História CRIMINAL CASE: Grimsborough 1 TEMPORADA - Capítulo 3


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Categorias Criminal Case
Personagens Agente David Jones, Alex Turner, Chief Samuel King, Grace Delaney, Juíza Olivia Hall, Nathan Pandit
Exibições 0
Palavras 2.624
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Mistério, Policial, Romance e Novela, Violência
Avisos: Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - O Açougueiro Cruel


Fanfic / Fanfiction CRIMINAL CASE: Grimsborough 1 TEMPORADA - Capítulo 3 - O Açougueiro Cruel

            Eu estava no refeitório junto com Nathan e Alex quando Jones apareceu, parecendo que não se sentia muito bem. Eu poderia jurar que a pele dele estava esverdeada, mas ele estava simplesmente enjoado.

Will: Meu Deus, você está péssimo.

Jones: Lamento ter que te atrapalhar nesse momento. Realmente fiquei meio enjoado  depois que o Chefe King me falou sobre o novo caso.

Will: E do que se trata?

Jones: Uma mulher chamada Jennifer Carter, acho que ela não teve um final muito feliz. Encontraram o corpo delas num dos armazéns de açougueiros, perto das docas. Não que eu esteja morrendo de vontade de ir lá, mas não tem outro jeito.

                Mesmo a contragosto, eu e Jones nos deslocamos até o armazém onde fazia bastante frio e já podíamos imaginar encontrar um corpo pendurado em algum lugar por ali. O lugar todo fedia a sangue, todo tipo de carne ficava pendurada pelos ganchos e várias mesas de inox com ferramentas estavam espalhadas por todo canto. A polícia já havia isolado o local onde o corpo fora encontrado, um trecho ao fundo do armazém onde o cheiro estava diferente, certamente de carne humana.

                Havia uma mulher loira pendurada de cabeça para baixo em um dos ganchos, seu tronco estava aberto por um longo corte e os órgãos internos espalhados pelo chão assim como os porcos expostos ao lado dela. A policia já havia marcado uma evidência no chão, uma pegada em meio ao sangue pastoso e uma lixeira cheia até a boca.

Will: É pior do que eu esperava. Ela estripada como um animal.

Jones: E temos pegadas.

Will: O assassino não teria deixado essa marca se o sangue estivesse fresco quando ele pisou. É bem provável que ele tenha ficado para bem ali enquanto ela sangrava até a morte.

Jones: Vou colher amostras dessa pegada para análise do laboratório.

Will: Seria bom darmos uma olhada nessa lixeira também.

Jones: Desde que você cuide disso, não há problema algum. Eu é que não vou enfiar minha mão nisto.

Will: Azar o seu. A lixeira deve estar bem mais cheirosa do que esse monte de porcos e sangue.

Policial: Com licença, detetives... o dono do armazém está esperando para ser interrogado. O nome dele é Raoul Colletti.

Will: Ótimo, peça para me aguardar lá fora, já estou indo.

                Fiquei muito feliz em poder ter uma razão para sair dali, mas Jones não pareceu muito satisfeito enquanto se abaixava para fotografar a pegada e assistia ao corpo da garota sendo removido do gancho.

                 Só voltei a respirar fundo do lado de fora, onde o ar marítimo entrou em meus pulmões removendo todo cheiro de sangue. O policial me conduziu até um homem gorducho e tristonho, cerca de 42 anos, sentado sobre alguns engradados de bebidas vazios. Ele vestia um avental sobre a camiseta alaranjada, tinha os cabelos curtos e pretos. Presumi que seria Raoul.

Will: Olá Sr. Colletti, sou o...

Raoul: Detetive Cooper, eu sei. Eu vi sua foto no jornal. Foi um bom trabalho prendendo o assassino daquele homem, Ned Dillard.

Will: Obrigado.

Raoul: Que tragédia, não? Jennifer vinha sempre aqui comprar carne. Era uma menina adorável, sempre sorridente.

Will: Sr. Colletti, quantas pessoas mais tem acesso ao seu armazém?

Raoul: Bem... meu aprendiz, Raphael Soza tem uma cópia das chaves. E minha filha, claro.  Trish. Foi ela quem encontrou o corpo. Pobrezinha.

Will: Ótimo, preciso falar com eles também.

Raoul: Eles seriam incapazes de fazer algum tipo de crueldade nesse nível.

