhecer solteiros. Elas vão caçar todos os homens disponíveis em um raio de dez quilômetros se você permitir.

Segurei Camila na porta do restaurante, pousando minhas mãos em seus ombros e olhando em seus olhos castanhos.

– Você está pronta para isso? – perguntei.

Ela se aproximou de novo e beijou meu rosto.

– Não, não estou.

Tomei sua mão e entramos no restaurante a tempo de ver meu pai rindo.

– Você não acha que está exagerando um pouco?

Alejandro suspirou.

– Queria estar. Eu...

– Ah, até que enfim – Chris disse, interrompendo a conversa e se dirigindo até mim. Nossos pais olharam em nossa direção enquanto Chris continuou: – Eu já estava ficando preocupado, achando que vocês duas não apareceriam e eu teria que arrastá-las peladas daquele hotel.

– Que imagem horrível – eu disse, abraçando meu irmão. – E por causa disso, vou banir você do meu andar.

– Lauren – meu pai disse e me abraçou em seguida. – Alejandro e eu estávamos discutindo o arranjo dos lugares.

– E o desastre que seria deixarmos Judith e Mary separadas – Alejandro acrescentou, direcionando as palavras para Camila.

Camila abraçou meu pai e depois foi abraçar o dela.

– Clara não vai gostar do que vou falar agora – ela disse para meu pai –, mas tenho que concordar com o meu pai. Deixe as duas juntas; é melhor que não dominem mais espaço do que o necessário. Teremos menos fatalidades assim.

Com isso resolvido, puxei meu pai para o lado para deixar Camila ter um momento a sós com Alejandro.

O restaurante ficava à beira-mar, e minha mãe havia fechado o lugar inteiro. Eu tinha que admitir que era perfeito. Escondido numa pitoresca vizinhança, o restaurante era inteiro cercado de jardins meticulosamente cuidados, e toda superfície parecia coberta com adoráveis plantas. Naquele momento, com o sol se pondo, a grande área ao ar livre onde ficavam as mesas cintilava com linhas de pequenas luzes brancas. As mesas estavam começando a ficar cheias, e eu percebi que não conseguia identificar nem metade das pessoas que estavam sorrindo em nossa direção.

– Quem diabos são essas pessoas?

– Quer falar um pouco mais alto? Sua tataravó provavelmente não ouviu. E eles são da família. Primos, tias... sobrinhos de quarto grau – ele franziu as sobrancelhas quando olhou para a fila que se formava no bar. – Na verdade, nem eu sei direito. Aqueles ali já estão bebendo, então eles devem ser da família da sua mãe – ele apertou meu ombro. – Não diga a ela que eu falei isso.

– Ótimo. Mais alguém?

– Acho que sim – meu pai disse. – Seus tios estão aqui. Ainda não vi seus primos.

Eu estremeci por dentro. Chris e eu passamos a maior parte de nossos verões com nossos dois primos, Brian e Christian. Brian era o mais velho dos quatro primos, e o mais sério e calado, bem parecido comigo. Éramos muito próximos. Mas Christian – ou Bull, como insistia em ser chamado – fazia qualquer um querer fugir. Minha mãe costumava dizer que o Chris apenas queria ser igual a nós. Sempre achei que isso era besteira. Christian gostava da ideia de ser chamado de Bull simplesmente porque ele era um idiota.

– Tenho certeza de que o Bull está animado para encontrar você – meu pai disse com um sorrisinho.

– Vou ficar de olho – disse. – E tenho certeza de que Lyle se lembrou de um monte de novas histórias da marinha para contar durante o jantar. Talvez até fale sobre os resultados do exame de próstata.

Meu pai assentiu, segurando uma risada enquanto acenava para alguém do outro lado do pátio. O irmão mais velho de meu pai, Lyle, pai do Bull, parecia não ter noção de nada. Ao longo dos anos, perdi a conta de suas histórias absurdas sobre a marinha, funções corporais nojentas, pessoas no campo que mantinham "relações" com animais e as várias verrugas que sua esposa precisou remover das costas.

– Talvez eu devesse sugerir que ele conte uma dessas histórias durante o brinde, o que você acha?

Rindo, eu disse:

– Eu darei a você um dólar inteiro se você fizer isso, pai.

Minha mãe se aproximou, beijando meu rosto antes de lamber o polegar e esfregar o que imaginei que fosse uma grande mancha de batom. Desviei e apanhei um guardanapo na mesa.

– Por que você não vestiu seu terninho azul-marinho? – ela perguntou, arrancando o guardanapo da minha mão para ela mesma limpar meu rosto.

– Oi, mãe. Você está linda.

– Oi, querida. Eu gosto do terno azul-marinho muito mais do que desse.

Olhei para o terninho Prada cinza que eu usava alisando o paletó.

– Eu gosto deste – além disso, arrumei minhas malas às duas da madrugada embriagada pelo sexo, pensei.

– Azul seria mais apropriado para hoje – ela estava praticamente tremendo de tão nervosa. – Com esse parece que você está indo para um funeral.

Meu pai ofereceu seu coquetel e ela tomou tudo de um gole só antes de voltar para a mesa.

– Bom, isso foi divertido – eu disse e meu pai riu.

Camila se juntou a nós – claramente um pouco exasperada por ter lidado com seu pai – e começamos a circular pelo pátio, cumprimentando a todos e reencontrando velhos amigos e familiares. Um pouco depois, minha mãe anunciou que o jantar seria servido, então todos começaram a entrar no salão.

Encontrei nossos lugares perto do centro do salão. Camila sentou-se à minha direita, com seu pai ao seu lado. Meu pai aparentemente aceitou o conselho de Alejandro, pois as tias da Camila – Mary e Judith – estavam sentadas juntas, rindo muito e fazendo um escarcéu. Christian... Bull fez sua grande entrada enquanto todos se sentavam, gritando meu nome e erguendo sua lata de cerveja – com a velha capa térmica, é claro. Seus olhos mediram Camila mais devagar do que seria humanamente possível, e depois ele fez sinal de "joia" para mim.

Pensei em depois pedir a um amigo que trabalha na Receita para colocá-lo na malha fina. Só de brincadeira, é claro. Ou não.

O jantar consistia em filé de salmão ao molho beurre blanc, purê de batata e tomate. O prato estava perfeito, e quase conseguia me distrair de toda a conversa ao redor.

– Você está brincando? – Bull gritou do outro lado do salão para uma tia de segundo grau da família de minha mãe. – Você só pode estar brincando. Os torcedores dos Eagles passam a vida inteira sentindo que não recebem o crédito que merecem. Você quer atenção e elogios? Então vença pelo menos um jogo! É isso que estou tentando dizer – Bull tomou um gole gigante de cerveja e segurou, mas não muito, um grande arroto. – E outra coisa, você é velha, então deve saber a resposta para isso: por que diabos o programa Roda da Fortuna ainda existe? Você sabia que eles têm até um site onde você pode vestir a Vanna White, com se ela fosse uma maldita boneca? Não que eu mesmo tenha entrado no site... – ele olhou para cada um dos infelizes ao redor que escutaram ou não seu deslize. – Mas que diabos é tudo aquilo? E vou dizer uma coisa, ela já está meio velha, mas a verdade é que se eu encontrasse uma mulher tão gostosa daquele jeito para andar por aí acenando para os carros como ela faz na tevê... – ele imitou o gesto com as mãos. – Você sabe, eu faria uma fortuna.

– Meu Deus – Camila sussurrou em meu ouvido. – Já temos o primeiro desastre da noite.

Tomei um gole da minha bebida.

–Eu avisei.

– Você cresceu com esse cara?

Confirmei, estremecendo enquanto tomava o resto da bebida num único gole que desceu queimando.

– Ele sempre foi assim?

Confirmei de novo, suspirei e depois limpei a boca com o guardanapo. Camila olhou ao redor do salão, primeiro para meu primo Brian, que sempre esteve em forma e era considerado um homem bonito por todos. Depois olhou para meu pai e seus irmãos, Lyle e Allan, os dois ainda muito bonitos para sua idade. Também olhou brevemente para minha mãe, Christopher e para mim, antes de voltar a olhar para Bull. Eu podia praticamente ver sua mente mapeando os genes da família Jauregui.

– Você tem certeza de que ninguém pulou a cerca na sua família? Tipo, não há chance de ele ser filho do leiteiro...?

Eu explodi numa risada tão alta que quase todo mundo no restaurante olhou para mim.

– Preciso de outra bebida – eu disse, momentaneamente inclinando a cadeira apoiada nas duas pernas de trás.

Meu celular começou a vibrar no meu bolso e, quando apanhei, estava cheio de mensagens da minha mãe.

Mâe: Querida, seu cabelo está uma bagunça.