Will: Lamento, mas esse é meu trabalho. Todos que tem a chave do armazém são potencialmente suspeitos.

                Ao meu sinal, os policiais conduziram Raoul para longe dali e foram até um carro, de onde voltaram conduzindo uma jovem adolescente que devia ter seus 16 anos, o rosto redondo e os cabelos compridos e pretos, além de uma margarida sobre a orelha direita.

Will: Você deve ser Trish, não? Como está se sentindo? Deve ser bem chocante para você...

Trish: Não consigo tirar aquela imagem da cabeça. Ela parecia um porco!

Will: Realmente lamento que tenha visto. Jennifer era sua amiga?

Trish: Ah, não, a gente não andava juntas. Ela era patricinha demais para mim. E ela era assanhada, isso eu posso afirmar. Não me espantaria se tivesse atiçado o cara errado.

Will: E por que teria escolhido esse lugar para cometer o crime?

Trish: Eu realmente não sei dizer.

                Sem qualquer aviso prévio, um outro rapaz se aproximou de nós um outro jovem, de cerca de 18 anos, cabelos pretos e vestes bastante velhas. Parecia ter saído do mesmo carro em que anteriormente, o policial fora buscar Trish.

Trish: Raphael, eu pedi para você me esperar no carro.

Will: Então você deve ser Raphael Soza, não?

Raphael: Exato. Sou o aprendiz do Sr. Coletti. Na verdade, eu fui, por dois anos. Depois que minha mãe me abandonou e me largou no acampamento de sem-tetos, ele foi o único que me deu uma chance.

Will: Então quer dizer que não trabalha mais com ele? E ainda tem a cópia das chaves do armazém?

Trish: O que está sugerindo?

Raphael: Eu tenho as chaves, mas jamais usaria para invadir um local, quanto mais matar uma pessoa. Eu simplesmente não me livrei delas ainda.

Will: Tudo bem, eu estou apenas perguntando. Não estou acusando ninguém. Mas o Sr. Coletti me disse que Jennifer vinha regularmente ao açougue. Você a conhecia bem?

                O garoto me pareceu desconfortável com a pergunta.

Raphael: Uh... a gente conversava, só isso. Faz 6 meses que estou namorando a Trish então... não presto muita atenção em outras garotas.

Will: Deve ser uma situação bem confortável, não? Trabalhar com o pai da sua namorada e poder ficar perto dela.

Raphael: Ah, sim. Os Coletti foram muito bons comigo. A vida em Cooperville é difícil, sabe. Fico feliz que eles não tenham medo de mim.

Will: Você é de Cooperville...

                Todos em Grimsborough costumavam passar longe de Cooperville, um bairro inaugurado pela prefeitura com a promessa dar casas gratuitamente aos que não tinham nada, mas o projeto foi abandonado e os terrenos foram tomados pelos moradores e seus barracos improvisados.

Raphael: Você é o Detetive William Cooper, não? Eu te vi no jornal, prendeu o tal Dennis Brown, não foi?

Will: Bem, eu...

Raphael: Seu sobrenome, Cooper... tem alguma ligação com Cooperville.

Will: É uma longa história. Quando iam inaugurar esse bairro, tentaram colocar um nome que fizesse homenagem ao nome da minha família.

Raphael: Eu não gostaria de ter meu nome associado àquele lugar horrível. Mas para quererem honrar o nome Cooper dessa forma, você deve vir de uma família importante...

Will: Você é bem curioso, rapaz. Lembre-se que sou eu quem faz as perguntas aqui.

                Eu finalmente dispensei os garotos, certo também de que estaria me livrando de mais perguntas sobre minha família e passado que a muito tento me distanciar. Porém, isso significava ter de voltar para o fedor daquele armazém. O corpo de Jennifer já estava no saco e Jones já havia enviado as imagens da pegada para análise  de Alex. Já havia até me esquecido que havia prometido revirar a lixeira, mas antes contei à Jones sobre nossos suspeitos até então.

Jones: É esse garoto de Cooperville, tenho certeza.

Will: Só por que ele é pobre? Vamos tratar ele como qualquer outro suspeito, ok? Mas não significa que deixaremos de investigá-lo.

Jones: Desculpe, mas é já faz parte da cultura de Grimsborough ficar com um pé atrás quando o assunto é Cooperville... você não se importa, não é? Quer dizer, Cooperville leva o nome da sua família e...

Will: Nunca fui a favor disso. Vamos mudar de assunto, está bem?

Jones: Então vamos à Cooperville, encontrar a casa desse Raphael e ver se temos algum indício de culpa.

Will: Está bem. Eu sempre soube que esse dia chegaria.

Jones: Do que está falando?

Will: Será a primeira vez que vou pisar em Cooperville.

Jones: É mesmo? Então você odeia mesmo aquele lugar...

Will: Não. Eu odeio que ele me faça lembrar da minha família mesquinha. Se me da licença, tenho uma lixeira para revirar.

                O latão era extremamente pesado e conseguiu piorar o odor da sala. Entre inúmeras lata e pedaços de porco, havia um facão ensangüentado. Obviamente o sangue podia pertencer aos animais, mas não me parecia comum um açougueiro jogar no lixo seu objeto de trabalho.

Jones: Senhoras e senhores, temos nossa arma do crime.

Will: É cedo para dizer. Parece muita ignorância se livrar dela atirando no lixo.

Jones: Ugh, imagine alguém balançando isto na sua cara. A Jennifer deve ter ficado apavorada.

                Realmente me senti muito bem quando deixamos a cena do crime de uma vez. Tratei de ir para casa tomar um banho antes de me reunir novamente com Jones e seguirmos na viatura para Cooperville. Não demorou muito até eu me lembrar do porquê odiava aquele lugar. As calçadas repletas de entulho, as pessoas pedindo esmolas vestidas em roupas rasgadas e surradas, e das inúmeras barracas improvisadas nos becos que abrigavam famílias inteiras. E foi em um desses becos que tivemos que entrar.

                Me esforcei ao máximo para não esbarrar nas barracas montadas no chão pois pareciam bem frágeis e a última coisa que eu queria era acabar com a única coisa que aquelas pessoas tinham para chamar de lar. Alguns mendigos estavam sentados em torno de uma fogueira e um deles se levantou e veio sorridente, exibindo um único dente na boca. Tina cabelos desgrenhados e barba comprida, ambos grisalhos, um rosto enrugado e vestia um roupa velha toda amarela.

Jones: Olha só! Se não é o velho One-Tooth-Sam.

Sam: Há quanto tempo! Quem está com você?

Jones: Esse é o Detetive Will Cooper, que trabalha comigo.

Sam: Esse sobrenome...

Will: Por favor, esse assunto de novo não.

Sam: Eu também não gostaria de ter meu nome associado a esse lugar.

Jones: Err... Este é o One-Tooth-Sam, prefeito extra-oficial de Cooperville e meu velho amigo.

Will: Como se conheceram?

Sam: O pequeno Jones sempre vinha aqui com a família dele. Nos ajudavam muito, coisa que poucos fazem por sem-teto como eu. Sou eternamente grato por toda ajuda.

Jones: Que bom revê-lo e matar a saudade.

Sam: É, mas preferiria que não viesse aqui só quando a coisa está feia. Enfim, você veio por causa do garoto, certo? Não por mim. O Raphael dorme naquele barraco, logo ali.

Will: Como sabe...

Sam: Que vieram por causa dele? Eu sempre soube que ele era problema e agora que aquela garota morreu bem no lugar onde ele trabalhava.

                O mendigo apontou para uma barraca improvisada com caixas e ferragem ao lado de um carro velho que não tinha pneus. A porta da barraca fora improvisada com um saco preto. Quando nos aproximamos, logo percebi que parecia uma busca inútil pois o casebre mal cabia uma pessoa sentada, era composta em seu interior apenas por um travesseiro e coberto, havia alguns pacotes de bolacha pela metade e uma calcinha rosa pendurada em uma luminária quebrada. Havia um laço azulado e um "J" cravado nela.

Will: Sei que pode parecer perversão da minha parte....

Jones: Não nessas circunstâncias, tudo é muito suspeito. A calcinha pode muito bem ser da Jennifer, uma patricinha como ela adoraria ter sua inicial gravada na roupa íntima.

Will: Mas só uma análise pode confirmar.

                Me senti um completo idiota guardando a calcinha dentro de um saco e ainda mais quando retornamos à delegacia e tive que entregar a evidência à Grace, que soltou uma risadinha que me deixou envergonhado. Sorte que não precisei ficar muito tempo por ali, pois Alex nos chamara para falar a respeito da pegada que ele havia analisado.