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Diga para seu pai parar de apresentar a tia Joan como a Garimpeira. Não sei por q

Escapei para o bar em busca de uma dose de Johnny Black. Também aproveitei para verificar por onde poderia escapar se fosse preciso – eu amo minha família, mas, meu Deus, essas pessoas são malucas. Alguns instantes depois, senti um toque em meu ombro.

– Então, você é a mulher que está se casando com Camila.

– Isso se ela não cair na real e fugir correndo... – disse, virando para as duas mulheres atrás de mim. Imediatamente eu identifiquei quem eram. – Vocês devem ser as tias da Camila, certo?

Uma delas assentiu, e todo seu cabelo armado balançou junto.

– Eu sou Judith – ela disse, depois apontou para sua irmã. – Esta é Mary.

Judith tinha um cabelo que parecia algum tipo de doce: armado e com muita tintura vermelha, igual a um algodão doce. Poderia ser apenas impressão, mas juro que ela também cheirava a morango. Sua pele ainda era relativamente lisa considerando sua idade – sessenta e pouco, se Camila estava certa – e os olhos castanhos pareciam sagazes enquanto olhavam para mim. Mary possuía as mesmas feições de sua irmã, mas seu cabelo era muito mais controlado e discreto. E embora Judith fosse tão alta quanto Camila, Mary não tinha mais do que um metro e meio.

Estendi a mão para cumprimentá-las.

– É um prazer finalmente conhecê-las – disse, sorrindo educadamente. – Camila me contou histórias maravilhosas sobre vocês.

Em vez de apertar minha mão, as duas me puxaram ao mesmo tempo para um longo abraço.

– Mentirosa – Mary disse com um sorriso. – Nossa sobrinha diz muitas coisas, mas não fica fazendo elogios falsos por aí.

– Ela me contou que costumava passar os verões com você. A frase que ela mais usava era "elas são muito divertidas" – achei melhor não acrescentar "e malucas".

–Bom, nisso eu posso acreditar.

– Vocês estão gostando de San Diego? – eu perguntei ao me recostar no bar. Eu podia ver  Camila com o canto do olho, e como eu esperava, Bull havia sentado em meu lugar para fazer companhia a ela. Parte de mim queria ser "seu cavaleiro" e resgatá-la, mas uma parte maior pensava diferente: se havia uma mulher no mundo que não precisava ser resgatada, essa mulher era Camila.

– Oh, estamos nos divertindo muito – Judith disse, trocando olhares com sua irmã. – E vamos continuar assim. Você sabia que essa é a primeira vez em trinta anos que nós duas estamos solteiras? Esta cidade não sabe o que a espera. Nós vamos compensar o tempo perdido... ou morrer tentando.

Não consegui evitar uma risada. Estava começando a perceber que aquela honestidade brutal era um traço da família Cabello.

– Então, qual é o plano? – perguntei. – Vocês vão passar um tempo na praia e conquistar alguns corações?

– Algo desse tipo – Mary disse, dando uma piscadela.

Judith ficou ao meu lado e baixou o tom de voz.

– Conte sobre sua família – ela pediu, ansiosa e olhando o salão com atenção. – Você só tem um irmão? E tios? Algum solteiro?

Eu sacudi a cabeça, rindo novamente. Alejandro realmente estava certo.

– Apenas um irmão. E desculpe, mas com exceção daquele que está falando com minha noiva – elas olharam para Bull e desanimaram um pouco – todos os homens estão comprometidos.

– Oh, meu Deus – ouvi a voz da Judith, repentinamente suave. Segui seu olhar até a porta da frente, por onde Will e Ally tinham acabado de entrar. Num instante, Camila e Dinah praticamente pularam em cima de Ally, deixando Will com aquele sorrisinho estúpido que agora nunca saía de seu rosto. Eu sentia falta de seu jeito irônico. Sentia falta de suas piadinhas sobre casais. Deus, agora ele mesmo estava totalmente enlaçado.

Ele me encontrou e aparentemente leu meus pensamentos, pois me mostrou o dedo do meio. E de repente, mesmo sabendo que era errado e que Camila iria me matar se descobrisse, comecei a pensar num plano.

Quer dizer, era impossível não fazer isso.

– Quem é aquele ali? – Judith perguntou quase sem voz e com jeito de quem estava prestes a ter um ataque de asma.

– Aquele é o Will. Ele trabalha com a Mani, aquela britânica com a noiva grávida.

– Ele está disponível?

Judith perguntou ao mesmo tempo em que Mary dizia:

– Ele é hétero?

Eu podia sentir minha consciência tentando me dizer alguma coisa. Uma pequena parte de mim estava tentando me impedir de fazer o que eu estava prestes a fazer, insistindo que essa não era uma boa ideia.

– Ah, ele é definitivamente hétero – eu disse. E não era mentira. – E ele é muito divertido. Muito, muito divertido – tecnicamente também não era mentira.

Mary apertou meu braço e perguntou:

– Quem é a garota com ele?

– Aquela é a Allyson. Ela é... uma velha amiga da família – ainda não era mentira. – Vocês deveriam ir se apresentar.

– Ele não é casado? – Mary perguntou, com seu estojo de maquiagem nas mãos e retocando o batom. Aquelas mulheres eram determinadas.

– Casado? Nãããooo. Definitivamente não é casado – também não era mentira.

– Ótimo – as duas disseram juntas.

Olhei rapidamente para os lados antes de envolver as duas em meus braços e dizer baixinho:

– Vou contar um segredo para vocês, mas vocês não podem contar para ninguém que fui eu quem falou – olhei para cada uma e elas assentiram, com olhos arregalados e animados. – Nosso amigo Will é um cara selvagem. Ele é insaciável e tem reputação de ser bom naquilo, se é que vocês me entendem. Só que tem uma coisa. Ele gosta de mulheres experientes. E gosta quando elas vêm em pares.

As duas pararam de respirar e se entreolharam. Tive a sensação de que uma longa conversa telepática aconteceu antes de elas voltarem a olhar para mim.

– Entenderam? – eu perguntei.

– Oh, nós entendemos – Mary disse.

Eu vou acabar no inferno por causa disso.

Fiquei olhando enquanto Judith e Mary foram em direção ao Will. Ally, Camila e Dinah já não estavam mais com ele.

Ele estava sozinho e vulnerável, perfeito.

Me ocorreu que, para fazer isso funcionar, teria que ganhar tempo com a pessoa mais importante para essa missão. Procurei por Ally e a encontrei voltando dos fundos, ajeitando seu vestido azul-safira.

Eu praticamente corri até ela.

– Como você está? – eu falei alto demais e com muito entusiasmo para alguém que acabou de sair do banheiro.

Ela se surpreendeu e parou imediatamente.

– Lauren – ela disse, pressionando a mão no peito. – Você me assustou.

– Oh, desculpe. Só queria uma chance de conversar com você antes de as garotas a sequestrarem de novo.

– Humm, ceeeerto... – ela disse, olhando ao redor e claramente confusa com minha concentração nela.

– Como foi o seu voo? – eu perguntei.

Ela relaxou e sorriu, tentando olhar sobre meu ombro para onde Will estava sentado, provavelmente no meio das coroas. Dei um passo para o lado para bloquear sua visão.

– Foi... – ela começou a dizer.

– Bom, bom – eu disse, percebendo tarde demais que nem a deixei terminar de responder. – Olha, eu queria falar uma coisa para você – seja casual, Lauren. Aja como se não fosse nada demais. Fique calma.

Seus lábios se curvaram num sorriso curioso.

– Certo.

–Você sabe como o Will é cheio de querer pregar peças – ela assentiu e eu continuei. – Eu acabei de fazer uma coisa para me vingar e eu juro – disse, pousando uma mão em seu ombro –, eu juro, Ally, que você vai achar hilário... eventualmente.

– Eventualmente?

– Com certeza. Eventualmente.

Ela me olhou com os olhos cerrados.

– É só uma pegadinha, né? Nada de cabeça raspada ou cicatrizes?

Eu me afastei e olhei em seu rosto.

– Isso foi uma pergunta muito específica. Cicatriz? Não, não, não. É uma pegadinha inocente – mostrei meu melhor sorriso, aquele que a Camila dizia que fazia calcinhas irem direto para o chão.

Mas aparentemente isso apenas deixou Ally mais desconfiada.

Seus olhos ficaram ainda mais cerrados.

– O que eu preciso fazer?

– Nada – eu disse. – Provavelmente você vai testemunhar umas coisas estranhas, mas... apenas aja naturalmente.

– Então basicamente eu tenho que fingir que não sei de nada.

– Exatamente.

– E isso vai ser engraçado?

– Vai ser hilário.

Ela pensou por uns dez segundos antes de estender a mão.

– Combinado.

 

 



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