Alex: A pegada que vocês encontraram na cena do crime deixa muito a desejar. Só posso dizer que nosso assassino calça 40. Mas não sei que relevância isso pode ser.

Will: Para ter deixado uma pegada como essa, ele deve ter ficado assistindo ela morrer. Ou então voltou à cena do crime quando o sangue já estava seco.

                Nathan interrompeu-nos, aparecendo ali com o jaleco manchado de sangue e fomos todos até a sala da autopsia. Apesar de estar um pouco mais limpa, ainda era assustador olhar para Jennifer com o corpo destroçado e os órgãos internos guardados em uma bacia ao lado da maca.

Will: Meu Deus...

Nathan: Jennifer levou uma pancada na cabeça com algum objeto rombudo, mas ainda estava viva quando o assassino a cortou no meio.

Alex: Quanta frieza.

Nathan: Outra coisa, o coração dela desapareceu.

Jones: Como é?

Nathan: Ele simplesmente sumiu, não estava no corpo e tão pouco no meio das tripas que os policiais trouxeram até mim.

Jones: Acho que estou um pouco enjoado...

Nathan: Jennifer também foi torturada. Há várias marcas de queimadura nos seios dela, pelo formato, feitas com uma bituca de cigarro.

Will: Isso indica que nosso criminoso é um fumante.

Nathan: O assassino também não é nada experiente. Ele deixou fios de cabelo nos ferimentos da Jennifer, mas o DNA não bate com nada que temos em nossos registros. Só sei que o assassino tem os cabelos pretos.

                Achei que Jones fosse vomitar se ficássemos mais um segundo naquela sala, o fedor dos porcos ainda iria acompanhar aquela garota para baixo da terra. Fomos até Grace esperando que ela nos ajudasse com algo mais que nos ajudasse a traçar o perfil do bandido.

Grace: Bom, rapazes, não sei onde conseguiram aquela calcinha mas não restam dúvidas. Comparei o DNA e de fato, ela pertenceu à Jennifer. Mas não era só o dela que estava lá...

Will: Nem precisa me dizer...

Grace: Também encontrei o DNA de um tal Raphael Soza. Os sinais genéticos dele estão em nosso banco de dados, ele é um morador de rua que...

Will: Nós sabemos quem ele é.

Jones: Pegamos a calcinha no barracão dele.

Grace: Essa garota tinha fetiches estranhos...

Will: Que seja. Talvez isso prove que aqueles dois eram amantes.

Jones: Ele traiu a Trish Colletti? Até eu fiquei assustado com aquela menina ciumenta...

Will: Talvez o Sam tenha visto alguma coisa.

Jones: Você procurando desculpas para voltar à Cooperville?

Will: Não é desculpa, é o meu trabalho.

                Já era tarde quando voltamos ao beco, mas Sam estava sentado na fogueira solitário. Eu podia ver uma movimentação no barraco de Raphael e realmente esperava poder falar com ele também. Expliquei sobre nossa última descoberta ao mendigo e Jones pareceu um pouco desconfortável com meu vazamento de informações.

Sam: Não acho que Raphael estivesse envolvido com Jennifer. Você não está suspeitando dele, está? Raphael é um bom garoto, ele nunca faria isso!

Jones: Nós é quem vamos determinar isso, Sam.

Will: E o fato do DNA dele ter sido encontrado na calcinha da Jennifer o torna nosso suspeito número um.

Sam: Precisa haver outra explicação.

Will: Descobrirei isso agora mesmo.

                O mendigo nos acompanhou com o olhar quando nos dirigimos ao barraco de Raphael. Ele já estava enrolado no cobertor, se preparando para dormir, mas assim que nos viu tratou de ficar de pé e nos cumprimentar com respeito.

Raphael: Em que devo a honra dessa visita?

Will: Eu tenho um mistério e tanto nas mãos.

Raphael: Se disso, e tenho certeza de que irá solucionar e prender o assassino...

Will: Como foi que o seu DNA foi parar na calcinha da Jennifer?

Jones: Será que ele trocaram de roupa íntima um com o outro?

                O garoto pareceu irritado com a brincadeira, abandonando completamente o ar de cortesia.

Raphael: Não precisa ser sarcástico, moço. Éramos amigos e nada além disso. Não sei como o meu DNA foi parar na calcinha dela.

Will: Você pode não querer colaborar agora, mas pode ter certeza de que terei que ficar de olho em você de agora em diante.



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